– Hana vamos logo ou perderemos o voo. –Tsunade chamava do andar de baixo.
A menina desceu as escadas correndo e resmungou:
– Não sou eu, é a mamãe que não está pronta ainda. –disse fazendo um beicinho.
Tsunade sorria ao ver aquela pequena, agora com quase cinco anos era o principal motivo de sua felicidade. E aquele não era um privilégio só seu afinal, Sakura também se iluminava com a presença da pequena, ainda mais agora que a menina começara suas aulas de balé.
A rosada também estava realizada por outros motivos, sendo considerado um dos maiores nomes do balé clássico nos dias atuais e conhecida também por sua beleza exótica.
E lá estava a Haruno agora descendo os degraus lentamente vestindo um longo e leve vestido na cor creme com um cinto fino marcando a cintura e uma jaqueta jeans por cima. Estava ótima e vestida como a moça de vinte anos, como de fato era.
– Estou pronta. –falou aconchegando a filha perto de si.
– Finalmente! –a menina exclamou.
– Está mesmo pronta para isso? –foi a vez da loira questionar.
– Claro, que venha Nova York. –respondeu segura e confiante.
Desembarcaram em NY e de lá seguiram á um refinado hotel. Mas a pequena Hana não parecia muito disposta á descansar:
– Vamos mamãe, quero ver o tio Sui e a tia Ka. –eles sempre mantiveram o contato por conversas de vídeo pela internet, além de terem se visto em algumas apresentações pelo país, embora essa fosse a primeira vez que elas viajavam para aquela cidade.
– Ei mocinha, trate de se alimentar de acordo primeiro. –a loira advertiu, na verdade Tsunade era como uma avó desde que a pequena nascera.
Mesmo contrariada a garota obedeceu. Sakura observando tudo, não podia deixar de notar o quanto Hana era parecida com Sasuke, tanto nos meio sorrisos e jeito de falar quanto na aparência, já que ela possuía os mesmos olhos e cabelo do pai. Mas ao menos no caráter, ela não seria igual á ele.
A ruiva apareceu sorrindo:
– Nem acredito que vieram. –foi saudada pelo abraço carinhoso da menina, em seguida foi envolvida pela mãe.
– Que saudades Karin. Depois de tanto tempo finalmente estou de volta.
– E que agora seja para ficar. –ela não havia mudado muito, estava com a mesma aparência.
Agora morava sozinha e passava o dia todo escrevendo seus livros e havia finalmente recebido uma boa proposta de uma editora para publicá-los.
– Como você está? –perguntou a amiga.
– Bem como pode ver, embora minha única companhia ultimamente tenha sido o meu gato.
– E quanto ao Sui? –indagou com segundas intenções.
– O que está insinuando Haruno Sakura? Somos apenas bons amigos, você sabe disso e não convivemos tanto quanto imagina, pois ele é simplesmente insuportável.
– Tia Ka gosta do tio Sui. –Hana interveio deixando a ruiva vermelha enquanto Sakura ria e apoiava.
– Essa é minha menina!
Mais tarde bateram na porta de Suigetsu:
– Não acredito que a rainha e a princesa Haruno estão em minha residência! –exclamou pegando a garota no colo e girando-a consigo.
– Ela falou a viagem inteira de você. –a rosada entrou no apartamento reparando na zona que estava ali, nada que não fosse comum para um homem que vivia sozinho.
Suigetsu havia se tornado um designer de carros de uma conceituada marca, ele sempre teve jeito para isso levando em conta os desenhos que fazia durante as aulas na escola.
– Fazer o que se ela é minha fã número um não é Hana?
– Sou sim. –a menina ficou em silêncio raciocinando e depois continuou abatida. – Queria que meu pai fosse como você, eu nem sei como ele é.
Os amigos se entreolharam e Suigetsu logo abriu a boca com desprezo:
– Aquele lá nunca será igual á mim.
– Suigetsu! –chamou a atenção. – Eu já lhe disse querida, seu pai é muito ocupado, mas ele já te visitou, é que você sempre estava dormindo. –esclareceu, na verdade dizer aquilo era melhor do que falar que ela não tinha pai ou fazê-la entender que ele era um cafajeste.
– Vamos ao que interessa! Um passarinho cor de rosa me contou que você está fazendo aulas de balé.
– Sim, quero ser tão boa quanto a minha mamãe. –a garota sorriu.
– Você será meu anjo, você será. –repetia orgulhosa.
Voltaram para o hotel, onde Tsunade estava á espera:
– Encontrei casas lindas Sakura, preciso agora da sua ajuda para escolher.
– Amanhã de manhã podemos decidir.
– Mamãe, você vai me levar na escola da mulher que ensinou você á dançar não vai? –perguntou com os olhinhos brilhando.
– Vou sim Hana. Shizune vai adorar te conhecer. Agora porque não vai tomar um banho hein? Já estou indo para ajudar com seu cabelo.
– Está bem. –foi correndo.
– Não está se esquecendo do coquetel de amanhã está? –foi a vez de Tsunade se pronunciar.
– Claro que não. –negou tranquilamente.
– E sabe que é bem provável que Sasuke estará lá por ser um dos diretores da emissora não sabe?
– Sim Tsunade eu sei. –aquele era o motivo de sua vinda para NY, Sakura havia recebido uma proposta para ser jurada de um programa da UTC TV que revelaria novos talentos da dança.
– Está pronta para reencontrá-lo?
– Mais do que nunca. Vou mostrar á ele que as coisas estão bem diferentes agora. –sorriu e a loira não pode deixar de sorrir também, ela concordava que Sakura deveria mostrar seu valor para aquele tal Uchiha.
Uchiha Sasuke. Milionário, jovem, casado com uma bela embora extravagante mulher e apesar de tudo, infeliz.
Como Fugaku sempre fez questão, ele assumira seu posto na emissora como um dos diretores chefe da programação e desempenhava muito bem essa função, com ideias criativas e que logo se concretizavam em uma audiência sólida.
Com vinte e dois anos, casado com Yanamaka Ino á dois deles, não tinha um relacionamento familiar muito bom. Ino o amava, na verdade era mais uma obsessão, e fazia de tudo para lhe agradar. Viciada em tudo relacionado á moda e fã de métodos e dietas para emagrecer, a loira era encanada com sua forma física e volta e meia se achava gorda mesmo sendo magérrima.
Algumas pessoas os questionavam sobre aumentar a família, ter filhos, mas Ino sempre negava a ideia já que isso estragaria sua forma e Sasuke também não rebatia afinal, crianças nunca foram o seu forte e ele temia não ser um bom pai.
Porém não era apenas a vida do Uchiha que havia mudado desde seus tempos de escola, quem o conhecia bem sabia que sua personalidade havia mudado também. O garoto malicioso, que frequentava as festas, fazia gracinhas e era o líder dos populares no colégio havia se transformado num homem mais frio, sempre ocupado e até rude principalmente com os subalternos da UTC. Embora a perversão continuasse a mesma, mascarada em sua imagem imponente, Sasuke sempre seria um galanteador, discreto mas ainda assim não recusava uma bela companhia.
Enfim, aquele rapaz rebelde que sonhava com algo diferente do que vivia agora, havia se tornado um homem ao estilo Fugaku.
Estava no escritório de sua casa resolvendo pendências da emissora. Detestava levar trabalho para casa. Falava no telefone sobre as propagandas do intervalo quando começou a folhear distraidamente as fotos que estavam dentro de uma caixa. Eram lindas imagens que havia encontrado em diversos locais do mundo, até que uma delas chamou sua atenção: lá estava a foto da garota de cabelos cor de rosa distraída e com sua jaqueta de couro nos ombros.
Sasuke nunca mais tinha á visto nem por fotos, mas ouviu seu nome sendo considerado para um novo programa de dança, entretanto não prestou muita a atenção já que aquela não era sua área. Volta e meia ainda recordava dela, seu jeito doce, sorriso sincero, lábios macios e pernas perfeitas. As recordações cessaram, quando percebeu a voz impaciente do outro lado da linha.
No dia seguinte, Sakura havia escolhido seu novo lar juntamente com Tsunade que ficaria responsável pela decoração do lugar, já que ela nunca teve paciência para decorações.
Também levou Hana ao estúdio de Shizune que ficou extremamente contente por reencontrar a ex-aluna e ainda conhecer e poder ensinar a filha de Sakura. A rosada sorria, não tinha alguém que não se encantasse com a pequena.
Á noite, ela apareceu diante da filha e de Tsunade com um deslumbrante vestido vermelho tomara que caia longo com uma fenda. Seus lábios também estavam avermelhados, os olhos verdes ganhavam destaque e os cabelos antes cumpridos caiam-lhe pelo ombro, não menos charmosos.
– E então, como estou? –deu um sorriso deslumbrante.
– Simplesmente encantadora. –Tsunade respondeu admirada com a beleza da Haruno.
– Por que não posso ir com você? –a menina indagou emburrada.
– Já te expliquei que é uma festa para adultos. –disse docemente curvando-se diante da garota e plantando um beijo em sua testa, marcando-a com o batom vermelho que usava.
– Está parecendo uma princesa que nem a Cinderela. –a menina elogiou ainda com a cara fechada.
Riu mais uma vez e despediu-se das duas pessoas mais valiosas de sua vida. Entrou na limusine que lhe aguardava na entrada do hotel, decidida e ansiosa por aquele momento...
