Capítulo IX – Entrando pela Saída

Usando floo chegaram a um estranho lugar, uma velha sala recoberta por grossas camadas de poeira escura, com móveis desbotados, sofás rasgados e cortinas imundas. Aquele local parecia ser um hotel há muito tempo abandonado, porém conservava o bonito aspecto de sua ampla recepção e da grande escada recoberta por um carpete vermelho bem gasto.

"Que lugar é esse?" –Malfoy perguntou secamente. "Tenho alergia a pó!".

"Seu nariz só vai coçar se estiver maluco... Isso tudo passa longe de ser poeira de verdade!" –um dos gêmeos finalmente se pronunciou. "É um efeito somente, algo para enganar muggles...".

"Mas onde estamos?".

"Essa, Malfoy, é uma das saídas de emergência do Ministério da Magia, e é por ela que chegaremos até o DIS!".

"Como sabem dessa entrada?".

"Saída, minha cara Acies Jones, saída... Tenho uma amiga que trabalha no Departamento de Meteorologia, ela me deu as senhas para chegar até aqui, e também a chave da porta!".

"Quer dizer que mais alguém sabe que estamos aqui?".

"Acalme-se Ginny, ela não sabe que me passou tantas informações assim... É muito interessante ter a entrada liberada no Ministério, há coisas que só encontramos aqui!".

"Vocês roubam o Ministério?" –Ginny indagou com os olhos castanhos arregalados.

"O delito correto seria o furto, mas não... Nós não somos criminosos".

"Então por que querem entrar e sair daqui despercebidos?".

"Querida irmã, preocupe-se com suas memórias perdidas, não conseguiria compreender a profundidade de nossa relação com o Ministério da Magia...".

Seguiu seus irmãos subindo os amplos degraus da longa escada, a qual parecia não mais ter fim, continuou o caminho por um corredor muito escuro, algo que não mais assustava desde sua mudança para a mansão dos Jones, e finalmente pôde avistar uma pequena e muito comum porta de madeira. Demorou a notar o que chamava atenção naquela ordinária entrada, contudo acabou por perceber que não havia fechadura, como então poderia ser aberta?

Um dos gêmeos, o qual desconfiava ser George, tirou de seu bolso uma chave, também como aquelas de uma casa, prateada. O jovem murmurou algumas palavras, as quais apesar de tentar, não pôde ouvir, e um pequeno buraco de abriu, e lá ele colocou o que tinha em mãos e virou, destrancando a, não mais tão comum, porta de entrada... Ou melhor, saída.

Com um passo passara de uma velha construção a uma bela sala de chão muito branco, cercada por enormes janelas, cada uma mostrando um diferente clima. Em algumas chovia, de outras emanava um forte vento frio, havia sol, neve, brisas quentes, céu azul, branco e qualquer outra possibilidade que se pudesse imaginar. Perdida entre tantas janelas demorou a notar que quase todos haviam deixado a sala, menos Draco, que esperava por ela encostado à uma grande porta de vidro.

Diferentemente daquele pelo qual passara há poucos minutos, todos os corredores internos do Ministério eram vastos e muito bem iluminados, as janelas mostravam o Sol nascer, que era a imagem que aparecia todas as manhãs, antes que os funcionários chegassem.

O chão era todo de um belíssimo assoalho polido que, infelizmente, aumentava ainda mais o som dos saltos de Acies Jones, que se recusava a calçar um tênis. Como era de se esperar o fato causara brigas.

"Por que veio com esse maldito sapato?" –Draco sussurrava alto demais.

"Cale a boca, Malfoy!" –um dos gêmeos o repreendeu em tom mais controlado. "Mas está certo... Por que você não veio de tênis?".

"Eu cairia se usasse tênis... Não consigo andar de tênis, George!".

Chegaram finalmente a um belo hall, com quatro passagens. Duas delas eram portas de vidro jateados, com desenhos de pássaros e árvores, as duas outras eram escadas, uma delas subia, enquanto a outra seguia direção oposta.

Foram para baixo e a única coisa em que podia pensar era que não seria capaz de subir todos aqueles lances de escada para voltar, e torcia para que houvesse algum modo de sair sem que tivessem que percorrer todos aqueles degraus.

'Finalmente' –pensou ao observar não haver mais qualquer degrau, todavia não eram só degraus de uma escada que faltavam naquele lugar, todo o vasto salão de chão de madeira escura estava completamente vazio.

"E agora?" –indagou com pouca paciência.

"Agora você se cala!" –um dos gêmeos a repreendeu, bem a tempo de ver sair das paredes cinco fantasmas, vestidos em belos ternos, olhando em todas as direções. Poucos segundos após mergulharem de volta para dentro das paredes outros cinco fizeram a mesma ronda, e assim, seguidamente, diversos fantasmas passavam de um lado para o outro observando ao seu redor.

"Esses são os guardiões do DIS, pelo menos os piores deles..." –Draco falou.

"Eles nos ouvem, talvez não consigam nos ver, todavia sentem a nossa presença se passam por nós, e se nos aproximarmos de um deles podem nos denunciar a todos e nos prender aqui!" –Jones completou. "Fred, George, fiquem com sua irmã, nós vamos entrar...".

"Como vão entrar?" –perguntou curiosa.

"Quando passam pelas paredes uma entrada se abre, e por ela vamos passar..." –Draco apontou para fendas nas paredes.

"Mas... Por que precisam de portas se são fantasmas?".

"Não precisam de porta, não os fantasmas, mas os agentes do DIS ainda não descobriram como ultrapassar os limites da matéria..." –ele respondeu com um sorriso.

"Eu quero ir... Deixem-me ir!" –implorou para ambos.

"Nem pense nisso!" –Acies exclamou. "Nem pense nisso... Não seria responsável deixa-la entrar! Não se lembra de como usar sua varinha, seria um risco para todos nós...".

"Por que me trouxeram, então?".

"Aceitaria ficar em casa? Sozinha?" –as indagações de Jones foram o bastante para que se calasse.

Os dois se lançaram cautelosamente ao chão, e se arrastaram pelo chão liso. Os fantasmas que iam e vinham passavam por sobre eles, quase os tocavam, contudo Draco e Acies conseguiram se manter deitados logo abaixo de saídas paralelas. Ginny roia as unhas, estava muito nervosa, e preferiu fechar seus olhos ao perceber que levantavam para passar pelas pequenas fendas.

"Certo..." –falou ao não mais ver qualquer um deles no salão. "Certo... Foi de certa maneira bem simples...".

"Agradeça seus irmãos...".

"Sim... Só conseguiram por causa da poção!".

"Estar invisível não era o bastante, era necessário que fossem invisíveis para passarem pelos fantasmas, algo considerado impossível!".

"Quer dizer então que, uma capa de invisibilidade não seria suficiente?".

"Não irmãzinha... Não mesmo!" –Fred falou com um largo sorriso enfeitando seu rosto sardento. "A poção muda a composição física de nossa pele, e de tudo que entra em contato com ela...Portanto somos invisíveis por um certo período de tempo!".

"Por isso que nos mandaram tirar as meias?".

"Exatamente!" –George se animou. "Essa poção é muito útil, mas perigosa!".

"Não se pode usá-la com grande freqüência, afinal as mudanças podem se tornar permanentes... NUNCA aparate se tomá-la...".

"Por que não podemos apa... apa... aparetar após tomar essa poção?".

"AparAtar" –foi corrigida. "Como já disse, a poção muda a estrutura celular de nosso corpo, fazendo com que a pele ganhe uma espessura diferente. Se aparatarmos corremos o risco de mudar essa estrutura que foi artificialmente forjada e depois disso... Ninguém sabe o que pode acontecer!" –Fred sorriu inocentemente.

"Oh..." –Ginny suspirou imaginando as mais diversas possibilidades de imprevistos, a maioria deles muito dolorosos.

Os minutos passavam com lentidão, e nada dos dois re-aparecerem, precisavam sair antes que os funcionários chegassem, afinal dariam falta do diário e certamente todo o prédio seria selado. Os gêmeos fantasmagóricos andavam de um lado para o outro, pareciam mais preocupados que ela e um deles checava o relógio a cada vinte segundos.

"Fred, onde eles estão...".

"Eu sei... Logo começa o turno... Mas não poderíamos esperar outra coisa...".

"Eu ainda não sei por que estamos aqui... Com dois criminosos!".

"Não diga isso, George, não é verdade!".

"O que está acontecendo com você, Fred? Mal encontrou essa menina e já passa para o lado dela?".

"Eles parecem dizer a verdade... E agora, George, a dúvida foi lançada, portanto não podemos condenar quem seja antes de saber a verdade... A real verdade...".

"Não acredito no que me diz, irmão! Não posso acreditar... Ela deve estar controlando sua mente, é a única explicação para seu comportamento! E se assim for eu lhe perdôo!".

"Ninguém está controlando minha mente! Ninguém controla minha mente! Não sou o único a estar aqui, você também veio, viemos porque inconscientemente sempre acreditamos nos dois... No fundo sabíamos que havia algo de errado em tudo o que queriam nos fazer crer! George, nunca fomos exatamente comuns, nunca fizemos as coisas como os outros, nunca acreditamos nas verdades da maioria, por que o faríamos agora?".

"Estamos lidando com ex Death-eaters!".

"Death-eaters?" –Ginny deixou o silêncio e entrou na discussão.

"Ginny, ouça uma coisa... Você não se lembra do passado, portanto não pense nele!" –Fred explicou calmamente, sem tirar os olhos castanhos dos seus. "Não tem como avaliar o que aconteceu, e se ouvir alguma história, qualquer que seja, pela metade não poderá fazer um julgamento justo... As suas escolhas –todas elas –são baseadas em algo além de um ou outro episódio, existe muito por trás de uma crença, muitas razões envolvidas em qualquer relação..." –George ouvia atenciosamente as palavras de seu irmão, mas não parecia concordar com elas.

"Diga a verdade, Fred...!".

"A verdade é que... Ginny, você não tem memória, acredite então em seu coração, em sua intuição... Suas memórias se foram, mas o resquício delas fica, acredite no que sente... Essa é a verdade!".

"Maldita seja, Acies Jones!".

"Cale a boca, George...".

"Eu amo você, Fred e por isso digo isso!".

"Também amo você, e por isso vou acreditar neles! Pois se eu tiver errado uma pessoa vai estar sempre do meu lado, irmão... Você!".

Em meio à estranha discussão ouviu vozes e passos descendo os degraus, sentiu-se violentamente puxada para um canto e abraçada a um de seus irmãos viu dois homens, muito bens vestidos passarem por eles e cumprimentarem friamente os fantasmas que deram espaço para que adentrassem o DIS.

"Onde estão aqueles malucos?" –George sussurrava agarrado a ela. "Vou entrar atrás deles!".

"Fique onde está... Entrar sem que eles saibam só pioraria a situação...".

"Jones saberia da minha presença...".

"Vamos esperar mais um pouco, se eles não voltarem eu entro...".

Em torno de mais dez minutos se passaram, Fred já havia se jogado ao chão, rastejando-se rapidamente até uma das fendas, quando de trás de uma das pilastras surgiram Acies Jones e Draco Malfoy.

"Onde estavam? Diversos agentes já chegaram...".

"Acredite, Fred" –a bela jovem disse ajudando-o a se levantar. "A presença desses agentes fez da situação bem mais complicada...".

"Encontraram?" –foi o que conseguiu perguntar.

"Sim..." –Draco respondeu em uma voz bem menos vibrante do que esperava. "Agora, temos que ser rápidos... Um pequeno diário de couro voando pelos corredores não é algo exatamente comum!".

Assim como temia teve que subir as escadas correndo, e quase morta finalizou seu percurso até a sala de meteorologia, na qual encontrou três funcionários já escolhendo como seria aquele dia, e agendando testes para uma nova tempestade que acabaram de criar. Abriram a porta de emergência e correram pelo corredor, Ginny preparava-se para entrar na lareira, quando notou o aceno de Acies.

"Não, eles virão checar se há alguém aqui... Espere que achem que fora um simples barulho".

Dito e feito!

Pouco esperaram na sala, sentados nos sofás até que dois aurors apareceram em passos rápidos e muito ofegantes, ambos pareciam fora de forma e nem um pouco preocupados com o tal ruído ouvido na porta de saída.

"Não há ninguém aqui!" –o mais velho deles falou em uma estranha voz esganiçada. "Vamos voltar!".

"Esse pessoal da meteorologia anda trabalhando demais!" –o outro de olhos muito verdes concordou.

Os dois grandes homens subiram os degraus lentamente, pareciam realmente cansados do curto passeio até aquela sala, e vê-los olhares diretamente para si, para seus olhos, e nada verem havia sido uma experiência que descreveria como muito interessante.

"Dois idiotas... Quem diria..." –suspirou Jones desgostosa.

"O que há com eles?" –Draco indagou.

"Desde o final da guerra, desde a morte de Voldemort, os esquadrões de aurors pararam de fazer os treinamentos físicos que antes faziam com grande freqüência...".

"Quase duas vezes por semana! Agora fazem provas de uso de magia uma vez a cada semestre, e mesmo assim, os mais velhos como Hornick Grand... Aquele homem que esteve aqui há poucos minutos, o mais velho deles... Então, esses não passam mais por qualquer teste!" –os gêmeos explicaram.

"Mas... Não deveria ser assim, certo?" –perguntou assustada, sentindo-se de certo modo desprotegida.

"Principalmente porque ninguém sabe se fora aquele realmente o fim de Voldemort" –Acies suspirou, atraindo todos os olhares para si.

Usando a grande lareira pela qual haviam chego até lá, voltaram para a loja dos irmãos na Diagon-Alley, onde Fred e George pegaram em uma gaveta duas barras cor de laranja, assim como a poção. Partiram-nas em cinco pedaços e deram a cada um uma parte para que comessem.

"Comam isso... Tem gosto de chocolate... É algo como um antídoto, faz cessar os efeitos da poção Invisus e poderemos então aparatar para a casa de Acies".

"Por que não fomos direto para lá?".

"Por duas razões, Ginevra..." –Malfoy disse cheirando o que tinha em mãos. "Primeiro, precisávamos desse antídoto, e segundo... As lareiras ligadas ao Ministério guardam um histórico dos destinos daqueles que saem por elas, e esse histórico acusa qualquer lugar suspeito, como por exemplo...".

"A Quinta das Mansões...".

"Exatamente".

Escondidos em um beco escuro aparataram de volta para a casa de Acies, dessa vez foi acompanhada por George, o qual não permitiu que Malfoy a levasse.

"Como ousa?" –o jovem loiro perguntou com raiva.

"Você tem licença?" –George perguntou com um sorriso irônico, fazendo com que Draco ficasse vermelho de raiva.

"Sabe muito bem o porquê de não ter licença! O que não me falta é competência!".

"Precisa licença para isso?" –perguntou confusa.

Como sempre... Se você perdeu seu tempo lendo essa fic, MUITO OBRIGADA, espero que ao fim não considere esse tempo realmente perdido! Agradeço a todos que estão acompanhando, sempre pedindo seus comentários, críticas e idéias!

VALEUZÃO: Muito obrigada pelas lindas reviews, é muito bom saber que estão gostando!

Rute Riddle: Nesse capítulo há ainda mais conversas, espero que tenha gostado delas também... Logo saberemos o que há no diário, será que ele realmente tem algo de importante? O que achou desse capítulo? Bjs...

Pat: Um pouco do Ministério da Magia, mas diferente do que está no livro, entrando pela saída de emergência! Espero que tenha gostado desse capítulo... Me conte, tá bem? Bjs...

Bebely Black: Muito mais dos gêmeos nesse capítulo, eu também os adoro! Agora luto para escrever capítulos fodas, você me conta se eu consigo, tá certo? Você não é lerdinha não... Eu estou fazendo o meu máximo para deixar as leitoras perdidas, tomara que esteja conseguindo! E aí, gostou desse capítulo? Bjs...

Helemental: Estou MUITO feliz por saber que gostou da estória e está disposta a continuar seguindo a fic... Muito obrigada pela review, espero que continue gostando... O que achou desse capítulo? Bjs...

Nicole Weasley Malfoy: Eu também adoro os gêmeos, e adoro escreve-los... espero estar fazendo direito! Esse capítulo não teve muita D/G action, mas os próximos prometem! Me conte o que achou desse capítulo, tá? Bjs...

Kellxinha Malfoy: Muito obrigada por ler, e por sua review... É MUITO bom saber que está gostando, continue acompanhando a estória... O que achou desse capítulo? Bjs...

Lou Malfoy: MUITO obrigada pelos elogios, e pela sua review, espero que seja a primeira de muitas... A ação D/G está bem distribuída e mais para frente acontecerão outras coisas, ela ainda está muito confusa... Quanto ao número de capítulos, eu ainda não estou certa, portanto não tenho como te falar... Mas continue acompanhando, quando tiver certeza eu te digo... Gostou desse capítulo? Bjs...

Carol Potter: Eu não sei o que dizer... De verdade... Acho que... Ter quem goste do que escrevemos é maravilhoso, mas inspirar alguém a fazer o mesmo é... é... BEM MAIS do que eu podia esperar! MUITO OBRIGADA, de verdade, ganhei a vida com seu comentário! LÓGICO que pode usar a poção, mas aquele pó branco só saberemos o que é mais para frente... Só peço que mencione a poção como minha idéia assim, sabe como são essas autoras ciumentas! hehehehehhe... Mas MUITO OBRIGADA, mesmo... E não ouse postar uma fic sem me avisar! QUERO LER sua estória... Bjs... (veja, há vários detalhes novossobre a poção nesse capítulo).

Anita Joyce Belice: A leitora mais estressada! Heheheheh, aqui está o novo capítulo para você... Eu num demoro TANTO assim, vai... Tá, tá... eu confesso, demoro um pouquinho sim, mas é para aumentar a curiosidade! O que achou desse capítulo? Me conte... Bjs...

Rissah Hermione: Que bom que gostou! Quanto à Hermione e o Harry, eles vão aparecer, não muito e mais para o final da fic... Mas eles aparecerão... Continue acompanhando, espero que tenha gostado desse capítulo, o que achou? Bjs...