Cap 8 – Cecília
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- É claro que você vai por inferno! – uma terceira voz apareceu vinda da porta.
Elle, que tinha os olhos entreabertos, os arregalou ao ver quem adentrara. Alicia tentou sacar a arma, mas estava paralisada, como pôde cometer tal descuido? Como pôde não trancar a porta do quarto?
E houve silencio por meros dez segundos, mas este curto pedaço de tempo pareceu se arrastar por uma eternidade. Um misto de decepção e repudio tomou conta do lugar. Alicia tentou abrir a boca diversas vezes, mas voltou a fechá-la por falta de palavras. Elle fez movimentos sutis para se levantar sem encarar o recém chegado, mas a crise estava forte e não permitiu que ela conseguisse se estabelecer.
Carlo ficou parado na porta todo o tempo mantendo sua expressão indecifrável. Havia repudio, decepção e frieza no seu olhar, mas algo dentro dele queria correr e ajudar a francesa. Esta não o olhava, nem queria olhar.
- O que houve aqui, Máscara? – indagou Shion, displicentemente.
Momentos antes de tudo acontecer Shion e Carlo estavam no corredor, prontos para acompanhar Athena durante o almoço, mas um barulho muito alto veio do quarto onde Elle estava e, preocupado e sob o protesto de Shion, o canceriano aproveitou a porta destrancada e adentrou para verificar o que se passava. Acabou pegando a conversa por inteira e não se conteve em responder com fúria a pergunta de Elle para a americana.
- Perdeu a língua, câncer? – havia irritação no tom de Shion.
Este ainda estava no meio do grande quarto e não se preocupava em chamar Carlo de "Máscara" ou "Câncer" já que não havia tomado conhecimento do que se passava no banheiro. Ficou parado até receber um olhar demoníaco de Carlo, era como se ele tivesse voltado a ser o velho Máscara da Morte de Câncer. O Grande Mestre recuou dois passos ao encontrar o olhar possuído.
- Você estava certo! – havia fúria naquela voz - Elas não prestam! São mulheres detestáveis! – Máscara abriu caminho para Shion ver com seus próprios olhos. Este se aproximou, mas quem visse a cena não pensaria nada extraordinário apesar do sangue.
Shion fitou Alicia, depois Elle, correu os olhos pelo banheiro e parou novamente em Alicia.
- O que aconteceu afinal? – indagou sem entender nada do que via.
- As duas foram mandadas para matar Athena! – a raiva de Carlo era tão grande que nem se importou em substituir o nome.
Elle se encolheu mais nos braços de Alicia que, por sua vez, se levantou com a comparsa nos braços para depois encarar Carlo e Shion com superioridade.
- Só não atirem nas nossas cabeças, por favor. – pediu tranqüilamente, como se já estivesse esperando aquele momento a muito – É preciso manter sempre a boa aparência e, além do mais, ser enterrada com a cabeça dilacerada seria péssimo. – ela riu do próprio comentário.
Shion não acreditou nas palavras de Alicia, ou melhor, Vanessa, mas o que deixou o mestre mais surpreso foi uma súbita vontade de tirá-la dali e discursar sobre o que é certo e o que é errado. Queria convencê-la de não fazer aquilo com todas as suas forças já que seu sorriso cínico não o incomodara desta vez.
Carlo, assim como Elle, permaneceu alheio. Só conseguia fitar, com desprezo, a moça nos braços da americana.
- Vanessa... – começou Shion.
- Alicia! – ela o cortou – Não me chame mais por esse nome de novela mexicana! Alicia é meu verdadeiro nome e, se puder me fazer esse grande favor, parta logo para a parte do tiro, sim? - já que o sarcasmo era a única arma da americana, ela o usaria até o fim.
Outra vez silencio. Os cavaleiros se entreolharam e por um momento Shion achou que Carlo fosse atacar, mas este foi o primeiro a dar as costas.
- Vamos embora... – falou sem encarar nenhum dos presentes – Saori está a nossa espera.
Alicia ficou perplexa ao presenciar aqueles dois homens saírem do aposento deixando-as vivas, mas, assim que a porta bateu, levou Elle até sua cama e a deitou.
- Todas no eu quarto... – chamou pelo comunicador, confusa.
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No corredor...
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Carlo e Shion, acompanhados por Athena, seguiam em silencio pelo corredor até que um sorriso cínico surge nos lábios de Máscara.
- Para alguém que a odiava, Shion, você pegou bem leve. – comentou sem olhá-lo – Seja lá o que aconteceu entre vocês no cassino, foi bem, digamos, envolvente.
E Carlo estava totalmente certo, tão certo que Shion não disse uma única palavra. Athena que seguia os mudados "seguranças", perguntou:
- Aconteceu algo, rapazes?
- Nossas suspeitas se concretizaram, senhorita... – falou Shion, pesaroso.
Depois dessa frase Saori observou-os melhor. Máscara parecia querer mandar para o inferno o primeiro engraçadinho que cruzasse seu caminho, já Shion tinha o semblante abatido.
- Não quero a senhorita perto delas. – impôs Máscara – Não vai sair sem pelo menos dois de nós. – parecia ter se esquecido que a deusa era ela.
- Entendi, mas...
- Aquela vagabunda me traiu! - exclamou Máscara sem pensar, num desabafo. E Shion e Saori agradeceram por estarem sozinhos no elevador.
- Você também me traiu, Carlo, e teve o meu perdão.
- Perdoar é algo divino, Athena, e a última coisa que eu sou é um deus... Isso eu lhe garanto.
- Todos merecem uma segunda chance, Máscara... Pense nisso.
Dito isso ele saiu em meio à confusão do restaurante a procura de uma mesa.
- Ele vai ficar melhor quando a raiva passar... – tentou confortar Shion.
- Assim Espero...
Após sentarem Kamus e Milo se juntaram e eles. Shura ainda dormia, mas mesmo sem o cavaleiro de capricórnio a conversa que viria a seguir seria preocupante...
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Quarto 1207...
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Alicia havia dado os remédios para Elle minutos antes de Lune chegar arrastando uma sonolenta e mal humorada Madson.
- Que quê ta pegando?! – reclamou ao entrar – A Elle ta apagada na cama e eu sou arrastada até aqui pelos cabelos!
- Pare de Gritar! – ironicamente Lune, que odiava gritarias, gritou ao bater a porta – Eles já descobriram tudo!
- Como disse? – indagou Mad, incrédula, de forma quase divertida.
- Que fomos descobertas!
- Mas eu nunca fui descoberta!
- Há uma primeira vez para tudo na vida. – Alicia, que estava sentada no leito onde Elle dormia, falou.
O silencio de Mad era descontraído, pois a latina achava que tudo aquilo era, no mínimo, uma brincadeira. Elas descobertas? Nunca! Jamais! Eram profissionais.
- Realmente essa foi muito boa, mas eu vou encontrar o espanhol mais tarde e...
Antes que a frase fosse detida pelos gritos furiosos de Lune que já estavam sendo formados na garganta, Carol adentrou, ainda vestida como recepcionista e acompanhada por Fred.
- O idiota me descobriu! – falou ao bater a porta.
O sorriso de Madson murchou instantaneamente.
- Quer dizer que era verdade...?
- Era verdade o que? – perguntou a italiana.
Carol não entendia nada e Fred menos ainda.
- Achei que ficariam surpresas pelo fato da Carol ter sido descoberta, – nesse ponto Fred ignorou o olhar mortal da assassina – mas acho que me enganei.
- Não foi apenas a Carol, Fred, todas nós fomos descobertas! – exclamou Lune já sem um pingo de paciência.
- Todas uma virgula! Ninguém me descobriu! Se eu for descoberta será por incompetência de vocês! – rebateu a latina.
- Perdeu a noção do perigo, Madson?! – Alicia levantou-se bruscamente do leito e entrou na discussão.
- Porque está tão irritada, Alicia, seria sua sorte que te abandonou? Ou o tibetano está envolvido nisso? – Madson, definitivamente, tinha perdido a noção do perigo.
Poucas eram as vezes que Alicia perdia a cabeça e esta foi uma delas. Num movimento rápido sacou seu revolver prateada de cano longo, não era uma arma discreta, muito pelo contrario. Era maior que os revolveres normais e certamente uma arma barulhenta de impacto. Fazia bem o estilo da americana.
- Saia detrás dela, Lune, se não será atingida também!
Mad engoliu seco. Sabia que Alicia só sacava seu revolver em casos extremos, mas Fred se pós na frente da latina e falou:
- Não seja burra! – começou num tom estranhamente imponente – Essa arma é barulhenta e extremamente poderosa. Matará dois de nós com um único disparo e fará um grande estardalhaço! – deixou a voz mais branda ao perceber que Alicia voltara o dedo do gatilho – Pelo que Carol me contou não tem como Milo acusá-la, e, sinceramente, ele só a descobriu por pura implicância. Ligou as peças de um jeito displicente e por sorte chegou na pessoa certa. Agora vamos nos acalmar e contar o que realmente aconteceu, sim?
O revolver foi novamente travado e colocado debaixo do travesseiro, enquanto Alicia novamente se sentava ao lado da imóvel Gabrielle. Carol e Mad se acomodaram no leito vazio. Fred se esparramou no confortável sofá, enquanto Lune permaneceu de pé encostada à porta do quarto.
- Agora o que aconteceu? – perguntou Fred, descontraído.
Alicia foi a primeira a falar, seguida de Lune e Carol. Gabrielle permaneceu desacordada durante todo a discussão, enquanto Madson, aparentemente mais calma, ouvia tudo atentamente.
- Não tem como ele juntar os fatos dessa forma, Carol. – insistiu Lune pela quarta vez – Ele jogou verde com você, no mínimo.
- Existe a possibilidade de algum deles já ter trabalhado para a máfia. – comentou Fred.
- Ninguém sai vivo da máfia. – lembrou Carol.
- Mas mesmo que essa hipótese seja verdade ainda é praticamente impossível ele adivinhar só pelo colar e o nome gravado nele, que, aliás, nem era o nome dela! – falou Mad, totalmente descrente – Ele teve muita sorte!
- E nós muito azar. – cortou Alicia.
- Quem mandou provocar os dois naquela noite. – falou Fred, irritado – Vocês não deveriam ter feito aquilo. Ele não descobriria se não soubesse que você tinha o colar.
- Já ouvimos isso trinta vezes! – exclamaram Mad e Carol.
- Pelo menos não há mais nada que nos empeça de agir. – ponderou Alicia.
- Vejamos o lado bom...! – Fred levantou bruscamente.
- Desiste bonitinho! - cortou Carol, ameaçadoramente – nem você consegue ver o lado!
- Falo sério! – ele se levantou e começou a caminhar sem rumo pelo grande quarto – Pelo que cada uma falou nenhum deles têm quaisquer evidencias para uma denuncia e nem vontade de matá-las, visto que deixaram Alicia e Elle vivas quando poderiam matá-las sem esforço já que estavam indefesas. Creio que se o deslize não chegar aos ouvidos de Alle estará tudo bem, e eu, claro, não pretendo contar.
- Isso nos limita a uma estratégia para agir hoje à noite, certo?
- Mas esta parte não é comigo, Caroline... - Fred voltou-se para a porta onde Lune ainda observava e ouvia tudo atentamente – Alguma sugestão, Brannes?
- Eu sempre tenho uma estratégia e, modéstia parte, está que acabei de bolar é muito boa...
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Restaurante, 1:00 da tarde...
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A conversa dos cavaleiros não foi muito diferente. Pararam exatamente num mesmo ponto, um plano, mas nem todos concordavam com isso.
- Um plano? – reprovou Milo – Somos cavaleiros de ouro! Nosso poder vai muito além da compreensão daquelas... Daquelas... – tentava achar uma palavra que as qualificasse adequadamente, mas muitas vinham a sua mente – Ah! Vocês Entenderam!
- Não sejam ridículos! – o recém chegado Shura deu força ao argumento do escorpião – elas jamais vão passar por nós!
- Primeiramente gostaria que você não gritasse que somos cavaleiros de ouro, Milo. – disse Kamus no seu habitual tom gélido, provocando uma careta no escorpião - Concordo com Carlo. Elas não devem ser subestimadas.
- Elas não podem nos vencer num combate! – insistiu Shura.
- Mas podem nos vencer em outras coisas! – cortou Máscara e Saori agradeceu por estarem quase sozinhos do restaurante.
Shion queria dizer algo, mas não conseguia colocar seus pensamentos em ordem desde que saíra do quarto da americana.
- Não me diga que também está louco pela assassina, Carlo? – perguntou Milo num tom carregado de ironia – Quem diria! O poderoso chefão do santuário, o homem de gelo, o psicopata e o hermano apaixonados! Haha!
- Teremos escorpião frito no jantar... – sibilou Máscara da Morte.
O canceriono se levantou bruscamente e sem pensar duas vezes acendeu seu cosmo. Athena saltou da cadeira e segurou um dos braços de Mascara, puxando-o de volta para a cadeira.
- Se acalme! Por favor! – suplicou a deusa que, mais uma vez, agradeceu por pouquíssimas pessoas estarem no recinto.
Milo, entre todos os presentes, parecia o mais chocado com a atitude o cavaleiro de câncer já que este não era mais agressivo como antes.
- Máscara eu não achei que... – o escorpião tentou concertar, sem sucesso, pois o canceriano se levantou e deixou o local a passos duros – eu peguei tão pesado assim? – indagou Milo aos demais.
- Não mais que o normal... – respondeu Shura que observava Carlo deixar o local.
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Recepção...
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Máscara, ainda querendo matar alguém, atravessava o local rumo à avenida principal na esperança de espairecer. Já estava no ultimo degrau da bela e movimentada fachada do hotel quando algo chamou sua atenção. Uma limusine parara frente ao tapete vermelho da entrada, e, do luxuoso carro, saiu uma figura imponente e estranha familiar para Carlo.
- Já vi esse sujeito antes... Mas onde?
Parou de caminhar e acompanhou com seus olhos azuis o sujeito alto, careca e de aparência bizarramente Albina. Sua mente tentou buscar alguma recordação esquecida, e, por alguns minutos, ficou parado, pensando.
- Por Athena... – murmurou ao se recordar daquele rosto – como ele ainda está vivo?!
Sim, ironicamente, a única pessoa que não poderia estar presente naquela noite acabara de chegar, Alle, chefe da máfia em Las Vegas.
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Horas depois...
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O restante daquele dia transcorreu da forma mais natural e cínica possível.
Kamus, escondido atrás de uma expressão inabalável, usou da mesma falsidade que Lune quando a encontrou no corredor do décimo segundo andar. A assassina estava com seu porte de sempre, trajava um tailleur azul escuro acompanhado de uma scrapin no mesmo tom. Desfilava sua beleza pelo corredor quando o aquariano entrou no seu campo de visão.
- Bom dia Capdeville. – cumprimentou polidamente.
- Dia, senhorita Crystal. – respondeu, devolvendo o tom polido.
Inicialmente permaneceram em silencio e caminharam juntos até o elevador. Este já se encontrava no andar e vazio. Ambos, calmamente, adentraram. Então Kamus quebrou o silencio:
- Planos para hoje à noite?
- Vou fazer hora extra. – respondeu num sorriso cínico – e você?
- Acho que vou sair com aquela servente ruiva.
O ciúme tomou conta de Lune que, por um momento, se arrependeu de não ter matado a oferecida. Ficou tão irritada que nem se deu conta de que o elevador já havia parado.
- Passar bem Mina. – desejou Kamus ao deixá-la para trás.
Gabrielle já em melhor estado era acompanhada por Alicia até o restaurante.
- Já disse que estou bem! – reclamou pela terceira vez em cinco minutos – não precisava ter vindo.
- Não pense que vim só por sua causa, Elle, também não queria ficar entediada naquele quarto. – falou o orgulho de Alicia.
- Você está estranha, sabia? – comentou a francesa com displicência.
- Impressão sua.
Elle tentou insistir no assunto, mas ao avistar as mesas do restaurante sua voz sumiu e sua pele, se é que era possível, ficou mais pálida.
- São eles...
- E o que isso tem de preocupante? A Kido e os seus "cavaleiros" não têm provas e...
- Não é a garota Ás. Olhe para a mesa ao lado. – instruiu Elle.
Alicia observou discretamente e empalideceu assim como a comparsa. Três rapazes bonitos estavam na mesa indicada por Gabrielle, mas a chegada de um quarto homem careca, de aparência Albina, dois metros de altura... Inconfundível.
- Cadê a minha sorte?! – murmurou Alicia, indignada – To precisando de um descarrego!
- E eu de um despacho... – falou Elle ao perceber que Carlo acabara de retornar ao local e já tinha notado sua presença – Bom... Pelo menos pior que isso não pode ficar.
Como se por castigo pela frase de Elle, Alle as vê e chama-as para se sentarem com ele.
- Vou ficar calada da próxima vez...
Respiraram fundo e caminharam até a mesa do mafioso, contudo ao passarem pela mesa onde os cavaleiros estavam um mal estar caiu sobre as duas mulheres. Carlo lançou um olhar para Elle tão perturbador que os olhos da francesa se encheram de lagrimas. Esta passou direto por Alle e correu para a cozinha. Alicia, com muito custo, ignorou o olhar de Shion e se sentou ao lado do mafioso e de seus capangas.
- Moon está bem? – indagou Alle sem nem cumprimentá-la.
- Está ótima. É que demoramos lá em cima e ela se atrasou.
- Espero que não estejam levantando suspeitas.
- Claro que não, mas se o senhor continuar puxando esse tipo de assunto aqui vão desconfiar e todo o nosso trabalho terá sido inútil. E a cabeça que vai roçar será a minha, não a sua.
- Ainda bem que você tem consciência disso. – Alle respondeu a altura da ousadia da subordinada. – Fiquei sabendo da sua brincadeira para trocar de quarto e espero que isso não se repita.
Fitaram-se com intensidade e ódio, mas Alicia logo se levantou.
- Nos veremos mais tarde, senhor.
Alle ignorou a despedida da americana, assim como esta ignorou os homens que o acompanhavam.
Na mesa próxima ao mafioso Carlo contava quem era o sujeito que acabara de conversar com Alicia.
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Quarto 1207, 2:37...
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Madson não ousava colocar os pés para fora do cômodo, esperava que as comparsas voltassem com noticias após a saída, mas nenhuma delas dera sinal nem pelo comunicador. A latina encontrava-se esparramada na cama ainda de camisola e com seus cachos castanhos despenteados. Pensava se Shura deduzira a verdade, o que era provável, mas a incerteza e a vergonha não permitiam que a morena se arriscasse a encontrara-lo pelo corredor.
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Prédio do Cassino, 2:41, Bar...
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- Tem alguma coisa conspirando contra nós! – exclamou Carol ao foliar a lista de hospedes – Não pode ser ele!
- Tenho certeza que é ele. Christopher é o nome falso que ele costuma usar e sei que ele deixou a sede pela amanhã e até agora não voltou.
- Tem certeza que essa lista é confiável?
- Puxei tudo do computador central antes de vir pra cá.
- Uhm... – reclamou a italiana – E pela hora do registro não estava no nosso turno mesmo.
Por alguns segundos o casal de amigos ficou em silencio. Carol observou todo o local e percebeu que, com exceção do barman, ela e Fred estavam sozinhos.
- Pelo visto agiremos sem falta está noite... – a assassina pensava alto – Queria mais tempo, mas trabalhar sob pressão não é tão ruim assim.
- Não quando se gosta de desafios.
- Amo desafios.
- Eu sei disso. - respondeu como se já esperasse essa resposta da parte da italiana.
Carol riu do amigo.
- Bom... Trabalhar sob pressão é uma coisa, mas despreparada é outra totalmente diferente. Vou falar com a Mad e começar a calibrar minhas armas.
- Não poder usar o comunicador regularmente é péssimo, mas realmente acho que eles podem pegar nosso sinal. – comentou Fred.
- Eu sei... Bom... Vou indo.
- Até.
Fred acenou para a amiga que se distanciava. Sentia que os problemas estavam só começando, mas não sabia que estava preste a conhecer uma pessoa que se tornaria essencial na sua vida, Cecília Alba. E, distraído como sempre, nem percebeu que a moça se aproximava.
De cabelos rosa berrante e olhos dourados, Cecília, era uma mulher por si só chamativa. Suas madeixas eram lisas e compridas, quase atingindo suas coxas. Seus olhos brilhavam de forma travessa e seu sorriso a rejuvenescia de tal forma que ninguém lhe daria seus 18 anos. A baixa estatura era disfarçada por uma par de sandálias altas e pretas que deixavam seu caminhar delgado ainda mais delicado e sensual. O conjunto composto por um tomara que caia preto e uma saia jeans escura bem simples realçavam tanto o corpo curvilíneo da moça quanto o busto avantajado. Os pulsos delicados estavam cheios de finas pulseiras de prata e o colo realçado por uma fina corrente do mesmo metal.
- Ola! – cumprimentou repentinamente.
Fred parou de pensar nos problemas e voltou a si. Fitou a criatura bela e morena que chamara sua atenção com curiosidade.
- Ola senhorita...
- Alba! Cecília Alba. – respondeu simpática.
- Ola senhorita Alba. Posso ajudá-la?
- Sim... É que eu cheguei hoje e acho que me perdi... – murmurou envergonhada.
- Eu também me perdia no começo, mas...
- Então você pode me mostrar o lugar! – ela o cortou e simplesmente o puxou da cadeira – Seu nome?
- Fre- Frederico... – o loiro estava corado e totalmente perdido na situação.
- Vou chamar de Fred, pode?
- Claro...
Simpática, espontânea, bonita e aparentemente muito educada. Ela, sem duvida, era perfeita para o tímido e sincero Fred.
O restante da tarde foi marcado pelas assassinas se preparando para o "serviço". Saori foi acompanhada sempre por dois de seus cavaleiros e Fred conduziu um tur pelo Royale.
- Você é um amor! – elogiou Cecília fazendo Fred corar pela milésima vez – Obrigada! Mas você não disse quase nada sobre você e eu acabei fazendo um monologo... – Fred, já corado, ficou literalmente escarlate. – deve ter sido chato...
- NÃO! – cortou ao ouvir o tom triste da moça - Foi uma tarde muito agradável e você é uma ótima companhia.
E de fato tinha sido.
- Então... Gostaria de me acompanhar mais tarde num drink?
- Claro! – Cecília aceitou na hora.
- Bom... Pode ser depois da reunião?
- Perfeito!
Cecília sorriu de forma encantadora e se afastou do rapaz, tomou o elevador e sumiu da vista do mesmo. Este permaneceu alguns segundos fitando o local onde a mulher de cabelos cor de rosa havia sumido.
- Realmente é uma moça muito diferente, mas é bem bonita. – falou Madson que observava o casal há alguns minutos. – Não imaginei que ficaria assim.
- Como assim? – indagou Fred. – já a conhecia?
- Eu matei a mãe dela, Layla Alba, há alguns anos. Foi um dos meus primeiros serviços.
- Lembra o motivo? – Fred parecia chocado com a descoberta.
- Não. Não costumo perguntar. Recebi o envelope pardo com a foto dela, fui até Roma e matei a mulher. Mas não deveria ser uma mulher qualquer já que me pagaram muito bem pelo serviço.
- Ela não tocou no assunto comigo...
- Ela é de uma família muito rica Fred, não queimaria o filme da família assim.
- Entendo, mas já se preparou? – mudou o rumo da conversa de forma brusca.
- Passei a noite em claro e eu e Lune acabamos arrumando tudo durante a madrugada. – Mad parou de falar, mas continuou quando percebeu que Fred não falaria – É melhor tomar conta dela esta noite.
- Ahm? – Fred a fitou sem entender.
- Vamos agir discretamente, mas vamos agir. Se alguma coisa sair errada não é bom que ela fique sozinha, ainda mais com Alle por ai.
- Já está sabendo é?
- Carol me contou. Notícia ruim vem a cavalo.
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Quarto 1207, 7:38 da noite...
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Todas as matadoras estavam reunidas no mais profundo silencio.
Madson, sentada no sofá, trajava a mesma roupa de algumas noites atrás quando espionou, com a ajuda de Carol, a primeira reunião. Tinha uma expressão dura no rosto e fitava sua máscara com desprezo.
Caroline terminava de arrumar seu cabelo frente ao espelho. Trajava um simples longo roxo de alças finas e calçava sandálias prateadas. Abandonara sua roupa de assassina para executar o plano de Lune.
Alicia observava a noite pouco estrelada e de lua quase ausente. A americana terminou de subir o longo zíper do macacão vinho e comprido que usava. Sua gola era alta, mas ela o fechou até a altura do colo. Calçou seu par de botas pretas de salto médio e colocou suas luvas, também pretas, até os cotovelos. O cinto negro já estava justo no quadril com seu revolver de grosso calibre preso atrás e suas cartas afiadas à direita. Por último contemplou a máscara branca com o símbolo de ouros em vinho gravado na bochecha direita.
Lune, sentada numa das camas, parecia mais concentrada e quieta que o normal. Seu traje azul marinho era composto de um corpete longo, quase até os quadris, e uma saia preta curta e justa ao corpo. Nos pés um coturno negro até um pouco abaixo dos joelhos. Na coxa direita uma arma visível e no coturno esquerdo frascos de venenos. Passo a mão pelos cabelos e colocou a máscara prateada com tribais azuis no rosto, ocultando-o por completo. Por último pegou uma maleta preta que se encontrava debaixo da cama e se juntou a Alicia que ainda observava o céu.
Gabrielle saiu do banheiro com um sorriso maligno nos lábios, estava visivelmente drogada, mas naquela noite dispensou a heroína e tomou três comprimidos de ecstasy. Sua aparência e seu traje a deixavam incrivelmente medonha. Usava galochas pretas, como as de um açougueiro, calça negra e avental no mesmo tom. Blusa escura e simples de manga curta e o enorme cutelo que ela pegara da cozinha estava num dos bolsos do avental. A arma fora personalizada com os quatro símbolos do carteado e o escrito "The Queen". A máscara em mãos era inteiramente negra e suas feições macabras. Ela lembrava sem tirar nem por um assassino em série ou, no minino, um estripador.
- Sete e quarenta. – falou Lune – Vamos sincronizar os relógios e repassar o plano de ação.
- Já falamos sobre ele mil vezes! – cortou Carol.
- Então mais uma não vai matar ninguém. – a tcheca se levantou – As oito em ponto eu e Mad vamos tomar a sala de monitoramento o mais rápido possível com a ajuda do gás sonífero. - a latina assentiu – Alicia e Gabrielle vão espreitar a saída da reunião e esperar até que Caroline separe o grupo e dê o sinal. A partir daí é só matá-los. Quando a missão for concluída sairemos do hotel imediatamente nos fazendo passar por nossas identidades falsas, nos reuniremos na garagem onde o carro de Alicia está para receberemos o pagamento e nos dispersaremos, alguma duvida?
- Não sargento... – sussurrou Madson de forma inaudível.
- Ah! E se mudarem alguma coisa no plano, o que eu espero que não façam, repassem a situação pelo menos três vezes em suas mentes.
- Isso é uma indireta pra mim? – Alicia falou e sorriu de canto.
- Isso é uma direta. Sei que você adora improvisar.
- É um talento natural.
Assim que Alicia terminou de falar a voz de Fred soou nos comunicadores.
- Boa sorte.
- Ela sempre está comigo. – respondeu Alicia.
- Não preciso disso. – cortou Caroline.
- Obrigada. – respondeu Lune.
- Igualmente. – desejou Mad e Fred entendeu que se tratava de Cecília.
---XxX---
Voltando de viagem!
Nhá! Que saudade disso aqui! Escrevi esse cap no papel e bati no avião enquanto voltava (voou longo é tedioso xD). Espero que esteja legal. O próximo cap é o ultimo que se passa no Hotel, depois será no hospital e um cap dedicado a cada assassina. Sim, terá hentai. E me arrisco a dizer que está fic está caminhando para o final.
Bom... Para aquelas que esperam a terceira fase de "Revanche contra Athena" terão de esperar muito pouco agora, pois será postado em breve, muito breve.
Até mais!
