Epílogo

Assistir ao pôr do sol no acampamento, sentada na beira da praia era uma das coisas que Ana-Lucia mais apreciava fazer desde o acidente de avião, mesmo com todas as preocupações que tinha. Entretanto, assistir ao pôr do sol tinha ganhado um sabor novo desde que começara seu relacionamento com Sawyer.

Às vezes ainda não acreditava que estavam juntos, parecia muito fora de propósito para laguem como ela, mas certamente não era. Durante os últimos meses na ilha aprendera a amá-lo e a se entregar sem reservas, confiando plenamente nele. Sawyer, por sua vez aprendeu uma lição valiosa em seu relacionamento com Ana-Lucia, aprendeu não só a compartilhar de suas coisas materiais, mas também de seu amor. E era nisso que ela estava pensando quando deixou a barraca naquele final de tarde, queria mais uma vez apreciar o pôr do sol ao lado de seu amado. Sorriu consigo mesma ao tocar o próprio ventre, estava grávida, esperava um filho de Sawyer e não poderia estar mais feliz.

Caminhou pelo acampamento inteiro procurando-o, mas não o encontrou. Perguntu onde ele poderia estar a algumas pessoas, mas ninguém soube responder. Resolveu continuar procurando até que o encontrou, nas pedras. Estava assistindo ao pôr do sol, mas não sozinho. Uma mulher estava com ele, era Kate, e eles se abraçavam e beijavam com expressões apaixonadas. Ana-Lucia correu até eles, o mais rápido que suas pernas podiam agüentar, sua barriga parecia pesar muito mais do que o normal, e ao se aproximar deles, ela gritou:

- Sawyer, o que está acontecendo? Por que está fazendo isso comigo?

Ele não respondeu, parecia sequer ouvi-la. Kate ria e dizia a Sawyer:

- Quando o bebê nascer, vamos matá-la!

Ana-Lucia levou as mãos à boca, não estava acreditando no que ouvia.

- Sim, você está certa, essa vaca demorou tanto para ficar prenha! Se isso tivesse acontecido antes, eu não precisaria ter ficado todo esse tempo com ela, fingindo que a amava.

- Sawyer...- Ana-Lucia murmurou com o rosto cheio de lágrimas.

Tocou seu ventre outra vez, sentia algo gelado sobre ele, só não conseguia discernir o que era. Olhou para o céu, o horizonte estava assustadoramente branco, piscou os olhos, se sentia contrita, sufocada, triste e amedrontada. A incômoda sensação em seu ventre também não passava.

De repente, um enorme olho azul se abriu no céu, seguido de uma intensa luz amarela que o banhava, contrastando com o branco excessivo e ela notou que apesar de estar enxergando tudo aquilo, seus olhos estavam fechados. Num impulso ela os abriu e se deparou com um par de brilhantes olhos azuis fitando-a.

- Ela está acordada?.- indagou uma voz masculina de timbre familiar.

- Sim.- disse a dona dos olhos azuis faiscantes. – Mas ainda está sob o efeito do sedativo.

Ana-Lucia queria gritar e sair correndo dali, mas não conseguia, seu corpo estava entorpecido. A visão de Sawyer com Kate havia sido uma alucinação ela concluiu depois de ouvir a palavra sedativo. Seus olhos negros arregalados e assustados tentavam entender tudo o que estava acontecendo ao seu redor, assim como seus ouvidos se esforçavam em captar toda e qualquer palavra do que diziam.

Depois de alguns minutos, à medida que o sedativo perdia seu efeito, Ana-Lucia percebeu que a sensação de frieza em seu ventre advinha de um gel que a mulher de olhos azuis passava sobre ele. Essa mulher estava toda vestida de branco e usava uma máscara cirúrgica. O teto e as paredes do local onde estava eram muito brancas, como em um hospital. A luz amarela, a mesma que vira no céu de seu pesadelo estava focada em seu rosto.

- E então Dra. Burke, quanto tempo de gestação?.- indagou o homem que estava com a médica na sala.

- 16 semanas e alguns dias.- ela respondeu.

- Nossa!.- exclamou. – Não esperava que estivesse tão adiantada assim, até porque o ventre dela não mostra sinais de gravidez adiantada.

- Isso varia de mulher para mulher.- disse a médica. – Além do mais, pelos exames de sangue ela está com anemia e com falta de vitaminas, a alimentação no acampamento não tem sido adequada para uma mulher em suas condições. Mas o bebê está muito saudável mesmo assim, ouça, Ben!

A mulher girou o botão de um monitor e Ana-Lucia distinguiu claramente o som de batidas de um coração, o coração de seu filho. Seu próprio coração começou a bater mais rápido. Os números que mediam suas batidas cardíacas subiram no monitor.

- Juliet, eu acho que nossa paciente está mais acordada do que imaginávamos.

Juliet pegou uma lanterna e iluminou as pupilas de Ana-Lucia.

- Tem razão, Ben!

Sorrindo, Ben Linus aproximou bastante seu rosto do de Ana-Lucia. Assim tão perto, ela o reconheceu de imediato e tentou se mexer na cama, mas seus braços e pernas estavam amarrados. Emitia sons tentando dizer alguma coisa, o que fazia Ben gargalhar.

- O que foi? Quer me dizer alguma coisa, querida?

- Bastardo!.- a voz dela saiu abafada, quase inaudível, mas ele conseguiu ouvir e sorriu triunfante, acariciando os cabelos negros dela.

- Não se exalte querida, ainda não, deixe isso para depois porque os próximos meses serão bem desagradáveis pra você!

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Jack examinava atentamente a cabeça de Kate para ver se encontrava mais algum ferimento além do corte próximo à testa onde fora atingida, mas felizmente não achou mais nada.

- E você não conseguiu ver, nem por um milésimo de segundo quem te atingiu, sardenta?- indagou Sawyer, nervoso, andando de um lado para o outro na escotilha.

Fora ele quem encontrara Kate desacordada na escotilha, o alarme apitando e nem sinal de Ana-Lucia. Jack chegara logo em seguida, enquanto Sawyer tentava acordar Kate.

- Não Sawyer, eu não vi! Não faço a menor idéia de quem tenha sido.- respondeu Kate, malcriada, estava sentindo muita dor de cabeça por causa do golpe que levara. – Só me lembro de ter ouvido passos na sala do computador, a Ana estava no banheiro e eu pensei que fosse o Jack.

- Mas onde ela pode estar? Ninguém evapora assim!.- bradou Sawyer, levando as mãos à cabeça, num gesto claro de tensão iminente. – Ela está grávida.- completou, abrandando a voz.

Jack compadeceu-se dele, e tocou seu ombro em um gesto amigável:

- Sawyer, nós vamos encontrá-la e trazê-la de volta!

- Òtimo doutor! – exclamou Sawyer com sua costumeira ironia. – Então trate de me dar o código do depósito de armas, porque com ou sem a cavalaria eu irei atrás da Ana!

- Vamos chamar o Locke e o Sayid!- disse Jack concordando com Sawyer de imediato, tamanha era a determinação do texano.

- Eu também vou!- falou Kate.

- Kate você...começou Jack, mas ela não deixou que ele terminasse de falar.

- Nem vem Jack! Não me importa o que você diga, eu irei de qualquer jeito!

Jack balançou a cabeça negativamente e deu um sorriso irônico:

- Kate, eu só ia pedir a você que informasse ao John e o Sayid que iremos partir e que dissesse ao Hurley para vir tomar conta do botão com mais alguém já que você vai conosco.

- Ah!.- disse Kate, embaraçada. – Me desculpe Jack, eu pensei que você...

- Hey, agora não temos tempo pro momento Jack e Kate in love! Anda sardenta, vá logo chamá-los enquanto eu e o Jackass carregamos as armas.- falou Sawyer, irritado e impaciente.

Kate então saiu correndo em direção ao despressurizador. Jack e Sawyer se dirigiram ao depósito de armas. Rapidamente, o médico destravou a porta e eles puseram-se a carregar as pistolas e espingardas.

- Ela não andava muito bem, tinha pesadelos quase todas as noites, eu deveria saber.- comentou Sawyer.

- E como você ia adivinhar, Sawyer? Não fazemos a menor idéia de quem a levou.

- Eu faço idéia!- afirmou Sawyer.

- Faz?

- Foi o Michael.- ele respondeu sem hesitar.

- Como foi o Michael?- indagou Jack, sem entender. – Não o vemos desde o dia em que o interrogamos na floresta, ele não deve mais nem estar vivo, sozinho na selva!

- Ora Jack, isso não tem nada a ver!- contestou Sawyer. – A francesa sobrevive nessa floresta há dezesseis anos, por que o Michael não sobreviveria? Ou você acredita naquela lenda estúpida de que ele foi devorado pelo "monstro"?

Jack não soube o que responder, e dando um pouco de crédito à teoria de Sawyer, perguntou: - Por que o Michael a levaria? Para se vingar por termos descoberto através dela a traição dele?

- Quem sabe? Só sei que a Ana acordou muitas vez no meio da noite chorando e murmurando o nome dele, de alguma forma ela sabia que ele voltaria para levá-la e entregá-la aos Outros.

- Sawyer, eu não acredito nesse tipo de crendice, se ela tinha pesadelos com ele, eram apenas resquícios do trauma que sofreu ao ser baleada.

- Resquícios ou não doc, eu vou matar esse desgraçado se alguém tiver tocado num fio de cabelo do meu docinho!- disse Sawyer, travando e destravando a espingarda.

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Aquilo era mais terrível do que o pior dos seus maiores pesadelos. Ana-Lucia estava trancafiada em um quarto de hospital, de paredes brancas e sem móveis, presa como uma louca no hospício. Depois que o efeito do sedativo passara totalmente, ela berrou o mais alto que pôde, mas ninguém apareceu. Estava vestida apenas com uma bata branca de hospital, com a cabeça de eletrodos e várias agulhas de soro perfurando a maior parte da pele de suas mãos e braços. As lágrimas escorriam por seu rosto incessantemente, estava com ódio, enojada daquelas pessoas que a tratavam como cobaia, que queriam roubar seu bebê e depois matá-la. Não sabia que duas pessoas a observavam através do vidro de comunicação.

- O que vocês vão fazer com ela? Não irão machucá-la né?- indagou Michael observando Ana-Lucia presa no quarto, atentamente.

Ben deu um sorriso sarcástico para ele:

- Sabe, é engraçado você demonstrar sentimento de preocupação por ela já que tentou matá-la duas vezes e ainda por cima a capturou como um animal e a trouxe para nós.

Michael fez cara de ofendido:

- Só tentei matá-la porque vocês ordenaram isso!

- Nada disso Michael, nós pedimos a você que me libertasse do cativeiro em que eu estava.

- E foi o que eu fiz, só que pra isso eu tinha que me livrar da Ana-Lucia e da Libby.

- Você poderia ter feito as coisas de outro modo Michael, não importava o que disseram a você, fazemos nossas próprias escolhas. E olha só, graças a escolha deles, você está vivo e com o Walt porque eles poderiam ter te matado para vingar o que você fez à Libby e à Ana-Lucia.

- Sim, eu tenho o Walt, mas ainda não consegui a minha passagem de ida para longe desse lugar, por isso aceitei seqüestrar uma mulher grávida.

- Ai, a sua hipocrisia de arrependimento me enfadonha, Michael Dawson, por isso aproveito a oportunidade para dizer que o seu bilhete de ida para fora desta ilha está garantido. Partirá ainda esta tarde.

Michael abriu um sorriso vitorioso, finalmente iria embora daquele lugar, lamentava por todos, mas a vida era assim, cada homem por si. Olhou mais uma vez para Ana-Lucia, debilitada no quarto do hospital e virou as costas, em seu íntimo sentia-se culpado.

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Quem levou Ana-Lucia foi esperto o bastante para não deixar rastros, mas ninguém podia com John Locke, ele era capaz de encontrar todo e qualquer tipo de rasto, o mínimo sinal que fosse e foi dessa forma que achou o rastro de Michael, levando o grupo até um local muito familiar para ele e Sayid.

Ao ver o avião bimotor caído no chão, com a vegetação lhe cobrindo parcialmente Jack perguntou: - Foi aqui que o Boone morreu?

- Foi!.- respondeu Locke.

- E o que estamos fazendo aqui?- indagou Sawyer com a espingarda nos ombros.

- Estamos aqui, porque é aqui que termina o rastro. Nosso amigo tentou bancar o esperto, mas pelo jeito não tem muita experiência em esconder seus passos pela floresta.- disse Locke.

- Você tem razão John, o rastro termina mesmo aqui, mas e agora? Ele não pode simplesmente ter desaparecido assim, se os passos terminam aqui ele deveria...

- Estar escondido por aqui.- completou Sayid. John?

Locke deu um sorriso triunfante e junto com Sayid arredou o avião de cima de lago que parecia ser um alçapão. Jack piscou os olhos ao ver isso.

- Mas o que é isso? Uma outra escotilha?- indagou.

- Exatamente Jack.- confirmou Sayid.

- Eu não creio que ele esteja aí.- falou Kate. – Seria muito óbvio!

- Eu também acho que o cara que levou a Ana não está aí dentro com ela.- concordou Sawyer.

- Eu também acho que não, James, mas tem uma pessoa aqui dentro que deve saber para onde ela foi levada.- disse Locke.

Com esforço, Sayid, Locke, Jack e Sawyer ergueram o pesado alçapão e desceram a escadinha de metal, um por um. Essa escotilha era relativamente menor que a do Cisne, nela só havia duas poltronas reclináveis, vários monitores de TV e um banheiro. Inexplicavelmente havia um homem sujo, dormindo numa das poltronas, abraçado a uma garrafa de vodka. Usava um tapa olho e vestia um macacão da Iniciativa Dharma.

- Mikail!- chamou Locke, próximo a ele.

O homem acordou de um salto, muito assustado e deixou cair no chão a garrafa de vodka, que se quebrou. Ao ver todos aqueles pares de olhos fitando-o, o homem se encolheu na cadeira, numa posição defensiva.

- Vocês o conhecem?- perguntou Jack.

- Claro que sim!- afirmou Sayid. – Certa vez jogamos cartas com ele.

- E ganhamos!- completou Locke.

- Tá legal, no que esse cachaceiro pode ajudar a gente?- questionou Sawyer.

- Mikail, ninguém veio aqui te machucar, só queremos uma informação.

- Que tipo de informação?- indagou o homem ainda numa posição defensiva.

- Estamos rastreando um homem que levou uma mulher grávida do nosso acampamento, e coincidentemente os rastros terminam aqui na Pérola. Você por acaso sabe de alguma coisa?

- Eu não sei de nada.- respondeu o homem, sem ser muito convincente.

- Vem cá, esse homem é da Dharma?- perguntou Sawyer.

- Não.- respondeu Sayid. – O Mikail veio parar aqui nessa ilha acidentalmente há onze anos, seu barco de pesca afundou perto daqui e ele acabou se refugiando nessa antiga instalação da Dharma.

- Ok.- disse Sawyer, e em seguida apontou a arma direto para a cara do sujeito.

- Sawyer!- bradou Jack para que ele abaixasse a arma, mas o texano não o fez.

- Tanto faz se ele é da Dharma ou não, se não nos disser para onde aquele "sun of a bitch" levou a Ana, eu estouro os miolos dele agora mesmo!

- Não, por favor.- clamou o homem. – Ana, você disse Ana? Ah, agora estou me lembrando.

- Òtimo, então desembucha!- exigiu Kate, também apontando sua arma para o homem.

- Um homem esteve aqui hoje mais cedo quando eu saí da Pérola para pegar frutas, ele carregava uma moça desmaiada, disse que ela estava passando muito mal e eu dei água a ela, mas foi só. Não sabia que ela tinha sido seqüestrada do acampamento do John.

- Seu acampamento?- indagou Jack, erguendo uma sobrancelha.

Locke deu de ombros.

- Como era esse homem?- perguntou Sawyer, fervendo de raiva.

- Não prestei muita atenção nele se quer saber, olhei mais pra moça porque faz tanto tempo que não vejo uma mulher que quando aparece uma a gente tem que aproveitar pra olhar...

Sawyer engatilhou a arma ao ouvir aquele comentário.

- Não, por favor, piedade. Eu lembro sim como ele era, mais ou menos,cabelos crespos, barbado, camisa azul xadrez ou será que era loiro de camisa de bolinhas laranjas?- o homem falava meio abobalhado, a impressão que dava é que todos aqueles anos na ilha tinham deixado seqüelas em seu cérebro.

Sayid tentou ser prático: - Mikail, para onde esse homem levou a moça?

- E pra onde mais, soldado! Levou ela para onde a lebre e a tartaruga trocam cumprimentos.

Kate franziu o cenho:

- Estamos mesmo tendo essa conversa?

- Cara, chega de enrolação, seja claro!- esbravejou Sawyer empurrando o cano carregado da arma diretamente no peito do homem.

- Eu não sei ao certo onde fica, só sei que vocês devem seguir pelo norte e chegarão lá. Só não garanto que irão conseguir voltar.

- Vamos pro norte então!- disse Sawyer, pondo a espingarda de volta no ombro. – Eu não quero mais perder tempo com esse idiota.

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A noite caiu e o grupo ainda estava embrenhado na mata sem sinal de qualquer coisa. Locke havia acendido uma fogueira e eles comiam algumas frutas silenciosamente em volta dela. Sawyer estava desanimado num canto, não sentia vontade de comer. Levantou-se e começou a se afastar da fogueira, quando Jack o chamou:

- Sawyer, aonde você vai?- Kate cochilava encostada no ombro dele.

- Me deixa cara, eu só vou tirar água do joelho.- ele respondeu mal-humorado.

Caminhou até uma árvore não muito longe e pôs-se a executar tal atividade quando de repente um barulho chamou-lhe a atenção. Fechou a braguilha da calça rapidamente e seguiu na direção do som. Viu o mato se mexer, e o pequeno badalar de um sino, franziu o cenho e apurou os ouvidos. Não acreditou quando ouviu o mugido inconfundível de uma vaca. Aproximou-se com cautela para constatar se seus ouvidos não o enganavam, mas era verdade, ele não estava louco, havia mesmo ouvido o som de uma vaca mugindo, tilintando o sino de seu pescoço.

Continuou seguindo o som, que desta vez estava muito claro para ele, até que avistou uma enorme vaca malhada, pastando no gramado próximo inacreditavelmente do que parecia ser uma pequena fazenda, com uma casa e um celeiro adjunto, onde tinham uns três cavalos, alguns bois, patos e galinhas.

Voltou correndo esbaforido para onde estavam seus amigos, ao chegar lá encontrou todos de pé, já preocupados com a demora dele.

- Gente, vocês não vão acreditar no que eu achei!

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- Não precisa aplicar isso em mim, eu não vou fazer nada.- disse Ana-Lucia a Juliet quando esta entrou no quarto onde ela estava trancafiada.

- Mas vai ser bom pra você dormir um pouco.- respondeu Ana-Lucia continuando a preparar a seringa de sedativo que aplicaria nela.

- Não estou interessada em dormir- protestou Ana-Lucia.

Juliet a ignorou e pôs-se a aplicar a seringa no soro que ainda estava injetado nela. Aos poucos Ana-Lucia sentiu suas pálpebras pesarem e seu corpo entorpecer, adormeceu rapidamente. A médica sorriu com o dever cumprido e deixou o quarto. Não estavam em um hospital, mas sim em uma casa enorme de madeira, no meio da floresta, uma pequena fazenda na verdade. Juliet não gostava muito daquele lugar, sentia falta da cidade, mas adorava o seu trabalho, por isso continuava lá.

Resolveu ir assistir um pouco de televisão na sala de estar, assistindo ao programa pensou no que Bem lhe dissera sobre trazer os outros dois bebês do acampamento para a pesquisa, não seria nada fácil, os sobreviventes do desastre aéreo estavam cada vez mais espertos com ele. Pensando nisso e assistindo a um filme muito chato na televisão, adormeceu.

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- Nunca imaginei que houvesse um lugar como esse na ilha.- disse Locke quando o grupo adentrou a fazenda sorrateiramente.

- Acha mesmo que a Ana está aqui, Sawyer?- indagou Kate, num sussurro.

- Eu não sei, mas temos que investigar.

Tudo estava muito calmo, aparentemente ninguém à vista. Sayid fez um gesto militar para que entrassem casa, um por um, a porta dos fundos estava aberta. Uma vez lá dentro, encontraram uma cozinha ampla com pratos sujos na pia, alguém tinha acabado de jantar. Sawyer foi à frente, e entrou na sala. A televisão estava ligada, e uma mulher loira dormia displicentemente no sofá.

Os outros entraram logo atrás dele. Kate apontou sua arma para a mulher. Ela acordou de repente e arregalou seus imensos olhos azuis ao ver todas aquelas pessoas em cima dela.

- Quem é você?- indagou Sayid.

Ela não respondeu, parecia mais preocupada em olhar pela janela, como se buscasse socorro com os olhos.

- Nem adianta tentar chamar a Nave-Mãe!- bradou Sawyer. – Eu quero saber onde está a Ana-Lucia!

- Eu não sei do que você está falando!- disse Juliet firmemente.

- Olha aqui mulher, se não nos disser agora quem você é, não vou hesitar em atirar!

- Se você atirar nela Sawyer, a Ana-Lucia morre!- falou uma voz conhecida aparecendo diante deles, na sala.

- Seu desgraçado!- esbravejou Sawyer apontando o rifle na direção de Ben Linus.

- Vá em frente, atire!- debochou Ben. – Mas saiba que isso que eu tenho em minhas mãos.-ele mostrou um pequeno controle remoto. – Aciona um gás mortal na sala onde agora Ana-Lucia dorme tranqüilamente.

- Ele está blefando Sawyer!- disse Kate. – Ana-Lucia nem deve estar aqui!

- Talvez não esteja blefando, Kate.- advertiu Jack.

- E agora? Vamos ficar aqui brincando de quem morre primeiro?- perguntou Locke.

- Nos entregue Ana-Lucia e nós vamos embora, sem ressentimentos.- mentiu Sayid.

- E acha que tudo é simples assim, Sayid?- retrucou Ben.

Ninguém percebeu, mas Michael aproximava-se de Ben por trás, com uma pistola carregada, em meio à escuridão. Juliet viu, mas não avisou a Ben o que estava acontecendo. Sem hesitar nenhum momento, Michael atirou em Ben, pelas costas. Ele caiu ao chão sem entender o que o tinha acertado, sangrando muito.

Todos os olhos se voltaram para Michael, chocados. Juliet aproveitou a deixa para correr e se esconder no quarto onde ficavam os computadores.

- Por que atirou nele?- questionou Jack.

- Onde está a Ana-Lucia?- perguntou Sawyer gritando, sem se importar com Ben.

- Ela está ali dentro daquele quarto, cara!- ele respondeu apontando para uma porta no fim do corredor, estava com os olhos marejados de lágrimas.

Ele mal terminou de dizer isso e Sawyer correu para lá. Os demais continuaram fitando Michael, até que ele apontou a pistola que tinha nas mãos para a própria cabeça.

- Por favor, me perdoem por tê-los traído! Por ter tirado a vida da Libby!- disse com pesar.

- O que vai fazer?- indagou Jack. Os demais permaneciam em silêncio assistindo a cena. – E o Walt? Você o encontrou?

- Encontrei sim Jack, e o mandei pra casa, sozinho. Ele merece coisa melhor do que um pai assassino e traidor!

O som de um tiro encheu a sala, e Michael caiu ao chão morto, ao lado do corpo inerte de Ben Linus. Logo o ambiente estava tomado pelo cheiro acre de sangue, que infestava as narinas dos presentes. Jack nem se mexeu do lugar para verificar se Michael ainda estava vivo, o tiro havia sido letal, na cabeça. Ele não conseguira conviver mais com o que havia feito, há tempos sua consciência não lhe deixava em paz e Michael não queria que seu filho crescesse com esse tipo de exemplo.

Kate aninhou-se no peito de Jack após aquela cena terrível, apesar de Michael tê-los traído e assassinado Libby, ela não conseguia esquecer quem ele tinha sido um dia e no que a ilha o transformara, levando-o a cometer os piores desatinos. Sim, ele fora culpado, mas e ela que matara o próprio pai? Chegaria o dia do julgamento final para ela também?

- Eu quero sair daqui, Jack, por favor!- disse com voz de choro.

- Onde está a mulher loira?- indagou Locke, procurando-a com os olhos.

- Vamos achá-la.- disse Sayid.

Sawyer apareceu na sala outra vez, com Ana-Lucia desacordada em seus braços.

- Oh meu deus, você a encontrou. Ela está bem?- perguntou Kate.

- Eu não sei!.- ele respondeu preocupado. – Jack, me ajuda, por favor!

Jack assentiu com a cabeça e todos eles foram para a varanda da casa, enquanto Locke e Sayid a exploravam e procuravam por Juliet. Escondida na sala do computador, Juliet digitava vários códigos no monitor. Na tela aparecia a imagem daquele mesmo homem sempre presente nos vídeos de orientação da Dharma. Ele dizia: - Se houve alguma invasão hostil na estação, digite Enter 77 e a casa se explodirá em dez minutos.

Juliet digitou os números e uma contagem regressiva apareceu na tela. Em seguida, ela abriu um alçapão no chão que dava para uma saída de emergência e fugiu. Locke e Sayid chegaram até a sala do computador e arrombaram a porta. Os olhos do iraquiano se arregalaram ao ver a contagem regressiva.

- Tudo isso aqui vai explodir, John! Temos que ir embora!- bradou.

- Não Sayid, precisamos investigar esse lugar, quem sabe conseguimos comunicação com o mundo exterior.

- John, o único mundo com o qual conseguiremos nos comunicar, é com o mundo dos mortos se não sairmos daqui agora!

Locke respirou fundo e resolveu segui-lo para fora da sala, correram para a varanda, Jack examinava Ana-Lucia. Sayid chegou avisando.

- Isso aqui tudo vai explodir, precisamosir embora.

- O quê?- questionou Kate.

- Sawyer...- murmurou Ana-Lucia começando a voltar a si.

- Eu estou aqui, cariño.- ele respondeu, tomando-a outra vez nos braços.

No momento seguinte, eles corriam para longe da casa, e não deu outra, ao final da contagem de dez minutos tudo foi pelos ares. Mas eles estavam a salvo, e poderiam voltar para o acampamento. Sawyer abraçou Ana-Lucia em seu colo, feliz por tê-la de volta.

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Três longos anos na ilha se passaram. A atmosfera no acampamento era de muita tranqüilidade. Depois de tudo o que acontecera naquela noite misteriosa na floresta, os sobreviventes nunca mais encontraram com os Outros ou qualquer representante da Dharma. Viviam uma vida rotineira e próspera dentro das possibilidades da ilha.

Meses depois daquele incidente, Ana-Lucia dera à luz a uma linda menina, que foi batizada de Marina por ter sido concebida na beira do mar. Marina era uma menina muito esperta, inteligente, individualista e falante. Combinava as características físicas e psicológicas de seus pais. Tinha cabelos negros e cheios de cachos passando dos ombros, o corpo fofinho e os olhos de um azul brilhante. Quando sorria, duas lindas covinhas marcavam seu rosto e quando estava zangada, erguia a sobrancelha e fechava a cara. Impossível não saber quem eram seus pais.

Kate também tivera um bebê durante esses três anos, fruto de seu relacionamento com Jack, e agora estava grávida de seis meses, do segundo filho. Seu bebê, Ryan, era a cópia fiel de Jack e já estava com dois anos. O filho de Sun e Jin, Hiro, tinha a mesma idade de Marina, e Aaron um ano a mais que os dois. Recentemente, Nikki descobrira que estava grávida de Paulo, portanto a cegonha estava sempre marcando presença no acampamento e o brasileiro não se cansava de dizer quando alguém vinha contar-lhe que um novo bebê nasceria na ilha: - Crescei e multiplicai-vos!

Naquela manhã de sol, rotineira na ilha, Sawyer se embalava sozinho na rede lendo um livro enquanto Marina corria e brincava com Aaron e Hiro, próximo a ele. Ana-Lucia, Kate e Claire lavavam e estendiam roupas no enorme varal improvisado, tagarelando sem parar. A latina terminou de estender os cobertores de sua barraca no sol e caminhou em direção à Sawyer, na rede. Quando a viu, ele retirou os óculos enormes do rosto e deu um belo sorriso a ela que sorriu de volta e se agachou para dobrar algumas roupas que tinha tirado do sol.

- Coisa linda!- ele provocou da rede.

Ana-Lucia riu e fingiu não escutá-lo e continuou a dobrar as roupas, só que dessa vez fazendo pose e exibindo suas coxas expostas pelo vestido que usava. Estava em excelente forma, depois da gravidez voltara ao seu peso normal naturalmente devido à alimentação saudável na ilha e as corridas na praia que ela nunca deixara de fazer.

- Vem aqui vem, docinho!

- Eu estou ocupada, cowboy!- ela respondeu, ainda de costas pra ele.

- Se você não vier aqui, eu vou aí te buscar, você é quem sabe!

Ela riu e largou as roupas num canto, correndo até ele na rede e se jogando em seu colo, beijando-o.

- Mamãe, mamãe!- gritou Marina, esbaforida correndo até a rede onde seus pais namoravam.

- O que foi querida?- indagou Ana-Lucia.

- Olha só o que o Aaron me deu de presente! É um bichinho tão lindo!

- Marina, largue isso, é uma lagartixa!- bradou Ana-Lucia, com nojo do pequeno lagarto verde que a filha segurava com muita ternura.

- Não mamãe é o meu presente de casamento!

- Casamento?- questionou Sawyer, divertido.

- Sim, o Aaron disse que vai se casar comigo.

- Ah, o Aaron disse?- falou Sawyer cruzando os braços sobre o peito, fingindo estar zangado. – Mande esse garoto vir falar comigo primeiro!

Ana-Lucia riu.

- Agora vem aqui babycake dar um beijinho no papai, mas sem a lagartixa!

Marina colocou o bicho no chão e deu um beijinho rápido nos lábios do pai, correndo em seguida de volta para os seus amigos.

- E agora, onde estávamos?- ele perguntou a Ana-Lucia, envolvendo as mãos em seus cabelos e voltando a beijá-la.

Jin pescava nas poças de água à beira da praia quando avistou um barco vindo no horizonte, não muito longe. Começou a gritar como um desesperado.

- Barco! Barco! Barco!

Todos correram para a beira da praia para ver o que estava acontecendo, e seus corações se encheram de esperanças ao avistar o barco. Sayid tirou a camisa e correu para dentro da água. Jack que estava tomando conta de Ryan, entregou o bebê a Kate e seguiu Sayid. Sawyer levantou-se da rede e tirou logo a camisa para ir acompanhá-los. Ao ver toda aquela movimentação, Marina assustada correu para os braços da mãe que a pegou no colo, pendurando-a de lado na cintura.

- Mamãe, aonde o papai vai?- a menina perguntou com voz de choro.

- O papai foi ver se aquele barco lá longe pode nos levar de volta pra casa!- respondeu Ana-Lucia esperançosa.

- Mas já estamos em casa!

- Oh, querida!- murmurou Ana-Lucia, beijando e abraçando a filha.

Dessa vez, as esperanças tinham sido válidas, o barco era da guarda-costeira da ilha de Fiji e tinha ido parar acidentalmente na ilha. Jack, Sayid e Sawyer narraram aos tripulantes do barco tudo sobre o acidente, e o tempo em que já estavam na ilha. Os homens imediatamente se comunicaram com o continente e logo a ilha estava tomada de helicópteros, alguns enviados pela ricaça Penélope Widmore que nos últimos anos procurava pelo noivo Desmond Hume, que também estava na ilha.

Desesperados para voltarem à civilização, os sobreviventes arrumavam tudo o que gostariam de levar de recordação da ilha. Sawyer e Ana-Lucia faziam isso em sua barraca, falando sem parar sobre todas as coisas que sentiam falta de fazer. Marina os observava encolhida num canto, não estava entendendo nada. Começou a chorar e soluçar de repente, chamando a atenção de seus pais.

- Babycake, o que foi? Diz pro seu paizinho!

- Eu não quero ir embora da minha casa!- a menina protestou.

- Mas aqui não é nossa casa, filha!- disse Sawyer.

- É sim!- reiterou Marina.

- Filhinha, sei que está com medo, mas vai ficar tudo bem, o papai e a mamãe estão aqui com você.

Na hora de partir no helicóptero, Sawyer se despedia de Jack e Kate, já que não iriam no mesmo helicóptero que eles.

- Foi uma loucura né, doc?

Jack riu: - Foi sim, ainda bem que tudo acabou.

Os dois ficaram se olhando com caras de tristeza até que resolveram se abraçar, fazendo Kate e Ana-Lucia rirem.

- Eles se amam!- comentou Kate com Ryan em seu colo.

- Oh sim, muito!- concordou Ana-Lucia.

Ao ver Aaron se preparando para partir em outro helicóptero, Marina desceu do colo de sua mãe e correu até ele.

- Marina!- chamou Ana-Lucia.

- Aaron, adeus!- disse ela.

O menino de lindos cachinhos dourados sorriu e entregou uma florzinha amassada a ela. Marina sorriu também e deu-lhe um beijinho na face antes de voltar correndo para os braços da mãe.

- Vamos indo né?- disse Sawyer. – Nos encontramos por aí! Se cuida sardenta!

Kate sorriu para ele, e os três entraram junto com mais uma leva de pessoas no helicóptero. Quando levantaram vôo, Marina olhou fascinada para a ilha que ficava cada vez mais e mais longe. Um mundo totalmente novo se desenhava diante dos olhos dela.

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Vários meses se passaram. Uma investigação séria foi feita na ilha pelo FBI, CIA e outras organizações. Ana-Lucia participou ativamente das investigações, queria justiça por tudo o que tinha passado. Os homicídios na ilha também foram investigados; durante o julgamento de Ana por causa da morte de Shannon, Sayid ajudou a absolvê-la contando em seu depoimento que tudo não passara de um acidente. As mortes de Boone e Ethan também foram concluídas como acidente. O caso de Michael foi fechado como homicídio de Benjamin Linus, seguido do suicídio de seu assassino.

A Dharma Initiative foi fechada, Alva Hanso desmascarado e Juliet Burke presa e condenada à cinco anos de prisão. E os sobreviventes ainda receberam uma boa indenização da Oceanic Airlines, além de algum dinheiro vinculado à Dharma, para os que foram de alguma forma expostos às suas experiências contra sua vontade.

De volta à civilização, todos retomaram suas vidas normais. Charlie casou-se com Claire e voltou triunfante com sua banda Driveshaft. Claire acabou descobrindo ser irmã de Jack e mesmo morando em Londres mantinha sempre contato com o irmão. Jack voltou a trabalhar no hospital St. Sebastian, casou-se com Kate e empenhou-se em resolver o problema dela com a justiça. Ela acabou conseguindo ser punida apenas com um ano de serviço comunitário pelo assassinato de seu pai e a morte acidental de Tom. Prestava esse serviço na escola que Sarah ,a ex-mulher de Jack dirigia, dando aulas recreativas para jovens carentes.

Sayid abriu um restaurante em sociedade com Hurley que fazia muito sucesso na noite de Los Angeles. Paulo voltou para o Brasil levando Nikk consigo, casaram-se e passaram a viver no Rio de Janeiro com os filhos gêmeos. John Locke finalmente foi fazer sua tão sonhada viagem para o deserto da Austrália, junto com Hellen, com quem se casou. Eko foi transferido para uma paróquia de uma cidadezinha de Londres, freqüentada todos os domingos por Desmond e Penny. Jin e Sun voltaram para a Coréia onde abriram uma empresa vinculada ao mercado da pesca, libertando-se totalmente do julgo do pai de Sun.

Por fim, Sawyer e Ana-Lucia casaram-se e compraram uma casa na beira da praia, na Flórida. Marina não se adaptara ao apartamento que compraram primeiramente. Sawyer arranjou um emprego de consultor imobiliário, já que era tão bom em convencer as pessoas e Ana-Lucia assumiu a delegacia da cidadezinha onde moravam. Sawyer também se redimira com Cassidy Philips, a mãe de sua filha e logo conquistou a menina, que costumava passar dois fins de semana do mês na casa de seu pai, brincando com Marina.

Era domingo de ação de graças, e o casal esperava ansiosamente pela visita de Jack, Kate, Charlie e Claire que viriam para passar o feriado.

- Querido, podes servir a mesa?- indagou Ana-Lucia terminando de fatiar o peru enquanto sua mãe preparava o purê de batatas.

- Clementine, Marina, venham ajudar o papai a servir a mesa!- ele chamou. As duas desceram correndo as escadas e puseram-se a organizar direitinho os pratos na mesa.

A campainha tocou. Empolgado, Sawyer correu para abrir a porta, sentia falta de seus amigos da ilha. Porém, antes que abrisse a porta ouviu Jack dizer do lado de fora: - Doce ou travessura?

Sawyer abriu a porta, rindo muito e exclamou: - Hey, Jackass!

- Fala, caipira!

Os dois se abraçaram.

- Sardenta!

- Sawyer!- ela disse abraçando-o com cuidado porque estava com a pequena Jackie no colo.

- Então essa é a sardentinha?

- È sim!- disse Kate orgulhosa.

- Mas cadê aquele hobbit duma figa?- perguntou assim que viu Charlie vir com Claire e Aaron.

- Hey!- saudou Ana-Lucia indo para a sala e abraçando Kate.

- Ana!

- Aaron!- gritou Marina, empolgada quando viu o amiguinho e o abraçou, levando-o pela mão para lhe mostrar seu quarto e seus brinquedos. Clementine os seguiu.

- Eu posso segurar a Jackie?- indagou Ana-Lucia a Kate. – Ela é tão linda!

- Pode, claro que pode!

- E o Ryan está tão crescido, Kate.- Ana disse olhando para o pequeno agarrado à barra da calça de Kate.

- Boa tarde!- cumprimentou a Sra. Cortez entrando na sala.

- Gente, essa aqui é a minha linda sogra.- falou Sawyer, colocando um braço no ombro da Sra. Cortez. – Imaginem vocês que quando a conheci pensei, nossa vou me casar com a mulher certa, porque sei exatamente como ela irá ser no futuro.

Todos puseram-se a rir. Ana-Lucia ergueu uma sobrancelha, embalando Jackie nos braços. Passaram uma tarde maravilhosa juntos, almoçaram, e contaram histórias memoráveis da ilha.

- Ele tava pensando que ia morrer!- disse Jack rindo enquanto tomava uma xícara de café, todos estavam na varanda. – Mas era só problema de vista, e haja eu fazer as perguntas mais embaraçosas pra ele.

- Você é o engraçadinho, né Jack?- rebateu Sawyer rindo. – È, mas teve aquele dia que eu te dei o troco.

- Que dia foi esse? Isso nunca aconteceu não!

- Foi assim...- Sawyer começou.

- Ih, lá vem!- falou Kate, balançando Ryan suavemente nos joelhos. Jackie dormia no quarto de Sawyer e Ana.

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Por volta das oito da noite depois que todos tinham ido embora e a casa estava novamente no lugar, Sawyer punha Marina e Clementine para dormir, contando uma história.

- E então eles viveram felizes para sempre!

- Pai, conta de novo!- pediu Clementine.

- È de novo!- concordou Marina.

- Nada disso, as duas agora vão pra caminha dormir que o papai está cansado.

- Ahhhhhhhhhhhh pai!- exclamaram as duas em uníssono!

- Nem A, nem B e nem C, eu estou cansado e quero as duas dormindo agora! Boa noite queridas!- ele disse dando um beijinho na face de cada uma e saiu do quarto fechando a porta atrás de si. As meninas protestaram.

- Pai!

- O que foi?- ele perguntou abrindo a porta novamente.

- A luzinha!

- OK, desculpem.- falou acendendo a luz do abajur de parede.

Foi até o seu quarto e encontrou Ana-Lucia escovando os cabelos, vestida num robe de seda prateado. Mediu-a dos pés à cabeça e disse, malicioso:

- Oi minha tigresa!

Ela sorriu para ele e caminhou sensualmente em sua direção.

- Baby, por que a gente não brinca lá fora hoje?

- Hum amor, eu estou cansado, vamos brincar aqui no quarto, tá bem?

- Não não. – ela respondeu agitando o dedo indicador diante dele. Marota, ela abriu uma gaveta tirou uma pistola descarregada e falou antes de sair: - Te espero lá, mas não demora muito!

Sawyer vestiu calças jeans, camisa xadrez, botas, assanhou o cabelo e desceu indo para o amplo quintal da casa. Havia uma barraca armada num ponto estratégico do gramado. Ele se dirigiu para lá fazendo uma expressão séria e entrou na barraca, bradando:

- Rambina, você tem uma coisa que me pertence!

- O quê? Seu caipira miserável, o que está fazendo na minha barraca?- Ana-Lucia perguntou, com cara de raiva.

- Não se faça de desentendida, você roubou a minha arma e eu quero ela de volta!

- Não!- ela gritou. – Se quiser a sua arma de volta, vai ter que tirar de mim à força!

- Como quiser, meu bem!- ele respondeu, puxando-a para si com muita força.

Ana-Lucia se debateu:

- Me solta! Me solta!

- Ah, agora você quer dar uma de esperta? Mas eu vou pegar a minha arma, e fazer tudo o que eu quiser com você!

- Não, Sawyer!

Ele abriu o robe dela de uma vez só, deixando-a de calcinha e sutiã. Colocou suas mãos por todo o corpo dela e começou a beijá-la.

- Me diz o que você quer rambina...foi por isso que você roubou a minha arma não foi?

- Sawyer!- ela gemeu quando sentiu a mão dele arrancar-lhe a calcinha e tocar sua intimidade.

- Só que eu vou te ensinar agora o que é bom, pra você nunca mais mexer no que é meu, sua menina má! Anda safada, diz o que você quer! Diz pro seu cowboy! Eu te amo, baby!

Ela saiu abrindo depressa o botão da calça dele e o zíper, em seguida, sussurrou no ouvido dele, sem nenhum pudor: - Sawyer, me...

Sawyer escancarou as pernas dela e a tomou num único golpe fazendo-a gemer alto. Beijaram-se extasiados de prazer, todo o sofrimento na ilha não fora em vão, o mundo agora se abria para que o conquistassem e fossem muito felizes.

FIM