Capítulo onze: Missão Kazekage
Por Kami-chan
- Eu nuca vou estar sozinha não é mesmo.. – Disse alto levando as mãos ao ventre enquanto lembrava das palavras de Shikamaru.
Respirou fundo e abriu a porta da floricultura, somente então guiou sua atenção às flores. Tirou um alicate específico de um dos bolsos do avental que usava e com a ferramenta em mãos passou a cuidar dos machucados das plantas. Alguns poderiam ser remediados com jutsus, outros pequenos galhos deveriam, infelizmente, ser retirados.
Depois disso iria reenvasar algumas mudas e escolher algumas belas orquídeas pra enfeitar seu balcão. Três dias haviam se passado desde todo estardalhaço, tempo necessário para a loira se convencer de que nada daquilo de fato fora um mero pesadelo. Dias sem se quer sair de sua cama tentando assimilar os acontecimentos, as verdades e acima de tudo, as mentiras.
Depois disso, a loira chegou apenas à conclusão inevitável de que sua vida não poderia parar. O tempo não para, a vida não espera. O ser em seu ventre se desenvolvia e ela com seu orgulho sabia que mesmo sem Deidara por perto, aquela criatura era fruto de alguém que ela não teve medo de amar.
Por algum milagre divino ficou sabendo que Gaara finalmente tinha voltado para sua vila e esta simples informação a fazia respirar mais aliviada, plenamente mais disposta a voltar a vida normal. A traição de Deidara, sim o que o loiro havia feito consigo fora rotulado de traição e ainda era uma ferida aberta recentemente em seu coração, mas não iria se dar ao luxo de se deixar sucumbir por um loiro imbecil que havia lhe usado com a mais suja mentira que fora jurar lhe amar.
Suja e extremamente baixa, pois na mais profunda verdade Ino tinha aprendido a o amar e o amava tanto que sentia que mesmo depois de tudo, esse sentimento não ia ser capaz de morrer. Não quando contradizendo a toda 'mentira' de Deidara havia aquele anel sem sentido e sem resposta, que seu orgulho a impedia de usar, mas seu bobo coração insistia em ordenar que o mantivesse por perto.
E obedecendo ao pedido do ego ferido, a loira o pendurou em uma corrente feita do mesmo material e mantinha a fina joia pendurada em seu pescoço. Acima de tudo também se recusava a acreditar naquela falsidade enquanto em seu ventre crescia o resultado de toda a entrega com a qual se deixou levar pelo sentimento guiado pelo rosto loiro, sua voz jovialmente divertida, todos os seus elogios e galanteios e principalmente não enquanto não houvesse uma resposta para tudo aquilo.
Ahh sim Ino iria atrás de respostas, não ia se permitir ser deixada assim para trás com falsas promessas. Queria ouvir toda a verdade dos lábios do loiro, precisava ver os lábios tão desejados lhe dizendo que tudo estava acabado para então, somente então, acreditar e seguir adiante. Não suplicaria por seu amor, mas não abria mão de respostas que eram suas por direito, vagas palavras riscadas em pedaço qualquer de papel não significavam nada.
Aquele ser que se desenvolvia em seu ventre era a única coisa que a impedia no momento de largar tudo e seguir mundo afora atrás do Akatsuki que bagunçou toda sua vida sem se preocupar com o estrago que deixaria em sua alma. Se o loiro não queria mesmo mais nada com ela, ela não se sentia na obrigação de revelar ao mesmo que tinham um filho ou uma filha, isso o tempo ainda lhe revelaria.
Sabe-se lá que loucuras um assassino de seu nível poderia fazer depois disso. Afinal depois de tudo não podia nem mesmo dizer que conhecia bem o grande amor de sua vida para afirmar que Deidara aceitaria aquela criança.
Ino pegou um regador médio para regar as flores que enfeitavam a soleira da vitrine da loja, ao longe Sakura vinha em sua direção caminhando tranquila com um embrulho muito bem seguro em seus braços. Essa era outra coisa que o tempo havia mudado; sua relação com a rosada. Rá, e pensar que em um passado tão distante brigavam por um motivo tão infantil que havia esfriado uma amizade por conta da atenção de um garoto. Hoje Ino estava grávida de um alguém que jamais juraria amar e a rosada se mostrava cada dia mais feliz e perfeita ao lado de Shikamaru.
Shikamaru. O destino se encarregou mais uma vez em deixar um moreno entre as duas amigas, mas dessa vez não havia discórdia. O amor que sentiam pelo mesmo garoto era em muitos níveis diferente, e para Ino o simples fato da rosada fazer do seu amigo e irmão uma pessoa mais feliz e completa... ahh não tinha nem palavras. A Haruno já tinha se autorrotulado tia e madrinha do bebe de Ino.
Shikamaru estava ocupado e não podia largar suas tarefas para garantir que Ino estaria sempre bem, então intitulou a rosada como sua baba. Por um lado Ino agradecia, jamais passaria por tudo isso sozinha. Por outro, havia muitas coisas que a rosada não sabia e não saberia sobre sua vida, seus problemas com Gaara, por exemplo.
Sorriu ao ver a rosada cada vez mais próxima e esperou pela mesma na frente da floricultura quando mesmo depois de ter acabado de regar suas plantas, sabia que era ali que Sakura estava indo. Aceitar ir conversar com Tsunade e fazer exames típicos de grávidas foi uma promessa que a loira fez à Shikamaru e o mesmo tinha incumbido à rosada o sucesso dessa árdua missão, já que Ino achava que nada disso seria necessário. Na verdade, temia as perguntas que Tsunade lhe faria e as repostas que daria a mesma.
– Ohayo Ino-chan – Sakura finalmente tinha lhe alcançado e ainda mantinha a trouxinha de pano enrolada bem segura entre seus braços.
– Sakura-chan – Esforçou-se e sorriu mesmo sem ter vontade.
Tinha que ser forte para sair da cama e esperar o período daquela gravidez para correr no mundo atrás de suas respostas, isso consumia toda sua força de vontade e não sentia mais a necessidade de sorrir, brincar, festejar... nem trabalhar mais fazia a loira sentir algum prazer na vida. Ainda assim todo esforço dos seus amigos tinha que ser reconhecido e ela não podia se dar ao luxo de demonstrar mais anseios do que uma jovem mãe solteira demonstraria e assim com a máscara que vestia lhes sorria.
– Ne Ino, eu trouxe algumas ervas pra você plantar. Acho que você não tem destas aqui e elas serão muito úteis para os seus enjôos, náuseas e todos os outros efeitos colaterais que a alteração hormonal da gravidez faz aparecer. – Shikamaru fez questão de lhe colar em uma médica particular, mentira, mas Sakura realmente se sentia muito bem podendo estar ali.
Era quase como que se a grávida fosse ela mesma. Ino sabia muito bem que ela tinha prometido ao moreno que ia 'cuidar' da loira.
– Então, eu já avisei a shishou que nós vamos lá hoje, mas deixei o motivo como surpresa.
– É hoje que eu mato a velha do coração – Disse a loira com as duas mãos em frente ao rosto, movendo a cabeça de um lado para o outro fazendo a rosada rir.
– Que isso, ela já deve ter assimilado a ideia que tem idade pra ser avó – A rosada entrou na brincadeira.
– Claro Sakura, obrigada. – Também não podia mentir e dizer que era uma pessoa presa à melancolias, a vida tinha lhe imposto uma nova condição e Ino iria a tomar de frente. Sentir-se um pouco melhor com a presença da amiga que nem ela percebia o quanto sentia falta a fazia de alguma forma se sentir muito melhor.
Depois que Naruto assumiu a vila, Tsunade estava muito bem curtindo a aposentadoria cuidando do hospital. Não administrando é claro, essa parte já fora passada à Shizune há muito tempo, mas a loira das lesmas jamais conseguiria ficar parada sem fazer nada e caso não tivesse a colocado no hospital sob seu olhar vigilante Shizune sabia muito bem onde sua sensei ia passar os dias restantes de sua vida. É... acertou quem pensou em uma casa de jogos.
Após mais alguma conversa, bem resumida em um monólogo onde a rosada falava e a loira já zonza apenas concordava, a senhora que ajudava Ino na floricultura chegou, animada como sempre e as meninas resolveram sair logo para poderem caminhar com calma pelo centro da cidade até chegar ao hospital.
– Nee Ino... – A rosada começou meio incerta, fazendo a loira lhe encarar sem que nenhuma das duas deixasse de andar. – Você sabe que a shishou vai exigir saber quem é o pai do seu filho.
– Hm. – Concordou com um aceno de cabeça – E vou responder a ela exatamente a mesma coisa que respondo a você e ao Shikamaru-kun, tanto a mãe quanto o pai dessa criança sou eu.
– Mas Ino...
– Apenas não insista.
– Gomen. Só pensei que... bom Shikamaru ouviu que o Gaara está esperando falar com você para só então ir embora.
– Nani? Hinata tinha me dito que ele já tinha ido embora. – Disse a loira entrando em nível quase que de desespero.
– A informação é sigilosa. Um membro da Akatsuki tem sido visto pelas redondezas da vila por esses dias e a descrição bate com a do mesmo homem que quase eliminou o Kazekage-sama uma vez. Como a aliança entre Suna e Konoha é extremamente delicada foi montado um esquema especial pra levar o Kazekage, para todos ele já foi.
– A... Akatsuki? – A loira parou de andar, sentindo uma grande dificuldade em definir o que exatamente estava sentindo.
– É, mas não se preocupe assim hm você ficou branca, quer se sentar?
– Não eu... eu estou bem. Quando? Quando ele foi visto aqui? – A loira se segurou no braço da rosada como que se o ato fosse lhe dar todas as respostas de que precisava.
– Calma Ino, ficar nervosa apenas fará mal ao seu bebe. Além do mais não há motivos para nós temermos, seja o assassino que tentou acabar com Gaara uma vez ou outro demônio desprezível daquela organização a ANBU dará um jeito. Ainda mais, tenho certeza que Tsunade tirará você das missões até ter seu filho.
– Não. Eu não quero parar com as missões, enquanto eu não tiver uma barriga aparente não vou parar de correr atrás del...
– Ino pelo o que eu examinei de você, já deve estar de quase três meses. Não tarda para sua barriga estar bem amostra. – A rosada lhe cortou com a resposta óbvia. – Aliás, não faz exatamente três meses que você e Gaara terminaram? Esse filho não seria dele?
– Eu já lhe disse que o pai do meu filho sou eu mesma. Você não me respondeu quando ele... quer dizer, o Akatsuki foi visto por aqui.
– Na verdade eu não sei, nem Shikamaru sabia. Que diferença faz? Preocupada com a segurança do Kazekage, Yamanaka-sama ex senhora Kazekage?
– Preocupada em ver logo Tsunade e acabar de vez com isso. – Respondeu séria apressando o passo e sendo seguida em silêncio por Sakura.
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– Como assim grávida? – A loira mais velha praticamente ignorou o fato de estarem dentro de um hospital e gritou a frase.
– Bom.. eu não sei dizer ao certo qual espermatozóide chegou lá, mas eu garanto que estava por baixo. – O cheiro de hospital deixava Ino enjoada e logo, seu humor decaía a níveis intoleráveis.
– Sem gracinhas Yamanaka. Se bem me lembro uma das últimas coisas que lhe autorizei a fazer como Hokage foi ir até Suna para que terminasse com seu namorado, como agora... – Tsunade parou de falar do nada, sua boca abrindo e fechando inúmeras vezes até que proferisse a conclusão que se formava instantaneamente em sua cabeça. – Gaara não é o pai dessa criança, não é?
– Não senhora. – Respondeu desviando um pouco o olhar, como se estivesse contando algo realmente muito grave para sua mãe. Tsunade suspirou alto.
– Você tem certeza? – Disse e viu a resposta de sua pergunta vir com um aceno positivo feito com a cabeça por Ino.
Via o ruivo tão pouco devido a distância e suas ocupações que podia dizer com certeza por seus cálculos que era Deidara o pai de seu filho, mesmo que tenha engravidado naquele primeiro, imprudente e inesperado encontro.
– E quem é o pai?
– Eu e somente eu. – Tinha pensado sobre aquela pergunta desde que lhe fora feita insistentemente por Shikamaru. Desde que seu filho não nascesse com bocas extras pelo corpo suas características físicas não seriam capazes de denunciar a identidade do pai, afinal, eram tão parecidos.
– OK Ino, você faz como achar melhor. Sabe que quando sua barriga crescer e a notícia ultrapassar inclusive as fronteiras de Suna as coisas podem ficar complicadas para você.
– Desde que terminou, minha vida não diz mais ao respeito do Kazekage... – argumentou.
– Sabemos que não será assim hm, Gaara é influente e... Shikamaru me manteve informada sobre a insistência do ruivo sobre o namoro que você terminou, também vi o que ele fez com você na festa Ino.
– Bom, eu só posso garantir que ele não é o pai, se a minha gravidez não servir de prova de que já não sentia mais nada por ele, ele que aguente a fama de cor..
– Ele vai se julgar traído por você Ino e o Kazekage não é o tipo de homem que vai pra casa de cabeça baixa engolindo seu orgulho ferido.
– Onde está querendo chegar? – perguntou a loira um pouco assustada.
– Talvez fosse melhor você ter seu filho em outro lugar... mais longe deste por onde os informantes de Gaara circulam.
– Ou você poderia apenas alterar o meu histórico. Você e Sakura farão meu parto, você pode escrever datas alteradas aí. Eu estaria grávida a menos tempo e daqui a seis meses meu filho nasce prematuro.
– Isso é arriscado, te mandar para uma "missão longa e distante" é bem mais seguro. A aliança entre Suna e Konoha é muito frágil para ser arriscada. – Ino suspirou fundo ao ouvir a mestra.
– Faça o que for melhor à Konoha Tsunade-sama, porque não dizia em seu juramento ninja que poderia colocar sua vila em guerra com outra por uma desventura amorosa.
– Chegaremos a uma conclusão, não se preocupe. Agora vamos fazer alguns exames para ver como está o seu bebe hm.. tire suas roupas e coloque aquele avental.
E Tsunade nem conseguiu terminar de falar e a sala onde estavam fora invadida. Vindo de lugar nenhum precisamente, o ANBU devidamente uniformizado e mascarado cortou a fala da mestra das lesmas direcionando seu olhar para a loira mais nova da sala.
– Yamanaka Ino, você está sendo imediatamente convocada à sala do Hokage.
– Estou no meio de uma consulta médica, isso é uma invasão de privacidade sabia? – disse a loira indignada.
– Lamento. Ordens do Hokage.
– ANBU informe ao seu Hokage que no meu hospital essas chegadas repentinas não irão mais acontecer. – Disse Tsunade resoluta.
–Vou ter que me repetir, ordens do Hokage. – Disse o mascarado inexpressivo.
– Ordens do Hokage? – Repetiu a Godaime com ironia – Escuta aqui moleque, você vai deixar essa MINHA ordem bem clara quando chegar na sala de Naruto e se aquele teimoso não receber o recado eu mesma vou levar você pelos cabelos até lá e fazer você grunhir o recado. Não quero ANBUS fazendo do meu hospital a casa da mãe Joana. Ino estará na sala do Hokudaime assim que eu terminar sua consulta. Fui bem clara? – disse ríspida enquanto mantinha a face mascarada perigosamente perto da sua pela mão em punho que o pendia pela gola do uniforme.
– Clara como água Godaime-hime. – Disse incerto e da mesma forma como apareceu, sumiu.
As loiras permaneceram rindo na sala de Tsunade. Ino finalmente foi completamente examinada e seu bebe também. Sakura não estava errada, sua gestação já atingia o terceiro mês e a identidade do pai se mantinha clara somente na cabeça e nas memórias de Ino.
Ino estava fraca por não estar seguindo uma boa alimentação para sua situação e ganhou algumas vitaminas e minerais para tomar, com o bebe estava tudo bem. Era uma forte criança com uma presença de chakra muito grande ou 'explosivo' como definiu Tsunade fazendo a loira rir da expressão já imaginando um pequeno loiro correndo pela casa explodindo seus vasos de flores.
No caminho até a torre do Hokage Ino ficou pensando nas coisas que Tsunade havia lhe falado, deixar a vila e criar seu filho em outro lugar poderia ser uma probabilidade muito maior que a imaginada caso fosse identificado como filho de um Akatsuki. Poderia mentir, dizer que havia sido vítima do loiro explosivo.
Qualquer pessoa na vil acreditaria em sua versão, mas se enrolaria em uma mentira como seu amado Deidara fizera. Sairia da vila se fosse preciso, sem se preocupar em ser julgada como tola por acreditar em um homem que fazia parte de um grupo que sabia acima de tudo mentir, extorquir, matar... torturar.
Sem se preocupar em ser julgada como traidora por saber com quem estava se envolvendo e não denunciar a localização de um inimigo declarado da nação que jurou defender. E muito menos preocupada em ser julgada como baixa por se deixar levar pelo homem que em covardia sequestrou e matou o homem que era até então seu namorado. Não diz respeito à ninguém o que lhe dita o seu coração.
A grande porta de madeira da sala do Hokage crescia em sua vista a cada passo que dava. Identificou-se ao primeiro ANBU, assinou o livro de presença e identificou-se ao segundo ANBU que guardava a porta. O mascarado apenas assentiu com um aceno de cabeça e anunciou o nome da recém chegada.
A loira de olhos claros não fazia ideia de por que sua presença ser requisitada. Uma missão tão cedo? Nem bem tinha chegado na vila e como Hinata havia sido uma das pessoas que vieram em seu amparo quando passou mal na festa, Ino sabia que Naruto devia saber que ela não estava em forma para missões. E sua situação não melhorou em nada quando ao entrar na sala não encontrou apenas Naruto, mas também Gaara.
– Boa tarde Hokage-sama, Kazekage-sama. Desculpe-me pela demora. – Disse já sentindo toda a animação que se esforçava para manter naqueles dias tempestivos de sua vida se esvair.
– Nee nee Ino, eu que tenho que pedir desculpas.. err eu recebi o recado da baa-chan – Respondeu o loiro bem humorado com a face vermelha.
– Tudo bem, porque me chamou aqui? – Perguntou com o máximo da educação que podia manter, não sabia se era por conta do terrível terceiro mês de gestação ou se era a presença de Gaara na sala, mas seus estômago estava dando voltas.
– Ore Ino, você sabe que o Kazekage Gaara é um grandessíssimo amigo meu, né? E eu não posso deixar que um amigo tão valioso e caro siga sozinho a Suna, por isso que vá com ele e faça sua segurança. – Disse com simplicidade, com um sorriso gigantesco na face depois de olhar da loira para o ruivo e novamente para Ino encerrando o sorriso com uma nada discreta piscadinha.
Ino ficou estática, toda aquela cena e mais o amplo sorriso malicioso que Gaara abriu lhe deixou claro que aquele era um pedido feito pelo próprio líder de Suna ao amigo idiota líder de Konoha. Hinata já havia lhe comentado algo sobre o ruivo estar realmente muito triste e abatido com o término do relacionamento, não era uma atitude atípica de Naruto querer ver duas pessoas se reconciliarem. O grande problema da situação é que Ino não iria de forma alguma seguir de Konoha até Suna sozinha com o ruivo, mas ao mesmo tempo não podia recusar uma missão dada pelo líder.
– Naruto-sama é realmente uma honra ser lembrada para uma missão de tal importância, entretanto estou sabendo que Akatsuki foi vista aos arredores da vila e do esquema de proteção para o líder de Suna. Sendo uma ninja investigativa acredito que seria muito mais útil para a proteção do Kazekage fazendo o caminho a sua frente, garantindo-lhe o caminho seguro enquanto outra pessoa o acompanha.
– Bom não era pra ninguém saber disso, mas não importa. Inoooo vai com o Gaara-san aí vocês dois podem conversar no caminho e quem sabe até...
– Gomen ne Naruto-sama, não quero ser indelicada com as duas autoridades, mas pensei que fosse uma missão e não um passeio. Sei das minhas qualidades e limitações, sendo uma missão de tamanha importância onde o nosso maior inimigo está envolvido, eu sei onde vou ser útil ou não.
– Mas Ino...
– Naruto- san, gostaria de falar com Ino em particular se me permite. – A voz grave do ruivo tomou a sala por completo.
– Claro. Sintam-se à vontade. – Disse o loiro gentil, em sua mente queria apenas ver o casal tão bonito junto novamente.
Ainda mais depois que Gaara lhe pediu esse favor na noite da festa de sua nomeação, estava se sentindo tão perdido longe de sua amada. Segundo o que Gaara lhe contara, era apenas uma questão de tempo até que o mal entendido que havia resultado no término do namoro ser resolvido e seu amigo estar novamente feliz.
– Existem muitos ninjas super competentes para acompanhar você até sua casa com segurança. – Disse a loira assim que Naruto fechou a porta e deixou-os para trás.
– Mas é você quem vai comigo. – Ele disse irredutível.
– Rá, claro. Eu não sei como um dia fui capaz de me apaixonar por você, você é desprezível.
– Você ainda não percebeu a situação Ino? Você não tem escolha, vai comigo até Suna e quando chegar lá vai mandar um pedido ao Hokage para ficar lá comigo.
– Você é que não está entendendo Sabaku, eu não sou sua propriedade. Eu nunca sequer fui sua. A paixonite que sentia não foi forte para suportar nem mesmo os quilômetros que dividem as vilas.
– OK Ino, para mim não interessa se você é capaz de aceitar ou entender. O fato é que você me pertence sim, vou levá-la comigo nem que seja dentro de um jarro de areia. Aliás, está doente? Vi você passando mal na festa, não a vi nesses dias e hoje estava no médico.
– Apenas mais um motivo para recusar a missão, é uma virose que contraí nesta minha última missão.
– Tenho minhas dúvidas...
– Ainda bem que você não é médico então né – Sorriu-lhe cínica.
– Mas a senhora Tsunade é né? Não sabia que ela fazia exames ginecológicos e indicava remédios para enjôos para viroses. Não vou permitir que você tenha meu filho longe de mim.
Ino arregalou os olhos completamente apavorada, aquele ANBU. Só podia ter sido aquele cara que invadiu sua consulta, devia estar escutando sua conversa para esperar o melhor momento para invadir a sala.
– Hahaha sério Gaara, você é tão patético que chega a ser engraçado às vezes. Devia abrir mão dessa cara azeda e esse coração egoísta pra fazer mais piadas assim. – E deu as costas para o ruivo, o lado bom da coisa é que estava em Konoha e não obedeceria as normas de ninguém de seu próprio líder. Mas mais uma vez a areia lhe impediu trancando a porta.
– Além de tudo ainda é covarde usando seus jutsus pra forçar suas vontades estapafúrdias. Primeiro, você já deveria supor que qualquer coisa que aconteça comigo Shikamaru sabe a quem recorrer e como recorrer. Você estará quebrando a aliança com Konoha e a amizade com Naruto. Segundo, se sabe que estou grávida sabe também que esse filho não é seu. E terceiro, eu não vou a lugar algum por sua vontade, se tiver alguma ordem ninja a cumprir ela vai ser dada pelo líder da minha vila e Tsunade vai impedir que eu seja obrigada a ir com você.
– É claro que este filho é meu, está de três meses Ino. O mesmo tempo que você colocou essa ideia louca de fim na cabeça.
– Para alguém que alcançou o posto de Kazekage você deveria ser mais inteligente Gaara ou pelo menos que soubesse de onde vem os bebes. Ou você acha o que? Que grãos de areia entraram por minhas roupas e se fundiram com minhas células? – Ia rir, mas o tapa estralado em sua face a fez cair no chão em frente ao ruivo. Assustada pelo ato fico o olhando com a mão espalmada sobre o local ferido.
– Não me interessa como você engravidou, se foi no período em que estávamos juntos o filho É MEU e você o terá dentro do meu perímetro e sob minhas ordens.
– Não é assim Gaara. Entenda que há alguém no mundo que serve para você e que vai amar você da forma como você deseja, mas não eu. Por favor, liberte-se disso tudo. Eu não traí você, apenas me apaixonei por outra pessoa...
Sem falar nada Gaara saiu da sala do Hokage em passos lentos.
– Não Ino, não. Você me ama, me ama tanto que não suporta ficar na minha ausência. Mas eu não vou mais deixar você meu amor. Vamos nos casar em Suna, Shikamaru e Temari serão nossos padrinhos e você poderá ir comigo em todos os eventos que eu tinha que deixar você sozinha para ir. Eu prometo que ninguém vai saber da existência desse bastardo em seu ventre, o daremos para uma boa família e aí sim você dará inicio a linhagem mais pura e linda da família Sabaku.
Ainda no chão Ino suspirou pesado passando as mãos pelo rosto, os olhos fechados permaneciam secos. Chorar e se desesperar não era uma opção. Ir contra Gaara apenas resultaria em um maior sofrimento ou ainda quem sabe em nível muito pior, sua morte. Não se discute com insanos, usa-se de inteligência para sair de suas teias complexas. E quando se falava em inteligência.
– OK Gaara, vou escoltá-lo até Suna com uma pequena condição. Shikamaru irá comigo. – Não precisava lhe dizer que não tinha a mínima intenção de ficar na vila com ele e muito menos abrir mão do filho que ela teria de Deidara. Tinha apenas que concordar por hora para poder sair daquela sala, já tinha experiência suficiente para saber que medir suas forças com o Suna não era uma boa ideia.
– Claro, claro que vai Tema-chan deve estar com saudades de seu noivo. Há tempos que Shikamaru não vai visitá-la. – Disse com um sorriso estampado no rosto, quase demente. Nem mesmo parecia a mesma pessoa que tinha lhe desferido aquele tapa ou aquelas grossas e insanas palavras.
Seria uma longa, muito longa missão. Ino temia cada vez mais seu destino e aquela ideia de ter seu filho longe dos olhos de todos parecia cada vez mais necessitada. Talvez não conseguisse avisar à Tsunade sua escolha e nem mesmo pelo o que estava passando. Com sorte contaria com Shikamaru, o moreno era excelente em desvendar seus segredos.
