- Capítulo 11 – Fogo e Gelo

Você é meu vício
Sinto-me reaparecer sob o teu encanto
Quero até te vender à alma
Aos teus pés eu jogo as minhas armas
Você é meu vício

(Tu Es Ma Came – Carla Bruni)

Narrado por Draco Malfoy

Ouvi batidas na porta, assim que o vinho tocou o fundo da taça. Apesar de não estar esperando ninguém, não me dei ao trabalho de olhar quem era antes de abrir a porta.

- Você?

- Posso entrar?

- O que quer? – e cedi passagem a ele.

- Preciso falar com você. Sobre a Hermione.

A fechadura da porta escapou dos meus dedos, e a porta se fechou sozinha, com um baque. Fiquei petrificado por alguns instantes, e ele esperou pacientemente. Virei-me ainda em estado de choque.

Nos últimos quatro meses eu havia tentado o máximo que podia, tirá-la da minha cabeça, mas não adiantou muita coisa. Entretanto, mesmo quando ela voltasse, e se ela voltasse, não seria a mesma coisa. Ela não me queria mais.

- A Hermione ainda te quer, caso seja isso que esteja pensando.

- Ela não me quer. Não me procurou durante os últimos cinco meses...

- A Mione esperava que você a procurasse.

Eu ri irônico.

- A Granger que brigou comigo, e eu que tenho que procurá-la?

- Olha, Malfoy, eu sei exatamente o que ela passou durante todos esses meses na Califórnia.

- E você sabe o que eu passei por causa dela? – perguntei num tom de voz amargo.

Krum continuou sério.

- Ela ainda lhe ama, está bem?

- E quem disse que eu ainda a amo?

- Está escrito na sua testa. Pelo amor de Deus, Malfoy, eu sei que você sentiu falta dela...

- Você não sabe o que está dizendo. Eu não senti só a falta dela.

- Não precisa me dizer os detalhes sórdidos. Sente-se primeiro.

- Não me mande fazer nada dentro da minha própria casa. – Respondi, sem me importar em ser educado.

- Tudo bem. – E revirou os olhos, se sentando confortavelmente em uma das poltronas da sala.

- Diga logo o que tem a dizer, e desapareça da minha frente.

- Escute, o primeiro mês foi o pior pra ela. Ela sentia falta de você, do seu toque, e...

- E?

- E você sabe, ela estava grávida. Você a viu quatro meses atrás em LA.

- Pra que é que você veio me dizer o que eu já sei?

- Eu nem comecei a dizer alguma coisa ainda. Mas tem certeza que vai ficar de pé?

I will not let myself
Cause my heart so much misery

(Eu não me deixarei causar tanto sofrimento ao meu coração)

I will not break
(Eu não vou me permitir)

The way you did, you fell so hard
(Eu não vou cair aos pedaços, que nem você caiu)

I've learned the hard way

To never let it get that far
(Eu aprendi da maneira difícil, a nunca me deixar chegar até esse ponto)

Because of you
(Por sua causa)

[Because Of You – Kelly Clarkson]

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Ficamos um minuto inteiro em silêncio, depois que ele terminou de contar a história. Eu estava com raiva dele, é óbvio. Krum havia dormido com Mione, e pior, ele havia tido ela só pra ele, diversas vezes. Mas, apesar de tudo, eu já desconfiava disso, afinal eles tinham ficado oito longos dias em um resort luxuoso, sozinhos. Como não se aproveitar disso?

- Por que veio me contar? – perguntei frio.

- Porque ela não vai lhe relatar isso. Eu cansei de ouvi-la me chamar de Draco. Tentei fazê-la feliz, e ficar feliz por algum tempo, mas ela te ama demais, pra isso. A Mione só fica com o juízo certo, quando está com você. Não comigo. Eu pude suportar ela dizendo o seu nome, enquanto dormia, ou durante todas as vezes que...

- Eu já entendi. Quando a Granger volta?

- Amanhã pela manhã. Voltará novamente para a casa de Sirius, provavelmente depois do almoço, porque Mônica vai buscar a ela e Gina no aeroporto, e deve passar pelo menos algumas horas na companhia dos pais, na comemoração do dia de ação de graças, antes de se trancafiar no quarto.

- Tudo bem. O que quer que eu faça? – questionei impacientemente. Ele ficou sem expressão.

- Eu sei que sempre teve medo de mim, mas pelo amor de Merlin, Malfoy, eu não quero que faça nada. Ou melhor, faça o que quiser. Se quiser tê-la de novo, bem, senão quiser bom também. Vou me casar com a melhor amiga dela, não tenho mais nada haver com essa história. Pra mim, chega. Eu magoei a Tonks, e as separei apenas por desejo. Não quero mais fazer parte dessa história complicada de vocês.

- Eu ia pedi-la em casamento, quando...

- E por que não pediu? Está parecendo uma garotinha com cinco anos que tem medo de bicho papão. Poupe-me. Não a faça sofrer mais do que ela já está sofrendo. Irei me despedir dela amanhã, e se você realmente for se casar com a Mione, eu e Tonks viremos presenciar isso, caso contrário, ficaremos fora por dois anos. Vamos para a Bulgária.

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Narrado por Hermione Granger

Eu havia acabado de chegar em casa. Acabara de destrancar a porta, e deixara a chave na pequena mesinha ao lado da mesma. Sirius voltaria apenas em março do próximo ano, daqui a três meses e meio.

Olhei em volta da sala enquanto deixava a mala perto do sofá. Estava do mesmo jeito que eu deixara, sem tirar nem pôr. Mônica devia ter feito aquilo por mim, no mínimo. Sorri com aquele pensamento.

Subi as escadas em seguida, querendo tomar banho e descansar. Dia de ação de graças e comemoração em família depois de um vôo de horas e horas, realmente cansava.

Deixei a bagagem no meu quarto, antes de seguir para os outros cômodos, observando e relembrando tudo naquela casa. Mas assim que cheguei ao meu "escritório" particular, não imaginei que ele estivesse ali.

And you can't fight the tears that ain't coming

(E você não pode lutar contra as lágrimas que não vem)

Or the moment of truth in your lies
(Ou o momento da verdade em suas mentiras)

When everything feels like the movies
(Quando tudo parece como nos filmes)

Yeah, you bleed just to know you're alive
(Sim, você sangra apenas para saber que está vivo)

[Iris – Goo Goo Dolls]

Narrado por Draco Malfoy

- O que está fazendo aqui? – ouvi uma voz conhecida perguntar, logo depois de abrir a porta. Nem eu sabia ao certo o que fazia ali, só sabia que precisava estar ali, naquele instante e vê-la depois de todo aquele tempo.

Desviei meu olhar da janela, e me virei pra ela sem descruzar os braços.

Hermione me encarava com um meio sorriso em seus lábios. Quase como se estivesse sonhando. Deu cerca de quatro passos, se aproximando, e eu fiz o mesmo enquanto balançava a cabeça, como se estivesse negando algo.

- Nunca mais faça isso comigo... Eu te amo, Hermione Granger.

Os lábios dela se separaram por um instante, e era como se ela estivesse... Apreciando o momento, ou algo assim. Descruzei os braços e ela tocou meu rosto, arriscando-se a olhar pra minha boca. Eu sabia perfeitamente, que se pudesse evitar, não teria olhado.

Alguns dos centímetros que faltavam foram avançados por mim e a morena fechou os olhos. Fechei os meus olhos também, e a provoquei não a beijando imediatamente. Os dedos dela não estavam mais tocando a minha bochecha, mas sim sobre o meu peito, por sobre a camisa. Quase por impulso, pousei minha mão esquerda no pescoço dela, e seus lábios se uniram aos meus, em um beijo delicado e suave. Aos poucos, a sede de sentir o gosto do seu beijo foi passando, mas ainda sim, tudo ia ficando cada vez mais rápido.

Eu não queria me separar dela, não agora que a tinha em meus braços, como tivera até junho. Não agora. Entretanto, fora ela que separara seus lábios dos meus, enquanto repousava a cabeça no meu ombro por um instante, me abraçando.

De repente, a conversa do dia anterior com Vítor Krum voltou a minha cabeça.

- Você dormiu com o Krum? – perguntei antes de conseguir me conter.

Conversations go over my head
(Conversas passam pela minha cabeça)

Understand me I need you now
(Me entenda, eu preciso de você agora)

Surround me with your love
(Me cerque com seu amor)

I need your love
(Eu preciso do seu amor)

I'm so lonely
(Eu estou tão sozinho)

And it feels like disease
(E os sentimentos são como doença)

Come and stay, stay beside me
(Venha e fique, fique ao meu lado)

Stay always, forever, don't go
(Fique sempre, para sempre, não vá)

[Surround Me With Your Love – 3-11 Porter]

Narrado por Hermione

Eu ri daquela pergunta. Uma vez Draco, sempre Draco.

- Sim. – Tentei beijá-lo novamente, mas ele não deixou.

- Por quanto tempo?

Revirei os olhos.

- Durante nove dias.

- Durante nove dias. – Repetiu. Dei um passo pra trás, para ver a expressão dele.

Nada. Simplesmente indecifrável.

- Você me ama? – questionou, me puxando de volta pra ele pela cintura e colando nossos corpos.

- Draco, eu ter dormido na mesma cama que o Vítor, não quer dizer que eu fiz outras coisas com ele.

- Quantas vezes? – continuou, com uma voz fria como gelo.

Bufei.

- Quantas?

- Três.

Quase pude ver um sorriso dançar em seus lábios.

- Ainda não respondeu a pergunta que interessa. Você me ama?

- Muito. Mais até do que eu deveria, ou queria... Não há palavras pra descrever isso.

Ele sorriu e tentou me beijar, mas desta vez eu o impedira.

- E você?

- Eu o quê? – me encarou confuso.

- Você entendeu.

- Sua voz foi a trilha sonora do meu verão, você sabe que você é diferente dos outros? Você sempre será meu trovão, e eu digo: seus olhos são os mais brilhantes de todas as cores. Eu não quero amar mais ninguém, você sempre será meu trovão*.– Ele sorriu. – Eu não sou como você.

- E como eu sou? – provoquei, milagrosamente fazendo a minha voz continuar firme e não parecer um murmúrio.

Eu estava ofegante com a proximidade dele, e aqueles doces lábios grudados ao meu pescoço me faziam perder o controle. Não era eu quem estava provocando, era ele. Era ele quem estava me fazendo revirar os olhos de prazer, apenas com um simples toque. E eu era fraca demais para resistir e impedi-lo de seguir em frente.

- Você sabe. – Rebateu com a voz quase rouca. – "Assim" – e me beijou em seguida. Não respondi, nem o parei, eu era exatamente como ele dissera.

- Assim como? – Sorri já sabendo a resposta.

- Assim tão...

- Tão?

- Hmmm... Quente. – Selou os lábios aos meus por uma mera fração de segundo. Sabia perfeitamente o porquê da distância abrupta que agora havia entre nós, depois do passo para trás que ele dera.

- Por que ficou com ele se me amava?

- A resposta não é óbvia?

- Quero ouvi-la vindo de você.

- Pelo mesmo motivo que você deve ter ido àqueles clubes de strip.

Ele resmungou algo incompreensível e revirou os olhos. Resolvi dizer a verdade.

- Eu estava tentando esquecer...

- Esquecer?

- Deixe isto pra lá.

- Você queria me esquecer?! Ou houve alguma outra vez depois que o nosso bebê morreu?

Nosso. Uma palavra profunda àquela altura do campeonato. Abruptamente me lembrei da frase inteira e quase entrei em estado de choque. Como ele sabia?

- Como... Como... Como você sabe?

- Eu sei mais do que imagina, Mione. Vítor me contou. – E com a ponta dos dedos, tocou meu queixo, enquanto sorria. – Senti saudades suas.

- Eu também. – Fechei meus olhos me deleitando com o toque dos dedos gélidos dele. Podia sentir os olhos dele fixos no meu rosto, provavelmente sorrindo com aquela visão.

Vai se entregar pra mim.
Como a primeira vez,
Vai delirar de amor, sentir o meu calor
Vai me pertencer.
Sou pássaro de fogo, que canta ao teu ouvido.
Vou ganhar esse jogo, te amando feito um louco.

Quero teu amor bandido.

[Pássaro de Fogo – Paula Fernandes]

Droga! Quem raios estava tocando a campainha àquela hora?

- Draco, eu preciso...

- Não, não precisa – e me segurou pelo braço, tomando meus lábios com os seus em seguida. – Simplesmente deixe pra lá.

- Tudo bem. – Continuei beijando-o e o puxando mais para perto de mim pela gola da camisa, trocando de lugar com ele, e empurrando-o para a porta ainda aberta. Puxei a camisa dele para fora das calças, jogando o cachecol azul que eu usava longe. Tirei os sapatos no meio do caminho e ele fez o mesmo, para em seguida arrancar a minha blusa e a deixar jogada pelo corredor.

- Por que raios você tem que usar tantas roupas, hein? – Atirei o suéter de caxemira dele o mais longe possível e comecei a desabotoar-lhe a camisa.

- Eu que o diga. Você também usa roupas demais. – Respondeu livrando-se do meu sutiã para, em seguida, desabotoar os jeans que eu usava.

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- Que história é essa que eu ouvi hoje a manhã inteira, que você foi até Los Angeles me ver?

Ele continuou a descer e subir os dedos lentamente pelas minhas costas, enquanto parecia escolher as palavras por um momento.

Enquanto isso, pensei em como eu poderia classificar a nossa relação. Éramos como fogo e gelo. O quente e o frio. O sexo e o amor. A luxúria e a soberba. Tão diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. Tão completos. Tão passageiros.

- Você fez a besteira de locar um carro para vir pra cá, o que eu realmente não entendi já que nós dispomos de tantos meios mágicos, ao invés de vir em um avião ou fazer uma chave de portal, e enfim... Todos aqui já sabiam o que acontecera com você, exceto eu. Todos pareciam saber que atitude eu tomaria em relação a isso, e estavam certos no final. Seu querido amigo Ronald estragou todo o esquema, dando com a língua nos dentes. A primeira e única coisa que pensei em fazer foi ir até Los Angeles, para vê-la. Precisava me certificar de que você estava viva. Ao menos dei tempo para Tonks e William me impedirem, pois de nada adiantaria. Mesmo sabendo que você não gostaria disso, Tonks ajudou-me quando eu cheguei ao hospital em que você estava e deixou-me ver você por todo o tempo de visita. Seus pais chegaram cerca de uma hora e meia depois de mim, mas eu continuei lá no tempo restante de visita permitido. Assim que minha prima voltou, descansada o bastante para ficar com você, eu fui embora...

- E então eu acordei.

- Sim.

- Você ainda tinha tempo para me ver.

- Eu só queria saber se você estava viva, e sabia que você não gostaria de me ver depois de tudo aquilo, e ter que dar explicações que não queria.

- Desculpe-me Draco, eu...

- Está tudo bem agora, meu amor. – E beijou o alto da minha cabeça. – Não precisa me contar se não quiser. De qualquer forma, antes de voltar pra cá, eu me dei ao pequeno luxo de visitá-la novamente, assim que você adormeceu.

- Você o quê? – apoiei meus braços no peito dele, e o encarei, sem expressão.

- Não acha que eu iria embora sem me despedir, não é? – riu, beliscando a minha bunda.

- Vai se saber... – Sorri, me inclinando para beijá-lo. – Mas eu quero lhe contar o que aconteceu.

- Então conte. – Respondeu, rolando e ficando por cima de mim novamente.

No exato segundo que eu ia começar a falar, a campainha tocou novamente.

- Draco, poderia fazer o favor de sair de cima de mim e deixar eu me vestir para atender a porta?

- Não. – Ele sorriu presunçoso.

- Por favor – pedi, arranhando de leve o braço dele.

- Tudo bem. – Cedeu derrotado, e rolou de novo para o lugar de origem.

- Obrigada. – Selei meus lábios aos dele por uma questão de segundos, com ar de diversão e me levantei para vestir apenas uma camisola e um robe.

Desci as escadas vagarosamente enquanto ainda arrumava o que eu poderia chamar de roupa, e assim que abri a porta avistei a pessoa que eu nunca esperaria ver na porta de minha casa.

- O que você faz aqui?

Then looking upwards I strain my eyes

(A tensão nos meus olhos me confundem)

And try to tell the difference between shooting stars and satellites
(Mas eu tento dizer a diferença entre estrelas cadentes e satélites)

The world doesn't matter

(O mundo não parece se importar)

When you feel embarrassed then I'll be your pride

(Quando você se sentir embaraçado então eu serei seu orgulho)

When you need directions then i'll be the guide
(Quando você se sentir perdido eu serei seu guia)

For all time
(Por todo o tempo)

[Passenger Seat – Death Cab For Cutie]

Fim do Capítulo 11.

*Thunder do Boys Like Girls

N/A: Hi people! Capítulo dedicado a Nikolly por hoje ser o aniversário dela \O/ Consegui uma dor de cabeça pra postar no prazo, mas aí está. Capítulo 12 em breve. Enjoy it. E mandem reviews *-*

Mione03: Obrigada amor *-* Não, ela realmente não nasceu pra isso –q Esperemos os próximos capítulos pra ver o que acontece com Hermione&Tonks, porque nem eu sei ainda \O/ Najinha loira causa raiva em todo mundo, fataço *-* Até mais, e enjoy it. Bjbj.

Nikax-granger: Postando... xD Sim, era isso mesmo que eu queria mostrar *-* Draco de volta em todos os capítulos agora. Bjbj.

SoMoreira: Iiiiih, tá achando que é quem? xD HAUHAUAHUAHUAHUA a Tonks sofre, coitada, mas né é o destino :B