O SEGREDO DOS ANJOS – PARTE II
REVELAÇÕES
Dama 9 e Hana-Lis
Nota:
Os personagens de Saint Seiya não nos pertencem, pertencem a Masami Kurumada, Toei Animation e empresas licenciadas.
Apenas Diana e Aisty são personagens criadas única e exclusivamente por nós para essa trilogia.
Este é um trabalho de fã para fã sem fins lucrativos.
Uma boa leitura a todos!
Dama 9, Hana-Lis e amigos incentivam a criatividade e liberdade de expressão, mas não gostamos de COPY CATS. Então, participe dessa causa. Ao ver alguma história ou qualquer outra coisa feita por fã, ser plagiada ou utilizada de forma indevida sem os devidos créditos, Denuncie!
Capitulo 11: Descobertas.
I – A Conversa.
Precisavam conversar. Talvez estivesse tão ou mais confuso que a amazona. Ainda podia sentir o sabor de seus lábios, os quais tanto ansiara beijar...
Aquele beijo fora algo único e que jamais se esqueceria, porém temia que para ela não tivesse significado o mesmo ainda que lhe tivesse correspondido, sabia e sentira isso, mas a cena posterior lhe deixara inseguro, a forma como Shura e a amazona se trataram...
Precisava saber o que de fato estava acontecendo entre Diana e o amigo, no entanto o acontecido de certa forma parecia tê-los afastado, criado uma barreira invisível e silenciosa que os impedia de se tratarem como os amigos que eram. Fazia alguns minutos que caminhavam pelo vilarejo e não haviam trocado uma palavra sequer desde a saída do cemitério, mesmo que muitas coisas devessem ser ditas.
Após uma longa e silenciosa caminhada por fim se sentaram em um banco abaixo de uma árvore, ainda era cedo, mas o sol grego ia alto e imponente no céu. Estavam confortáveis de baixo da sombra fresca da árvore a fitar o movimento das ruas como algo extremamente interessante até que, Aioros decidiu que já era hora de destronar o silêncio, senhor absoluto até aquele momento.
-O que foi aquilo ontem à noite? –ele indagou mantendo os olhos fixos no vai e vem de pessoas na rua.
A amazona sentiu o sangue enregelar. Isso era algo que também não sabia explicar. Gostava dele, mas... Não sabia porque havia lhe correspondido se...
Não pôde completar seus pensamentos, o que mais temia aconteceu. Viu os orbes verdes voltarem-se para si e se fixarem intensamente em sua face.
-Nós dois... Você e Shura, o que foi aquilo?
-Aioros eu; ela balbuciou confusa. Aquilo estava sendo mais constrangedor do que imaginara e não queria nem pensar em como estava sua face nesse momento. Baixou a cabeça, tentando desviar o olhar do dele. Quem sabe o ardor nas faces passaria mais rápido. Ledo engano...
-Eu gosto de você; Interpelou Aioros. –Mais do que isso...;
-Eu também gosto de você, mas...;
-Mas agora tem o Shura; Aioros respondeu cortando-a com evidente pesar. Sabia que estava acontecendo algo entre eles, mesmo que fingisse não acreditar.
-Eu...; começou a amazona por fim voltando a fitar o cavaleiro.
-Não reprima o que sente; Aioros falou, respirando fundo. –Se gosta dele, se permita viver isso; completou com um olhar triste.
-Aquele... Aquele idiota...; ela murmurou serrando os punhos, voltando os orbes para o chão.
-Não se esconda mais...; Aioros pediu levando a ponta dos dedos a face da amazona e fazendo-a fitar-lhe. –Já não precisa se esconder sob uma máscara, por quê cria essa barreira invisível à base de farpas para esconder o que sente? Nós mortais vivemos com a incerteza do dia de amanhã, nada nos é certo, porém temos o dom de sentir o que nem mesmo os deuses podem sentir;
-Entenda, Aioros eu...; Diana murmurou perdendo-se nos orbes verdes e suspirou tomando coragem. Tinha que lhe dizer isso, mesmo que lhe fosse difícil, difícil demais. –Gosto de você, gostei demais de você, não sabe nem mesmo o quanto. Quando parti há treze anos, deixei parte de mim com você... Me fechei, meu coração está fechado. Tornei-me uma amazona e não há espaço para mais nada aqui dentro; ela falou levando uma das mãos até a altura do coração. –Se as coisas tivessem sido diferentes, se a loucura de Apolo não tivesse caído sobre nós, eu...;
-Teríamos tido uma chance; Aioros completou com desalento. –Teríamos? Gostava? Você não percebe, tudo faz parte do passado agora... Você fala no passado e não é por causa da insanidade de Apolo que seus sentimentos mudaram. Talvez não perceba, ou não queria ver, que o seu coração não fechou e que está ocupado sim, mas por outra pessoa...; ele insistiu.
-Aioros, eu...; Balbuciou ao ver o cavaleiro se levantar. Não sabia o que dizer, os últimos meses haviam sido como um verdadeiro tufão em sua vida, não tinha certeza de mais nada, muito menos de seus sentimentos, no entanto o que menos queria era magoá-lo.
-Eu te amo...; Ele disse fitando-a intensamente como se estivesse memorizando aquele momento. Devia tê-lo dito há muito tempo e mesmo que isso não tivesse mais o mesmo significado de outrora, simplesmente não podia mais guardar isso dentro de si. –Mas não posso obrigá-la a sentir o mesmo por mim;
Dito isso o cavaleiro deu-lhe as costas e foi embora. Atônita diante da declaração a amazona não soube o que fazer ou dizer, apenas permaneceu ali sentada fitando o nada.
II – E os problemas não param...
Um fino sorriso formou-se em seus lábios, enquanto ouvia-o resmungar algumas coisas em russo que preferiu não pensar no significado.
Carregando uma infinidade de sacolas nas mãos, Kamus e Aisty atravessavam o templo de Touro, dirigindo-se para a próxima casa.
-Bem que o Mú poderia dar uma carona pra gente, né? - Aisty falou, parando um momento para respirar.
-Oh hora pra ele sumir; Kamus falou, exasperado. Preparando-se para continuar a subida.
-Ahn, mano; Aisty falou, fazendo-o parar.
-O que foi?
-Se importa de ir na frente, preciso fazer uma paradinha aqui; ela falou, apontando para o templo de Gêmeos.
-Aqui? –Kamus perguntou arqueando a sobrancelha com um sorriso maroto.
-Hei, não é o que esta pensando; Aisty se defendeu.
-E o que eu estaria pensando? –ele insistiu. Aisty serrou os orbes de maneira perigosa, vendo-o rir, sabia perfeitamente que Kamus não lhe daria sossego depois querendo saber exatamente o que ela fora fazer lá, mas já estava se acostumando. –Ta certo, nos vemos depois;
-...; Aisty assentiu, vendo-o começar a subir as escadas.
Voltou-se para o templo de Gêmeos, com uma caixa preta em mãos, um discreto laço vermelho fora colocado para fechá-la. Aproximou-se deparando-se com o corredor principal. Lembrou-se com um meio sorriso, de quando passara por ali no primeiro dia que estivera no santuário e engaiolara Saga.
-Aisty; Kanon falou, um pouco surpreso ao abrir a porta e deparar-se com ela pronta para bater na mesma.
-Oi Kanon; a amazona falou sorrindo.
O cavaleiro parou surpreso, estava tão acostumado vê-la seria, que vela sorrir daquela forma não era muito normal; ele pensou, balançando a cabeça levemente para os lados. Estava ficando paranóico, não era porque o irmão, que quase nunca sorria de maneira tão radiante, que quando o fazia era motivo para se preocupar, que com todos seria assim; ele pensou.
-Oi; ele respondeu.
-Ahn, eu precisava falar com o Saga, ele esta? –a jovem indagou hesitante.
-Esta sim, provavelmente esta no quarto dele. Alias, ainda me pergunto como ele consegue ficar tanto tempo trancado lá; o geminiano comentou. –De qualquer forma, entra ai, já to de saída, mas é só seguir pela sala passar pelo corredor e na terceira porta a esquerda é o quarto dele.
-Mas...; ela falou, contestar, porém ele a cortou.
-O Saga já deve estar acordado, dificilmente dorme até tarde, vai lá; Kanon falou, afastando-se e lhe dando passagem. -Até mais; ele falou acenando e sumindo pelo corredor.
Aisty engoliu em seco, talvez não tivesse sido uma boa idéia ir ali, mas já que estava. Não iria demorar de mais, então.
-o-o-o-o-
Remexeu-se incomodado na cama, sentindo a cabeça latejar. Bebera de mais; ele concluiu, abrindo os olhos, lançou um olhar para o criado-mudo ao lado da cama, notando que o relógio marcava meio-dia;
-Nossa; Saga murmurou, espreguiçando-se ainda sonolento quando ouviu algumas batidas na porta. –"Droga, bem que o Kanon poderia ter me chamado mais cedo"; ele pensou, levantando-se.
Parou ouvindo uma espécie de ronronado atrás de si. Engoliu em seco, ao virar-se. Deparou-se com uma garota, deitada de bruços na cama, enrolada em um lençol, os longos e cacheados cabelos vermelhos espalhavam-se pelo tecido branco. Arregalou os olhos, ao lembrar-se muito vagamente do que acontecera na danceteria.
Enrolou-se rapidamente no lençol, pronto pra mandar o irmão pra outra dimensão por deixá-lo cometer aquela besteira que mal notou que o cosmo de quem estava do outro lado não era o irmão e que estranhamente ainda estava vestido da cintura pra baixo.
-Kanon seu-...; Ele parou ao abrir a porta e deparar-se com a amazona de melenas vermelhas ali. -Aisty?
-Ahn! Bom dia; Aisty falou, desviando o olhar, com a face levemente rosada ao deparar-se com ele naquela situação.
-O que esta fazendo aqui? –Saga indagou surpreso. será que ainda estava sob efeito das doses de uísque que ingerira na noite anterior, para ressaca ser tão forte que beirava a alucinação?
-Ele disse que você já estava acordado e que eu poderia entrar; ela se justificou.
-Saga; ambos ouviram uma voz feminina chamar pelo cavaleiro vinda de dentro do quarto.
Aisty voltou-se para ele lívida. Saga tentou explicar, entretanto palavra alguma saiu de seus lábios, nem que tentasse teria uma resposta lógica para o que acontecera.
-Ahn, você parece ocupado, é melhor voltar outra hora; Aisty falou, querendo sair o mais rápido possível dali.
-Aisty, nã-...; Ela o cortou, entregando-lhe a caixa, ou melhor, praticamente jogando em seus braços a caixa da camisa.
-Espero que sirva. Não sei se você e meu irmão usam o mesmo número, mas se quiser pode trocar depois, o cartão da loja esta ai dentro; Aisty falou, afastando-se em seguida, sem olhar pra trás.
O cavaleiro segurou a caixa, ainda sem entender como as coisas poderiam estar dando tão errado para si de uma hora pra outra. E que irmão ela estava se referindo?
-Aisty; Saga chamou, saindo correndo atrás dela, mas quando chegou na porta do templo estancou, lembrando-se que tinha apenas um lençol em torno da cintura.
Exasperou, voltou para o quarto amaldiçoando a sorte e todas as divindades envolvidas com a tapeçaria do destino.
III – Sempre existe uma segunda chance...
O movimento das ruas continuava incessantemente, como a vida que independente dos sentimentos das pessoas, seguia em frente sempre.
Estava aliviado por finalmente ter dito o que sentia, porém um incomodo aperto no peito estava lhe deixando inquieto. A havia perdido. Saber que seu coração um dia havia lhe pertencido, lhe deixava frustrado por simplesmente não ter sido capaz de manter esse sentimento vivo. Por que não fora atrás dela quando partira? Por que não lutara pelo que sentia?
Por que simplesmente não lhe dissera o que sentia? – ele pensou, erguendo os orbes para o céu, como se alguém lá em cima pudesse lhe responder.
Era um cavaleiro. A resposta fora dada pela própria amazona. Como cavaleiro, tinha suas obrigações, deveres dos quais não podia se ausentar, mas... Que vida era essa onde tudo se resumia em lutar contra algum Deus insano, que desejava impor a sua supremacia sobre os homens? Pelo que lutavam afinal?
Pelo bem da humanidade, pelo bem estar daqueles que não podiam contra a força absoluta dos Deuses, mas que podiam sentir o que os soberanos jamais puderam sentir...
Lutavam por algo que lhes fora privado de sentir ao tornarem-se amazona e cavaleiro. Lutariam até que por fim sucumbissem a maldade daqueles que invejavam o dom que tinham de matar e morrer se fosse preciso por alguém que se amava. O amor dos homens pelos seus semelhantes era algo que os Deuses jamais entenderiam como os imortais que eram.
Aquilo não era justo... Jamais contestara o seu dever como cavaleiro, mas em seu intimo, como todo e qualquer mortal, desejava sim ter uma vida normal. Poder se dedicar a alguém em especial, amar e ser amado. Quem sabe se casar, ter filhos, porém enquanto houvesse maldade e inveja daqueles que se diziam senhores de tudo e de todos, poucos teriam essa chance...
Chance? Shura estava tendo essa chance e a estava desperdiçando...; Serrou os punhos. Se ousasse ferir seu coração, seus sentimentos, definitivamente não pensaria duas vezes em mandá-lo para o Tártaro. Estava tendo a oportunidade de ser amado por alguém, alguém especial e estava jogando fora o sentimento que lhe era devotado. Daria tudo para estar em seu lugar...; ele pensou em desalento, enquanto andava a esmo pelas ruas.
Imerso em pensamentos, mal notou que ao virar a rua, uma jovem vinha igualmente distraída na mesma direção. O choque entre os dois foi eminente, fazendo ambos irem ao chão ao mesmo tempo.
-AIIII...; os dois gritaram ao sofrerem o impacto de seus corpos um contra o outro e logo em seguida, com o piso de concreto.
Feirantes, fregueses, todos eles pararam seus afazeres diante da cena que se seguia em plena feira livre. Aioros piscou confuso, a luz do sol ofuscava-lhe a visão. Massageou o ombro dolorido e ia se levantar quando uma voz feminina lhe chamou a atenção.
-Me perdoe, Senhor...; Disse a jovem sem ao menos se voltar para cima enquanto desajeitadamente colocava de volta na cesta as muitas frutas que havia comprado na feira. –Me perdoe, eu não vi o Senhor estava distraída e... Perdão.
Ainda sentada no chão a jovem por fim voltou os orbes para cima, enquanto o cavaleiro punha-se de pé. Os cabelos loiros e encaracolados que lhe caiam até a cintura estavam presos por uma delicada fita de seda. Vestia um vestido simples como o que os habitantes do vilarejo costumavam vestir, mas o que chamou a atenção do cavaleiro foram os grandes orbes azuis, azuis como o céu. Havia algo de diferente neles, ou talvez lhe recordassem algo, não sabia ao certo.
-Perdão Senhorita; Disse Aioros estendendo a mão com o intuito de ajudar a jovem a se levantar. –Sou eu que lhe peço perdão, me desculpe. Machuquei você?
-Não Senhor; Ela respondeu timidamente. –Como lhe falei estava distraída e... ZEUS; Exasperou a jovem apontando para o cavaleiro que arqueou a sobrancelha sem entender. –Sua camisa...
-O que tem minha camisa?; Aioros indagou confuso e seguindo a direção apontada pela jovem viu uma mancha azulada, meio rocha no lado esquerdo do corpo. –Ah não foi nada e...; Ele começou, balançando as mãos de forma displicente, mas não pôde completar a frase.
-Como nada? Isso é açaí vai acabar com a sua camisa se não for limpo logo; Disse a jovem ainda analisando a mancha. –Todos os dias tenho que comprar para meu irmão, devido aos treinos que lhe são exaustivos e...;
-Treinos?; Indagou Aioros observando a jovem pegar a cesta no chão.
-Sim; Ela respondeu se voltando para ele. –Meu irmão treina todos os dias no Santuário de Athena, é aspirante a cavaleiro de prata, mas não me pergunte a qual armadura ele concorre, porque definitivamente eu não sei. Na verdade nem sei se é verdade tudo o que dizem sobre os tais cavaleiros, nunca vi um de perto e acho meio exagerada aquela história da abrirem uma fenda no chão com um só golpe e blá blá blá...
Aioros riu. Era a primeira vez que encontrava com alguém que ao invés de temer de forma exagerada os cavaleiros de Athena ou idolatrá-los como Deuses, simplesmente achava que eram um conto de fadas, ou melhor, uma fraude.
-Ah me desculpa; Ela disse sem jeito ao ver que o cavaleiro nada dizia apenas a fitava com um sorriso nos lábios. –Estou falando demais não é? Meu irmão vive dizendo que falo mais que... Perdão Senhor me desculpe pelo infortúnio, deve ter coisas importantes a fazer e estou lhe tomando o tempo. Não é daqui é? Nunca havia lhe visto antes...
-Sou sim, mas digamos que estive longe por um bom tempo.; Aioros respondeu de maneira enigmática.
-Ah... Bem, mas como posso remediar a besteira que acabei de fazer?; Ela indagou sem jeito ainda se referindo a camisa manchada.
-Bom, primeiro pare de me chamar de Senhor; Aioros sorriu divertido. –Como dizem, Senhor só o todo poderoso Zeus lá no céu...;
-Está certo como quiser e... Já sei; Ela exclamou com tamanha empolgação que mais uma vez o assustou. –Venha comigo; ela disse sem cerimônia alguma pegando a mão do cavaleiro e o puxando.
-Pra onde?; Aioros indagou confuso sendo arrastado pela jovem. Olhou ao redor e as pessoas ainda os fitavam com olhares curiosos.
-Pra minha casa; a jovem respondeu com simplicidade. –Eu lavo sua camisa e tiro essa mancha horrível, é o meu pedido de desculpas; Ela sorriu e momentaneamente Aioros perdeu-se na doçura de seu sorriso.
-O que? Mas, não precisa e...; Balbuciou vendo olhar reprovador da jovem sobre si. –Esta certo, mas me deixe carregar essa cesta que deve estar pesada, afinal também lhe devo desculpas; Ele sorriu.
-Mas, não precisa e...; Foi à vez da jovem recuar diante do olhar reprovador do cavaleiro. –Tudo bem, mas vamos logo porque se essa mancha secar não vai adiantar nada. Minha casa fica perto, num instante chegaremos lá; Ela sorriu nem por um minuto se importando com os olhares curiosos sobre si enquanto literalmente arrastava o cavaleiro.
IV – Somente ela...
Aisty saiu em disparada do templo, cruzou com dois cavaleiros, mas simplesmente não parou para cumprimentá-los ou para prestar a atenção em quem eles eram.
-Aquela não é a Aisty? –Shura comentou.
-Estranho, agora de pouco ela tava lá em casa; Kanon comentou, confuso.
-Como? – o cavaleiro indagou surpreso.
-Ela foi lá falar com o Saga, estranho; ele comentou.
-Pelo visto seu irmão deve ter algum karma com ruivas; Shura comentou olhando para a frente, enquanto continuavam a descer as escadarias de câncer.
-O que? –Kanon perguntou, mas viu-o apontar para a entrada do templo de Gêmeos.
-QUER SABER, PRA MIM JÁ CHEGA. NÃO AGUENTO MAIS VOCÊ FALANDO NESSA GAROTA; Layla berrou, saindo do templo cuspindo fogo e trazendo as sandálias na mão.
-Nossa; os dois cavaleiros murmuraram ao ver a ruiva sair bufando do templo.
Eles apenas ouviram alguém bater a porta com força e ela torceu o nariz, começando a descer as escadarias rumo a saída
-o-o-o-o-
-Droga. Droga. Droga; Saga murmurou, praticamente batendo a cabeça na parede.
Sobre a cômoda, estava a caixa da camisa aberta. Aproximou-se dela, observando atentamente a peça.
-Maldiçao! - ele praguejou, sentando-se na beira da cama, com as mãos sobre o rosto. Tentando colocar os pensamentos em ordem.
-Nossa, passou um furacão por aqui; Kanon comentou, entrando com Shura no templo, notando que alguns vasos estavam quebrados sobre o chão, como se houvessem sido arremessados contra alguém.
-Acho que não é só um karma. É um karma ruim, como diria o Shaka; Shura comentou, espantado com o tamanho da bagunça no templo.
Encontraram a porta do quarto de Saga aberta e o cavaleiro lá dentro. Numa situação deplorável; ambos concluíram.
-Saga; Kanon chamou com cautela.
-Vão embora; ele falou pausadamente, sentindo a cabeça latejar ainda mais, sentindo os primeiros indícios da ressaca atrasada.
-Ahn, pelo visto a Aisty já te contou; o geminiano comentou, pensando que a amazona fora ali para contar a ele sobre ela e Kamus serem irmãos.
-O que? –Saga perguntou erguendo a cabeça rapidamente.
-Ela e Kamus; Shura falou, vendo-o fechar a cara. –São irmãos; ele completou.
Sentiu o chão abrir-se a seus pés. A palavra 'IRMÃOS' ecoava de forma terrível em sua mente, passara a noite toda achando que os dois estariam juntos, como um belo casal apaixonado e eles eram irmãos.
-Saga você ta bem? –Kanon perguntou, ao vê-lo tão branco quanto papel.
-Não. Definitivamente não; o geminiano respondeu, passando os dedos pelos cabelos. –Acabei de ouvir o Shura dizer que o Kamus e a Aisty são irmãos... Isso deve ser alguma alucinação, ou aquele uísque estava batizado; ele completou com um sorriso descrente.
-Mas ele disse; Kanon falou, sem entender o porque daquela reação do irmão.
-O que? Vocês não tão brincando? –Saga perguntou, voltando-se para os dois, que apenas assentiram. –MALDIÇÃO! – o cavaleiro berrou, deixando-se cair na cama.
V – Flor Silvestre.
Estava sentado em uma poltrona rústica na pequena sala de uma das muitas casas simples existentes no vilarejo. Correu os olhos pelo cômodo simples, mas rico em detalhes em cada canto. A jovem conversava consigo mesmo à distância, enquanto na cozinha que era no cômodo ao lado tratava de guardar as frutas que havia comprado.
-É você quem faz essas peças?; Indagou Aiolos se referindo aos vasos, caixas e bibelôs feitos de papel reciclado, porém com um acabamento perfeito.
-Sim; Disse a jovem aproximando-se da poltrona onde estava sentado. –Faço essas peças e uma tia as vende na feira de artesanato do vilarejo. Se pudesse faria um curso de artes plásticas, para quem sabe me aperfeiçoar e... Bem, tudo o que é ligado à arte me interessa; ela explicou, sorrindo e mais uma vez viu-se perdido no sorriso da jovem até que despertou com a voz da mesma.
-Tire a camisa;
-O que? - Indagou confuso.
-Tire a camisa para eu poder lavá-la; Acácia respondeu com simplicidade estendendo uma outra camisa meio surrada para ele vestir temporariamente. –É do meu irmão, mas acho que...; a jovem ponderou analisando o porte do cavaleiro. –Bem, talvez não sirva, mas...
-É, acho que vai ficar um pouco pequena; Sorriu Aioros enquanto retirava a própria camisa.
-É... Pequena, muito pequena; Acácia murmurou e não pôde conter o rumo de seus olhos que caíram sobre o ventre bem talhado e musculoso do cavaleiro que aos poucos se revelava.
Mirou por mais alguns instantes o tórax bronzeado do mesmo até sentir seus olhos sobre si. Corou desviando o olhar.
-É... Bem, num instante eu lavo e tiro essa mancha você vai ver; sorriu sem jeito e ia se afastar quando o sentiu segurar-lhe pelo braço.
-Me desculpe, mas... Acho que você não me disse seu nome; Aioros a lembrou.
-Acácia; a jovem respondeu com um sorriso hesitante, estremecendo levemente com o calor intenso emanado pelo cavaleiro, que parecia envolvê-la numa onda entorpecente.
-Aioros... Muito prazer; ele respondeu sorrindo e no mesmo instante ouviram uma voz arrastada e infantil chegar-lhes aos ouvidos depois de quase arrancar a porta ao abri-la e fechá-la com brusquidão.
-Ai, que você não concentra o seu cosmo... Ah você nunca será um cavaleiro e muito menos de prata se não aprender a se concentrar... Aff to cheio daquela... Aquele idiota esta me enlouquecendo, isso se é que posso chamar aquele ente duvidoso de...Acácia, cadê você?
-Demetrius; a jovem falou diante do irmão que lhe fitava com uma expressão estranha, diria que desconfiada. –Já voltou do treino?
-Já, mas...; ele balbuciou, lançando um olhar desconfiado a Aioros.
-Aioros, prazer em conhecê-lo; o sagitariano adiantou-se lhe estendendo a mão em cumprimento, diante do olhar intrigado do garoto. –Sua irmã e eu nos conhecemos na vila e...;
-Eu o sujei; A garota interrompeu passando a frente do cavaleiro. –Você sabe como sou distraída e... Bem, me ofereci pra lavar a camisa;
-Ah; disse o garoto franzino de cabelos castanhos, com uma ponta de desconfiança na voz. –Mas... Espera. Você disse Aioros? Aioros de Sagitário? – ele indagou de repente e diante da afirmativa do cavaleiro e do olhar de surpresa da irmã continuou. –Aquele assassino traidor de treze anos atrás que tentou matar o bebê Athena?
-DEMETRIUS; Exasperou Acácia.
-Calma, não terminei. Quero dizer, dito como traidor, mas que na real salvou o bebê Athena em troca de sua própria vida. Ah, mas que reviveu após Hades graças à benevolência de nossa Deusa Athena, caso contrário não estaria aqui na minha sala. Vamos sente-se é uma honra ter um herói em minha casa; disse o garoto empurrando o cavaleiro de encontro à poltrona.
-Eu vou lavar a sua camisa; Acácia falou saindo da sala com a cabeça dando voltas e pedindo aos céus que Demetrius não lhe matasse de vergonha.
-Espera; Disse Aioros fazendo menção de se levantar, mas Demetrius o deteve.
-Me diz uma coisa, seu irmão ainda banca o rebelde sem causa? Nossa me disseram que quando ele tinha a minha idade era o terror do Santuário... Disseram também que ele era assim por ser irmão do traidor e até pintava o cabelo pra não se parecer com você, mas... Na real, eu acho que ele ficou assim por perder um mestre como o senhor, excelente, diga-se de passagem, porque sei que foi o mestre dele e bem, ninguém merece ter um mestre como o meu; finalizou o garoto num fôlego só, com um olhar desolado, após despejar tudo que tinha pra dizer.
-Mestre? - Aioros indagou confuso. Era muita informação ao mesmo tempo. –Ah sim, e qual é o seu mestre?
-A Biba de Prata...;
-Que?
-O Misty, aquele que anda de lycra rosa e todo cheio de frescura. Até maquiagem aquilo usa... Eca; O garoto pôs o indicador na boca num gesto enojado.
-Ah; Aioros sorriu divertido. –O Misty é seu mestre. De fato ele é, diria que, um pouco excêntrico, mas é um bom cavaleiro e conseqüentemente um bom mestre, tenho certeza.
-É, diz isso porque não é você quem tem que agüentar os chiliques da... Daquele cara. Olha, preferia ter qualquer um como mestre, ou melhor, qualquer uma se é que me entende...; O garoto sorriu maroto. –Dizem que amazonas são o cão como mestras, mas eu bem que gostaria de ter uma mestra de verdade e bonita de preferência...;
-Uma mestra como a Shina? Talvez não fosse uma boa idéia, acredite; Aioros sorriu se divertindo com os comentários do garoto, que usava de extrema transparência, por assim dizer.
-É... Dizem que a Shina é uma verdadeira cobra, mas duvido muito que ela possa ser pior que aquela mulher infernal...;
-Que mulher?; Indagou Aioros diante do ar pensativo do garoto.
-Aquela amazona nova... Acho que é francesa, pelo menos é o que dizem, porém fala grego com perfeição.
-Diana?; Indagou Aioros.
-Não sei o nome dela, só sei que é pior que o Imperador do Submundo... Acredita que a convidei pra dançar e ela faltou me mandar para o Tártaro?
-A convidou pra dançar? - Aioros sorriu imaginando o tamanho fora que o garoto devia ter levado. Só de imaginar o olhar retalhador da amazona sentiu pena do menino.
-Para você ver, ontem na Taverna das Bacantes. Mas ela só pode ser maluca e mais maluco ainda é o senhor Shura;
-Shura? – Aioros indagou arqueou a sobrancelha.
-Sim, o Cavaleiro de Capricórnio, aquele que foi incumbido de assassinar o senhor há trezes anos e...; Começou o garoto como se Aioros não soubesse desse fato. –Bem, ele sim é doido pra ficar de enrosco com aquela mulher. Sabe, aqueles dois estavam literalmente se pegando e...
-O que? – Aioros falou balançou a cabeça. Sentia o sangue começar a ferver diante das palavras do garoto, porém se conteve. Talvez tivesse interpretado mal.
-É, se pegando; Demetrius afirmou sem ao menos perceber a mudança de humor do cavaleiro. –Sabe, passei por aquela sacada por mero acaso e nossa, acabei flagrando uma cena diria que proibida para menores. Sorte que já tenho dezoito; ele sorriu travesso. –Pensei que eles fossem... Espera! Aonde... Vai?
O garoto piscou confuso. O cavaleiro havia se levantado de súbito e saído sem cerimônia da casa, fechando a porta com brusquidão.
-O que deu nele? - indagou-se confuso esfregando o alto da cabeça.
-Demetrius? – Acácia chamou, surgindo na sala ao ouvir o som da porta se fechar. –Onde está o Aioros?
-Sei lá, cara estranho. Tava aqui no maior papo, um papo interessantíssimo por sinal e ele do nada saiu sumiu daqui; o garoto falou dando de ombros.
-Provavelmente você deve ter falado alguma besteira, só pode; Disse Acácia com um olhar reprovador.
-Claro que não; Exasperou o garoto. –Só estava contando pra ele, sobre aquela ceninha da taverna, lembra que te contei? Então, mas ele nem me deixou chegar na melhor parte... Quando aquela mulher infernal literalmente aleijava o... AI; gritou o garoto levando a mão ao alto da cabeça.
-Sabia que tinha falado besteira, Senhor Demetrius; Exasperou Acácia após dar um tapa na cabeça do irmão. –Aprenda a controlar essa língua daqui pra frente e... Bem, deixa eu voltar a lavar a camisa dele pra ver se consigo tirar aquela mancha, depois você irá entregar pra ele e...; Ela ponderou ao entrar no corredor. –Detalhe, se eu não conseguir tirar a mancha você vai ter que dar uma nova pra ele.
-Ahhhh...
-Sem "ah", será o nosso pedido de desculpas; Sentenciou a jovem sumindo de vista.
Continua...
