"Fidem Praestare."
Exausto, Severus Snape murmurrou a senha para ser admitido nos seus aposentos desejando, não pela primeira vez, que ele pudesse simplesmente usar as proteções para reconhecê-lo e acabar com as besteiras das senhas. Contudo, bom senso, como sempre, vencia, e ele sabia que fazer isso permitiria qualquer idiota com um caldeirão e uma cópia do iPoções Mui Potentes/i para fazer uma porção de Poção Polissuco e usar sua forma por tempo o bastante para entrar ali - o que era a última oisa que ele queria que algum imbecil fizesse. Valorizava sua privacidade. Ao contrário da maioria dos professores de Hogwarts, ele tinha muito a esconder.
As portas o obedeceram e se abriram, e Snape tentou não tropeçar enquanto entrava. Por que ele se incomodava em preservar sua dignidade ali, entre todos os lugares, ele não sabia - não havia ninguém para vê-lo, afinal de contas. Mas velhas manias não morrem fácil e seu orgulho não era algo exatamente que conseguia ignorar. Uma vida cheia de erros o ensinara isso e Severus não tinha inclinações para esquecer as duras lições que aprendera com o passar dos anos. Foram muito dolorosas - com um suspiro, ele afastou esses pensamentos mórbidos. Uma olhada rápida para o relógio não melhorou seu humor, porém; iÓtimo/i, pensou consigo mesmo. iSeis horas até minha primeira aula./I Ele gastaria esse tempo dormindo, é claro; o café da manhã não soava muito isaboroso/i no momento. Sua experiência pessoal lhe dizia que tentar comer antes de engolir um antídoto para a maldição Cruciatus era uma garantia para o retorno da comida.
Com esse pensamento encantador em mente, Severus alcançou uma estante próxima e ergueu um cálice prateado até os lábios, engolindo a poção em um único gole. O atraso, ele refletiu, tinha suas desvantagens, não importava o que dissera a Quirrell anteriormente. Voldemort podia estar bem ciente dos motivos pelos quais ele poderia não aparecer com freqüência quando o Lord das Trevas chamava, mas isso não significava que ele aceitava isso pacificamente. Era o bastante não matar Snape por sua impertinência, pois o Comensal da Morte mais velho não se incomodava em dar desculpas. Também não se acorvardava. Nunca.
Ele não era bom em acovardar-se de qualquer forma. Sempre soava falso. Nunca fora submisso o suficiente para lidar com isso, o que era provavelmente o que Voldemort gostava nele, de qualquer forma. Snape simplesmente não se importava. Ah, ele podia não gostar da dor (detestava-a com força, na verdade), mas não demonstrava emoção com inada/i. O sadismo, praticado pela maioria dos Comensais, se encaixava mais nos propósitos do Lord das Trevas, mas a falta de emoções de Snape era preciosa. Ele era cruel. Tornava as coisas mais fáceis. Muito mais fáceis.
Severus deixou sua cabeça tombar e seus olhos fecharem-se aliviados quando a poção começou a fazer efeito. Esta noite não fora tão ruim. Voldemort não era do tipo compreensivo, mas pelo menos era prático. As detenções, o Lord das Trevas sabia, aconteciam às vezes, apesar de Severus duvdar que Tom Riddle tivesse sequer experimentado alguma. Ele bufou alto, tentando não rir da imagem que ele criara. Por um instante, ele se permitiu pensar num Tom Riddle de castigo, em detenção sob os olhos críticos de um Albus Dumbledore mais novo - inada provável/i! Mas ainda assim ele riu. Dumbledore era o único homem que Voldemort temia. Todo mundo atribuía isso ao poder, mas talvez o verdadeiro motivo fosse muitas detenções na aula de transfiguração. Por mais irreal que a idéia fosse, era muito divertida. Balançando a cabeça, Snape moveu-se na direção de seu quarto. iDevo mesmo estar cansado/i, pensou consigo mesmo, abrindo a porta e escondendo um bocejo com a outra mão ao mesmo tempo. iPara achar qualquer coisa envolvendo Voldemort divertido-/I
E então seus olhos cansados notaram a figura sentada casualmente na sua cama.
Ele xingou e pulou para rás, com a varinha em mãos, pronto para lutar contra o intruso inesperado - mas então ele franziu o cenho enquanto o outro homem ergueu as mãos, mostrando rendição. Com raiva, ele perguntou, "O que diabos está fazendo aqui, Lupin?"
"Noite ruim, Severus?" o diretor perguntou suavemente, pondo-se de pé.
"Dá pra notar?" o seu vice resmungou irritado.
"Tenho notado, com o passar dos anos, que sou 'Lupin' quando você está zangado, 'Remus' quando não está e 'Diretor' em público." Um sorriso tremeluziu brevemente na sua expressão e o lobisomem deu de ombros como uma forma de desculpas. "Também estou ciente de onde você acaba de vir e do seu humor quando isso acontece."
"Ah," Severus respondeu. O que mais poderia dizer? Ele guardou sua varinha e olhou para seu superior - que era também, sim, seu amigo, um fato que nunca achara possível - cuidadosamente. Com o passar dos anos, aprendera a saber quando Remus Lupin estava preocupado e esse era definitivamente o caso. "Por que está aqui?"
Todos os traços de sorriso desapareceram e os olhos azuis se endureceram. "Vim avisá-lo, Severus."
"Me avisar?"
"Hoje a noite, quando você e Quirrell estavam deixando o colégio, acredito que tiveram uma discussão?" as palavras de Remus mal eram uma pergunta e Severus fitou-o. Ele sabia que o diretor estava dormindo, então... iEssa não./i
"Quem nos viiu?" qus saber, pensando rápido.
"Três alunos."
"Merda."
"Com certeza," o doretor concordou. E pelo menos desta vez, não havia um olhar rígido quanto ao uso de linguagem que mãe nenhuma gostaria que o filho ouvisse.
"Não me diga," o Comensal da Morte reclamou. "Foi o time dos sonhos, não foi?"
"Se com isso quer dizer os gêmeos Weasley e Lee Jordan, não," Remus respondeu, dando o patenteado olhar de 'diretor' para Severus pelo uso sarcástico do apelido que grosseiramente dera ao trio durante o primeiro ano deles. De sua parte, Severus ignorou o olhar (estava acostumado com ele) e perguntou:
"Quem, então?" O olhar persistiu por um instante antes de Remus desistir.
"Hermione Granger, Ronald Weasley e Harry Potter."
"Adorável." A mente de Severus pesou a questão por mais um pouco. As coisas podiam ser piores. Os pais de Granger eram trouxas, então se ela escrevesse para casa nada aconteceria. Potter - bom, James e Lily já sabiam de sua posição então podia contar com eles para mandar seu filho irritante calar a boca e esquecer aquilo. Mas Weasley seria um problema. Seu pai trabalhava para o Ministério e provavelmente iria até Arabella Figg para lidar com o problema... Esse problema, por assim dizer, pararia com Arabella (ou James, tanto fazia), mas ainda deixaria Arthur Weasley e provavelmente sua esposa, de posse de mais informação de que Severus gostaria - mas Remus continuava a falar.
"Por sorte, os três tiveram o bom senso de ir até Dung e ele os trouxe até mim. Todos os três prometeram não falar nada sobre isso. Eu lhes disse que as aparências enganam e que não viram o acham que viram."
"Mentiu por entre os dentes, posso ver," Severus comentou, tentando esconder o alívio. "Está ficando melhor nisso."
"Mas não tenho orgulho disso," Remus replicou seriamente. "Então nos faça um favor e tenha mais cuidado no futuro, Severus. Nem todos os estudantes procurarão Dung ou eu - dá pra imaginar o que aconteceria se um deles fosse até, digamos, Sibyll Trelawney? Estaríamos até o pescoço de Aurores por agora."
"Entendido," Severus resmungou. "Mil desculpas." A idéia da paranóica professora de adivinhação controlando seu destino não era nada bonita. Franziu o cenho, porém, quando outro pensamento lhe ocorreu. "O que diabos eles estavam fazendo aliás?"
"Por favor, me diga que bateu com a cabeça ou do contrário vou ser forçado a me perguntar como você esqueceu suas próprias detenções."
Ele teria corado, mas Severus tinha certeza de que se esquecera de como se fazia isso. "Isso não explica por que eles não voltaram para cama quando os liberei."
"O que acha que estavam fazendo?" Remus ergueu uma sobrancelha e sorriu ligeiramente. "Quer mesmo saber?"
"Não, porque aí serei obrigado a ficar em outra detenção com os moleques."
"Poupe-me da atuação de professor malvado, Severus," seu amigo replicou suavemente, fazendo Severus suspirar mais uma vez. Irritava-o perceber que não tinha muito controle sobre si mesmo naquela noite.
"Sinto muito," ele disse de novo. "Foi uma longa noite."
A expressão de Lupin suavizou-se e ele assentiu. "Vim para avisá-lo; achei que gostaria de saber. Mas agora isso está feito, e já é tarde. Durma um pouco, Severus."
Ele sorriu fracamente enquanto Remus passava por ele e se dirigia para a porta. "Obrigado pelo aviso. Terei mais cuidado no futuro e irei me assegurar que Quirrell também."
"Sei que sim." Com este comentário final, Remus se fora, e Severus fitou a porta por um momento após ele ter partido. Era estranho saber que Remus o avisara por preocupar-se com sua segurança e não só por causa da missão que compartilhavam. Ele riu de novo, mas soou forçado até mesmo para seus ouvidos. Uma parte dele, Severus supunha, ainda estava se acostumando com amizade.
IÉ estranho/i, Severus refletiu enquanto vestia seu pijama, icomo as coisas mudam com o tempo/I.
"Eu farei isso, James," Arabella disse calmamente, e observou os olhos cor de mel de seu antigo aluno se arregalarem de surpresa. A luz do sol jorrava pela janela próxima e era uma visão bem vinda; ambos, afinal, estavam trabalhando desde a madrugada, especialmente considerando as batidas que planejavam para aquela noite. A luz fez James parecer mais novo do que era, quase como fora quando ela o conhecera há treze anos, mas não escondia sua tristeza. Antes do auto-controle do Auror se estabelecer, sua boca conseguiu abrir-se e James fitou-a como se ela tivesse duas cabeças. Um instante se passou antes dele começar a falar, mas ela o interrompeu. Afinal de contas, ela sabia exatamente o que ele ia dizer.
"Você, de todas as pessoas, certamente não pode fazer isso," a chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia disse com firmeza. "Sabe disso, James."
"Por que não?" ele balbuciou, ainda encarando-a.
Ela estava sentada casualmente na mesa dele, de um modo que a maioria das mulheres de sua idade não o fazem. Arabella inicialmente viera para ouvir a versão finalizada do Plano Azkaban de James - codenome QUEBRAGELO - mas não se surpreendera nem um pouco quando ele se voluntariou. Ela o conhecia bem e sabia dos riscos mais ainda que ele. Talvez fosse apenas a vantagem da idade. Ela sorriu ligeiramente, pensando, iAmo você como a um filho, James Potter, mas às vezes você consegue ser o homem mais imbecil que já conheci/i. "Bem, além do fato de que Lily me mataria, há o fato de quem você é."
Ele abriu a boca para argumentar, mas ela o impediu fácil - e gentilmente.
"As pessoas precisam de heróis, James. Encare o fato de que você é um deles para o mundo bruxo. Não podemos nos dar o luxo de perdê-lo; não agora. Sou mais dispensável do que você, e ainda assim iimportante/i. Voldemort sabe que estou no círculo interno da Ordem. Ele ficará doido pela informação dentro da minha cabeça."
"Mas você é-"
"Se ousar dizer que sou velha, James, direi a você para enfiar isso no seu nariz," ela respondeu irritada. Afinal de contas, Arabella certamente não considerava sessenta e três anos imuito/i. Não com Dumbledore administrando tudo com a idade dele.
"Eu ia dizer que você é a Chefe do Departamento de Execução das Leis da Magia," seu subordinado respondeu calmamente.
Era bom o fato dela ser velha demais para se incomodar em sentir-se embaraçada. iAbra a boca; ponha comida/i, Arabella pensou divertida. Ela falou rapidamente para encobrir sua própria bobeira. "Diga uma parte de meu trabalho que você não possa fazer."
"Agora espere um instante - sou necessário no campo!"
"E que bem você poderia fazer ao Ministério trancado em Azkaban?" Arabella disparou, tentando não sorrir ante a expressão confusa de James. Quem ele achava que ela escolheria como substituto, heim? Fudge? A idéia a fazia ter vontade de vomitar.
"Muito," ele retorquiu.
Ela o olhou direto no olho. "Assim como eu."
"'Bella—"
"E você não é necessário em campo," ela interrompeu-o mais uma vez. "Na verdade, você precisa isair/i de campo e parar de se arriscar de maneira estúpida. Perto de Dumbledore, você é o símbolo mais forte que temos e se o perdemos, James, muito pelo que lutamos em reconstruir nos últimos quatro anos virará pó."
Ele a fitou e Arabella sabia que ele simplesmente não ientendia/i. Abençoado seu coraçãozinho inocente, o garoto ainda não percebeu o quão importante ele se tornou. Isso, ela sabia, aconteceu porque James Potter era um bom homem e não possuía o ego extravagante de tantos outros membros de alta posição do Ministério. Era confiante - alguns diriam arrogante, mas estavam enganados - e ele sabia que era bom no seu serviço, mas James usava pouco sua fama. Sempre fora assim. Finalmente, ele falou.
"Não sou tão importante."
"Não discuta comigo, James." Ela suavizou as palavras duras com um sorriso. "Precisamos de você. Fim de conversa."
"Então por que você, heim?" ele quis saber exasperado.
"Quem mais?" Arabella bufou. "A única outra pessoa em quem confiaria seria o Snape e ele não é exatamente uma opção. Dung nunca faria isso e Remus é muito gentil. Azkaban o comeria vivo - mesmo depois de tudo pelo que passou, Remus não é amargo o bastante para aquele lugar."
"Enquanto que você é." James suspirou; Seu tom era quase ressentido, mas nem tanto; naquele momento, ela sabia que ele entendia. Mesmo que não soubesse. Suas opções eram limitadas, era verdade, e ele sabia disso. Tinha que ser alguém que Voldemort iqueria/i, alguém do Círculo Interno da Ordem da Fênix. Ela o observou meditar o problema, escondendo um sorriso quando os dedos de James tamborilaram inconscientemente na mesa. Ele estava tentando arranjar outras sugestões, mas no fim descobriria a mesma coisa que ela. "Droga."
"Não se preocupe, James," Arabella disse suavemente. "Não acabou de me dizer há alguns minutos como seu plano funcionaria bem?"
O olhar que ele lhe deu era ácido. "Isso foi quando eu achava que seria eu," James queixou-se. "Prefiro arriscar minha vida a sua."
A tristeza, de repente, pesou em seu coração, apesar de não poder discernir o por quê. Por algum motivo, foi difícil responder: "Eu sei."
Remus pausou na porta, mas a ligeira parada na sua caminhada não teria sido notada por alguém que não o conhecesse bem. Menos de quinze minutos antes, ele recebera uma chamada inesperada de Lily Potter (ostensiavamente a assistente administrativa de Dumbledore, mas na verdade, muito mais), pedindo-lhe para se encontrar com o Ministro assim que possível e o olhar cuidadoso no seu rosto lhe avisara que isso não seria divertido. Ela não lhe contara sobre o que era o encontro - simplesmente havia algumas coisas que não podiam ser discutidas em aberto - mas Remus a conhecia bem o bastante para esperar problemas no instante em que usara o Flu para chegar no Ministério. Entrando no escritório de Dumbledore, portanto, veio uma pequena surpresa.
O que causara sua ligeira hesitação fora a presença de um segundo bruxo no escritório; o Vice-Ministro da Magia, Bartemius Crouch, de cara amarga e olhos de conta. A despeito de sentir um olhar hostil sobre ele, Remus entrou destemido no local. Era uma confiança ganha a força, mas não devia nada a Crouch, de quem ele não gostava. Apesar de nunca discutir a dedicação de Crouch para derrotar Voldemort, os métodos que o homem mais velho empregava freqüentemente enojava o diretor de Hogwarts. A fricção entre eles era bem conhecida; muitas pessoas, é claro, tiravam faíscas da personalidade abrasiva de Crouch, mas Remus também estava ciente de que o Vice-Ministro sempre se opusera a sua presença em Hogwarts. iIsso/i não era uma questão de personalidade; na verdade, o sentimento era devido a um preconceito que ainda o consumia, não importava quantos anos ele passara lutando contra isso.
Mas haviam algumas batalhas que simplesmente não se podia vencer e Remus sabia quando não se incomodar. Homens como Crouch não valiam isso. E ele poderia se dar ao luxo de ignorar as pessoas que eram mente fechadas demais para ver além do que ele era; afinal, o mungo bruxo passara por muito na sua vida e nunca esperara chegar ao ponto em que estava agora.
"Remus!" O cumprimento entusiasmado de Dumbledore evitou qualquer encontro estranho; sempre soubera como Crouch e Remus sentiam-se um com o outro. O doretor aceitou a mão oferecida com um sorriso grato.
"Ministro." O brilho nos olhos de Dumbledore contaram a Remus que ele entendia a formalidade; não faria bem deixar o sempre mexeriqueiro Crouch entender como a Ordem da Fênix realmente funcionava e a amizade íntima que eles tinham.
"Por favor, sente-se." Um gesto indicou a Remus uma cadeira de almofadas verdes de frente a mesa e perto de Crouch; quando o diretor se fez confortável, Dumbledore colocou-se atrás de sua mesa. Um pouco do brilho sumiu de seus olhos azuis, porém, quando o velho bruxo continuou: "Temo que devo colocar um Feitiço Silenciador neste aposento, já que o que precisa ser dito pode ter dano incalculável se ouvido. Algum de vocês objetam?"
Remus balançou a cabeça ligeiramente para dizer que não; apesar de se perguntar sobre o que isso seria, ele confiava no julgamento de Dumbledore - depois de trabalhar por tanto tempo com ele, como não poderia? Mas ele notou que os olhos do Ministro estavam concentrados no seu vice. Crouch hesitou, franzindo o cenho profundamente, mas eventualmente suspirou.
"Claro que não." O olhar no seu rosto não era tão convincente quanto as palavras, porém, mas Dumbledore pareceu não notar (com freqüência espantava Remus o quanto o Ministro ansiava em ignorar) e lançou o feitiço com um abano da varinha.
"Muito bem." Dumbledore afastou a varinha. "Barty, gostaria de começar?"
O olhar metido que de repente coloriu o rosto de Crouch fez Remus trincar os dentes e ele sabia que sua primeira impressão fora correta - isso não seria bom. O Vice-Ministro assentiu no que provavelmente pretendia ser gracioso. "Obrigado, Albus."
Ele se virou um pouco para encarar Remus e uma pista do sorriso superior não tornou sua expressão mais gentil. Crouch nem mesmo se incomodou em esconder a satisfação de sua voz. "Temo ter más notícias para você."
"Ah?" Remus estava determinado a manter sua voz nivelada e não engoliu a isca que a expressão arrogante oferecia.
"É sério." Os olhos escuros de Crouch brilharam. "Parece, Diretor, que você tem um espião no seu meio. Na verdade, entre seus professores em Hogwarts."
iAh, porcaria/i. Seu coração começou a bater com força nos ouvidos enquanto examinava as possibilidades. Mas Remus tinha anos de experiência em manter-se sob controle e perguntou calmamente "Importaria me informar quem seria, Ministro, ou devo continuar sem saber?"
"Eu acharia, Lupin, que alguém na sua iposição/i seria um pouco menos casual a respeito disso," Crouch replicou zangado, os olhos luzindo.
"Você quer dizer minha posição como diretor, Ministro, ou o fato de eu ser um lobisomem?" Remus quis saber, lutando para tirar a raiva de sua voz. Lidava com o preconceito por tida sua vida, mas não se acostumara a ter sua lealdade questionada. Deixava um gosto amargo na boca.
"Deveria ficar preocupado com alguma delas?"
Quando Remus recebeu um olhar de aviso de Dumbledore, ele supôs que fora longe demais. Lentamente, ele respirou fundo contando silenciosamente até cinco, antes de continuar. "Posso ser classficado tecnicamente de 'criatura das trevas', Sr. Crouch, mas sou tão humano quanto você - e dado a erros, às vezes," ele replicou, mantendo a voz neutra mais uma vez. "iNão/i sou porém, uma icriatura/i de Voldemort. Já passamos por isso antes, e eu, por acaso, estou cansado de fazê-lo. Por favor explique-se Ministro, e diga-me quem infiltrou-se entre os meus professores."
Ele viu um ligeiro sorriso iluminar o rosto envelhecido de Dumbledore e soube que ele contivera a raiva de Crouch de forma perfeita e sem desrespeitar a confiança que o Ministro tinha nele. Remus fitou o outro homem calmamente, observando os olhos de Crouch estreitarem-se com raiva e suspeita. Ele sabia que isso não iria além; anos antes, Dumbledore tornara claro a Crouch que fazê-lo lhe garantiria uma demissão rápida. Havia certas razões pelas quais Dumbledore mantinha o abrasivo bruxo como vice, mas o amor pela sua personalidade não era uma delas e o olhar rígido que o Ministro lançou na direção de seu subordinado tornava as palavras inúteis. Seu desprazer era evidente nos olhos azuis duros.
"Muito bem," Crouch respondeu com rancor. Ele pausou por um momento, recompondo-se e então um ligeiro olhar de desprezo formou-se no seu rosto. "De qualquer forma, temos finalmente provas de algo que suspeitamos por muito tempo. Um de nossos espiões confirmou que Severus Snape é um Comensal da Morte."
"Entendo." Remus inclinou-se contra a cadeira vagarosamente, deixando seus olhos vagarem na direção de Dumbledore. Como lidar com iisso/i? Havia inúmeras coisas que poderia dizer mas nenhuma delas mudaria o fato de que Crouch não acreditaria nele, porque uma vez que o vice-ministro punha as mãos em algo - especialmente num Comensal da Morte - era quase impossível fazê-lo soltar. Encontrando seu olhar, porém, Dumbledore ergueu uma sobrancelha em dúvida e o diretor de Hogwarts assentiu, mais do que ansioso em deixar o Ministro lidar com isso. O velho homem era, afinal, o chefe da Ordem.
"Temo, Barty, que você só tem metade da informação disponível," Dumbledore disse calmamente. "E eu sei que Severus Snape é um Comensal da Morte há um bom tempo."
"O quê?" Crouch explodiu.
O Ministro continuou como se não tivesse ouvido a objeção do outro. "O que eu não compreendo, contudo, é por que você - ou sua fonte - não levou esse assunto até Arabella."
"O que eu não consigo entender é por que você não me contou isso antes," Crouch atacou, irritado.
"Você não tinha necessidade de saber."
"iEu/i não precisava saber?" A exigência foi pontuada por uma virada de cabeça zangada na direção de Remus. "Presumo que iele/i precisava."
"Sou o diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts," Remus replicou com suavidade.
"Essa é a questão," Crouch resmungou. "Por que diabos você deixa um Comensal da Morte ensinar em Hogwarts?"
Remus sorriu ligeiramente; ele odiava admitir que, na verdade, estava se divertindo, mas ele nunca gostara de Crouch. "Acredito realmente que Severus Snape é o melhor para o cargo."
"Você está louco?" o outro balbuciou e ocorreu brevemente ao diretor quão bom era ver Crouch pego desprevenido. Mas o Vice-Ministro voltou a encarar Dumbledore. "Albus, certamente você tem bom senso. Não pode deixar um dos espiões de Voldemort - Espere um instante! iVocê/i o contratou, não foi?"
"Realmente, foi," o antigo diretor respondeu, neutro. "Sabendo desde o início seu papel no círculo do Lord das Trevas."
Crouch finalmente pareceu incapaz de falar. Sua boca abriu-se e ele separou as mãos como se fosse provar uma questão, mas nenhuma palavra surgiu. Ele poderia ter se recuperado, se Dumbledore não tivesse continuado:
"Severus Snape é realmente um Comensal da Morte, Barty. Contudo, também esteve espionando para imim/i por mais de uma década. Remus confia nele. O motivo de você não ser notificado foi para sua proteção - e devo lembrá-lo que, se você revelar isso, significará sua morte."
Crouch franziu o cenho. "Como pode ter certeza de que ele está trabalhando para nós?"
"Ah, eu tenho certeza," Dumbledore respondeu.
"Eu não confio nele."
Remus entrou de novo na conversa. "Para ser sincero, Sr. Crouch, você não conhece Severus Snape. E ele não é o que pensa que ele é."
"Então o que ele é, um Comensal iredimido/i?" foi a resposta torta. Mas foi Dumbledore quem sorriu gentilmente.
"Pode-se dizer que sim."
bTítulo Original/b Promisses Unbroken - Chapter 10: To Thine Own Self Be True
bAutora/b Robin bTradução/b Rebeka
