No capítulo anterior...
Virou para sua cama e se deparou com Sirius deitado displicentemente nela, mexendo a esmo e freneticamente no seu notebook.
- Coisa burra! - deu um tabefe no objeto que doeu em Lily.
- Ai, seu louco! Não faz isso com meu note – ela tomou-lhe o eletro eletrônico protetoralmente.
- Pequena! - exclamou como se a visse pela primeira vez e não esperasse vê-la (nada persuasivo, pois estava no quarto da garota) – Tu, por aqui? - sorria marotamente.
Lily o encarou incrédula com tamanha cara de pau.
- Vim salvar-te das garras daquele loiro seboso - continuou com a marotagem estedendo-se até seus olhos de um azul acizentado.
E viu muita encrenca pela frente...
On my own
- Peraí, você não pode tá falando sério! – por mais que a descrença estivesse estampada verbalmente, a verdade era que Lily aceitava o que Sirius lhe dissera com facilidade.
As atitudes do maroto não causavam mais surpresa, quando já se possuía (mesmo que fosse vago) o conhecimento sobre as suas excentricidades.
- Tu sabes que sim. Então, como ficamos? – ele se aproximou tomando-lhe uma das mãos e a cingiu pela cintura, a conduzindo numa valsa muda, que se transformou numa espécie de dança italiana ritmada a corridas de trotes lateralizados.
- Sirius! – sem fôlego, não só pelo esforço despendido em tentar acompanhar seu parceiro, como pelas risadas que lhe doíam as costelas de tão intensas.
Era gostoso dançar insanamente e mais ainda, dançar insanamente sem música, sem amarras.
- Sirius! – ela clamou por um pouco de força para ralhar-lhe uma segunda vez, estava se cansando e ele não fazia menção de parar.
- Tens que preparar-te para o ritmo de James, não queremos decepções na noite de núpcias, huh? – o sorriso dele antes inocentemente divertido, estendeu-se numa curvatura mais charmosa e principalmente, maliciosa.
Evans estancou, de faces cuja coloração era semelhante à de um tomate maduro e túrgido.
- Vamos, não pare pequena! O trabalho será árduo, coitado do Prongs se não tivesse um amigo como eu! – ele tomou a garota em seus braços, a rodopiando no ar graciosamente.
Ela não sabia se aferrava sua determinação em não rir ou se aferrava um tapa no braço do rapaz pela ousadia com que falara a ela.
Optou por uma terceira alternativa mista.
- SIRIUS! – refeita da vergonha e confusão em que Black a afogava, bateu-lhe no braço para que a soltasse, ainda com as bochechas queimando.
- O que tens Lily? – preocupado, ele tocou-lhe as maçãs ruborizadas e com uma das sobrancelhas erguidas sobre as orbes levemente terrificadas, devido a consternação.
Sirius esquecera o que era enrubescer.
- Você fica... – ela fechou os olhos para se concentrar em apagar seu rubor, Sirius riu baixinho tornando impossível a decisão dela de concretizar-se e acentuando a cor vivaz de seu rosto – Você fica dizendo essas, essas coisas! – o volume da solitária folia que vinha da garganta dele aumentou e incentivou Lily a se apressar para completar o que planejava dizer – Sobre James e mim e isso me...
- Satisfaz! – ele a interrompeu, sem sorrisos maliciosos ou risadas, mas o fulgor nos olhos azuis ora acinzentados, ora violetas a destacar-se naquele semblante tão bonito, cuja singela piscada atiraria uma garota ao coma se vislumbrasse algo do tipo dirigido a si.
- Não! – ela retorquiu horrorizada.
De onde esse menino tirava essas idéias loucas?!
- Alegra – ele voltou a tocar-lhe, sem temer os berros que o chutaram quase em cheio anteriormente para longe, desta vez brincando com os dedos da mão feminina com uma intimidade e desenvoltura inócua que assustava.
Tudo nele era natural, parecia fluir dele com uma intensidade tão genuína que espantava, um espanto envolvente.
Na maioria do tempo, ele poderia despertar paixões sem notar, iludir sem saber.
- Sirius... – ela o encarou mais calma, mas sem deixar de recriminá-lo após revirar as esmeraldas agastadamente.
- Leva-te a um orgas... – agora ele que fora interrompido, Lily lançara suas mãos exasperadamente na direção da boca dele, alarmada com o fato de que alguém pudesse ouvir tamanha asneira que ele sentenciava.
Debaixo da quentura humana de sua palma, Evans sentiu o mármore gelado, que eram os lábios de Black, desenhar um sorriso maroto.
Ele aprendera o que era o rubor, vendo a cor adorável gracejar pela face da menina, a tornando mais adorável ainda.
- Tá avisado – ela retirou as mãos não suportando o frio causado pelo contato.
Antes que ele retrucasse, bateram na porta.
- Lily! Que barulheira é essa? Anda finalmente arrumando seu quarto? Deixe isso pra depois e venha receber Amos com a educação que lhe dei! – Rose não adentrou a suíte, bem mais bagunçada que o usual devido à exploração de Black, pois seu tom não dava escolhas à Lily a não ser obedecer.
A ruiva fez uma careta de abominação.
- De novo este pin... – o olhar dela emudeceu Black, o qual findou o que diria modificando o apelido que daria a Amos -... pimpolho?
- Não saia daqui, entendeu Sirius? – ela apontou-lhe o nariz com o indicador, assemelhando-se ao pior dos pesadelos de um adolescente.
Uma professora mandona.
- Já me viste não entendendo algo pequena?
- Nem vou gastar minha saliva respondendo a essa pergunta – ela jogou as madeixas acobreadas para trás dos ombros e Sirius atirou-se despreocupadamente sobre a cama, entrelaçando as mãos e dirigindo o olhar mais ingênuo e inofensivo que existia para a dona do quarto.
Quase a convencia. Quase.
- Comporte-se – ela insistiu reprimindo um bufo perante a cara de pau dele e trancou a porta pelo lado de fora, esquecendo que ele poderia sair independentemente do local estar vedado a sete cadeados ou não.
- Amos estava nos contando que é costume dos jovens de Hoggy irem para a festa do vilarejo próximo – a senhora Potter piscou, acreditando piamente que o fazia de forma mais que discreta (seria secretamente, a palavra mais adequada) para Diggory.
Lily suprimiu mais um revirar de olhos, na metade da ação, bem a tempo de sua mãe não enxergar.
- E como estamos indo embora em cinco dias no máximo, achei que você poderia ir com os seus... – o que sua mãe continuou a falar, foram letras desconexas para Lily.
A voz maternal fora deformada, como um cd arranhado e tenebroso, e que ecoava numa repetição cíclica.
Cinco dias no máximo...
Cinco dias...
Máximo...
Cinco...
Máximo...
-... e como vocês jovens adoram festas, estava pensando... – Rose corria sua atenção de Amos para a filha com o cérebro borbulhando de segundas intenções cupidescas.
- CINCO DIAS?! – a menina berrou sobressaltando sua mãe com a interpelação brusca e estrepitosa e, provocando o estreitar de olhos em Amos.
- É mocinha, cinco dias – frisou a senhora Potter abismada com a falta de educação de sua prole.
A tensão amassou o esôfago de Lílian, espoliando seus planos íntimos, resguardados no cofre indestrutível de seus sonhos.
Sem dar explicações, correu para seu quarto, não ouvindo os chamados de sua mãe e não se importando com a presença de Diggory.
Escancarou a porta com estardalhaço e nem sinal de Black sobre sua cama.
Evitando trazer à tona as frases de sua mãe, ela vasculhou cada canto do aposento em busca desesperada pelo moreno, com a respiração entrecortada, a visão principiando a embaçar-se e os dedos a tremer, sendo dominados pelo frio prenúncio de seu afastamento.
Longinquamente, o ruído da caminhonete de Amos partindo chegou-lhe às percepções e sua mãe não a procurou, como se soubesse que a menina ficaria melhor por um tempo sozinha.
Enclausurando-se naquele pedaço da casa que tomara como seu e ao qual se apegara, nunca pensando no momento em que o deixaria, ela percebeu em vão que não conseguiria se impedir de relembrar o que sua mãe dissera.
Que deixaria a vida que vivera ali.
As pessoas que conhecera ali.
Os sentimentos que despertaram nela ali.
A pessoa que conhecera ali.
Os sentimentos que esta pessoa despertara nela ali.
Abafando sua tristeza no travesseiro, Lily soluçou. Com as imagens e frases de certo garoto a lhe ocupar os pensamentos.
- Não... – perdeu a noção do tempo, a sensação tátil das lágrimas a escorrerem-lhe pela epiderme e o olfato, devido o nariz obstruído.
Apertando mais a almofada, afogou suas mágoas na mesma.
Anoiteceu e nenhum sinal dos marotos.
Sem lágrimas e com a sensação de adormecimento espalhando-se pelo coração, Lily desceu as escadas alheia ao que sentia.
Sua expressão era vazia.
Desprovida de afeto.
A insensibilidade cedendo sob o formigamento. A realidade querendo despontar em seu discernimento. Apática, Lily cedeu ao confronto que lhe era angustiante e penoso.
O despojar-se de afeto predominou na entonação, gestos e expressão facial da adolescente.
- Mamãe – fitou o abajur decorado em xadrez, na cabeceira da cama de Rose – Peça a Amos para vir me buscar, okay?
O ambiente não decepcionava o mais exigente dos jovens.
O jogo de luzes, o bar movimentado por bartenders de ambos os sexos a agradar os gostos mais diferentes.
A música estouvadamente alta e o forte cheiro contaminante de cigarro, mesclando-se com a fumaça de gelo seco artificial poderiam irritar Lily. Todavia, lhe foram indiferentes.
Frank e Alice avisaram que iriam buscar bebidas, quando a verdade conhecida por todos era: eles foram procurar um lugar tranqüilo para se curtirem, pois ultimamente a cobrança dos pais de ambos estava sendo intragável, não lhes dando chance de namorar.
Emelina ignorava facilmente (esse era o hobby dela, ignorar com indolência e o que você pratica e pratica só pode lhe tornar um expert) um rapaz de compleição atlética, que se esmerava em convencê-la a dar-lhe uma chance.
Gladys encurralara Mark numa dança entusiasmada no centro da pista, amarrando o garoto a si quando ele tentava escapar, a cena era cômica. Se você não fosse Topsham, ou estivesse apaixonada(o) por ele.
Lily encarava o casal sem realmente vê-los e Veronica ao seu lado, se dividia entre observar a contemplação vaga da ruiva e a visão que era o loiro do outro lado. O que explica parcialmente a interpretação equivocada quanto à fixação de Evans.
- Você. Devia. Ir. Lá! – sobrepôs sua voz a barulheira do local com dificuldade – Ele. Gosta. De. Você. Sabe? – insistiu, em intervalos a arriscar uma rápida análise sobre Amos.
Como Lily não respondeu, Veronica se focou em algo mais importante: puxou Diggory para a pista.
A ruiva encarou agora os dois casais no centro e Eme se postou no local em que Amos estivera antes.
O cara metido a Michael Jordan bebia desolado no bar.
Não era à toa que Vance sustentava um sorrisinho vitorioso nos lábios, vencera a contenda da indiferença.
- Se não o conhecesse, diria que está tentando lhe causar ciúmes – devido ao som ensurdecedoramente elevado, Lily não teve certeza sobre o que ouvira Emelina dizer, além da frase combinar tão pouco com o tipo de coisa que a garota falaria.
Demonstrando um escasso interesse, Lily fitou Eme.
Afinal, a quem ela se referia?
Mark? Amos?
Finalmente Diggory desvencilhou-se de Veronica e dirigiu-se ao bar, embrenhando-se entre um grupo animado de tal jeito, que a garota não poderia acompanhá-lo. Frustrada ela o assistiu se manter protegido contra os ataques dela, até se deparar com um garoto a estar de bobeira curtindo a sua bebida.
Tentando chamar a atenção do loiro, apelou para um parceiro desconhecido.
"Tens que preparar-te para o ritmo de James, não queremos decepções na noite de núpcias, huh?"
A voz de Sirius veio para assombrar a mente de Lily, antes distraída com fatos hilários de tão ridículos.
Vedou os olhos, as imagens insinuantes de Veronica sobre seu companheiro estranho impregnadas na retina de forma irremovível, assim como a indiferença de Amos diante dos relances que Smethley lhe atirava.
"Vamos, não pare pequena! O trabalho será árduo, coitado do Prongs se não tivesse um amigo como eu!"
O maroto continuou a lhe dizer e Lily entendeu que não adiantaria dormir, cegar-se, emudecer ou ensurdecer nessas festas ruidosas para jovens, mesclar-se àquelas pessoas como se fosse um deles quando não era, nunca seria... Assim como James não era como ela, assim como ele não pertencia à sua vida e conseqüentemente, ele sairia de sua vida...
- Ela está tentando salvar o seu amor – Eme comentou se fazendo ser notada por uma segunda vez no mesmo dia, no mesmo local, pela mesma pessoa (no caso Lily), em menos de dez minutos.
Recorde.
O som altíssimo era o incentivo?
Ou era um milagre?
O que ela dissera a propósito?
Ah sim... Salvar o seu amor.
Salvar o seu amor?
- Salvar o seu amor, provocando ciúmes? – Lily retrucou e Vance levantou os ombros, a mudez habitual atacando quando Lily precisava que alguém lhe falasse, que alguém lhe gritasse para a voz de Sirius não retornar.
Eme foi para o banheiro.
Evans olhou para os dois casais na pista, sem pensar na razão que a movia para fazê-lo, sem cogitar outra coisa para fazer, sem pensar em admirar outro pedaço da boate. Acompanhou a direção dos olhares emitidos luxuriosamente de Smethley para um Amos concentrado em se afastar de outra garota, que se atirava abertamente e tão sem pudores quanto Veronica para cima dele.
O rapaz parecia um imã em forma humana.
Lily piscou.
Os movimentos ousados e gritantemente sugestivos de Veronica se intensificaram. Igualmente as investidas da moça (que era uma incógnita) se deram.
Amos estava começando a se aborrecer.
Lily piscou duas vezes.
"Escreves e queres uma história emocionante para retratar. Pois dar-te-ei uma e então, irás embora. Não voltarás nunca mais"
Ele lhe falara tão diretamente. Sem meias palavras, sem meias verdades... Fora tão sincero e ela idiota!, não percebera. Deixou-se estar comodamente em seu castelo, construído com areia, à beira do mar... Até a onda levar-lhe tudo. Absolutamente tudo.
Alguém riu, cortando as divagações dela.
- Amor... – uma garota sussurrou para seu namorado que lhe abraçava acaloradamente perto de Lily, por um triz não esbarraram nela.
Salvar seu amor...
"Vá agora, não me faça dizer-te uma segunda vez"
Ele podia ser tão cruel quanto queria. Retificando, ele não estava sendo cruel, não a estava iludindo. Ela criou tudo aquilo, toda a situação. Era merecido que passasse pelo que estava passando, ela propagara o que vivenciava. James não era o culpado.
Ela era.
Frank e Alice se juntaram aos outros na pista, dançando em sintonia. Ambos sorrindo mais que nunca.
"O que achaste dos marotos?"
Uma piada!, ela sentiria-lhes falta... Com certeza.
"Isto é uma esponja trajada com bermudas quadradas?"
É, estranho?
Os quadris remexiam subentendendo... Num ritmo carregado de sexualidade feminina. Se Veronica estivesse junto de Amos, eles dançariam assim?
A morena inclinou-se sobre Diggory.
Isso era amor?
Veronica esboçou uma careta azeda.
Salvar seu amor...
Amos desviou, se movendo para levantar e foi empurrado de volta pela intrusa e, Veronica praticamente escalava o seu parceiro.
Provocando ciúmes?
A fumaça subia em torvelinhos sobre a cabeça de todos os presentes.
"Queres tentar por mim?"
James soava aborrecido aos seus ouvidos devido a interrupção de Sirius.
"Guarde isto para James, ele que desfazer-se-á em tuas mãos"
Remus só poderia estar lhe zombando ao afirmar isso. Pois era o oposto que ocorria, visível e com todos os contornos bem nítidos para quem quisesse ver e para quem não quisesse.
James, James, James...
Movida por uma mesclagem indistinta e confusamente multi fatorial, ela andou na direção do casal arranjado de uma única parte, que estava sentado no bar.
Ela estava salvando o seu amor...
Provocando ciúmes?
...
A ruiva se interpôs entre Amos e a morena, com leveza e segurança que não sabia possuir. Tanto quanto não tinha conhecimento real sobre sua beleza e sensualidade ressaltadas naquele corpete negro, a mini saia a expor as pernas que tomavam como cativo o fôlego de qualquer garoto.
A batida da música acelerou e, languida e graciosamente, Lily enlaçou o pescoço de Amos, estupefato e que mostrava surpresa; pela primeira vez corando diante da intimidade com que era tratado por Lily.
A desconhecida e Smethley inativaram inclusive suas respirações, voltadas de olhos arregalados para Lílian, que beijava de forma lenta e atiçadora Amos.
Não demorou mais que cinco segundos para o rapaz envolver a cintura de Evans e corresponder o beijo na mesma intensidade e modo.
Que o corpo de Lily se rebelara e agira por vontade própria outras vezes, era comum. No presente instante, ele não fizera diferente.
Ou talvez a própria garota o comandara, consciente e propositalmente, e não seu corpo que a comandara. Sendo que o pretexto para acusá-lo, era a necessidade de se inocentar perante algo moralmente errado. Mas eticamente aceitável.
Diggory a aproximara mais de si, ela enterrou suas mãos nos cabelos macios dele. A língua quente e masculina explorando-lhe os prazeres.
A morena bufou e rumou para longe.
Verônica correu, chorando para o banheiro.
Eme sorriu como se já esperasse o que visualizava e foi atrás de Smethley.
Mark parou seus passos realizados com muita má vontade por ter que acompanhar Gladys e esta o puxou para um beijo, sendo afastada logo em seguida.
Lily rompeu o contato íntimo e desencadeador dos impulsos mais primitivos em Amos e sinalizou para ele segui-la em direção ao meio da pista.
Hipnotizado, o loiro a escoltou.
Sincrônica e voluptuosa começou a dançar, erguendo os braços, logo encaixados sobre o ombro dele.
Diggory procurou pelos lábios dela ardentemente, rodeando o corpo esbelto como se o monopolizasse. Lily inclinou a cabeça para trás, evidenciando a alvura de seu colo e pescoço contrastante com a cor de seu corpete.
Seus fios alcançaram o terço distal de suas costas, bailando ao compasso de sua dona, se desprendendo em cascatas irresistivelmente beijáveis e perfumadas a partir de sua cabeça.
Seus olhos abriram, como se despertasse de um transe secular ansiosa por voltar a enxergar a vida e as cores ignoradas por longo tempo.
Colou sua pele à de Amos involuntariamente e desceu seu velar do teto para as paredes e as pessoas que a cercavam, a cutis de seu pescoço amada entre mordidas e beijos.
"Lhe disse pra se manter longe daquela porra de castelo Lily!"
Um Amos tão distinto do de agora, lhe gritava.
Fechou os olhos, o que estava fazendo...?
"A minha mãe morreu aqui em Hogsmead"
Ele voltou a lhe avisar.
E ela não lhe deu ouvidos.
Uma lágrima desceu-lhe pelo rosto como a querer provar o sabor daquela epiderme tão tenra.
- Eu sei o tipo de morte que eles causam..., concluiu num sussurro amargurado para si.
- O tipo de morte que ele causa.
A regularidade da música repetiu o crescendo com mais ímpeto e Lily se sentiu sendo atirada num lago gelado, tendo em seguida sua cabeça mantida à força no fundo, sem poder respirar, sem poder lutar por sua vida, pois o frio era imobilizante.
Fatigada, ela desistiu.
Reabriu os olhos e o viu.
Suas mãos emitiam ondas de temperatura abaixo do grau zero, suas pernas não se moviam, não possuía mais articulações para fazê-lo. Seus lábios se entreabriram secos e inexpressivos, seu tórax mal expandia para que pudesse respirar, seu coração entrara na inércia provocada pela gelidez de seus membros.
James a olhava possesso.
Os cabelos mais arrepiados do que nunca, os braços flexionados demonstrando superficialmente a ira que lhe apertava o âmago. Os olhos detendo uma conformação selvagem.
De postura enrijecida, ele desviou seu olhar enegrecido de ódio para Amos.
Lily tremeu de medo.
Não medo por si, medo pelo garoto.
O que fizera?! Oh Deus...!
A imprevisibilidade quanto a como James reagiria a consumiu, não aguentando esperar, ela tomou uma atitude.
- Preciso ir ao banheiro – avisou a Diggory e se apressou em sair dali.
Era a única chance que tinha de evitar o pior.
Os jovens colidiam com ela, descuidados.
Em choque, ela os empurrava com o coração aos pulos.
Estava tão atordoada que não vira por onde ia e aparentemente, tudo voltara ao normal. Era isso.
A adrenalina perdia seus efeitos sobre os órgãos alvos da garota, promovendo a sensação de que tudo voltara ao normal.
Era isso, assegurou para si mesma.
Talvez nem vira James, foram só sua imaginação e desespero. Por que acreditara que fazer o que fizera traria ele de encontro a ela? Que irresponsabilidade.
É, fora isso. Precisava esclarecer as coisas para Amos. Pedir desculpas.
Faria isso!
Virou-se.
- És minha – a possessividade era mais forte, muito mais forte, era como bater contra um bloco de concreto, não havia como não deixar marcas.
Tontura e a sensação de ter pedido o chão sob seus pés invadiram Lily violentamente.
- Minha – ele repetiu e a abraçou, sua pele fria comprimindo o corpo delgado e morno dela.
Lily sentiu correntes percorrerem-lhe a tez numa confusão de direções, vibrações, modos e intensidades.
James a encarou. A possessividade nua a latejar, crescendo como se não existissem limites, em seu olhar ainda mais obscuro. A encarou, reforçando e a subjugando sob sua possessividade. Ela era sua, de mais ninguém.
Lily o encarou de volta, a mente sendo atirada a extremos de três pontas: de excitação e depressão e pavor, seus lábios rachando devido a desidratação que a presença do garoto os fazia passarem.
James deslizou suas mãos para as costas dela impondo pressão e determinadamente diminuiu até anular a distância entre eles.
Não sabia o que fazer, ela estava perdida entre nuvens.
- James... - disse e diligente, Potter ouviu.
- Não – impediu que ela dissesse algo mais – Farei com que esqueças teu nome e que sabes falar – ela o escutou como se houvesse somente os dois e não aquela confusão.
Vestido com trajes comuns como de qualquer adolescente, ele a estreitou mais entre seus braços não permitindo que o cérebro dela articulasse fazer outra coisa a não ser clamar por ele.
E ele conseguiu o que maquinava.
Lily fremiu perante a determinação sólida e vigorosa dele.
- És minha – sussurrou obtendo o mesmo efeito que um grito anunciador da mais sofredora das torturas e da declaração mais enternecedora e apaixonante.
Aproximou seu rosto esplendoroso do dela em suspensão, a observou descer as pálpebras sofregamente esperando pela hora em que seria tocada. E contradizendo a grosseira e máscula possessividade com a qual a vinha tratando, ele beijou-lhe docemente os lábios.
Cada centímetro dela valia mais que a jóia mais cara, mais valiosa. Despertando um desejo doloroso de ser contido nela, ele brandamente a absorveu em seu magnetismo.
Lily gemeu imperceptivelmente, pedindo por mais. Por um contato mais profundo. Ele sorriu entre seus lábios, satisfeito. Obtivera o que seu ego exigira e respondendo à necessidade dela, provou-lhe da língua. No princípio, movido numa cadência morosa, sensual e acelerada quando Lily cravou-lhe as unhas na nuca, carente e ansiosa por mais, e ele contraiu-lhe a cintura.
Então ele quebrou a ligação.
Ainda elevada, demorou segundos para descerrar os olhos e notar que ele a encarava sem carinho.
Cruel.
A possessividade dominando-lhe as feições e as orbes de novo.
Lily se sentiu pequena no aperto dele, diante dele, diante daquele sentimento de posse que se desamarrava sedento de seu corpo gelado para chocar-se contra o dela.
- Dê o fora nele – era uma ordem.
Ela boquiabriu-se.
- Agora – e como se não a tivesse beijado, como se não a tivesse feito chorar e passar por todo o sofrimento e desespero, ele lhe deu as costas.
Caminhando incerta e mole, com a segurança em frangalhos e como uma sombra daquilo que fora antes de James agir assim, ela rumou para o bar.
Amos acompanhou preocupado a aproximação dela.
Agora sim, ele parecia o garoto que ela conhecia.
Mas ela não se parecia com o que achava que era...
- Podemos conversar? - ela berrou e ele anuiu a conduzindo para fora da boate.
Por que? Por que?? POR QUE?, sua mente gritava-lhe nos sentidos, a deixando zonza e desamparada quando o que mais precisava era pensar racionalmente. Sua consciência a acusava e agia com histeria, deixando Lily mais perdida e confusa, amedrontada.
- Amos, tenho que lhe pedir desculpas – ela começou não o fitando nos olhos e ignorando suas dúvidas e medos internos a gritar.
Olhe nos olhos dele.
- Por que Lily? - ele segurou-lhe as mãos e ela o encarou relutante.
- Não posso ficar com você. Não é certo – ela continuou, o observando franzir o cenho.
Ah, como se odiava!
- O que? O que quer dizer? - ele estava mais preocupado ainda.
- Estou indo embora e não é justo começar algo com você que nos fará sofrer.
Diga que não gosta dele. Que o usou.
- NÃO! - ela vociferou oprimida pelas exigências de James, ele lhe adentrava a mente brutalmente, os ouvidos, o coração, o sangue, os poros.
- Não? - a preocupação estava abrindo espaço para a confusão nas faces de Amos.
- Eu... - ela mirou o chão.
Olhe...
- Não gosto de você assim, Amos... - volveu seu olhar para o loiro antes que James completasse o ditame.
Ele a fitou espantado e ofendido e, Lily se sentiu a mais vil das pessoas.
Estou orgulhoso de ti.
Com as lágrimas a transbordarem-lhe pela face mais uma vez, correu para longe de Amos e quiçá, longe de James.
- Onde pensas que vais? - ele a deteu de sua fuga para sabe Deus aonde.
- Longe de você! Longe dessa loucura! Quem pensa que é pra me tratar desse jeito?! - ela avançou para cima dele, precisando exteriorizar a revolta que a sufocava, a mágoa.
- E tu que estavas a beijar outro! Me dizes que isto é loucura? Que a trato deste jeito? - ele retrucou inflamado, usando de sua imponência para fazê-la recuar, para amedrontá-la.
O rapaz indiferente e controlado era uma pessoa dissemelhante, não era James Potter...
Ela estava vermelha, arfante e com o rosto molhado pelo choro. Para alguém imortal, percebia-se a alteração nele devido as feições contraídas e a sensação de medo que despertava nos outros, e James o fazia premeditadamente.
- Eu te odeio, te odeio! - bramou e seguiu para outra direção, agindo adversamente ao que ele provocava nela e impunha.
Potter a assistiu sumir.
Ela não era nada, não significava nada, repetia para si não conseguindo portar-se com descaso.
Lily evitava o assunto sobre a festa com sua mãe, assim como a presença de Amos. Não tinha direito de lhe dirigir a palavra, refletia ela. Além do que, lhe restavam poucos dias no vilarejo e poderia sair da vida daqueles que nunca lhe fizeram mal. Do contrário, sempre a acolheram e trataram de torná-la uma do grupo por mais que ela não o quisesse e fizesse de tudo para se manter afastada deles.
Estava a pensar no quintal de sua casa temporária, quando seu pai sentou à sua esquerda.
- Sentirei saudades – comentou admirando todas as dimensões que sua vista alcançava, sem deter-se por mais que segundos num local específico.
Lily se manteve calada.
- Mas também não vejo a hora de pegar no batente de novo – sorriu diante da contradição que lhe ia na mente – O nosso mundo tecnológico me faz falta.
- Quanta falta... - concordou a garota se lembrando do que voltaria a desfrutar ao retornar para a capital inglesa.
Ao retornar para o seu lar.
Seu verdadeiro lar.
- Venha lanchar conosco depois, okay filha? - ele beijou o topo da cabeça da filha e afagou-lhe o ombro.
Anuindo, ela viu o pai fechar a porta dos fundos da casa.
Provavelmente, sua mãe relaxaria agora.
Uma brisa morna naquele inverno, brincou-lhe com os cabelos e acariciou-lhe a face.
- Oi Lily – Sirius surgiu sentado, onde antes estivera Alan Evans.
E por uma segunda vez, ela permaneceu silenciosa.
- Desculpa-me por ter desaparecido sem avisar – ele prosseguiu totalmente virado para ela, não sendo encarado em resposta ou recebendo uma constatação de que ao menos estava sendo ouvido.
- Prometo bater em James para ti – ela o fuzilou com os olhos verdes em chamas, como folhas novas a queimar perigosamente.
- Somente assim para me olhares – se justificou usando uma seriedade que lhe caía bem, mas não fez a garota se sentir melhor.
I walk alone
Think of home
- Eu sei o que passa contigo – ele se posicionou de modo a fitar o mesmo ponto fixo que Lily fitava horizontalmente.
Ela relaxou os ombros e abraçou os joelhos, suavizando suas linhas faciais.
Memories of long ago
No one knows I lost my soul long ago
- Quando te acusam injustamente, quando te sentes lutando contra algo bem maior que ti, bem maior que tua força. Quando te reduzem a um nada sem piedade e de uma maneira inumana – ele pausou notando o coração dela sossobrar, fraquejar diante de uma determinação tomada para si com fins de não se machucar mais ainda, porém estava causando o oposto: mais dor.
- Devíamos parar – ele afetuosamente a abraçou pelos ombros.
Não importando a ela se os braços que a volteavam em conforto eram gélidos como a noite, eles proviam mais calor que um abraço de seu igual.
Sirius a entendia.
- Ainda me deves uma consulta médica, não fugirás pequena – ele piscou-lhe, sorrindo levemente.
Estavam no mesmo local em que James e ela foram interrompidos pelo próprio Sirius. Por mais que Potter estivesse se mostrando arrogante naquele momento, mesmo assim, fora diferente do comportamento da noite passada.
Preferia que ele não a tivesse tratado daquele jeito.
Preferia que ele não a tivesse beijado.
Preferia que ele não tivesse entrado em sua vida.
Sirius a conduziu para um sofá no qual ela nunca reparara, igual a outros detalhes do ambiente.
Resultado da presença de James.
Sentiu Black aconchegar-se mais a ela, num instinto protetor e ela ouviu seu próprio ato de deglutir lentamente.
- Por que não fizeste o que tinhas que fazer? - a voz dele era tão suave, apesar de gesticular com desprezo, os dedos compridos a reluzir no ambiente sombrio.
O desprezo só poderia ser por causa dela, pensou a garota mais ressentida do que podia acreditar. As sensações antes maravilhosas que ele deflagrava em seu ser tinham uma nova companheira: a mágoa.
Sirius se aprumou, parecendo se preparar para algo e Lily não entendeu.
- Convocando uma reunião? Para que Padfoot? - insistiu James já diante do casal, enquanto o amigo se mantinha calado.
Lily não conseguiu conter um gritinho pela surpresa e velocidade descomunal inesperada naquele instante.
Os olhos faiscantes de James desviaram para ela, e ela pode se ver refletida na superfície perturbada deles.
- James, eu... - disse sem convicção ela.
- Leve-a daqui – cortou-lhe, se afastando assustado e irritado – Cumpra o que tens que fazer Sirius – ele não usou o apelido e acrescentou em súplica sussurrada – Por favor.
Lily alinhou os ombros e fixou um ponto em linha reta para manter o olhar soerguido e as orbes limpas de lágrimas, necessitava da ajuda da gravidade para contê-las.
- Venha Lily – ela sentiu novamente os braços de Sirius envolvê-la.
Estendia-se com elegância e imponência, a enorme e negra mansão.
- Amaldiçoada seja a vossa chegada, reles mortal que adentra a casa dos muy nobres Black – narrou Sirius ao transporem o portão com um brasão bronzeado no formato da consoante "B".
- Obrigada, sir Padfoot – devolveu sarcástica, cumprimentando o maroto levantando a barra de sua saia de faz-de-conta.
- É me um imenso prazer, milady – respondeu como um perfeito cavalheiro, não maculando-lhe a pele alva com seus lábios, somente fazendo menção.
- E vamos ao circo!
Lily riu do bom humor e entusiasmo dele, totalmente confortável e feliz onde se encontrava.
Não havia como se sentir para baixo tendo um Sirius Black ao seu lado.
Ele valia ouro.
Vários empregados andavam pelo hall principal, arrumando os itens mais diversificados para uma comemoração elegante e discreta.
- Kreacher! - um rapaz despontou por uma das inúmeras portas, balançando em uma das mãos um papel como se não acreditasse no que lera ali.
De cabelos curtos e vestido para uma ocasião social de grande importância, ele atravessou o hall em direção a um homem de meia idade, o tal Kreacher (de orelhas e nariz grandes demais, que poderiam causar um estrago se metidos sem cautela numa cristaleira).
- Sim, senhor Black – o rapaz franziu o cenho diante do cumprimento e Lily teve o pressentimento de que o conhecia de algum lugar, enquanto Sirius desviou o olhar da cena entediado.
Antes que a conversa se consolidasse, uma mulher prorrompeu provocando um escarcéu na aparente harmonia da casa.
- Espero não ter que culpar alguém no meu casamento – ela não falou para ninguém em particular, mas todos os serviçais anuíram e a atmosfera se carregou de tensão.
- Boa tarde Regulus – ela cumprimentou o rapaz e sua fisionomia teve as linhas arranjadas discretamente de forma a mostrar desprezo, ela se fazia entender com facilidade e Lily acreditou nunca ter encontrado alguém tão facilmente odiável também, até mais do que Petúnia – Onde está meu querido primo?
- Aqui Bellatriz – um Sirius de sorriso maior que a própria boca, surgia à esquerda da mulher altiva e contradizendo o tratamento que deveria dirigir a prima como vingança, ele a abraçou.
Regulus reprimiu a risada entre um espirro e uma tosse, num barulho bizarro.
- Deverias permitir-me cuidar dos preparativos de teu casamento – o esgar se tornara jocoso, e os olhos violetas dele transpareciam um sentimento contido, uma calmaria falsificada naquele mar escuro e revolto.
- Assim como preparei o teu com esmero – ela devolveu sem pestanejar e se retirou.
- Vais ficar, não vais Sirius? - agora Lily entendeu o porquê de achar que Regulus lhe era familiar, era parecido com o irmão mais velho.
- Se procurasse uma morte prematura e sofrida – respondeu acompanhando com indiferença o movimento dos empregados.
Sua atenção deteu-se por um ínfimo período mais prolongado sobre uma menina que não deveria possuir mais que oito anos.
- Mamãe não...
- Mamãe isso, mamãe aquilo. Regulus – Sirius encarou o irmão não escondendo a irritação que antes utilizara talentosamente - És um homem, não uma criança que se vê coagida por pais onipotentes.
Que o caçula queria argumentar mais, isso era visível. Porém, Sirius não lhe deu valor, voltou por onde viera, olhando com clara aversão para o mordomo que se mostrava servil a Regulus.
Mal o maroto sumira, uma senhora, de coque alto e traços sisudos que lhe davam um ar de extremo poder e imposição, entrara dando ordens como se já tivesse nascido as dando, seu olhar subjugava sem maiores esforços as pessoas ao seu redor.
Ela mais que impunha respeito, impunha medo tão fortemente que se equiparava a algo sólido e definido.
- Entregue a Orion – dispensou um de seus empregados.
- Bellatriz já chegou – avisou Regulus com Kreacher postado atrás de si, como um cavaleiro fiel.
- Kreacher, mostre o conjunto de porcelana que escolhemos para ela – mandou e se aproximou do filho.
- Onde ele está? - não era preciso perguntar a quem ela se referia.
- No quarto – disse muito rápido.
Rápido demais.
Walburga estreitou os olhos.
- Arieth! - no outro segundo voltara a dar ordens.
Regulus espirou com força e guardando o papel no bolso de sua calça, seguiu o mesmo caminho que anteriormente Sirius tomara.
Este estava sentado no parapeito de sua janela que mais parecia uma porta de tão colossal. Com o olhar focado além dos portões, como se eles fossem seus executores.
O ruído da dobradiça a ranger, o despertou.
Regulus entrava no quarto.
- Vieste juntar-te a mim na farra, maninho? - Sirius descera e arrumara espaço na sua escrivaninha de um jeito descuidado, jogando alguns objetos no chão mesmo.
- Só acho que deverias reconsiderar, porque é o casamento de nossa prima e...
- Se fosse o funeral seria o primeiro a chegar e o último a sair. Além de dar a maior festa que o pouco dinheiro que me é destinado, permitisse!
Lie too much
She said that she's had enough
- Repita isso Sirius Black e deserdo-te! - Walburga tinha um convite em mãos e o torcia não disfarçando a raiva que sentira ao ouvir o que o filho dissera.
O rapaz, por sua vez, nem se abalou, continuou a escrever.
- Estás a me ouvir? - ela se aproximou e Regulus se afastou, temeroso.
Sirius descansou a caneta que utilizava e dobrando a folha, calmamente levantou os olhos para sua genitora.
- No velório, estarei presente com prazer – ele parecia saborear cada palavra dita.
- Suma da minha vista!
Sirius contraiu o rosto, enfim deixando aflorar um sentimento adverso ao prazer de aborrecer seus familiares, algo adverso do empenho adotado numa mutiladora batalha camuflada em pomposas e plumosas palavras, frases e entonações.
- Varre-te daqui!
Com pensamentos alegremente homicidas, ele se retirou.
- Não és meu filho.
Am I too much
She said that she's had enough
Black fingiu não dar importância, fingiu não ter ouvido, fingiu não sentir, fingiu não estar ali.
Fingiu realmente não ser filho dela.
A valsa entre noivo e noiva ou melhor, já marido e esposa era somada com a de outros casais.
Sirius estava ali.
Por que?, era o que insistentemente se perguntava...
Standing on my own
Agitava o líquido caramelado de sua taça, parecendo estar hipnotizado pelo movimento sincronizado do uísque, com seus pensamentos em branco, com sua vida a correr-lhe como um filme em branco pelas retinas.
É, ele não tinha vida. Não ali.
Sua mãe não fazia esforço em classificar as famílias merecedoras de comparecerem a um evento social qualquer da realeza.
Seu pai articulava com pessoas tão desprovidas de coragem e fibra quanto ele.
Não avistou Regulus e preencheu sua taça mais uma vez.
Remembering the one I left at home
Forget about the life I used to know
Forget about the one I left at home
- Hoje somente eu e tu, bella mia – disse para sua taça espirituosamente, nem Andromeda e nem tio algum para salvá-lo do hoje, do agora, do presente, seu algoz cruel.
- Esta é difícil – uma mulher negra e de cabelos compridos perfeitamente encaracolados, olhava para a menina que segurava pelo braço.
Outra mulher branca e de cabelos lisos, também olhava preocupada para a criança que segurava pelo outro braço.
Sirius observou as duas que se postavam voltadas para a criança e pareciam não dar a mínima para o que ocorria ao seu redor, pareciam não pertencer àquela comemoração.
A garotinha apontou inesperadamente para Sirius e com suas bochechinhas coradas disse audivelmente se fazendo entender:
- Papi...
As duas mulheres viraram espantadas para o homem, inclusive Sirius. Que produziu um ruído estranho ao rodar seu pescoço com estrépito para trás.
Percebendo alarmado que a menina apontava para ele.
- Ela não é minha filha! - negou assustado e as moças o encararam possessas.
- Como não é?! - a negra despontou, colocando as mãos na cintura, modelada por um vestido de uma só alça que lhe evidenciava as curvas femininas – Ela apontou para ti!
- Isso mesmo – a outra pegou a criancinha no colo e olhou indignada para ele, logo acalentando a menina que ameaçava abrir um berreiro – Xiii, calma Manu, calma bebê...
- E então, vai negar de novo, seu pai irresponsável que fica esquecendo tua filha pelos cantos?
Antes que a mulher batesse em Sirius, Carol interviu.
- Mais devagar Samy, não podemos assustar a criança – e impediu que a menina desfizesse o laço que prendia seu vestido ao seu corpo esbelto.
- Tome – empurrou a criança para Sirius e que instantaneamente parou de chorar, brincando com a lapela do traje dele.
- Mas ela não é minha filha! - Black quase estava para ter um ataque, enquanto Emanuela ria das caretas de desespero dele.
- Papi – disse fazendo com que Carol e Samara o encarassem, levantando uma sobrancelha.
- Não é o que parece... - ele admitiu derrotado, se acomodando sem muita destreza na cadeira com a menina no colo e Carol foi a primeira a se condoer.
- Talvez ele realmente não seja o pai da Manu – confidenciou para Samara.
- Hum... Ele é muito novo e lindo né? - acrescentou Samara com um sorriso cheio de segundas intenções.
- Nossa...! - as duas exclamaram ao mesmo tempo.
E riram, chamando atenção de Sirius.
- Qual a piada? - ele tentava falar sem que Manu quisesse enfiar sua mãozinha na boca dele ou em qualquer orifício que estivesse ao seu alcance no rosto dele.
- Talvez, estamos dizendo talvez, ela possa não ser tua filha – explicou Samara enquanto Manu fez uma careta, como se tivesse entendido o que a mulher dissera.
- Graças a Deus! - exclamou aliviado se levantando apressado e depositando a menina nos braços de Carol novamente.
O berreiro deixou quase todos surdos.
- Hey seu apressadinho a segure, nós não dissemos que tu não eras o pai! - arguiu Samara contendo Black antes que fugisse.
- Pois é! - Carol devolveu a criança para Sirius.
- Agora cuide muito bem da tua filha, seja um bom papai né Manuzinha – agradou Carol beijando o topo da cabeça da criança, de onde desciam vários cachinhos negros e macios.
- E tu – acariciou o nariz pequeno e redondinho da menina – Comporte-te, não deixe teu pai louco. O coitado estava bebendo preocupado com a tua falta – falou Samy sarcasticamente e Sirius se encolheu involuntariamente.
A garota assemelhava-se com uma juíza, logo o condenando.
- Manu! - uma babá atravessou o jardim às respirações curtas – Não faça mais isto, sua menininha má! Quer nos matar do coração? - tirou Manu dos braços de Sirius sem ligar para os três adultos que estavam ali.
Black encarou vitorioso e cruzando os braços austeramente encerrou a discussão com uma expressão indecifrável no rosto belo. As duas mulheres o encaravam de volta, sem graça e levemente ruborizadas.
- Eu disse que ela não era minha filha.
Lily gargalhou, enquanto Sirius se mantinha com uma expressão irritada no rosto.
- O que foi papaizinho? - ela tirou sarro dele.
- Elas eram loucas, isso sim – ele balbuciou mal entre abrindo os lábios para falar, o que fez Lily rir mais ainda.
- Já gastou tua cota de felicidade, agora vamos – ele a puxou pelo braço incomodado com as gargalhadas dela que se tornavam mais fortes..
Estavam no quarto do maroto, mas em outro dia.
I need to run far away
Can't go back to that place
- Não. Não. Não. Não. Não. Não... - Sirius, com vestes mais despojadas, riscava o que parecia ser uma lista extensa.
- Minha amável mãe me toma por quem? Que ultraje... - ele falou para si, atirando a folha para um canto qualquer do quarto e apoiando sua cadeira unicamente nos pés traseiros, a oscilando sem um propósito definido.
Largou sua caneta a esmo, levantou-se e andou letárgico para a janela. Suas orbes se perdendo de novo num ponto aquém do portão.
Aquela imagem o estava torturando.
Escancarou a porta e desceu a escada aos tropéis, pulando os dois últimos degraus com desenvoltura.
Seguiu até o ambiente se remodelar numa área descoberta, decorada com escassas plantas e cores, dando um ar sufocante e frio ao local.
E lá estava Walburga, servindo o que aparentava ser um chá para as mulheres de mesma classe que a sua.
Inclinou-se para ser servida com mais chá e sua vista chocou-se com a presença do filho.
Ela o analisou criticamente, a procurar defeitos e discordâncias não só fisicamente, como na personalidade e afins do filho. Sendo que, com certeza, nesta última ela encontrara erros mais do que gostaria de encontrar.
Sirius odiava quando ela fazia isso.
A odiava, corrigiu-se.
Por que insistia?
Mudando de idéia e com a fúria sobrepondo-se e apagando o que o levara até ali, ele foi embora.
I need to run far away
Can't go back to that place
- Quantos anos tem tua filha? - ela continuou a conversa normalmente.
Seus passos ecoavam pelo local.
Like she told me
I'm just a big disgrace
- Sirius Black – um homem de idade, magro e de sobrancelhas que se juntavam formando uma só na região da glabela, avistou o maroto pelo corredor da biblioteca.
Pego desprevenido o maroto permitiu-se ser alcançado, ainda com a cabeça atribulada com as atitudes execráveis de sua mãe.
- Vosso pai me segredou as metas que traçou para vossa ascensão como patriarca dos Black – o velho prendeu Sirius de tal maneira, que lhe era impossível largá-lo ali, a falar sozinho de suas inconveniências.
Entraram na biblioteca.
- Ora, ora Orion. Teu filho já tem mais do que a idade para participar de nossas reuniões! - outro velho recostado confortavelmente em uma poltrona vinho, com um charuto entre os dedos gorduchos, espreitava a dupla que acabara de adentrar o recinto.
Charllus Rokwood e Stephano Lestrange visitavam constantemente os Black, eram amigos no âmbito socialmente estabelecido para aquele tipo de pessoas.
O senhor Black olhou impassível para o filho.
- Meu pai sabe o que faz – respondeu o garoto pelo genitor, já que este se mantinha calado.
Charllus, o obeso, anuiu pesarosamente entre uma baforada e outra de seu fumo.
- E o que tens como planos? Alguém tão brilhante como tu deve ter algo a lhe incitar a mente, não? - insistiu Lestrange, que soltara-se de Sirius e agora detinha um copo em mãos.
Sirius riu por dentro, quanta contradição.
Lie too much
She said that she's had enough
- E tem – a voz grave e pungente de Orion dilacerou as palavras ousadas que Sirius tinha em mente para usá-las – Após sua formatura, aprimorará seus estudos e assumirá o cargo que lhe é destinado como patriarca da família, devidamente conciliado em seu matrimônio.
Sirius permaneceu indolente, permitindo o aroma do charuto rodear-lhe e penetrar-lhe o olfato durante toda a conversa que se alongou por um tempo não cronometrado por ele.
Não estava mais ali.
Am I too much
She said that she's had enough
- Teu comportamento não condiz com ao de um Black, ou mudas ou... - Orion falava a seu primogênito na mesa de jantar.
O prato de Sirius estava intocado desde o início da refeição.
E permaneceria assim.
- Transferência – sentenciou Walburga.
O rapaz se concentrou em acontecimentos felizes. Não era a hora para virar a mesa, refletia. Talvez devesse mesmo mudar...
Com a visão obnubilada e coração a palpitar, ele se lembrou dos momentos que vivera junto dos amigos, do que descobrira junto deles.
Standing on my own
Remembering the one I left at home
Forget about the life I used to know
Forget about the one I left at home
Diferente da frieza e distância que permeava o relacionamento de seus pais e se aplicava indelevelmente na relação de seus pais para com os filhos, para com ele. E tudo isso agia como um aditivo pesado na solidão que Sirius sentia, sentia fora de Hogwarts.
O preconceito, a superioridade e a frivolidade que baseavam os princípios de seus genitores, fragilizavam mais ainda o relacionamento, amor e respeito que Sirius tinha, teve e teria pelos pais.
O irmão não estava seguindo uma trilha desigual, na concepção do maroto.
- O diretor de teu colégio nos informou que tua conduta é inaceitável – Orion cortava seu medalhão com parcimônia e Walburga depois de se certificar que o marido iniciara sua refeição, o fez por sua vez.
- Acreditas que o colocamos num colégio para brincares? - a inflexão contida e reprimida do pai já era esperada.
Oprimia, algemava, deliberava e causava asco, vergonha.
- Para bancares o revolucionista anencéfalo! O francês metido a iluminatti? - Orion largara sua talher contra o prato em porcelanato, produzindo um tilintar e a mão de sua mulher a apertar-lhe o pulso.
Orion se retirou da mesa, levando Walburga a olhar encolerizada para Sirius.
- Viste o que causaste? Deves implorar pelo perdão de teu pai.
- Mas eu não fiz nada! - a voz dele cortou o ar embolotada, desesperada para sair há tempos, mas não o conseguindo e quando o fez, soou ansiosa e inexperiente.
- Mentes! Mentes para nós, tua única e verdadeira família e com quem achas que poderás contar? Achas que te abrigarão e te alimentarão? Teus amiguinhos indignos e bardeneiros? - jogando o lenço de cima de seu colo para a mesa, acrescentou – Não comerei na mesma mesa que tu, perdi o apetite.
E Sirius havia perdido o seu há séculos, há séculos...
So now I'm standing here alone
I'm learning how to live life on my own
Era aniversário de Regulus.
Sempre a mesma mansão, a mesma triste e fria mansão.
Despertava calafrios em Lily, ela observou os contornos clássicos dos entalhes no teto não cederem a um mínimo de alegria que todos os aniversários e festas deveriam conter.
Fitou o Sirius daquela época, ele parecia determinado sobre algo, quanto a fazer esse algo.
Enfim ele amadurecera, criando o mínimo de resolução e confiança que necessitava para sair por aquela porta e nunca mais voltar.
Lie too much
I think that I've had enough
Nunca mais viver a agonia que vivia, nunca mais ter que ouvir que Regulus era o filho perfeito, nunca mais ter que ser taxado como o rebelde que precisava de um hospício.
Nunca mais olhar para trás.
Nunca mais!, podia gargalhar, podia sorrir e podia ser feliz!
Lie too much
I think that I've had enough
Empacotara o que não gostaria que ninguém bisbilhotasse e não lançando uma única olhada para seu quarto, se retirou.
Saltando de três em três degraus, se tornara especialista tendo como uma das poucas alternativas para se divertir naquela casa, quando encontrou com sua mãe o observando ao fim da escada.
- Onde vais?
Sirius não demonstrou surpresa de ser pego naquele momento.
Lie too much
I think that I've had enough
Já tivera o suficiente ali, mentindo para si, permanecendo ali, mentindo sobre quem era.
- Onde vais?? - repetiu com faíscas despregando-se de suas orbes.
- Para um manicômio – passou por ela desinteressado no que poderia lhe ser dito ou feito.
Acostumara-se ao que lhe era destinado.
E seu destino era longe dali.
Lie too much
I think that I've had enough
Longe dela.
- Estás estragando tua vida e as nossas. Teu egoísmo diante do que fizemos por ti, diante do que fiz por ti, te carreguei por nove meses! E é assim que me agradeces, tua própria mãe?
Am I too much
She said that she's had enough
Sirius susteve seus passos e cerrou seus dentes.
- Então – estava de frente para a mulher bem menor que ele, bem menor em valores, em honra e caráter – O que sou para ti? Um filho ingrato que sai por aquela porta?
- Não és meu filho, és uma desgraça, uma mentira que pretendo esquecer – ela não vacilou, parecia se embravecer a cada segundo, com o volume e entonação se intensificando.
Lie too much
I think that I've had enough
- Aprendeste muita coisa comigo... Esquecer é uma delas. Pois eu aprendi muita coisa contigo também. Aprendi que o que tem de ti em mim é doloroso, é intragável e odeio ter que admitir, ter que reconhecer cada micrograma de teu ser em mim – bradou desviando seu caminho para sair o mais rápido possível dali, aquela conversa estava acabada, quando nem começara.
Era apenas um monólogo, ela nunca o ouvira e nunca o ouviria.
- Saias por esta porta e nunca mais voltarás, ouviste?! - ela estava se tornando histérica.
Am I too much
She said that she's had enough
Sirius riu, uma risada amarga, desgostosa e repudiada.
- Aprendeste que deves apertar cada vez mais o cerco em volta de mim? Que cada atitude estranha minha é sinônimo de rebeldia e minha mania de te enfrentar? De derrubar-te deste pedestal vão que chamas de teu lar? Tuas convicções? Tua autoridade?
Walburga enrijeceu os maxilares e os músculos do braço, assemelhando-se a uma tábua e desmerecendo toda a elegância que presava acima de tudo e de todos, inclusive de seus filhos.
- Como posso ver, aprendeste muito comigo. Me sinto lisonjeado...
Arremessando o cabelo comprido para trás, Black focou seus olhos ofuscadamente violetas na figura franzina a sua frente.
So now I'm standing here alone
I'm learning how to live life on my own
- Creio que ao ouvir incontáveis vezes teus berros e receber teus tapas pontuados com os xingamentos mais vis, me fez ver o quanto aprendi contigo... Que a cada tropeço mais doloroso e exasperante que vivi, era revivido mais tarde fria e maldosamente através de tuas palavras impessoais e desalmadas.
- Se não sabes conviver com a minha educação, só ressalta o quão fraco e indigno dela és, o quão desmerecedor de mim como tua mãe és! E o quanto precisas amadurecer.
Forget about the life I used to know
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- Isto é crescer?! - Sirius inflamou-se avançando sobre a mulher como um animal – Agir com indiferença diante deste teu infindável "amor"? - respirou fundo, buscando calma, buscando sanidade, buscando forças e a encarou – Provavelmente em tua mente, o é. E esta parte eu, "infelizmente", não consegui absorver de ti.
- Tudo que faço, que penso e que gesticulo é para ti uma ameaça ao teu trono. Cada lágrima gasta é de ódio!, cada desviar de olhar é uma tentativa minha de ocultar a ira apoplética ou mentira desavergonhada que me escapa pelas orbes!, cada contorcer de meu rosto e inclinar de cabeça, adivinha!? - riu com deboche e aspereza - É a minha rebeldia aflorando avassaladora como a minha juventude!
O tapa estalou entre as paredes emudecidas e frias.
Tão frias quanto a mão que chocou-se contra o rosto de Sirius.
Walburga arrefeceu seu olhar sobre o filho.
- Comporta-te, sou tua mãe e exijo respeito – encaixou um fio de seu cabelo de volta no coque aristocrático.
- Oh!, é isso! Só pode residir a culpa na minha juventude! Oh!, que alívio... Será uma tormenta passageira – ele alteou sua voz para chamar-lhe a atenção, para incomodá-la, para torturar-lhe como fora torturado.
As feridas seriam cavadas com palavras, não era preciso usar de agressão física para machucar as pessoas. Ele sabia disso tão bem como ninguém mais.
- Porém, a juventude transcorre e a "revolta" permanece. E agora? - simulou desespero e roer de unhas caricaturadamente – Um hospício! Meu filho precisa de tratamento!
- Cala-te! Inventa mentiras para te desculpar! Como podes fazer isto com tua família?! Com tua mãe, aquela que te deu vida?! - Walburga gritava, enfim reunindo todos os parentes e convidados da festa do filho caçula no hall de entrada.
Lie too much
I think that I've had enough
Am I too much
She said that she's had enough
Ela não chorava, existia fel em seus olhos da mesma cor que a do filho.
E os dele, eram fielmente o reflexo dos de sua mãe.
O burburinho se alastrou pelos convidados, Bella segurou no braço do marido com a expressão de desdém a dobrar-lhe o rosto, Regulus assistia a tudo estupefato e seu pai se portava friamente altivo o contendo, Narcisa estava chocada e desviou o olhar quando Lucius a censurou silenciosamente para que ela se recomposse.
A voz de Sirius não assumiu algo mais do que um sussurro, um desabafo, uma confissão.
- Até o momento em que uma simples ida ao médico se transfigurou numa saída permanente de casa – afastou-se com seus pertences em mãos.
- Agora sei o que sou para ti. E sei além disto, o que és para mim.
A pausa estendeu-se a ponto de engolfar todos os presentes na narrativa de Sirius, fazendo com que eles se calassem para ouvir o que o rapaz tinha a dizer, curiosos, desdenhosos, tocados ou solidários.
So now I'm standing here alone
I'm learning how to live life on my own
Forget about the past I'll never know
Forget about the one I left at home
- Sou teu maior erro. E tu, meu pior pesadelo.
Dizendo isto, saiu para nunca mais retornar.
Nunca mais, repetia para si como uma oração.
N/A: Desculpa pelo cap grande e desculpa por n ter postado ontem n.n
E meninas n me processem, n posso dar o Six pq ele n me pertence (dut Jaque tonta!), mas pq n tinha planos p q ele tivesse um par romântico, então coloquei minhas leitoras e autoras preferidas n.n
Último cap na próx segunda, comentem por favor! Por favor!
Teh segunda o/
PS: O q axaram da ruiva ficar c DOIS garotos? xP Tah, ela n eh ploc, soh eo q gosto de colocar um poko de action, a fic tava mt devagar u.u
PS2: Algm me viu no jornal, lah no vuco vuco do Círio de Belém x3 Eo tava c uma plaquinha pagando promessa p q v6 comentem em DAD -.-''
