Há anos existiu um soldado, seus olhos mostravam um mistério escondido. Ele vagava sozinho, sua única companheira era a arma. Onde este soldado estará agora?

Soldier (II parte da continuação Kall- narrada por Cloud)

Era um dia normal como outro qualquer, Diva havia me chutado da cama, estava com uma dor nas costas pelo fato dela sempre se mexer na cama. Até parecia uma luta de boxe, e ela sempre me vencia e o que me restava era o chão e um canto mínimo na cama para os pés.

Vi que esta manhã ela saiu correndo, pelo visto havia se atrasado mais ainda, uma vez que se esqueceu de fazer o café da manhã para mim. Fui até a geladeira, peguei um suco de laranja que tinha gosto de maça (espero que não me cause mal esse suco), e comi umas torradas. Ouvi Rhoad rindo do quarto dela, toda vez que ela começava a rir era porque estava aprontando uma. Suspirava deixando a louça suja na pia e ia ver o que ela estava aprontando. Ao chegar ao quarto de Rhoad,vi que ela estava brincando com uma faca com ponta cortando uma de suas bonecas sem cabeça. Ia com passos firmes até o berço e segurava a faca tentando arrancar de Kamelot. Ela abria um sorriso maldoso, me olhava de baixo soltando uma risadinha ( por um momento ela possuía a mesma expressão da mãe quando eu estava prestes a me ferrar...dito e feito) ela puxava com força a faca arrancando ela de mim e uma parte da minha pele consigo.

- AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!- berrava balançando a mão que doía demais, sem pensar pegava o lençol de Rhoad e enrolava em minha mão para conter o sangramento. - sua... Sua... onde já se viu fazer isso com seu pai! Eu exijo respeito!

Ao olhar para o berço Rhoar não estava mais lá, olhava para os lados assustado, então ouvia sua voz soando atrás de mim.

- me deixa em paz e eu não conto para a momy que você sujou o lençol branquinho que ela lavou ontem, e nem que você tem revistas de moças peladas embaixo da cama em um compartimento secreto.- sua voz era doce e meiga, porem sua expressão destoava do timbre de sua voz. Para uma criança de cinco anos ela era bem esperta.

- Re-revistas?- "Co-como ela sabia delas? Nem mesmo Diva havia descoberto o compartimento estrategicamente escondido embaixo do chão. Se ela descobrir... eu vou é abraçar o capeta... - imaginava a reação de Diva se descobrisse que não havia me livrado das revistas ainda-...

- Dady você não faz idéia do que eu sei sobre você... huhu- Rhoad segurava com um dedo a faca e com o dedo de outra mão colocava a ponta nele, seu sorriso era sinistro. Causava arrepio ao vê-lo.

"Realmente...ela puxou a mãe." pensava naquele minuto. Via minha tão "querida" filha sair de seu quarto, olhava o horário do relógio preto que havia no quarto dela. " Não devia ter deixado Diva decorar o quarto da criança...", era um quarto muito sombrio. As paredes era uma tonalidade clara eu havia exigido a cor azul clara. Porém todos os objetos que estavam naquele quarto ou possuíam a cor vermelha, preta ou azul marinho. Diva estava demorando em voltar do trabalho, aquela discussão com Rhoad havia durado muito tempo, por mais que achasse que não, os minutos de silencio em que a ouvia demoravam mais do que presumia.

Ia até o banheiro e lavava minha mão tirando o sangue. Fazia um curativo meia boca (já que Diva fazia a maioria de meus curativos) então olhava o lençol. " Tenho que dar um chá de sumiço nesse treco antes que ela volte." Ia até a garagem e pegava uma pá antiga depois me dirigi para o quintal, um lugar um pouco grande, com um gramado baixo e uma arvore com um balanço. Diva adorava arvores e fez questão de escolher um lugar onde tivesse uma. Nos momentos vagos quando Rhoad ia para escola e nos dois ficávamos em casa, descansávamos embaixo dela. Eu ficava deitado apoiando a cabeça em seu tronco e ela ficava no balanço. De fato era divertido olhávamos bastante o céu.

Porém agora não tínhamos tempo nem para isso, ela estava sempre no trabalho. Ela não queria ir para o trabalho que havia mostrado, chegou a falar de ser garçonete, achei isso o cumulo. As roupas que as garçonetes usavam mostravam praticamente o peito e a bunda delas. Eu costumava a ir nesse local com os meus amigos e sei muito bem o que se falam dessas mulheres. Mulher para mim é indivisível não quero que nenhum marmanjo fique de olho no que só eu posso ver dela.

Enterrava o lençol, ainda tinha tempo de ir até uma loja e comprar um novo e assim Diva não perceberia nada. Ia correndo para a garagem, colocava a pá em seu devido local então tirava o lençol que cobria a minha moto. "quanto tempo será que não a uso?" desde que havia me casado não dava mais aquelas voltas longas de dias na estrada. Sentia falta disso. Quem sabe um dia desses, eu voltasse a usá-la mais uma vez, para relembrar os bons tempos de "lobo solitário", poder sentir o vento bater em meu corpo, as paisagens passando rapidamente entre mim... Era realmente bom. Subia em cima dela, ligava e ia em direção ao mercado que não era tão longe.

Ao chegar ao mercado, ia correndo na direção dos lençóis aparentava até uma maratona onde a minha vida dependia de um lençol. Olhava por um momento procurando a cor "branca", não tinha, mas possuía a cor "gelo".

- Ah da na mesma. - pegava correndo e ia em direção ao caixa. Pagava e colocava as coisas na moto. Ao sentar na moto sentia um pouco mais de segurança. Soltava um longo suspiro enquanto olhava para o céu. "Ahhh... consegui." pensei naquele momento. Relaxava meu corpo, colocava os óculos, então voltava com tranqüilidade para casa, havia tempo de sobra agora. Ao chegar a casa via que a porta de casa estava torta. Saia da moto tirando os óculos pegava a compra e ia até a porta. Olhava ela por alguns instantes e via um quebrado enorme na tranca. A casa havia sido arrombada na minha ausência. Abria a porta com tudo, estava com o coração assustado e via a casa. Uma baderna os móveis estavam quebrados, marcas de mão, pingos de sangue.

- RHOAD! - Berrava, meus olhos estavam arregalados. Onde ela estava? Corria por todos os cômodos procurando minha filha, mas não a encontrava. - Rhoad, onde você esta? RHOAD!- voltava à porta de casa e notava um bilhete no qual havia pisoteado. Pegava- o e lia.

" Catedral dos três juramentos."

"Aquela Catedral..." Já havia escutado sobre ela, Rhoad de fato havia sido raptada, mas não exigia dinheiro, nada apenas um local. O que seria isso desta vez? Não pensava duas vezes, corria para a moto colocava novamente meus óculos de proteção então ia em direção a tal igreja que era fora da cidade no meio de um deserto.

Um caminhar era soado em meio à destruída e solitária catedral, era possível ouvir o ranger do chão de madeira do local acabado. Uma jovem era aprisionada no centro do altar. Duas correntes seguravam pelos braços Rhoad, e uma de ferro segurava seu pescoço como uma coleira. Estava desacordada.

Ouvia-se um aplaudir alto, e uma risada sinistra. Rhoad abria seus olhos zonzos e notava um homem que a observava.

- Muito bom! Muito bom... Para uma impura. Tem a força de sua mãe... Kamelot.- dizia Kall com uma risada baixa.

- Quem... És tu?- Rhoad tentava mover-se e notava a altura em que estava aprisionada e que nenhum movimento era possível ser feito.- o que faço aqui?

-...hehe...não se exalte...a atração principal esta prestes a chegar...- Kall dizia em tom baixo virando-se para a porta da Catedral.- e pensar que você achava que era sua mãe.

Flash Back

Rhoad estava em seu quarto após a saída de seu pai tão odiado por ela, a menina pegava em cima do criado mudo ao lado do berço onde ela ainda dormia um boneco parecido com seu pai e começava a espetar agulhas, seu olhar era macabro, a mesma imaginava como seria fazer isso com o pai realmente. Poder estacar pregos em sua cabeça até que chegasse a convulsões de tantas dores que sentiria, poder arrancar-lhe parte por parte do corpo...enfim ela de fato odiava o pai, não havia outra alternativa. Não se sabia o motivo de tamanho ódio por ele, ela simplesmente possuía um amor desequilibrado pelo pai a tal ponto que vê sofrer causava extremo afeto a ela.

Ouvia-se um estrondo da porta, um sorriso meigo e delicado brotava de sua face tirando o terror sombrio do momento. Ela jogava o boneco para debaixo da cama pegava seu urso que sua mãe havia dado a ela de coloração marrom com um laço rosa florido no pescoço e arrastava-o segurando somente por uma mão. Ia até o corredor onde estava a porta de entrada.

- Momy...?- ela parava frente ao corredor, via um homem com os cabelos jogados para a frente de sua face, apenas um sorriso sinistro era percebido de sua face tão pálida. Suas mãos estavam dentro dos bolsos das calças, ele levantava a face tranquilamente mostrando olhos rubros naquele momento, seus cabelos eram grisalhos.

- Ola Kamelot...

Fim do flash back

Isto era a única coisa a qual Rhoad lembrava. Estava fraca, havia sangue em sua testa agora já seco. Ela fechava os olhos. Estava extremamente cansada.

Ouvia-se então o barulho de moto que logo sumia, era Cloud que havia chego. Ele saia de sua moto ao lado dela abria-se um compartimento onde tirava sua arma.

" O que querem com a Rhoad e comigo?" pensava naquele instante. Pegava minha arma e ia em direção a entrada do local, empurrava a porta de entrada a qual continha vidros quebrados, ela fazia um rangido agudo e insuportável, olhava então para o corredor e logo me surpreendia. Ao primeiro olhar jurava que era Diva, porém com cabelos curtos, balançava por um instante a cabeça era loucura ela ter raptado a própria filha e me trazido aqui. Olhava novamente e percebia que era um homem ele já estava com um sorriso de canto na face. Simplesmente apontava para cima, arqueava uma de minhas sobrancelhas e olhava seguidamente. Arregalava os olhos ao ver minha filha presa de forma tão deplorável. Isso me enraivecia. O homem abaixava o braço colocando sua mão no bolso da calça.

- Quem é você?- berrava ecoando pela catedral parcialmente destruída.

Aguardava a resposta, porém percebia que ele dava-me as costas indo em direção a pilastra onde estava Rhoad, nada dizia e provavelmente não iria responder a minha pergunta. Rangia meus dentes de tanta raiva, com meu Buster Sword corria na direção indo atacá-lo diretamente. Ele parava olhando de lado sorrindo, ouvia-se em tom baixo quase imperceptível.

- Ajoelhe-se bastardo... - seguidamente ele estralava um dos dedos-.

Ao termino da frase subia do piso de madeira quebrado cipós espinhados envolvendo meu pescoço e meus braços me aprisionando rapidamente. Forçavam-me a ajoelhar e manter a cabeça agachada. Via os pés do homem bem próximos a mim, ele parava frente a mim com as mãos ainda em seus bolsos.

- Você tagarela demais, isso me irrita. O que ela viu tanto em você?- dizia ele ainda em um tom baixo, calmo e gélido.

- Ela...?Você por acaso é algum parente da minha esposa?- já sabia que a resposta receberia a aparência de ambos era grotescamente idêntica. -

- Fato. Sou o irmão mais velho dela, demônio hibrido.

- Demônio hibrida?- minha mente estava confusa, seria então Diva um demônio também? Por que ela nunca havia me contado sobre seu passado?-

- Ora vejo que ela não contou a você. Que bela esposa conseguiu bastardo. Minha amada irmã e eu somos prometidos desde crianças para gerar descendentes puros, então ela me troca por algo assim. Um bastardo inútil. E miscigena a nossa raça tão perfeita e inigualável. – os olhos dele brilhavam de uma forma assustadora, o ódio corria pelas veias daquele que era o irmão de Diva.

- Ainda assim, ela preferiu a mim, a alguém como você. Que humilhante perder para alguém como eu... - cuspia nos sapatos sócias daquele demônio e abria um sorriso de canto, torcia para que desse certo se o provocasse talvez me livrasse daquelas correntes de espinhos que tiravam pouco a pouco sangue.

Os olhos de Kall arregalaram-se, finalmente era tirado do sério. Aquelas palavras o feriram o ego de tal modo que foi praticamente destruído. Com o mesmo sapato ao qual o cuspi me chutava a cara me fazendo quebrar diversas cadeiras da catedral e acabar na parede. Olhava e via que a Buster Sword estava longe, precisava distraí-lo para conseguir chegar perto. Levantava-me com facilidade.

- Não é capaz nem de se proteger, o que dirá a tua descendente. Rhoad certamente é mais forte que você, não se preocupe não a matarei ela me servirá bem. Com ela terei Diva de volta e uma serva. - Kall voltava a sorrir seu olhar ainda que emanasse ódio estava calmo devido ao prazer que sentia só em pensar na idéia de ter a sobrinha e irmã com ele.

O demônio caminhava calmamente na direção minha direção, não tinha pressa em me matar queria fazer me sofrer pelos meus erros, sofrer por causar ao demônio o ódio de perder seu brinquedo, Diva.

Escutar todas aquelas palavras repletas de egoísmo e infantilidade eram demais. Via claramente naquele demônio a imagem de uma criança que perdeu algo que gostava e não conseguiu superar. Olhava Rhoad que me observava em silencio séria. Havia algo de errado nela, como se estivesse tramando algo.

- E você o que faria no meu lugar? Certamente não as defenderia ou salvaria. Não passam de brinquedos. – era uma das raras vezes em que minha voz estava séria, sequei o sangue que escorria da minha boca e sorri. – Não passa de uma criança mimada que não aceita perder algo.

Os olhos de Kall chamuscavam de ódio, ele ardia em raiva das minhas. Suas mãos fechavam fortemente em seu bolso. Não sabia esconder seus sentimentos como determinados demônios, estava prestes a me acertar se não fosse uma voz.

- Ele está certo Kall. – a voz de Diva soava atrás dele, lá estava ela parada abaixo do pilar onde Rhoad estava aprisionada.

Kall virava rapidamente pasmo, seus olhos eram incrédulos. Como ela poderia estar lá? Como saberia que ele estaria lá? Sua respiração era falha.

- Como chegou aqui? Como saiu do bosque? Da casa?

- Ora Kall, não me venha com essa. Eu sei muito bem encontrar minha filha. Cloud está certo você não passa de uma criança mimada que não aceita me perder. Pois adivinhe, me perdeu. Tinha tanto poder sobre mim e mesmo assim eu consegui escapar. O único fraco é você. – Diva cruzava os braços e sorria falando aquelas palavras riu alto do que ele dizia.

Enquanto Kall estava preso a imagem de Diva eu ia em direção da Buster Sword pegando-a rapidamente. Observava Kall e percebia que ele sequer havia notado meu movimento. Era como se ele estivesse em transe.

- Diva você sabe que miscigenar a nossa espécie a pena é sua vida. Eu estou salvando-a, não vou matá-la. E me chama de fraco? Seu marido e sua filha são incapazes de me tocar. Veja quanto sangue arranquei de ambos.- dizia Kall apontando para Rhoad que agora estava novamente desmaiada.

Diva olhava e voltava a rir, revirou os olhos e foi andando na direção dele. Tocava calmamente a face do irmão. O sorriso de Diva era sinistro, algo aterrorizante. Nada que eu não tivesse visto antes.

- Kall, você sabe que sem mim você não é nada. Veja, eu segui minha vida e você? Dependendo de mim. Acredita mesmo que você é capaz de me matar? A não ser que queira sua destruição, me mate. – Diva aproximava a boca dos ouvidos de Kall- sabe que a única forma de estarmos juntos seria mortos, mas desta vez, eu não vou com você.

Antes que Kall dissesse algo eu o cortava com a Buster Sword em dois pedaços. Os pedaços entravam em chamas rapidamente e sumiam.

Após a morte misteriosa de Kall, eu ia até Rhoad e cortava as correntes que a prendiam. Ela pulava do alto da pilastra caindo em pé no chão junto a mim. Limpava superficialmente a roupa de seu corpo. -

- Onde está Diva? – indaguei olhando para ela, aparentemente a minha esposa havia sumido da catedral. -

- Ainda não percebe idiota? Eu estava controlando a mente dele. Tudo o que a Diva dizia e fazia era eu na mente. -

- E como eu pude vê-la? -

- Eu controlei a mente de Kall inteiramente, a sua foi controlada parcialmente você podia ver a Diva e o que ela fazia, caso contrario se eu não tivesse feito você teria deixado todo meu plano estragar. Na mente de Kall você estava desmaiado o tempo todo. E após a ultima frase de Diva ele resolveu se matar com ela, como a mente dele acreditava estar morta o corpo assumiu e você simplesmente terminou o serviço.

- Então você se importa comigo? Para me salvar. – disse olhando de lado a minha filha dando um sorriso engraçado. -

- Me importo com a mommy, que está ainda sumida. Vamos achá-la logo!- dizia indo em direção a minha moto. -

- Certo, e quando você aprendeu a controlar mentes?- indagava com um olhar curioso para a filha. -

- Você se lembra quando botou fogo em suas revistas de estimação que ficam no compartimento secreto? -

- Não...- respondi subindo na moto. -

- Bem, foi ai. – Rhoad subia rindo na traseira da moto, pegava um dos meus óculos reserva e colocava. -

- ...- eu contava até dez para não matar a minha filha, ela me chantageava por causa dessas revistas e agora sabia que era chantageado por nada, as revistas não existiam mais. Após eu me acalmar, ligava a moto. – Segure-se firme. A viagem é longa!

- Você sabe ao menos aonde vamos Cloud?- indagava Rhoad com um olhar fixo em mim como se tivesse certeza de que eu não tinha a mínima idéia de aonde ir. –

- No bosque, ele falou de uma casa naquele local. Não faço idéia de onde essa casa está, mas é lá que encontraremos sua mãe.

- Hmm...dirige eu sei onde devemos ir. – era a primeira vez que a minha filha escutava a minha voz séria e com medo. Certamente ela sabia que eu estava preocupado com Diva, assim como Rhoad, porém havia algo de errado em mim. –

Eu dirigi até o bosque, tinha que passar pelo deserto, seguir pela cidade e sair dela poucos quilômetros depois encontrava o bosque. As imagens passavam velozmente entre nós, e o vento batia diretamente no nosso corpo. Era irônico que agora eu não dava importância mais para isso, minha mente estava prendida em somente um assunto, Diva.

Ao chegarmos ao bosque eu diminuía a velocidade, olhava para os lados, porém Rhoad apontava uma direção e eu a seguia. Perto dali havia uma casa abandonada. Estava deplorável a situação da casa e era possível sentir um odor forte vindo dela, era difícil respirarmos. Eu desci da moto e arranquei parte da minha manga dividindo ela em dois, dei parte dela para Rhoad cobrir a cara, e a outra parte era para que eu cobrisse a minha face.

- Fique na moto vou procurar sua mãe. – falei para Rhoad enquanto dava as costas indo em direção a casa.

- Nem pensar, ela é minha mãe. E eu não recebo ordens suas. – retrucava minha filha, só pela voz percebi que ela ardia em raiva do que eu havia falado. Agora eu não posso nem ser mais um pai preocupado que já levo resposta malcriada. –

- Caso alguém apareça você pode defender enquanto eu tiro sua mãe pense um pouco criança! Não pretendo discutir. – eu segui em direção a casa, havia uma neblina lilás era essa a origem do fedor que deixava a minha respiração pior. Caminhava rapidamente até encontrar a porta da casa, segurei a maçaneta, mas ela quebrou. Não havia jeito, chutei a porta quebrando-a. Olhava a casa, havia um piano bonito, uma melodia soava dele. E ao lado do piano estava uma poltrona. Caminhei em direção a poltrona e via Diva desmaiada. Dei alguns tapas na face dela com a intenção dela acordar. "Vamos, acorda! Não me deixa sozinho aqui." Pensava.

Ela não acordava, eu tossi algumas vezes e cai de joelhos. Estava difícil respirar com aquele cheiro. Ao cair de joelho os olhos de Diva abriam rapidamente, ela me pegou pelo pescoço e me levantou à medida que ela se levantava da poltrona. Seus olhos eram rubros e o cabelo negro virava branco.

- Surpresa?- a voz era de Diva, mas o corpo pouco a pouco virava o de Kall. - Acha mesmo que eu podia ser derrotado por aquilo? Agora não terei mais piedade de vocês. Olhe para aquele canto, La está Diva.

Eu olhava com dificuldade para o canto e via um corpo caído, era certamente Diva. Estava fraca.

- Deve se perguntar o motivo do cheiro que você sente. Então, essa é uma fragrância para desbloquear a alma demoníaca. Diva selou parte dessa alma há muitos séculos, porém agora com essa fragrância ela irá voltar e o lacre se rompera. Não vou deixar que atrapalhem esse momento tão lindo.

Não conseguia pensar direito aquele cheiro me matava. Voltava a tossir mais ainda. Meus olhos não se desfaziam da imagem de Diva caída. Era doloroso demais ver minha esposa caída e não fazer nada. Via então Diva levantar com dificuldade. Kall ao ver isso me jogava no chão e ia à direção dela ajudando-a a se levantar.

Os cabelos de Diva ficavam brancos à medida que ela se erguia, estava mais pálida que antes. Seus olhos agora estavam rubro igual a do irmão.

- Finalmente minha doce irmã. Como se sente ao retornar?

Diva olhava para o irmão com um sorriso sinistro, e o abraçava. Sua cabeça encostava-se ao ombro direito do irmão.

- Sabe Kall todo esse tempo aqui me fez pensar em uma coisa. – a voz era igual de Diva, mas não era a mesma mulher que estava ali em pé.

- Fale o que pensou. - Kall apertava Diva com força, ela apenas riu e o abraçou igualmente. À medida que via o abraço percebi as unhas de Diva crescer rapidamente.

- Pensei muito enquanto retornava aos poucos, e notei que nunca havia sido selada, mas... Eu sempre mandei nas duas partes. E lembrei também da época que você tocava piano pra mim. Sabe a lembrança que tive? – Diva agora estava de olhos fechados. -

- Qual minha irmã? E como assim mandava nas duas partes?

- De como te matar!- Diva enfiava as unhas atravessando o irmão e ela, sangue escorria. Logo após Diva mordia-o no pescoço. Começava a sugar seu sangue.

Kall berrava em voz alta, ele não conseguia falar. O sangue escorria rapidamente pelas costas de ambos, Kall ficava cada vez mais magro como um saco vazio. Após ele ficar bem magro, Diva arrancava uma das mãos e parava de mordê-lo. Após isso arrancava a cabeça dele. Tirava a outra mão fazendo aquele saco cair no chão. A cabeça rolava próxima a mim, porém eu sequer olhava. Via Diva inteiramente em sangue. As marcas que ela havia feito nela cicatrizavam rapidamente. Ela limpava a boca de sangue e olhava a imagem de Kall. -

- Eu sempre mandei nas minhas duas partes, nunca selei minha parte demônio. Eu simplesmente a esqueci, pois não era útil na minha vida atual. - os cabelos brancos dela ficavam novamente negros, seus olhos rubros voltavam ao azul escuro brilhante que ela sempre teve. Ela olhava para mim assustada, colocava a mão na face. Era como se ela não quisesse que eu tivesse visto a cena. Diva foi correndo na minha direção e se ajoelhou. – Como chegou aqui? Você não pode ficar, vai morrer!

Eu não podia responder, apenas sorri ao ver minha esposa de volta. Não tinha medo dela, mesmo depois daquela cena. Notei que ela percebeu isso e sorriu novamente. Após a troca de sorrisos ela me carregou para fora da casa e me levou até a moto. Ela me deitou no chão e ficou me observando. Rhoad ao ver a mãe saiu correndo na direção dela e abraçou Diva.

- Mommy, por que esta cheia de sangue? O que aconteceu?- Rhoad abraçava a mãe e se manchava se sangue. Ela estava preocupada que aquele sangue fosse dela.

- Calma minha pequena, eu estou bem esse sangue é de outra pessoa. - ela abraçava Rhoad e em seguida olhava para mim, eu estava tossindo muito devido ao cheiro. Ela calmamente agachava e colocava a mão no meu peito. Minha camisa estava rasgada então com a unha ela fazia um "x" nele. Eu fechava os olhos devido a dor, então ela fincava três unhas no "x". Aquilo doía muito, por mais que eu abrisse a boca não saia barulho. Eu fechei as mãos com tanta força que minhas unhas machucavam a minha mão. Aos poucos ela ia retirando as unhas e junto a ela saia um vapor lilás. Ele durava alguns segundos e logo após desaparecia.

- Agora você vai ficar melhor. É melhor irmos embora. Não há nada mais aqui para se ver. – a voz de Diva era séria. Ela me colocava em seu ombro e olhava para a filha. – Leve a moto para a casa filha, pode fazer isso?

- Claro mommy. Eu sou forte e rápida que nem você. – dizia a filha indo até a moto.

- Está certo. - Logo após a fala de Diva, ela corria em uma velocidade absurda, as imagens ao nosso redor eram agora borrões de cores se misturando. Eu estava exausto e acabei desmaiando no meio do percurso.

Demorou algum tempo para que eu acordasse, quando acordei estava na sala deitado no sofá. Meu peito estava inteiramente enfaixado e meus ferimentos já haviam sido cuidados. Levantei-me com um pouco de dificuldade e percebi que Diva estava sentada em uma cadeira me observando. Estava com ambos os cotovelos apoiados na coxa, suas mãos entrelaçadas e a o nariz apoiava a cabeça. Não via seus lábios as mãos escondiam elas. Ela ainda estava encharcada de sangue, sequer havia se limpado.

- Rhoad me contou tudo, ele veio atrás de vocês. – as palavras dela eram secas, ela não estava de brincadeira.

- Sim, mas agora tudo acabou. – respondi com um sorriso bobo, não compreendia direito o que se passava na mente dela.

O silencio reinou naquele espaço por alguns minutos, Diva me olhava fixamente, seus olhos iam de encontro aos meus. Sentia-me um pouco desconfortável com aquele silencio e resolvi acabar com ele.

- No que está pensando? – indaguei, não tinha medo dos olhos dela. Gostava que ela me olhasse nos olhos, eu podia ver ao menos parte do que se passava por ela.

- Foi minha culpa isso, ele quase matou vocês. – a voz continuava séria e seca, os olhos dela fecharam e ela suspirou. Estava com a mente pesada, certamente não esquecia seu passado. Eu entendia disso, ter a mente pesada pelos acontecimentos, se culpar pelo que passou. Talvez isso fosse à única coisa que tínhamos em comum. Levantei-me e fui à direção dela, ela sequer se mexia estava com o pensamento longe e concentrado no que se passava na mente dela. Percebi isso quando a abracei e ela tomou um susto.

- Não importa o que aconteceu no passado ou o que você é. O importante é que deu tudo certo e vai continuar sendo assim. Sentir remorso nos faz perder o presente e ficar eternamente preso ao passado. – minha voz era baixa, calma e confortadora. Abracei-a com um pouco mais de força, era tão bom saber que ela estava bem. Até pouco tempo atrás eu não acreditava que a sentiria em meus braços novamente. -

- Eu quase perdi algo que amo muito. Não aprendo com os erros. Devia ter ficado sozinha assim não iria perder nada. – nada mudava na voz, ela abaixou a cabeça e escondeu-a entre as mãos. Não chorava, ela nunca chorava.

- Assim como eu e a Rhoad quase a perdemos. O sentimento é igual, nos amamos e por isso sentimos isso. Não precisa ficar assim, agora tudo está bem.

- E se ocorrer algo parecido de novo?- a voz dela era de raiva agora, ela acreditava veemente que eu não a compreendia.

- Vamos enfrentar tudo juntos. Somos uma família e protegemos uns aos outros. – minha voz continuava calma, minha resposta havia sido quase que imediata. Eu a soltava e caminhava até o sofá me sentando novamente. –

Diva agora levantava a face com um sorriso falso, estava forçando para que eu acreditasse que ela estava bem. Ela sabia que eu me preocupava com ela, e queria tentar me deixar mais calmo. Por hora iria aceitar aquele sorriso forçado. Sorri novamente, um sorriso calmo e aliviado. Ela se levantou e saiu da sala, poucos segundo depois apenas ouvi a voz dela novamente.

- CLOUD! VOCE REALMENTE ACHA QUE EU NÃO SEI A DIFERENÇA DE GELO PARA BRANCO?ONDE ESTÁ O LENÇOL DA RHOAD?- ela berrava alto, certamente toda a vizinhança havia escutado.

- Ela voltou. To morto. – falei rindo, sabia que ela iria me xingar muito depois que eu contasse a história, porém era melhor isso do que vê-la naquele estado antes.

Comentários da Autora: CARAMBA! Quanto tempo que não escrevo aqui, então gente eu primeiramente devo desculpa a vocês. Perdão pela demora, a principio eu havia desistido da história, mas ver vocês sempre visitando A Familia Yagami me deu vontade de terminar esse capitulo. Não sei quanto tempo vai demorar em que eu escreva outro capitulo dessa história. Eu ando ocupada e sem tempo para escrever, além de que ando escrevendo os capítulos de Abstract e formulando outra história, quem sabe eu poste minha nova criação. =D

Espero que tenham gostado do capitulo a parte que fiz. E prometo que vou voltar a escrever A Familia Yagami. Aguardem. Beijos a todos e até o próximo capitulo.