Renji apertou com mais firmeza o shihakushou da garota. Sentia tanta raiva de tê-la visto com Ichigo. Aquilo já parecia tão comum, vê-la com seu rival, aquele que um dia chamara de amigo.
- Rukia. Não vou te machucar. – afirmou ele. – Mas se você não acabar com essa palhaçada HOJE ainda com o Ichigo, eu vou contar para o taichou... e eu mesmo vou matar esse miserável!
- Quê? – Rukia exclamou, arregalando os já enormes olhos azuis.
- É o que ouviu, Rukia. Eu já sei de tudo. Você termina com ele HOJE ou eu mato o Ichigo e conto tudo para o capitão!
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N.A.: Gente, pra quem estava sem inspiração para desenvolver esse capítulo, confesso que escrevi muito mais do que costumo e peço desculpas pelo capítulo ter ficado longo. Preciso desenvolver a história e os capítulos na média que estava fazendo não estavam rendendo tanto quanto queria. Isso faria com que a fic tivesse trocentos capítulos! ^^' Muito obrigada as reviews que todos tem deixado, agradeço a todos que estão lendo, acompanhando, gostando, dando dicas... ^^ São minha motivação para continuar isso aqui! ^_^
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Entre o Amor e a Razão
Capítulo 11: Impassibilidade
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- Mas... O que deu em você, seu louco?
Rukia encarou temerosa os miúdos olhos cor-de-mel do ruivo ao mesmo tempo em que tentava, de forma vã, desvencilhar-se da mão firme do tenente que a forçava, prensando seu corpo contra o muro.
- Você ouviu bem.
- Do que está falando? Ichigo e eu não temos nada! De onde tirou isso?
- Não tirei de lugar nenhum. Eu os vi se beijando na mansão do capitão, Rukia. Eu vi tudo. – ele afirmava.
Rukia sentiu o chão desaparecer sob seus pés. Então além do que havia visto no jantar da mansão, Renji havia presenciado outra situação em que estava com Ichigo. O coração dela acelerou e a tensão dela não passou despercebida ao perspicaz fukutaichou.
- Não tem como me negar! – exclamou.
- Renji, se você continuar me machucando assim, eu vou gritar! – ameaçou Rukia, na tentativa de cortar o assunto e principalmente se libertar dele.
- Pode gritar. Grite a todos que eu vou contar a verdade! Quer que eu conte ao seu irmão? Ele vai se arrepender mesmo de ter pegado uma garota miserável de Rukongai quando souber que você não passa de uma qualquer...
E o barulho emitido pela palma da mão de Rukia contra a face esquerda de Renji ecoou naquele silêncio aonde apenas as vozes dos dois e os gemidos de desespero de Rukia em se soltar haviam sido audíveis. O tenente ficou estático, boquiaberto. Rukia ainda tinha a mão aberta estendida. Ela arfava, não sabia que se pelo esforço realizado em tentar sair do domínio do ruivo ou pela raiva causada pela afronta do mesmo.
- Ru... – ele tentou balbuciar quando seus dedos se soltaram do shihakushou da garota.
- Nunca mais fale comigo, Renji!
E foi a vez de Renji sentir os pés cair em um imenso buraco. Os olhos azuis de Rukia estavam mais gélidos que nunca. Ela olhava com ojeriza para o tenente.
- Esqueça que eu existo! Se quiser contar para o nii-sama, conte. Já disse que não tenho nada com o Ichigo, mas se quiser insistir nisso, vá em frente! – desafiou ela ao lhe dar as costas.
- Rukia! Espere! – gritou ele. – Me des...
E ao estender a mão na tentativa de alcança-la, Rukia correu. Fugiu dele.
Renji se arrependeu amargamente das palavras proferidas a Rukia. Não podia negar que estava com raiva e ciúmes, mas ela não merecia ter ouvido aquilo. Não. Mas ao notar o grande erro que cometera, sabia que só havia um culpado para sua atitude insensata: Ichigo. Só havia uma solução para dar um fim naquilo e voltar a condição que sempre desfrutou com a garota, que lhe dava esperanças de seguir em frente, que acendia uma pequena chama em sua vida. Mataria Ichigo.
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Ajeitando os óculos azuis, Ishida Uryuu encarou o lado de fora da janela da sala de aula. Ela ainda não havia chegado.
Desde o dia anterior havia tentado falar com Inoue. Ligou para a garota o resto do dia sem obter resposta, e quando foi a sua residência, também não a encontrou. Estava preocupado.
Já começava um novo dia no colégio e ela também não havia aparecido. Foi quando sentiu uma presença e olhou para o lado quando viu a volumosa ruiva se sentar a mesa ao seu lado.
- Inoue-san? – surpreso, ele arregalou os olhos azuis.
- Hm? – e com descaso ela ergueu o rosto para encará-lo.
- Ohayo! – sorriu o quincy. – Fiquei preocupado com você ontem o dia todo. O que aconteceu?
- Nada.
Foi tudo o que ela respondeu antes de voltar a sua atenção a pequena pasta com estampas florais de onde começou a tirar seus livros. Ishida franziu o cenho ao vê-la agir daquela maneira. Suspirou com tristeza. Parecia realmente impossível fazê-la feliz, mas o pior de tudo era a atitude grosseira que a princesa estava tendo ultimamente.
- Fiz algo de errado, Inoue-san? – questionou ele, um tanto quanto acanhado.
- De maneira nenhuma. – respondia ela sem voltar a fita-lo.
- Está tudo bem com você?
- Está tudo ótimo. – ela respondeu com frieza.
- Então, vamos estudar juntos mais tarde? – insistiu ele. – Aliás, hoje fiquei de encontrar meu pai no hospital, - e um sorriso bobo surgiu nos lábios de Ishida. – e sabe, eu gostaria de levar você e comunicar a ele sobre nosso relac...
- Não posso. – cortou ela.
Aquilo fora tão rápido que Ishida chegou a ficar sem ter o que falar e como agir. Ela parecia tão fria e determinada a ignorá-lo. O que acontecia?
- Ah... Que pena. – e não tentando perder o sorriso, ele assentiu. – Tudo bem, fica para outro dia. Tem algum compromisso hoje?
- Vou sair com a Tatsuki-chan. – avisou.
- Ah, entendo...
O quincy tinha de dar por vencida a luta. Por mais que insistisse, a princesa permanecia a ignorá-lo, realizando com afinco sua missão de não lhe dar atenção. Ele calou e assim o dia seguiu. No intervalo, a viu sair da sala sem ao menos lhe dizer uma palavra. Não havia mais nada a ser dito.
- Inoue-san!
Ela virou-se para ver o colega que a chamava. A voz era inconfundível. Era óbvio que se tratava de Asano Keigo. O rapaz chegou como sempre exaltado.
- O que foi, Asano-kun? – perguntou ela.
Ishida não negou a sentir uma ponta de ciúmes. Ela poderia não estar tão receptiva como era de forma normal, mas notou que ela tratara Asano de uma maneira diferente da frieza com a qual havia sido recepcionado.
- Você é a garota mais inteligente da classe! – e se ajoelhou. – E a mais linda, e a melhor garota que eu já conheci!
Inoue ruborizou, um pouco constrangida com a cena. O quincy, ao seu lado, apenas observou. Por mais que estivesse ciente da besteira que o que presenciava significasse, não evitou a sentir uma dorzinha bem suave em seu peito.
- Ah... Obrigada, Asano-kun! - ela agradeceu com um sorriso tímido.
- E eu PRECISO da sua ajuda. – enfatizou o jovem.
- Minha ajuda? – questionou ela.
- Sim.
Keigo pousou uma pasta sobre a mesa da ruiva e de lá tirou alguns papéis. A princesa observou os quadros brancos formados pelos espaços vazios deixados pela escrita do rapaz.
- Meu trabalho com o Mizuiro está uma droga. Você poderia colocar nossos nomes no seu?
- Anh? Mas é para o trabalho de redação sobre uma reportagem? – Inoue se recordou. – Mas eu vi você e o Kojima-kun se esforçarem tanto tirando fotos por aí. O que houve? Aliás, seu trabalho está muito melhor escrito que o meu... – constatou ela enquanto folheava as páginas do trabalho.
- Ah... o idiota do Ichigo quebrou nosso cartão de memória.
- O Kurosaki-kun? – piscou a menina, incrédula.
- É. É porque tiramos uma foto que ele não gostou, - disse ele sem mais detalhes. – mas então ele ficou com raiva e o quebrou.
E remexendo um pouco o bolso da calça do uniforme, ele retirou três pedaços que formavam a mídia de armazenamento onde estavam as fotos de seu trabalho.
- Que pena. – observou Inoue. – Mas que coisa o Kurosaki-kun ter feito isso.
- Agora só me resta jogar isso no lixo. – choramingou o jovem, nitidamente decepcionado. – Ai, quando eu ficar de frente com aquele idiota do Ichigo! – ameaçou.
- Eu não vou poder colocar os nomes de vocês em meu trabalho porque ele é em dupla e o fiz com o Ishida-kun, Asano-kun. Me desculpe. – ela se desculpou de forma sincera com um triste sorriso. – Espero que vocês consigam fazer ele a tempo.
- Ah... – suspirou. – Isso vai ser impossível. Bem, de qualquer forma obrigada, Inoue-san.
E quando o rapaz saiu de perto, assim que passara pela lata de lixo na porta da sala de aula, jogos os cacos do cartão. Inoue ficara a observar e Ishida igualmente a ela.
- Alunos, havia esquecido! – a professora anunciava, tirando-os de seus devaneios. – Hoje teremos aula no laboratório, então vão logo para lá, seus vagabundos! – gritava a enlouquecida mulher.
Todos começaram a arrumar as coisas para irem à aula que ocorreria não mais na sala. As meninas seguiam na frente animadas. Ishida se levantou e estendeu a mão para Inoue que, sem reagir, levantou sem a ajuda oferecida pelo quincy.
- Vá na frente, Ishida-kun. Ainda vou arrumar umas coisas no meu trabalho da próxima aula. – disse ela friamente.
- Mas...
Foi quando ele sentiu uma mão tocar em seu ombro, fazendo-o virar-se para trás. E para sua surpresa, era aquela que era a melhor amiga da sua amada.
- Vamos, Ishida.
E algo nos olhos de Tatsuki fez Ishida assentir. Talvez aquela que a conhecesse melhor fosse capaz de orientá-lo.
- Quero fazer meu trabalho com você hoje. Estou com algumas duvidas.
- Ah, é claro, Arisawa-san.
E saindo meio que desconcertado, Ishida ainda olhou para trás para ver Inoue sentada. Os olhos tom cianeto vagos enquanto ela ficava sozinha na sala de aula.
Mais que ninguém ela sabia que o quincy não merecia aquele tratamento. Ishida era tão gentil e carinhoso. Ontem havia discutido com ele de forma tão boba. Realmente havia agido mal com Rukia, mas como evitar seus sentimentos? E como evitar em pensar em Ichigo? Ele não havia vindo a aula e sabia que estava a caminho de se tornar capitão. Sabia que o rapaz tinha mais gosto por sua vida como shinigami e viver como um humano não era algo que o agradasse tanto. Estava tão mais próximo de Rukia... Ela sentiu mais uma pontada de frustração, a mesma que a invadia desde que os viram se beijar na mansão dos Kuchiki.
Sentia-se a pior pessoa do mundo. Não. Não era digna de chama-los de amigos. Tinha raiva de Rukia, a ponto de planejar fazer mal a ela com Renji.
Ela passou as pontas dos dedos nos cantos dos olhos, evitando que as lágrimas que se formavam caíssem. Foi quando ela se levantou e já saindo da sala, voltou alguns passos e olhou para o cartão de memória do amigo na lixeira.
- Eu posso ajudar o Asano-san. - afirmou a si mesma.
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- Está atrasado!
Ichigo franziu o cenho, com raiva da bronca já tomada pela capitã com a qual teria de passar uma semana em um treinamento que sabia que não seria nada fácil.
A capitã Soi Fon encarava séria o jovem, mais do que o resto da turma que começava seu treinamento e preparação para a Onmitsu Kidou.
- Bem, meu treinamento se resume a resistência. Durante todo o tempo você terá que ter técnica para conseguir lutar. A missão de todos aqui é matar você.
- O QUÊ? – o substituto exclamou em choque.
- Claro. Então acredite. Todos farão de tudo para lhe matar aqui. Disse que quem o matasse assumiria o posto de meu tenente.
- Anh? Mas e o Oomaeda-san? – perguntou Ichigo, talvez esquecendo um pouco que essa condição ocorreria caso o matassem.
- Não aguento mais ele mesmo. – suspirou a capitã. – Enfim, esteja em alerta.
- E se ninguém conseguir me matar?
- Há. Isso não irá acontecer. – riu a mulher de forma irônica.
- E SE acontecer? – reforçou a pergunta o rapaz que já tinha uma veia saltada em sua fronte.
- Você irá enfrentar o mais forte do esquadrão.
- Anh? Isso significa que irei lutar com você?
- Está brincando? Se eu quisesse bater em alguém de graça, usaria um saco de pancadas.
Ichigo estava a ponto de ter um ataque de nervos com aquela mulher tão fria e grossa. Controlou-se. Era por Rukia. Tornar-se capitão era por Rukia... Eram aquelas palavras que tinha em mente para prosseguir. Então suspirou pesadamente e decidiu se acalmar.
- Ok, o que importa é o agora. Pode começar. – anunciou ele.
Seria uma semana muito longa para o substituto de shinigami.
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Ela mal havia chegado a sua casa. Retirou os sapatos na entrada, pousou a pasta sobre a mesinha da sala quando sentou sobre os joelhos na almofada. Tirou de dentro do casaco do uniforme os três pedaços que compunham o objeto de desejo de Keigo.
- Asano-kun vai ficar tão feliz quando ver que seu cartão está funcionando novamente. – ela sorriu para si mesma.
Pousou os três pedaços a certa distância e se concentrando um pouco, as presilhas da garota brilharam, invocando os dois seres espirituais responsáveis pelo seu Souten Kisshun. Logo uma luz alaranjada encobriu os pedaços do objeto e mais rápido que ela pensava, fez com que ele retornasse a seu estado original.
Ela sorriu e assim que constatou a perfeição do artefato, suas presilhas brilharam de novo quando Ayame e Shun'ou retornaram a elas. Suspirou satisfeita a garota quando segurou o pequeno cartão.
- Inoue-san!
Ela ouviu o grito junto das batidas na porta. Logo reconheceu quem era.
- Ishida-kun... – ela apertou o cartão junto ao peito.
Doía lhe tratar assim, mas seria certo agir de forma falsa e fingir ama-lo? Era melhor se distanciar. Decidiu não atender, fingindo não estar em casa.
- Inoue-san! – ele voltou a chama-lo.
Durante várias vezes ela ouviu o chamado da voz suave de Ishida. E cada vez que ele a chamava, aquilo parecia cortar um pedaço de sua alma. Por que ele não desistia?
Demorou mais que dez minutos para que ela espiasse pela janela da cozinha e visse que o jovem desistira. Ainda o viu caminhar até a esquina próxima a residência e de lá o viu com uma expressão triste.
- Me desculpe, Ishida-kun.
O quincy seguiu seu caminho pensando na conversa que tivera mais cedo com Tatsuki. A menina era a que mais conhecia Inoue e saberia mapear exatamente o que se passava no coração dela.
" - Ishida, eu agradeço sua intenção, mas eu acho que devia parar com isso.
- Do que está falando, Arisawa-san? – piscou confuso.
- Eu sei que você e a Orihime estão namorando. E eu sei que ela não te ama, Ishida.
O quincy abaixou a cabeça. A realidade era cruel, ele tinha conhecimento dela, mas quando era reforçada, parecia piorar aquela angústia.
- Eu sei que você a ama, mas ela não pensa em ninguém mais que não seja o Ichigo. Faz anos que é assim. É uma obsessão. – explicou ela enquanto cruzava os dedos em frente ao rosto ao apoiar os cotovelos sobre a mesa. – Parece que nada tira da cabeça dela que vai ficar com ele...
- Arisawa-san, mas o Kurosaki não a ama. E pior, tenho quase certeza de que ele se relaciona com a Kuchiki-san atualmente. – revelou. – Por que a Inoue-san não entende?
- Não sei, Ishida. Mas eu acho que você devia desistir. Pelo seu bem.
E Ishida se surpreendera novamente.
- Para mim o bem da Orihime é mais importante, mas também me preocupo com você. Ishida, você só irá sofrer se insistir nisso. Você está sofrendo. A Orihime é muito imatura e eu agradeço pela sua amizade por ela, mas acredite em mim. Você vai sofrer muito.
Ishida lembrou-se com pesar das palavras duras de Tatsuki. Ela estava certa. Mas como abandona-la? Mais significativo que corresponder ao seu amor, Inoue agora estava perdida em relação a Ichigo com Rukia."
Ele respirou profundamente e decidiu, não desistiria.
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Já era noite e na mansão dos Kuchiki, Byakuya e Rukia jantavam em silêncio.
O capitão do rokubantai não podia evitar em notar uma aura triste e preocupada ao redor da irmã adotiva. Muito diferente de quando havia saído para seu esquadrão na manhã.
- Que significa essa expressão? – friamente ele a questionou.
- Hm? – e num sobressalto ela piscou. – Na... nada, nii-sama. – respondeu ela na tentativa de voltar a agir normalmente, levando os hashis com os temakis a boca.
- Está parecendo tão tensa. – revelou.
- Impressão sua, nii-sama. Mas obrigada por se preocupar. – e levemente ela tentou curvar-se mesmo sentada.
Byakuya pousou seus hashis sobre o pequeno recipiente embebido por shoyu e, terminando de mastigar, bebericou pouco do chá e decidiu falar.
- Rukia, ouvi boatos de algo que aconteceu entre você e Kurosaki Ichigo.
Rukia gelou. Não era possível. Parecia que agora que estava longe de Ichigo, tudo estava se complicando mais e parecia que todos, absolutamente todos sabiam de seu furo.
- Entre... Ichigo e eu? – e gaguejando ela tentou forçar um sorriso ao disfarçar.
- Soube que se beijaram em plena praça pública.
- Beijar? – ela se engasgou. – Nii-sama, eu jamais faria isso! Ainda mais com o Ichigo! – tentava ela de todas as formas simular o maior absurdo possível exposto por seu irmão.
- Mas soube que isso se trata de uma peça que seu esquadrão está ensaiando para o Festival Cultural Shinigami.
Ele dissertou fazendo com que o coração de Rukia hesitasse em sair por entre os lábios entreabertos da shinigami.
- Ah, claro. – ela riu. – O Ukitake-taichou lhe contou? Vamos fazer uma peça e, infelizmente, meu personagem será par do personagem do Ichigo. Será muito divertido. Mas as pessoas adoram fazer comentários maldosos aqui, nii-sama.
E se Rukia sempre fora quieta e recatada, em especial na presença de Byakuya, agora ela falava mais do que lhe era permitido. O irmão se surpreendeu.
- Ah, me desculpe, nii-sama. Me exaltei um pouco.
- Tudo bem. - sem perder sua postura ele a acalmou.
- Que ideia...
- Mas é muito bom saber que alguém da sua posição, Rukia, saiba que se envolver com um humano causaria além de um imenso desequilíbrio para a Seireitei, uma verdadeira desonra ao nosso clã.
E as palavras de Byakuya caíam como uma rocha sobre sua cabeça.
- Sabe quais consequências um ato extremamente insensato como esse acarretaria, não?
- É... é claro, nii-sama. – a morena gaguejou, suor escorrendo em seu rosto. – Bem, já terminei. – e foi a situação ideal para se livrar em ser encurralada. – Vou dormir cedo, estou muito cansada.
- Bom descanso. – foi tudo o que ele disse ao vê-la se levantar.
- Oyausmi! – disse se curvando.
- Oyasumi. – respondeu Byakuya.
Rukia estava em pânico. Saíra da sala quase que cambaleando de tão trêmula que estava.
A situação entre ela e Ichigo estava cada vez mais complicada e parecia impossível esconder a alguém. Mas aquela afirmação e a atitude de Byakuya reforçavam que Renji não havia lhe contado sobre seu relacionamento. Era óbvio que era verdade, por mais que mentisse ao tenente de seu irmão sobre tudo. Ele havia visto. Assim como todos.
Ela sentia pânico. Entrou em seu quarto e em um ímpeto, lançou-se ao futon.
Sentiu desespero. Aonde estava Ichigo? Será que teria de passar realmente uma semana no nibantai? Seria ideal para despistar ficar longe dele um tempo, mas de certa forma, Rukia sentia que ficar longe de Ichigo apenas a atraia a mais problemas.
Ao se acalmar, ela não hesitou em deixar um sorriso adornar seus lábios e o belo rosto de porcelana. Ele tinha a capacidade de fazer qualquer problema parecer mínimo, qualquer dificuldade se tornava algo simples e a fazia sorrir, se sentir segura. Sentiu falta daqueles braços a acolhendo e aquele calor que o peito dele emanava quando a envolvia. Agarrou-se aos lençóis e deixou uma pequena lágrima escapar.
Sentia-se tão desolada sem ele. Será que o que faziam era certo? Se seu irmão descobrisse, Renji sabia de tudo agora... E realmente, se a Seireitei toda soubesse, que problemas isso acarretaria? Seria rebaixada como nobre, a família de Byakuya seria humilhada por se envolver com um humano. Capitão... porém humano. Será que estavam apenas tendo uma ilusão de como as coisas mudariam se ele apenas se tornasse capitão? Não era suficiente?
Ela puxou o cordão com o pingente em forma de coração que estava escondido por dentro do shihakushou e o encarou por um instante. Sorriu ao lembrar-se do tão teimoso e insensato rapaz pelo qual se apaixonara. E inconscientemente ela levou o pingente aos seus lábios.
- Sinto sua falta, Ichigo. – ela revelou.
Ela ouviu duas batidas por fora do quarto, para a saída que dava para o jardim de inverno.
Assustada, Rukia piscou, confusa. Será que era Renji? Mas não sentia a sua reiatsu? Talvez Ichigo? Abriu um sorriso mas também não sentiu a reiatsu do amado. Levantou-se um pouco receosa quando deslizou a porta ao lado e deu de cara com um pequeno rapaz muito conhecido seu.
- Hanatarou! – exclamou.
- Konban wa, Kuchiki-san. – o garoto tímido sorriu.
- O que está fazendo aqui? – ela riu um pouco confusa, mas sabia que havia dedo de Ichigo nisso.
- Bem, eu estou fazendo a limpeza do nibantai agora que começou uma turma nova que veio da academia para a Onmitsu Kidou e encontrei o Ichigo-san lá.
- O Ichigo? – e os olhos dela brilharam quando ela deu por si. – Ah, digo... o Ichigo? Que ele faz lá?
Hanatarou riu.
- Não se preocupe, Rukia-san. – ele a acalmou. – Eu sei de tudo. Aliás, antes do Ichigo-san me contar hoje, eu já sei que se amam há muito tempo... Desde que os conheci.
E Rukia ruborizou.
- Me... me desculpe, Rukia-san. Não quis ser rude. – explicou ele envergonhado.
- Mas não tem problema em você saber, Hanatarou. Nós confiamos em você. – ela explicou com um sorriso. – E como ele está lá? – perguntou curiosa.
- Apanhando bastante dos oficiais da Onmitsu Kidou, mas está bem. – ele riu. – Mas eu vim aqui porque ele pediu para que eu lhe entregasse isso. – e retirando de dentro do shihakushou um pequeno pergaminho, ele a deu.
- Para mim? – surpresa Rukia tratou de pegá-lo.
- Sim. Bem... estou aqui escondido e tenho que voltar ao meu esquadrão ainda, Kuchiki-san. – explicou. – Já estou indo. Se quiser que eu mande algum recado para o Ichigo-san...
- Diga a ele que estou esperando ele. - disse ela sem hesitar nem um instante. – E que o amo.
Hanatarou sorriu ao ouvir a declaração dela. Sempre havia torcido pela união dos dois e agora isso era real. Sentiu-se satisfeito em ter sido útil para uni-los um dia.
- Eu direi. Até mais. Com licença, Rukia-san.
- Obrigada, Hanatarou.
E ele logo se foi, deixando a garota sozinha, acompanhando apenas da luz da lua que banhava a varanda do jardim de inverno. Ela se sentou no assoalho de madeira, colocando os pés para fora, ficando os mesmos pendurados pela pouca altura da garota. Rukia abriu o pergaminho e então leu:
"Baixinha, amo você. Ficarei aqui por uma semana, mas quando voltar vai ser para fazer de você minha esposa e, quem sabe, tenente. Te adoro. Não esqueça disso. Ichigo"
Ela sorriu ao ler aquilo. Levou o papel entre os seios e afagou como se estivesse abraçando Ichigo. Ele a amava e estava ansiando por vê-la. Aquilo por si só lhe satisfez.
Rukia se levantou e decidiu entrar, sentindo a brisa fria do início do inverno.
Ela cruzava a porta quando sentiu dois braços a envolverem por trás. Ela tentou se soltar no mesmo instante, virando-se para trás, mas ao mesmo tempo em que eles chegaram lhe oferecendo uma carícia, aproveitaram para prendê-la.
- Qu... – e antes que pudesse questionar a identidade do dono, ele a virou, revelando a resposta da pergunta não dita que quando Rukia voltou a abrir seus lábios para chamar o nome do sujeito, ele os abocanhou com um beijo repleto de luxúria.
Rukia se debateu, tentando soltar-se dos lábios e dos braços dele. Sentia nojo, asco, algo que nunca sentira antes. E pior de tudo, o desespero de se sentir presa por ele. Foi quando sem hesitar ela mordeu a língua invasiva dele que tentava invadir seus lábios.
Ele se afastou, xingou baixinho e com a dor acabou a soltando.
- Seu idiota! – ela ofegava enquanto que com as costas da mão limpava os lábios, agora maculados pela luxuria do invasor. - O que pensa que está fazendo?
E então ela encarou os olhos dourados e obteve sua resposta.
- Rukia, você vai ser minha, querendo ou não! – declarou Renji decidido.
Continua...
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Dicionário
Oyasumi – Boa noite.
Nibantai – Segundo esquadrão
Rokubantai – Sexto esquadrão
Taichou/Fukutaichou – Capitão/Tenente
