Sakura andava pelo corredor conversando com Haruhi, um pouco distraída. Conversavam sobre diversas coisas, mas principalmente Ryuu, a criancinha irmã de Tamaki de comportamento estranho. Ninguém sabia dizer se era menina ou menino, mas com certeza os gêmeos estavam dispostos a descobrir.
Haruhi falava sobre isso quando quase trombou com um ser pequeno e loiro passando correndo por elas.
-- Aí! Cuidado! – Ryuu desviou delas e continuou correndo.
-- Aquele... Não era o irmão de Tamaki-senpai...? – Sakura estava assustada e colada à parede.
-- Acho... Acho que sim. O.o – Haruhi fora derrubada por Ryuu e agora se levantava.
-- Chibi-chan! – os gêmeos logo apareceram, parecendo segurar alguma coisa – Vocês viram o irmãozinho de Tono?
-- Passou correndo agora. – as duas responderam, apontando na direção em que Ryuu foi.
-- Valeu! – e os gêmeos se retiraram.
Haruhi preferiu ignorar, mas Sakura estava curiosa.
-- Vem, Haruhi-san. Vamos descobrir o que se passa. – Sakura começou a andar na mesma direção dos outros três.
-- Sakura-san… Tem certeza...? Não acho que seja uma boa.
-- Vem logo e deixa de ser estraga-prazeres.
Haruhi suspirou e foi com ela.
Kaoru estava na frente de Ryuu, enquanto Hikaru bloqueava a passagem do outro lado. Eles sorriam estranhamente para a loira.
-- Não tem para onde fugir, Chibi-chan.
-- Seus malditos. Seus demônios. Acham que podem me deter assim?
-- Nós temos certeza. Afinal, já detemos. – eles riram.
Ryuu sorriu de volta. Parecia ter algo em mente.
-- Têm certeza disso? E se eu fugir?
-- Você não tem como, Chibi-chan.
-- É o que pensam. – ela se aproximou de Hikaru, de costas para ele, e saiu correndo. Quando estava perto de Kaoru, ela abaixou, chegando a deitar no chão e passando por entre as pernas do gêmeo – Até mais ;D – e saiu correndo.
Sakura chegou bem quando Ryuu estava correndo. Olhou para os gêmeos, que pareciam irritados.
-- O que houve aqui? o.õ
-- Tsc, o irmão de Tono fugiu. – Hikaru foi o primeiro a responder.
-- Vamos atrás dele, Hikaru! – Kaoru saiu correndo atrás de Ryuu.
-- Sakura-san, não quer ir atrás deles, não é...? – Haruhi teve um mau pressentimento.
Sakura negou com a cabeça.
Ryuu andava pelo gramado da casa, olhando o pôr-do-Sol, com a mente distante. Sua expressão era serena e parecia cantarolar alguma coisa. Então ela tropeçou em algo, caindo de cara no chão.
-- Ei! Olha onde… - ela parou de falar quando viu quem era – Ah… Desculpe, Nekozawa-kun…
Ele se sentou, sorrindo para ela.
-- Sem problemas, Ryuu-san. O que faz aqui?
-- Estava fugindo dos clones… - ela se sentou ao lado dele, com o olhar perdido no céu – Tenho um mau pressentimento quando eles estão em um raio de 10 quilômetros.
-- Se refere aos gêmeos? Sim, são desagradáveis. – ele riu.
-- Ainda acho que vão fazer alguma coisa hoje… Estão muito quietos agora…
-- E deveriam?
-- Alô! São os gêmeos malditos de quem estamos falando!
Nekozawa riu de novo.
-- Eles são irritantes. Não sei porque Tamaki-nii anda com eles. – ela deitou na grama.
Ficaram um tempo em silêncio, até que Ryuu levantou, parecendo assustada.
-- O que foi, Ryuu-san? – o loiro parecia não entender.
-- Não, nada. – ela voltou a deitar. Poderia ser só impressão – Achei que estavam aqui…
-- Kaoru e Hikaru?
Ela concordou com a cabeça. Logo a noite veio, mas nenhum dos dois se moveu. Ali estava bom, aquele silêncio. De alguma forma era reconfortante. Ryuu acabou dormindo, deitada na grama, mas não percebeu. Quando acordou, estava em seu quarto, com a mesma roupa que usara o dia todo, por cima das cobertas. Ela então se levantou e viu que horas eram. Madrugada já. Resolveu pôr um pijama e ir comer algo.
Deu uma volta no quarto, conferindo se estava tudo em ordem, quando viu um bilhetinho sobre o criado-mudo. Ligou a luz e começou a ler.
'Desculpe ter entrado em seu quarto, mas você dormiu no jardim. Tome um banho e coma antes de dormir, na próxima vez. Você é pesado, sabia? Tenha uma boa noite, Nekozawa.'
Ela ficou olhando mais algum tempo para aquele pedaço de papel em sua mão. Ela fora carregada por Nekozawa até seu quarto. Imaginar a cena a fez estremecer. E corar. Então foi lavar o rosto e tentou voltar a dormir. Seria bom esquecer aquilo. Que havia dormido no gramado e precisou ser carregada por quem menos queria.
O tempo passou, e ela continuou deitada em sua cama, infelizmente sofrendo de insônia, com a cabeça confusa, sem saber direito o que sentia. Isso é, além da vontade de socar seu irmão.
"Definitivamente eu odeio Tamaki-nii e suas idéias… Por que tinha que vir com todo o Host? E… Umehito Nekozawa" ela sentiu-se corar e logo tentou afastar os pensamentos. Pulou da cama e rapidamente estava na cozinha. Comer ajudaria a pensar em coisas normais.
Ela andava por todo lado atrás de algo, com a barriga roncando. Precisava comer algo logo. Qualquer coisa. Ou quase isso, já que muitas coisas lá precisavam ser esquentadas e ela definitivamente não faria isso. Precisava de algo que fosse prático e…
Um pacote de bolacha foi estendido diante de seus olhos. Magicamente o pacote se movia de um lado para o outro. E Ryuu o seguia como um predador faz com a presa. Não importava a velocidade com que o pacote era movido, ela sempre conseguia acompanhar.
Então uma luz foi acesa. Ryuu agora podia ver os gêmeos brincando com o pacote e rindo. Bastante. A jovem preferiu ignorá-los e continuar sua busca. Olhava os armários, gavetas, mais armários e mais gavetas. Quando estava quase desistindo, ouviu os gêmeos falando.
-- Nós daremos o pacote todo de bolacha a você, Ryuu-chibi-chan.
Ela girou sobre os calcanhares e passou a fitá-los. Aquele sorriso malicioso no rosto de cada gêmeo a fez tremer.
-- Claro que há uma condição, Ryuu-chan. – eles insistiam em provocá-la com aqueles apelidos.
-- Qual? – ela estava séria. Claro que havia uma absurdidade como condição, afinal eram os gêmeos quem estavam propondo. Mas ela não esperava aquilo.
-- Você terá que passar a noite de hoje… – começou Hikaru.
-- … No quarto de Nekozawa-senpai. – terminou Kaoru.
-- O Q…! – Ryuu abaixou o tom de voz – Vocês piraram?!
-- É isso ou passar fome, chibi-chan ;D – os dois pareciam se divertir com aquilo.
-- "Chibi-chan" são vocês, seus depravados! _|_
-- Vai aceitar ou não? u3u
-- Ok, ok… Eu faço isso isso, saco! Agora me dêem a bolacha u.ú"
-- Nah… Só depois que você estiver dentro do quarto de Nekozawa-senpai.
-- Vamos acabar logo com isso. Eu estou com fome ¬¬
Os gêmeos sorriram satisfeitos e começaram a andar. Como se não bastassem os comentários sobre Ryuu (que ela por sinal achava bastante desagradáveis), eles brincavam com o pacote de bolacha diante dela.
-- Querem parar com esse pacote?! – ela se pôs entre os dois, quase pegando o pacote.
-- Não? =D
-- Odeio vocês "¬¬
Eles começaram a rir. Logo estavam diante do quarto de Nekozawa.
-- Faça as honras. Pode bater. – os gêmeos pareciam se divertir com aquilo.
Ryuu engoliu em seco e bateu. Pouco depois, o loiro abriu a porta.
-- Vocês sabem que horas são? – a voz dele estava fria – O que querem aqui?
Os três tremeram.
-- Presente para você. – os gêmeos falaram extremamente rápido, empurrando Ryuu quarto adentro e jogando o pacote de bolacha para ela em seguida, indo embora o mais rápido possível.
O loiro estranhou.
-- Ryuu-san? o.õ
-- E-eu... – ela tentava não olhar para ele.
-- O que faz aqui?
-- Culpa daqueles clones malditos. u.ú
-- Por um pacote de bolacha? e.e
-- Eu estou morrendo de fome! D=
Ele riu.
-- Bom, se quiser eu tenho mais algumas coisas aqui… – ele sorria gentilmente. Gostava da companhia dela.
Ela corou e nunca ficou tão feliz por estar no escuro.
-- Na… Não precisa…
-- Bom, temos um problema.
-- Temos…?
-- Onde você vai dormir agora?
"Droga… Não pensei nisso… Não posso dormir na mesma cama que ele… E agora?!"
-- Se tivesse mais uma cama aqui.
-- Ah! Eu já sei! Eu podia ir escondida até meu quarto e…
-- Seu quarto não é no andar de cima? Teria que passar pelo quarto dos gêmeos.
-- Droga. Eu vou comer. Depois vemos isso. – ela se virou para a janela e abriu o pacote. Logo estava comendo.
Nekozawa se sentou na cama e ficou esperando. Ela parecia pensar em algo, então ele preferiu ficar em silêncio.
-- Eu poderia… Dormir na poltrona mesmo. – ela terminou de comer a bolacha que tinha em mãos e se virou para ele.
-- Tem certeza? É desconfortável.
-- Eu sou pequena, caibo em uma poltrona.
-- Sim, claro. Você é – ele parou de falar e ficou olhando assustado.
-- O que foi? – ela parecia não entender.
-- Você é uma menina? – ele não acreditava.
"Droga!"
-- S-sou… – ela estava vermelha.
Antes que o loiro pudesse responder, duas criaturas iguais adentraram no quarto, com os olhos arregalados.
-- VOCÊ É UMA MENINA?
-- Calem a boca, droga! Se acordarem alguém, eu corto a cabeça de vocês fora! E não contem a ninguém!
Os olhos deles brilharam.
-- Contar? Claro que não. Preferimos manter segredo e poder atazanar você sem ninguém atrapalhando.
-- Vazem daqui! – Ryuu estava ficando irritada.
-- Claro, claro. Vamos deixar o casal sozinho. – eles tinham um sorriso malicioso no rosto e logo se retiraram, mas dessa vez foram para o quarto em vez de ficarem na porta, ouvindo.
-- Eu odeio eles. – Ryuu fuzilava a porta com o olhar.
-- Percebi. – Nekozawa deitou na cama quando terminou de falar – Quer mesmo dormir na poltrona?
-- Tem idéia melhor?
-- Ah, não, mas…
-- Então vou dormir na poltrona.
-- Bom – ele se sentou – Quer dormir na cama?
-- COMO?! – Ryuu caiu sentada na poltrona.
-- É. Algum problema?
-- Ah… Não… É… Eu… Bom – ela corava conforme falava.
-- Eu vou achar um colchão então. – ele se levantou e estava quase saindo, quando Ryuu tornou a falar.
-- Não tem mesmo problema…? Digo… Eu sou uma menina e tal.
Ele se virou para ela, olhando como quem acha graça.
-- Acha que pode acontecer alguma coisa?
-- Não… É que… É estranho…
-- Não está acostumada com garotos. – ele voltava para a cama conforme falava.
Ela limitou-se a concordar com a cabeça, vermelha.
-- Bom, melhor dormirmos. Já terminou de comer?
-- Ah… Já sim. – ela levantou e foi para a cama, sentando na beirada.
Nekozawa se ajeitou e deu espaço para ela deitar. Ela o fez, ficando de costas para o loiro, que não pareceu se importar e dormiu rapidamente. Ryuu já levou um pouco mais de tempo, pois não se sentia à vontade e estava completamente corada.
Quando Ryuu acordou, estava com a cabeça próxima do peito de Nekozawa, o braço dobrado entre ambos, as mãos delicadamente pousadas no jovem, com a respiração tranqüila. Ela corou quando percebeu e tudo que conseguiu fazer foi segurar com força no pijama do outro e se encolher.
O loiro acordou pouco depois, percebendo o constrangimento dela. Passou os braços em torno da pequena e começou a lhe acariciar o cabelo. Estava com o olhar perdido e não percebeu quando a garota falou alguma coisa.
-- Nekozawa-kun…?
-- Ah, desculpe. O que foi? – ele a soltou e passou a fitá-la.
-- Está me deixando sem graça…
-- Desculpe. – ele riu.
-- Tudo bem… Eu acho – ela levantou – Eu… Já vou para meu quarto. – e saiu às pressas.
Sakura estava descendo para a cozinha quando Ryuu passou às pressas por ela, vermelha.
-- Ryuu-san? o.o'
-- Ah… Higuchi-san… É você, ainda bem. – Ryuu se acalmava aos poucos.
-- O que houve?
-- Nada, nada. Até mais. – e se virou, indo para o quarto.
Sakura continuou descendo, sem entender o que havia acontecido. Logo ela avistou os gêmeos, rindo.
-- O que aconteceu? o.õ
-- Ryuu-chibi-chan! XD Foi muito bom! Estava completamente…! – eles riam tanto que não conseguiam falar.
-- Vocês aprontaram com o irmão de Tamaki-senpai, huh? Deviam parar com isso. Vão acabar com ele. – Sakura sorriu e foi embora.
-- Sabe, Hikaru. Ela tem razão. Vamos deixar o irmão de Tono em paz.
-- Isso é sério, Kaoru?
-- Claro. – o mais novo sorriu – Vamos provocar a irmã de Tono.
Hikaru começou a rir.
Ryuu estava jogada em sua cama, tentando processar o que acontecera no dia anterior. Não compreendia por qual motivo tinha ficado tão sem graça na presença de um garoto. Ela sempre conviveu com garotos, então por que aquilo? Ryuu mal conseguia levantar. Ela não tinha forças para qualquer coisa. Estava constrangida. Então ouviu alguém bater na porta.
-- Ryuu-chan? – era a voz de Tamaki.
-- O que você quer, Tamaki-nii? ¬¬
-- Venha comer, Ryuu-chan.
-- Uma hora eu desço. – Ryuu se virou na cama. Não ia conseguir descer. Ficou ouvindo Tamaki ir embora.
