Perseguição
"I still loving you
But I just can't do this"
Rihanna
Dirigi feito uma múmia para casa. O tanto que o trabalho era bom – no sentido de ser um ótimo lugar para se trabalhar – aquela pseudo-garota era insuportável. Ela me fez ver aquela cena tantas vezes que eu já estava não absorvendo mais nada ao redor.
Demorei mais que o normal para viajar de Port Angeles para La Push, à tempo de ver o sol se pondo na praia enquanto eu estacionava. Aquela vista era a única coisa que permanecera da casa onde cresci, Rachel havia quase literalmente demolido e construído outra.
Entrei. O som metálico dos sapatos de sapateado da Helena ecoando no andar de cima e o cheiro de pão caseiro e sopa de camarão por toda a casa. Me reprimi para não elogiar Jacob mentalmente. Ele era um ótimo marido, ótimo pai, mas não estava merecendo elogios.
Ele merecia uma surra, isso sim. Mas eu não seria capaz de fazê-lo porque, pra começar, o imprint é involuntário, ninguém escolhe tê-lo. Segundo, a surra não reverteria o processo.
Suspirei. A pior parte não era ele ter imprintado. A pior parte era ele não ter contado pra mim. Ele ficou fingindo que não aconteceu ao mesmo tempo que se jogou nos braços da outra.
Engoli o nó na minha garganta. O que eu podia fazer? Isso já acontecera uma vez e eu sabia o resultado. Significava que eu sabia o resultado dessa vez também? Suspirei ao mesmo tempo que Jake entrou no hall com um pano de prato nas mãos e sorrindo pra mim.
-Oi amor. – Me falou, segurando meu rosto e me dando um selinho. Meu coração apertou magoado. – O que achou do emprego? Teve um bom primeiro dia?
Engoli seco, sorrindo amarelo.
-Sim.
-Pena que você não estava aqui, nós fomos para a praia. Mas foi por uma boa causa. – Piscou. – To terminando o jantar, vai tomar um banho, relaxar...
Fiz que sim, encostando a testa rapidamente no peito dele. A minha real vontade era me aninhar em seus braços e chorar, perguntar o que tinha acontecido de verdade, ouvir da boca dele. Mas eu não fiz isso. Eu subi pro meu quarto e tomei um banho demorado, numa tentativa de esvaziar a mente.
No meio da janta não deu mais pra segurar. Jacob podia ter defeitos, mas ele sabe fazer algumas coisas bem de mais. Por exemplo, eu não conseguia parar de comer aquela sopa.
-Jake, - comecei, largando a colher um pouco e olhando para ele. Ele me sorria, divertido. – isso ta bom de mais, não é a toa que a Helena se nega a comer as minhas sopas.
Helie olhou de Jake para mim, lambendo a própria colher e com os dedos no caldo, pegando um camarão.
-Nem falei nada dessa vez. – Ela garantiu, enfiando o camarão na boca.
Jacob me olhava tão doce, suave... Comia com uma calma e... Por alguns instantes eu esqueci que aquilo tudo ia acabar em breve.
-Nem vem, você cozinha melhor que eu. Nem minha mãe fazia carne tão bem. – Eu ri nervosa. Pelo que eu bem me lembrava, Sarah Black tinha fama de cozinheira dos carnívoros. – Eu te amo.
As lágrimas vieram até o limite e eu engoli seco. Não podia dar bandeira, eu não queria resolver as coisas ali, agora. Eu queria tempo, queria todo o tempo que eu podia ter com ele. Eu queria que ele me escolhesse.
O que não ia acontecer.
Respirei. Meus pulmões me obrigaram a isso e eu voltei pro meu prato.
-E eu amo as suas sopas. – Desconversei.
-Eu também! – Helena concordou, nos fazendo rir.
-Claro, claro.
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Me ofereci para lavar a louça. Jake já tinha passado o dia todo com a Helena, preparado tanta coisa com carinho, que agora merecia uma folga. Ele estava tirando a mesa enquanto Helena terminava de raspar a panela (!!!) e eu já ia adiantando o serviço. Parou por trás de mim, me abraçando e me deu um beijo na nuca que me arrepiou inteira.
-Você tá nervosa. – Falou baixo, para não chamar a atenção da Helie. Dei de ombros.
-Não, impressão sua.
-Eu ainda ouço seu coração, Lee, e ele está sofrido. Aconteceu alguma coisa na revista?
Ele me virou de frente pra ele e eu o encarei, ponderando se devia contar ou não. Não demorou segundos pra eu achar que havia decidido, mas fomos interrompidos pelo som de vidro quebrando.
-Papai... – Helena chamou e Jacob se virou pra ela.
Ofeguei. Ela havia caído com um copo na mão que abriu um corte profundo em sua palma esquerda. Ela nos encarou com os olhos marejados pelos dois segundos que precisamos para sair do choque, as gotas de sangue pingando de sua mão.
-Helie. – Jake falou, pegando-a e sentando-a na pia.
Abri a torneira e ele a fez por a mão na água. Ela estava ansiosa, seu coração batia rápido, mas segurou o choro. Quando o machucado estava "limpo", Jake olhou o corte, para ver se havia mais vidro ali e eu entreguei um pano de prato limpo pra ele.
-Pressiona assim, filha. – Ele falou enquanto eu já começava a limpar o vidro no chão. – Não sai daí, o papai vai fazer um curativo.
Jake abriu o armário e pegou o kit de primeiros socorros. Helena obedeceu, pressionando o pano na palma esquerda. Não havia mais sinal de lágrimas em seus olhos.
-A gente não tem gaze? – Ele me perguntou. Olhei na caixa só pra confirmar.
-Deve estar no banheiro.
Ele se virou para ir ao banheiro e Helie o chamou novamente.
-Parou de sangrar. – Ela disse. Voltamo-nos pra ela.
-Quê? – Perguntamos juntos.
Helena olhou para a mão e tirou o pano com cuidado. Nos aproximamos. Ainda tinha um corte ali, mas já não era tão profundo, parara de sangrar e estava fechando rapidamente.
-Jake... – Murmurei, segurando seu braço. Ele estava sem reação.
-Isso é bom, não é? – Ela perguntou. Jacob balançou a cabeça.
-É, meu bebê...
-Jacob, não estou gostando disso. – Cortei e ele me encarou.
-Não é nada de mais, ok? – Ele falou nervoso. – Ela tem o gene, nós dois temos, é óbvio que se manifesta a vida toda.
-Não é não. Eu tinha 19 anos quando...
-Leah, nós somos vira-latas, ela é pura.
-Mamãe? Pai? – Helie interferiu. – Isso não é bom?
Respirei fundo e balancei a cabeça, saindo dali.
-Claro que é bom, bebê. Mamãe foi buscar gaze pra eu fazer um curativo aí.
-Mas já sarou...
-É melhor fazer um curativo.
Eu os ouvia da sala. Não saí pra buscar gaze, saí pra tentar respirar um pouco, mas fiz o que Jacob falou.
-Por que a mamãe ficou nervosa? – A ouvi perguntar.
-Ela não gosta que você se machuque. – Houve um silencio, então Jacob continuou. – Olha, Helie... Tudo bem que você se cure rápido, é uma característica sua, que você vai entender melhor daqui alguns anos. Mas você não precisa sair contando isso por aí. É um segredo nosso, de nós três. Seus primos e amiguinhos não precisam saber.
-Por quê?
-Porque é o nosso segredo. Entendeu?
Entrei de volta na cozinha no momento que ela aquiescia.
-Posso contar pro vovô Billy? – Perguntou.
-Pode. – Jacob disse com um sorriso, pegando a gaze da minha mão e fazendo um curativo mais ou menos no machucado quase curado dela. – Mais ninguém.
-Certo. – Ela sorriu e olhou pra mim. - Eu conto tudo pro vovô.
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-Parece perseguição. – Falei, deitada no peito de Jacob. Ele murmurou um "O quê?" sonolento. – Todas as coisas que eu queria passar longe acontecendo.
-Ta falando de que exatamente?
Suspirei e levantei a cabeça, apoiando o queixo em minhas mãos no peito dele.
-Helena tem quatro anos, não quero que ela passe pelo que passamos. Nem hoje, nem nunca.
Jacob me encarou, os olhos fechando de sono.
-Ela não vai passar por isso, Lee. Só está mais assim porque meio que tem convivido com vampiros, essa coisa do Edward ser o pediatra dela e tudo mais. Mas é um mal necessário. E outra, a gente não deixa ela se machucar, mas sempre que acontece ela se cura rápido e eu já falei porquê.
-Mas não tão rápido, Jake! O machucado de hoje foi profundo.
-Leah, você está histérica. – Ele falou, me tirando de cima dele. – Calma. Vou falar com meu pai amanhã, Rachel nos intimou para almoçar lá. Vou ver o que ele fala sobre isso e não vamos entrar em pânico.
Ele me deu um beijo na testa e bocejou. Assenti levemente, sentindo a frieza no gesto e me adverti, tentando crer que ele só estava cansado.
-Boa noite. – Falou arrastado, virando-se de costas pra mim.
Fiquei sem me mexer uns segundos, absorvendo. Fazia quatro dias que não transávamos. Quatro. Ele nunca deixava passar – exceto quando eu estava grávida. Mesmo depois que a Helena nasceu, ele falava que era pra comemorar, tirar o atraso. Não é como se nós transássemos todo dia, mas quatro dias seguidos sem nenhum comentário sobre o assunto?
A quem eu estava enganando? Eu o estava perdendo.
Deitei do meu lado da cama e me cobri.
-Boa noite.
N/A: A demora aqui também é culpa da beta u_u
Oi =D q
Bom, vou ser breve porque hoje eu to cheia de coisa pra fazer D;
Obrigada pra quem comentou no nyah: PaahCP, team twilight, lupa, angelgirl2008, Mychele Day, JulianaLuaNova, Madu, Anna, aleraven, elizabeth beans, Sully, Michelle Cullen, Satsukhan, Reh Cullen e aLisson; aos que comentaram no twifics: Thais Priscilla, Bee Grape & Ladybug Strawberry, taliria, AmaBlack, Rê Cullen, Juuh Williams Black, Loreline Cullen e Pam; e no FF: Camis, Pam, BeBeSantos, Ingrid F., Isa Clearwater, Pamzitcha again ^^, e Janete Alves.
Vocês estão meio devagar ;( Mas vão aparecendo com o tempo.
De qualquer forma, sinto falta de alguns ;(
Enfim, já falei de mais.
A última coisa que eu queria pedir é pra vocês serem bonzinhos comigo, rs
Se gostou da fic, qual o problema em indicar? Nenhum =D
Então comentem e indiquem pro amiguinho e digue pra ele também comentar \o/ -oq
Fico por aqui e trago o próximo cap logo.
E pode ser antes do carnaval se vocês comentarem o suficiente u_u
Sem mais, ;xx
BL
N/B: Descuuuuuuuuuuuuuulpa a demora Eu sou uma beta entrando em fase de vestibular e tá osso pra eu entrar na internet. Ok, não é desculpa, eu tava lendo e não entrava na internet de chata.
Enfiiiiiiiim, que fim é esse ? Como eu não gosto de capítulos curtinhos by, que horror Não vou nem comentar, estou a espera do próximo.
