Capítulo 10
"O gosto da respiração dela, eu nunca irei me recuperar
Os barulhos que ela fazia me deixavam acordado
O peso das coisas que não foram ditas
Aumentou tanto que nos esmagava todos os dias" – (Won't go home without you – Maroon 5)
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Quando Sasuke despertou, Sakura ainda dormia profundamente aninhada em seu peito e envolvida por seus braços. Estava se sentindo tão bem como não se sentia há anos. Na verdade, percebeu que não se sentira tão bem há uma eternidade, nunca sentira o mesmo prazer em abraçar uma mulher após o sexo como sentia no meio dele. Acordar com uma mulher ao seu lado fazia com que se sentisse invadido, porém, ao imaginar acordar sem Sakura ali, parecia sentir um vazio.
Seria prudente que se vestisse e fugisse dali o mais rápido possível. Não havia uma explicação pelo que sentia que devia fazer. Com outras mulheres era algo confortável, não ultrapassando o limite entre prazer e sentimentos. Com Sakura tudo fora tão... Intenso. Era algo que ultrapassava o limite da razão.
A sensação dos fios róseos macios em seu peito era tão reconfortante, que ele queria permanecer com ela daquela forma durante uma eternidade. Ela mexeu-se apenas para inclinar a cabeça e afundar no pescoço do Uchiha. A respiração quente fazia cócegas no moreno, e o mesmo fez um movimento brusco para escapar daquela sensação. Arrependeu-se, já que com isso, Sakura despertou.
Primeiro a respiração desregulou-se, e depois os olhos foram abrindo-se aos poucos. A superfície onde sua cabeça repousava era diferente de um travesseiro, era macia e resistente. Aos poucos, as memórias da noite anterior voltaram a sua mente. Fez um movimento para desprender-se do abraço que a prendia a ele, e quando conseguiu distancia o suficiente para olhar para ele e confirmar que aquilo era real.
- Dormiu bem?
Era uma pergunta comum, mas cheia de significado. Pelo menos para Sakura, que quase nunca tinha noites boas. O 'sim' estava na ponta da língua, mas de alguma forma, parou e pensou a respeito da pergunta. A resposta era mesmo sim, mas havia algo mais em responder aquilo. Pela primeira vez depois de um longo tempo, aquele 'sim' parecia real. Não era uma forma de se esquivar da preocupação dele. Não tivera pesadelos aquela noite, o corpo estava relaxado, assim como a mente. Se era por conta da situação entre ela e Sasuke, simplesmente não sabia, mas desconfiava que não era apenas uma mera coincidência. Tinha quase certeza que se não se deixasse convencer a dormir com Sasuke, iria gritar naquela noite, como todas as anteriores.
- Maravilhosamente bem – exagerou. Mas não era um exagero para ela.
- Percebe-se – passou o polegar pela bochecha de Sakura para retirar um fio róseo teimoso – acordei mais cedo que você esta manhã.
Um relógio em cima do criado-mudo anunciava que eram nove horas. Os olhos de Sakura estreitaram-se, surpresa por ter dormido tão bem.
- Céus... Por que não me acordou?
- Eu não saberia a sua reação quando acordasse ao meu lado. – comentou – com o gênio que você tem, tive medo que você fraturasse algumas costelas minhas – provocou.
- Não sou tão ruim assim – defendeu-se, enquanto Sasuke retirava o lençol de seu corpo.
- Tem razão – os olhos percorreram o corpo feminino – nada mal.
- Seu tarado – socou-o levemente para depois enrolar o lençol no corpo, preparando-se para levantar – vou para o meu quarto. Preciso de um banho.
- Chuveiro? – zombou – pois o banheiro do meu quarto é maior... E tem uma banheira. – os olhos brilharam.
- É uma tentação – encarou-o divertida – mas não vou dividi-lo com você – sorriu angelicalmente.
- Não se preocupe. Espero você tomar seu banho primeiro – ele respondeu a contragosto.
- Obrigada. – saiu, arrastando o lençol pelo chão, largando-o antes de entrar no banheiro, batendo a porta em seguida.
Ele também dormira maravilhosamente bem, mas como admitir isso para si mesmo? Estava gostando da sensação de estar perto de Sakura, ouvir a voz dela, sentir o corpo dela... Mas a razão martelava, dizendo-lhe que era errado, que o relacionamento infantil havia acabado porque o destino não queria que ficassem juntos. Mas o que um caso pragmático tinha a ver com destino? Nada. Era exagero de Sasuke. Ele sabia tanto quanto ela que ambos não estavam preparados para um relacionamento. Sakura fechara-se completamente de tudo e de todos, ao ponto de não ter se entregado para ninguém. Ele, fechara-se para sentimentos, jurando para si mesmo que eram coisas inúteis, a única coisa que podia se aproveitar de uma companheira, era o prazer que um podia oferecer ao outro.
Balançou a cabeça negativamente para si mesmo. Era cedo demais para se preocupar com o rumo das coisas. Tudo deveria ser como a expressão latina Carpe Diem: Aproveitar o momento. O amanhã estava muito longe para deixar com que ele estrague o presente. E era exatamente isso que iria fazer.
Levantou-se da cama e foi para o quarto de Sakura. "Carpe Diem", sussurrou para si mesmo.
Era realmente deliciosa a sensação da água morna em seu corpo. Mas infelizmente, já estava ficando fria. Já não havia mais espuma, mas sua mente estava completamente anuviada. Havia coisas e coisas para colocar no lugar, mas estava quase impossível. Um de seus princípios foi abaixo depois que se entregou para Sasuke, e já não tinha mais certeza de nada, parecia que tudo havia fugido de seu controle. Não tudo, já que ainda podia manter-se emocionalmente afastada daquela relação, mas outras coisas haviam mudado. Em um único dia, ou melhor, uma única noite, algo mudara completamente seu íntimo, uma sensação de liberdade e satisfação que não sentia há tanto tempo. Mas a questão era: Até quando poderia manter-se distante e alheia ao que realmente estava acontecendo?
Aquele não era o momento para se preocupar, mas um dia, esse momento chegaria, e Sakura não tinha certeza se conseguiria lidar com a realidade.
Levantou-se da banheira, e o ambiente parecia mais quente do que a água da banheira. Talvez tivesse ficado tempo demais pensando naquilo. Pegou a toalha azul do Uchiha e envolveu-a em seu corpo. Teria que ir ao próprio banheiro para usar o seu hidratante.
Chegou ao seu quarto, e notou o quão bagunçado estava. A cama ainda estava desarrumada da tarde anterior. Algumas peças de roupas estavam jogadas no chão próximas à cama. Ruborizou ao recordar-se de como fora natural. Não houvera ensaio para o que acontecera. Fora simples e natural, e mesmo assim, havia se tornado especial. Ele fora romântico antes de deitar-se com ela. De alguma forma, as palavras dele tocaram-na profundamente. Ela e ele combinavam. Talvez não houvesse sentimentos, mas eles combinavam. Podiam entender um ao outro, e não cobrar nada.
Girou a maçaneta da porta do banheiro, mas só quando entrou que notou o chuveiro ligado.
- Ai meu Deus...! – arfou.
- Sakura? – a voz parecia despreocupada – Algum problema?
- Nada... Eu só vim pegar o meu... – Sasuke abre o box, e revela seu tronco através da brecha – hi-hidrat-tante.
- Por que você está ficando vermelha? – perguntou inocentemente.
- Vermelha? – a voz soou idiota aos ouvidos da Haruno.
- E gaguejou. – sorriu.
- Podemos ter essa conversa outra hora, eu tenho que me vestir... – e antes que pudesse dar as costas, deixando o hidratante em cima do lavatório, foi puxada por mãos escorregadias. Sentiu a água morna em contato com a sua pele novamente, e soube exatamente o que havia acontecido.
- SASUKE! – gritou com ele – você está me molhando – ele riu e jogou a cabeça para trás – eu já tomei o meu banho – a irritação estava evidente.
- Agora pode tomar o meu, não sou um homem egoísta – seu tom de voz ficou um pouco mais sugestivo – ao contrário de você.
- Eu ainda estou com a SUA toalha, percebeu? – tentando colocar bom-senso naquela mente sem escrúpulos.
- Isso não é problema – retirou o tecido atoalhado que a envolvia.
Mover as asas parecia mais fácil agora, não precisando do impulso de Sasuke para voar. Ao invés de voar sozinha, levaria ele com ela por todo aquele azul infinito, que naquela manhã, não tivera a oportunidade de ver. Maldito Uchiha. Não poderia se opor quando ele era tão insistente, poderia? Não poderia rejeitá-lo se o que queria era agarrá-lo para si, poderia? Definitivamente não.
- Nagato, eu tentei separá-los de todas as formas possíveis, mas parece que ela está mudando algo em Sasuke. – ela bebericou a bebida âmbar em suas mãos – ele não quis me ver, e quando eu consegui falar com ele, ele não estava me dando atenção.
- Parece que você perdeu a prática, não? – provocou-a – o Uchiha corria atrás de você como um cachorrinho de estimação. Mesmo ele saindo com outras mulheres, vocês sempre tinham... Benefícios, não?
- Não fui eu quem perdeu a prática – respondeu vermelha, disposta a devolver a provocação – aquela vaca que está controlando a vida dele. Ela se faz de coitada, e que homem não estaria disposto a ajudá-la?
- Não tente justificar. Ela é mais atraente que você, com esses seus subterfúgios vulgares. Um dia Sasuke se cansaria de você. – alfinetou – o único que ainda está disposto a te agüentar é o Suigetsu. E ele é só mais um idiota que caiu na sua.
- Ela mais atraente do que eu? – a voz estava aguda – ela é sem-graça, está muito longe de ser atraente. E não fale o nome desse fracassado na minha frente. Vamos continuar com o assunto.
- Então, sugiro que convença Sasori a cooperar. Sem ele não podemos colocar o plano em prática.
- E você, por acaso já tem uma data?
- Claro. Por que não no dia de Ação de Graças?
- Ah, sim... Ela nunca irá esquecer – Karin jogou a cabeça para trás, rindo. – será uma grande surpresa – os olhos brilharam.
- Por que tenho que acompanhá-la? – perguntou – Eu não faço parte do designer. Nem sequer entendo o que um designer de interiores faz.
- Você pode não entender, mas se der uma opinião, com certeza vai melhorar meu empenho – Sakura o arrastava pelas ruas até chegar à loja.
O olhar de Sakura fixou-se em uma loja do outro lado da rua, onde havia um vestido vermelho na vitrine. Desviou o olhar para entrar na loja de móveis, mas Sasuke segurou seus pulsos, impedindo-a. Arqueando uma das sobrancelhas, questionou-o em silêncio.
- Se quiser, podemos ir vê-lo. Você precisa de algo para usar quando for a inauguração do hotel. – ela ia negar, mas Sasuke foi mais rápido – se você for, eu ajudo você a escolher os móveis.
- Está me chantageando? – perguntou com um sorriso, já rendida.
- Vamos.
Quando entraram na loja, o ar condicionado aliviou o calor que estava lá fora, e Sakura sentiu-se em casa. Só havia mulheres na loja, e ficou seriamente irritada por todas se virarem para observar Sasuke. Uma atendente simpática veio até eles, mas Sakura sabia que não era dirigida a ela toda aquela simpatia.
- Posso ajudá-los? – um sorriso ofuscante enfeitava a face.
"Claro, quanto você pagou por esses dentes?", pensou Sakura ironicamente.
- Eu gostaria de experimentar aquele Valentino vermelho – pronunciou com seu sotaque nova-iorquino.
- Ah. Claro.
Sakura cruzou os braços a fim de esperar a atendente. Estava com vontade de pedir todos os vestidos da loja e no fim sair sem nenhum, só para ensinar àquela mulherzinha oferecida o lugar dela, mas não sabia exatamente de onde viera aquela atitude extremamente infantil.
- Por aqui.
Sakura seguiu a mulher até o provador. Arqueou as sobrancelhas quando notou o tamanho do provador. Era enorme, comparado as vezes em que tivera que se trocar dentro de um cubículo que mal cabia seus quadris. E olha que nem eram tão largos.
Fechou a porta e tirou peça por peça para colocar o vestido. Olhou-se no espelho enorme a sua frente e espantou-se com a mulher que vira ali. Não parecia ser a Sakura de minutos atrás. Era uma mulher totalmente sofisticada, com curvas no lugar e cada detalhe do vestido favorecendo seu corpo. Imaginou se aquilo era uma ilusão, e estava desconfiada que o ângulo da iluminação ajudasse para que parecesse tão bela.
Timidamente abriu a porta, e Sasuke estava aguardando do lado de fora, sentindo a fragrância de alguns perfumes que a mulher tentava vender com todo aquele papo de ser importado de Paris.
A loja parou e olhares se viraram em sua direção. Quase entrou para se esconder novamente, mas uma voz feminina a impediu.
- Linda! – a voz era terrivelmente escandalosa – parece uma atriz no tapete vermelho.
Sakura corou, e Sasuke olhava divertido para ela. Então aquele desgraçado estava achando graça?
- Você nasceu para usar um Valentino. – a mulher continuou – poucas moças ficaram tão belas como você. Acho que nenhuma ficou tão linda nesse vestido. Você só não deveria ter pintado seu cabelo de rosa. – opinou – Mas eu sei como as adolescentes hoje em dia cometem loucuras, não?
Sakura deu um sorriso forçado e entrou novamente. De onde aquela vaca tirou que ela era adolescente e que o seu cabelo era tingido? Mas duas batidas na porta fizeram com que abrisse a porta.
- Calma, sou eu. – Sasuke entrou. – Vai ficar com ele?
- Acho que não – fitou o reflexo no espelho – é muito sofisticado para mim. Acho que quero algo mais básico. Um preto. – olhou uma etiqueta cuidadosamente colocada – Sim, tenho certeza que um preto ficaria bem melhor.
- Você é quem sabe – disse – mas eu acho que você ficou estonteante com esse. E vermelha é definitivamente a sua cor. - juntou as sobrancelhas – acho que já sei o que te dar de presente. Compre o preto que eu pago esse – Sasuke tirou o cartão de crédito do bolso.
- Nem pense nisso. Vou pegar o preto, mas você não vai pagar nada para mim, entendeu?
- Entendi – confirmou. Entender não significa obedecer, não é mesmo?
Os dias e as noites passavam rapidamente, talvez porque conseguiram resolver todos os problemas que havia entre eles. Não da forma que todos resolvem, mas se estavam se dando bem, significava que o método estava funcionando.
Estabelecer uma "relação" entre eles não significava a perda de individualidade e nem cobranças, como o normal em casais, era algo entre o prazer e a conveniência. E parecia o certo a fazer.
Desde que passara a dormir no quarto de Sasuke, eram raras as vezes que os pesadelos atormentavam-na, mas naquela manhã em especial, ela sonhou. O grito ficara abafado em sua garganta, e por sorte, não acordara Sasuke.
"Ao invés dos olhos vermelhos distanciarem-se dela, eles vieram diretamente em sua direção, disparando um tiro em seu coração. Mas a morte não veio. Sasori empurrou-a e recebeu o tiro por ela.
- Mate-o – foi o sussurro final de Sasori.
- Então, Sakura, vai me matar ou não? – o sorriso sádico era o mesmo – manchará a sua mão com essa vingança, ou será perseguida para sempre?"
Seu coração estava disparado. Sentia medo. Não do homem, mas de si mesma. A arma em sua mão poderia dar um fim àquela fuga incessante, mas ela hesitava em atirar...
Desvencilhou-se dos braços de Sasuke, mas eles apertaram-na mais forte.
- Conte-me – sussurrou com a voz sonolenta – você acorda assustada durante a noite, grita, Às vezes chora. Eu quero saber o que está te atormentando tanto.
- Não é na-ada! – tentou encerrar o assunto.
- Se não é nada, por que você grita? – perguntou - por que quando olho nos seus olhos você está apavorada? – Sakura sacudiu a cabeça negativamente, como se estivesse negando o que ele dizia – Eu nunca toquei nesse assunto porque sei quando algo está incomodando alguém... Mas cansei de não saber.
- As coisas são melhores assim.
- Não, não são. Eu que decido se são ou não melhores para mim. E eu quero saber. Quero saber com o que estou lidando.
- Você não está lidando com nada. Nós só estávamos dormindo juntos, e isso... – referindo-se a relação – não é nada.
Levantou-se estressada pelo assunto ter vindo à tona.
- É isso que você acha? – arqueou uma das sobrancelhas.
Virou-se para fitá-lo profundamente.
- É isso que eu sei. – bateu a porta do quarto com força, e segundos depois, o barulho de outra porta alcançou os ouvidos do Uchiha.
Sasuke suspirou. Estava bom demais para durar tanto. Mas poderia ter durado mais, e ele, com sua boca grande conseguira acabar com tudo. Aquele dia de Ação de Graças havia começado muito bem. Deitou-se novamente na cama, e virou-se de costas para o lado que Sakura ficava, tentando ignorar o fato de que ela não estava mais lá. E talvez, não estaria mais, pelo menos até ela se acalmar.
A respiração de Sakura havia acelerado de tão nervosa que havia ficado. Afinal, quem Sasuke pensava que era para exigir saber algo sobre ela? Não tinham que saber nada um sobre o outro. Quando terminassem o hotel, tudo o que houvera entre eles terminaria também.
Não tinha família nem nada, mas o mais próximo que pôde pensar para passar o seu dia de Ação de Graças frustrado foi Sasori. Ele a havia convidado um tempo atrás, mas logo que contou sobre Sasuke, ele havia se afastado dela.
Discou os números rapidamente, e após chamar quatro vezes, a voz masculina atendeu.
- Alô?
- Sasori?
- Ah. É você – a voz tornou-se fria e indiferente – o que quer?
- Me desculpar – disse timidamente – te devo isso.
- Você está enganada, Sakura – ainda indiferente – você não me deve nada. Nada.
- Devo sim – a voz tornou-se aguda – eu não fui uma boa amiga. Assim que eu comecei a sair com Sasuke, eu deixei você para trás. Logo você, que todos os dias conversava comigo e opinava sobre tudo o que eu tinha para dizer.
- Sakura, não precisa...
- Preciso sim – interrompeu-o – pode ser egoísmo da minha parte querer ter a sua amizade de volta, mas a verdade é que... – mordeu o lábio inferior – sinto a sua falta. Desculpe – a última palavra saiu em um sussurro.
- Sakura, não se preocupe com isso, ok? – a voz amigável se pronunciou – que tal sairmos hoje então? Podemos comemorar...
- Sasori...
- Sei que Sasuke não gosta da minha companhia, mas eu...
- Sasuke não vai ficar comigo hoje, então, claro que podemos sair.
- Vocês brigaram? – a voz pareceu preocupada, e isso doeu em Sakura: como deixara que o relacionamento com Sasuke afastasse alguém que fazia tão bem para ela?
- Claro que não. Nós nunca tivemos algumas coisas em comum, acho que ficamos um pouco deslumbrados um com o outro...
- Não precisamos falar sobre isso. – ele foi compreensivo.
- Precisamos. – decidiu – acho que vou contar tudo a você. Não quero esconder nada de você... Não mais.
- Ok, então. Te pego às sete, pode ser?
- Estarei esperando.
Assim que desligou o telefone, sentiu um peso sendo retirado de suas costas. Talvez fosse a carga de culpa que estivesse diminuindo. Enfim, conseguira corrigir o erro que fora dormir com Sasuke. Ela estava consciente que era um erro, e depois abrira mão das coisas boas por causa dele. Agora estava livre. Aquilo tudo estava acabado. A partir do momento que ele tentara cobrar algo dela, ela conseguira sair fora, e estava incrivelmente bem. Talvez fosse melhor procurar algo para fazer, ao invés de perder tempo pensando no que havia feito. Naquele momento estava bem, mas não sabia como iria se sentir alguns momentos depois.
Pensou em sair um pouco para olhar os últimos detalhes para finalmente inaugurar o hotel. Eram quatorze andares, cada um com cinco suítes, muito bem dispostas, de modo que uma de suas janelas estivessem voltadas para a praia. Exceto o último andar, que tinha apenas três suítes enormes, voltadas para a praia, mas seriam decoradas para luas-de-mel. O restaurante e a recepção no térreo. Lugar onde todos teriam acesso. Aos fundos teria uma piscina e um barzinho. Para cada andar, seria uma cor, um estilo diferente. Os três primeiros andares, já haviam sido feitos, cada qual com sua decoração. Gostara particularmente do segundo andar, que havia usado cores claras e móveis escuros. A cortina marrom refletia nas paredes um tom castanho-avermelhado, que ficava em harmonia com os móveis. Todos gostaram e elogiaram, porque quando ela falou, no primeiro momento, fizeram descaso de suas idéias.
Quando chegara à loja em que queria, parou na porta e lançou um olhar para uma loja de roupas logo à frente. Dias atrás, havia saído com Sasuke para comprar algum vestido de noite, pois não havia nada para usar na inauguração. Comprara um preto simples, já que o que experimentara antes dele não era um preço pelo qual teria coragem de pagar. O vestido valia aquele valor, mas não daria tanto dinheiro em um vestido. Sasuke insistira para pagar, mas Sakura recusara e pegara o preto.
Sasuke ficou na loja para comprar um terno, e Sakura foi comprar uma sandália para usar com o vestido. A lembrança do que havia ocorrido, fez com que decidisse o que usaria naquela noite quando saísse com Sasori.
Entrou na loja de móveis e observou todos os móveis, com um dos vendedores para orientá-la, estava escolhendo os que poderiam estar nos próximos andares.
- Nagato, eu irei sair com ela essa noite.
- Não seria cruel demais ela saber que o amigo que ela tanto confia está traindo-a?
- Não sou amigo dela.
- Sabe, sempre gostei de você por isso... Não tem um pingo de piedade das suas vítimas. Mesmo conhecendo-as tão bem, qualquer afeto que possa ter por ela não faz com que volte atrás no trabalho.
- Espero que sejam rápidos. Não quero o Uchiha no meu pé.
- Não se preocupe. Deixe tudo como eu disse. A chave-reserva do seu carro está comigo. Assim que você sair, irei dirigir o teu carro até onde pretendemos prendê-la.
- Ok. Até hoje a noite.
- Até – Nagato gargalhou do outro lado da linha.
Sasori acendeu um cigarro e olhou para o tráfego na rodovia. Aquilo era o certo. Ela não morreria, pelo contrário, seria salva. Se de algum modo ela chegasse perto de casar com Sasuke, tudo estaria arruinado.
Seis e trinta. Seis e trinta e vinte e nove segundos. Seis e trinta e quarenta e sete segundos. Seis e trinta e um.
Os segundos passavam lentamente, e Sakura esperava Sasori, sentada na sala, esperando ouvir a buzina tão familiar. Estava observando a hora, mas passos na escada, fez com que virasse naquela direção.
- Você não vai. – não era um pedido. Era uma exigência.
- Está falando comigo?
- Estou. Você não vai sem antes falar comigo.
- Não quero falar com você. Não tenho nada para falar com você.
- Você vai sair com Sasori, não é? – ela assentiu desafiadora – podemos resolver as coisas de outra forma. Não precisa terminar o que começou algum tempo atrás e só agora teve experiência.
- Do que está falando? – a expressão ficara mais séria e desconfortável.
- Dormir com ele. Você não precisa fazer isso.
- Você é louco. – afirmou – Ele só me beijou, mas quem se deu bem no final foi você, não? – arqueou uma das sobrancelhas cética.
- Não estou falando disso. No seu último dia de aula. Você e ele...
- Do que está falando? – Sakura estava confusa – eu conheci Sasori agora.
- Não minta para mim, eu vi você e ele.
- Então, talvez devesse usar seus óculos, não? São muito caros para você apenas guardá-los – repetiu a frase que Sasuke disse no reencontro deles.
- Não precisava de óculos, eu vi claramente você agarrada com ele.
- Olha aqui seu... – a buzina do carro de Sasori salvou – ele está aí agora. Não vou perder tempo com você. – caminhou em direção a porta – Feliz Dia de Ação de Graças para você também. – bateu a porta com força.
Ação de Graças? Não havia nada para agradecer. Não naquele dia.
Sasuke não deixara de notar como ela estava linda. O vestido preto realçando a pele clara, o cabelo e os olhos. Justo, mostrando cada curva, realçando ainda mais o corpo que tivera oportunidade de tocar. Ela era linda, mas naquele dia estava ainda mais linda, porque não era para ele que ela se arrumara. Poderia estar nos braços de outro homem novamente. Anos atrás ele não impedira Sakura de ir embora porque ela ferira seu orgulho quando estava nos braços de outro. Ela parecia sincera ao negar o que ele dissera. Se Sakura não sabia, ela corria perigo. O que ele faria? Deixá-la-ia ir para longe novamente? Pelo mesmo motivo anos atrás?
A decisão era dela, mas por que uma decisão dela o influenciava tanto?
- Sakura, preciso parar aqui, tenho algo a fazer, já volto.
- Claro. Eu espero você aqui?
- Sim. – respondeu sucintamente.
Não conseguiu ver para onde Sasori havia ido. A rua estava escura, mas quando olhou para o chão, viu sombras se esgueirando cada vez mais próximas do carro.
Saiu do veículo com o coração martelando. Assustou-se com o eco que o contato do salto fez com o asfalto. Tentou-se acalmar em vão. Então olhou para trás e viu. Duas pessoas andavam em sua direção. Exatamente em sua direção. Virou-se e correu pela rua. O salto ameaçava torcer o seu pé, mas Sakura tentou se equilibrar o máximo que pôde para fugir. As duas pessoas também corriam.
Estava apavorada, pois percebeu que não sabia onde estava. Não sabia onde estaria quando virasse qualquer uma daquelas ruas. Sem nem mesmo pensar, virou o calcanhar e entrou em uma ruela, rezando para que tivesse saída. Alguém a agarrou pela cintura e cobriu a boca e o nariz da rosada com um pano.
Aos poucos, os olhos ficaram pesados, e já não conseguia mais controlar o corpo. O grito ficou preso em sua garganta, enquanto tentava resistir ao peso dos olhos.
Os olhos verdes vislumbraram a lua, mas logo depois se fixaram em um homem que olhava toda a cena sem sequer se mover.
Segundos depois, deixou que os olhos se fechassem. O homem e a lua haviam sumido. Havia apenas escuridão.
Hey minna-san n.n
mais um capítulo, e devo dizer que esse é o clímax da fic ^-^
Ou pelo menos, é agora que vamos deixar de lenga-lenga e ir para a ação *-*
Confesso que esse capítulo foi um pouco corrido, mas eu non quero focar apenas na relação deles, pelo menos não agora ^-^
Confesso que a briga foi tosca, mas non pude pensar em algo melhor --'
Recebi poucas reviews nesse capítulo, mas mesmo assim, obrigada as leitoras que se deram ao trabalho de deixar a sua opinião *_*
Aninha3
haruno R: Obrigada, sua opinião é muito importante para mim *-*
no início, achei o hentai cansativo, mas depois de quebrar a cabeça, non consegui melhorar, então achei melhor do jeito que estava para non piorar *_* mas non deve ter ficado tão ruim, pke mesmo pelas poucas reviews, nenhuma criticou... Talvez seja a compreensão, pke é o primeiro 'hentai' em primeira mão que eu escrevo. Costumo deixar apenas leves insinuações. Talvez eu tenha acabado com a felicidade dos dois nesse capítulo, mas faltam apenas oito capítulos para o final, então dá pra saber que haverá algumas reviravoltas, né?
Infelizmente, o amor é cego. E o Suigetsu é a maior prova disso '-'
Obrigada pela review, espero que continue acompanhando, e deixando reviews, pke acredite ou non, elas me dão fôlego para continuar postando *-*
Dayane Manfrere
Gente, isso non vem ao caso, mas estou com o ingresso do show em mãos, e estou morrendo de ansiedade *OOOOOOOOOOOOOOOOOO*
então, isso está bloqueando meu raciocínio para começar a escrever uma fic, com uma idéia que me surgiu \z
Mas depois do show, talvez lá pelas férias de julho, eu comece a postar uma nova fic por aqui (propaganda descarada XDD)
Obrigada minna, espero que continuem lendo *-*
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