N/A: Esse – comparado ao normal – é surpreendentemente curto. Espero que não ofenda ninguém, e pode acelerar a chegada do Capítulo 12.

Disclaimer: Eu não sou nem JKR, nem um dos The Supremes. Infelizmente.

Recap: Lily concorda em deixar de ser amiga de James por Snape. Adam McKinnon gosta de Marlene Prince, mas Marlene tem um namorado imaturo, Miles. Carlotta Meloni causa o rompimento de Frank e Alice, mas Frank expressa sentimentos confusos sobre ter um relacionamento com Carlotta. Shelley Mumps é a melhor amiga de Carlotta e a "outra" sextanista da Grifinória.

Algo um pouco diferente aqui hoje... é meio que uma oneshot aleatória dentro da história, cujo propósito é responder a perguntas como: "quem Lily realmente ama?".

Chapter 11- The Trouble with Angels

(O Problema com os Anjos)

Or

"You Can't Hurry Love"

Lily Evans não estava apaixonada.

Marlene Price estava apaixonada.

Donna Shacklebolt só dizia a palavra "amor" em tom de ironia.

Mary Mcdonald só experimentara um tipo superficial de amor.

Carlotta Meloni entendia muito, muito pouco, o conceito de amor.

Shelley Mumps estava quase tão "apaixonada" quanto uma garota comum de dezesseis anos.

Alice Griffiths passara muito tempo tentando não amar alguém.

Esse era o caso, e já era quase o Natal.

"Te vejo em breve, então," disse Lily com um sorriso. Severus assentiu. Os dois estavam no Hall de Entrada, onde os alunos estavam reunidos, preparando-se para passar o feriado de Natal em casa.

"Seria melhor se você ficasse," disse ele. "Tem mesmo que ir para casa? Com quem vai se sentar no trem?"

"Donna e Mary vão para casa também," respondeu a ruiva. "Não se preocupe. Mantenha-se ocupado. Boa sorte com a lição de casa de Transfiguração."

"Você também."

E então Filch estava chamando todos para entrarem nas carruagens e era hora de partir. Lily seguiu até a plataforma com Donna, Mary e um garoto da Sonserina que tinha algum tipo de interesse na última. Quando alcançaram a estação de Hogsmeade, Donna foi procurar a bagagem – que viera em uma carruagem diferente – e Lily prosseguiu para a parte da frente do trem, depositando sua bagagem com Hagrid, exceto a gaiola com seu gato.

"Lily!"

A ruiva se virou e viu Luke atravessando a plataforma, correndo em sua direção.

"Nós já nos despedimos," apontou ela, sorrindo. Ele assentiu: um aceno mais sombrio e menos jovial que o normal.

"Eu só... na última vez que nos falamos... eu estava muito..."

"Não é culpa sua, Luke," interrompeu a ruiva. "É minha. Fui eu quem..."

"Não, Lily, espere," interrompeu ele. "Você fez o que achou ser correto, e mesmo que tenha tido algumas... repercussões inesperadas, eu posso aceitar. Porque eu te amo."

Ela o beijou suavemente nos lábios. "Sinto muito, Luke," sussurrou ela novamente.

"Não se preocupe com isso. Vai acabar logo... minha família não fez nada de errado, e tenho certeza que aquele Lathe idiota vai descobrir isso logo que terminar de remexer e cutucar por lá... houve um engano. Eu sei disso."

Lily assentiu, querendo muito acreditar nele. "Eu queria que você pudesse vir me visitar," acrescentou ela em um tom mais leve.

"É melhor eu ficar perto do castelo," respondeu o namorado. "Minha família pode precisar de mim. É um momento meio difícil... o Ministério não encontrou nenhuma prova de que algo aconteceu lá no armazenamento, mas... sabe... a investigação não facilita nada para ninguém."

"Não, eu acho que não." O primeiro apito soou e a ruiva suspirou. "É melhor eu ir."

"Certo. Tudo bem." Eles se beijaram mais uma vez. "Adeus, Flor."

"Tchau, Luke."

Ela embarcou no trem, sorrindo tristemente.

"Você disse ao seu namorado que foi responsável por fazer a família dele ser investigada?" perguntou uma voz irônica. Lily revirou os olhos, virou-se e viu James Potter embarcando atrás dela.

"Sim, eu disse," respondeu friamente. "Porque nós temos um relacionamento estável e saudável, baseado na honestidade e confiança. Não temos necessidade de mentir ou fazer joguinhos ou manipular um ao outro. Fora do comum, eu sei..."

"Estável e saudável," repetiu James, sorrindo. "Seu entusiasmo é inspirador, Flor."

Lily o encarou completamente; teria colocado as mãos nos quadris, se a gaiola do gato não tivesse impedido o gesto. "Luke e eu temos uma relação muito interessante, se quer saber," informou. "Luke é doce e carinhoso e engraçado e..."

"E," interrompeu James, "eu aposto que está se tornando muito mais interessante nas últimas semanas, com todo esse negócio sobre a família dele talvez estar lidando com materiais das trevas."

"Nem todo mundo tem um senso tão distorcido do que torna alguém interessante, Potter," respondeu ela. James simplesmente deu de ombros.

"Diz a garota que tem Severus Snape como melhor amigo." Com isso, ele esbarrou nela no corredor, piscando ao passar. Quando ele se foi, Lily entrou na cabine mais próxima e se sentou. Recostou-se na janela e olhou por ela, sua mente fervilhando com Luke, com Severus, e com James Potter.

Lily Evans não estava apaixonada naquele momento. Na verdade, para uma garota supreendentemente sábia com relação a muitos assuntos do coração, Lily Evans não conseguia entender muito sobre o assunto no que dizia respeito aos homens de sua vida.

Ela era prática o bastante para saber que não entendia realmente o amor, mas ingênua o suficiente para acreditar que a afeição que sentia por um indivíduo pálido e de olhos escuros era responsável pela dor em seu coração. Era ingênua o bastante para não reconhecer que a dor em seu coração era devido ao fato de que esse indivíduo resistiu ao seu cuidado inocente e verdadeiro. Era suficientemente ingênua para acreditar que era, ao contrário, um sintoma de amor: como o amor de Anna Karenina ou o de Romeu e Julieta.

Mas não era.

Porque Lily Evans não estava apaixonada. (Ainda não).

(Eu Ouço uma Sinfonia)

"Estou feliz por você ficar, Adam," admitiu Marlene quando os dois voltavam à Torre da Grifinória após as despedidas no Hall de Entrada. O castelo parecia tão deserto agora que a maioria dos alunos embarcara no Expresso de Hogwarts.

"Bem," respondeu o outro, "meu pai e minha mãe pensaram que estariam de volta da pequena turnê mundial, mas parece que se demoraram na China... algo sobre dragões, que meu pai estava louco para visitar... essa é mais ou menos a minha realidade, por aí. Enfim, vai ser legal os nove não estarem enfurnados na casa."

"Você tem sorte de ter seis irmãos e irmãs," declarou Marlene. "Em casa, sou só eu e minha mãe, e ela não é exatamente uma companhia eletrizante."

"E uma irmã-sabe-tudo-de-doze-anos é uma companhia eletrizante? Eu trocaria."

Marlene riu. "Então… com exceção dos três Marotos e alguns calouros, temos o castelo mais ou menos para a gente. O que faremos com toda essa solidão, McKinnon?"

"Comer até passar mal, acordar e repetir."

"E aqui estava eu na expectativa de terminar a lição de Transfiguração."

Adam sorriu. "Você está andando com muitos alunos da Corvinal: estou cortando suas amizades. Nada além de grifinórios até depois do Natal. Você tem uísque de fogo?"

"Eu sou menor de idade, McKinnon."

"Isso não respondeu à pergunta, Price."

"Bem, sim, eu tenho um pouco, mas é para o Ano Novo. Sirius Black me fez prometer que levaria para a festa que ele está dando. Eu já tive que mentir para Miles, dizendo que não tinha."

Eles estavam se aproximando rapidamente do retrato da Mulher Gorda. "Ouça, Marlene," começou Adam após alguns segundos de silêncio.

"Hum?"

"Eu estava – na verdade, tem uma coisa que eu queria falar com você... há um tempo."

"Senha, queridos?" perguntou a Mulher Gorda.

"Em um minuto," disse Marlene educadamente. "O que foi, Adam?" Ela o observou com expectativa, e ele achou difícil manter o contato visual.

"A questão é..."

"Puta merda." Sirius Black aparecera pelo buraco do retrato. "Marlene! McKinnon! Caramba – acho que nenhum de vocês saberia o que fazer se alguém tivesse, digamos, explodido o dormitório do segundo ano?"

"…Hum…"

Os dois trocaram olharem. "É o que nós vamos ver, certo?" disse Adam. Marlene assentiu ansiosamente, e os dois entraram correndo na sala comunal atrás de Sirius.

Marlene Price estava, inconscientemente, apaixonada. Geralmente, ia para cama todas as noites pensando em um garoto em particular, e normalmente desejando algo que não conseguia expressar em palavras. Ela acordava e o via no café da manhã, esboçando uma espécie de sorriso que alguém exibe quando se ouve uma música particularmente feliz tocando em sua mente. Havia um garoto cujas piadas a faziam rir, que nunca fracassava em levantar seu ânimo, a quem ela não desejava nada senão o melhor, e com quem sempre se sentia à vontade. De uma maneira muito, muito alheia, Marlene Price estava tropeçando no amor com os olhos – não fechados – mas no local completamente errado.

Porque ela estava – de alguma maneira – apaixonada. Mas não sabia disso. (Ainda não).

(Fuja, Fuja, Fuja)

"Feliz aniversário!" gritou uma garota de dez anos, envolvendo os braços finos em torno do tronco de Donna Shacklebolt e fazendo a mais velha ficar um pouco tensa. A plataforma nove e meia estava apinhada de alunos e familiares, e Donna preferia não ser vista assim; tinha uma reputação a zelar. Aliás, ela não gostava muito de "abraços."

"Olá, Bridget," respondeu Donna mesmo assim, não muito calorosa (mas quase). "Como você está?"

"Excelente," disse a garotinha chamada Bridget, soltando a irmã e recuando. "Kingsley foi comprar uma revista trouxa. Ele disse que é importante acompanhar 'o que eles estão pensando', então vamos encontrá-lo lá na frente."

"Onde estão Brice e Isaiah?" perguntou Donna bastante séria, enquanto Bridget – uma garota pequena, de pele morena e cabelos com os da irmã – se esforçava para levantar o malão da mais velha. Donna foi ajudá-la.

"Tia Dolinda está hospedada lá em casa," respondeu Bridget, revirando os olhos cor de âmbar. "Não se preocupe – ela vai sair assim que você determinar. Está cuidando da gente à noite, quando chegamos da escola primária e Kingsley tem que ficar no escritório. É totalmente frustrante. Eu e você vamos ter que selecionar uma nova empregada."

Donna escondeu um pequeno sorriso com o sofisticado tom de voz da garota de dez anos. "Estou surpresa que tenha se lembrado do meu aniversário... ninguém nunca lembra, sendo tão perto do Natal."

As duas Shacklebolt atravessaram a plataforma nove e meia. "Eu sempre me lembro," corrigiu Bridget. "E não dê uma de prosseguida."

"Perseguida, Bridge."

"Foi isso que eu disse."

O bruxo que estava junto à barreira entre a estação Kings' Cross trouxa e a mágica acenou para as bruxas, e as duas caminharam direto para a parede de pedra, entrando na Londres trouxa.

"Sabe, Donna," começou Bridget, enquanto caminhavam – a mais jovem balançando os braços e observando com muito interesse os trouxas que passavam. "Eu acho que deve ser muito interessante ter dezessete anos. Pode-se fazer inúmeras coisas, como aparatar, ou tomar uísque de fogo..."

"E o que você sabe sobre uísque de fogo, Bridget Shacklebolt?" exigiu Donna. A menina sacudiu os ombros, continuando a balançar os braços.

"A Sra. Lockhart diz..." (num tom agudo e superior) "'... é o fluxo que percorre o caminho até a iniquidade.'" Bridget sorriu. "Imagino que significa muita diversão, porque tudo que a Sra. Lockhart dizia que era errado eram sempre as coisas mais divertidas... levitar os pratos, brincar de pega-pega dentro de casa, jogo de bexigas..."

"Quem diabos é Sra. Lockhart?" perguntou Donna. "E como ela justificou proibir jogo de bexigas?"

"Era a empregada que acabou de se demitir."

Donna revirou os olhos. "Eu deveria saber. Afinal, Kingsley a contratou. E por que ela saiu? Você expressou o desejo de se tornar algo mais do que uma dona de casa?"

Sem entender bem o comentário, Bridget balançou a cabeça. "Não, foi Isaiah. Ele colocou fogo no cabelo dela."

"É claro," suspirou a mais velha. "É claro que foi Isaiah." Era sempre Isaiah. "Ela não vai prestar queixa, não é?"

"Eu e Kingsley conversamos com ela," respondeu Bridget com dignidade. "Estou feliz por você estar em casa agora, Donna." Ela passou um braço em torno da cintura da irmã. "Até Isaiah se comporta melhor quando você está por perto."

"Isaiah é sempre um santo terror," corrigiu Donna.

"Ele não consegue se controlar. A Sra. Lockhart dizia que 'a falta de pai e mãe tornou impossível ele ser um garoto comportado, e ele tem que ser... '"

"Já chega da Sra. Lockhart," cortou Donna. "Vamos arranjar uma nova empregada... espero que uma sensata e que possa manter Isaiah na linha."

Bridget sorriu. "Você vai ter que contratar um dragão, Donna, querida."

Donna Shacklebolt quase sempre dizia a palavra "amor" em tom de ironia. Ela jurava não acreditar nele – que os conceitos de amor e casamento foram inventados em alguma época no passado para manter as mulheres na linha. Atualmente, essas ideias eram continuamente propagadas para manter a população à vontade: para lhes dar algo pelo que lutar. Mas ela não tinha intenção alguma de lutar por amor de ordem romântica (ou de qualquer outra ordem). Rejeitava a ideia de que ele sequer existia. Rejeitava-o intelectualmente, aliás.

Porque sua mãe e seu pai tinham sido "apaixonados" e tinham morrido mesmo assim. E Kingsley amava todos eles, mas, ainda assim, tinha que trabalhar inúmeras horas no departamento de aurores. E Severus Snape evidentemente amava Lily Evans, mas estava sempre a machucando. E Adam McKinnon evidentemente amava Marlene Price, mas Marlene não parecia dar a mínima, porque estava sempre na de Miles Stimpson (que, por sua vez, não dava a mínima também).

Na verdade, Donna Shacklebolt acreditava no amor, mas o ridicularizava porque odiava a ideia: a vulnerabilidade, a impotência e a dependência de que alguém não te machuque. Donna acreditava no amor, mas não aprovava nenhuma de suas variedades, e certamente não o desejava. (Ainda não).

(Eu Quero Alguém)

"Mais chá, Mary querida?" perguntou a Sra. Macdonald, segurando o bule de chá para a filha. Mary sacudiu a cabeça, divertindo-se com a intensa felicidade de seus pais perfeitamente trouxas com a sua chegada.

"Então, as aulas estão indo bem?" perguntou o Sr. Mcdonald, oferecendo outro bolinho à filha. "Quer dizer, os professores estão te tratando bem? E suas notas ainda estão boas?"

"Razoavelmente boas," respondeu Mary. "Sim, tudo está bem. Vocês viram meu relatório do trimestre, não é?"

"Sim," disse a Sra. Mcdonald, "mas dificilmente se confia neles. Suas notas estão sempre boas, é claro, mas não sei quão justos seus professores são. Talvez você mereça notas maiores..."

"Eu recebo as notas que mereço," assegurou-lhes Mary. Ela já comera uma pilha de bolinho, morangos, e meio pote de chá. "Estou muito cheia agora," insistiu. "Não quero mais bolinhos, ou definitivamente vou explodir."

A Sra. Mcdonald começou a tirar a louça da mesa, entrando na cozinha, que ficava bem ao lado. Ela lembrava Mary de certa forma, possuindo uma farta cabeleira castanha e largos olhos cor de avelã. Ao contrário da filha, porém, a Sra. Mcdonald era uma mulher alta e esguia, com mãos ásperas e braços fortes: trabalhara na vida. "Mantendo a forma, hã?" perguntou a mãe, as sobrancelhas erguidas sugestivamente. "Há algum garoto, Mary?"

"Hum," resmungou o Sr. Mcdonald, que possuía uma estatura menor, que Mary herdara, mas – assim como a esposa – projetava uma personalidade mais grosseira. "É bom que a trate bem, esse namorado."

"Quem disse alguma coisa sobre 'namorado?'" interrompeu Mary imediatamente, e então desejou não tê-lo feito. Seu pai arqueou uma sobrancelha.

"Quer dizer que na verdade você não está com esse sujeito? Por que não? Qual o problema dele?"

"Quem foi que disse que havia um sujeito, para começar?" indagou Mary, na defensiva; ainda assim, sua mente voltou à cabine do trem naquela manhã... com Martin, o garoto da Sonserina... a forma que tocou em sua perna, e como a beijara... como se beijar não fosse tudo que tivesse em mente. Foi legal... foi fantástico, na maior parte, mas... não, não, Martin não era seu namorado.

"Ah, Mary, não queremos nos intrometer," disse a Sra. Mcdonald de forma apaziguadora. "Se você não quer namorar, nós mais que apoiamos isso. Nós encorajamos."

"Certamente!"

"Apenas supomos que você teria alguém, querida... você escreve sobre garotos de vez em quando, e sendo tão bonita..."

"Mãe, por favor." Mary descobriu que só corava em casa. "Sério, não é nada demais. Eu tenho alguns encontros de vez em quando, mas não tenho namorados sérios."

"E é uma sábia decisão," disse o Sr. Mcdonald. "Você é uma mulher jovem e inteligente."

"Uma bruxa jovem e inteligente," concordou a Sra. Mcdonald.

"Sim, isso…" continuou o Sr. Mcdonald. "E você não quer se atolar, quer? Só tem dezesseis anos... não há sentido em não manter suas opções em aberto."

"A não ser que encontre alguém que realmente ame," disse a Sra. Mcdonald. "Mary, querida, é melhor não se preocupar com nada disso."

A jovem assentiu. "Certo, mãe, eu sei. Sabe, eu… eu acho que estou ficando um pouco cansada. Foi um dia longo, com a viagem de trem..." O local na parte de fora de sua coxa, onde a mão de Martin estivera, parecia queimar, e Mary sentiu-se subitamente culpada por seus pais não fazerem ideia. "... eu acho que vou me recolher."

"Eu levo uma xícara de leite para você," disse a Sra. Mcdonald calorosamente. "Durma bem, Mary. É bom ter você de volta."

"É bom estar de volta," concordou a filha.

"Eu te amo, Mare," disse seu pai.

"Te amo também, pai."

Mary Mcdonald só experimentara um tipo superficial de amor romântico, e foi muito romântico e muito superficial. Sabia perfeitamente bem que tudo que tinha que fazer era estalar os dedos e Martin-da-Sonserina (qual era o último nome dele?) seria seu namorado... ela não resolvera o problema no trem, e ele estava... bem, interessado. Sempre sabia quando estavam interessados o bastante em "namorar".

Mas Mary não estava interessada.

Martin beijava muito bem. Muitos deles beijavam muito bem (muitos não, mas esses não tinham a mínima chance), mas a maioria simplesmente não despertava seu interesse depois do primeiro beijo... o diálogo era sempre tragicamente banal. Todos sempre olhavam para ela da mesma forma: com adoração, que Mary achava que devia ser algo como desejo mais amor. No entanto, enquanto a adoração ia ficando maçante, era melhor que rejeição.

Ela conhecia a rejeição também, e a reconhecia nos olhos de um garoto, quando ele a despia mentalmente e já planejava como escaparia depois. Rejeição doía, mas era muito mais fascinante que adoração: mais fascinante, mas muito mais perigoso. No fim das contas, a adoração só acaba prejudicando o adorador: não a garota que ele coloca no pedestal.

Mary Macdonald só conhecia um tipo muito superficial de amor romântico, não conhecia nenhum outro tipo. (Ainda não).

(Ele Tem 17 Anos)

"Querido Frank," tentou Carlotta novamente. Encarou o pergaminho, que não lhe rendeu mais nenhuma inspiração, e largou a pena. Seu quarto em casa era agradável e bem decorado, e não precisava dividi-lo, o que era seu principal interesse. Estava sentada na escrivaninha sem ser interrompida há duas horas, mas ainda não descobrira o que devia dizer na carta para Frank Longbottom.

"Eu cheguei bem em casa. Você parecia um pouco hesitante em conversar após o último encontro, e eu te dei seu espaço, mesmo que não tenha me dado nenhum veredito sobre sua decisão. Só posso torcer para que seu silêncio a respeito do assunto não signifique que desistiu completamente de mim."

Carlotta releu o que escrevera, em seguida amassou o pergaminho e o levitou até o cesto de lixo. Começou novamente.

"Querido Frank…"

Mas também não era isso que ela queria.

"Frank," começou de novo. Não, muito brusca.

"Querido Frank." Uma breve pausa, então: "Desde o nosso último encontro eu sinto a sua falta. Você ficou na sua, e eu entendo que precisa de espaço. Não estou escrevendo para te incomodar sobre isso. Apenas quero manter contato."

Carlotta bufou e acrescentou em voz alta: "Porque eu não confio que você não volte para sua ex-namorada idiota... ela seria burra o bastante para te aceitar..."

"A viagem de trem foi boa… Shelley ficou na escola esse ano, então eu sentei com alguns quintanistas da Corvinal. Quando chegamos em casa, antes mesmo que eu chegasse à porta de casa, Mike Sanderville – aquele vizinho idiota que estuda em casa – me abordou e perguntou se podia me levar a alguma festa que ele vai em Londres na véspera de Natal. Eu quase disse 'sim', apenas para não deixá-lo no suspense, mas minha irmã Eileen é louca por ele desde que começou a estudar em casa também, e isso simplesmente não seria certo com ela. Eileen não tem autoconfiança alguma, e..."

Carlotta parou e pegou a varinha, apagando magicamente tudo depois de "manter contato". Nunca funcionava quando tentava fazer ciúmes a Frank... não como acontecia com os outros rapazes. Ele nunca parecia desaprovar: era mais como uma solução para um problema.

"O Problema Carlotta," intitulou ela pensativamente. A jovem franziu o cenho, sua mente voltando a Alice Griffiths, que, sem dúvida, estava em seu dormitório, pensando coisas terríveis sobre ela no momento. Aquele pensamento confortava e aborrecia Carlotta ao mesmo tempo. Não gostava que Alice acreditasse ser, de alguma forma, melhor do que ela, mas se enchia de orgulho ao saber que por ela – ela, Carlotta Meloni – tinha valido a pena perder Alice. Frank a beijara, sabendo que isso podia arruinar o relacionamento com a perfeita garota-comum-Alice-Griffiths, e isso significava alguma coisa. Significa que Carlotta não era apenas a garota hippie paz e amor; ela real e verdadeiramente valia a pena.

Mas não podia escrever isso.

"Feliz Natal, Frank. Espero que esteja pensando em mim, pois tenho pensado em você."

Carlotta hesitou na assinatura, e então, sabendo que era exatamente o que Alice Griffiths teria feito, concluiu com esplendor:

"Afetuosamente, Carlotta."

Mas, é claro, Carlotta Meloni entendia muito, muito pouco, o conceito de amor. Amor era sexo; amor era vitória e uma pequena sensação feliz e aquecedora que ela sentia de vez em quando. Amor tinha algo a ver com ausência de guerras... era algo sobre o que se escreviam músicas e o motivo de os casais brigarem.

Amor não era aquela bobagem sentimental na qual Alice Griffiths sem dúvida acreditava: não que Carlotta realmente tivesse ideia do que Alice Griffiths acreditava... e reconhecia esse fato. É que era simplesmente fácil demais ser adversária de Alice, evidentemente por causa de Frank, mas também porque elas eram tão... opostas. E Carlotta gostava da ideia de ser adversária de Alice Griffiths. Havia algo emocionantemente adequado em ser adversária dela e, ao mesmo tempo, tentar tomar o que ela já tinha (Roubar o que Alice já tinha, disse uma voz – rapidamente silenciada – em sua mente).

Carlotta entendia muito, muito pouco o conceito de amor, e sabia disso. Ela não se importava. (Ainda não).

(Baby Love)

O dormitório feminino do sexto ano da Grifinória estava solitário, como observou Shelley Mumps ao pentear seu cabelo loiro escuro no segundo intervalo da manhã. Marlene Price era a única outra garota que estava lá, e sempre estava fora com Adam McKinnon ou com os três Marotos.

Shelley suspirou. Três Marotos. Só Três.

Só se inscrevera para ficar no castelo porque ouvira dizer que os quatro Marotos ficariam. Mas então James Potter decidira ir para casa no final, e Shelley descobrira isso tarde demais. Ele devia ter divulgado a informação um pouco mais.

Descansando o queixo na palma da mão, a loira encarou o espelho, mas pensou em James Potter ao invés de pensar em seu reflexo. O rapaz tinha falado, talvez, umas cinquenta palavras com ela em quase seis anos, mas havia algo magnético nele. Todos viam isso (quase todos, aliás), e percebia-se porque todos o amavam (quase todos, aliás).

Shelley Mumps certamente o amava, de qualquer forma.

"Oi, Shelley," disse Marlene, a própria imagem do espírito do feriado naquela manhã, ao vir do banheiro, onde estivera fazendo a maquiagem, e entrar no dormitório.

"Oi, Marlene," respondeu Shelley. Marlene Price era uma garota interessante. Era bonita: muito bonita, na verdade, mas não absolutamente deslumbrante como Carlotta ou Lily. Era alta e bem torneada (embora ela não achasse isso), e o cabelo descia até a metade das costas, como folhas de ouro. De repente, Shelley sentiu inveja, e raramente sentia inveja. Inveja era algo que ela simplesmente não podia se permitir sendo amiga de Carlotta. "Aonde você vai essa manhã?"

Shelley notou o jeans moderno, o pulôver e as botas de cano alto que sua colega de quarto vestira. "Guerra de bolas de neve com alguns dos garotos," respondeu Marlene alegremente, tirando o cachecol e o casaco do malão. "Você deveria vir. Vai ser muito divertido. Os Marotos sempre tornam tudo mais divertido… vai ser mais uma Guerra Mundial de bolas de neve."

Se ao menos James Potter estivesse lá.

Shelley ponderou. E então, olhou para a saia que vestira para passar o dia. "Não estou vestida para uma guerra de bolas de neve," disse à outra. "É melhor eu não ir."

Marlene prendeu os brincos. "Nós te esperamos se quiser, Shelley. Ninguém vai se importar."

Não, pensou Shelley. Não, depois eles vão ficar irritados e eu serei a garota que os atrasou, e então Sirius Black acharia que eu sou um incômodo, e pode dizer a James Potter que sou um incômodo, e...

"Na verdade, acho que é melhor eu começar minha dissertação de Transfiguração," disse Shelley. "Mas obrigada pelo convite."

"Desça se mudar de ideia," disse Marlene. "Odeio pensar em você completamente sozinha no dormitório fazendo lição de casa." Com um sorriso, a loira partiu, deixando Shelley com seu reflexo no espelho.

Shelley Mumps estava quase tão "apaixonada" quanto uma garota comum de dezesseis anos. Estava "apaixonada" pelo capitão de quadribol de sua Casa: estava apaixonada por seu cabelo bagunçado, e pelo fato de ele sorrir torto, e por ele simplesmente ter aquele estilo fantástico. Mas, é claro que Shelley Mumps não estava realmente apaixonada por ele. Estava encantada, e talvez isso fosse pior, porque Shelley não era vaidosa, ou invejosa, ou insegura por natureza, mas quando pensava em James Potter, passava a ser essas três coisas.

Não fazia diferença James mal a conhecer, ela ficar calada quando ele estava por perto, ou que eles nunca tivessem tido uma conversa de verdade. Shelley estava encantada, e não tinha nenhuma intenção de desistir desse encantamento. (Ainda não).

(O Acontecimento)

"Bom dia, Alice," disse Marlene alegremente, entrando no dormitório feminino do sétimo ano com um sorriso e quatro garotos.

"O que diabos vocês todos estão fazendo aqui?" questionou Alice, pousando o livro que estivera lendo na janela. "E como conseguiu trazer os garotos para cá?"

"Em primeiro lugar," começou Sirius Black, um dos que estavam no grupo, "eu não sabia que você xingava, adorável Alice. Muito bonitinho. Em segundo lugar, conseguimos entrar no dormitório feminino por..."

"Ora, Sirius," interrompeu Remus, "você já não espalhou segredos o bastante ultimamente? Esse idiota..." acrescentou para os outros que estavam no quarto: "contou à garota com quem saiu três passagens secretas diferentes do castelo apenas para que ela o beijasse."

"Funcionou?" quis saber Marlene.

Sirius sacudiu os ombros. "Vamos apenas dizer que Shannon Prewett pode fazer coisas maravilhosas com a língua."

Marlene e Alice se encolheram. "Será que alguém pode, encarecidamente, me fazer esquecer que ouvi isso?" lamentou a primeira. Sirius começou a sacar a varinha, mas Remus olhou feio para ele.

"Estamos desviando do assunto," comentou Peter, e Adam assentiu em concordância.

"É," disse ele. "As admiráveis e bizarras façanhas de Sirius com a língua de Shannon Prewett não têm nada a ver com nossa missão aqui hoje."

Alice revirou os olhos. "Se isso é algum esquema maluco para me fazer descer e... participar de uma guerra de bolas de neve ou algo igualmente cliché com vocês, eu não vou. Estou lendo."

"Ah, não," disse Sirius; "Nós não queremos que você desça."

"Muito pelo contrário," concordou Adam.

"Queremos que você fique aqui em cima," disse Remus.

"O feriado de Natal inteiro," contribuiu Peter.

"Marlene vai te trazer as refeições," acrescentou Sirius.

Alice os encarou. "Foi por isso que vieram aqui? Para me mandar permanecer onde estou?"

"Também," disse Marlene, "para te perguntar que evento marcante de sua infância te tornou tão masoquista a ponto de ficar em Hogwarts esse ano?"

"É meu ultimo ano," respondeu a setimanista defensivamente; "Eu gosto do Natal em Hogwarts, e pensei em aproveitar..."

"Frank também ficou," interrompeu Marlene. Alice a encarou.

"Sério?"

"Sim, querida."

Ela levantou-se da janela. "M-m-mas ele nunca fica. Ele sempre vai para casa ficar com a mãe, por que... droga. Droga. Não é possível!"

"E ela continua xingando," comentou Sirius. "Verdadeiramente adorável."

"É possível e é verdade," disse Remus simpaticamente. "Marlene queria te avisar, e nos trouxe com ela. Espero que a gente não tenha te assustado nem nada..."

"Está tudo bem, Remus," interrompeu Alice com gentileza, claramente perdida em pensamentos. "Mas... como isso pôde acontecer? Santo Deus, eu achei que finalmente poderia andar pelo castelo sem nenhum perigo de me deparar com ele! Por que ele iria...? Ah!" A compreensão surgiu em seu rosto arredondado; "Carlotta ficou também, não é? É isso, não é? É por isso que Frank ficou?"

"Não, Carlotta foi para casa," disse Adam.

"Ela foi?"

"Foi."

"Mas, então, por que…?" Alice parou de falar. "Marlene, por que está me encarando dessa forma?"

De fato, Marlene olhava para a setimanista com uma expressão espantada e olhos arregalados. "Porque... p-p-porque... porque você disse o nome!" gaguejou ela. "Você disse o nome!"

"Ela disse que nome?" fizeram coro os quatro rapazes, intrigados.

"Ela disse o nome de Carlotta!" exclamou Marlene, batendo palmas animadamente. "Alice, você não tinha dito o nome de Carlotta nenhuma vez desde que essa coisa toda começou... você não disse o nome dela nenhuma vez, e agora acabou de dizer, e... e nem sequer percebeu que disse! Você está bem!"

Alice piscou os olhos. "Eu estou bem."

"Eu concordo," disse Sirius. Remus o acotovelou.

"Eu não sinto nada," continuou Alice. "Eu disse o nome de Carlotta e não senti nada... nem preocupação ou raiva ou tristeza ou..." Ela olhou para os cinco. "Eu superei," anunciou a bruxa, maravilhando-se com as próprias palavras.

Marlene se aproximou. "Você superou?"

"Eu superei."

"Superou completamente?"

"Eu superei completamente."

Marlene começou a aplaudir, os outros seguiram o exemplo. Alice se sentou, perdida em suas reflexões confusas. "Escutem, obrigada por virem aqui, mas... vocês poderiam me dar um minuto? Eu preciso digerir."

Com uma piada sobre digestão de Sirius e um sorriso encorajador de Marlene, os cinco sextanistas partiram. Alice respirou fundo. Aquilo mal parecia possível: depois de todo aquele tempo, ela de repente não se importava mais... não queria ficar mais naquele dormitório idiota... queria ficar lá fora.

Alice Griffiths passara muito tempo tentando não amar alguém. Porque, no fundo, ela sempre amara Frank, mesmo quando estava lá, dizendo a ele que era o fim, e mesmo quando o vira em Hogsmeade com Carlotta, e mesmo quando soube que ele foi a um encontro com Carlotta: Alice não conseguia deixar de amar Frank.

Mas agora aquilo não fazia diferença. Tudo fez sentido. Amar Frank e seguir em frente não eram filosofias contraditórias. Alice-e-Frank nunca aconteceria de novo: insistir era inútil. Insistir a fazia infeliz. Insistir era ler aquele livro sem graça no dormitório quando um manto imenso de uma neve maravilhosa esperava lá fora. Alice se levantou.

Passara muito tempo tentando não amar alguém, e agora viu que nada daquilo era o que contava, porque ela seguira em frente. Não seguira muito em frente quanto a amá-lo (ainda não), mas tinha deixado para trás a preocupação com o que acontecera. Deixara para trás e estava pronta para cair fora daquele humor ridículo, à la trilha sonora de Carole King, que assolara o dormitório por meses.

Estava pronta para ficar bonita e rir; para comparecer às festas pós-quadribol e paquerar um cara bonito. Estava pronta para ir a Hogsmeade por pura diversão, e não só porque suas amigas a arrastaram para lá. O sol estava brilhando e a neve reluzia quando Alice seguiu em frente naquela manhã, e já era quase Natal.