Capítulo IX


10 de Junho de 1940

Na segunda-feira Lucy não precisou do seu despertador para acordar, bastou a intensa movimentação de Lily pela casa. Espiou ainda com os olhos semicerrados seu relógio de cabeceira.

Sete horas.

Respirou fundo tomando coragem e levantou rápido da cama. Calçou suas pantufas e vestiu o penhoar por cima da camisola.

- Lucy bom dia, que bom que você já acordou! – Lily falou de uma vez.

- Bom dia. – Lucy respondeu ainda meio atordoada pelo sono.

- Você vem comigo até a casa do Bob.

- Ele deu notícias?

- Ainda não. Nós vamos lá saber o que aconteceu.

- Tem café?

- Sim, na cozinha, mas se apresse. – Respondeu a ruiva fazendo um gesto de urgência.

Lucy concordou, mas andou vagarosamente até a cozinha. Lily continuou apressando a amiga e Lucy teve tempo apenas de tomar alguns goles de café, vestir sua roupa e sair do apartamento com algumas bolachas na boca enquanto prendia o cabelo.

- Se você está me achando gorda é só falar, não precisa me tirar de casa sem o café da manhã todos os dias.

Lily nem respondeu. Estava concentrada no trânsito e mesmo assim Lucy percebia que a mente da amiga estava bem longe dali.

Em poucos minutos tinham cruzado a cidade e estacionaram em frente à casa de Bob. Uma casa muito grande, na opinião de Lucy, para quem morava sozinho. Na frente havia um jardim muito bem cuidado, árvores grandes no quintal e no caminho até a porta, várias mini-roseiras.

Lily foi à frente, abriu o portão que estava só encostado e bateu na porta várias vezes.

- Tenta abrir a porta. – Lucy sugeriu.

A ruiva obedeceu, mas parou de súbito quando girou a maçaneta.

- O que foi?

- A porta está destrancada.

- Então é só empurrar para frente. – Lucy falou como se a amiga tivesse com algum bloqueio mental.

- Eu sei, mas... Acho que não tenho coragem.

Lucy girou os olhos e tirou a mão de Lily da maçaneta.

- Deixa que eu faço isso.

Lucy empurrou a porta sem se importar com o barulho que estava fazendo e entrou de maneira impetuosa na sala. Tudo estava em silêncio e na mais completa ordem.

Fez sinal para Lily entrar e examinou cuidadosamente a sala em que estavam. Não parecia ter ninguém em canto algum.

Passou pelo corredor e abriu a primeira porta, a do quarto, tudo em ordem também. Estava abrindo outra porta quando ouviu um grito agudo atrás de si.

Lily estava estancada no final do corredor e Lucy correu até a amiga.

- Lis o que...

Lily apenas apontou para o corpo inerte de Bob debruçado na mesa da cozinha.

- Ai meu Deus. – A loirinha sussurrou.

Lily sentiu suas pernas cambalearem e Lucy foi rápida em puxar uma cadeira para a amiga. Correu até a geladeira e serviu um pouco de água.

- Será que faz tempo? – A ruiva perguntou depois de tomar toda a água.

- Lily... Eu tenho pavor de crimes... – Lucy mordeu o canto dos lábios. – Não quero ficar aqui.

- Me ajuda, por favor? Eu estou muito nervosa.

Lucy respirou fundo tomando coragem, se aproximou e tocou no pulso de Bob.

- Deve ter sido há muitas horas, Lis. Ele está muito gelado e... – Lucy apertou os olhos. – Roxo.

- Por quê? Porque alguém faria isso com ele? Meu Deus, que coisa terrível!

Lucy concordou e olhou à sua volta. A cozinha estava impecavelmente limpa. Apenas uma caixa de bombons aberta em cima da mesa. Lucy se agachou ao lado da cadeira em que ele estava sentado.

- O que você está fazendo? Não pode mexer em nada até que a perícia chegue!

- Eu sei, por isso estou sempre usando luvas. Você não acreditou naquela história estapafúrdia que eu inventei para a Bellatrix, não é?

- Lucy!

A loirinha continuou a ignorar os protestos da amiga. Remexeu os bolsos do casaco e da calça que Bob estava usando, mas não encontrou nada. Estava levantando do chão quando percebeu alguma coisa guardada na meia dele.

Agachou novamente e abaixou a meia.

- Eu sabia! – Ela sorriu triunfante enquanto estendia um pedaço de papel para Lily.

- Não acredito...

- Foi isso que o matou. – Lucy falou indignada. - Como ele pôde ser tão descuidado? Ter uma prova em mãos e pronunciar as palavras Jean Pierrô por telefone num local público?

- Você falou... Você garantiu que Pierrô nunca matou ninguém. – Lily falou com a voz falha.

- Mas eu não estou dizendo que foi ele que matou, estou dizendo que ele pode ter sido a causa da morte, se quem o contratou ouviu a conversa do Bob com você, por exemplo. É melhor ligarmos para a polícia, não é?

Lily concordou e deixou Lucy sozinha na cozinha enquanto ia telefonar.

Voltou alguns minutos depois desabando novamente em sua cadeira.

- Vamos ter que ficar aqui, como fomos nós que encontramos o corpo... Você sabe...

- Lily, por nada desse mundo você comenta que eu mexi no corpo. E para todos os efeitos essa mensagem – Lucy balançou o pedaço de papel nas mãos e guardou na bolsa. – nunca existiu.

A ruiva sinalizou que sim sem conseguir tirar os olhos das costas de Bob.

- É a única prova concreta que nós temos de que o assassinato de Sir Riddle, ou pelo menos a festa dele, tinha ligação direta com os roubos.

- Aquela festa foi mesmo um ótimo argumento para desviar as atenções gerais...

- Ele só não esperava morrer num dia tão importante... Sabe de uma coisa, eu queria muito que o assassino não fosse tão desesperado. – Confessou Lily - Para quê dez facadas?

- É verdade... Quem sabe não foi nem desespero, mas ódio. Acho que alguém não gostava mesmo de Sir Riddle.

- Eu seria capaz de incluir metade da população da Inglaterra nessa lista, sem problema algum!


Lily e Lucy só foram liberadas pelos policiais próximo da hora do almoço. Lily ligou para a Scotland Yard e garantiu com Snape exclusividade para investigar a morte de Bob. Já os casos que ele investigava foram passados para outro detetive da agência, mas Snape autorizou Lily a acompanhar os progressos e fazer suas próprias averiguações se quisesse.

Devido ao horário, Lucy decidiu acompanhar Lily até a Mansão Riddle para conversar com Bellatrix Black e deixar para visitar o hospital só à tarde.

Bellatrix se mostrou surpresa com a revelação de Lily sobre um novo testamento. Alegou não ter conhecimento de nenhum documento novo e afirmou que provavelmente Tom Riddle teria deixado no cofre ou no banco.

- E agora? – Perguntou Lucy quando saiam da Mansão Riddle.

- Preciso falar com Susan Potter, ela provavelmente sabe a senha do cofre da Mansão, se é que não foi alterada nesses anos... À tarde vou visitar também o banco em que Sir Riddle tinha conta.

- Então nós vamos almoçar agora? Sabe, eu estou a manhã toda só com aqueles biscoitos...

Lily sorriu pela primeira vez naquela manhã e concordou com Lucy que elas podiam almoçar.

Foi uma refeição silenciosa e depois do almoço a ruiva deixou Lucy no hospital para conversar com Dumbledore e seguiu para a Mansão Potter.

Precisava falar com Susan, tentar entender o mistério da morte de Sir Riddle, mas, por mais que se esforçasse, não conseguia se concentrar em outra coisa que não fosse Bob. Seus pensamentos vagavam, vagavam, e continuavam a lhe mostrar a cena dele debruçado sobre aquela mesa.

Balançou a cabeça com força tentando esquecer, por um momento que fosse, aquelas lembranças.

Estacionou o carro em frente à Mansão Potter. Uma construção tão imponente quanto à Mansão Riddle. Mas ao contrário da antiga casa de Susan Potter, essa tinha uma fachada alegre e convidativa, e era toda cercada de flores.

Lily encarou demoradamente o espelho do carro e passou as mãos no rosto para enxugar algumas lágrimas. Ajeitou o cabelo que estava lhe caindo nos olhos e desceu do carro com a bolsa nas mãos.

Uma senhora de idade e bastante simpática lhe abriu a porta.

- Boa tarde. – Lily cumprimentou com um aperto de mão. – Meu nome é Lily Evans, sou a detetive encarregada de investigar a morte de Sir Tomas Riddle. Será que eu poderia conversar um pouco com madame Potter?

- Claro, vou chamá-la. Aguarde só um momento.

Judith acomodou Lily na saleta de espera e sumiu por uma porta lateral.

Lily se aproximou da parede oposta onde um imenso quadro de pintura a óleo retratava os três membros da família Potter.

- É um quadro muito bonito, não? - Comentou Judith ao voltar.

- Magnífico... - A ruiva sorriu de leve para a governanta.

- Ela vai recebê-la no escritório do senhor Potter. Venha comigo, por favor.

Lily seguiu a Judith em silêncio. Esta a levou a um escritório decorado com muito bom gosto com enormes prateleiras de livros, móveis de madeira escura e um lindo tapete turco cobrindo o piso. No centro do aposento havia dois sofás brancos, Susan Potter estava sentada em um deles.

- Boa tarde detetive Evans. – Susan cumprimentou sorridente levantando para apertar a mão de Lily.

- Boa tarde. Perdoe-me por aparecer assim, sem avisar...

- Oh não... – Ela fez um gesto displicente e sentou novamente. – Gwen já tinha me avisado que você viria. Ela esteve aqui no sábado procurando meu filho. Foi quase inevitável não conversarmos um pouco sobre o terrível assassinato do meu irmão.

Lily sorriu compreensiva e sentou de frente para Susan.

- Gostava do seu irmão madame Potter?

- Susan, por favor. – Ela sorriu e ficou um tempo em silêncio. – Para falar a verdade, eu gostava sim. Quando éramos crianças, ele era um bom irmão. Lembro que até brincávamos juntos... Mas com a morte da nossa mãe, papai começou a manifestar uma preferência absurda por mim.

- Foi aí que o relacionamento de vocês mudou?

- Sim. Acho que foi... Ele começou a se distanciar, me ignorar... As brigas com meu pai eram diárias. Tom parecia ter medo que papai escolhesse a mim para substituí-lo nos negócios da família. Chegou a um ponto que o convívio era insuportável. Quando eu comecei a namorar o Charles, Tom parou de me ignorar e passou a implicar diariamente comigo.

- Ele saiu de casa por um tempo não saiu?

- Sim, ficou fora cerca de um mês ou dois... Voltou depois que papai morreu.

- Posso perguntar como seu pai morreu?

Lily notou que Susan ficara repentinamente triste. Franzia o cenho como se tivesse poucas lembranças do acontecido e ainda assim quisesse esquecer o pouco que ainda restasse em suas memórias.

- Foi na época que Tom não estava morando conosco. Mas ainda trabalhava na fábrica. Um dia aconteceu algum problema sério por lá e papai mandou que chamassem Tom para ir a nossa casa urgente. Ele e meu irmão tiveram uma discussão feia. A pior de todas. Lá do meu quarto eu escutava os gritos e o barulho de coisas quebrando no escritório. Ouvi os passos na escada e abri uma fresta da porta do meu quarto. Vi meu pai subindo completamente vermelho e trêmulo de nervoso. Tom subiu logo atrás e entrou no quarto do meu pai quase junto com ele.

Ela fez uma pausa significativa.

- Eles pareciam estar se acertando porque não deram mais nenhum grito. Mas alguns minutos depois eu ouvi fortes batidas na porta do meu quarto e quando abri, Tom estava completamente transtornado, falava e gesticulava rápido e eu não conseguia entender uma só palavra. Só podia perceber que alguma coisa tinha acontecido com meu pai. Alguma coisa séria...

- Não precisa entrar em detalhes. – Lily falou solidária à dor de Susan, já que ela mesma ainda estava atordoada com a morte de Bob.

- Obrigada, mas acho que você precisa saber. – Ela forçou um sorriso para Lily e falou de forma resumida. – Quando cheguei ao quarto do meu pai ele estava debruçado sobre a cama. Teve um ataque cardíaco fulminante.

- Que coisa terrível!

- E é mesmo... Nem meu irmão com toda aquela indiferença e egoísmo dele conseguiu disfarçar o quão horrorizado ele estava.

As duas ficaram se encarando algum tempo em silêncio. Silêncio esse que foi quebrado com a entrada de Judith na biblioteca.

- Aceitam um chá?

Susan piscou os olhos e se animou repentinamente, deixando de lado as lembranças tristes que acabava de relatar.

- Detetive Evans, você vai provar agora o melhor chá de toda a Inglaterra!


- Sua mãe está ocupada James. – Falou Judith fechando a porta do escritório atrás de si.

- Com quem?

- A detetive que está investigando a morte de Tom Riddle.

- Lily Evans está aqui?

- Sim, no escritório do seu pai. Mas não ouse entrar lá ou sua mãe corta meu pescoço.

- Ah Judith, eu te amo sabia? – James deu um beijo no rosto da governanta e correu para o escritório antes que ela pudesse tentar impedi-lo.

Bateu duas vezes na porta e entrou sorrindo.

- Olá mãe, preciso de... – Ele parou parecendo deslumbrado. – Lily! Que surpresa mais agradável!

- Vocês já se conhecem? – Perguntou Susan estranhando.

- Até banho de suco de abóbora ela já me deu.

- Goiaba. O suco era de goiaba...

- Argh, é ruim do mesmo jeito.

Lily estreitou os olhos fazendo-o sorrir abertamente.

- Bem detetive Evans, você precisava interrogar o meu filho que esteve na festa, não precisava? Aqui está ele. Importa-se se nós continuarmos nossa conversa em outra ocasião, tenho um compromisso importante...

- Claro. Por enquanto já está ótimo, conseguimos esclarecer pontos muito importantes da vida de Sir Riddle.

Susan se despediu de Lily e deu um beijo no filho antes de sair.

- Sua mãe é uma mulher encantadora.

- Não tanto quanto o filho, mas... Ela se esforça.

- Vamos acabar logo com isso, eu pergunto, você responde e eu vou embora.

- Para que tanta pressa? Quer beber um chá?

- Não obrigada, acabei de beber.

- Água, suco, café...

- Não, obrigada. Potter, segundo me consta, você encontrou Gwen na festa um pouco antes da meia-noite. Depois disso...

Ele respirou fundo, completamente entediado.

- Sirius foi conversar comigo e nós fomos dar uma volta.

- Dar um volta onde?

- Pela casa! Onde mais?

- Em que lugares da casa?

- Ah não sei... Fomos conversando e andando, nem prestamos atenção. Acho que fomos ao jardim de inverno, à cozinha...

- Vocês não foram à cozinha. Eu quero saber especificamente em que lugares da casa vocês estiveram Potter.

- Sabe, eu posso te contar uma porção de mentiras. – Ele falou marotamente.

Lily abriu um sorriso sarcástico.

- Você não pode me enganar! Minta, mas eu descobrirei de qualquer jeito.

- Uh! Está bem, não precisa ficar nervosa. Sabe, na verdade eu não tenho muita certeza dos lugares que nós passamos. Como você pôde ver, até pensava que tinha passado pela cozinha...

- Será que você pode levar esse interrogatório a sério senhor Potter?

Ele riu e se inclinou para frente, apoiando os braços sobre o sofá.

- Acho que esse seu trabalho te deixa muito estressada. Você não quer dar uma volta comigo? Talvez lá fora, na sua companhia, eu consiga me lembrar de mais algum detalhe.

Lily olhava para ele boquiaberta.

- Desisto. Você é muito cara-de-pau! – Lily guardou sua agenda dentro da bolsa e colocou um cartão sobre a mesinha de centro. – Se você se lembrar de alguma coisa, me ligue nesse número. Mas se você ligar por qualquer motivo que não seja me esclarecer onde esteve na noite do crime, eu posso te fazer a vítima da minha próxima investigação.

James arregalou os olhos e Lily saiu do escritório com um sorriso satisfeito.

- Oh ruivinha difícil...


Depois de sair da Mansão Potter, Lily passou no hospital para buscar Lucy, mas não a encontrou na sala de Dumbledore. Decidiu subir até o quarto andar para visitar Remus.

Olhou pela janela e viu a amiga e Dumbledore lá dentro. Bateu de leve na porta e o diretor foi até ela sorridente.

- Boa tarde Lily, que bom vê-la por aqui.

A ruiva deu um abraço no diretor e sorriu amavelmente.

- Vejo que já conheceu minha amiga Lucy.

- Sim, sim. Uma enfermeira bastante competente e muito simpática. – Falou ele com um sorriso bondoso e Lily se perguntou se ele tinha conhecimento do dom de Lucy em matar vítimas hospitalizadas sob seus cuidados...

- Posso entrar para ver o Remus também? – Perguntou balançando a cabeça para afastar os pensamentos sobre a falsa profissão da amiga.

- Oh. Agora não, me perdoe. Sua amiga acaba de pedir para ficar sozinha com ele. Podemos ir até a minha sala? Preciso conversar com você.

- Claro. – Respondeu Lily um pouco surpresa com a negativa do diretor.

Lily arriscou um olhar rápido para dentro do quarto, mas não conseguiu ver nada além de Lucy de costas.

Quando chegaram à sala de Dumbledore, Lily se ajeitou confortavelmente em uma poltrona próxima à janela e esperou Dumbledore lhe alcançar uma xícara de chá antes de perguntar:

- Dumbledore, desculpe minha indiscrição, mas... O Remus, ele acordou?

- Não. Ainda não. O que te faz pensar...

- Bem, a Lucy ficou lá no quarto, então eu achei...

- Ah, sua amiga é uma enfermeira renomada! Vi as credenciais dela... Não vi mal algum atender o pedido dela e deixá-la sozinha para fazer uma análise do quadro dele..

- Hum... – Lily abriu um sorriso. – Mas então o senhor queria conversar comigo?

Dumbledore fitou Lily em silêncio por um tempo.

- Sim, sim. Lucy comentou comigo que você pretende indicar dois policiais para fazerem guarda no quarto do Remus.

- Comentou? – Lily perguntou surpresa. – Sim, realmente eu pretendo, mas... Apenas discutimos o assunto durante o almoço no sábado e eu ainda não tive tempo de resolver isso...

- Oh, não se preocupe. Só gostaria de saber dos riscos que o meu paciente está correndo caso acorde.

A ruiva explicou para Dumbledore a teoria de Lucy sobre o atentado e disse que traria pessoalmente dois policiais para fazerem a guarda do ex-inspetor chefe da Yard.

Dumbledore concordou que, nesses termos, o melhor era mesmo colocar alguém de guarda no quarto de Remus.

- Doutor Dumbledore já terminei e... Lis? – Lucy parou à porta da sala de Dumbledore.

- Oi Lu.

- Desculpem-me. Interrompo alguma coisa?

- Claro que não. – Dumbledore sorriu gentilmente. – Teve algum resultado?

Lucy olhou de Dumbledore para Lily e depois encarou novamente o diretor.

- Nada que o senhor não saiba. – Ela falou sorrindo.

- Uma pena. – Dumbledore deu de ombros.

- Mas eu posso voltar aqui nos próximos dias?

- Claro que sim, esteja à vontade.

Lucy sorriu e sentou no braço da poltrona de Lily.

- Nós já vamos? – Perguntou enquanto mexia no cabelo da amiga.

- Sim, vim te buscar. – E virando-se para Dumbledore, completou – Soube que Bob foi assassinado?

- Bob... – Dumbledore perguntou forçando a memória.

- Aquele meu amigo que levou um tiro há um mês... Da Yard...

- Ah! Sim, lembro bem dele. Foi assassinado você disse?

- Poucas evidências... A perícia vai esclarecer a causa da morte, mas havia uma caixa de bombons em cima da mesa, provavelmente ele comeu um bombom envenenado.

- Que coisa mais triste! Essa profissão de vocês é muito perigosa!

- É o que eu vivo dizendo a Lis, seja uma enfermeira! – Comentou Lucy sorridente.

Lily encarou a amiga e franziu o cenho, mas Lucy continuou sorrindo.

- O que foi Lis? É mesmo uma profissão perigosa. Você nunca tem certeza se vai chegar em casa no final do dia. É muito mais perigoso do que a enfermagem que eu exerço.

Lily levantou sorrindo, entendendo perfeitamente que Lucy não tinha contado a verdade para Dumbledore.

- Bem, nós já vamos Dumbledore, venho ver o Remus no próximo sábado.

- Venha mesmo. – Dumbledore abraçou Lily e depois Lucy. – E você, vai voltar amanhã?

- Com certeza.


- O que vamos fazer agora? – Perguntou Lucy quando saiam do Hospital.

- Nós vamos para casa. Não tenho cabeça para interrogar mais ninguém hoje.

- E como foi com Susan Potter?

- Ela é mesmo muito amável.

Lily entrou no carro e passou a contar para Lucy toda a história narrada por Susan naquela tarde. A loirinha ouvia atentamente e interrompia vez ou outra para fazer alguma pergunta.

- Acho que Tom Riddle matou o pai dele. – Lucy falou de repente depois de um tempo em silêncio.

- Isso também me passou pela cabeça... Muito conveniente, não?

- Extremamente! Talvez Thomas Riddle pretendesse deserdar Tom, ou sabe-se lá o que...

- Thomas chamou o filho naquele dia porque tinha acabado de descobrir um rombo astronômico nas finanças... Tom era o responsável pelas contas, mas não assumiu o erro. Só precisava tomar a precaução de que o pai não falasse com mais ninguém, e não tivesse tempo de demiti-lo ou mudar o testamento.

- E o velho teve um fulminante ataque do coração...

- Várias drogas podem fazer isso instantaneamente. – Falou Lily entrando com o carro na garagem do prédio em que morava.

- Pena que já faça tantos anos que ele morreu, senão poderíamos investigar essa morte também...

Lily sorriu e acenou que sim.

- Imagine só... Nós duas descobrindo que Tom Riddle matou o próprio pai?

- Teríamos que condenar um morto... – Lucy desceu do carro sorrindo. – Seria interessante.

- Seria horrendo, isso sim. - Falou Lily trancando a porta do carro. - É melhor investigarmos apenas a morte do crápula, já está de bom tamanho.


Assim que soube o que acontecera com Bob, Gwenda correu para a casa de Lily.

- Lily, que tragédia! – Falou ela de imediato assim que a ruiva abriu a porta.

Lily abraçou a amiga e deu um suspiro cansado.

- Foi muito inesperado. Até sábado estávamos todos no teatro e no restaurante rindo e conversando banalidades... E hoje...

- Eu sinto muito, Lis. Sei o quanto vocês eram amigos. Eu o conhecia tão pouco e, ainda assim, fiquei chocada.

- Você não imagina o choque que eu tive quando cheguei lá...

Lily encaminhou Gwenda para a sala, onde Lucy fazia palavras cruzadas.

- Oh Gwen! Quer me ajudar?

A morena balançou a cabeça negativamente.

- Não gosto muito disso.

- E isso tudo? – Perguntou Lily apontando para uma porção de envelopes que Gwenda carregava.

- Ah, é a correspondência de vocês, estava lá embaixo, resolvi trazer. E esse envelope aqui, - Gwenda estendeu um envelope maior para Lucy. – são suas ampliações. Fabian mandou te pedir desculpas pela demora, mas ele estava sem tempo.

- Tudo bem.

Lucy sorriu e abriu o envelope. Encarou demoradamente a foto ampliada no detalhe em que ela havia pedido.

- Porque um homem como Tom Riddle teria um ursinho de pelúcia no quarto? – Lucy levantou os olhos da foto e encarou Gwenda completamente pasma.

- Algum trauma de infância... O homem Tom Riddle vivendo o que a criança Tom Riddle não pôde viver? – Gwenda riu, divertindo-se com a própria idéia.

- Aí tem coisa. – Lucy balançou a cabeça e guardou as fotos de volta no envelope.

Lily analisava o restante das correspondências.

- Contas, convites para festas chatas... Essa aqui também é para você, Lu. – Lily estendeu um envelope pesado para a loirinha e largou o restante de suas correspondências na mesinha de centro. – Interroguei o seu amigo James Potter hoje. – Falou para Gwenda.

- Como ele se saiu?

- Muito mal. Recusou-se a responder minhas perguntas, não descreveu nada de concreto que tivesse feito naquela noite e ainda por cima me convidou para sair.

Gwenda deu uma gargalhada.

- Típico do James mesmo...

- Finalmente! – Lucy interrompeu a conversa das amigas. – Olha o que chegou para mim! – A loirinha balançou um papelzinho nas mãos.

- O que é isso? – Perguntou Lily.

Lucy colocou duas pequenas pastas de lado e leu em voz alta o bilhete que tinha em mãos.

Estimada Lucy,

Espero que esses relatórios sejam de alguma ajuda para você, sei que é pouco, mas foi tudo o que conseguimos apurar em apenas dois dias. Se não fosse sempre tão apressada...

De qualquer forma, te mando um relatório mais completo na sexta-feira. E não pense que esses dias trabalhados serão descontados das suas férias... Precisaremos de você na Lituânia.

Atenciosamente,

Alastor Moody.

- Sempre tão prestativo o meu chefinho... – Lucy comentou sorrindo enquanto abria a primeira pasta. – Bellatrix Black. Vamos ver... Que interessante! Ela já trabalhou para a Yard. E foi afastada, acusada de deixar vazar informações importantes, mas nada foi provado. – Lucy levantou os olhos para Lily. – Contratada dez dias depois por Sir Riddle.

- Muito interessante. – Comentou Lily. – Você sabia disso Gwen?

- Não, Bellatrix trabalhava para Tom Riddle há muitos anos, essa expulsão da Yard deve ter acontecido quando eu ainda era criança...

- Já sobre Dorcas Meadowes... – Lucy murmurou.

Achei estranho esse seu pedido para cruzar as informações das digitais de Dorcas Meadowes com nossos cadastros policiais, mas preferi não contrariar porque geralmente você tem uma boa intuição para essas coisas. Acontece que ou ela é mesmo quem aparenta ser, uma humilde governanta nascida em Chelsea ou é alguma agente secreta de alta patente do governo, para terem criado uma história sem nenhum furo para ela usar. Não existe no mundo nada que descredencie a história da 'governanta suspeita'. Essas férias não estão fazendo bem à sua 'aguçada' intuição.

Alastor Moody.

Lily e Gwenda riram.

- Ele adora implicar comigo... - Comentou a loirinha sorrindo. – Mas não custava investigar, ainda assim acredito mais na minha intuição do que nessa historinha toda enfeitada de que ela é uma dedicada governanta que não sabe de nada.

Lucy folheou todas as páginas e parou na última. Era outro bilhete de Alastor Moody.

Eu já tive acesso à lista de convidados da festa de Sir Riddle e acho que seria útil se você investigasse de perto o joalheiro Evan Rosier. Não digo que seja suspeito pelo assassinato, mas é um homem suspeito. Envolveu-se com alguns maus elementos no passado, não sei se você se lembra dos irmãos russos Koprowski, presos no ano passado em Chicago. Eles trabalharam durante mais de quinze anos financiando clandestinamente o tráfico de armas para o Oriente Médio e temos a confirmação de que Rosier era um amigo íntimo dos dois irmãos. Nunca confessaram o envolvimento do joalheiro nos crimes, mas não custa investigá-lo de perto caso tenha chance.

Talvez esse caso seja mais fácil do que identificar Pierrô. Mas mantenha-se alerta mesmo assim, ele pode ser um homem perigoso.

Lembre-se: Vigilância Constante!

Alastor Moody.

- Evan Rosier... – Murmurou Lily.

- Não se preocupe com ele, Lis. – A loirinha guardou o papel novamente dentro da pasta. – Isso é coisa do Moody, você viu que ele mesmo admite que não acha Rosier suspeito do crime.

- E o que você vai fazer? – Perguntou Gwenda.

- Meu trabalho... Quem sabe eu não encontro alguma prova do passado nebuloso desse joalheiro e consiga mandá-lo para a prisão? – Lucy deu de ombros e sorriu. – Vou aproveitar isso para barganhar uns dias de folga e vir no casamento da Lice.

- Ótima idéia. – Lily sorriu.

- Bem meninas, eu já vou. – Falou Gwenda levantando. - Passei aqui só mesmo para deixar a ampliação e te dar uma força, Lis.

- Você sabe onde fica a joalheria desse tal de Rosier? – Perguntou Lucy levantando também.

Gwenda abriu um sorrisinho e pegou uma caneta dentro da bolsa.

- É muito fácil chegar lá. – Falou ela rabiscando o endereço em um pedaço de papel.

- Obrigada Gwen. – Lucy deu um beijinho no rosto da amiga. – Existe alguma coisa que você não saiba?

- Quem matou Tom Riddle e Bob...

- O Bob... – Lucy desmanchou o sorriso. – Estou tão triste com isso.

- Mas eu vou descobrir quem fez isso. Vocês podem ter certeza. – Falou Lily com convicção fazendo as duas amigas sorrirem orgulhosas.


N/a:

Tadinho do Bob...

Aí vocês me falam: tem o lado bom, Jamesito está com o caminho livre, certo? Tsc, tsc, tsc... Euzinha aqui tenho mais um pretendente para a nossa detetive ruiva! \o/ \o/ \o/ É que não gosto de facilitar muito as coisas para o James fofo... rsrsrs

Agradecimentos a:

Sassah Potter – São umas graças não? Rsrsrs E o Sirius é o mais aventureiro dos marotos, sou apaixonada por ele... kkkkk Beijinhos!

Zix Black – Que bom que está gostando! Fico super animada! xD Sim, eu já me acostumei tanto com a Lucy que já não consigo mais escrever nenhuma história e deixá-la de fora (Baile de Inverno é a minha única Marlene/Sirius). Será que o Sisi daria conta de ficar com essas duas? Rsrsrs Beijinhos...

Caroline Evans Potter – kkkkkk (pensando na sua sugestão sobre o suco... ^^). Ówin filhota! Também estou com saudades suas, sempre! E fico feliz que esteja gostando do relacionamento da Lucy e do Sisi! Eu pelo menos sou apaixonada por eles! xD Vou guardar a sua sugestão de escrever um livro com muito carinho, quem sabe um dia eu não tome coragem? Rsrsrs Beijos lindinha, te amo!

Por hoje é só amiguinhos...

Luci E. Potter.