- A máquina do tempo só consegue teleportar material biológico.

Kylene Reese era a melhor soldada do regimento. A garota de 22 anos foi instruída nas arte da guerra desde criança. Porém, apesar de excelente guerreira, ela tinha fama de tapada entre seus colegas. Seu traquejo social era péssimo, ela tinha dificuldade em entender metáforas, piadas e conversas abstratas. Além de sentir incomodo com qualquer toque físico prolongado. Quando seu líder, John Connor, revelou as regras da viagem temporal ela demorou a entender.

- "Material biológico"? Minhas armas são..?

- Não, não são.

- Minhas roupas?!

- É pelo bem da humanidade. - Enquanto Connor falava, os soldados da resistência que eram atraídos pelo sexo feminino, alguns poucos homens e muitas mulheres, fingiam não prestar atenção na conversa. Estavam ansiosos pelo "início da missão".

- Quando eu encontrar essa Sarah Connor ela vai me considerar maluca. Por que tenho que ir sozinha? Há vinte sodados conosco, por que não usamos todos? Por que você não vai?

Connor engoliu em seco, desviou o olhar de Kylene e de maneira sucinta respondeu. - Porque sim.

A falta de senso social tinha suas vantagens. Mesmo sendo obrigada a se despir diante de uma pequena plateia, Kylene não sentiu vergonha. Como uma máquina operando uma função qualquer, ela removeu o macacão militar, a roupa interna e a intima. Ao ficar nua, Kylene revelou um bumbum redondo e seios tímidos. Sua barriga oriunda de muito exercício tinha sutis gomos de musculação, mas nada que a masculinizasse. A loura se pôs dentro do aro metálico e esperou pela descarga de energia. A soldada estava contrariando as leis da física ao viajar de 2027 à 1984. A ação antinatural que seu corpo sofrera a deixou desnorteada por alguns minutos, mas ela se recompôs rápido.

Uma bola de energia azul que derreteu o asfalto de um beco anunciou sua chegada. Kylene inicialmente estava deitada em posição fetal, mas logo se levantou. Um mendigo tarado se aproximou querendo se aproveitar dela. Um entortar de pulso e um soco na glote foi suficiente. A guerreira pensou em usar a roupa do indigente desmaiado para se cobrir, mas ela fedia tanto a mijo que Kylene preferiu continuar pelada.

Era noite, Kylene percorria as ruelas imundas impressionada com as luzes dos prédios altos. Prédios esses que em sua linha temporal eram só escombros. Uma loja de roupas se mostrou oportuna e estranhamente conveniente. Entrando pelos fundos, ela resolveu coletar algo para se vestir.

A calcinha rosa rendada estava nos joelhos quando uma luz em seu rosto acompanhada de uma ordem a fez parar. O homem armado usava uma lanterna e um uniforme preto que Kylene não reconhecia. Não havia policiais em 2027. - Parada, pervertida! Mãos na cabeça! - A soldada tentou terminar de vestir a calcinha, mas o policial puxou seus braços para trás e a algemou.

- Não posso nem me vestir?

- Essas roupas não são suas, isso seria roubo. Você vai ter que se explicar na delegacia.

Enquanto o policial levava sua prisioneira pelada algemada, um outro surgiu em cena. O oriental demonstrava ainda menos interesse sexual em Kylene do que o outro. Tal indiferença fez com que a viajante do tempo percebesse qual era sua natureza. Com uma cabeçada para trás de quebrar o nariz, Kylene se desvencilhou do policial humano e fugiu daquele que não era.

O corpo do policial japonês se tornou prateado e pastoso. Seu braço esquerdo se transformou em lâmina. Enquanto Kylene corria, o T-1000 arrancava o braço convertido em arma e o arremessava feito uma lança. Kylene se virou bem a tempo de evitar o golpe. Foi sorte, não havia mais muita esperança. Como ela poderia enfrentar aquele robô semi-indestrutível algemada?

Em um sincronismo que beirava algo milagroso, um carro de bombeiro invadiu a loja e atropelou o T-1000. Kylene ficou atônita quando viu a porta se abrir e dar de cara com a mulher que ela deveria proteger. - Venha comigo se quiser viver. - Kylene sentou ao lado de Sarah sem pensar duas vezes. O veículo ganhou a rua e seguiu viagem para bem longe dali.

- Você já sabia? - Perguntou Kylene.

- Ela chegou primeiro.

- Ela quem? - Kylene sentiu mãos fortes quebrarem suas algemas e quando olhou para trás seu coração gelou. Um exterminador de um modelo ainda mais perigoso do que o encontrado na loja. - Uma T-X! - Kylene pegou o volante do carro contra a vontade da motorista e o jogou para esquerda com tanta brutalidade que quase capotaram.

- Você está maluca?! - Ignorando o pedido de Sarah, Kylene apanhou uma arma presa no teto e deu uma volta no carro de bombeiro. Era uma cena belico-erótica estranha, uma mulher nua empunhando uma arma de grosso calibre. Mal Kylene se aproximou de seu alvo e tudo terminou com uma coronhada na testa e um desmaio.

- Mami!

- Ela está viva.

T-X, uma exterminadora de exterminadores. Ela não era composta totalmente por metal líquido, mas possuía a vantagem de controlar outras máquinas e disparar rajadas de plasma. Haviam vários modelos de T-X, aquele ali fora criado para emular uma latina de quadril largo e corpo escultural. Além de função bélica, o robô possuía capacidade sexual, no caso de alguma missão de infiltração que precisasse desse recurso. A beleza era uma das suas armas. Havia versões masculinas e femininas, além de algumas que mudavam de sexo a depender da necessidade.

Ao acordar, mas ainda sem abrir seus olhos, Kylene sentiu uma sensação boa que torcia para que nunca acabasse. - Será que morri e fui para o Paraíso? - Pensou. Ao despertar por completo, ela se assustou ao ver a T-X usando um apêndice tentacular em sua região intima. - O que está fazendo?

- Orgasmos fazem bem ao sistema biológico humano além de liberar endorfina que alivia o estresse.

- Vai desculpando a Mami. - Disse Sarah. - Ela é pratica até demais.

- Você deixou essa coisa me bolinar?! Onde estamos? Preciso de roupas! - Esgoto americanos espaçosos são iguais seja em 1984 ou em 2027. Aquele ambiente era mais familiar à Kylene do que a superfície, já que ela passou a vida inteira se escondendo de exterminadores. - Essa coisa não é humana, é uma máquina!

- Mami me salvou! - Uma discussão acalorada teve início e no meio dela Sarah contou como a exterminatrix saltou sua vida na sua infância. O relato não comoveu Kylene, nem a convenceu da confiabilidade da robô.

- Quem a enviou?

- Esses dados foram apagados da minha memória.

- Quer saber, dane-se. Como você já tem uma protetora tão capaz, acho que minha presença se torna desnecessária. Só preciso me vestir. Se eu andar por aí pelada vou arranjar confusão.

- Tem roupas ali. - Sarah apontou para um lugar que mais parecia um vestuário. - Fique a vontade.

A tarefa era simples: andar alguns metros, abrir um armário enferrujado e pegar algumas roupas velhas. Só mesmo com Kylene as coisas podiam dar errado. Um material prateado escorreu pelas frestas do teto azulejado e quando se juntou no chão tomou a forma do T-1000 asiático. Como garantir sua sobrevivência era mais importante do que sua compostura, Kylene agarrou a primeira arma que viu e se esqueceu das roupas. O tiro no meio da testa abriu a cabeça do vilão ao meio, mas na prática não serviu para nada. Kylene as vezes se questionava do porquê de ficar dando tiro nesses robôs se eles eram a prova de balas. Bom, talvez fosse um vício herdado do pessoal da resistência.

A viajante do tempo fugiu por um dos túneis paralelos e o T-1000 tentou alcançá-la, ela não teria chance já que aquele modelo conseguia perseguir um carro. Para a sorte de Kylene, a T-X interveio e começou a brigar com o T-1000. A luta atravessou paredes e provocou absurdos. Em dado momento, o T-1000 alcançou um cilindro de oxigênio e removeu sua válvula com a mão. Ignorando o fato de que o cilindro de metal era pesado e não leve como uma bexiga de festa de aniversário, o ar contido nele conseguiu transformá-lo em um foguete. Houve uma explosão, mas a terminatrix não sofreu dano, com exceção do seu vestuário. Um tiro de plasma a atingir o peito do T-1000 e fim de combate.

- Mami! Eu já não te disse para não andar por aí pelada?! - Questionou Sarah ao ver sua mãe adotiva robótica nua.

- Com exceção de ambientes de temperatura adversa, vestuário é irrelevante ao bem estar biológico humano. Sua aplicabilidade prática só se refere à questões culturais. E eu sou uma máquina, não sou influenciada pela sociedade e só me afetam temperaturas extremas.

- Mesmo assim, vistasse!

- Irrelevante. Tenho que proteger Kylene antes que ela se perca nos túneis. Ela não foi informada que a ameaça passou. - A robô usou seu sistema de rastreamento para localizar Kylene, Sarah Connor foi atrás, munida com uma escopeta. A arma não tinha serventia além de dar uma sensação de segurança ilusória. Nem mesmo desengonçados T-600 podiam ser abatidos com essas armas.

Em sua fuga desesperada, Kylene imaginava o hálito do robô assassino se aproximando. Ela subiu um lance de escadas e saiu dos esgotos. O boeiro dava para frente do estacionamento de um hospital. Lá a soldada entrou com esperança de encontrar algo para vestir. Mas achou outra coisa, algo que a princípio julgava mais importante que roupas.

- John!

Vestido de terno e gravata, o líder da resistência não se parecia em nada com o soldado a qual Kylene estava acostumada a conviver. - Você conseguiu. Com Sarah Connor salva, o futuro onde as máquinas foram derrotadas pelos humanos foi mantido. Venha. Vamos para casa. - Kylene estava quase pegando na mão de John quando um tiro de plasma o jogou para longe.

- Sua assassina! - Em um surto de raiva desesperado, Kylene começou a golpear Mami. Essa nem se incomodou.

- Proteger Sarah Connor. Eliminar exterminadores.

- Do que está falando? John não é um exterminador.

Sem se apoiar com as mãos, o que já o denunciava como inumano, John Connor se levantou. O rombo em seu peito e em sua roupa se fecharam sozinhos. - O que é isso? - Perguntou Sarah, que também estava presente durante toda a ação. - Outro T-1000?

- T-3000. Não sou máquina, nem homem. Sou mais.

- Parte homem? Bom saber. - Debochou a T-X. Algo que fez Sarah estranhar, sua mami nunca esboçava emoção.

A terminatrix se atirou no John Connor robotizado e teve início uma briga. Mas não uma similar à anterior, com o T-1000. A exterminadora de exterminadores arrancou a roupa do homem máquina apostando na exploração da fragilidade de seu lado que ainda era humano.

- O que ela está fazendo? - Perguntou Kylene, não acreditando no que seus olhos presenciavam.

- Acho que ela quer fazer com Connor o que fez com você na base.

O tentáculo metálico saído da mão direita da T-X invadiu o antes orgulhoso T-3000 em um lugar que deixaria qualquer homem hétero humilhado. O grito que era uma mescla de prazer, dor e vergonha dominou o estacionamento e assustou as garotas que presenciaram à cena.

Após terminar o ataque, T-X se voltou para as mulheres as quais tinha a responsabilidade de proteger e ignorou o inimigo. T-3000 viu os olhares femininos que o miravam e começou a esfarelar de tão envergonhado. Sua conexão metálica era profunda, a nível molecular. Se desejasse, e ele desejava depois do que aconteceu, sumir para nunca mais voltar, bastava pensar. Suas partículas se espalharam no ar e ele deixou de operar.

- Fácil assim? - Perguntou Kyleene. - Então eu viajei no tempo à toa?

- Pelo menos aqui está melhor do que lá, eu suponho. - Respondeu Sarah.

- Quando esse armageddon nuclear vai acontecer mesmo?

- 2000 e alguma coisa.

- E a gente vai fazer o que até lá?

A Terminatrix se aproximou de Sarah e com violência rasgou sua blusa expondo os seus seios. - Mami! O que está fazendo?

- A taxa hormonal das duas está em estágio elevado denotando interesse sexual mútuo. Minha missão é garantir a proteção e o bem estar de Sarah Connor.

- Você está me deixando nua, Mami! - Kylene podia ao menos tentar impedir a ação da robô, mas ela estava gostando tanto do que presenciava que não conseguiu intervir.

Quando a T-X terminou de despis Sarah, a robô a atirou por sobre Kylene. - Não tenho a paciência de um T-800, se vocês têm a necessidade de acasalar vão acasalar agora!