10. Hora de Enxugar o Leite Derramado!
"Não tenho mais nada pra falar com ele, Jon. Apenas o necessário devido ao trabalho e tal. Só". Lea afirmava secamente pra seu amigo Jonathan, ignorando suas lamúrias.
Meia hora depois, em outro set de filmagens de Glee...
"Não há o que mais conversar Jon. Ficou claro que não temos confiança um no outro. Então... vamos deixar nisso! Até que termine as gravações daqui de Glee, onde temos que trabalhar juntos, vamos conviver civilizadamente, conversando só quando for preciso. Depois as coisas vão ficar mais fáceis, cada um vai seguir o seu caminho e fim de papo!" Cory estava começando a ficar nervoso com tanta insistência de Jon pra ele ir conversar com Lea.
No almoço daquele dia...
"Muito bom trabalho... vocês conseguiram!", Jonathan chegou batendo palmas na mesa onde estava todo o grupinho almoçando. "Conseguiram enfiar os pés pelas mãos! Não sei o que tinham em mente, só podia ser merda mesmo!"
"Calma Jon, a gente só..." Di até tentou se explicar, mas não tinha nenhuma explicação pra dar, afinal, ele estava certo, eles foram longe demais. "Não tem o que explicar. Fomos loucos, idiotas, estúpidos. Principalmente eu que fui umas das líderes dessa idéia..."
"Di, não assuma sozinha, eu também te ajudei nessa!" Naya apoiou-a.
"Todos nós somos culpados", Mark comentou, "todos brincamos de cupido e só o que conseguimos foi fazer nossos amigos brigarem. Agora temos além disso, que agüentar todo dia esse clima de velório, essa tristeza e amargura deles. Faz mais de uma semana que tudo aconteceu e parece que cada dia está pior... menos eles se falam, menos eles se olham, e mais a gente se sente culpado!"
"Bonitas palavras amigão... mas não vão ajudar em nada! Por acaso vocês já se desculparam com eles? Contaram todas as suas tramóias e armações?" Jon estava mesmo uma fera com a turma. Ele gostava muito de todos, mas tinha um carinho em especial por Cory, a quem aprendeu a admirar, e Lea, nem se fala, era mais do que sua amiga, era seu maior tesouro! Ver os dois tão tristes, separados, depois de tudo o que ele fez e aconselhou pra juntá-los... Jon foi o primeiro a perceber o quanto eles combinavam, se gostavam, antes mesmo deles próprios virem isso... que entre eles dois existia algo maior que amizade, havia amor, um dois mais fortes e verdadeiros.
"Contamos. Eu mesmo fui procurá-los. Especialmente falei com a Lea, contei que o estopim pra guerra começar, foi meu... fui eu que pus fogo na história, envenenei tanto o Cory que ele acabou vindo pra festa, furioso e enciumado...ele nem ia, e inclusive pra mim disse que a Lea falou que ia e esteve tranqüilo já que confiava nela e tal... mas a baixinha não quis saber, disse que até podia ser, mas o resto da noite, as outras ações de Cory provaram que ele não confiava mesmo nela, se disse foi só da boca pra fora", Mark explicava sobre a conversa que teve com a amiga.
"É a gente conversou com eles, pediu desculpas...eles até perdoaram a gente, mas disseram pra esquecermos tudo isso... que acabou mesmo!" Jenna disse quase chorando.
"Pelo menos isso... sabia que no fundo desses idiotas ainda existiam meus amigos!" Jon suavizou sua reclamações. Ele viu que não era só Lea e Cory que estavam num inferno, todo o elenco, toda aquela turminha trapalhona, mas sempre alegre, também estava melancólica. "Certo gente, vocês fizeram bobagem, mas quem não faz?...bem, e agora?"
"E agora o que Jon? Agora estamos aqui se lamentando e eles dois estão cada um pra um lado. Se pelo menos voltassem a ser amigos, conversar..." Kevin comentou.
"E vocês vão continuar se lamentando...vão ficar aqui de braços cruzados?"
"Jon, nos prometemos que não vamos mais intervir... a gente só faz trapalhada!" Naya falou tristemente.
"Ainda bem que aprenderam alguma coisa! Pensem sempre bem! Nunca por impulso!" Jon continuava o sermão.
"Pode deixar!" Mark bateu continência.
"Ok, gente. Me digam, vocês acreditam em destino?" todos afirmaram que sim. "Ótimo, eu também, mas penso que as vezes pro destino se cumprir a gente precisa dar uma mãozinha pra ele" Jon sorriu maliciosamente.
"O que é isso?" Di entendeu que ele queria aprontar algo. "Depois de tudo..."
"Depois de tudo, vocês são responsáveis pra consertar! Só que agora do meu jeito, ok!" ele sentou-se no meio deles e começou a contar o que tinha em mente: "bem, eu precisava muito ir pegar algumas roupas que levei no atelier da minha costureira, é pro meu espetáculo da Broadway. Tinha que ser hoje, mas não vou conseguir, tenho muito o que fazer, não vou ter tempo, sem contar que o tal atelier é no interior, entre Los Angeles e Nova Iorque, e ainda por cima, ta prevista a maior chuva hoje pro final do dia, justamente a hora que eu marquei de ir pegar...meu carro ainda pra variar estragou, dá pra acreditar? Então estou com as mãos atadas...numa hora dessas eu sempre recorro a minha amiga Lea Michele que sempre me salva..." ele fez uma pausa pra que alguns perdidos pudessem acompanhar sua idéia. "Isso se chama destino. Tinha que acontecer! Agora o que não precisa, mas nós vamos dar uma ajudinha, vai ser em quem vai levar a Lea até o tal atelier".
"Ah..." todos exclamaram começando a viajar na idéia dele.
"Cory!" alguns concluíram.
"Cory, isso mesmo meus projetos de cupidos... só assim, eles ficando obrigatoriamente num mesmo lugar, sem ter pra onde correr, é que vão conversar de verdade, e quem sabe, se acertarem, pelo menos esclarecer tudo isso que aconteceu" Jon finalizou.
"Jon, mas... é o seu carro que estragou, não o dela" Mark não entendeu.
"Exato, aí é que você entra... você vai dar um jeitinho no carro dela... não precisa muito, só furar dois pneus, mas tem que ser os dois do mesmo lado... Lea só tem um step, logo vai ficar a pé, não se preocupe, ela é tão distraída, não vai ser a primeira vez que 'acidentalmente' passou em algo sem perceber e furou logo dois pneus"
"Entendi" Mark sorriu.
"E como você vai escolher a carona dela? Ela pode pegar um táxi, ligar pra alguém ir pegá-la, chamar um guincho..." Naya estava mais esperta, depois dos tropeços anteriores, pra embarcar numa nova aventura, ela queria ter certeza que no mínimo não ia ferir mais ninguém.
"Aí entra dois agentes, vamos ver...Jenna e Harry, vocês são tão doces e aspiram tanta confiança que jamais eles dois vão suspeitar, já que depois da bagunça que aprontaram, eles estão agora de orelha em pé, certamente. Inventem, façam o que quiser, mas a Jenna segure a Lea no set até o fim do dia, quando todo mundo for embora. Harry, idem, o mesmo com Cory".
"Vou pedir a Lea umas dicas pro meu solo, ela vai ficar sem reclamar e sem se preocupar com hora e ir embora..." Jenna apontou seu plano.
"E eu vou dizer que estou com tempo, se ele quiser posso dar mais umas aulinhas, alguns passos novos, como ele me pediu a um tempo atrás..." Harry também estava pronto.
"Perfeito! Fiquem até o fim dos trabalhos. Quando todo mundo sair, vocês dois desapareçam, a Lea vai perceber que está a pé, e adivinha quem vai trombar com ela no estacionamento? Duvido que ele como cavalheiro que é não vá oferecer carona pra ela, por ser uma viajem curta, ela vai protestar, mas vai acabar aceitando, Lea odeia esperar!...Ah, eu fiquei sabendo acho que pelo Cory, que você Chord sabe mexer além do trivial no seu celular...sei que consegue o milagre de arranjar sinal pro celular quando ninguém consegue..." Jon prosseguia.
"Bem, eu tenho meus truques..." Chord ficou meio sem graça, apesar de gostar de se gabar de seus intentos, eles não eram muito 'honestos'.
"...consegue achar um sinal, mas... e o contrário, desaparecer com todo e qualquer sinal de celular, assim, tipo, por um dez minutos, só aqui no estacionamento?"
"Ah, claro, é mais fácil até", todos ficaram curiosos, mas por mais que implorassem, ele não revelava sua 'mágica'.
"Ótimo! Assim resolvemos a história dela pedir ajuda", Jon ficou entusiasmado, estava cada vez mais fechado seu plano, ele podia sim dar certo.
"Ta, mas ela vai pegar sua encomenda, não vai querer ficar aqui. Lea vai ir logo pro atelier", Âmber interviu.
"Mas ela ainda não sabe, só vai saber na hora exata", Jon finalizou, "agora vamos trabalhar, no final da tarde, cada um pras suas posições, e o restante de nós, vamos esperar naquele barzinho perto aqui dos estúdios da Fox. Ok? Nos encontramos todos lá!".
.:
"Não acredito! Droga! Dois pneus furados! Aonde foi que passei... só pode que tinha alguma garrafa quebrada na via e eu não vi! E agora? Não tem mais ninguém aqui... Será que a Jenna já foi? Sem sinal de celular, droga! Como é que vou chamar ajuda? Se pelo menos um táxi... justo esse horário!" Lea chutava um dos pneus do carro, furiosa.
"O que foi?" Cory apareceu atrás dela.
"Meu carro... dois pneus furados... acredita? É muita falta de sorte!" ela comentou amigavelmente, esquecendo nesse instante que não se falavam. Cory teve vontade de rir dela, 'ah Lea, sempre distraída', pensou.
"Você tem um step, vou pegar o meu pra gente ver se dá certo no seu carro", ela concordou.
"Droga, você não contava com isso Jon? Um step dela, outro dele, logo, carro concertado!" Naya protestou. Todos estavam no tal bar observando de longe Lea e Cory.
"Calma, olhe primeiro...Mark explique pra ela" Jon pediu.
"Naya nem todo pneu serve pra todo tipo de carro. O carro da Lea é diferente do carro do Cory".
Eles tentaram, mas não deu certo mesmo. Lea continuava a pé. Se bem que o que ela menos se preocupava nessa hora era com pneu, carro,... ela só conseguia prestar atenção em Cory abaixado trocando os pneus, os músculos do seu tórax e dos braços saltando sob a camisa. Lea estava quase caindo em cima dele, quando ele levantou-se subitamente pra levar seu step de volta ao seu carro, sem perceber que ela estava tão próxima dele. Resultado: quase se trombaram. Sem graça, ele foi guardar o step e ela tentou disfarçar.
"Bem, já chamou ajuda?" ele pediu.
"Tentei, mas estranhamente não tem sinal algum no meu celular".
"Estranho mesmo, também estou sem sinal", Cory conferiu o seu também.
"Olha, se quiser te dou uma carona até em casa, fica no meu caminho mesmo, não vai me custar nada", ele tentava ser cordial.
"Não sei..."
"Prometo que vai ser apenas uma carona, se preferir, não conversamos, te levo sem abrir minha boca", ele percebeu que ela não estava a vontade com a situação. De repente, eles se lembraram que estavam brigados, sem se falar.
"Se for assim, ok, aceito. Mas só porque não tenho outra opção".
"Eles entraram no carro! Jon você é nosso ídolo!" o pessoal vibrava.
"Calma, ainda não está tudo pronto. Vamos dar cinco minutos pra eles". Jon ponderou.
Cinco minutos depois...
"Oi meu amor, onde você está?" Jon falava com Lea pelo celular, fingindo não saber de nada.
"Oi Jon, que bom que voltou a funcionar meu celular..."
"Funcionar?"
"Sim, estava sem sinal"
"Baby, preciso de sua ajuda. Sabe que te recorro só quando estou desesperado...só você pra me salvar...eu preciso muito pegar algumas roupas que deixei no atelier pra conserto, são aqui do musical, precisa ser hoje, só que justo hoje meu carro quebrou,... e agora Lea, o pessoal ta contando comigo, amanhã na primeira hora eles vão buscar...você podia ir pra mim lá pegar, por favor, me salva!"
"Jon eu ..."
"Você sabe onde fica, ah por favor Lea!"
"Jon, estou de carona, estou sem meu carro, ... acredita que furou dois pneus?"
"Não acredito que você conseguiu furar dois pneus ao mesmo tempo! Só você Lea Michele!" Jon ria juntamente com toda a gangue.
"Jon, eu não posso ir pegar, estou de carona..."
"Aonde fica?" Cory entrou na conversa.
"C-Cory, é você?" Jon mais uma vez procurou fingir espanto. "A Lea sabe Cory"
"Nós vamos buscar então. Você pega depois com ela"
"Perfeito. Ah, Cory, não querendo te apressar, mas tem hora marcada, é as 08:00 hs, então se vocês forem pela rodovia principal, vão cair no maior engarrafamento... tem um desvio, não é uma rodovia, é um atalho, mas a estrada é boa, dá pra chegarem a tempo lá... Cory eu vou ser eternamente grato, vocês são os melhores amigos do mundo, obrigado. Nos falamos amanhã, abraços". Jon desligou.
"Eu juro que não acreditava que ia dar certo! Você é do outro mundo Jon!" Di podia falar pelos demais, estavam todos espantados.
"Imagina, eu só sou bem informado, estou ligado em tudo. Inclusive que hoje vai cair o mundo...vai chover horrores. Se eu conheço o Cory, ele vai gostar da tal estrada, justamente por fugir do trânsito, então além de ir, ele vai voltar por ela. Se tudo caminhar como eu imagino... ele vão pegar a maior chuva na volta... daí pro carro do nosso amigo atolar, vai ser muito simples, já que até onde eu entendo, não é um desses carros com tração e tal...logo, eles dois vão ficar perdidos no meio do nada, com chuva, atolados, provavelmente sem sinal de celular, ... a única coisa que vão poder fazer é ... conversar!"
"Meu Deus, você é incrível! Eu pensei que estava planejando deles conversar na carona do trabalho pra casa, daí até fiquei imaginando... é muito pouco tempo, não vão nem abrir a boca!" Naya estava eufórica, ele sim sabia fazer um plano.
"Certo gente, bom trabalho de todos. Agora...vamos esperar, nossa parte já fizemos, o resto fica por conta do destino". Jon afirmou.
.:
"Não precisava se sentir obrigado a aceitar o pedido do Jon. Ele ia acabar dando um jeito...apesar que o jeito que ele dá sou sempre eu..." Lea falava procurando não demonstrar seu desconforto, sua preocupação em estar tão perto de Cory numa viagem além dos dez, quinze minutos da carona até sua casa.
"Não estou indo obrigado. Jon também é meu amigo, não vai me custar nada! Além do mais, devia um favor pra ele" Cory procurava demonstrar descaso. O que ele menos queria era que Lea visse o quanto ele estava começando a suar, mesmo com o ar condicionado ligado, devido ao fato dela estar do lado dele.
"Ok, a carona ficou um pouco mais longa, mas continua o combinado..."
"...não pensava mesmo abrir minha boca...fique tranqüila" ele falou a contragosto.
"Ótimo! Vou lhe mostrando o caminho. Quanto mais rápido chegarmos, mais rápido estarei em casa!" Lea falou seriamente. Cory não respondeu. Limitou-se a pisar fundo no acelerador.
