Capitulo 11º
Perfeita
Mexeu-se ligeiramente nos braços dele, aproximando-se mais do corpo quente do homem que a abraçava.
As carícias que ele fazia no seu ventre cessaram e então ela soube que ele dormia. Mas ela não conseguia adormecer.
10 semanas! 10 semanas para cumprir uma missão que eu sei não ser capaz de cumprir… Não agora, tornou-se tudo demasiado pessoal… E se eu não conseguir? E se ao fim destas 10 semanas que me faltam eu não conseguir fazer o que o Jonathan me pediu?
Mexeu-se novamente, os braços dele aligeiraram o aperto. Decidiu levantar-se, não fazia nada ali. Saiu cuidadosamente do quarto, não o queria acordar, e caminhou até à cozinha.
O luar entrava pela janela, iluminando todo o espaço.
Água, é disso que eu preciso! Água!
Pegou um copo e encheu-o com água, mas antes que tivesse tempo para o levar aos lábios sentiu umas mãos nos seus ombros.
"-O que se passa?"
"-Nada…"
"-Então porque não estás a dormir? Para uma pessoa normal três da manhã são horas de dormir."
"-Estou sem sono." – Respondeu sentindo o seu corpo a amolecer sob o toque dele nos seus ombros.
"-Pareces preocupada." – Disse voltando-a para si – "Trabalho?"
"-É…Um trabalho que eu não quero terminar…" – Sussurrou encostando a cabeça no ombro dele.
"-É a minha biografia? Porque se fo…?"
"-Não é a tua biografia. É outra coisa…"
"-O que é então?"
Oh! Nada de mais! Apenas me mandaram assassinar um Malfoy! Coisa fácil, não é? Agora fica sossegadinho enquanto eu acabo o trabalho!
"-Nada de especial… Querem que eu escreva um artigo sobre um assunto qualquer…"
"-Pareces preocupada de mais para não ser nada de especial…."
"-Esquece, isto passa-me…"
"-Espero que sim." – Pegou-lhe na mão e puxou-a levemente –"É melhor voltar-mos para o quarto. Estás com cara de quem precisa de dormir."
"-Que fazes?" – Perguntou ao vê-lo vestir as calças.
"-O que te parece ruiva?" – Perguntou ao alcançar a camisa em cima da cama.
"-Fica mais um pouco."
"-É suposto ir trabalhar cedo de manhã."
"-Fica só até eu adormecer." – Pediu.
"-Até adormeceres? És a primeira a pedir-me isso." – Disse com um sorriso.
Voltou a colocar a camisa em cima da cama e deitou-se ao lado dela.
"-Obrigada…" – Sussurrou ao ser abraçada por ele. Prendeu uma das mãos do loiro entre as suas e antes que se desse conta mergulhou num sono profundo.
"-De nada" – Sussurrou beijando-lhe a face adormecida.
Mexeu-se levemente estranhando a ausência de algo. Esticando o braço ao longo da cama percebeu que estava sozinha.
Abriu os olhos tentando ver na semi-escuridão. Sorriu ao identificar nas sombras um bilhete e uma flor sobre a almofada a seu lado.
Juntou a túlipa negra às outras por ele oferecidas no vaso sobre a sua mesinha de cabeceira e desdobrou o pequeno pedaço de pergaminho.
"Para quem não conseguia adormecer tamanha a preocupação a menina saiu-me bem dorminhoca. Já passava das oito da manhã quando eu saí e nem sinais de acordar.
Toma a liberdade de interromper esta Segunda-feira chata e cheia de reuniões a que horas te apetecer. Já sabes onde fica o meu escritório."
Sorriu ao terminar de ler o bilhete dele, talvez o interrompesse mesmo.
"-Isabell, eu preciso de lhe pedir um favor."
"-Se eu puder ajudar."
"-Queria pedir para que não deixasse ninguém entrar no escritório do Draco enquanto eu cá estiver."
"-Mas o Sr. Malfoy espera uma pessoa."
"-Se for aquela rapariga Weasley, não a faça esperar. Por ela podemos ser interrompidos."
"-Mas…" – Começou confusa.
"-Faça apenas isso. Não deixe entrar ninguém a não ser a Weasley."
"-Como desejar."
"-O Draco está?" – Perguntou a Isabell que a encarava de modo estranho.
"-Sim… Sim, ele está no escritório."
"-Há algum problema Isabell?"
"-Não, nenhum problema. È preciso acompanha-la?"
"-Não obrigada, eu sei o caminho."
O escritório de Draco não estava longe. Conseguia até imagina-lo, embrenhado no trabalho, com dezenas de pergaminhos a encher a secretária. Abriu a porta do escritório devagar.
Não se enganara, ele realmente estava embrenhado, mas não no trabalho como supusera. Teve vontade de entrar no escritório e gritar bem alto para ele parar de beijar aquela megera, mas não o fez. Apenas olhou chocada para a cena que se passava bem na frente dos seus olhos. Vê-lo agarrado a Michelle causou-lhe mais efeitos do que esperava, o seu estômago ficou embrulhado, a sua garganta parecia estar completamente enrolada em si mesma as palmas das suas mãos suavam em abundância. Desistiu, não aguentaria aquela cena por muito mais tempo. Cuidadosamente fechou a porta e caminhou por onde tinha vindo.
"-Entre" – Ordenou sem sequer levantar os olhos do pergaminho.
"-Boa tarde Draco" – Disse uma mulher mas ao contrário do que esperava não se tratava de Ginny.
"-O que fazes aqui Michelle?" – Perguntou irritado. Esperava a ruiva, não ela.
"-Para quê tanta hostilidade Draco? Já te esqueceste dos nossos bons momentos?"
"-Infelizmente não… Continuo a ter pesadelos contigo."
"-Tão espirituoso que ele está hoje."
"-Faz-me um favor e saí da sala. Eu, ao contrário de ti tenho vida."
"-O que é isso Draco, não tens tempo para a tua noiva? É uma vergonha."
"-Tu nãos és minha noiva!" – Sibilou irritado levantando-se do cadeirão que ocupava.
"-Pois não é isso que eu e o teu pai pensamos."
"-Se o meu pai gosta tanto de ti ele que se case contigo e que faça bom proveito."
"-Não precisas ser assim Draco. Afinal vamos casar dentro de uns meses."
"-O que te leva a pensar isso?"
A mulher estava agora sentada sobre a sua secretária, o curto vestido revelando mais do que as regras de moral e bons costumes aconselharia, e ele olhava-a de frente, sem nunca desviar os olhos dos dela.
"-Não sei… Talvez os papeis que o teu pai providenciou?" – Disso com um sorriso cínico tirando da pequena bolsa um rolo de pergaminho.
"-E que papeis são esses? Pergunto eu."
"-São aqueles que dizem que daqui a dois meses eu e tu vamos juntar fortunas, quer queiras quer não, e para isso basta apenas uma assinatura do teu pai.
"-Isso é de doidos!"
"-De doidos não é o que aqui está escrito." – Comentou casualmente desenrolando o pergaminho.
Draco tentou alcançar o pergaminho mas ela foi mais rápida escondendo-o atrás das costas.
"-Vais mostrar-me isso já!" –Ordenou aproximando-se dela.
"-Vou?"
"-Não me desafies. Deixa-me ler o que aí está!"
"-Vais obrigar-me?"
"-Se tiver que ser."
"-Estou à espera."
Irritado aproximou-se mais dela e retirou-lhe o pergaminho das mãos mas antes que pudesse ler o conteúdo do mesmo foi puxado. Não demorou muito para sentir os lábios de Michelle a forçarem-se sobre os seus tentando ser correspondidos.
"-Não voltes a fazer isso." – Bramiu irritado afastando-se dela.
Desenrolou o pergaminho e passou os olhos sobre o fino papel.
"-Qual o significado disto?" – Perguntou abanando o pedaço de papel completamente em branco – "O que ganhas com isto?"
"-Muito mais do que possas imaginar…" – Respondeu antes de sair da sala com um sorriso falso nos lábios.
"-Ele não estava no escritório?" – Perguntou Isabell sem entender a situação.
"-Estava mas parecia um pouco ocupado. Tinha visitas."
"-Quer que o avise que aqui esteve?"
"-Não, não vale a pena…" – Respondeu distante.
"-Está tudo bem?"
"-Está sim Isabell, obrigada por tudo."
Aparatou no seu apartamento, e nem pensou duas vezes em atirar-se para o sofá.
Idiota! Envolveres-te com um cretino que te trocou por outra na primeira oportunidade. E aquela vagabunda! Será que não se enxerga! Depois do show que deu no baile ainda se vai atirar nos braços dele! E o otário nem pensa duas vezes em beijar a idiota! Michelle! Que raio de nome é esse afinal? E que raio de reunião era aquela afinal? Sim porque ele disse que passaria toda a tarde em reuniões. Bela reunião!
Inspirou fundo, estava nervosa de mais para ter pensamentos coerentes.
Isto não passa de frustração… Nada mais que isso, afinal isto atrasa os meus planos para executar a missão…. Nem sei para quê tanta ralação, ele não me é nada, nunca me prometeu nada… Mas é só frustração, nada de ciúmes, nada de dor-de-cotovelo, apenas frustração…
"-Oi ruiva!"
Saltou do sofá ao ouvir a voz algures atrás de si. Voltou-se e lá estava ele, sorridente.
"-Oi Joshua."
"-Então princesa, que cara é essa?"
"-Nada de mais…"
"-É a missão?"
"-Não quero falar disso…"
"-E o que é que tu queres?"
"-Um abraço. Importas-te?"
"-Ora, e isso é lá pergunta que se faça?" – Saltou por cima do sofá e sentando-se ao lado dela com um enorme sorriso abraçou-a com força.
"-Obrigada. Era o que mais precisava agora." – Murmurou com a cabeça enterrada no ombro dela.
"-Tens a certeza que não queres falar sobre o que aconteceu? Conheço-te bem de mais para saber que não estás bem."
"-A sério, está tudo bem."
"-Há algo mais que possa fazer por ti?" – Perguntou afastando-se o suficiente para a encarar.
"-Beija-me."
"-Hã?"
"-É simples. Beija-me."
"-Gin…"
Mas ela não o deixou terminar a frase. Agarrou a face dele, uma mão de cada lado, e puxou-o para um beijo arrebatador.
"-Gin… Pensava que tinhas dito que éramos só amigos." – Disse ofegante separando-se da ruiva.
"-O que importa o que eu disse?"
Voltou a beijá-lo. Não pensava no que fazia, beijar Joshua era a forma perfeita descarregar a sua frustração.
"-Já que não somos só amigos eu posso beijar-te aqui…" – Sussurrou afastando a camisa dela beijando o ombro descoberto dela.
Tremeu com o toque delicado dele, sabendo que aquilo era errado.
"-E posso também beijar-te aqui…" – Continuou espalhando beijos delicados no pescoço alvo dela.
Suspirou, os beijos dele estavam a envolve-la mais do que esperava nas por qualquer razão isso não lhe parecia errado, por enquanto.
"-E de certo que também te posso beijar aqui…" – Murmurou beijando ao de leve os lábios dela.
Beijava-o com intensidade, não queria ter de quebrar aquele contacto tão reconfortante. As suas mãos embrenhavam-se no cabelo do rapaz, as suas pernas envolviam-se lentamente nas dele.
É loucura! Não posso continuar!
Mas ainda assim não foi capaz de impedir o rapaz de abrir os primeiros botões da sua camisa.
"-Eu não posso fazer isso…"
"-Joshua continua, por favor." – Pediu.
Estava magoada, muito magoada com Draco e queria fazer algo, algo que a fizesse sentir melhor, queria pagar na mesma moeda. Talvez aquela não fosse a forma mais correcta mas era a única que se lembrava.
"-Eu não vou continuar Gin." – Disse apertando os botões que tinha desabotoado anteriormente – "Não vou continuar algo que não devia sequer ter começado."
"-O que um não quer dois não fazem. Tu queres isto! Eu quero isto!"
"-Não, não queres! E seria ingenuidade minha acreditar que sim. Eu sei que me vês só como um amigo, tens tornado isso bem claro desde que nos conhecemos, e eu tenciono esperar até que mudes de ideias. Pode demorar semanas, meses ou até anos, mas vou esperar até que tu tenhas certeza."
"-Eu tenho certeza!"
"-Tu estás magoada, vejo-o nos teus olhos. Não sei porquê nem por quem mas tenho a certeza que não é disto que precisas."
"-Joshua…."
"-Gin, pensa bem. Vais sair magoada disto tudo se insistires em continuar."
Abraçou-o com força, deixando as lágrimas recém formadas molhar a camisa dele. Tinha sido tão injusta, não o devia ter tentado usar daquela forma. E apesar de tudo, apesar de saber que estava a ser enganado ele continuava a pô-la em primeiro lugar, a pensar nela acima de tudo.
"-Vai ficar tudo bem princesa…" – Sussurrou afagando os cabelos dela.
"-Eu sou tão estúpida…"
"-Hei! Erraste, apenas isso, todos erramos."
"-Eu ia usar-te…"
"-Podes usar-me sempre que quiseres." – Gracejou tentando fazer com que a ruiva parasse de chorar –" Só quero que antes tenhas a certeza do que estás a fazer."
"-Eu ia estragar tudo… Eu estraguei tudo."
"-Não estragaste nada."
"-Deves odiar-me!"
"-Caro que não! Nunca ruiva!"
"-Meti a pata na poça, não foi?"
"-Acontece…" – Respondeu limpando as lágrimas do rosto dela.
"-Eu só faço coisas erradas desde que me lembro…"
"-Tu és perfeita ruiva. Só um cego não veria isso."
"-Não estás mesmo chateado comigo?"
"-Não. E para te provar isso o que me dizes de um jantar?"
"-Eu não tenho vontade…"
"-Não vais ficar trancada aqui a chorar-te, vais?"
"-É uma hipótese…"
"-Não sejas parva. Fazemos assim, vais tomar um longo banho, vais vestir um daqueles vestidos lindos que tens guardados no teu guarda-roupa e eu volto daqui a… " – Olhou o relógio – "…daqui a duas horas. Pode ser?"
Ela apenas assentiu. Joshua ergueu-se e beijou-lhe a testa.
"-Não demoro princesa…"
"-Joshua!" – Chamou antes que ele aparatasse.
"-Sim?"
"-Obrigada."
"-Sempre às ordens princesa." – E com um sorriso e um audível pop desapareceu deixando a ruiva sozinha.
Sou uma idiota! – Pensou enterrando a face nas mãos – Ele adora-me! Como é que eu fui capaz de lhe fazes isto? O Joshua conhece-me melhor que alguns dos meus irmãos, sempre esteve comigo quando precisei e desde que nos conhece-mos que me trata como uma princesa. Como pude ser tão burra? Ia magoa-lo só porque eu estava magoada! Ia fazer uma loucura por estar frustrada… por estar enciumada. Porque reagi assim afinal? O Draco não me é nada! Partilhámos a mesma cama algumas vezes, fomos mais além, mas ele nunca me prometeu amor eterno nem nada do género, nem sequer me escondeu que tinha uma noiva-faz-de-conta. Resumindo, a culpa é minha!
Levantou-se do sofá e caminhou lentamente até ao quarto, a última coisa que queria enfrentar era o espelho.
Maldito espelho! – Reclamou mentalmente observando o seu reflexo, desgrenhado e de olhos vermelhos – Claro que a fofa da Michelle dele nunca fica assim, despenteada e com os olhos inchados! Deve acordar já perfeita, com aquela cara cheia de maquilhagem e o cabelo milimetricamente penteado! Sim porque ela é perfeita! Só pode ser! Afinal quem estava a ser prensada contra aquela mesa era ela e não eu! Afinal o que é que ela tem a mais que eu?
Abriu o chuveiro e enquanto a água não aquecia começou a pousar em frente do espelho, de frente, de perfil, tentando descobrir algo de errado com o seu corpo.
Isto é ridículo! Pareço uma adolescente insegura.
"-És perfeita ruiva."
Voltou-se. Encostado à ombreira da porta estava a pessoa que menos queria encarar. Encostado à ombreira da porta estava Draco Malfoy.
- - - - - Fim do 11º Capitulo - - - - -
NDA (Nota de desculpas da autora): Tipo, eu sei que é horrível actualizar sem responder às reviews… Eu sei que nem dá vontade de continuar a comentar… mas eu tenho tanto em que pensar… entrei na faculdade (e sei que isso não é desculpa) mas nem sequer tive tempo para respirar… Não tenho tido inspiração para escrever e isso deixa-me sem vontade de actualizar… Bem, isto serve para pedir desculpa aos que lêem, pela demora e pela falta de agradecimentos que eu prometo vir no próximo capitulo em duplicado…
