Título: Começos

Tema #06 Sunset (#06 Pôr-do-sol)
Gênero: errrr...mini-angst fluffestico? OO
Avisos:
AU (de novo, de novo 8D)
Wordcount: 948
Disclaimer:- Essa é a nona de 100 vezes que vou repetir: eu não sou dona dos direitos autorais sob Gundam Wing. Eu não sou sequer dona dos temas que estou usando para esses 100 fics. Sou dona apenas de um computador meia boca e de um pseudo-talento mais meia-boca ainda. Eu não lucro nada com fics. Você ainda vai ter 91 chances pra acreditar no que eu digo 8D


'Esse lugar está ocupado?', uma voz soou ao meu lado invadindo meus pensamentos e fazendo com que eu olhasse em sua direção.

'Não, não está. Fique à vontade.', respondi, voltando meus olhos para a vista a minha frente. Durante essa hora do dia as coisas aconteciam muito rapidamente no céu. Um piscar de olhos mais longo era o suficiente para que você perdesse detalhes, e mesmo que eu já tivesse assistido aquela cena pelo menos uma centena de vezes, não queria perder nenhum detalhe.

'Eu notei que você está sempre aqui a essa mesma hora do dia', o rapaz ao meu lado falou. Era uma afirmação e não uma pergunta.

'Sim', respondi distraidamente, meus olhos não abandonando a cena a minha frente em prol de olhar para meu agora acompanhante. 'Você também esta sempre por aqui a essa hora. Eu já te vi antes.', completei.

'Fico feliz que você tenha notado,' ele falou, e o sorriso em sua voz atraiu meus olhos para seu rosto por alguns momentos. Ele tinha um sorriso refrescantemente sincero em suas feições, como se estivesse realmente feliz. 'Você parece sempre tão concentrado. Ninguém jamais imaginaria que você sequer tem idéia do que esta acontecendo ao seu redor enquanto você está assistindo ao pôr-do-sol.'

'Essa é a idéia', falei com simplicidade, deixando que meus olhos retornassem, novamente, aos tons de amarelo e laranja no horizonte.

'Se você não se importa que eu pergunte,' o rapaz indagou, 'o que o pôr-do-sol tem de tão importante que você não pode olhar para qualquer outra coisa quando ele está acontecendo?'

'O fim,' respondi.

'O fim?', ele repetiu minhas palavras em tom de pergunta, 'O fim do que?'

'O fim de mais um dia', expliquei. 'Quando os últimos raios dourados sumirem na linha do horizonte, significa que o dia acabou.'

Deixei que meus olhos fossem em sua direção e estes encontraram os seus, atentos a cada uma de minhas palavras.

Talvez tenha sido essa atenção tão intensa e indivisa que fez com que eu revelasse o que lhe disse em seguida.

Talvez tenha sido outra coisa.

'Eu sempre passo por esse lugar quando estou voltando do trabalho para casa, mas durante muito tempo eu não olhava para nada ao meu redor a não ser a rua a minha frente. Foi em um dia qualquer, alguns meses atrás, quando olhei para o horizonte por mero acaso e percebi exatamente o que eu havia perdido durante tanto tempo, que resolvi que pararia aqui, todos os dias, na minha volta para casa, apenas para observar os últimos suspiros de vida do dia.'

Fiz uma pequena pausa, meus olhos voltando para o céu e percebendo que agora o sol estava mais baixo do que estivera alguns momentos atrás. Tudo bem, eu não havia perdido os momentos finais. 'Quando o sol se põe, eu posso voltar para casa tendo certeza de que tudo acabou.'

'Entendo',o estranho ao meu lado falou, seu rosto virando na mesma direção do meu. 'Você para aqui quando volta para casa, mas não para aqui quando vai para o trabalho não é?'

'Não', respondi, 'quando estou indo para o trabalho, eu pego o metrô'.

'Você perde o nascer do sol.', ele falou com um sorriso, 'é um espetáculo tão maravilhoso quanto esse que estamos vendo agora. É mais um item que você pode adicionar a sua lista de coisas que você perdeu por não olhar a sua volta.'

'Não é isso', interrompi com um sorriso sem humor, 'o pôr-do-sol em si, não me interessa tanto', expliquei. 'O que interessa, é que o dia tenha chego ao seu fim.'

'Mas isso não é nada bom', ele falou em um tom levemente preocupado, e imaginei que suas sobrancelhas estivessem curvadas entre os olhos em uma expressão de desaprovação que não me atrevi a conferir. 'Ninguém deveria querer tanto assim ver o fim do dia.'

'Por que não?', respondi com sinceridade, 'O pôr-do-sol é como...o último espetáculo do dia. Se ele não te ofereceu nada de bom, pelo menos te resta a chance de observar o seu fim.'

'Entendo', ele falou novamente, dessa vez com um pequeno suspiro, e eu duvidei que ele realmente entendesse.

'Eu acho', ele continuou, me surpreendendo um pouco por ainda estar tentando tirar alguma lógica de minhas palavras amargas, 'que o que você precisa é de um pouco de otimismo. '

Meus olhos voltaram-se, confusos para seu rosto.

'Você sabe por que eu venho ver o pôr-do-sol?', ele perguntou sem realmente esperar por uma resposta. 'Por que é um começo. É uma nova chance.'

'Começo?', perguntei confuso.

'Sim', ele continuou, e seus olhos brilharam com o brilho de alguém que tem certeza e fé absoluta no que está falando. 'É uma nova oportunidade que se apresenta para você. Talvez hoje, você encontre algo maravilhosamente inesperado quando estiver assistindo o pôr-do-sol. Talvez hoje, você dê um passo a mais para alcançar essa coisa. Talvez, só talvez, com um pouquinho de sorte, hoje seja o dia em que você vai reunir toda sua coragem e chegar onde você tem tentado chegar a dias.'

Eu apenas continuei a observá-lo, vendo o sorriso abrir-se em seu rosto, brilhante como a última linha dourada que cobre o horizonte antes de desaparecer por completo.

'Todo fim, também é um novo começo, não acha?', ele falou com uma piscadela, e me vi repentinamente espelhando seu sorriso.

'Eu sou Duo Maxwell', ele estendeu sua mão em minha direção.

'Eu sou Heero Yuy', respondi.

'É um prazer assistir ao fim do dia com você hoje, Heero,' ele disse, e naquele momento, vi um brilho de algo muito verdadeiro em suas palavras.

O sol se pôs sinalizando o fim de mais um dia.

E do nosso começo.