O sol já brilhava alto no céu, Jaken estranhou o fato de seu mestre ainda não haver saído de seus aposentos. Os criados já haviam posto a mesa para o café da manhã. Rin desceu as escadas lentamente, trajada com um lindo quimono rosa e branco da mais pura seda. Ela entrou no grande salão onde se encontrava a mesa posta e cumprimentou os que estavam presentes.
- Bom dia senhor Jaken! Bom dia Midori!
O Yokai lagarto não respondeu continuou olhando para ela abismado. "Ela está tão bonita, irradia uma beleza e felicidade que nunca vi antes." Pensou o servo.
- Alguma coisa errada Sr Jaken?
- Nnnão nada errado menina.
Rin apenas sorriu.
- Devo chamar o mestre para o desjejum? Perguntou Midori.
Rin respondeu enquanto tomava um chá.
- Acho que o Senhor não quer ser incomodado no momento Midori.
- Sim senhorita.
Rin tomou seu chá tranqüilamente e logo depois de conversar um pouco com Jaken subiu as escadas com a intenção de ir aos aposentos de Sesshoumaru, até ela estranhava o fato dele ainda não ter descido até àquela hora. Quando saiu de lá o dia estava clareando, achou melhor voltar para o seu quarto antes que todos os servos estivessem de pé. Despediram-se com um beijo caloroso e ela o deixou na cama.
Entrou lentamente no quarto que estava agora ricamente iluminando pelo sol. Teve a visão esplêndida de tamanha perfeição, ele estava deitado ainda com o corpo semi coberto pelos delicados lençóis brancos . Ficou observando a distância por um tempo, a face linda de traços delicados que parecia ter sido esculpida pelas mais hábeis mãos do mais engenhoso dos artistas. Ele estava tão tranqüilo e parecia não tê-la percebido, Rin resolveu então se aproximar e se surpreendeu ao constatar que ele de fato estava dormindo. Não resistiu e aproximou-se mais se sentando na beirada da cama ao lado dele.
- Meu lindo príncipe... Ela disse baixinho enquanto acariciava com os dedos os músculos do abdômen dele. Isso o fez abrir os olhos.
- Bom dia! Ela disse sorrindo para ele que deu um leve suspiro.
- Por que está sorrindo tanto? Ele perguntou com a voz calma enquanto levava sua mão ao rosto delicado de Rin.
- Além do fato de estar feliz?
Ele acaricia o rosto dela que conclui.
- Você estava dormindo, e isso é algo que eu nunca havia visto.
- Eu não preciso dormir...
- Sei que não meu Senhor, por isso fiquei surpresa.
Ele levou a mão à nuca dela puxando seu rosto contra o seu e lhe dando um beijo profundo.
- Eu tenho que sair. Ele disse levantando-se da cama e caminhando completamente nu pelo quarto até a área de banho. Não tinha nenhum pudor quanto a isso. Rin o olhava atentamente e sorria ainda um pouco ruborizada mesmo com toda a intimidade que eles compartilhavam.
- Seus servos acharam estranho não vê-lo logo pela manhã. Especulam se está doente ou algo assim... principalmente o senhor Jaken.
- São todos idiotas ! A voz dele ecoou do quarto de banho.
- O senhor Jaken preocupa-se muito com o senhor.
Sesshoumaru voltou ao quarto já trajando o seu tradicional quimono branco, se aproximou de Rin que ainda estava sentada na cama, e muito sério disse:
- Pare de me tratar por senhor, essa formalidade não faz o menor sentido agora.
Rin deu um largo sorriso e respondeu:
- Sinto muito meu senhor. É difícil abandonar velhos hábitos. Ela completou irônica.
Sesshoumaru se dirigiu à cabeceira da cama e pegou suas espadas prendendo-as a cintura, antes de sair do quarto ele disse:
- Eu devo ficar fora durante todo o dia, Jaken ficará aqui já que se sente tão bem na companhia dele.
O lorde caminhava em direção a porta do quarto quando sentiu a delicada mão de Rin segurá-lo. Ela parou diante dele lhe deu um beijo doce e disse:
- Obrigada!
E ele se foi.
Durante aquele dia Rin passeou por todo o castelo para conhecer suas dependências, andou por diversos salões, quartos, jardins de inverno e fontes. Todo o lugar era esplêndido e Rin encantou-se particularmente com a magnífica biblioteca em prateleiras que se erguiam até o teto, repleta de livros e pergaminhos. Era uma sala grande e bem iluminada por causa das enormes janelas. Havia uma grande mesa próxima à janela, talhada em madeira nobre e escura com detalhes em ouro assim como na cadeira. Rin estava fascinada, gostava de ler e de adquirir conhecimento, Sesshoumaru incutiu nela esse desejo de aprender quando ela era ainda criança, diferente dos humanos daquela época os Yokais de nobre estirpe educavam suas "fêmeas" e Sesshoumaru ordenou que Jaken ensinasse Rin a ler e a escrever. Ele mesmo a acompanhou em algumas das "lições". Rin lembrava-se que às vezes ele segurava suas mãozinhas para ajudar a aprimorar a escrita, ele era tão paciente, Jaken nunca estava lá nesses momentos.
Ficou naquele local durante horas nem viu a noite cair, Midori entrou pela porta e chamou-a.
- Senhorita Rin?!
- Sim Midori
- O Senhor Sesshoumaru já chegou e perguntou pela senhorita. Disse para aprontar-se e encontrá-lo para o jantar.
Rin levantou-se rapidamente e foi para o seu quarto onde tomaria um banho e se arrumaria para o jantar. Depois do banho Rin escolheu um quimono vermelho que tinha delicados bordados com fios de ouro nas mangas e na barra, prendeu seus cabelos em um lindo coque e o adornou com pequenas flores também vermelhas. Fez tudo isso com a ajuda de Midori que parecia ter se tornado sua "babá", estava sempre próxima a ela.
Minutos depois Rin desceu as escadas e adentrou a sala de jantar onde Sesshoumaru já estava sentado à cabeceira da mesa. Quando a viu sentiu como se lhe faltasse ar, que visão magnífica tinha agora. Ela estava estonteante, sua Rin, sua princesa.
Quando ela se aproximou sorrindo ele se levantou e puxou a cadeira a sua direita para ela que logo se acomodou. Haviam dois servos na sala que após servirem a refeição foram dispensados pelo Yokai.
- Deixem-nos. Ele ordenou sem tirar os olhos fascinados de Rin que também o fitava.
- Como foi o seu dia?
Rin espantou-se por vê-lo iniciar uma conversa ainda que utilizando o mesmo tom frio de sempre.
- Foi bastante tranqüilo, muito mais do que eu estou acostumada na verdade. Não precisei ficar atenta a tudo a minha volta por causa de possíveis ameaças, nem me preocupar em conseguir comida... Ela deu uma pausa e concluiu sorrindo... Foi um tanto tedioso.
Não estou acostumada a ser servida.
Sesshoumaru a olhava em silêncio admirando cada mínimo movimento dela, teria rido do que ela disse se tivesse esse costume. Tomou um pouco de saque e disse:
- É bom que se acostume a isso.
- Pretende ficar muito tempo aqui meu senhor?
- Talvez...
Eles continuaram o jantar, ou melhor Rin continuou o jantar sob o olhar atento do Yokai que não tocou no prato a sua frente, apenas tomou saque enquanto trocaram poucas palavras.
Quando terminaram Sesshoumaru levantou-se e estendeu a mão para a jovem.
- Venha comigo Rin. Ele disse com a voz serena.
Ela lhe concedeu sua mão, levantou-se e o seguiu. Eles caminharam para a área externa do castelo onde ficava o imenso jardim florido. O local estava iluminado por pequenas lanternas, havia um futon no gramado verde podia-se notar que o cenário fora montado.
Rin adorava aquele lugar, as flores, o ar livre tudo o que ela mais gostava. Agachou-se junto ao canteiro onde havia inúmeras rosas vermelhas deslizou seus dedos sobre as pétalas e suspirou...
- São tão lindas... e esse perfume...
Sesshoumaru sentou-se em um banco próximo e ficou observando-a admirado.
"Como você é linda minha Rin." Ele pensava enquanto a olhava.
Após alguns minutos admirando as flores o semblante de Rin subitamente mudou tornou-se triste enquanto ela tentava imaginar como seria o seu futuro. Sesshoumaru logo percebeu a mudança.
- Algo a está incomodando, o que é?
Rin virou-se para ele sentando-se no futon que estava ao seu lado e com um leve sorriso estampado no rosto disse:
- Não há nada errado meu senhor.
- Não minta. Sabe que eu não gosto que mintam para mim.
Ele disse isso levantando e caminhando em sua direção.
- E-e-eu não estou mentindo. Ela disse com a voz trêmula parecia ter se esquecido que Sesshoumaru podia detectar uma mentira de longe. - Eu só estava pensando...
- Pensando em que?
Ela respirou fundo antes de continuar mas não conseguia encará-lo manteve a cabeça baixa enquanto falava.
- Eu li sobre sua família nos pergaminhos da biblioteca, vi o quanto o clã Taisho é importante por seu poder e sua tradição, agora o senhor é o chefe do clã o símbolo maior desse poder...
Sesshoumaru ouvia atentamente ao que Rin dizia e ainda de pé olhava para ela que agora mexia nas rosas.
- Por que isso a incomoda?
- O que aconteceu entre nós...
- Está arrependida?
- Não. Ela respondeu firmemente dessa vez encarando-o. - Nunca tive tanta certeza sobre algo em toda a minha vida.
Sesshoumaru agachou-se e sentou ao lado dela no futon, olhando para o rosto delicado cujo olhar parecia tão triste enquanto falava.
- O senhor tem recebido muitas visitas de vários clãs aliados e outros que procuram por uma aliança. Eles querem juntar os clãs e transformarem em uma potência para isso nada melhor do que a união entre os membros dos clãs. Em breve o senhor terá que escolher uma Yokai como companheira que lhe dê herdeiros que continuem a sua nobre linhagem. Ficarei longe dos seus aposentos para que isso ocorra o mais rápido possível. Não ajudará se os servos comentarem que divide o seu leito, mesmo que de vez em quando com uma humana.
Sesshoumaru franziu o cenho, ergueu o queixo da jovem com uma das mãos fazendo-a olhar para ele e disse usando um tom severo:
- Acha que pode manipular este Sesshoumaru?
Rin arregalou os olhos surpresa.
- N-n-não meu senhor.
- Porque acha que essa atitude me fará tomar uma Yokai ou qualquer outra criatura como esposa? Você não sabe o que diz Rin. Acha que você ou qualquer pessoa pode me forçar a fazer algo que não seja de minha vontade?
Ele retirou a mão do queixo dela e a jovem voltou a baixar os olhos fitando as mãos que estavam sobre os joelhos. Após alguns segundos de pausa Sesshoumaru prosseguiu agora falando de forma mais serena.
- Não permiti que ficasse em meus aposentos para preservá-la, não deveria estar dormindo comigo não sendo minha esposa. Isso foi precipitado.
Uma lágrima correu pelos olhos de Rin e uma gota caiu atingindo sua mão. O Yokai logo sentiu o cheiro salgado das lágrimas, pegou a mão de Rin e puxou-a fazendo com que ela ficasse em seu colo. Deslizou a mão pelo rosto dela secando suas lágrimas.
- Por que está chorando Rin?
- Eu sou só uma humana, jamais poderei lhe dar o que precisa mesmo com todo amor que eu sinto, não sou de sua espécie e nunca serei...
- Menina tola! Não acha que se eu quisesse tomar uma yokai já o teria feito?
Eu tomarei você como minha Rin,a tornarei Senhora das Terras do Oeste e você me dará os herdeiros que quero.
Rin ergueu os olhos incrédula encarando-o e continuou ouvindo.
- Isso trará riscos muito maiores a você, meus inimigos não hesitarão em usá-la para me atingir. Você terá que ser forte e confiar plenamente em mim, deve confiar que eu irei protegê-la contra quem quer que seja. Pode fazer isso?
Os rostos estavam muito próximos e os lábios quase se tocavam...
- Sim. Ela respondeu fechando os olhos e sentindo o coração bater mais rapidamente.
Sesshoumaru levou uma de suas mãos ao pescoço de Rin, parecia que ia estrangulá-la como fazia com seus inimigos, mas longe disso o toque era extremamente delicado. Ela estava sentada de lado em seu colo, ele manteve a mão no pescoço dela e fez com que inclinasse a cabeça para frente. Com a outra mão ele afastou lentamente o quimono deixando descoberta a nuca e uma pequena área da parte superior das costas, o Yokai beijou o local fazendo a jovem se arrepiar...
- Você confia em mim Rin? Ele perguntou sussurrando enquanto beijava a região entre o pescoço e o ombro.
- Sim. Ela respondeu com a voz fraca.
- Então entregue-se a mim.
Ele disse mais uma vez sussurrando antes de abrir a boca lentamente e cravar seus caninos na nuca dela. Rin gemeu de dor ao sentir a mordida e agarrou com força um dos braços dele que circundavam sua cintura. Sesshoumaru sentia o sangue doce e quente dela em sua boca e manteve-se assim por alguns segundos mais. Rin não sentia mais dor, apenas um torpor e uma sensação de que seu corpo queimava, então lentamente ele retirou as presas da carne macia da jovem, passou a língua pelo local sorvendo o sangue que havia, até que este estancasse. Rin ainda estava ofegante sentia-se mole e cansada ouviu ele falar com uma voz calma e quase doce:
- Com essa marca, eu a torno minha. Será minha companheira até o fim de nossas vidas. Nada e ninguém poderá dissolver essa união.
Rin deixou-se dominar pela sensação que tomava conta de seu corpo, relaxou totalmente recostada ao corpo de Sesshoumaru.
Após alguns minutos ele aproxima os lábios do ouvido dela e pergunta:
- Como se sente?
Ela dá um suspiro e com os olhos semi cerrados e um doce sorriso responde:
- Eu estou ... bem.
Ela ainda parecia zonza.
- Você precisa descansar agora, vou levá-la para dentro.
Ele a pegou no colo e levou-a para o interior do castelo. Rin dormiu tranqüilamente durante toda à noite e Sesshoumaru permaneceu a sacada do quarto contemplando suas Terras que estavam envoltas pelo manto negro da noite.
