Respondendo:

Sabrina Alves: Nhai!! Você veio! ;D Que bom que está gostando... ^^ Espero que goste desse capítulo... beijos! Obrigada por comentar, viu! ;D

lily cate: haiuhauihuia... ^^ Obrigada! ;D Espero que goste desse capítulo... ^^ Obrigada por comentar... beijinhos...

bruh prongs: ahiuhauihauia... ironias da nomenclatura mesmo... ;P E a parte que tem Isafeia foi inspirada na sua review, viu? iauhuiahiuah... aaa... e você não chegou muito perto nas especulações não... haiuhiuhia... mas espero que goste do capítulo ainda assim... :D Beijos e obrigada por comentar, viu? ^^

Anggie: auihuiahuiihai... você nem precisou esperar muito pelo capítulo... =X E é tão bom acabar capítulo nessas partes, né... você sabe que é! uahuiahiuahuihai... Obrigada por comentar, flor! Espero que goste do capítulo..^^ Beijinhos....

Hinata Weasley: Tristinho mesmo... =/ e nesse, o comecinho também é um pouco triste... nhai... mas ele fica muito bom lá pro final... ;D rsrs... Espero que goste... ^^ Beijinhos e obrigada por comentar... ;D

Sra. Potter: Que bom que está de volta! ;D hauihaiuha... eu também não ligaria se ele me escolhesse ao invés da Isaburra... =x haiuhuhuhauihia... Mas fazer o que né... rsrs... mas não se preocupe, ela já vai ser mandada catar coquinho nesse cap... hauihaihaa... espero que goste... ^^ Beijinhos e obrigada por comentar...

Veronica D. M.: Acho que sua brabeza com o Tiago vai passar um pouco no fim desse cap... =X hauhahauhaui... Quanto ao senhor Rinnel, bom, ele foi um bobão mesmo, mas teve uma vida dificil, coitado... O que aconteceu entre Mel e Tiago? Puxa, a Lily também está doida pra saber! hauihiuahia... isso será revelado logo, logo... não nesse capítulo ainda, mas quem sabe no próximo... rsrs... Espero que goste desse cap... ^^ Muito obrigada por comentar... beijos!

Bárbara: Obrigada! ^^ Não sei se demorei muito, mas eu estou tendo uns imprevistos e acho que os capítulos continuaram vindo com essa demora de uma semana, em média... ;P rsrs... Espero que goste desse capítulo... ^^ Beijinhos e muito obrigada por comentar...

Lizzie Bowen: auihuahiuia... a Mel aparece mais nesse cap! ;D Mas ainda não posso falar o que houve entre ela e Tiago... hoho... pode ter certeza que a Lily também está muito curiosa... hauihauihuai...Espero que goste do capítulo!!! ^^ Muito obrigada por comentar, viu... e quando eu precisar de dicas, eu pedirei... ahahhaua... ;D Beijinhos!

Raquel Cullen: O Tiago alegre volta no finzinho deste capítulo, respondendo sua pergunta... ^^ ahiuahuiahhua... Mas não vou responder as outras, nem falar muito mais para não estragar a surpresa... =X hauhauhuahuia... espero que goste do capítulo... ;D Beijos e muito obrigada por comentar!!! ^^

Maria Lua: Eu que o diga! ;P rsrsrs... espero que goste do capítulo... Beijinhos e obrigada por comentar!


Capítulo 9 – Vida e Experiências de Josh Rinnel

As palavras de Josh Rinnel ainda ecoavam em minha cabeça quando Remo me levantou do chão para que subíssemos no aparador e pudéssemos, enfim, entrar na passagem atrás do quadro.

Limpei as lágrimas com as costas da mão, boquiaberta. Remo ia na frente, me guiando pela mão, com a varinha em punho, iluminando a passagem estreita. Ouvi o quadro fechar novamente atrás de mim.

Andamos alguns metros e começamos a descer uma escada circular até sairmos em uma ampla sala subterrânea iluminada por velas que me lembrou as masmorras de Hogwarts.

O lugar era úmido e sombrio. Pavoroso, para ser mais exata. Com grandes teias de aranha preenchendo os cantos. Estantes recobriam todas as paredes da sala de cima a baixo, todas com muitas garrafas de poções, ingredientes, caldeirões, livros e muita poeira. No centro, havia uma mesa grande e uma cadeira, sobre a mesa, mais livros e alguns frascos vazios.

- Não toque em nada. – Ouvi Remo murmurar enquanto observava toda a sala muito atentamente – Deve ter muitos feitiços contra intrusos. Não mexa nas poções.

Eu já estava perto das prateleiras, identificando algumas poções e olhando os nomes nos frascos, sem saber direito o que procurar.

- Lílian, aqui, vem dar uma olhada nisso.

Corri para onde Remo estava, debruçado sobre um grande livro preto posto bem no centro da mesa. As letras douradas estavam desbotadas, mas não o suficiente para que não pudéssemos ler o título.

"A vida e as experiências de Josh Rinnel"

- Será que é seguro abrir? – Perguntei, com a mão a poucos centímetros da capa.

- Acho que sim. Ele não nos deixaria entrar se não fosse.

Abri o livro e encontrei uma caligrafia grossa e feia feita há tanto tempo e conservada por feitiços. Josh Rinnel havia deixado sua história marcada naquele livro, como num diário, e muitas páginas estavam destinadas a feitiços e poções que ele inventava.

Fiz uma leitura rápida, pulando vários parágrafos, tentando ter uma visão ampla de tudo.

"É tão injusto que depois de matar tantas pessoas eu encontre uma moça tão adorável. Rosalina, Rosa como eu a gosto de chamar, é uma trouxa que conheci numa vila. É esplendido que eu não a consiga machucar. Só o que me dói é não poder contar para ela o que sou."

"Aconteceu de novo. Exatamente uma semana desde a última vez. A última coisa da qual me lembro foi de ter dito para Rosa que ia tomar um banho. Acordei numa floresta, à quilômetros de minha casa, cercado por três bruxos jovens, mortos. Que ser abominável eu sou!"

"Rosa está mesmo grávida! Não sei o que fazer... estou feliz de ter um filho com ela, mas a possibilidade de ser um bruxo é muito grande!"

"Rosa quer que seja um bruxo, mas eu ficaria imensamente grato se for trouxa. Não quero ter que contar a verdade pra ela e fugir, tampouco ficar e machucar nosso filho."

"Precisei sair ontem à noite... já estava me sentindo muito fraco. Rosa está desconfiada... não sei por quanto tempo posso esconder isso dela."

Cada palavra me doía como se estivessem enfiando uma faca em meu peito, devagar, com o propósito de não me fazer morrer imediatamente, mas prolongar meu sofrimento.

"É um menino e é bruxo. Tento não ficar muito perto, mas tenho impressão de que ele não é afetado... talvez seja porque é meu filho."

Havia muitas páginas dedicadas a suas experiências. Várias poções desconhecidas, com efeitos surpreendentes. Se o pai de Melissa tivesse conhecido Josh Rinnel ou pelo menos tivesse o acesso que estávamo tendo a seus estudos, ficaria encantado.

"Julian é um garoto muito talentoso. Estou feliz de poder vê-lo crescer sem machucá-lo."

"Rosa está grávida de novo! Minha felicidade não poderia ser maior, apesar de meus momentos de escuridão continuarem. Meus estudos estão evoluindo, mas ainda não apontam para nenhum antídoto."

Antídoto. A palavra que eu tanto queria ler, mas que não me apontava para nada naqueles rabiscos. Mas se Josh Rinnel havia encontrado ou feito um antídoto, eu o encontraria.

"Andrew e Anastácia são lindos! Têm os olhos da mãe, ainda bem! Mas Julian está um pouco quieto e distante. Talvez esteja com ciúmes dos irmãos mais novos."

"Julian tem estado muito estranho ultimamente. Tem pesadelos e muitas dores quando está dormindo."

"Julian fugiu! Rosalina está desesperada e não sei o que fazer. Andrew e Anastácia são pequenos demais para entender o que está acontecendo. Ele não deixou nada, nem ao menos um bilhete. Estou saindo para procurá-lo, mas tenho a impressão de que ele não quer ser encontrado."

"Rosalina está perecendo. Não quer sair da cama e acredito que seja por causa do desaparecimento de Julian. Ela não fala nada, não conversa mais comigo."

Muitas folhas se passaram, entre lamentações sobre sua esposa e suas experiências que não davam resultado efetivo. Mas havia muita coisa ainda pela frente e eu folheava o livro com ainda mais ferocidade.

"Andrew e Anastácia estão ficando estranhos. Acho que sei o que aconteceu com ele e tenho medo que o mesmo aconteça com os outros dois. Eles já estão com dezessete anos, a mesma idade que Julian tinha quando fugiu."

"Rosalina falou hoje... disse que a culpa do desaparecimento de Julian é minha e que nossos outros dois filhos estão indo pelo mesmo caminho... não posso contrariá-la, sei que é minha culpa."

"Andrew saiu ontem e ainda não voltou. Rosalina está cada dia pior. Vou contar a verdade esta noite."

"Não tive tempo de contar para Rosa, ela morreu esta tarde. Anastácia fugiu também. Estou sozinho nessa casa tão amaldiçoada quanto eu! Não sei quanto tempo mais posso agüentar sem caçar..."

"Espero que quatro sejam o suficiente para um mês. Um mês sem caça, depois disso... preciso ir para um lugar mais longe de civilização. Talvez, se eu ficar fraco demais, não consiga aparatar."

"Aconteceu ontem. Foram apenas dois dessa vez, mas me sinto novo em folha. Eles eram tão jovens! Deviam ter vinte anos. Lembrei de meus filhos, talvez sofrendo tanto quanto eu estou. Talvez eu deva parar de deixar chegar no meu limite. Posso tentar fazer com os bruxos mais velhos e doentes... aqueles a quem não resta muito tempo."

"Encontrei uma clínica para bruxos idosos no Brasil e resolvi testar. Fiz com três antes de voltar para casa. Não é a mesma coisa. Os jovens têm mais poder e energia. Acredito que não durará uma semana dessa vez."

"Encontrei Julian ontem. Ele gosta dessa nova forma. Diz que podemos ser muito poderosos... exatamente o que Velory queria... escravizar a raça bruxa... preciso trabalhar mais rápido..."

"Estou tendo alguns resultados com as poções. Preciso colocar num lugar estratégico e chamar meus filhos para passar algum tempo lá. Não sei quanto tempo levará, preciso de mais algumas experiências..."

Passaram-se muitas e muitas páginas em que havia apenas rabiscos e resultados de suas experiências, ingredientes, quantidades e muita, muita frustração.

"Soube que Anastácia se matou. Tenho vontade de fazer o mesmo... mas não posso... preciso terminar meus trabalhos... preciso acabar com isso, mesmo que exija matar meus próprios filhos..."

"Andrew está com Julian, mas não gosta tanto desses poderes. Eles têm filhos, mas não quiseram me mostrar e não sei onde estão... essa raça amaldiçoada está crescendo e não sei como fazer parar!"

"Encontrei o lugar perfeito: ilha de Mansai, é uma ilha desconhecida dos trouxas, apenas as grandes famílias bruxas podem morar lá. Preciso encontrar um jeito de colocar o veneno lá."

"Andrew morreu esta tarde e o que mais me dói é saber que foi seu próprio irmão, meu próprio filho, quem o matou!"

"Quando acordei, hoje, havia um casal morto ao meu lado, numa mansão. Não sei como cheguei aqui, mas há muito ouro. Eles não têm filhos ou parentes. Ninguém sentirá sua falta, posso construir uma mansão em Mansai e levar o veneno para lá."

"A mansão está quase pronta e o veneno também... me mudarei nesse fim de semana para a ilha a fim de terminar minha missão. Quando Julian soube que eu estava construindo uma mansão, me procurou. Acho que consegui atraí-lo para a armadilha. Pedi que trouxesse os filhos e sobrinhos com ele. Espero que não desconfie."

"Encontrei uma forma eficaz de espalhar o veneno por toda a ilha. Incendieiras. Descobri essa flores em Mansai ontem e são perfeitas. Colocarei o veneno nelas esta noite."

"Deu certo, as incendieiras receberam bem a toxina e agora a estão liberando. Não consigo machucar ninguém aqui e meu corpo agüenta mais tempo sem caçar, mas me sinto um pouco mal, não sei quanto tempo me resta... espero que Julian e meus netos venham."

"Julian chegou, mas não trouxe meus netos. Ele não confia em mim, acha que vou matá-los, e vou, mas não da forma que ele imagina. Ele passará alguns meses aqui na mansão... espero que seja tempo suficiente."

"Estou com algumas desconfianças acerca dessa toxina... vou passar dois dias fora de Mansai para ver como meu corpo reage longe dela."

Tudo que envolvesse aquela toxina me interessava, por isso comecei a ler com mais calma, tentando entender aquela caligrafia grossa.

"Essa toxina que criei é realmente incrível! Tem poderes que eu não previ. Além de não deixar esses poderes malignos aflorarem, faz com que meus sentimentos sejam extremos e bagunçados, completamente sonfusos! Nunca me senti tão incontrolável em minha vida! Tão bagunçado, tão confuso... Os dois dias que passei fora de Mansai serviram para me mostrar o quanto as coisas parecem mais difíceis quando estou aqui. Meu humor muda com muita facilidade, não consigo entender o que sinto..."

"Julian desconfia de algo, não consegue caçar. Eu lhe disse que era a ilha que protegia os bruxos contra nós, mas não contei que nos matava. Acho que ele quer ir embora e estou fraco demais para impedi-lo. Desmaiei por diversas vezes essa semana. A cada minuto que passa, meus sentimentos ficam mais embaralhados, mas tenho uma única convicção: preciso que Julian permaneça aqui mais uma ou duas semanas. Não sei se conseguirei descer aqui mais uma vez. Queria que meus netos viessem para que isso tudo acabasse de uma vez, não tenho mais forças para procurá-los."

Foram as últimas palavras de Josh Rinnel, depois delas, apenas muitas páginas em branco, deixando aquele vazio estranho em meu peito e muitas perguntas sem respostas, mas algumas outras respondidas.

Então, aquela ilha me deixava confusa, bagunçava meus sentimentos... certo, eu já sabia que não estava muito bem. Principalmente depois de ver Tiago com a Isaburra... o que fora aquilo? Minha reação extrema fora completamente inesperada, completamente irracional.

Mas era compreensível. Eu estava chateada e aquela toxina me levava a extremos. Certo, eu podia conviver com aquilo.

E Julian? Ele teria morrido na ilha? Ou fora embora? E os netos? Bom, eu sabia que alguém sobrevivera, alguém precisava ter proliferado aquela raça.

E o antídoto? Dumbledore estava errado, afinal. Não havia antídoto. Josh estava sim fazendo experiências, mas só achara uma forma de se matar. De me matar.

Fiquei enjoada, de repente. Uma tontura forte fez minha vista escurecer e eu perdi o controle do meu corpo. A sorte era que Remo estava ao meu lado e percebeu que eu ia desmaiar. Ele me deitou no chão, tirou a camisa e fez um jato de água sair da varinha e umedecer a camisa, para, então, passar em meu rosto e em meus braços.

Eu sentia que estava gelada e suava frio. A sensação de tontura era tão forte e ruim que eu não consegui reprimir alguns gemidos e arrepios involuntários.

Eu estava morrendo e não havia jeito de reverter aquela situação. Eu não voltaria a Hogwarts, eu não seria monitora-chefe, eu não me casaria nem teria filhos.

- Nós vamos encontrar. – Ouvi Remo sussurrar – Não vamos desistir, Lílian. Dumbledore te mandou aqui para achar esse antídoto e você vai achar!

Eu não tinha forças para responder e tampouco queria expressar o que tinha em minha mente no momento. A derrota. O desespero. Como ele podia ter esperanças depois daquilo? Como ele podia acreditar que havia um antídoto? Não existia antídoto algum e tudo aquilo fora perda de tempo!

Pensei na pobre Anastácia. Jovem como eu. Amaldiçoada como eu. Odiando a si mesma como eu. Ela se matou para não matar os outros, ela se sacrificou para não arruinar outras vidas. A dela já estava arruinada, assim como a minha, desde que nascera.

Se Remo não estivesse ali, acho que eu não teria ido embora, mas ele me levantou e me carregou até o salão de entrada, onde o quadro de Josh Rinnel nos aguardava com ansiedade.

- Ela está bem? – Ouvi-o perguntar quando saímos da passagem, eu ainda no colo de Remo.

- Desmaiou.

- É normal. – Josh suspirou – Há quanto tempo ela está aqui?

- Pouco mais de duas semanas.

- E o que vai fazer agora? – Ele me fitava com olhos ansiosos, acredito, com medo de que, depois de tudo o que descobri, eu desistisse de continuar naquela ilha e acabasse proliferando aquela raça amaldiçoada.

- Ficar aqui e morrer. – Eu disse, com a voz fraca, nem tanto por causa da toxina, mas por causa de meu desânimo e minha desesperança.

- Não. – Remo discordou – Vamos ficar aqui e continuar a procurar pelo antídoto.

- Meu caro rapaz – A voz do senhor Rinnel entrava em meus ouvidos como se fossem minha condenação e me faziam afundar cada vez mais em meu desespero – Passei minha vida toda em busca de um antídoto e tudo o que consegui criar foi esse veneno... essa garota tem pouco tempo de vida se continuar aqui e ela precisa continuar aqui.

- O senhor foi de grande ajuda e agradeço que tenha nos permitido conhecer sua história, ainda que não tenha ajudado, mas não vamos perder a esperança. Viemos em busca de um antídoto e sairemos daqui com ele.

Sua convicção era impressionante e me fazia adorá-lo ainda mais, mas eu podia perceber um toque de descrença em sua voz. Ele sabia que eu estava certa, mas não queria que eu perdesse a esperança. Queria que eu vivesse meus últimos dias com felicidade e não com depressão.

Ele me colocou no chão no lado de fora da mansão e voltamos andando para casa. Ambos cabisbaixos e calados.

Passei o caminho de volta todo refletindo. Remo tinha razão em querer que eu não ficasse depressiva. Eu tinha poucos dias de vida e precisava aproveitá-los ao máximo, vivê-los com alegre intensidade.

Eu não precisava mais perder tempo com aquela busca sem sentido, eu poderia aproveitar o que aquela ilha tinha de melhor para oferecer: praia, festas e amigos.

Estávamos quase chegando na casa de Melissa quando voltei a sorrir, empolgada para aproveitar meus últimos dias ali e fazer tudo o que quisesse. Remo não deve ter entendido muito bem minha mudança de humor, mas não perguntou nada. Acho que ele preferia aquela Lílian, de qualquer forma.

Ainda era começo da tarde, o dia estava maravilhoso para ir à praia e eu sabia que os outros já estariam lá, assim como a Isaburra, o Denis e a Amanda. Tentei não me importar muito com aquele fato. Eu queria mesmo era ficar perto dos meus amigos naqueles últimos dias e aturar a idiota da Lestrange e os outros dois era algo que eu podia agüentar.

Eu não via Tiago desde o dia em que o vira com a Isabella e me senti um pouco desconfortável ao encontrá-lo quando chegamos na praia. Ele e Sirius estavam jogando frescobol.

Denis e Melissa estavam na água. Isabella, sentada em uma cadeira de praia, pintando as unhas. Amanda observava os garotos jogarem, claramente ignorada pela Lestrange, e eu e Remo sentamos ao lado dela.

- De quem é o frescobol? – Perguntei para a morena cheia de pulseiras.

- Meu. – Ela sorriu pra mim, parecendo um pouco envergonhada e temerosa – Sou nascida-trouxa – Lançou um rápido olhar para Isabella, que fez uma careta ao ouvir aquilo.

- Eu também. – Sorri para Amanda sinceramente.

Ela ficou mais a vontade por ter alguém como ela dentre tantos bruxos de sangue-puro e começamos a conversar enquanto os garotos jogavam. Amanda era uma garota engraçada e divertida, apesar de ser um pouco fresca e convencida. Não suportava a forma como Isabella nos olhava, mas tenho certeza de que se ela tivesse sangue-puro, faria o mesmo.

Melissa se juntou a nós, algum tempo depois, e Denis engajou uma conversa com Remo. Achei que o clima entre Mel e Amanda não ficaria muito bom, mas Melissa sabia muito bem como controlar o ciúme, que eu sabia que ela sentia, e disfarçava, por educação, seu desconforto.

- É a primeira vez que vem a Mansai? – Ela perguntou.

- É sim. Vim com uns amigos e estou adorando.

- Minha família tem uma mansão no lado mais nobre de Mansai – Isabella falou, olhando-nos com superioridade – Passo meus verões aqui desde pequena. Lembro bem da época boa da ilha, quando não permitiam a entrada de gente que não merece estar aqui.

- Claro – Eu disse, com um sorriso cínico no rosto – Foi na mesma época em que te proibiram de vir, não foi?

Sirius, que estivera prestando atenção na conversa, apesar de ainda estar jogando com Tiago, gargalhou ruidosamente, acompanhado de Amanda. Tiago também esboçou um sorriso, mas fingiu não ter escutado. Eu sorria de orelha a orelha e Mel, por educação, apenas sorriu e virou-se para conversar com Remo e Denis.

Isabella estava vermelha, fosse de raiva ou vergonha, cruzou os braços e emburrou a cara, olhando para o mar.

Quando os garotos cansaram de jogar, Amanda levantou e correu para abraçar Sirius, levando-o para dentro da água. Fiquei com a atenção dividida entre a conversa de Remo, Denis e Mel e a cena melosa que se passava na cadeira ao lado. Isabella estava quase engolindo Tiago, que parecia estar se divertindo muito com a garota de biquíni minúsculo. Eu não podia condená-lo, afinal, ele era homem. Homens.

Mas o que me dava raiva era a forma como Isaburra me olhava, me provocando, como se me dissesse que era melhor que eu, que era ela quem estava com Tiago... como se eu quisesse estar! Só o que eu queria era que ele não estivesse com ela.

- Mel – Chamei, em voz baixa, para que o outro casal não me ouvisse – Faz um favor pra mim?

- Claro. – Ela respondeu no mesmo tom baixo, franzindo a testa.

- Leva os dois pra água. – Apontei com a cabeça para Remo e Denis e pisquei, sorrindo marotamente. Definitivamente, o fato de passar tanto tempo com os marotos somado a minha certeza de que tinha poucos dias de vida estava me fazendo uma diferença danada.

Ela franziu ainda mais a testa, mas fez o que pedi. Chamou os dois garotos para um mergulho e, com a expressão que estava, não achei que qualquer um deles fosse contrariá-la, apesar de não entenderem o porquê de me deixar ali sozinha com o casal.

Fiquei algum tempo olhando para quem estava na água antes de me virar para Tiago e Isabella. Nenhum dos dois havia percebido, ainda, que apenas eu estava ali.

- Tiago – Chamei, mexendo na minha bolsa e pegando meu bronzeador. Em condições normais, eu nunca faria um pedido daqueles a garoto algum. Eu tinha muita vergonha do meu corpo e mais ainda de ter alguém passando a mão nele. Mas aquela não era uma condição normal. O que eu tinha a perder? Eu ia morrer dentro de dias mesmo – Pode fazer um favor pra mim?

Ele se separou de Isabella, olhando para mim com curiosidade.

- Claro.

- Pode passar em mim? – Pedi com a cara mais inocente que podia e vi Isabella enrijecer e cruzar os braços.

Ele demorou um pouco para entender o que eu queria, mas quando entendeu, sorriu com malicia, pegando o bronzeador de minha mão.

- Será um prazer.

Eu sorri em agradecimento e prendi o cabelo num coque, deitando na canga que havia levado, de barriga para baixo. Ele se ajoelhou ao meu lado.

- O quê? – Ouvi Isabella quase gritar – Você não vai fazer isso!

- Ué, por que não? – Tiago perguntou e senti suas mãos grandes espalharem aquele óleo em minhas costas, numa massagem gostosa.

- Porque eu não deixo! Por que ela não pede pra outra pessoa? – O tom de voz dela demonstrava o quanto estava com raiva de ver o quase namorado passar bronzeador em mim.

- Bella – O tom de Tiago era risonho e eu precisei me segurar para não rir – Você gostaria de passar?

- Claro que não!

- Então, terá que ser eu. Não sei se viu, mas todos estão na água agora.

Isabella grunhiu e voltou a sentar na cadeira de praia, emburrada. Fiquei curtindo a massagem de Tiago, que estava demorando mais do que o necessário.

Depois de passar o óleo em minhas costas e em meus braços, passou para minhas pernas e me arrepiei ao sentir suas mãos subirem e descerem, indo desde meus glúteos até meu tornozelo, espalhando o bronzeador com suavidade e calma. Ele, com certeza, estava aproveitando, mas não me importei. Valia a pena para ver a cara de Isabella, além de ser uma sensação muito boa.

- Obrigada. – Eu disse quando ele terminou e sentou na areia ao meu lado.

- Foi um prazer. – Seu olhar encontrou o meu e vi o brilho que há dias não via em seus olhos – Amanhã vamos ao Beco Diagonal. Você vem também?

Aquilo me pegou desprevenida e certa tristeza me atingiu ao lembrar que não sairia mais daquela ilha.

- Não. Vão vocês, eu me viro depois.

- Por quê?

- Nunca te contei por que estou nessa ilha, não é mesmo. – Eu ri – Acredite em mim, não posso ir amanhã. Depois eu me viro. Remo vai com vocês?

- Acho que sim. – Ele desviou os olhos para o mar, onde os nossos amigos estavam, e ficou quieto. Isabella soltou um muxoxo, mas ele não lhe deu atenção.

- Faça as pazes com ele. – Pedi – Por favor. Não tem motivo para vocês brigarem.

Ele me olhou de novo, como se procurasse uma resposta em meus olhos.

- É... eu acho que não tem...

- Ele está chateado. Você devia confiar mais nele. Ele é seu amigo.

- Eu sei... – Ele desviou o olhar de novo, parecendo triste.

- Mas ele vai te perdoar.

Ele riu e colocou a mão sobre a minha, que estava perto de meu rosto.

- Tiago! Vem cá, agora! – Isabella chamou e ele me deixou sozinha ali, fritando no sol forte. Ouvi os dois discutirem em voz baixa, sem entender direito o que diziam, mas pude destacar meu nome diversas vezes.

Nunca gostei de pegar sol, para falar a verdade, então não fiquei muito tempo e já fui para o mar, satisfeita com o resultado obtido. Isabella ficou com ainda mais raiva ao me ver levantar pouco tempo depois, ela sabia que eu só tinha feito aquilo para irritá-la.

Já era bem tarde quando saímos da praia e fomos direto para a casa. Os garotos foram logo dormir para poderem sair cedo no dia seguinte.

- Você não vai amanhã com eles? – Mel perguntou quando entrou na sala e me viu lendo um livro.

- Não, vou ficar e te fazer companhia. – Eu sorri com sinceridade enquanto ela sentava ao meu lado. Ela riu.

- Obrigada, mas você não precisa comprar o material?

- Tenho tempo ainda, só não posso ir amanhã...

- Você é muito misteriosa... – Ela comentou e eu ri.

- Você também é. Não vai dormir não? – Perguntei, lembrando da poção energética.

- Não estou com sono. – Ela deu de ombros – Na verdade... eu estava pensando em ir no centrinho encontrar meu primo e uns amigos, mas não queria ir sozinha. Quer ir comigo?

- Claro! – Concordei, levantando de um salto.

Como já havia tomado banho quando voltei da praia, apenas troquei de roupa e saímos.

- Como andam as coisas entre você e Sirius? – Perguntei.

- Ele está estranho... – Ela franziu a testa – Não está mais implicando comigo...

- Isso é bom?

Ela deu de ombros, mas ficou pensativa por um bom tempo.

- E você e Denis?

- O que tem? Somos só amigos.

- Amigos como você e Tiago?

ELa me olhou desconfiada, mas respondeu.

- Bom, conheço Tiago a mais tempo e confio mais nele.

- E o Denis te considera uma amiga do mesmo jeito que o Tiago?

Ela corou.

- Eu... acho que sim... bom, na verdade, é mais fácil ter algo entre mim e Denis do que entre mim e Tiago.

- Quer dizer que nunca terá algo entre você e o Tiago?

Ela bufou.

- Ainda isso, Lily? Claro que não.

- Mas já teve?

- O que...? Alguém falou isso pra você?

- Teve?

- Lily...

- Teve.

- Não! Quero dizer...

- Vocês já ficaram?

- Não quero falar sobre isso.

- Por quê?

- Porque não tem importância. A única pessoa que pode ver importância nisso é o idiota do Black! Tenho certeza que foi ele quem contou!

- Não, ele não me contou nada, não. Mas agora eu quero saber.

- Esquece, Lily. Não vale a pena relembrar isso agora. Não tem importância nenhuma. Nem pra mim, nem pra ele.

- Mas então é porque aconteceu alguma coisa!

- Isso importa pra você?

- Claro! Quero dizer... não, mas...

Ela riu e eu senti meu rosto corar.

- Está apaixonada por ele, não está?

- Por quem?

Ela revirou os olhos e me deu um tapa fraco na cabeça.

- Pelo Tiago, é claro!

- Não! Claro que não! – E eu realmente não estava. Eu havia sentido uma espécie de ciúmes quando o vi com isabella, mas não era porque eu gostava de Tiago. Não podia estar.

- Lily, todo mundo já percebeu, não precisa esconder.

- Não estou apaixonada por ninguém. – Eu disse, com convicção. Eu não estava e não podia me apaixonar. Eu tinha pouco tempo de vida, paixão naquele momento só iria piorar as coisas.

- Aham. – Ela riu, mas não insistiu.

- E você gosta do Denis?

- Como amigo.

- E do Sirius?

- Lily, não insiste! – Ela bufou – Eu e o Sirius não temos volta! Não vou voltar pra ele!

- E se ele mudou? E se ele gosta mesmo de você?

Ela revirou os olhos.

- Isso não existe.

- Por quê?! Mel, ele implica com você pra chamar a sua atenção! Tenho certeza que ele gosta de você mais do que você pode imaginar.

Ela riu com gosto.

- Ah, Lily! Você tem uma visão muito romântica da vida!

Bufei, cruzando os braços.

- Estou falando sério. Eu sei que ele gosta de você! E você gosta dele!

- Mas eu estou sozinha, Lily. – Ela parou de sorrir – E ele está com alguém.

- Ah, Melissa! Você sabe que ele não gosta da Amanda!

- Ele não gosta de ninguém. – Ela revirou os olhos – E você sabe que o Tiago não gosta da Isabella.

- Quando o Tiago e a Isaburra entraram na conversa?

- Isa-o-quê? – Ela me encarou de boca aberta, num sorriso espantado.

- Isaburra.

- Mas Isabella... não seria melhor chamá-la de Isafeia?

- Tá louca? Ela? Feia? Se ela é feia, eu vou começar a andar com uma sacola na cabeça!

Ela revirou os olhos, ainda rindo.

- Só você mesmo...

Lembrei-me dos meus primeiros dias em Mansai quando chegamos ao bar onde encontraríamos os amigos de Melissa. Ela jogou os cabelos para trás com uma delicadeza invejável quando entramos e se dirigiu para a mesa mais afastada com um enorme sorriso.

- Steve! Anne! Dave! Michel! Quanto tempo!

- Melzinha, meu amor, está cada vez mais deslumbrante. – Um garoto loiro de olhos azuis foi o primeiro a levantar e abraçar Melissa. Aquele deveria ser seu primo, a semelhança era tremenda! Ele também era muito bonito, alto e forte. A garota, Anne, levantou também, parecendo enciumada, mas cumprimentou Melissa com bastante educação. Ela era baixa como eu, tinha cabelos castanhos e feições delicadas.

- Lily – Melissa se virou para mim, que tinha ficado mais afastada – Esse é meu primo Steve e a namorada Anne. – Ela apontou para o garoto loiro e a garota – E esses são Michel e Dave. Pessoal, esta é Lílian Evans.

Michel era tão alto quanto Steve, mas, ao contrário do outro, era bem moreno, mas muito bonito também. Dave era relativamente baixo e bem mais fraco que os outros dois. Tinha cabelos e olhos castanho-claros. Michel apenas acenou para mim, ficando ao lado de Melissa e pensei que era muito bom que Sirius não estivesse ali. Dave me deu um beijo no rosto e ficou me fitando durante um bom tempo enquanto nos sentávamos.

- Por que não vieram para o encontro? – Mel perguntou, olhando para Steve e Anne.

- Estávamos na França. – Anne disse, com os olhos brilhando – Fomos visitar minha família. Eu disse a Steve que poderíamos vir se ele quisesse.

- Claro. – Steve revirou os olhos – Trocar a França por um encontro com os Black, os Malfoy, os Lestrange... era tudo o que eu queria.

Eu ri e não fui a única.

- Falando em Black... – Michel olhou para Mel com curiosidade – Onde estão seus amiguinhos?

- Não puderam vir.

- E você, Lílian? Como se conheceram? – Dave me perguntou, atraindo todas as atenções para mim.

- Ela é de Hogwarts. – Mel respondeu por mim – Dumbledore deve gostar muito dela, já que foi ele que falou com a mamãe para ela passar as férias lá em casa. Mas nem adiantar perguntar por quê! Até hoje não descobri!

Eu ri, revirando os olhos.

- E vocês, o que têm feito? – Mel perguntou para Michel e Dave.

- Eu estou morando aqui mesmo – Respondeu Michel – E estou trabalhando como guia na vila trouxa que montaram aqui. Você já visitou?

- Já sim! Lily também é nascida-trouxa. – Eu sorri para Michel, que correspondeu. Fiquei imaginando o que Isabella diria de um nascido-trouxa morando e trabalhando em Mansai, a morada das grandes famílias bruxas – Começou quando lá?

- Essa semana, mas é só um trabalho temporário. Estou tentando conseguir um cargo no Ministério.

- Ah! Tomara que consiga! E você, Dave?

O garoto levou um susto quando Mel falou com ele e fez um gesto de descaso.

- Só trabalhando no Profeta mesmo.

- No profeta? – Perguntei, impressionada.

- Dave é o garoto de ouro do profeta. – Mel disse, com orgulho – Ele é um fotógrafo impressionante. O melhor que já conheci.

Dave riu, olhando para mim.

- Ela está exagerando. – Disse, modesto.

- Ah, se estou! Você é o mais novo sucesso daquele jornal!

- Não tão novo assim, meu rostinho de menino esconde minha idade. – Ele riu de novo e fiquei observando. Se me perguntassem, diria que tinha 20 anos, no máximo. Michel parecia ser o mais velho, com uns 25. Steve deveria ter 22 ou 23 e Anne uns 19.

- Verdade. – Mel riu – Às vezes me esqueço de que você já tem 28 anos!

- 28? – Me surpreendi.

Ele sorriu pra mim.

- Pra você ver.

Eu estava impressionada. O garoto parecia ser apenas 3 anos mais velho que eu e era 11!

- Eu te daria uns 8 a menos. – Comentei, com sinceridade, e ele riu.

- É o que todos dizem. Você tem quantos? 17?

- Exatamente. – Sorri, com alívio de não parecer velha ou nova demais.

- Você tem quantos mesmo, Mel? – Michel perguntou, passando um braço por cima dos ombros dela.

- 17 também.

- Já não é mais tão novinha pra mim. – Ele riu – Sua mãe não vai mais me encher de furúnculos.

Todos na mesa riram junto, enquanto eu observava Melissa.

- Cuidado para não acabar com um olho roxo de novo. – Disse Steve, fazendo o riso de Michel desaparecer.

Mel olhou para mim e, vendo que eu não estava entendendo nada, explicou.

- Há uns três anos, o Michel foi pedir a minha mão em casamento. – Ela revirou os olhos e Michel riu – Minha mãe achou que era brincadeira, mas quando viu que ele falava sério, encheu ele de furúnculos.

- E o Black, assim que soube, foi atrás dele tirar satisfação. – Continuou Steve – Fez um estrago danado.

- Fazia pouco tempo que tínhamos terminado. – Mel acrescentou, com um sorriso triste.

Eu ainda estava abismada, olhando para Michel.

- Mas... casamento? Quantos anos você tinha?

- 21. – Ele respondeu, convencido – Mas não achei que Mel fosse tão nova. Ela não era muito diferente do que é agora. Mas eu também não estava falando tão sério assim...

- Ah, não, não estava! – Ironizou Dave – Assim que ele viu a Melissa, ficou apaixonado! Parecia que tinha tomado uma poção do amor!

- Eu não duvido que ela tenha te dado uma poção do amor. – Disse Steve, lançando um olhar estranho para a prima.

Eu também não duvidava, para falar a verdade. Depois daquela poção energética, eu não duvidava de mais nada em relação a Melissa.

Chegamos em casa bem tarde, mas Mel não parecia nem um pouco cansada. Fiquei rondando-a, tentando descobrir algo a respeito da poção, mas ela devia ter tomado uma dose pouco antes de sair e não precisaria de outra por um bom tempo. Desisti e fui dormir, exausta.

- Bom dia, dorminhoca! – Ouvi Melissa dizer e uma claridade repentina atingiu meus olhos ainda fechados. Gemi, colocando o travesseiro sobre o rosto, tentando voltar a dormir – Anda, Lily! Hoje somos só nós duas! Vamos fazer um dia de mulheres!

Eu estava tentando entender o que ela dizia quando senti um jato de água fria em minhas pernas e levantei rapidamente.

Melissa ria com a varinha ainda pontada para mim.

- Anda, dorminhoca! Já são quase 10 horas! Não podemos perder o dia inteiro dormindo!

- Ah! Como eu queria ter uma poção que repusesse minhas energias! – Resmunguei, fingindo não ver sua expressão palidamente assustada que durou apenas dois segundos, antes de ela se convencer de que aquilo era pura coincidência. Mas eu esperava mesmo que ela me mostrasse onde escondia suas maravilhosas e perigosas poções.

- Deixa de ser besta! – Ela voltou a rir enquanto me empurrava para o banheiro – Tome um banho rápido e se arrume! O dia vai ser longo! Estou te esperando lá embaixo, não demore!

Tentei compreender tudo, mas minha mente estava trabalhando em câmera lenta, então, demorei mais de uma hora para descer e encontrar uma Melissa impaciente na sala de estar.

- Se eu soubesse que você demorava tanto, teria te acordado mais cedo! – Ela reclamou, mas com um sorriso no rosto.

- Aonde nós vamos?

- Oras! Você esqueceu da festa?

- Não, mas... a festa não é à noite?

- É, bobinha! – Ela riu, enquanto pegava meu braço e me levava pra rua – Mas temos que comprar algumas roupas, fazer o cabelo, as unhas, sobrancelha, depilação...

Gemi, fazendo-a rir de novo.

Aquele não era bem o meu tipo preferido de diversão, mas eu tinha pouco tempo para experimentar de tudo e Mel festava tão empolgada que eu não teria coragem de negar o que quer que ela me pedisse.

E não me arrependi. Mel me tratou como uma boneca, é claro, mas não foi de todo mal. Para ser bem sincera, no fim do dia, eu precisei admitir que havia me divertido, além de estar dez vezes mais bonita que quando saíra de casa.

Meu cabelo estava mais sedoso e brilhante, minhas unhas dos pés e das mãos pareciam, realmente, unhas e estavam pintadas de branco, minha pele parecia seda e tinha uma maquiagem discreta muito bonita. Eu carregava várias sacolas com roupas e um lindo sapato que Mel insistira em comprar pra mim, além das várias jóias que ela comprara para ela e disse que me emprestaria naquela noite.

Quase caí pra trás quando me olhei no reflexo de uma vitrine. Minha sobrancelha estava fina e delicada, realçando meus olhos verdes. A maquiagem disfarçara a vermelhidão da praia e eu nunca vira meu cabelo tão bonito. Eu estava, definitivamente, linda!

Claro que nada se comparada a Melissa. Ela já era linda naturalmente e depois de toda aquela produção, conseguira ficar ainda mais bonita. Mas isso não me incomodava mais. Ela não era o tipo de garota fútil que eu imaginei assim que a vi. Sua beleza era natural, assim como sua graça, elegância e até sua educação. Além do mais, ela havia conquistado meu respeito e admiração por estar acostumada ao luxo, mas não ser arrogante ou preconceituosa. Ela me tratava como igual, como amiga, e isso era mais do que o suficiente.

Melissa pediu para que eu fosse me arrumar no quarto dela, então, passamos boas horas decidindo que roupas usaríamos, assessórios, retocando a maquiagem e tudo o mais. Quando descemos, os garotos e Amanda estavam nos esperando, prontos e impacientes.

Prestei o máximo de atenção na forma como Sirius observava Melissa, como se a contemplasse. E não era para menos! Ela estava com um vestido curto, de tecido maleável, vermelho, suas unhas estavam pintadas da mesma cor e sua maquiagem era extremamente provocante. O cabelo loiro estava preso apenas de um lado com uma presilha de pequenos cristais, combinando com o colar e os brincos que usava. Usava um sapato preto, alto e delicado.

Depois de conseguirem tirar os olhos dela, senti os olhares dos garotos recaírem sobre mim e corei. Eu não estava tão bonita, mas eles deviam achar que a verdadeira Lílian Evans resolvera voltar para casa enquanto aquela falsa tomava seu lugar.

Meu cabelo estava solto, como sempre, mais ondulado do que o normal devido aos grandes e largos cachos que Mel havia feito magicamente. Eu usava uma saia minúscula, preta, e uma blusa do mesmo verde de meus olhos, com um grande decote e que deixava minha barriga à mostra. Agradeci internamente a toda a correria dos últimos dias, que me emagrecera alguns quilos. Ou talvez fosse a maldição fazendo algum efeito estranho. O importante era que eu estava mais magra e não me sentia mais tão envergonhada de usar uma roupa tão... provocante.

Para o meu grande desprazer, antes que qualquer um pudesse falar qualquer coisa, a campainha tocou e Melissa correu para atender Isaburra. Denis nos encontraria na festa, para a infelicidade de Sirius.

Havia uma espécie de boate bruxa montada no centro de Mansai, atraindo todo o público jovem da ilha. Já havia bastante gente quando chegamos e Denis nos encontrou logo na porta de entrada, parecendo empolgado demais ao ver Melissa. Percebi que ele tinha um copo na mão e já devia estar bebendo a algum tempo.

Ficamos todos juntos, nos movendo com dificuldade entre as pessoas. O salão tinha três vezes o tamanho do salão principal de Hogwarts e estava praticamente lotado. Era como se todos os jovens bruxos, de todos os lugares do planeta, houvessem decidido se reunir ali naquela noite.

Sirius nos levou direto para uma das mesas de bebidas, é claro, e eu, que depois de ter bebido a primeira vez com Tiago, não parara mais, acompanhei-os. Eu já havia decidido que iria curtir ao máximo os meus últimos dias e bebida poderia entrar naquela lista. Além do mais, eu teria que agüentar Isabella durante a noite toda. Isso iria requerer muita bebida. Tiago parecia ter a mesma opinião, já que todas as vezes que olhei, ele estava com um copo na mão.

Mel e eu dançamos até não agüentarmos mais, sendo abandonadas pelos casais. Apenas Remo e Denis ficaram nos fazendo companhia.

Mas Denis parecia ter ido àquela festa disposto a conseguir algo com Melissa e, como viu que ela dava mais atenção a mim do que a ele, tratou de tirá-la de perto de nós o mais rápido possível.

No fim, ficamos apenas eu e Remo, dançando, conversando e observando os outros bruxos, procurando um rosto conhecido.

Remo a encontrou antes que eu pudesse fazê-lo, mas, como da outra vez, ficou apenas observando de longe. Fabíola Preweet estava com um grupo de amigos, não muito longe de onde estávamos.

- Você está louco para ir lá, não está? – Assinalei, também observando-a.

- Da última vez que eu te deixei sozinha as coisas acabaram mal. – Ele disse, com um sorriso – Não vou fazer isso de novo.

Eu revirei os olhos.

- Mas o único Black aqui é o Sirius e a única Lestrange é a Isabella. Não acho que o Malfoy esteja aqui também. Não tem perigo.

Ele riu, mas não se moveu.

- Ela é legal? – Perguntei.

- Bastante. – Ele suspirou – Mas eu não sei... eu não sou, exatamente, o par perfeito pra ela.

Eu bufei, percebendo o que ele queria dizer.

- Isso não tem a ver com seu problema peludo, tem?

- O que você queria? Eu sou perigoso! Não posso expô-la dessa forma!

- Mas você gosta dela?

Ele corou, desviando o olhar.

- É... eu gosto...

- Então vai lá conversar com ela. – Eu olhei em volta, fazendo cara de surpresa – Ah, Melissa! Vai lá conversar com a Fabíola que eu achei a Mel. – Saí correndo entre os outros bruxos, sem saber se ele havia acreditado em meu teatro improvisado ou não.

Remo tinha um problema, sim, e não seria fácil de lidar com ele, principalmente se ele se envolvesse com outra pessoa, mas ele não podia desistir de viver por causa disso! Ele precisava se relacionar com outras garotas, com garotas de quem gostasse. Ele tinha uma vida inteira pela frente! Não precisava contar para todas sobre seu segredo, contaria apenas para aquela com quem a relação fosse mais sólida, duradoura e intensa. Apenas para a certa. Não sei se era o caso de Fabíola, mas ele também não saberia se não tentasse.

Só parei de andar quando tive certeza de que ele não havia me seguido. Fui para um canto mais afastado, fugindo do tumulto.

Não muito tempo depois, Sirius me encontrou, parecendo nervoso e olhando de um lado para o outro.

- Você viu a Amanda por aí? – Ele perguntou, a voz enrolada da bebida.

- Não. – Olhei em volta – Por quê? Aconteceu alguma coisa?

- Aconteceu. – Ele não parava de olhar para os lados, ficando atrás de mim – Terminei com ela.

- Terminou? Quando?

- Agora.

Revirei os olhos.

- Terminar com uma garota em uma festa? Só você mesmo!

- Eu não agüentava mais! E eu preciso tirar o Longbottom de perto da Mel!

Ele fechou a cara e eu ri.

- Então não devia estar procurando a Melissa ao invés de procurar a Amanda?

- Não estou procurando a Amanda – Ele parecia insultado – Estou fugindo dela!

- Oh!

- Ela está lá! – Eu ri quando ele tentou se esconder atrás de mim, sem sucesso – Se encontrar o Longbottom, estupore ele por mim! – Ele disse antes de sair furtivamente pelo lado oposto ao que a garota vinha.

Amanda me viu e veio direto em minha direção.

- Lily, você viu o Sirius?

- O Sirius? – Fiz a melhor cara inocente e pensativa que podia – Não, não vi, não. Por quê? Aconteceu alguma coisa?

Seu semblante era triste enquanto ela olhava ao redor.

- Ele comentou algo sobre terminarmos e depois sumiu. – Sua voz estava fraca e eu precisava prestar muita atenção para ouvir naquele barulho – Você acha que ele estava falando sério?

Fiquei com pena da desolação dela, mas eu confiava no amor que Sirius sentia por Mel.

- Olha, Amanda. Eu conheço bem o Sirius e ele não é de se envolver muito com alguém. Ele não gosta de relacionamentos, entende? Ele prefere ficar livre.

Era tudo verdade, apesar de eu desejar e acreditar ardentemente que com Mel seria diferente. Pelo menos daquela vez. Se não fosse... bom... aí ele teria que se ver comigo!

Mas aquilo não pareceu satisfazê-la.

- Ele parecia gostar tanto de mim. Tenho certeza de que foi um mal entendido. Só preciso encontrá-lo e perguntar. – Ela olhou em volta, decidindo que caminho seguir – Se você o encontrar, diga que estou procurando por ele.

Concordei com um aceno breve, mas ela já havia sumido.

A festa não estava tão boa quanto eu havia imaginado. Claro que a maior culpa disso era de Denis, Amanda e Isaburra. Justo quando eu queria curtir a ilha com meus amigos eles tinham que aparecer e tirá-los de mim!

Eu estava dançando sozinha quando senti duas mãos em minha cintura e uma voz rouca em meu ouvido, deixando-me arrepiada e fazendo meu coração dar um salto. Eu estive esperando aquilo, inconscientemente, mas não sabia o que faria se acontecesse.

- O que uma garota tão bonita está fazendo aqui sozinha?

- O que você está fazendo aqui, longe da sua namorada? – Perguntei, cínica, sem parar de dançar e sem olhá-lo.

- Ela não é minha namorada. – Ele estava, definitivamente, mais bêbado do que eu já o havia visto ficar. Ele não tirou as mãos de minha cintura e desceu mais a cabeça para encostar os lábios em meu pescoço.

Senti um arrepio percorrer meu corpo todo. A sensação dos lábios dele em meu pescoço era mais surpreendente do que eu teria imaginado.

- Tiago... pára...

- Parar? Por quê? – Ele continuou beijando meu pescoço, descendo até meu ombro.

- Porque você está com a Isaburra. A propósito, onde ela está?

Ele riu do apelido, ainda com a boca em minha pele, fazendo meu coração bater cada vez mais rápido.

- Em algum lugar.

- Idiota. – Murmurei, ignorando as reações do meu corpo e me desvencilhando dele.

- Espera. – Ele segurou meu braço, fazendo-me ficar de frente pra ele e passou a outra mão na minha cintura – Dança uma música comigo?

- Tiago...

- Só uma música.

- Está bem. – Passei o braço livre sobre seu ombro e escondi meu rosto em seu peito. Sua mão passeava livremente pelas minhas costas e ele beijava minha testa, tentando alcançar o resto de meu rosto. Ele não dançava conforme a música, parecia só querer ficar ali abraçado comigo. Soltou minha mão e começou a acariciar meu rosto, tentando me beijar – Tiago, não!

- Lily... você sabe que eu não gosto dela.

- O problema é seu e dela. Fala isso pra ela e não pra mim. – Fiz menção de sair, mas ele me segurou firme.

- Fica!

- Só se você se comportar.

- Eu vou.

Continuamos dançando e ele até que se comportou, apesar de depositar beijos em meu rosto, de vez em quando.

Já estávamos na terceira música quando ouvimos uma voz enjoada.

- O que está acontecendo aqui? Posso saber? – Isabella se aproximou nos olhando de cara feia e eu me separei dele rapidamente.

- Vou procurar a Mel. – Eu disse, deixando-os sozinhos, para a infelicidade de Tiago.

Eu estava quase indo embora. Remo havia sumido com Fabíola, Denis e mel também não estavam em lugar algum e Sirius estava ocupado demais fugindo de Amanda. E eu não queria ficar perto de Tiago e Isabella. Definitivamente, não.

- Lílian? – Ouvi uma voz masculina me chamar e me virei. Era Dave, o amigo de Mel que eu conhecera na noite anterior.

- Oi, Dave! – Sorri com sinceridade enquanto ele se aproximava – Onde estão os outros?

- Steve está com Anne, é claro. – Ele revirou os olhos e eu ri – Michel encontrou Melissa e Denis e resolveu ficar por perto, entende?

Eu assenti, entendendo muito bem o que ele queria dizer. Melissa estava realmente mais incrível ainda naquela noite e como ela e Denis eram apenas amigos, na versão dela, era mais do que compreensível que Michel estivesse por perto para tentar sua sorte. Se bem que, compreensível era uma palavra muito relativa. Se Sirius visse os dois garotos a rodeando enquanto tentava escapar de Amanda, tenho certeza de que não acharia nenhum pouco compreensível.

- Está sozinha? – Ele perguntou, olhando para os lados.

Dei de ombros, com um sorriso fraco.

- Acho que você não está numa situação muito melhor do que eu, ou estou errada? – Eu disse, também olhando em volta para ver se ele estava com alguém.

Ele riu.

- Certíssima, para ser bem sincero. – Ele se aproximou mais, não como se estivesse flertando comigo, mais como um amigo que pede licença para se aproximar – O que acha de curtirmos a solidão juntos?

Ele sorriu.

- Oh, isso tornaria a situação bem menos solitária. – Concordei, sorrindo também.

Dave era o tipo de garoto com quem eu não pensaria muito antes de iniciar um relacionamento. Ele era gentil e educado, razoavelmente bonito, engraçado e não parecia querer escrever um livro de 500 páginas com nomes de garotas com que já ficou.

Eu podia perceber que ele me olhava de maneira diferente, como se me admirasse, como se me quisesse, mas com medo e uma possível rejeição, com timidez e insegurança. Eu achava fofo.

Mas, apesar de tudo isso, eu não conseguia sentir um mínimo de atração por ele. Seu olhar não prendia o meu de forma hipnótica, o meu coração não ficava completamente descompassado com sua proximidade, minha respiração não estava ofegante e minha pele não se arrepiava quando ele esbarrava em mim, sendo ou não proposital. Seu cheiro não era embriagante e eu não ansiava seu toque, seu abraço, seu beijo.

Lembrei da sensação dos lábios de Tiago em meu pescoço e me arrepiei com a simples lembrança. Para o meu azar, isso aconteceu no mesmo momento em que Dave resolveu segurar minha mão, dando a ele a falsa impressão de que fora ele que causara o arrepio. Corei, pensando numa forma de sair daquela situação.

Ele começou a se aproximar mais, tentando encontrar meu olhar, que eu desviava com agilidade. Eu queria fingir ter encontrado algum conhecido, mas ele acabaria me seguindo e descobrindo a mentira. Ou, quem sabe, eu poderia dizer que precisava usar o banheiro, depois eu poderia fugir e tentar encontrar Melissa para avisar que estava indo embora.

Minha mente estava trabalhando depressa, mas não depressa o suficiente. Eu ainda estava decidindo o que fazer quando senti seus lábios em meu pescoço, fazendo a memória do momento com Tiago voltar. Arrepie-me novamente, não por causa de Dave, mas por lembrar da sensação dos lábios de Tiago em minha pele, e novamente Dave achou que aquela reação era devido a seus carinhos.

Seu toque era tão normal que não havia graça alguma. Não queimava, como o de Tiago fizeram. Não fazia meu coração palpitar, nem minhas pernas amolecerem. Eu precisava sair dali, dos braços de um Dave que tentava me beijar e daquela festa estranha. Dos braços de Dave porque eu realmente não queria estar ali. Da festa porque eu tinha medo de cometer uma insanidade. Aqueles pensamentos deviam ser resultado da quantidade de álcool que eu tomara, mas a lembrança de Tiago beijando meu pescoço, segurando minha cintura, dançando comigo não me saía da cabeça.

- Lily? – Uma voz alterada me tirou de meus pensamentos e me fez voltar ao presente. Eu ainda estava nos braços de Dave, que beijava meu rosto, tentando alcançar minha boca, que eu tentava manter longe dele. Mas a voz não era de Dave e eu logo a tinha reconhecido. Saí do abraço, olhando para um Tiago com cara de surpreso e bravo, sem nenhuma Isabella por perto.

Tirei as mãos de Dave de minha cintura, agradecendo internamente pela aparição de Tiago e desejando que aqueles pensamentos insólitos parassem antes que eu o agarrasse. A curiosidade de saber qual seria o sabor de seus lábios me atingiu de repente, com uma intensidade absurda, e eu tratei de bani-la o mais rápido que consegui, jurando nunca mais beber.

- Já estamos indo embora. – Ele disse, num tom frio, sem me encarar. Ele olhava para Dave, medindo-o de cima a baixo.

- Ah... bem... ok... vamos, então... – Eu me virei para Dave, acenado de longe, com um sorriso nervoso – Tchau.

Tiago caminhou entre os jovens que dançavam com passos rápidos, sem olhar para trás, e eu tive que correr para alcançá-lo. Encontramos Sirius no meio do caminho, que ficou feliz de saber que a fuga daquela noite estava chegando ao fim. Remo e Mel se juntaram a nós na saída, o primeiro parecendo satisfeito, a segunda, entediada.

- Sinceramente, isso não foi nada do que eu estava imaginando. – Ela reclamou, juntando-se a mim.

- Concordo. – Eu disse, com um sorriso fraco.

- Desculpe, Lily. – Ela me olhou com remorso – Eu devia ter ficado perto de você, mas Denis me puxou para longe, depois não consegui mais te encontrar.

- Tudo bem. Não fiquei sozinha. Encontrei Dave.

Seus olhos relancearam para Tiago, que prestava uma atenção muda a nossa conversa.

- E...?

- E nada, Mel. Ele é um garoto legal e tudo mais, mas não faz o meu tipo.

Ela riu e Tiago sorriu.

- É, sei bem o que faz o seu tipo... mas ele parecia interessado em você ontem. Ele não tentou nada?

- Tentou, mas Tiago apareceu bem na hora e me salvou.

Eu ri quando ele sorriu abertamente, claramente satisfeito consigo mesmo.

Fomos todos direto para a casa de Melissa. Quando chegamos à porta, porém, Tiago segurou meu braço, deixando que os outros entrassem. Apenas nós dois continuamos do lado de fora.

- O que foi? – Perguntei com a voz tremida por estarmos sozinhos. Aqueles pensamentos ainda não haviam deixado completamente a minha cabeça.

- Eu já disse o quanto você está maravilhosa?

- Ah... obrigada...

- Você é maravilhosa... – Ele se aproximou um pouco mais e eu recuei, corando – Mas conseguiu ficar ainda mais linda hoje...

- Obrigada, Tiago... mas eu preciso entrar...

- Eu queria conversar com você. – Ele se aproximou tanto que fui obrigada a ficar encostada na parede.

- Sobre?

- Nós.

Ele se aproximou ainda mais, colocando uma das mãos em meu rosto.

- Escuta, Tiago – Afastei a mão dele – É melhor conversarmos amanhã, quando você estiver sóbrio.

Eu podia sentir o cheiro de álcool misturado ao seu perfume e não gostava do resultado. Preferia eu cheiro puro, sem outras adições. Com exceção, talvez, do cheiro de morango do meu shampoo. Lembrei da primeira vez que dormi abraçada com o casaco dele, depois de ter tomado meu banho, inebriada com a mistura dos dois cheiros. Foi a noite mais bem dormida que tive naquela ilha.

- Lily – Ele deu um beijo em meu rosto e aproximou a boca de minha orelha, sussurrando – Eu quero você. você.

Meu corpo se arrepiou novamente e eu não consegui levantar meus braços para tentar afastá-lo.

- Amanhã. – Eu falei, baixo demais, tentando lutar contra a vontade repentina de abraçá-lo. Podia sentir seu hálito em meu pescoço, sua proximidade me deixava desnorteada – Amanhã a gente conversa. Por favor.

A porta se abriu e ouvi um assovio de Sirius, seguido das risadas dele e Remo enquanto iam para a casa da frente. Completamente corada, juntei todas as forças que tinha para empurrar Tiago para longe e entrar na casa de Melissa.

Dormi a maiior parte do dia seguinte e, no final da tarde, os garotos apareceram na casa de Melissa, parecendo ter acabado de acordar. Remo e Mel começaram uma partida de xadrez bruxo e me sentei depressa no lugar vago ao lado de Sirius. Tiago não me olhou, sentado ao lado de Mel, no outro sofá. Eu estava com medo da conversa que possivelmente teríamos.

- O que aconteceu ontem? – Sirius me perguntou em voz baixa, com um sorriso bastante malicioso. Lembrei-me que ele havia visto a cena da noite anterior, do lado de fora da casa, mas fingi não saber do que se tratava.

- Como?

Ele suspirou, revirando os olhos.

- Não pense que eu não vi vocês dois. – Ele lançou um olhar rápido para Tiago e mesmo com o tom baixo de Sirius, eu sabia que o outro estaria escutando – Só não entendo porque ele parece... triste?

- Você especula demais. – Eu também revirei os olhos – Ele só disse que queria conversar. Só isso. Não aconteceu nada.

- Sei bem que tipo de conversa o Pontas queria com você ontem. – Ele deu uma risada rouca – Você estava simplesmente... uau!

Revirei os olhos de novo, corando, e lancei um olhar para Melissa, mas ela não parecia ter escutado.

- Achei que não ia notar nenhuma outra ontem.

- Pimentinha – Ele passou um braço sobre meus ombros, fraternalmente. Olhei de relance para Tiago e vi sua postura ficar mais rígida. Sorri internamente – Não há garota que escape aos olhos do tio Black.

- Não a deixe escutar isso.

O sorriso desapareceu de seu rosto e ele retirou o braço.

- Como se ela se importasse. Quando não é o Longbottom é aquele Michel não sei das quantas.

- Ah, ela se importa, sim. O Denis é muito bonito, Sirius, e o Michel também. Se ela quisesse, já estaria com qualquer um deles, ou outro! O único problema é que você não colabora.

- Não tenho culpa se a Amanda me persegue!

- Eu sei que não, mas fica a dica. – Pisquei, sorrindo. Ele sorriu em resposta, pensando no assunto.

Não demorou muito para o jogo terminar, com uma vitória surpreendente de Remo. Melissa, com raiva por ter perdido, foi para a cozinha alegando estar com fome. Sirius e Remo a seguiram.

Tiago não se moveu e eu também continuei ali. Se era para termos uma conversa, que fosse logo. Ele parecia um pouco em graça, ainda que aquilo fosse novidade para mim, sempre acostumada com o Tiago cheio de si e extremamente arrogante. Ele não costumava pensar tanto antes de falar e aquilo me deixou ainda mais nervosa. O clima não estava nada bom, eu podia sentir a tensão no ar. Assim como suas palavras não me saíam da cabeça desde a noite anterior. "Eu quero você. Só você". Seria possível que aquilo tudo fora apenas resultado da grande quantidade de álcool que ele havia tomado?

Tentei pensar em algo para quebrar o gelo e meu olhar encontrou um batom de Melissa, esquecido em cima da mesinha de centro. Sorri.

- O senhor está me devendo uma aposta, lembra?

Ele sorriu também. Ainda não havia visto o batom.

- Tenho uma vaga lembrança, sim.

- Não é educado não pagar apostas. Traz má sorte. – Ele apenas sorriu, parecendo triste – Podemos dar um jeito nisso agora mesmo se você quiser.

Eu levantei, pegando o batom, e ele riu.

- Agora? – Ele parecia estar se divertindo. Eu tirei a tampa, deixando a cor rosa Pink, perfeita para a ocasião, aparecer e me aproximando vagamente. Ele se levantou, afastando-se.

- Por que não agora? – Perguntei, com a inocência de uma criança arteira, ameaçando-o com o cosmético.

Ele sacou a varinha, apontando-a para mim com uma ameaça de brincadeira.

Eu ri, esticando o braço o máximo que conseguia.

- Eu tenho um batom e não tenho medo de usá-lo!

Num gesto rápido, ele segurou meu braço, virando-me para ficar de costas para a parede, fazendo-me lembrar bem demais da noite anterior. Com a única diferença de que naquela hora ele não estava bêbado e seu cheiro parecia muito melhor do que qualquer outro dia.

- Então, senhorita Evans, não vai usar sua arma super potente?

Eu já nem sabia mais onde ficavam minhas mãos e menos ainda se o batom ainda estava nelas. Tudo o que eu via eram aqueles olhos cor de chocolate com menta fitarem os meus de forma tão intensa. Minhas palavras não saíram e ele sorriu, triunfante.

- Essa foi a vitória mais sem graça que consegui. – Provocou. Eu lancei um olhar de raiva fingida e levantei a mão que segurava o batom, desenhando riscos tortos e desconexos em suas bochechas, rindo satisfeita com o resultado.

Ele começou a rir também, desprendendo meus braços e me fazendo cócegas, impedindo que eu continuasse a sujá-lo.

Ouvi a porta ser aberta, mas meus olhos estavam cheios de lágrimas de risos e eu não conseguia ver quem tinha entrado, só pude ouvir uma voz enjoada, segundos depois.

- O que é que está acontecendo aqui?

Tiago parou com as cócegas instantaneamente, parecendo surpreso de ver Isabella na casa de Melissa. Eu me recompus rapidamente, nenhuma sombra de riso no meu rosto. Aquela garota conseguia extinguir qualquer pingo de felicidade que eu pudesse ter.

- O que você está fazendo aqui?

Ela ignorou minha pergunta, assim como minha pessoa, e continuou olhando para Tiago, parecendo horrorizada.

- O que é isso no seu rosto? – Ela observou minhas mãos, que ainda seguravam o cosmético e estavam completamente rosas – Batom?

- O que você está fazendo aqui, Isabella? – Gostei da forma como ele pronunciou seu nome completo e não apenas o apelido como sempre fazia. Mas, então, lembrei de seu semblante triste ainda há pouco. Ele estaria mal porque os dois estavam brigados? Ele gostava tanto dela àquele ponto?

- Precisamos conversar, mas vejo que você está ocupado demais agindo feito criança com uma... uma...

Eu podia perceber a força que ela estava fazendo para se manter indiferente quanto a mim. Normalmente, ela conseguia, mas nos encontrar naquela situação a havia deixado irritada demais para se controlar.

- Uma o quê? – Vi que Tiago estava prestes a fazer a mesma pergunta, mas tomei a sua frente, cansada de ficar ouvindo aquela voz enjoada. Se ele gostava ou não dela, pouco me importava. Eu a odiava e não iria deixar barato o que quer que ela falasse de mal sobre mim.

Ela respirou fundo algumas vezes, tentando se acalmar, mas me olhando com uma ira surpreendente que eu podia sentir sair do meu olhar na mesma intensidade. Desviou o olhar para Tiago, recompondo-se o máximo que podia, deixando sua voz tremer ligeiramente enquanto falava.

- Nós dois precisamos conversar.

- Eu já disse tudo o que tinha para dizer ontem. – Ele passou por mim, colocando o braço a minha frente de modo protetor, não que eu quisesse um protetor naquele momento. Eu estava mais do que com vontade de encará-la sozinha – Mas fiquei curioso, também. O que é que você ia dizer sobre a Lílian mesmo?

- Eu quero conversar com você – Ela continuou, entre os dentes, e depois olhou para mim – A sós.

- Já disse que não tenho nada falar com você, Isabella. Já resolvemos nossa situação ontem. – Tiago parecia que ia perder a paciência a qualquer momento e eu não acompanhava mais o que ele dizia. Resolveram a situação ontem? Queria dizer que eles haviam terminado? Então não era por aquilo que ele estava triste? Ou era?

- Você estava bêbado! – Ela explodiu, voltando a me ignorar.

- Eu estava completamente consciente de meus atos. E minha opinião não mudou de ontem para hoje. Continuo com a mesma convicção, se era isso que a estava incomodando.

Ela grunhiu de raiva, fechando os punhos com força.

- Tudo por causa dessa idiota de sangue-ruim!

Tudo aconteceu muito rápido, mas cada detalhe ficou gravado em minha mente com uma nitidez incrível. Vi Tiago cerrar os dentes com força, apertando o cabo da varinha, mas não deixei que ele fizesse qualquer coisa para me proteger, eu queria enfrentá-la sozinha. Empurrei-o para o lado, sem saber de onde eu tirara tanta força, e quebrei o espaço entre nós duas com uma rapidez quase surreal levando em conta minha péssima coordenação. Esqueci-me completamente da varinha, fazendo valer as tradições trouxas das quais eu não sentia vergonha alguma e depositei um tapa muito bem dado em seu rosto, deixando uma marca vermelha que eu sabia que levaria dias para desaparecer, mesmo com quilos de maquiagem ou feitiços caseiros. Em seguida, sem esperar que ela se recuperasse do susto, desarmei-a.

- Como você se atreve? – Meu tom de voz foi alto o suficiente para alertar Sirius, Mel e Remo de que havia algo errado. Vi-os entrar na sala, pela minha visão periférica, assim como vi Tiago me encarar numa espécie de susto e admiração – Chegar e entrar na casa de Melissa, SEM SER CONVIDADA, sem ao menos BATER na porta! E me insultar? Me chamar de sangue-ruim? Quem você pensa que é, Isabella Lestrange? Acho bom você sair dessa casa o mais rápido possível e não aparecer aqui nunca mais! NUNCA MAIS! Ouviu? Você NÃO É bem vinda aqui!

Depois de passado o susto, vi que os outros estavam ao meu lado, todos com a varinha erguida e suas expressões confirmavam tudo o que eu havia dito. Sem ver outra saída, Isabella pegou sua varinha e saiu, sem olhar para trás.

Assim que o clima começou a amenizar, Sirius soltou uma gargalhada alta, recebendo olhares espantados dos outros.

Ele não respondeu às expressões indagadoras, apenas apontou para Tiago, que ainda estava todo manchado de batom, e voltou a rir, fazendo todos, inclusive Tiago, rirem também.

Enquanto Tiago ia lavar o rosto, Sirius, Mel e Remo voltaram para a cozinha, deixando-me sozinha e pensativa na sala.

E eu tinha muito no que pensar.

Isabella e Tiago não estavam mais juntos, então. E ele não parecia gostar dela e nem queria voltar para ela. Mas ele tinha estado triste. Seria possível que ela o tivesse traído e por isso ele não a queria mais e ficara triste. Improvável, mas possível. Ou talvez ele estivesse triste por outro motivo qualquer. Ele e Remo ainda não estavam se falando, apesar de o clima entre eles parecer muito melhor. Acho que o fato de que eu não estava mais procurando o antídoto e, por isso, não estar saindo tanto com Remo havia apaziguado as coisas.

E ele havia dito na noite anterior que queria conversar comigo. Conversar sobre nós.

Mas não existia um "nós", realmente. Éramos amigos, apenas. Apesar de a nossa relação ter ficado um tanto conturbada no período em que fiquei bastante amiga de Remo. Tudo por causa do ciúme, o ciúme infantil e bobo que ele sentia por mim.

Eu precisava deixar claro para ele que não havia sentido nenhum em "nós". Não que eu não tivesse pensado nisso naquela noite e algumas outras vezes, muito mais freqüentemente desde que ele começara a sair com Isabella, mas não havia possibilidade alguma de envolvê-lo na minha vida àquela altura.

Eu não podia me apaixonar. Agora, nem tanto porque ele era "o Potter" ou por outro tipo de medo. Eu sabia, e parecia bastante claro naquele momento, que se a situação fosse outra eu estaria encarando aquilo de forma completamente diferente. Talvez eu estivesse até mesmo gostando de pensar em Tiago como mais que um amigo.

O fato principal não era tanto a questão de eu não poder me apaixonar, contudo. Talvez aquilo estivesse longe do meu poder, decidir me apaixonar ou não. Talvez eu já estivesse apaixonada, apesar de não admitir ou não saber. Ou não entender por causa da confusão que aquela ilha causava em minhas emoções.

De fato, não importava. O que eu não queria, mesmo querendo, no fundo, e não podia deixar acontecer era ele se apaixonar por mim. Isso estava fora de cogitação. Eu já não duvidava que ele gostasse de mim, pelo menos de alguma forma, pelo menos só como amiga ainda que confundisse tudo a ponto de ter tentado me beijar na noite anterior. Eu só não podia deixar que ele se apaixonasse. Não podia deixar que ele sofresse.

A confusão de pensamentos e sentimentos dentro de mim era tanta que eu desejava ardentemente ficar algumas horas longe daquela toxina, para poder colocar tudo em ordem na minha cabeça e no meu coração. Mas me imaginar longe da ilha, onde eu poderia ser perigosa para outras pessoas, onde eu poderia agir como Josh Rinnel, apenas por instinto, sem me lembrar do que fiz ou quem matei, apenas me repugnava e me dava nojo de mim mesma.

Eu podia agüentar mais algum tempo vivendo daquela forma. Eu já estava certa do que era preciso fazer e era o que eu faria.

- Precisamos conversar. – Eu disse, veemente, assim que ele entrou na sala de novo.

- É, eu acho que precisamos. – Ele notou meu tom urgente e não parecia mais tão disposto para conversas quanto na noite anterior, mas estava satisfeito pela minha atitude com Isabella. Sentamos cada um em um sofá – Desculpe por ter sido tão inconveniente ontem.

Meu coração apertou. De certa forma, não era aquilo que eu estava esperando. Eu estivera formulando minhas respostas acerca de nós dois, mas ele não parecia querer tocar naquele assunto.

- Só isso?

- Desculpe. Eu fui um idiota. Não havia sentido para ficar chateado com você e Remo. Eu gostaria que esquecêssemos tudo isso.

- Então, somos amigos? – Perguntei, incerta.

- É... amigos...

- Certo. – Tentei pensar com lógica. Eu havia gastado muitos minutos para entender tudo o que estava acontecendo e com apenas algumas palavras ele conseguira transformar tudo em confusão de novo. Certo, o ciúme era algo com o qual eu não precisaria mais me preocupar. Ele e Remo ainda não estavam se falando direito, mas isso era questão de tempo. Remo estava chateado e Tiago era orgulhoso demais, mas eram amigos e resolveriam suas diferenças. Voltaríamos a ser amigos, como no começo daquelas férias, ou, pelo menos, pouco depois do começo. Tudo estava voltando a sua forma pacífica, ia ficar tudo bem. Ele não estava apaixonado por mim. Gostava de mim somente como amiga, apesar de ter confundido aquele sentimento por algum tempo. completamente compreensível. Aquelas não eram conclusões difíceis de se tomar, pois eram as que estavam impregnadas em minha mente desde o começo. Pensar nele gostando de mim era mais complicado porque eu sempre negara aquilo. Admitir estar possivelmente apaixonada era ainda pior, mas eu consegui depois de algum tempo pensando naquilo, e me fez entender, ou quase, o porquê de meu coração continuar tão apertado, como se algo estivesse errado – Eu concordo. Amigos.

Ele sorriu com malícia e levantou do sofá em que estava, sentando ao meu lado.

- A não ser que você queira outra coisa.

Corei violentamente e pigarreei antes de responder.

- Outra coisa?

- O que você quiser. – Ele continuou com aquele sorriso de lado, malicioso, enquanto eu pensava.

- Eu quero... ser sua amiga, claro... – Tentei me recompor rapidamente. O que eu estava pensando, afinal? Era óbvio que eu queria ser sua amiga. Eu tinha de ser sua amiga. Não só porque eu já não conseguia mais ver a minha vida sem sua companhia e sua amizade, mas também porque eu precisava não permitir que ficássemos mais do que amigos, para o próprio bem dele. Amigos. Só amigos. Era assim que tinha que ser.

- Só amiga?

Ele se aproximou um pouco mais, o sorriso aumentando. Foi a minha vez de sorrir e revirar os olhos, ignorando os saltos que meu estômago estava dando.

- Ah! Cala a boca! – Dei um murro de brincadeira em seu braço, rindo. Eu não sabia como fazer aquilo dagir. Eu estava confusa e ele só conseguia me confundir ainda mais! Eu já não sabia o quanto ele gostava de mim. Como eu poderia saber quando ele estava brincando e quando ele estava falando sério?

Odiei aquela toxina e seus efeitos colaterais! Por que ela não podia, simplesmente, deixar os outros bruxos a salvo? Mas não! Ela também tinha que me matar e me fazer ficar confusa enquanto não conseguia a primeira proeza. Que ótimo!

Ele riu também e se levantou.

- Pronta para mais uma aula de vôo, então?

- A essa hora? – Espantei-me, olhando pela janela e percebendo a luminosidade diminuir gradativamente.

- Você precisa aprender a voar no escuro também.

Eu ri, aceitando a mão que ele oferecia, e saímos para o fim de tarde.


N/A: Demorei muito? =x

Espero que não... estou tendo alguns imprevistos de última hora e isso somado ao fato de eu já ter pego minha carteira e já poder pilotar minha moto me deixou um pouco sem tempo para escrever... :P

Sem contar a falta de inspiração que tomou conta de mim e uma amiga que veio passar o fim de semana aqui em casa... rs

Para quem lê Sua namorada por 10 dias, acho que postarei no sábado ou no domingo... não sei ao certo... o capítulo está na metade ainda... =/

Eu terminei esse capítulo às 3:00 da manhã de hoje, mas ainda precisava revisar, responder as reviews e escrever a nota e não aguentava mais manter os olhos abertos, por isso só postei agora... rsrs

Bom, espero que gostem do capítulo... Já posso adiantar algo do próximo, apesar de ainda não o ter escrito: Vai ter Tiago vestido de mulher e ele vai "descobrir" o segredo dela... E acredito que as coisas entre Sirius e Mel dêem uma melhorada, assim como, possivelmente (ainda não sei se será no próximo, mas acredito que sim), a descoberta do que aconteceu entre Mel e Tiago... uhuhuhuhu... já viram que promete grandes emoções, não?

rsrsrs

Tentarei não demorar a postar, mas acredito que eu vá continuar nessa linha de um capítulo por semana... ^^

Muito obrigada por seus comentários!!! Amei todos!!!

Espero que gostem do capítulo... e comentem! ;D

Beijos, Cristal Evans.