Presentinho pra vocês *-*


Eu entrei na porta que Alice me falou. Fiquei meio assustado, eu não imaginava entrar num cômodo tão grande quando ela disse biblioteca ela não brincou não. O lugar era enorme. Prateleiras repletas de livros pelas paredes, eu olhei em volta e achei Bella no auto de uma escada recolocando algum livro no lugar. Jacob era um pirralho estranho com voz de bicha, por que eu não podia ter meu pedaço também?
Ela olhou pra mim e sorriu.
-Então você me achou?
-Quero falar com você... - eu disse seco, estava bravo, não sei por quê. Tá, eu sabia muito bem o porquê.
-Eu já desço já.
E por que esperar ela vir, se eu podia ir ate ela? Eu fui ate a escada e comecei a subir. Ela só me percebeu quando eu já estava colado nas costas dela.
-Oh. Que isso? - ela virou o rosto pra me olhar - Você andou bebendo de novo...

Eu não respondi. Quando ela se virou pra terminar de arrumar o livro eu mordi o pescoço dela, levemente, eu queria deixar arrepios, não marcas. Deu certo, os ombros dela se encolheram.
-Edward, dá pra você parar?
-Qual é? Jacob teve um pedaço inteiro na viagem de vocês, eu só estou querendo tirar uma lasquinha - eu disse abraçando a cintura dela com um braço.
Ela tirou o meu braço de lá e virou meio corpo pra mim. Eu tive que descer um degrau senão ela me derrubava. Ela estava com os olhos marejados, havia muita raiva neles. Fiz cagada...
-Saia daqui agora - ela disse entre os dentes.
Ela não parecia estar brincando... Então fiz o que ela disse, esperou eu chegar ao chão pra descer também.
Ela tentou ir pra porta, mas eu entrei na frente. Eu vim aqui pra ter um tempo com ela, não pra brigar, não podia deixar que saísse assim...
-Bella me desculpe, eu não - eu coloquei as mãos nos braços dela, mas ela se afastou bruscamente.
-Não me toque - uma lagrima escapou dos olhos dela...
-Bella, eu não... - eu tentei chegar perto dela novamente com uma mão em seu braço, mas ela se afastou novamente...
-Você não ouviu? Não quero que coloque suas mãos em mim.
Ela estava com raiva. Ela estava linda. Estava com os olhos brilhantes, aquilo mexia comigo. Como a fazer perceber que eu não queria brigar? Eu não queria, mas fui obrigado.
-Sem mãos? - eu levantei minhas mãos pra mostrar e levantei uma sobrancelha também. Achei com o tempo aquilo fosse perder a força, mas lá estava a boca branca dela pra me mostrar que não.

Eu olhei pra ela como um predador, avançando lentamente, enquanto ela se afastava.
-Sim - a voz dela saiu meio confusa.
-Isso é um desafio? - eu dei meu sorriso pra ela.
Ela ainda se afastava...
-Edward... - ela tentou dizer aquilo como uma advertência... Mas acabou saindo como um suspiro.
E então eu encurralei ela contra a estante de livros, ela não parecia quere dizer mais nada.
-Sem mãos hein? Bem... Certo, se é assim que deseja, mas existem muitos outros.
beijá-la foi inevitável, eu nunca havia seduzido, eu sabia que as minhas clientes estavam sempre dispostas a me dar qualquer coisa... A emoção de convencer a pessoa a aceitar era... Era excepcional. Ela virou o rosto pra direita, mas eu a alcancei, ela tentou se debater, mas eu a fiz se acalmar beijando levemente seu pescoço. Eu beijei seus lábios e ela já não parecia tão arredia, mas minhas mãos continuavam espalmadas na parede, minha língua entrou na boca dela e agora ela correspondia a meus beijos. Havia uma veia latente em seu pescoço, eu a beijei ali também.
-Você sabia que há muitas formas de se exitar uma mulher Bella? - eu murmurei contra o seu pescoço - muitas maneiras de se acariciar sem tocar.
Eu beijei ela novamente ela tentou impedir novamente, mas eu fui mais firme. Eu a obriguei a me aceitar. Eu colei meu corpo ao dela pra que ela sentisse que eu poderia ser muito melhor que um pirralho, que tudo o que ela poderia precisar estava em mim. Eu mordi seu pescoço e ela se contorceu mais forte e enterrou suas mãos no meu cabelo.
-Não - eu disse afastando suas mãos de mim... – sem mãos Bella, você fez as regras.

Ela fez uma cara de mártir. Ela merecia sofrer um pouquinho.
-Seu jogo, suas regras. Você quis assim.
-Você e muito mal.
Ela fez um bico tão lindo que tive que beijar sorrindo. Eu não agüentava judiar dela por muito tempo, eu admito, eu a abracei afundando minha cabeça na curva de seus ombros.
-Me perdoe, eu só percebi a bobagem que disse depois que ela já havia saído da minha boca.
-Tudo bem, eu estava pensando agora a pouco que provavelmente Jacob te disse alguma besteira que fez você pensar assim.
-Mentirosa - ela olhou com uma cara estranha pra mim - Agora a pouco você estava me beijando e você não consegue pensar quando meus lábios estão tão perto de você.

- Sabia que sua modéstia e o que mais me atrai em você?
-Eu desconfiei desde o principio - eu a abracei mais forte - o que mais em mim atrai você? - ela ficou vermelha.
-O modo como fica bobo quando ingere álcool?
-Eu não sou bobo - eu acho que fiz beiço - Você me acha bobo?
-Eu acho você muito bobo - ela apertou MESMO minha bochecha? - Agora me diga o que é que aquele cachorro do Jacob falou pra você me encoxar daquele jeito?
-Aquilo não é importante e eu juro que ainda quebro aquele nariz achatado.
-Você não vai quebrar o nariz de ninguém - ela disse seria, com um dedo no meu peito - e me interessa sim, porque eu quero saber se eu mesma não vou querer quebrar o nariz dele.
Ah droga. Eu não queria falar, não queria porque eu tava com medo de que ela colocasse a mão na testa e dissesse 'é mesmo, eu me esqueci dela na noite em que passei com ele, falando nisso, ele falou alguma coisa sobre a minha calcinha? Porque no dia eu não achei'. Eu não queria ouvir isso dela e eu não poderia fazer nada se ouvisse. Nada.
-Ele disse que... A nécessaire que você esqueceu no quarto dele está no quarto da Alice - tah, eu tinha mesmo que dizer o resto? - e...que aquele negócinho está também...
Ela não respondeu. Ficou espantada, depois confusa, depois brava. Muito brava.

-E você foi logo achando que eu me joguei na cama dele?
-Me desculpe - eu me afundei nos ombros dela novamente - como você disse, eu fico meio bobo quando tenho álcool nas idéias.
-Ta - não parecia que ela tinha me perdoado - Mas só pra você saber, eu fiquei a viagem inteira dentro de um quarto com um homem 32 anos mais velho que eu, e ao mesmo tempo meu pai, chefe e torcedor fanático do palmeiras que tinha perdido um jogo... Não tive tempo de visitar o quarto de ninguém.
-Eu sei que isso não e da minha conta.
-Eu sei que não é, mas eu não gosto que pensem que sou... Algo que não sou - as últimas palavras foram só um suspiro.
Agente ficou quieto por um tempo, ela tentou se soltar de mim então.
-Ta, me dá mais um beijinho então que agente sai daqui.
-Eu não vou dar beijinho nenhum. Amigos não ficam se beijando o tempo todo - ela disse me repreendendo.
-Amigos saem juntos de fim de semana, e eu passei meu sábado e domingo sozinho - eu resmunguei, eu ficava muito resmungão quando estava bêbado.
-Ah, me desculpe se minha vida não se resume a você e a te fazer companhia - será que ela se importaria em providenciar isso?... Soava bem pra mim...
-Vamos Bella - eu a abracei mais forte, enquanto ela me empurrava. - só um beijinho de boa noite.
-Não, e tire essas mãos cheias de dedos de cima de mim. Sem mãos lembra? Você aceitou as regras.
-Ah, você vai querer segui-las então.
-Vou - ela disse com um sorriso torto - pelo menos ate agente sair por aquela porta...

-Você pediu - eu a soltei e dei um paço de distancia - você vai sentir falta das minhas mãos.
-Veremos quem vai sentir falta primeiro... - ela disse indo pra porta, ela geralmente não rebolava tanto pra andar.

Eu saí pra festa e ela estava falando alguma coisa com o Jasper que mexia a cabeça dizendo que sim, ele deu um peteleco na cabeça dela brincando, e ela puxou o cabelo dele, e Alice o salvou de tomar uma taça de champanhe na cara. Bella falou alguma coisa pra ela, Alice não pareceu ter gostado muito, estava fazendo aquela cara de falsa mártir pra ela. Seria falta de educação chegar mais perto pra ver o que estava acontecendo?
Ela estava saindo pela porta então... O que? Ela estava indo embora e nem me avisa?... Puxa, eu não devo ser nada pra ela mesmo. Efeitos causados pelo álcool no Edward: resmungo e sentimentalismo, bem, já que eu já estava ferrado, que mal fazia mais uma tacinha?. Eu bebi uma taça rapidinho e fui atrás dela, não por nada, só pra dizer tchau.
Ela estava sorrindo pro cara que abria o portão pra ela, ótimo, agora eu ia competir com o porteiro, como a decadência assola um homem não?
Eu a alcancei, ela já estava em frente ao portão de sua casa.
-Bella - eu gritei pra que ela não entrasse.
Ela esperou, mas eu esperei chegar mais perto pra falar alguma coisa... o que eu ia falar?
-Acho que eu não posso te oferecer uma carona ate em casa né?
Ela ficou parada, olhando pra mim, pro portão, pra mim, pro portão. Olha o "seu demente" ali na testa dela! Já estava com saudade dele...

-Hein? - foi só o que ela disse...
Eu cruzei o braço e tentei me encostar ao portão pra fazer charme, mas não deu certo. o portão estava aberto e andou quando eu encostei e então a calçada estava na minha frente e sob as minhas mãos, é, talvez hoje eu tenha exagerado um pouco.
-Meu Deus Edward por que e que você bebe tanto hein?
Por que é que eu andava bebendo tanto? Eu sei por que...
-Porque - estava difícil pra falar, minha boca não se movimentava direito - eu gosto mais da forma como meus olhos te vêem quando há álcool na frente deles.
-Seu demente - e dessa vez isso realmente saiu da boca dela.
-Eu não sou demente, sou um homem alcoolizado, é diferente.
-Nossa, agora isso fez muito sentido - ela me olhou estranho - garoto qual seu problema hein?
Esse era o problema, ela não podia me chamar de garoto, eu era o mais velho aqui, ela se parecia com minhas clientes quando falava assim comigo. Quando eu finalmente conheço uma garota mais nova que me desperte interesse e eu acho que vou usar um pouco da minha maturidade ela é a adolescente mais madura que eu já vi na minha vida.
-Meu... Problema - vai, e só falar, você consegue - é que eu não sei como eu vou ir pra casa - eu dei um sorriso torto, ela ia ter que me deixar dormir lá, não ia ter jeito. Eu comecei a me levantar e ela teve que me ajudar.
-Não se preocupe, eu dou jeito nisso - ela disse
-Ta, aonde eu vou dormir então? - eu disse entrando na casa dela
-Ow, ow, onde você pensa que vai? - ela disse me segurando e quase me derrubando de novo
-Não vai me chamar pra dormir na sua casa?
-Claro que não - ela parecia surpresa com o que eu disse
-Como você vai dar um jeito então?
-Vincent - o que? Ela ia me fazer dormir com o Vincent? - ele está trabalhando aqui de segurança, peço pra ele te levar e voltar de carro. ele é meu amigo.
-Ah, ta bom.
Eu comecei a andar, mas parecia que a calçada estava tremendo, então ela veio me ajudar, me abraçando pela cintura.
-Pensei que não fosse mais me tocar - eu disse sorrindo
-Vou esperar até você ser auto suficiente novamente pra começar
-Você adora uma desculpa pra pegar em mim
-E você não perde a oportunidade de dizer uma gracinha
Ela me enfiou dentro do carro como um saco de pão, não me deu mesmo um beijo de tchau e pediu pra Vincent tomar cuidado com o carro porque eu era estranhamente obsessivo com ele, era bom mesmo que ele soubesse...

Eu sabia que eu estava com dor de cabeça, mas eu não queria acreditar. Não, de novo não, e eu não tinha remédio. Ah droga, será que domingo abre drogaria? Porque eu juro que vou comprar um frasco com mil comprimidos. Que falta me faz morar com a tia Esme...
"Oh it´s something about, Just something about the way she moved..."
Celular a uma hora dessas? Merda... Emmett, o que eu precisava pra completar meu dia era um encontro com uma coroa em pleno domingo.
-Edward?
-Não, sra Montgomery
-É, depois de sete anos sem sair, você ta enfiando o pé na jaca hein mano. Que voz de ressaca...
-Enfiando o pé na jaca Emmett? De onde você tirou essa agora?
-Ah, esquece. Você acordou de mau humor só pra variar, como foi a festa ontem?
-Foi boa, mas acho que bebi um pouco demais.
-Você ta me surpreendo mesmo mano, nunca tinha visto você beber álcool.
-É, muitas coisas andam surpreendendo.
-Ta, enfim, achei uma academia nova pra você. Semana que vem você tem encontros de segunda ate quinta feira, to deixando o fim de semana livre pra tu poder ficar com sua garota.
-Ta, obrigada... - mas ela tem uma vida que praticamente não me inclui.
-E quando eu vou conhecer ela?
-Nunca... - é capaz de ele mesmo me processar por pedofilia.
-Por quê?
-Pra você roubar? Como você fez com a Melinda?
-Ah, não vem com essa historia de Melinda de novo. Ela beijava mal, nem valeu a pena...
-Mas eu ainda não vou te apresentar ela
-Qual é cara? Eu estou ansioso pra saber quem derreteu seu coração de gelo.
-Emmett, você esta falando igual às velhas da academia já - eu disse entediado...
-Então... Falando em academia, anote o endereço ai...
Eu anotei, era perto da faculdade, aquilo era bom, ia me poupar tempo.

-Você precisa pegar seu atestado e declaração de condicionamento físico pra eles poderem fazer seu programa de exercícios certo lá.
-Certo papai, mais alguma coisa?
-Acho que não. Bem, minha mãe esta chegando daqui a umas duas semanas de viagem, mas isso não significa nada tendo em vista que daqui a três ela vai sair de novo provavelmente.
-Será que ainda há lugares que eles não conheceram?
-Eu nem imagino, mas você devia apresentar a sua garota pra ela, Esme ia ficar muito feliz.
-Se contente com a Melinda Emmett.
-Credo cara, você nunca vai esquece isso mesmo não? Tchau...
-Não, eu não vou. Tchau.

Falar de Melinda me fez lembrar... Cada vez que eu me apaixonava na adolescência eu tinha surtos horríveis de dor de cabeça, parecia um aviso do meu subconsciente de que lá vem merda. Eu sempre gamava nas garotas erradas, mas essa dor de cabeça não tinha nada a ver com isso... Tinha a ver com champanhe, álcool.
Certo, o que eu ia fazer com minha dor de cabeça então? Eu podia pedir ajuda, hoje era domingo, já eram onze da manha. Todos já deviam ter acordado. Eu disquei o numero dela (é eu decorei), mas só tenho dois números pra onde ligar. Isso facilitou as coisas, ela atendeu, a voz não perecia sonolenta.
-Quais as chances de você trazer um remédio pra dor de cabeça aqui na minha casa?
-Sabendo que eu não sei onde você mora e que eu estou trabalhando no momento, acho que bem poucas.
-Você é má - eu disse bravo.
-E você é folgado - ela disse rindo.
Silencio constrangedor agora, não gosto dele.
-Você sabia que eu continuo comendo em restaurantes em todas as refeições?

-Me desculpe Edward, eu tinha me esquecido - lógico que ela esqueceu, não era ela que tinha que descer na padaria ate pra tomar um café.
Eu estava esperando ela dizer alguma coisa, marcar um dia, nada. Oh garota difícil, será que tudo tinha que partir de mim?
-Você vai trabalhar o dia todo hoje? Isso é exploração infantil sabia?
-Eu não vou trabalhar o dia todo hoje. E eu trabalho tanto porque eu quero, ninguém me obriga...
Lógico que ela trabalhava porque gostava. ela era a "perfeitinha" não era?
-Agente pode fazer as compras hoje se você quiser.
Isso era isso que eu queria ouvir.
-Pode ser, eu acho que não vou fazer nada.
-Então me encontre no Carrefour do centro, as Cinco da tarde, está bem?
-Ta bem, o remédio nem pensar então né?
-Não, eu já disse, tenho uma vida alem de você... - porenquanto...
-Eu te encontro lá então... Beijos.
-Tchau...
E eu fiquei no vácuo... De novo.

Vinte minutos antes da hora combinada eu já estava lá, eu coloquei uma regata branca, as senhoras da academia adoravam, pelo menos me deixava mais novo e eu não ia parecer o tio fazendo compras com a sobrinha. Eu vi um carro prata com ela dirigindo. Pensei que dirigir com 16 era proibido nesse país... Até que ela dirigia bem pra uma garota. Ela estacionou e ficou lá, ela chegou adiantada também. Eu desci do meu carro e fui encontrar ela, ela estava retocando o batom, eu me abaixei na janela dela.
-Isso tudo é pra me ver?
-Ah que legal, você bebe durante a tarde agora também? - ela disse guardando o batom e pegando a bolsa, eu me afastei pra ela sair do carro.
-Você faz um julgamento muito errado a meu respeito.
-E você precisa de uma boa dose de humildade.
-Você tem dezesseis, o que esta fazendo dirigindo um carro?
-Eu já te expliquei as vantagens da alta sociedade.
Eu não respondi. Já chega de discussões inúteis por enquanto, mas eu tenho que dizer... Adorava minhas discussões inúteis com ela. Ela começou a andar e eu só a segui, peguei um carrinho como mandou e entrei.
-Bem, acho que nos vamos direto pra sessão de congelados né?
-O que? - pelo visto falei besteira de novo - se fosse pra comprar congelados eu ficaria em casa.
-Nos vamos comprar o que então?
-O que todo homem solteiro precisa: arroz parborizado, ovos, batata, carne moída...
Eu olhei pra ela como se ela fosse um alien. Quem disse que um homem solteiro precisa dessas coisas?
-Explique - eu disse cruzando os braços e parando o carinho.
-Arroz parborizado, porque é um tipo de arroz que se você colocar muita água ele não fica papa, fica muito bom, ovos pelo óbvio, porque ele permite muitas variedades, batata por causa das vitaminas e pela facilidade de preparar e carne moída e uma variedade de carne muito fácil de manejar... - parecia que ela estava falando de mecânica e não culinária.

Ela colocou todas essas coisas no meu carrinho, e depois pegou café instantâneo, caixa de leite, file de frango, queijo, salsicha? Molho shoyu? Meu Deus perdoe-a, ela não sabe o que faz.
-Acho que agora agente pode ir pra parte de limpeza?
-Mas e os biscoitos? As batas fritas congeladas? E os bolos prontos?
-Você sabe que esta parecendo uma criança de dois anos falando isso né?
-Eu imaginei que fazer compras em supermercado fosse outra coisa.
-E quantos anos você tinha quando fez a última? Oito? - ela levantou uma sobrancelha, eu estava sendo ridículo...
-Não precisa disso, tem uma empregada que limpa meu apartamento uma vez por semana... - eu disse enquanto ela pegava uma caixa azul.
-E com o que ela lava suas roupas?
-Ela não lava minhas roupas, a lavanderia lava.
-Você leva todas as suas roupas pra lavar em uma lavanderia? - ela parecia chocada.
-É, por quê?
-Você não disse que queria economizar pra trabalhar menos? Lavar as próprias roupas e um começo.
-Bella, eu não sirvo pra isso eu...
-Você não tem maquina?
-Tenho...
-Então e simples, elas saem quase secas, e você só manda passar...

Pegamos tudo o que ela disse que era necessário e estávamos esperando na fila. Nossa, aquilo era enorme, eu nunca tinha entrado ali e já tinha inaugurado a quanto tempo? Uns quatro anos eu acho, eu andava meio por fora.
-Você esta parecendo uma criança na Disney olhando as coisas assim... - ela disse sorrindo.
-Eu nunca entrei em um mercado tão grande, você acredita?
-Nunca? - ela parecia não estar acreditando.
-Eu não teria porque mentir sobre isso.
-Você não sai com garotas, não freqüenta baladas, sua vida se resume a que então?
-Até ontem, eu trabalhava todos os dias menos domingo, fazia academia durante a tarde, assistia um filme e só isso.
-E o que mudou desde ontem? - eu sabia o que ela queria arrancar de mim, nana-nina-não.
-Não foi bem ontem... Mês passado eu comecei na faculdade, estou tentando melhorar as coisas...
Ela ficou calada, pensei que o assunto havia se encerrado.
-Você não sente falta? Sabe... Sair, beijar na boca sem compromisso, tomar um porre com os amigos, eu sei lá...
Não deu pra eu responder por que chegou a nossa vez de passar as compras no caixa, 189,90. Wow, comida caseira é cara. Eu paguei tudo, enquanto íamos pro carro guardar as coisas eu respondi pra ela.
-Eu não tinha como sentir falta do que eu nunca conheci. Meus amigos foram todos morar fora do país, Emmett se casou cedo, minha vida social como sair com mulheres era minha profissão. Não tinha como ter uma namorada, por exemplo, não tinha tempo...

-Ainda não tem como você ter uma namorada - ela disse parando em frente ao porta malas do meu carro.
-E por que não? - eu disse enquanto abria a porta e começava a guardar as coisas...
-Eu não consigo imaginar uma garota que aceitaria seu trabalho numa boa - ela não estava me criticando... Estava só falando.
-Eu conheço muitas... - eu disse balançando os ombros, mas ela pelo visto não aceitaria.
-Sério? - ela estava chocada com o queixo caído - Garotas que namorariam você, mesmo transando com outras mulheres?
-Eu conheço muitas que dariam tudo por uma noite, quanto mais por tantas que uma namorada teria direito.
Ela não falou nada por um tempo, parecia estar pensando na possibilidade daquilo ser verdade.
-Você fala de você mesmo, como se fosse um premio pra elas - ela disse confusa... - você precisa treinar mais a modéstia, lembra?
-Não é falta de modéstia Bella - eu disse fechando a porta depois de colocar tudo - é só a constatação de uma realidade. Eu sou gostoso o que posso fazer?
Ela não respondeu, só deu uma risadinha balançando a cabeça, ela parecia não entender aquilo...
-Você não entende essa coisa de desejo porque ainda e muito nova.
-Entendo de fidelidade e amor próprio, e isso não existe em uma garota que aceita tais circunstâncias.
Eu dei um sorriso torto pra ela. E agora? Ela ia pra minha casa me ensinar a cozinhar?
-Você segue meu carro que eu vou te levar pra jantar - e quem disse isso foi ela, não eu.
-Você vai me levar pra jantar?

-É, mmm - ela já estava engolindo em seco, eu congelei minha expressão, queria ver quanto tempo aquele encantamento poderia durar.
Enquanto minha sobrancelha estava arqueada, ela estava calada, eu me aproximei dos lábios dela, os beijei uma vez e ela deu um passo pra trás. e eu dei um pra frente e beijei seus lábios novamente, mais demorado dessa vez, aproveitando pra escutar meu coração se acelerando. Eu coloquei as mãos na cintura dela que pareceu voltar a si se afastando e tirando minhas mãos de lá.
-Edward não - foi só um sussurro...
-Por que não?
Ela não respondeu, só se afastou e abriu a porta do carro, eu estava começando a sentir o gosto da frustração também, não era bom.
Eu não sabia se ela ainda queria jantar, mas eu segui ela mesmo assim. Ela parou na frente de um restaurante e estacionou e eu também, ela me esperou na porta, eu cheguei ao lado dela e ela não disse nada, não olhou pra mim, só entrou. Oh cara, para de fazer cagada.
Agente ficou numa mesa legal, dava pra ver a rua, tinha uma janela que deixava a mesa bem arejada, ela estava concentrada no cardápio
-Me desculpe - eu não queria que por isso ela me ignorasse o resto do tempo.
-Não se preocupe com isso. Eu sempre peço file com molho branco, se você quiser provar é maravilhoso.
-Tudo bem, pode ser. - eu não estava com fome, não mais.
Ela fez os pedidos e pediu um tipo especifico de vinho também.
-Taça ou garrafa?
-Duas taças, por favor.
Eu olhei pra ela, só uma taça?
-Não vem não mocinho, não vai encher a cara hoje também não... - eu dei risada da cara de "mamãe" dela, aquilo era uma piada, quer dizer que tinha me perdoado.
-Esse é um lugar legal... - eu disse olhando em volta.
-Eu gosto muito daqui.

E então ela tirou um caderno e uma caneta da bolsa e começou a escrever. A comida chegou. ela comia um pouco as vezes, fazia um comentário qualquer e voltava a escrever. Era só o que me faltava, eu estava sendo trocado por um caderno agora? Agente já tinha tomado o café e ela ainda escrevia, a conta chegou, ela pagou, e o caderno ficou. Aff, queria ver se ela faria isso pra aquele Jacob...
Ela guardou o caderno então e se levantou e eu acompanhei ela. Agora devia ser umas oito da noite ou algo assim. Eu fui com ela ate o carro dela e ela me entregou um monte de folhas que havia escrito. Meu deus, será que eram cartas de amor se declarando? Merda, essa não...
-Eu pensei em te dar um caderno de receitas, mas - ela me olhou de cima a baixo - você é homem, acho que não serviria. Então eu escrevi algumas receitas aqui. Eu tentei ser o mais clara possível e nenhuma delas corre risco de ficar ruim, só com ma aparência... - ela deu uma parada, esperando eu falar alguma coisa, então ela estava ate agora escrevendo receitas pra mim?

-Você podia ir jantar lá em casa amanha pra ver como eu me saio e pra apagar algum eventual incêndio.
-Mmm... É que... Não vai dar Edward... - ela parecia constrangida.
-Bella se for por causa... Eu não vou fazer... Eu respeito você... E eu nunca...
-Ei, calma - ela ergueu as mãos - eu não estou te acusando de estuprador, e só que meu pai ainda não encontrou uma substituta pra secretaria ainda e ela vai ter seis meses de licença agora, minha semana vai ser um pouco cheia então.
-Claro, agente pode marcar outro dia então.
-Claro - ela deu um sorriso educado.
-Bem, obrigada pela companhia nas compras e pelas receitas, você deve estar com dor nas mãos.
-Imagine foi um prazer te ajudar.
"Foi um prazer te ajudar", parecia uma máquina falando, eu merecia isso por ter dado um beijinho nela? Estávamos no meio de uma despedida eu percebi, eu odeio despedida. E eu não sabia quando ia ver ela de novo.
-Eu tenho que ir agora - ela se aproximou e me deu um beijo no rosto, eu olhei em seus olhos... Haviam lágrimas ali.
-Você esta chorando? - eu perguntei passando um dedo pelo rosto dela.
-Não, só pensando... - ela virou o rosto tentando se esconder.
-Eu já disse, você pensa demais... - eu tentei brincar, ela parecia triste de repente. Eu me aproximei dela e ela não recuou, eu passei minha mão por seus cabelos, estavam mais enrolados hoje.
-Você é especial pra mim... - eu não sei por que, mas tinha que dizer isso pra ela.
-Você também é pra mim... - uma lágrima escapou dos olhos dela...
-Não parece - eu disse sorrindo - você diz que vai ficar uma semana inteira longe de mim como se fosse uma hora...
-Isso é algo que eu não posso mudar. Às vezes e melhor aceitar o inaceitável do que lutar, nunca se sabe quais serão as conseqüências.
Ta, agora ela estava me deixando confuso... Como agente chegou num ponto tão profundo e filosófico?
-Eu não concordo, lutar e sempre a melhor escolha.
-Nem sempre - e uma última lágrima rolou e ela limpou-a, tentando se controlar... - me desculpe, e que eu... Estou com alguns problemas e eu estou descontando em você - ela pegou a chave do carro na bolsa - Tchau...
Ela não me deu tempo de responder. Enquanto eu fiquei em pé ali ela foi embora. Que garota estranha... Uma hora me dando receitas culinárias e na outra chorando.


Presentinho porquê? Poque esse capítulo é simplismente o dobro do primeiro, por exemplo, e eu postei dois dias seguidos. IAHSIUAS. foi porque eu estava em débito, tinha demorado pra postar. Bom meus amores eu tenho uns esclarecimentos pra fazer: eu ainda não descobri quantos capítulos a fic tem e outro é que a história contém detalhes riquíssimos que tornam a história incrível e são esses detalhes que vão fazer a diferença. a alice conseguiu fazer uma história com harmonia do começo ao fim, o que significa que cada capítulo é importante e muita coisa vai se esclarecer. Mas deixando isso pra lá, o que acharam desse capítulo? (eu fiquei com inveja da Melinda. Fala sério, Ed e Emmett? que egoísta.) BEEEEEEEEIJOSMIL pra vocês e pra alice, amo de verdade. dêem a opinião de vocês, é isso que dá vontade de continuar. Reviews pro próximo :*