Capítulo 11
A Viagem
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Catherina embarcou na nave para Milão no dia seguinte. Esperava encontrar o irmão antes de ir embora, mas ele não compareceu. Certa de que ele ainda estaria enfurecido, não foi procurá-lo, prometendo a si mesma fazê-lo quando retornasse. Sendo assim, viajou para sua cidade natal, seu Ducado, para esperar até a criança nascer, longe dos olhos do Vaticano e do resto do mundo. A caminho do porto, longe do centro da cidade, um desastre aconteceu. Uma explosão vinda de ponto indeterminado acertou a carruagem que levava a Cardeal, ferindo não só a mesma como toda sua comitiva. Para sua sorte, Abel, que se recusara a embarcar em missão no dia anterior, a acompanhava e pôde salva-la dos destroços. Não houve tempo para procurar a origem do disparo. Abel levou a Duquesa imediatamente de volta para o Palácio do Vaticano. Quando Catherina chegou, desacordada, suas vestes estavam tingidas de sangue. Foi levada para o setor hospitalar e internada em estado de emergência, sendo submetida à cirurgia. Sua condição era grave ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Ouviu rumores pelo Palácio do que estava acontecendo e não sabia se acreditava ou não. Preferiu ir ver. Saiu de sua sala e foi rapidamente para o setor hospitalar, sem se importar que alguém o visse. Estava preocupado com a irmã e o filho, mesmo que tentasse não acreditar nisso. Não sabia direito o que fazer, então foi olhando pelas salas até ver a irmã na cirurgia. Ficou ali, olhando, ainda tentando crer no que estava vendo. Não iria entrar, mas também não sairia dali até que fosse para o quarto.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Depois de horas intermináveis em procedimento cirúrgico, Catherina finalmente foi levada para seu quarto, ainda desacordada. Cercada de aparelhos, médicos e enfermeiras, a Duquesa permaneceu assistida por mais alguns minutos, até acordar de sua anestesia. Esperaram alguns momentos, para ter certeza que estava forte, e lhe deram o diagnóstico completo de sua ocorrência. Mandou todos se retirarem e proibiu qualquer pessoa, absolutamente qualquer um, de entrar no quarto. Essas ordens foram passadas ao Padre Tress, que a deixou sozinha ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Depois de horas em pé, esperando a irmã sair, a viu ser levada para o quarto. Não seguiu de perto as enfermeiras para não dar tão na cara o tamanho de sua preocupação. Ficou esperando no corredor as mesmas saírem do quarto dela e, quando viu que tinham o feito, foi rápido pra lá. Encontrou o Padre Tress na porta, mas não se importou. Já sabia que tinha ordens para deixa-lo entrar, então como de costume o fez, só que foi barrado. Não entendeu direito o que estava acontecendo ali, mas desviou a mão dele como pôde, bateu na porta e chamou a irmã, mesmo sem saber se estava acordada, irritado.
- Minha irmã!
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Ouvir aquela voz através da porta depois de tudo que passou, era como a punição final. Ficou petrificada, incapaz de se mover ou produzir qualquer som. Sabia que devia deixá-lo entrar, contar o que aconteceu, mas não conseguia, não se imaginava fazendo isso. Respirou fundo, tentou gritar e manda-lo embora, mas nem isso era capaz, tal a sua devastação ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Já irritado com o Padre Tress e com ela, que não falava nada, fechou a mão para bater na porta, esmurrando-a tamanha sua raiva. Queria saber o que estava acontecendo com ela e com o filho. Perdeu o controle de tal forma que gritou do outro lado da porta, assim como Abel tinha feito, sem se importar com o que os outros iriam falar ou pensar daquilo.
- CATHERINA! Me deixe entrar!
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Assustou-se com as fortes pancadas na porta. Já estava entrando em pânico, imaginando como seria a reação do irmão quando soubesse. O desespero final foi o grito vindo do corredor. Precisava pará-lo, e a única forma era dando o que queria. Pegou o fone em sua gaveta e comunicou diretamente ao Padre Tress para que deixasse o Cardeal di Medici entrar, e apenas ele. Uma hora teria que enfrenta-lo, só não queria que fosse agora ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Passou pelo Padre e abriu a porta com brutalidade, fechando-a da mesma forma depois de entrar. Trancou a porta e foi para perto da irmã. Não parecia estar muito feliz, mesmo que não soubesse o que estava acontecendo ali. Sua vontade era jogar na cara o pedido de ter ido junto, mas deixou isso pra depois. Olhou para a irmã e perguntou.
- O que aconteceu?
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Novamente se assustou ao ver a porta ser aberta com estrondo. Sentou-se na cama, recostada nos travesseiros, enquanto esperava o irmão se aproximar. A raiva dele parecia emanar no ar, deixando-a cada vez menor, especialmente devido ao motivo da última briga entre eles. Quando questionada, não teve coragem para responder. Abriu a boca uma, duas vezes, mas não conseguiu produzir som. Não conseguia exprimir os fatos sem lhe rasgarem a garganta ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Não gostava de perguntar algo e não ter a resposta, ainda mais daquilo. Não aguentava esperar para saber o que tinha acontecido, queria saber como ela estava, como o filho estava.
- Responda, Catherina!
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Não aguentou. Abaixou o rosto nas mãos e começou a chorar. Não era do tipo que desmoronava com facilidade, não ficava emotiva nem quando sua situação era complicada, porém, em se tratando de seu filho, era como se não fosse ela mesma. Só conseguia chorar, sem dizer uma palavra ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Não sabia muito bem o que deveria fazer, mas sabia o quanto odiava vê-la chorar. Respirou fundo e se aproximou mais da irmã, sentando-se ao seu lado na cama. Perguntou mais calmo, mesmo que não estivesse. Sabia que algo grave tinha acontecido, mas nem pensava em ser com seu filho. Insistiu pela preocupação e curiosidade.
- Minha irmã... O que aconteceu?
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Foi se acalmando lentamente. Passou as mãos pelo rosto para enxugá-lo, enquanto encarava o lençol de cama. Seus olhos estavam nublados, como se tudo que enxergasse fosse o momento do incidente. Seu mundo havia parado ali. Falou com a voz fraca, embargada ─
- Fomos atacados. Uma forte explosão. Me lembro de estar presa nos destroços da carruagem. De ver sangue. Quando acordei, já estava aqui.
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Olhou para a irmã e passou a mão por seu rosto, para ajudar a limpar as lágrimas. Era bruto, mas tinha um grande problema em vê-la chorar. Abraçou a irmã com certo carinho enquanto escutava, mesmo que ainda com raiva.
- E está tudo bem agora com você e nosso filho. Quanto a quem fez isso, irei caça-lo e farei com que deseje a morte.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Esquivou-se de suas mãos e tremeu ao ser abraçada. Estava aos pedaços, amedrontada. Ainda que soubesse que ele se importava com ela e essa era sua forma de demonstrar, temia a reação futura. Ao citar o filho, encarou o irmão diretamente, o pavor em sua face. A hora chegou. Abaixou o rosto e disse com pesar ─
- Era um menino
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Soltou-a na hora, agora sim irritado, talvez chateado, mas não sabia diferenciar as coisas. Sentou-se de costas para a irmã na cama, sem saber o que pensar ou falar. Ficou olhando para um ponto fixo na parede, enquanto parecia se quebrar por dentro. Por mais que parecesse não aceitar no começo e os problemas que iria trazer, era seu filho.
CATHERINA SFORZA:
- Ele não resistiu
◦⊰─ Tornou a chorar. Sem coragem para se mover, as lágrimas caiam por seu rosto até o lençol. Não havia mais nada a ser feito, exceto admitir a perda. No fundo, sentia-se culpada, mais do que por não ter levado uma guarda suficiente, por não ter previsto a possibilidade de um ataque. Sentia culpa por ter falhado como mãe ─
- Sinto muito
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Continuou da mesma forma, sentado na cama. Ainda não conseguia acreditar, não estava acostumado com perdas, muito menos quando custava a gostar. Não queria ouvir a voz dela, estava se culpando por não ter ido junto, talvez pudesse fazer algo ou ter pensado nisso se não estivesse irritado demais um dia antes. Passou a mão pelos cabelos, tentando entender o porquê de estar tão abalado daquela forma, e na frente dela, o que era pior.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Ficou quieta, não havia mais nada a ser dito. Levantou o rosto e mirou o teto, o mesmo sob o qual foram tão felizes. Esse era o preço pelo seu pecado ─
FRANCESCO DI MEDICI:
- Eu deveria ter ido.
Foi o que conseguiu falar, culpando-se para não responsabilizar a irmã de ter impedido sua ida. Desviou o olhar para a ela, mas não conseguiu sustentar, então continuou olhando para a parede do quarto, pensando no que fazer.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Não havia argumentos. Se ele tivesse ido, poderia ser que tivesse uma chance, ou não. Provavelmente, nada seria diferente. Mas ao menos sua consciência não pesaria. Egoísmo de sua parte pensar assim. Pousou a mão sobre a barriga, mas logo tirou. Estava vazia, a final ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Pensou em fazer varias coisas, desde se machucar a machuca-la, mas nada fez. Tirou a capa e o chapéu de Cardeal e sentou-se ao lado dela novamente na cama, agora a envolvendo nos braços direito. Não podia fazer qualquer coisa a não ser cuidar da mulher que amava. Trataria de descobrir quem tinha feito aquilo depois.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Deixou que a pegasse, agora parecendo menos assustada por já ter contado tudo. Encostou em seu peito, tocando-o com uma das mãos, logo em seguida fechando os olhos. Será que poderiam superar o ocorrido? Talvez, desde que tivessem um ao outro, tudo fosse possível ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Ainda tentava entender a perda do filho e o ataque, não estava aceitando muito bem a situação, mas não comentou nada, e nem mostrava que isso o estava incomodando. Passou uma das mãos pelos cabelos dela, em forma de carinho. Seu único objetivo agora era fazer com que a irmã superasse a perda.
CATHERINA SFORZA:
- Me desculpe
◦⊰─ Repetiu atormentada. Agarrou as vestes do irmão, fechando os dedos com força, como se pudesse se segurar a ele emocionalmente. Presa contra seu corpo, sentia as lágrimas caírem silenciosas sobre suas mãos, mas não se importou. Ela era culpada e suportaria seu fardo agora ─
FRANCESCO DI MEDICI:
- Não foi sua culpa.
→ Apertou mais a irmã no abraço, queria passar segurança. Não se lembrava de vê-la tão vulnerável desde que eram crianças e isso até o assustava um pouco, por não saber como agir.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Balançou a cabeça negativamente. Não importava o que ele dissesse, sua culpa permaneceria para sempre ─
FRANCESCO DI MEDICI:
- Vamos superar isso.
→ Claro que ele iria superar só depois de encontrar quem o fez, mas ela não precisava saber disso.
- Agora você tem que descansar, minha irmã.
CATHERINA SFORZA:
- Não posso
◦⊰─ Agarrou-se mais uma vez, encolhendo o corpo contra o dele. Nunca mais conseguiria dormir em paz ─
- Como poderia depois de tudo o que aconteceu?
FRANCESCO DI MEDICI:
- É o único jeito de tentar esquecer.
→ Passou a mão por cima da dela, segurando-a. Ficaria com ela ali até que estivesse bem.
CATHERINA SFORZA:
- Jamais vou esquecer
◦⊰─ Era a verdade. A perda de seu filho, sua imprudência, a culpa e o sentimento de total desolação a preenchiam de tal forma que era impossível ter quaisquer expectativas de voltar a viver como antes ─
FRANCESCO DI MEDICI:
- Vamos ter que aprender a esquecer. Mas, vamos fazer isso juntos.
Apertou-a novamente no abraço tentando mostrar que estaria com ela sempre, mesmo que estúpido com as palavras.
CATHERINA SFORZA:
◦⊰─ Estar em seus braços era reconfortante. O maior medo, da rejeição, já havia passado, e agora deveriam lidar com essa situação juntos. Era hora de crescer, amadurecer e aprender a serem adultos, enfrentar as perdas. No final, ela sempre poderia contar com ele, seu irmão, seu amante, talvez até seu melhor amigo. Balançou a cabeça positivamente e cedeu, fechando os olhos, ficando ali e logo adormecendo, exausta depois de tantos acontecimentos ─
FRANCESCO DI MEDICI:
→ Deveria ir para seu quarto, mas não conseguia deixar a irmã sozinha, então ficou deitado ao lado dela, ainda abraçado. Não se importava mais em sumir tanto tempo de suas tarefas, não quando ela precisava. Ficou algumas horas olhando para o teto enquanto brincava com seus cabelos e pensava no ocorrido até pegar no sono também.
N.A.: Para compensar o maior capítulo, o menor capítulo. E não venham dizer que ninguém esperava que ela fosse perder a criança, (lembrando que aborto é pecado - e crime -, u.ú). Eu acho que a reação dela foi a única possível nessa situação. Da mesma forma, eu não a culpo pelo que aconteceu (diferente de Francesco...), ela só estava tentando proteger o filho. Não teria feito diferença ter levado o irmão. Esse é o único capítulo sem sexo, pois não caberia em hipótese alguma numa situação assim. Quanto às respostas. K', você me ama, u.ú. Abel é mesmo um fofo, é pra casar, não pra fazer um sexo selvagem (isso é com Fran). Ela bem que podia ficar com os dois então (*apanha*). Por que você não acredita nesse amor de Cath e Fran? Agora se explique! ¬¬ Não é doença, é bunetenhuuuu! *.* Você nunca deixará de me amar, adimita, você é o Abel de minha vida. =** Eu penso mais além sim. T_T Certo, você provou um ponto, quanto ao romantismo de Abel. Vamos nos reunir para poder debater melhor esse assunto. Mas ainda prefiro Fran, essa de fazer mulher de "intocável", mulher tem é que pegar mesmo! Abel não aceitou, nem superou a morte de Lilith, isso fica claro no decorrer da história. Ele é altamente complexado com isso. Você é muito, muito chata, mas eu te perdoo, porque eu sei que você me ama. u.ú
