Nota da tradutora: Os pensamentos partilhados de Syaoran e Sakura estão em negrito (Sakura) e negrito itálico (Syaoran). Os pensamentos apenas de um ou de outro estão em itálico. Apenas para evitar confusão.

No capítulo anterior: Syaoran tenta sacrificar sua magia para salvar a de Sakura e quase morre no processo.

Syaoran Heart Captor

Autoria de absolutefluffiness

Tradução por The Fluff Queen

Capítulo 11

EU TE AMO!

"Touya", Sakura disse em voz baixa quando estava certa de que Syaoran respirava normalmente, "por favor, me ajude a levá–lo para casa. Syaoran mora sozinho e... Ninguém pode levá–lo pra lá...".

O jeito de ela olhar para Syaoran, a maneira com que ela o abraçava... Touya não suportava olhar, mas também não suportaria não olhar. E... Ele estava em dívida com o garoto, e isso pesava em sua mente.

As palavras seguintes saíram à força da garganta de Touya. "Obrigado. A você, a esse mole... A esse guri", ele indicou Syaoran com um aceno, "o guri estranho com óculos, e você, Tomoyo, e você", ele se voltou para Kero. "Agora, vou levar vocês todos para a casa do guri. Sakura, você deveria ficar com ele... Mas a Tomoyo fica junto!".

Sakura sorriu, um doce sorriso de menina, mas Touya sabia: ela estava crescendo, e o pensamento doía nele. "Obrigada por nos levar, Touya!"

Para o constrangimento de Touya, Sakura usou a Carta Força e carregou tanto Touya quanto Yukito para o pequeno carro que pertencia aos Kinomoto. Yukito sorriu e lhe agradeceu quando ela o colocou no banco do passageiro. Syaoran estava inerte em seus braços, mas um pouco de cor retornara às suas faces, e ele respirava, lenta, mas repetidamente, como se estivesse dormindo. Ela entrou no banco de trás, e ela e Tomoyo ampararam Syaoran entre elas.

No condomínio de Syaoran, eles tiveram que contrabandear o garoto para dentro e, já na cama dele, Sakura o colocou gentilmente na cama. Touya ficou abalado por perceber como Sakura sabia aonde ir, e, quando ela fez o feitiço de cura no guri, ele soube que eles estavam passando muito tempo juntos, e o guri estava ensinando-lhe coisas. Ele tinha certeza que o moleque chinês não agira inadequadamente com sua irmã, ela não reagira nem corara quando a cabeça dele roçara em seu seio ao carregá–lo.

Mas ele temia os hormônios adolescentes. Por quanto tempo o guri a respeitaria, e por quanto tempo Sakura continuaria sem saber outras coisas além de beijar? Ele não conhecia Syaoran bem o suficiente para saber que ele nunca faria tal coisa com Sakura, e Touya era naturalmente desconfiado de qualquer um que flertasse com sua adorável irmã menor. Touya suspirou. Em algumas semanas, Sakura completaria dezessete anos, e, em um ano, teria idade o suficiente para se casar. E perdê-la para aquele guri... Touya suspirou. Que cruel que ele tivesse amado tanto a irmã, e que agora a única pessoa que seria capaz de amá-la do jeito que ela precisava ser amada... Era um guri que inspirava em Touya a vontade de esganá-lo... Não, de pulverizá-lo.

"Olha..." Ele colocou uma mão no ombro de Sakura.

"O que foi?"

"Eu..." Touya viu que tinha que engolir um grande nó em sua garganta. "Eu sei que você... Ama aquele... Moleque. Então... Vocês dois podem... Sair. Só... Só... Não faça nenhuma burrice. E, quando ele acordar, me informe... Quero conversar com ele no dia do seu aniversário".

"Como..." Sakura arregalou os olhos. "Como você sabe que eu o amo?"

"Eu teria que ser cego, droga", resmungou Touya.

Sakura abraçou o irmão mais velho. "Obrigada!" Ela sorriu, ignorando as tentativas dele de se desvencilhar dela.

"Assegure-se de que a monstrenga não abuse do moleque enquanto ele estiver dormindo", ele brincou, de má vontade, para Tomoyo, que riu quando Sakura tentou pisar no pé dele; ele calmamente desviou-se quando ela tentou.

Assim que Touya partiu, Sakura tirou da mochila o pijama que trouxera para si mesma e para Tomoyo. As duas amigas trocaram–se e então Sakura achou o pijama de Syaoran e também o vestiu. Ela encontrou o olhar divertido de Tomoyo, e as duas amigas começaram a rir.

"É como se você já fosse a mulher dele", Tomoyo disse, imensamente divertida. "Ver a cueca dele não te abala?"

"Eu estive no corpo dele, lembra?" Sakura sorriu suavemente. A Carta Troca certamente havia servido para um propósito: ela agora entendia algumas das necessidades do corpo de Syaoran, e corou.

Tomoyo alegremente apertou gravar no minúsculo controle remoto para a câmera-espiã que plantara no quarto de Syaoran, enquanto Sakura dava um beijo na testa de Syaoran e desenrolava seu saco de dormir e o de Tomoyo. Tomoyo enrolou o de Sakura e sorriu. "Eu sei que você não vai fazer nada. Vai lá, dorme com ele na cama".

"Mas e quanto a você?" Sakura protestava. "Não, não, você não vai dormir lá fora no sofá".

Tomoyo mal conteve um sorriso maroto. "Ah, eu só quero que você e Syaoran tenham seu tempo a sós. Afinal, você quase o perdeu há um tempo".

As palavras tiveram o efeito pretendido: Sakura subiu na cama ao lado de Syaoran e agradeceu a Tomoyo. Que amiga maravilhosa eu tenho, ela refletiu enquanto aninhava-se nos braços de Syaoran. Ela até perdeu a chance de filmar a mim e a Syaoran dormindo!

Tomoyo desejou boa noite a Sakura e então saiu do quarto. Assim que ela se foi, Sakura tocou as faces de Syaoran e sussurrou contra seus lábios imóveis. "Eu o amo, Syaoran", e pressionou seus lábios contra os dele. "Quando acordar e estiver bom, eu vou com certeza de contar... Porque nunca quero te perder sem que você saiba disso".

Do lado de fora, assistindo pelo monitor de seu notebook, Tomoyo lutou contra a vontade de gritar de alegria quando a câmera que implantara no quarto mostrou Sakura aninhando-se nos braços de Syaoran e beijando-o gentilmente. Ela não precisou ouvir o que Sakura dissera para saber que sua encantadora amiga havia finalmente dito a (um adormecido) Syaoran o que sentia por ele.


Para o choque de Sakura, Touya acobertou-a em casa e deixou-a ficar na casa de Syaoran até que ele recuperasse a consciência um dia depois. Ele voltou com Yukito para o apartamento que dividiam, e informou ao pai deles que Sakura estava hospedada na casa de Tomoyo devido a um projeto de escola.

Na escola, Tomoyo e Sakura acobertaram Syaoran dizendo que ele estava gripado e ficaria de cama por alguns dias. Quando o Prof. Terada pedira um atestado médico, Tomoyo ficou chocada por encontrar um em sua mochila, mais tarde naquele dia.

Mas ele não está aqui, ela pensou. Então como? A carteira de Eriol, atrás da dela, estava vazia, e apenas ele seria capaz de aprontar tal coisa.

Eriol não dera as caras na escola e ficou ausente pelo mesmo tempo que Syaoran estivera. Tivera a ideia de justificar sua ausência enviando ao prof. Terada uma carta oficial de seus pais pedindo que ele fosse dispensado por uma semana devido a negócios urgentes na Inglaterra. O que ele na verdade fizera fora vagar pelos arredores de Tomoeda, especulando por que Tomoyo tinha tanto poder sobre ele. Não pretendia voltar à escola enquanto Syaoran também não voltasse... E para isto criara um atestado médico para Syaoran e esperou do lado de fora para infiltrá-lo magicamente na mochila de Tomoyo sem que ela notasse.

E agora... Escondido em uma imensa árvore, ele simplesmente se dedicava a observar Tomoyo pelo resto do dia, tentando entender por que ela o afetava tanto e quando ele se rendera a ela. Nada fazia sentido, a não ser por um plano de ação... E ele não tinha certeza se era o caminho certo.

Sakura, contudo, ignorava todos esses desenrolares. Corria para a casa de Syaoran depois da escola para cuidar dele; havia pegado suas chaves depois da primeira noite e lhe deixou um bilhete. Quando ele acordou pela primeira vez, tentou falar alguma coisa, mas podia apenas ofegar; o esforço o exauriu, e ele desabou no travesseiro. Mais tarde, teve força o suficiente para ir ao banheiro, mas dormiu imediatamente depois.

Quando acordou naquela noite e a viu à sua espera com uma tigela de canja, seu coração inflou. Ela o apoiou nos travesseiros e então silenciosamente começou a alimentá-lo. Ambos, apesar de não saberem disso, pensavam no quanto amavam um ao outro. Depois de comer, ele a olhou como se pedisse desculpas e dormiu outra vez; ela sorriu, o cobriu, lavou as louças e fez a tarefa, e então se deitou na cama com ele.

Ela amava ser capaz de cuidar dele; dormir de conchinha com ele fazia-se sentir a maior segurança que já se sentira na vida. Ela não sabia que Syaoran às vezes acordava e apenas a observava, sentindo-se mais feliz do que já se sentira em sua vida.

Fazia dois dias que tudo acontecera quando Sakura o encontrou na cozinha, olhando instavelmente para o conteúdo de sua geladeira. Quando ele a viu, tentou falar alguma coisa e pareceu furioso quando a voz não o obedeceu.

Rindo, Sakura lhe passou um bloco de papel e uma caneta.

Estão perguntando por mim na escola?

"Relaxe, Tomoyo e eu acobertamos para você", Sakura disse.

Por que não posso falar?

"Não sei", Sakura disse lentamente, "mas deve sumir com o tempo".

Syaoran pareceu pensativo, então produziu seu talismã. Fechou os olhos, mas nada veio. Arregalou os olhos.

Sakura aproximou-se e tranquilizadoramente massageou suas costas. Ele segurou a sua mão, apertando-a gentilmente, e então a beijou. Queria me dizer alguma coisa? Ele escreveu.

"Eu estava esperando que pudéssemos conversar", e Sakura corou, "mas já que você não pode falar, eu posso esperar". Ela sorriu e, cedendo a um impulso, o beijou no rosto.

Ele franziu a testa e, para sua surpresa, Sakura ouviu, Você pode me contar agora, em sua mente. Quando ela se sobressaltou, Syaoran sorriu. Ótimo. Ainda temos aquela conexão, ele pensou.

Por que será? Ela pensou com curiosidade.

Talvez seja por que passamos um tempo nos corpos um do outro. Eu li, na duração do meu treinamento com magia, que tal experiência pode ligar duas pessoas detentoras de magia... Especialmente se elas já... Hum... Syaoran hesitou. O quão presunçoso seria se ele dissesse 'gostam uma da outra'?

Mas, se ele estava lendo os sinais corretamente, ela realmente gostava dele.

... Se elas já gostam uma da outra, ele concluiu. Eu já... Bem...

Sakura o poupou do problema de embaraçar-se. "Você disse que eu sou tudo para você..." Ela corou. "Foi a última coisa que você disse antes de... Antes de desmaiar".

E eu falei sério. Eu não... Quero pressionar você... E eu não...

"... Fala essas coisas sem ser a sério", Sakura finalizou, e sorriu. Ela esticou a mão, tocou a nuca de Syaoran e então o puxou gentilmente para baixo enquanto fechava os olhos.

Quando os lábios deles se encontraram, Syaoran ficou gelado. Ela... Era... Logo, porém, perguntas eram as últimas coisas em sua mente enquanto correspondia. Não era o primeiro beijo deles, sim, mas para Syaoran era o mais doce porque sabia que significava que Sakura o tinha aceitado e correspondia ao seu amor. Ele gentilmente puxou Sakura para mais perto, mordiscando suavemente seu lábio inferior, então o sugando para entre os seus. Eles se beijaram por vários segundos, os dois corações batendo forte com a felicidade do amor correspondido.

Sakura estava ofegante de felicidade e, quando Syaoran a puxou para mais perto, ela o ouviu claramente em sua mente. Estava querendo te contar... Eu te amo.

Eu também te amo, Syaoran, ela pensou, e ficou surpresa quando Syaoran repentinamente se afastou dela e então se apoiou contra ela.

Desculpa! Eu... Eu não... E Syaoran se soltou dela e então caiu no chão da cozinha, ofegante. Parecia furioso consigo mesmo, e tentou levantar-se outra vez. Eu... Eu sinto tanto, Sakura... Sou tão inútil... Eu tenho que proteger você!

Ela gentilmente colocou uma mão no rosto dele. "Graças ao seu treinamento e às coisas que você fez por mim, eu estou mais forte. Você sempre cuidou de mim. Agora é minha vez", ela se sentou e o abraçou.

Eu já te disse que te amo? Syaoran pensou ternamente ao tocar o rosto dela.

"Eu te amo, Syaoran Li. E vou esperar até que você possa dizer isso para mim", Sakura disse, e então deu um gritinho quando ele a puxou para baixo, para si.

Então me permita mostrar o quanto. Foi a última coisa que Syaoran disse antes que Sakura se perdesse na escaldante alegria de beijar o primeiro garoto que ela realmente amava.


Sakura flutuou para a escola no dia seguinte. Syaoran insistiu em ir com ela, e eles ficaram se beijando no caminho até o colégio, felizes com a vida, felizes um com o outro. Ele havia se recuperado, embora ainda estivesse incapacitado de falar, mas, com ele mandando-lhe pensamentos de amor... E, para a surpresa dela, suas emoções... Através da conexão dele, ela durante todo o caminho manteve o rosto rosado... E, quando ela respondia, ele também.

Tomoyo ergueu os olhos quando ambos entraram de mãos dadas. Sakura praticamente estava saltitando, e Syaoran parecia orgulhoso e protetor. O jeito com que ficavam, tão próximos um do outro, o jeito com que se olhavam... Ela se levantou e abraçou Sakura, ignorando os gritinhos que vieram dela. Ela olhou para Syaoran e sorriu sabiamente; ele corou e ocupou-se mexendo em sua mochila.

"Você disse a ele?" Tomoyo cochichou quando soltou Sakura de seu abraço.

"Eu o beijei, e então ele disse que me amava, e eu disse a ele!" Sakura exclamou alegremente.

"Ai, não!" Tomoyo empalideceu.

"O que foi?" Tanto Syaoran quanto Sakura engasgaram-se – ele, na mente dela, contudo.

"Onde você o beijou?" Ela perguntou em um sussurro rouco.

"Na boca!"

"Não! O que eu quero saber é... Não na sala nem no quarto?".

"Ahn? Tomoyo, por que está perguntando isso? Foi na cozinha!"

"Droga!" Queixou–se Tomoyo. "Não pensei em deixar uma câmera lá!"

Ela deixou uma câmera na minha casa? Syaoran perguntou sem acreditar.

"Câmeras, na verdade, pelo sorriso dela", Sakura disse, e repetiu o que Syaoran pensara para Tomoyo.

"Opa!" Tomoyo disse docemente.

Fala sério, tem alguma coisa que ela não filme? É melhor eu checar meu banheiro depois! Syaoran pensou furiosamente enquanto Sakura ria.

Chiharu abordou Tomoyo quando Sakura saiu para pegar algo que esquecera em seu armário e Syaoran a acompanhou.

"Eles parecem felizes. E você não". Chiharu observou.

"Eu tenho que me lembrar de colocar câmeras em todos os lugares", Tomoyo suspirou, e Chiharu levantou uma sobrancelha.

"Será que eu quero saber o que isso quer dizer? Não, Tomoyo, não me diga". Ela suspirou. "Quando será que aqueles dois vão admitir que se amam? Quero dizer – olhe para eles! Eles são até mesmo mais românticos que eu e Yamazaki!".

"No tempo deles", Tomoyo disse docemente, e Chiharu sorriu em resposta antes de correr para conferenciar com Rika e Naoko.

"Acho que ele está esperando uma resposta", Naoko suspirou dramaticamente.

"Não... Eu acho que eles ainda não são um casal, mas estão em negação", opinou Chiharu. "O que acha, Rika?".

Rika sorria. "Acho que só diz respeito a eles".

"O que, você e Tomoyo agora leem mentes?" Chiharu estava emburrada.

"Por falar em ler mentes... Vocês sabiam que quando você lê a mente de uma pessoa, você tira um pedaço da alma dela?" Yamazaki interrompeu, e levou dois tabefes nos ouvidos de Chiharu. Os colegas de classe riram e aplaudiram; era sempre engraçado quando isso acontecia.

O caos resultante acalmou–se um pouco quando o Prof. Terada entrou e recomeçou quando ele disse que a contribuição deles para o Festival Cultural de Primavera seria uma peça. Tomoyo batia seu lápis contra a mesa, ouvindo-o fazer o anúncio sobre a peça vindoura da classe. "Vamos escolher através de um painel, assim todos tem uma chance justa de conseguir um papel... A não ser que alguém se ofereça para um trabalho nos bastidores?".

"Eu sugiro que a Daidouji faça os figurinos", um colega sugeriu, e os outros concordaram. Eles se viraram para ela quando o Prof. Terada perguntou, "Você aceita, Srta. Daidouji?".

Ah, mas não seria ótimo se a Sakura e o Syaoran fossem a princesa e o príncipe? Tomoyo pensou, sorrindo. Sua mente já estava cheia de sonhos com Sakura em diferentes vestidos de princesa, e Syaoran em toda a sua principesca glória... Ah, o paraíso!

"Srta. Daidouji? Srta. Daidouji!".

Tomoyo saiu de seu transe. "Sim?".

O professor sorriu e então repetiu sua pergunta, acrescentado, "Ser a figurinista?".

"Sim, por favor!".

A classe continha os risos. O que mais Tomoyo escolheria fazer?

Os outros formaram uma fila para escrever seus nomes no painel. Eriol ficou para trás, tendo se oferecido para ficar nos bastidores. Syaoran e Sakura escreveram seus nomes em lugares diversos, ansiosos para voltarem a seus lugares. Logo depois, o painel estava completo.

"Bom. Aqui estão os seus papéis!" O professor tirou o papel que protegia o painel. Os olhos de Tomoyo rapidamente encontraram o nome de Sakura. Não é possível! Ela era a princesa! Quais eram as probabilidades? Que maravilha! Tomoyo teria que trabalhar com capricho no figurino dela para isso. Afinal, era Sakura. Ela rapidamente começou a rabiscar dois vestidos; em A Bela Adormecida, haviam duas cenas principais, e ela já estava pensando em dois vestidos que podiam ser despidos e vestidos rapidamente. Um tomara que caia de seda, ponderava Tomoyo, o outro um vestido formal em seda e chiffon.

E então, ela olhou para o nome de Syaoran e engasgou–se. Ele era o príncipe! Inacreditável. Mas então Tomoyo animou–se. Vermelho! Não, branco... Hum, preciso perguntar se ele vai ser um príncipe oriental ou ocidental... Visões de túnicas e uniformes flutuaram em sua mente.

Syaoran olhava horrorizado para o painel. Não sei atuar! Ele pensou para Sakura. Vou parecer ridículo perto de você! Ele rapidamente rabiscou, Professor, estou com laringite e não posso falar, em um papel, e levantou a mão.

"Sim, Sr. Li?" O Prof. Terada leu o que estava no papel e sorriu. "Ah, Sr. Li, não se preocupe. Alguém pode fazer a sua voz até que a sua retorne. Laringite se cura com chá de mel e pastilhas".

Syaoran sacudiu a cabeça, desesperado. Sakura! Eu... Eu vou...

...Se sair bem, Sakura sorriu. Vamos nos ajudar mutuamente. E mais... Podemos nos beijar no palco.

Podemos? Syaoran se acalmou e sorriu.

Achei que você ia gostar disso, ela ria.

Tomoyo observava os dois e percebeu que eles estavam se comunicando telepaticamente. Ela sorriu. Que coisa adorável. E quais eram as chances de–

Espera aí...

Os olhos de Tomoyo se estreitaram. Ela rapidamente olhou para trás de si, para um sorridente garoto de olhos azuis. Pouco ela sabia que Eriol estava apenas fingindo.

"Você não fez, fez?" Ela acusou, olhando emburrada para ele.

Ele retrucou friamente, "Claro que fiz. Divirta-se fazendo os figurinos deles", ele disse. Pouco ela sabia que ele estava se preparando para uma bronca. Tomoyo provavelmente ficaria furiosa com ele por mexer com eles outra vez... Mas ele escondeu seus medos, não os admitindo nem mesmo para ele próprio. Ele realmente não esperava que Tomoyo subitamente sorrisse para ele.

"Obrigada, Hiiragizawa!" Ela disse alegremente. "Talvez ainda exista esperança para você, afinal!".

"Não tenho certeza se isso é um elogio ou não", ele resmungou, desviando os olhos.

Tomoyo sacudiu a cabeça. "Eu muito menos. Mas, sinceramente, obrigada". Ela sorria para ele.

Ela está sorrindo para mim.

Ela estava sorrindo para ele.

Os hormônios dele simplesmente não podiam aguentar. Como ele não tinha percebido os lábios, a pele, a silhueta dela... A lembrança da visão do corpo adorável de Tomoyo no espelho do banheiro dela subitamente irrompeu, e, para seu horror, ele sentiu as faces avermelhando. Ele virou as costas para Tomoyo e fingiu estar revirando sua mochila. O que ela tinha que o deixava tão... Emotivo?

Quando o pandemônio na sala havia acabado – Syaoran e Sakura eram considerados um dos mais adoráveis não casais da escola, afinal – os roteiros foram distribuídos. Decidiu-se que Yamazaki dublaria Syaoran – o Prof. Terada era inflexível sobre esse ponto – e que Tomoyo seria a figurinista, e diretora ao lado de Eriol.

Ela podia ter matado-o de tapas pelo sorriso maroto e confiante dele, mas, ora bolas.


Os ensaios intrometeram–se nos treinamentos de Syaoran e Sakura. Por alguns dias, Syaoran nem mesmo conseguia sacar sua espada. Secretamente, ele se perguntava se havia perdido sua magia definitivamente, mas, quando conseguiu invocar a espada no terceiro dia de tentativas, e acender uma pequena chama, ficou mais aliviado do que deixou sua nova primeira namorada perceber.

Porque nunca tivera tempo, Syaoran nunca havia se apaixonado antes, mas estava grato por Sakura ser a sua primeira paixão. Ela era tão doce, e se assegurava que ele soubesse que ela o amava, constantemente.

Sakura estava tão feliz que todos os outros ao seu redor percebiam como ela estava muito mais bonita. Rin até mesmo aproximou–se dela um dia para lhe dar os parabéns.

"Ahn?".

"Você e Syaoran" Rin sorria. "É tão doce ver vocês dois juntos".

"Mas..." Sakura sentiu-se um pouco paranoica, "vocês dois não...".

Ele não contou a ela, Rin pensou, divertida. "Somos velhos amigos, nós e a prima dele. Além do que..." E ela sorriu. "Meu novo namorado, Ryujin, é do terceiro ano".

"Ah!" Sakura mal conseguiu deixar de sorrir. "Isso é ótimo! Espere... Como você soube... Syaoran e eu...".

"Porque somos velhos amigos", Rin disse. "E boa sorte na peça! Vamos servir tortas doces naquele dia, então pare em nossa sala!" Ela sorriu e, quando um belo menino louro aproximou–se e segurou sua mão, ela despediu–se de Sakura após apresentá–lo como Ryujin, seu namorado.

Ao longo da semana seguinte, Sakura e Syaoran incluíam constantemente Tomoyo em seus pequenos ensaios e refeições, apesar de Syaoran implorar a ela que não os filmasse sempre. Eles perceberam que ela tendia a sumir para trabalhar em suas fantasias na sala de figurinos, e isso dava aos dois uma chance de ficarem juntos.

Dava também a Eriol uma chance de estar com Tomoyo. Ele silenciosamente entrou na sala de figurinos, espiou seus croquis e então disse, "Você vai precisar de pérolas artificiais para o vestido branco. Posso ir ao armarinho. Vai precisar de mais alguma coisa?".

Tomoyo ergueu os olhos. Quanto ele não estava sorrindo, ele era, afinal, bem bonito. Parecia calmo e diplomático.

"Apenas mais renda para o corpete de Sakura, cerca de dois metros e meio, nesta trama". Ela ergueu um trapo.

"Certo". Eriol a pegou e virou–se para deixar a sala.

"Espere. Como você está? Não conversamos desde..." Tomoyo levantou uma sobrancelha.

Eriol sorriu levemente. "Estou bem, obrigado. Vou comprar os itens agora". Quando ele saiu, Tomoyo se perguntou, desde quando ele era tão disponível?

Syaoran encontrou uma pequena lata de pastilhas e uma garrafa de remédio caseiro para a garganta em sua mesa, na manhã seguinte, apesar de ninguém dizer quem os deixara ali. Após verificar magicamente que não estava envenenado, ele os provou; tinham um gosto bom. Mas não funcionaram: sua voz não retornava. Para sua irritação, Yamazaki havia começado a pular em cima dele nas horas mais inesperadas, acreditando que um bom susto restauraria a voz de Syaoran.

Já que não podia gritar, Syaoran decidiu sentir a aura de Yamazaki e evitá-lo. Estava ficando impaciente, e revirava seus livros de magia para descobrir por que não conseguia falar.

E mais... O aniversário de Sakura coincidia com o dia da peça, naquele fim de semana, e ele tinha que pensar em um bom presente para ela. Nada caro demais, mas que demonstrasse o quanto ele gostava dela.

Depois de um tempo, ele encontrou a solução. Seria difícil esconder dela, mas sabia que conseguiria. Ele sorriu e saiu para adquirir o material necessário. Conseguiria preparar tudo até o fim de semana. Perfeito.

Para o horror de Syaoran, sua mãe telefonou quando Sakura estava na casa dele. Todo o tempo livre que tinham, eles o passavam juntos – Tomoyo era forçada a passar o dela com Eriol – ensaiando para a peça. Syaoran gostava de insistir com Sakura na cena do beijo; às vezes, eles iam direto para ela, engraçadamente inventando novas falas, e às vezes fingindo que Syaoran era a princesa, e Sakura o príncipe, retornando ao dia que haviam passado um no corpo do outro.

"Alô, residência Li", atendeu Sakura.

Uma voz agradável respondeu, "Por favor, Li Xiaolang?".

"Ah, ele está com laringite, mas posso dizer a ele o que a senhora tem a falar e lhe repasso o que ele tem a dizer, pode ser?".

Houve um riso suave. "Você deve ser Sakura".

"Sim, sou eu. Quem fala, por favor?".

"Sou Li Yelan. Eu adoraria conhecê-la. Sou a mãe dele. Faria a honra de acompanhá–lo quando ele vier para casa nas férias de primavera?".

"O... Ah, vou dizer a ele, espere, por favor!" E ela chamou Syaoran. "É a sua mãe".

Não! Meu Deus, não! Syaoran balançou a cabeça freneticamente. Ele não queria que a mãe tirasse conclusões precipitadas; seu maior problema com ela era que ela queria que ele se casasse jovem, com dezoito anos, e ele não conseguia imaginar-se forçando tal passo tão rapidamente sobre Sakura.

Você tem que atender. É a sua mãe!

Syaoran suspirou. Tudo bem. Diga a ela que vou para casa nas férias de primavera.

Ela me convidou, Sakura disse timidamente.

Aterrorizado com o que poderia acontecer, Syaoran decidiu atender pessoalmente o telefone. Sabia que a mãe sentiria sua presença.

"Ah, vejo que não pode falar", Yelan Li disse alegremente. "Mas acho que você conquistou o coração da Caçadora de Cartas, uma vez que ela está em sua casa. Maravilhoso! Mandarei passagens para que ambos possam nos visitar durante as férias de primavera!".

Não, não, não! Syaoran pensou desesperado. Eles tirariam conclusões precipitadas, e ele sabia que iam talvez até mesmo organizar algum tipo de jantar de noivado, constrangendo Sakura e ele.

"Bem, não vou prender você. E..." Syaoran estremeceu ao tom de caçoada na voz da mãe. "Lembre–se, em um ano você pode se casar".

Syaoran nunca havia odiado tanto não ter sua voz mais do que odiava agora. Ele se jogou no sofá e pendeu a cabeça.

Sakura, ele se virou e comunicou-se telepaticamente com ela, você pode não querer ir.

Mas por quê?

Ele avisou-a novamente sobre a aposta, sobre a pressão sobre ele para se casar logo, e como eles poderiam ficar noivos à força enquanto estivessem lá... E ele abaixou a cabeça, envergonhado sobre como o relacionamento deles era tão complicado. Ele ainda não tinha sido capaz de declarar-se em voz alta a ela, e agora... Uma semana após a peça, teria que a submeter aos horrores dos quais apenas os Li eram capazes.

"Olha..." Sakura havia se aproximado, e tocava seu queixo para erguê-lo. "Talvez poderia ajudar se eu levasse meu irmão junto? Assim eles não poderiam nos forçar a fazer algo que não queremos".

Syaoran gemeu. Perfeito – férias de primavera com sua família e o irmão mais velho de Sakura.

E, para sua surpresa, Sakura abraçou-o e deu um beijo em seu nariz. "Ah, tudo bem. Duvido que Touya possa ir. Vamos convidar meu pai? E anime-se. Casar com você pode não ser tão ruim assim", ela disse suavemente, e ergueu os braços dele de modo que ele pudesse os envolver em torno da cintura dela.

Sakura, não que eu não queira, mas... Casamento é para sempre.

"Que sorte então que temos um ano antes de nosso aniversário de dezoito anos", ela caçoou. "Tenho um ano para mudar de ideia, e você também".

Syaoran não resistiu – puxou-a para mais perto e a beijou de novo; dessa vez, para a euforia de Sakura, a língua dele deslizou para dentro de sua boca... O beijo que ela mais gostava. Eles a princípio provaram-se cautelosamente, e então mais intensamente; sua felicidade mútua multiplicada agora porque o beijo significava algo: eles estavam apaixonados. Eles beijaram-se ternamente por alguns momentos, abraçados. Quando se afastaram, Syaoran apoiou a cabeça dela em seu peito. Eu a amo tanto, Sakura.

"Eu também. Te amo", ela disse. "Queria que você pudesse me falar isso em voz alta".

Vou falar. Prometo, Syaoran pensou antes de beijá-la outra vez.

A campainha tocou de repente, assustando-os. Sakura saiu do colo de Syaoran, beijou–o novamente e espiou pelo olho mágico. Era Tomoyo.

"Tomoyo?"

"Ai, vocês dois tem que provar!" Ela gritou, com um Eriol relutante atrás de si. "Eu o fiz bordar o seu corpete, e sabe que ele é muito bom com magia... E também não reclamou!".

Syaoran franziu a testa. Desde quando Eriol era tão cooperativo? Em um papel, ele rabiscou, Acho que estou em débito com você, e relutantemente mostrou-o a Eriol. Para seu choque, Eriol corou e então disse, "Não sei do que você está falando..." E empurrou um figurino vermelho nas mãos de Syaoran. "Ela pediu que você prove e diga se serviu bem". Ele claramente não queria conversar sobre isso; outra estranheza, já que Eriol nunca descartava a chance de gabar-se quando fazia favores a Syaoran.

Sakura havia sido arrastada para o quarto dele; então, ele esperou que ela saísse. O primeiro vestido tinha um decote canoa que aderia ao corpo, ficando rodado logo abaixo da linha da cintura estreita numa saia adorável. Era verde claro e combinava com os olhos dela. Syaoran sorriu. Você está adorável, ele pensou para ela, e ela sorriu.

Tomoyo verificou o tamanho, assegurou-se que Sakura podia mover-se dentro do vestido e a fez provar o outro vestido. "Prove o seu agora", ela ordenou a Syaoran, que encolheu os ombros e trocou-se no banheiro.

O figurino vermelho de príncipe era uma túnica de gola chinesa com calça escura, era do tamanho perfeito. Uma faixa bronze combinando com seus olhos e cabelos cruzava o peito. Ele tinha que admitir que estava bonito com a roupa. Saiu do banheiro e esperou no sofá.

Quando Sakura apareceu, Syaoran ficou sem fôlego e teve uma visão radiante de Sakura casando-se com ele no ousado vestido branco, tomara que caia, com corpete rendado e bordado. Ela, lógico, era naturalmente linda, mas esta roupa... Aderia às suas curvas enquanto rodopiava gentilmente em torno de seus joelhos. Fazia-a parecer uma princesa de verdade. A pequena tiara com cristais completava a ilusão.

Nossa... Ele pensou, e sorriu quando ela corou. Você parece uma princesa de verdade.

"Ah... Por favor, não me deixe vermelha!" Ela gritou. E então viu a roupa dele. "Syaoran". Sorriu quando se aproximou e aninhou-se em seus braços. "Você está lindo. Estou ansiosa pra te beijar no palco e..." Calou-se porque ele fez exatamente isso. Sakura e Syaoran esqueceram-se de Eriol e Tomoyo, continuando a beijarem-se até que Tomoyo pigarreou. Eriol fez uma careta e Tomoyo sorriu quando viu a reação de Syaoran. Perfeito. Se ele ficara tão abalado assim, então a roupa ficara boa.

"Excelente. Tenho apenas que fazer alguns ajustes, e então estamos prontos para o ensaio com figurino de sexta. Já ajeitou a sua voz?" Tomoyo perguntou a Syaoran, que balançou a cabeça. "Ah, bem. Pelo menos você e Yamazaki sincronizaram bem as suas vozes, assim vai funcionar!".

"Posso beber um copo d'água?" Eriol pediu educadamente. Sakura sorriu e o levou à cozinha.

Syaoran rabiscou uma nota para Tomoyo. Meu primo idiota está dando trabalho?

Tomoyo sorriu. "Ele está se comportando. Vamos dar uma chance a ele".

Syaoran desviou os olhos, emburrado. Se não fosse pelo fato de que ele ajudou a encobrir a Sakura, eu não confiaria nele para tirar o lixo, ele escreveu. Tomoyo o olhou com censura.

"Ele tem me ajudado. Acredito nele agora porque ele se provou confiável em várias coisas, e não tenta mais nada engraçadinho".

Desde quando você confia nele? Syaoran franziu a testa ao escrever a pergunta.

Tomoyo arregalou os olhos. "Ah..." Mas o retorno de Sakura e Eriol a salvou de responder.

"Hiiragizawa, seja um bom menino e pegue o resto das coisas em meu carro", Tomoyo disse docemente. Eriol assentiu e saiu sem dizer palavra, voltando com várias outras sacolas cheias de fantasias.

"Sakura, estas são para você. É para o caso de outra Carta dar as caras", Ela alegremente enfiou as sacolas nos braços da amiga. Os dois saíram, e Sakura olhou nas sacolas.

"Está ficando tarde. Tenho que ir". Sakura sorriu e beijou o nariz de Syaoran. Ele segurou sua mão. Vou acompanhá-la até em casa, meu coração. Ele pensou, e ela sorriu quando ele tirou dela algumas sacolas.

No portão da casa dela, Sakura convidou Syaoran para entrar e tomar chá. O ar de março ainda estava frio e cortante.

Tenho que continuar pesquisando isso, ele apontou para a própria garganta. Fica para a próxima, Sakura mei-mei?

"O que é mei-mei, Syaoran?".

Basicamente, meu docinho.

"Adoro quando você me chama assim, é tão bonitinho. E vou cobrar depois". Ela sorriu e eles se beijaram outra vez. Sakura achava que nunca se cansaria de beijar Syaoran, não importava o quanto vivesse. Finalmente, ele se afastou e desejou-lhe boa noite. Eu te amo. Durma bem, foram os pensamentos finais dele enquanto acenava, afastando-se.

Não ficou surpreso quando seu celular apitou com uma mensagem. EU TE AMO, SYAORAN! E ele sorriu.

Esperar para ter uma namorada não era tão ruim, afinal.


Na manhã da peça – que era véspera do aniversário de Sakura – Syaoran levou Sakura de lado durante o intervalo, e a guiou a uma área tranquila atrás do ginásio. Lá, ele disse a ela, por pensamentos, que havia elaborado uma teoria através de sua pesquisa: uma Carta chamada A Voz devia ter roubado a sua voz enquanto ele estava inconsciente.

"Nunca senti nada", Sakura disse, preocupada. "Me desculpe!".

Não, a carta é famosa por atacar as pessoas enquanto estão com a guarda baixa, Syaoran disse. Mas a Tomoyo não vai cantar o hino nacional antes da peça?

"Ah, não! Ela vai cantar mais tarde, e a voz dela–".

é linda, Syaoran pensou. O que foi? Ele perguntou quando Sakura o abraçou de repente.

"Ah, você tem que me cantar algo quando nós recuperarmos a sua voz. A Carta ataca apenas aqueles com vozes bonitas!" Radiante, Sakura deu um beijo em Syaoran; ele ficara vermelho outra vez. "Promete?".

Você acha que eu consigo lhe recusar alguma coisa? Syaoran revirou os olhos e então a abraçou; começou a fazer-lhe cócegas; ela atacou em resposta. Era tão estranho ver Syaoran rindo sem som, e ela parou.

"Vamos recuperar sua voz. Prometo". Sakura disse e o abraçou.

Syaoran pousou o queixo na cabeça dela e envolveu os braços ao redor dela. A vida não podia melhorar. Ele estava apaixonado, e ela o amava.

Venha, ele pensou. Podem precisar de nós a essa altura. E beijou sua testa.

Eles retornaram ao auditório, com Syaoran abraçado à cintura de Sakura, e ela aninhada em seu braço. As pessoas olhavam e sorriam. Quando eles admitiriam que eram um casal?

"Aí estão vocês!" Clamou Tomoyo. "Vão se vestir agora! Ah, e feliz aniversário". Ela sorriu e deu um pequeno pacote a Sakura. "Assegure-se de que ela não o abra até depois da meia-noite", ela disse a Syaoran, que sorriu e assentiu.

"Você sabe que vamos usar você como isca, certo?" Sakura perguntou ansiosamente.

"Não se preocupe. Vou ficar perto de vocês quando cantar o hino. Estão prontos?" Syaoran e Sakura assentiram. "Então vou dar o meu melhor!".

Sakura percebeu que Eriol de testa franzida ao abordá–los. Ele ficou calado, apenas olhou para Tomoyo e suspirou.

"Não gosto deste plano, usando-a como isca", ele resmungou.

"Pode pensar em algo melhor?" Tomoyo desafiou. "Não, não pode. Agora", ela enfiou uma câmera nas mãos dele, "prepare-se para filmar!" E sorriu docemente. Eriol revirou os olhos, mas obedeceu e afastou-se para um ponto estratégico nas coxias do palco.

"Achei que você não gostasse dele", Sakura disse com curiosidade.

"Hora de se vestir!" Esganiçou-se Tomoyo e empurrou Sakura para o camarim feminino. Ela já estava pronta, usando um vestido vermelho brilhante de babados.

Ela mudou de assunto, Syaoran! Pensou ela. Atualmente, eles podiam comunicar-se por distâncias curtas, cerca de dois metros. Naoko e Rika a arrumaram para a peça, e ela tinha que admitir que elas haviam feito um bom trabalho.

Não a pressione sobre isso. Eu... Sakura ouviu Syaoran xingar.

Carta Clow? Perguntou ela.

Pior. Yamazaki diz que quer fazer minha maquiagem... Nem morto... Argh!

Sakura riu e então vestiu o figurino verde. A roupa fluía com seus movimentos e era adorável contra sua pele. Ela então saiu para esperar nas coxias, e Syaoran segurou-a pela mão.

Você está adorável, ele a beijou gentilmente.

"E você pensa que está como?" Ela retrucou e o absorveu. Sempre soubera que Syaoran era lindo, mas nunca havia realmente percebido como seu corpo era bem torneado, como ele era alto e majestoso... Como um príncipe de verdade.

Se você disser que estou adorável, vou me matar, ele riu.

Não. E quem eu vou beijar se você se matar? Ela brincou, e ele riu silenciosamente. Sakura apoiou-se em Syaoran, que envolvera sua cintura esguia com o braço enquanto esperavam; as primeiras notas da música de Tomoyo começaram, e sua voz, cristalina e melodiosa, flutuou até eles. Então, ambos enrijeceram; uma aura familiar os cercava.

Syaoran sacou sua espada, que estivera presa em um coldre preso à sua cintura. Sakura assentiu e invocou o báculo.

Agora, como atacar em silêncio, sem que as pessoas percebessem e sem interromper a peça? Ela viu Syaoran esgueirar-se cautelosamente para a carta, uma menininha de asas cor-de-rosa, e o ouviu. Use O Silêncio nesta área apenas, mas espere que eu use meu feitiço primeiro, ele disse, e então sacou um papel amarelo com caracteres chineses. O papel brilhou e formou um círculo ao redor da carta confusa, que ficou incapaz de se mover depois de Sakura utilizar O Silêncio.

"Volte à forma humilde que merece, Carta Clow!" Sakura sussurrou, e a menina assumiu sua forma de carta. Ela vibrou o mais silenciosamente possível, e abraçou Syaoran, que sorria.

Foi quando ela percebeu que sua deixa estava aproximando-se e, com um beijo rápido na boca de Syaoran, correu e entrou no palco. Syaoran silenciosamente aguardou nas coxias por sua deixa. Pigarreou e percebeu que havia feito um som. "Sakura", ele disse, e sorriu. Mais suavemente, ele disse, "Eu te amo, Sakura".

Ah, mas nunca ficara mais grato por ouvir a própria voz!

Sua deixa logo ocorreu e ele decidiu não revelar que sua voz havia voltado, usando a voz e as deixas de Yamazaki. Ele quase morreu, contudo, quando viu quem interpretava a bruxa.

Eriol, sem óculos e com uma máscara que escondia o rosto, dizia furiosamente, "Tu nunca triunfarás, príncipe patético!" Ele fora forçado a assumir o papel depois que a atriz original havia adoecido. Eriol percebera que apenas ele e Tomoyo sabiam as falas da garota... E ela era bem maior que Tomoyo. Assim, apenas ele cabia no figurino. E assim, com um mínimo de queixume, ele aceitou seu destino – especialmente depois que Tomoyo virou-se para ele e praticamente suplicou – e atuou.

Syaoran quase perdeu a fala – mas recuperou-se quando Yamazaki retrucou, "Veremos, bruxa má!" Ele sorriu e passou a atacar Eriol com os movimentos que haviam treinado juntos quando crianças.

Quando Syaoran o jogou por cima do ombro, Eriol sibilou em seu ouvido, "Pare com isso, primo! Chega de bater em mim!".

Mas Eriol tinha que 'morrer' e, assim que Syaoran havia fingido estocá-lo com sua espada, ele alegremente aproximou-se de Sakura, que estava deitada em uma cama macia, usando o vestido branco com o qual Syaoran sonhava alegremente.

Um sorriso curvou os lábios dela quando ela ouviu as falas, "Mas que linda princesa! Fico feliz por ter prometido salvá-la, e agora devo acordá-la com um beijo de amor".

Syaoran abaixou-se para beijá-la. Mas Sakura sentou-se, para a surpresa de Syaoran, e gritou, "Cuidado!" Ele instintivamente jogou-se sobre ela enquanto as trevas os envolviam; todos os outros desapareceram.

"Onde estamos?" A voz de Sakura estava baixa e assustada.

Dentro de uma carta Clow, eu acho, Syaoran abraçou-a com força enquanto se levantavam. Ele tentou acender fogo, mas a chama vacilou e morreu. Sakura, eu... Sakura? Ela não mais estava ao lado dele, e Syaoran começou a se preocupar.


Sakura viu Syaoran desaparecer e gritou o nome dele. Ele reapareceu diante dela, a pouca distância, mas usava o figurino verde agora.

"Syaoran?"

"Assim que todas as Cartas forem capturadas, meu dever para contigo vai estar completo", ele disse em voz oca, "e vou partir".

"O quê?" Sakura estava intrigada. Como ele havia mudado tão rápido?


Syaoran, por sua vez, viu Sakura, para seu alívio, reaparecer na área da plateia. Mas ela vestia seu uniforme de escola. "Mei-mei, você me deixou preocupado..." Ele disse enquanto se dirigia para ela. Então ela ergueu seus olhos cheios de amor... Para Yukito, que tinha estado na plateia.

"Eu o amo. Você é só um substituto", ela disse suavemente.

"O quê?" Syaoran ficou confuso.


Sakura, observando um Syaoran de olhos frios vir em sua direção, recuou alguns passos. "Syaoran, o que está errado?".

"Cumpri meu dever. Você terá todas as cartas logo, e eu vou abandoná-la", ele repetiu.

Espere! Quando você recuperou a voz? Ela pensou.

Sem resposta; Syaoran olhou para ela sem nenhum amor nos olhos.

Os olhos dele!

Syaoran nunca tinha sido capaz de esconder suas emoções dela. E agora ela sabia. "Você é uma Carta Clow! Eu não sei qual, mas..." E ela segurou o báculo diante de si, "... Você não é Syaoran!".


Syaoran assistia Sakura ficar de pé para beijar Yukito... Que correspondeu apaixonadamente.

Espera aí... O Yukito está apaixonado pelo Touya, irmão dela! Syaoran pensou. Esse não pode ser ele... E também não é ela! Isso quer dizer... Que ela tem que estar por perto, já que uma carta não funciona em duas pessoas que estão afastadas! Ele procurou-a com sua mente e a chamou.

Pode me ouvir, Sakura? Sakura ouviu em sua mente. Era um abençoado alívio ouvi-lo.

Sim! Sim, Syaoran! Ela respondeu.

Ótimo. Deve perceber que não sou eu diante de você, como eu sei que não é você que está aqui. Vou aceitar o que quer que seja com meu raio, e você faça o mesmo usando Trovão, no três, certo? Um, dois, três! Tanto Syaoran quanto Sakura explodiram com seus raios de energia em seus amantes falsificados, que se dissolveram e assumiram a forma de uma mulher verde estranhamente bela. Sakura rapidamente selou-a, a escuridão desapareceu e eles desmoronaram-se na cama do palco do auditório. Syaoran ajudou Sakura a levantar-se e acariciou seu rosto. Ela fez o mesmo.

"Eu soube que era você", ela disse em voz baixa, "porque podia falar".

Syaoran sorriu. "Na verdade, agora eu posso". Ela ofegou e então sorriu quando ele começou a cantar baixinho algo em chinês. Sakura estremeceu; ele realmente tinha uma bela voz de tenor, rouca e agradável.

"O que você cantou?"

"Amar você, não posso imaginar amando alguém além de você, você sabe que eu te amo e que não consigo parar de te dizer isso..." Ele cantou novamente e ambos riram. "E, cumprindo minha promessa... Eu te amo, Sakura Kinomoto", ele disse enquanto a beijava intensamente. E então, mais alto – porque ambos haviam esquecido que o resto da escola estava presente. "Eu te amo!".

"Ah, eu também te amo!" Sakura gritou, agarrou um entusiasmado Syaoran e o beijou na boca; ele correspondeu, beijando-a apaixonadamente, segurando-a pela nuca e abraçando-a, com a mão livre, fortemente.

A escola começou a aplaudir e Touya, que estava sentado na fila, gritou alto, "Mas que diabos!" Ele pulou no palco e arrancou Syaoran de Sakura. "Quando eu disse que podia ser namorada dele, não falei que podiam se agarrar em público!" Touya rugiu.

"Ei!" Sakura salvou Syaoran das mãos de Touya. "Touya! Ele é meu namorado!" Ela gritou, mergulhando a escola em um caos ainda maior. Naoko e Chiharu relutantemente deram algumas notas a uma vitoriosa Rika. Rin ficou de pé em sua cadeira e aplaudiu furiosamente. Tomoyo deu um soco no ar com a mão livre (a outra segurava uma câmera). Eriol revirou os olhos e resmungou, "Típico".

Já Yamazaki aproveitou o momento para dizer no microfone, "Senhoras e senhores, vocês sabiam que, para os atores protagonistas de A Bela Adormecida, apaixonar-se é uma tradição ancestral? Isso, naturalmente, causava um problema quando, no tempo de Shakespeare, os atores eram dois homens, e abriram caminho para as mulheres... Ah, não, não, Chiharu, meu amor, meu ouvido de novo não!".


No próximo capítulo: Coitado do Syaoran! Ele tem a conversa com Touya, enquanto Sakura festeja o primeiro aniversário com um verdadeiro namorado e Eriol e Tomoyo são atacados por uma Carta numa viagem de escola.

Nota da Tradutora: Voilà! O beijo! O que acharam? Reviews, PM, e-mail... Tudo o que quiserem para me dizerem o que acharam da grande declaração de amor de SS!