Ano: 2010
Mês: Fevereiro
– Quer se casar comigo? – Finn perguntou, com voz suave.
– Está horrível. – Kurt falou, retirando a mão de dentro das do irmão.
Finn deixou de estar ajoelhado e se pôs de pé.
– Claro que está horrível, a pessoa a quem estou pedindo também não ajuda. – falou, irritado.
Já estava ensaiando aquela cena, tentando deixá-la do seu agrado, há algum tempo e até agora não tinha chegado nem perto. Estava prestes a fazer um filme de época, no qual o personagem dele era um romântico incurável e pedia a mão do amor de sua vida em casamento. Seria a primeira vez que faria isso num filme.
Ou melhor, seria a primeira vez que faria isso seja lá em filme ou vida real. Nunca tinha pedido Quinn em casamento formalmente. Fora mais como um acordo mútuo e nada mais, sem muita emoção e nada de lágrimas. Da mesma forma como acontecera com o rompimento.
Mas agora tinha que ser diferente, já que o personagem demandava uma alta carga emotiva. Tentara chegar num ponto aceitável treinando em frente ao espelho, quando viu que não estava dando certo, foi até o quarto pedir a ajuda de Kurt, achando que, se houvesse uma pessoa real para fazer o pedido, poderia sair mais natural. Mas estava enganado, o pedido estava tão artificial quanto antes.
– Estou ajudando o máximo que posso, seu mal agradecido. – Kurt respondeu, querendo parecer ofendido. – Até coloquei essa peruca!
Finn olhou para a peruca ruiva que Kurt estava usando e não conseguiu prender o riso.
– É, por falar nisso, acho que ela está mais atrapalhando do que ajudando. Eu olho para ela e só tenho vontade de rir.
– Tudo bem. – Kurt retirou a peruca da cabeça e a jogou em cima da cama. – Vamos do começo e dessa vez tente parecer mais apaixonado.
Finn se ajoelhou na frente dele de novo e segurou a mão de Kurt. Tentou fazer o olhar mais apaixonado que podia.
– Eu te amo, Meredith. – estava olhando profundamente nos olhos de Kurt. – Você é tudo para mim e que quero passar o resto da minha vida ao seu lado. – pegou a caixinha, que continha o anel, de dentro do bolso da camisa. – Quer se casar comigo?
– Este é realmente o melhor olhar de apaixonado que você pode fazer? – Kurt perguntou. – Vamos, Finn, eu já vi melhores em outros filmes que você já fez.
Finn se sentou no chão, com ar derrotado, cruzou as pernas e passou as mãos no rosto.
– Isso não está funcionando.
Kurt fez com que ele ficasse de joelhos novamente e assim continuaram ensaiando por mais alguns minutos, sem que Finn considerasse ter chegado a algum resultado positivo. Kurt até mesmo tinha voltado a colocar a peruca e agora estava até usando batom vermelho nos lábios.
– Quer se casar comigo? – Finn perguntou, pela milésima vez.
Foi exatamente nesta posição que Rachel os encontrou, quando entrou no quarto de Kurt, e parou no mesmo lugar, surpreendida.
– Eu gostaria muito de ter uma câmera fotográfica neste momento. – Rachel falou, assustando os dois irmãos, que ficaram de pé num pulo, afastando-se um do outro. – Muito mesmo. – e então, ela começou a gargalhar. – O que diabos significa isso?
– Estou apenas ajudando Finn a ensaiar para uma cena de um filme.
– Humm... – ela sussurrou, passando a vista de Kurt para Finn, com um vestígio de riso nos lábios. – Vocês fazem um casal encantador.
– Não tem graça, Rachel. – Finn falou. – Isso é sério. A cena simplesmente não está fluindo.
Rachel pôs um dedo sobre os lábios, pensativa.
– Eu me pergunto como isso seria possível, tendo uma noiva tão adorável. – ela olhou para Kurt durante um momento, com aquela peruca, que a essa altura já estava fora do lugar, e batom vermelho borrado. De novo, soltou uma gargalhada.
– Espere, eu tenho uma ideia! – Kurt exclamou, animado. – Rachel é uma mulher! – disse, como se tivesse descoberto o mundo. – E também é atriz, ela poderia ficar no meu lugar.
– Eu sou uma atriz de teatro e não de cinema.
– Tanto faz. – Kurt abanou as mãos, como para dizer que aquilo não importava. – Você sabe o que eu quero dizer. Com certeza faria uma Meredith muito melhor do que eu.
– Bom, eu...
– Por favor, Rachel. – Finn pediu. – Eu estou precisando melhorar esta cena.
Rachel hesitou um pouco, mas acabou concordando. Posicionou-se na frente de Finn, após Kurt tê-la colocado a par do que estava acontecendo na cena e ter lido as falas. Finn se ajoelhou e pegou a mão de Rachel delicadamente. Sem notar, começou a alisar a mão dela com os polegares, mas Rachel notou e deu uma leve mordida no lábio inferior.
Finn olhou nos olhos dela.
– Eu te amo, Meredith. – começou a dizer, com tanta intensidade que Kurt juntou as mãos na frente do rosto, animado. – Você é tudo para mim e que quero passar o resto da minha vida ao seu lado. – de novo, ele pegou a caixinha do anel do bolso, sem tirar os olhos dos dela. – Quer se casar comigo?
Este é o momento em que você tem que aceitar! Rachel lembrou a si mesma, depois de passar um momento meio atordoada por estar vendo Finn ajoelhado diante dela, pedindo-a em casamento.
– Oh, Deus, Charles, não acredito que isto está acontecendo. É claro que sim!
Finn sorriu amplamente, pôs o anel no dedo dela, levantou-se e a abraçou apertado.
– Farei de você a mulher mais feliz do mundo! – falou, com a voz embargada. Afastou-se do abraço e segurou o rosto dela entre as mãos. – É uma promessa.
Logo a seguir, os personagens se beijavam, mas Kurt deixou escapar um gritinho emocionado justo depois de Finn começar a se inclinar. Ao ouvir o irmão, no entanto, ele parou no meio do caminho e se obrigou a se afastar.
– Acho que dessa vez saiu bem. – ele falou, soltando a respiração, que nem se dera conta de que estava prendendo.
– Ai, meu Deus, foi lindo! – Kurt declarou. – Era exatamente assim que você deveria ter feito esse tempo todo, Finn. E dessa vez foi logo de primeira!
Kurt começou a comentar o que ele tinha achado, sem notar os olhares significativos que Rachel e Finn lançavam um na direção do outro.
Logo depois daquilo, Rachel foi para o clube que a família costumava frequentar. Precisava se exercitar para extravasar um pouco da tensão acumulada.
Ficara mais abalada do que o recomendável depois de escutar Finn fazendo pedido de casamento para ela por cinco vezes, até que ele finalmente disse que já tinha chegado a um ponto satisfatório. Rachel não podia mentir para si mesma. Ficou aguardando que ele a beijasse pelo menos em uma das vezes, mas Finn sempre parava antes. Apesar de que ela via em seu rosto que ele também desejava tanto quanto ela.
Mas Finn recuava, como sempre fazia no que dizia respeito a ela.
Por isso sentira a necessidade de ir até ali e gastar as energias. E foi o que fez, jogando tênis. Mas aí todo seu esforço foi por água abaixo quando se dirigiu até o restaurante do clube e visualizou a razão de seus problemas sentado em uma das mesas que ficavam na área externa do estabelecimento.
Ele também a viu e acenou discretamente com a mão e Rachel foi até lá.
– Ora, ora, ora... Duas vezes em um único dia, deve ser um recorde.
– Tenho uma reunião aqui, não sabia que você vinha.
Ela colocou a mochila, que estava em um de seus ombros, no chão. A saia levantou levemente, o que fez Finn engolir saliva com dificuldade.
– O fato de eu vir não impede que você também venha. – Rachel falou. – O clube é grande e têm muitas mesas neste restaurante, eu posso tranquilamente escolher outra.
– Não foi isso que eu quis dizer e...
Mas Finn foi interrompido, quando alguém chegou perto deles e disse:
– Não acredito no que meus olhos veem. Rachel Berry? É você?
Rachel olhou para o lado, na direção da voz, e fez um olhar surpreso.
– Sam Evans? – perguntou ao loiro que estava lá.
– Meu Deus! – o rapaz exclamou e a abraçou. – Não posso acreditar. Olhe só para você, está tão bonita. – adicionou, quando se separou do abraço e a olhou de cima abaixo. – Especialmente com essa roupa de tenista.
Rachel sorriu.
– Eu estava jogando agora há pouco. Mas o que você está fazendo aqui? Não sabia que frequentava este clube.
– Não frequento. – Sam falou, ainda segurando as mãos delas com as suas. – Tenho uma reunião com Finn. – apontou para Finn que estava ali sentado parado, observando-os de cara feia.
– Ah, é mesmo?
– Finn será o garoto propaganda da minha loja.
– Ele é o dono da loja que eu disse que iria representar, no dia em que nos encontramos naquela galeria. – Finn explicou.
Rachel fez uma cara de impressionada para Sam.
– Dono de uma loja? Que ainda por cima pode pagar um cachê ao Finn? Ora essa, Sam, alguém se deu bem na vida.
Sam sorriu.
– Bom, não sou o dono, meu pai que é, sou apenas responsável pela parte de marketing ainda.
– Mesmo assim, quer dizer muita coisa, muito bem. – Rachel o abraçou novamente, para parabenizá-lo. – Fico feliz por você.
– E eu fico feliz por ver você. Faz tanto tempo! Desde a época do colégio, quando te pedi em namoro e você me deu um pé na bunda.
Os dois riram com gosto com a lembrança.
– Se soubesse o homem bonito e forte que você se tornaria, não teria feito isso. – Rachel respondeu, fazendo com que ambos rissem mais ainda, enquanto que Finn ficava com a cara mais fechada.
– Sempre há a possibilidade de mudar isso. – Sam disse.
– Bom... – Rachel começou a falar, agora um pouco mais tímida.
– Desculpem atrapalhar... – Finn se intrometeu. – Mas eu não tenho o dia todo, Sr. Evans.
– Ah, mas é claro. – Sam falou. – Que cabeça a minha. Rachel, querida, eu adoraria que pudéssemos nos encontrar novamente para relembrar os velhos tempos. – Sam pegou uma caneta do bolso do paletó e um guardanapo da mesa para anotar o telefone dela.
Depois de dar o número, Rachel se despediu de Sam com dois beijos, um em cada lado do rosto, e foi embora para uma mesa distante. Sorriu enquanto andava, porque tinha certeza de ter visto ciúmes em Finn, nem que fosse só um pouquinho.
Quem será que tem uma boa memória e se lembra do Kurt mencionando que o Sam gostava da Rachel e ela não dava bola para ele, lá nos tempos do colégio? :P
