Tarde da noite House abriu os olhos. Sua cabeça doía, parecia que havia dormido semanas.

Olhava para os lados e não reconhecia onde estava. Uma olhada melhor e ele se encontrava em seu quarto, em seu apartamento. A dor na perna estava insuportável e ele foi andar para "melhorar". Aquele vazio o assustava, acendeu as luzes para que pelo menos sua sombra fizesse companhia. Foi caminhar na sala; olhava e queria saber por que estava ali, sozinho. Era como se nada tivesse acontecido; Kutner estaria no hospital no dia seguinte, ele perturbaria Cuddy por ela adotar uma criança, ou simplesmente voltaria para sua casa e tocaria em seu fiel piano, músicas para afastar sua dor. Aquele tempo era bom, pensava ele. Pensou, pensou e pensou. Só tinha uma explicação: ela havia sumido! Mas por quê?

Essa pergunta não tinha explicação, mas ele acharia.

Ali, em seu apartamento não tinha Cuddy nem Rachel para animá-lo ou torna sua vida um pouco mais feliz. Ele pegou o telefone e tentou ligar, mas ninguém atendia; ligou para todos que conhecia, mas ninguém sabia o seu paradeiro e então ligou para o celular dela.

Cuddy: Alô? – com voz de sono.

House: ...

Cuddy: Alô? House é você?

E ele desligou.

O que dizer? Não havia nada que ela pudesse fazer; o errado era ele!

Ele retornou para o quarto e deitou. O dia seguinte seria longo e cheio de perguntas e ele precisa acumular energia para enfrentá-lo. Não seria fácil.

House acordou com o sol invadindo seu quarto. Uma voz ecoava em sua cabeça, mas ele não conseguia saber o que ou quem era. Levantou e foi tomar um banho gelado para espairecer; não adiantou. Saiu do banho e foi para a sala; olhou em volta e o vazio se fazia presente. "Que merda!" pensava enquanto sentava no sofá e ligava a TV. A voz em sua cabeça parecia aumentar assim como o volume da TV. Ele ficou injuriado quando não obteve sucesso com a TV e jogou longe o controle. Ele saiu de casa para andar de moto; e não importasse o quão longe ele iria ele sempre parava na porta dela. Sempre. Ele se xingava por isso. Odiava o fato de ser impotente e não ter coragem de entrar. O jeito foi voltar para casa. Chegando lá, sentou em seu piano e tocou a música favorita dela: Still. Ele estava ciente que tocava, mas nenhum som, além da voz em sua cabeça, era ouvido. Ele estava ficando louco; aquela voz se fazia presente a cada minuto e ele estava ficando assustado. Decidiu tomar outro banho gelado e dessa vez pareceu dar certo; a voz havia desaparecido e uma mulher se encontrava na sala.

House: Quem é você?

A mulher se virou e House quase teve um treco.

House: Kelly? – ele não acreditava em que seus olhos viam; seu primeiro amor ali, coberta por um manto negro, parada em sua sala – o que faz aqui? É você mesmo?

Kelly: Claro que sim Greg – ouvir a voz dela vez com que todos os pêlos do corpo daquele homem se arrepiassem.

House: Não... não... você não é real... você... você está... morta! – ele teve medo de pronuncia tal palavra.

Kelly: Será? – num piscar de olhos ela estava atrás dele – se eu estivesse, faria isso? – passou a mão no cabelo dele. House estava paralisado – você sempre gostou disso.

House: Você não é real – ele falava mais para ele do que para ela.

Kelly: Sou real, por que você me acha real.

House: O que quer dizer com isso? – a imagem de Kelly foi clareando a medida que o manto foi caído e revelando um vestido branco.

Kelly: Quero dizer que você fez um grande trabalho com nossa Zoey.

House: "Fez"? Quer dizer que estou morto? – assustado.

Kelly: Vamos falar disso depois – ela sentou – ela está linda!

House: Puxou a você – ele também estava sentado.

Kelly: Fisicamente, pois ela é uma versão feminina sua – os dois riram.

House: Ela ainda não voltou para casa.

Kelly: Ela está bem.

House: Então você sabe com quem ela está – curioso – quem é o cara?

Kelly: Não vou falar.

House: O que? Como não? Nossa filha está por ai com um cara qualquer e você não vai dizer quem é?

Kelly: Greg, ela está bem – disse calma – não tem nada que você possa fazer agora.

House: Você está me assustando. O que aconteceu?

Em outro piscar de olhos eles viam a imagem de Zoey sorrindo.

House: Ela parece feliz – sorriu ao ver a filha.

Kelly: Ela está apaixonada!

House: What? – inconformado – isso não pode ser verdade.

Kelly: Um dia isso tinha que acontecer; e você não pode fazer nada.

House: Por que você continua repetindo isso?

Kelly: Por que a partir de agora ela não será mais uma menina e sim uma mulher! – ela via a cara de desespero dele – aconteceu à mesma coisa com você; você virou um lindo homenzinho.

House: Quando eu conheci você – ele sorria ternamente para ela.

Kelly: Será? – mais um piscar de olhos e os dois estavam ao ar livre – reconhece aquele rapaz?

House ficou na duvida: É quem estou pensando?

Kelly: Sim!

House: Sou eu?!

Kelly: E reconhece aquela moça?

House: Lisa...

Kelly: Exato.

Os dois "assistiram" aqueles dois jovens conversar.

Greg: Viu só? Eu não sou o monstro que dizem que sou.

Lisa: Eu não disse que você era monstro – disse preocupada.

Greg: Mas foi o que eu entendi – se fazendo de vitima.

Lisa: Greg desculpa, não foi minha intenção... – ela estava ficando nervosa, mas o besta estava rindo – por que você está rindo?

Greg: Você fica linda quando está nervosa.

Lisa: Você estava fingindo? – agora estava ficando brava.

Greg: E mais linda quando fica brava – disse entre tapas que recebia.

Lisa: Seu tonto, você tem alguma coisa nessa cabeça?

Greg: Ai! Ta doendo – os tapas eram fortes – e você ainda não me disse seu nome.

Lisa parou de bater nele: O que? – ela disse confusa.

Greg: Você não me disse seu nome – insistiu.

Lisa olhou pra ele por 10 segundos antes dos dois caírem na gargalhada.

Greg: Então?

Lisa: Lisa Cuddy...

A cena congelou.

Kelly: Aqui!

House: O que? – confuso.

Kelly: Foi nesse momento que você se apaixonou por ela! – House arregalou os olhos – e não adianta falar que é mentira, pois não é.

House: Mas... Como você... Sabe? – mais confuso.

Kelly: Eu estava vendo – disse naturalmente.

House: Ãh?

Kelly: Eu sempre "vigiei" você. E sempre que podia... Digamos que eu interferia quando era necessário.

House: Você fez eu me apaixonar por ela?

Kelly: Não – disse sincera – você se apaixonou por livre e espontânea vontade. Eu só adiei algumas coisas.

House: Quais coisas? – mais confuso ainda.

Kelly: Eu não devia contar, mas... Digamos, novamente, que o destino não quis que a Stacy fosse para Michigan.

House: Você... – sorrindo.

Kelly: Eu não me chamo Destino – disse com uma cara de travessa.

House: Mas e você? Eu amei você.

Kelly: Amou.

House: Mas...

Kelly: Eu não podia reencarnar! Nem posso! E eu também não sou egoísta o bastante para deixar você sozinho. Lisa cuida bem de você, sempre cuidou. Se eu não pude "voltar", ela é sua melhor escolha. Mas aproveitando a ocasião, você foi um cretino boa parte do tempo!

House: Hey!

Kelly: É sério! Ela não teve culpa por sua perna, ela sempre te apoiou e você sempre a botando para baixo com seus comentários desnecessários sobre adoção. O que te deu na cabeça? Você tem uma filha também! – ele tentou argumentar, mas não conseguiu – e se você falar "everybody lies" e te trago para cá!

House: Eu não morri?

Kelly: Interrompa-me de novo e eu te mato! – ele riu e ela listou todas as vezes que ele foi um cretino com Lisa.

House: Ok, eu entendi – ele estava entediado.

Kelly: Tá bom! Acho que você aprendeu a lição.

House: Eu posso voltar?

Kelly: Sim, mas antes, um conselho: eu sei que você vai fazer a vida do rapaz um inferno, mas cuidado para não magoar a Zoey.

House: Ok – aquela voz voltou a ecoar – você está ouvindo isso?

Kelly: Estão te chamando.

House!

House: Eu vou te ver de novo?

Kelly: Quem sabe! – sorriu para ele – eu amo você Greg – o abraçou.

House: Eu sempre te amei.

House!

Kelly: É melhor você ir.

House: Tá. Gostei do nosso papo, sempre gostei.

Kelly: Mas dessa você não vai lembrar.

House: Por que não?

House!

Kelly: Vá logo! – o lugar foi ficando claro.

House: Kelly?

Kelly: Diga para Zoey que eu a amo!

House: Kelly?

Kelly: Tchau Greg!

House!

House!

House!

Cuddy: House! – ele acordou assustado – você está bem? – ele estava ensopado.

House: Acho que sim – ele olhou em volta e estava no quarto de Lisa.

Cuddy: Você parecia um peixe fora da água. Você teve um pesadelo.

House: Pesadelo?

Cuddy: Sim.

House: Deixe-me ver sua mão.

Cuddy: Que?

House: Sua mão – ele pegou a mão esquerda dela – a gente ai vai casar! – falou aliviado.

Cuddy: Sim! É melhor não pensar nesse pesadelo.

House: É... Acho que sim. É melhor trocar os lençóis.

Cuddy: Também acho.

House: Eu vou tomar um banho – ele foi ao banheiro, mas parou na porta – a Zoey voltou?

Cuddy: Acho que não...

Ele não disse nada e foi para o banho.

Cuddy: (alguém estará muito encrencada quando aparecer).

Um dia lindo fazia em New Jersey e Zoey pôde acordar sob ele; e ao lado dele.

Wilson: Bom dia! – ele a envolvia com seu braço.

Zoey: Bom dia! – sorria.

Wilson: Dormiu bem?

Zoey: Muito bem!

Eles haviam dormido do lado de fora do quarto, na varanda. Pegaram o colchão da cama e colocaram lá; ficaram olhando as estrelas e conversando e comendo fondue. Só! Claro que rolou uns beijinhos e tal, mas não passou disso.

Wilson: Café da manhã?

Zoey: Não sendo fondue, tudo bem.

E Wilson ligou e pediu o café.

Zoey: Será que eles vão ficar bravos pelo colchão?

Wilson: Talvez! Mas eu falo com o Bill e tudo bem.

Zoey: De onde você o conhece? Do hotel mesmo?

Wilson: Não. Nós dividíamos o quarto na faculdade.

Zoey: Ah! Que legal.

Wilson: Ele fazia medicina também, mas desistiu para ser hoteleiro.

Zoey: E parece que deu certo.

Wilson: E como!

Zoey: Então vocês são amigos.

Wilson: Somos.

Zoey: Então ele não estava brincando quando mencionou a tal morena – cruzou os braços.

Wilson: Não! – ela o olhou – quer dizer sim ele estava brincando sim! Não tem morena nenhuma. É invenção da cabeça dele para me fazer parecer mal.

Zoey: Sei...

Wilson: É sério! Se eu tivesse outra mulher, eu não iria sair com você.

Zoey: Fontes me revelaram que isso não é verdade – ele ficou vermelho na hora.

Wilson: Fontes? Que fontes?

Zoey: Quem você acha? – ele sabia quem – eu acreditei nele.

Wilson: Uau – ele ficou de cara no chão – mas isso foi no passado, eu não faço mais isso.

Zoey: Mas eu acredito em você também! – ele a olhou – se você diz que não tem outra, eu acredito!

Wilson: Jura?

Zoey: A não ser que seja mentira.

Wilson: Não é mentira! Eu não tenho mulher nenhuma, a não ser você! – foi a vez de ela ficar vermelha.

Zoey: Eu?

Wilson: Sim! Você.

Zoey: Isso não é um pedido de casamento, é? – um pouco assustada.

Wilson: Não – ele se aproximou – é só um pedido de exclusividade. Eu sei que é cedo, mas o que a gente tem a perder? O que acha?

Zoey: "Exclusividade" adoro essa palavra! – e selaram o acordo com um doce beijo.

Na casa de Cuddy.

Lisa acordou às 6 horas com o despertador. Espreguiçou-se e pensou que seria uma luta acordar Greg, mas teve uma surpresa quando virou para o lado e não o encontrou. Pensou que ele estivesse com Rachel como no outro dia, mas a pequena dormia em seu berço. Ela olhou no banheiro de nada, no quarto da Zoey e nada também, nem na cozinha. Ela foi pegar o telefone na sala para ligar, mas lá estava ele.

Cuddy: O que está fazendo? – parada na porta.

House: Esperando – ele estava sentado olhando para a janela.

Cuddy: Ah... (ferrou-se). Ela ainda não chegou?

House: Não.

Cuddy: Humm... Eu vou me trocar ok?! – ele balançou a cabeça.

Lisa foi para o chuveiro e sentiu um pouco culpada por acobertar Zoey, mas não era o fim do mundo. Ela mesmo já fez com que Sarah fizesse isso para ela, então era como voltar no tempo.

Tomou seu banho, se trocou, arrumou a Rachel e voltou para a sala; ele estava na mesma posição.

Cuddy: Nada ainda?

House: Nada.

Cuddy: O quão encrencada ela está? – curiosa.

House: O bastante para não fazer de novo.

Cuddy: Sei... Mas Greg, você não acha que ela deve saber o que está fazendo?

House: Ela não sabe! – bravo.

Cuddy: Ok! Eu tenho que ir para o hospital. Acho que você não vai agora, certo?

House: Certo.

Cuddy: A gente se vê lá então!

House: Ok – ele se levantou e a beijou – a gente se vê lá! – e voltou a sentar.

Cuddy saiu e ele ficou lá, esperando.

As 10h30 o carro de Zoey parou na garagem. Ela achou que não haveria ninguém no local, pensou.

Zoey: Pai?! – ela se assustou ao vê-lo – você por aqui!

Gregory House não disse não, só olhou no relógio e saiu.

Zoey viu o pai saindo e sabia que seria uma pessoa morta quando ele resolvesse falar, mas estava de bom humor então não esquentou a cabeça e foi tomar seu banho.

Wilson também estava de bom humor, passou em casa para tomar banho e trocar de roupa e foi para o hospital. Ele estacionou seu carro e rumou para dentro, pensando em ver, pelo menos uma palestra do Dr. Sanders. Antes de chegar lá alguém o chamou.

House: Wilson!

Wilson: House? – ele gelou.

House: Preciso falar com você – ele disse sério.

Wilson: Ok – ele estava apavorado.

Eles foram para a sala do Wilson.

Wilson: Sobre o que seria? – ele começou a assinar alguns papéis.

House: Cuddy e eu.

Wilson: O que você aprontou dessa vez?

House: Nada! Eu a pedi em casamento – falou naturalmente.

Wilson: House! Isso é... – ele não prestou atenção no que o amigo falou – você o que?

House: A pedi em casamento. Tá surdo?

Wilson: Nossa! Isso é demais! Parabéns! – apertou a mão do amigo.

House: Obrigado.

Wilson: Até que enfim! Ela deve ter ficado contente!

House: Ficou.

Wilson: E por que você parece que não está feliz?

House: Eu estou, é que é outra coisa.

Wilson: O que? – o bipe do amigo tocou.

House: Já volto! – e saiu.

20 minutos depois.

Wilson estava assinando outros papéis quando House entrou, sem bater.

House: Voltei! – sentando no sofá.

Wilson: Entendi! – House o olhou curioso – na sua religião você não bate na porta, porque a porta representa um ser supremo! E seria esse ser Chuck Noris?

House: Tá piadista hoje amigo! Gostei!

Wilson: O que você ia falar? – voltando a assinar os papéis.

House: Nada.

Wilson: Ok. Eu vou ficar fazendo meu trabalho, quando você quiser falar, fale!

House: Tá – e ele ficou meia hora em silêncio – acho que a Zoey ta namorando.

Wilson: O que? – ele fez um risco enorme na folha – como você sabe? Ela te falou? – tentando não ficar nervoso.

House: Não né! É por isso que eu disse "acho"! – respondeu insolente.

Wilson: Calma, só perguntei.

House: Ela não me conta mais nada – um pouco triste.

Wilson: Você tentou perguntar? – ele estava nervoso.

House: Não, ela pensa que me engana, mas eu a conheço. Ela está muito avoada e com um sorriso estranho no rosto.

Wilson: Isso são sinais claros de "namoro" – brincou com ele.

House: É sério – ele falava sério – ontem ela saiu e só voltou hoje de manhã! E se eu pegar esse sujeito...

Wilson: House! Você não acha que está exagerando? – preocupado com a própria vida – ela deve saber o que está fazendo... Se é que ela está namorando – disse rápido.

House: Não sabe não! Ela é um bebê... Meu bebê!

Wilson: Ela tem 25 anos – ele estava perdido – não é mais uma criança.

House: É sim e tem 24. E como você sabe a idade dela?

Wilson: People talk!

House: Engraçadinho. Eu tenho que fazer alguma coisa!

Wilson: O que você vai fazer? Sei lá: apresentar uns slides de maus namorados para ela?!

House: Você me deu uma grande idéia!

Wilson: Não me diga que são os slides?

House: Melhor: você podia sair com ela!

Wilson: What? Tá doido?

House: Seria perfeito! Vocês saem, ai você mostra todo seu amor e a abandona como você fez com as outras!

Wilson: 1º: obrigado! 2º: é uma péssima idéia!

House: Não é! Se ela se desiludir com você, ela se desiludirá com os homens e eu não terei que matá-los! É brilhante!

Wilson: De novo: obrigado! – fingiu um sorriso – agora vamos supor que seu plano dê certo; ela se desiludiu com os homens. Então tudo bem ela virar lésbica?

House: Bem pensado – ele ficou em silêncio por vários minutos – já sei!

Wilson: O que?

House: 13 entra em cena!

Wilson: Ok, já escutei muita besteira hoje! Agora vou assistir à palestra que já vai começar, se eu fosse você iria também.

House: Pra que?

Wilson: Para distrair essa mente poluída! Já ouviu o ditado: Cabeça vazia, oficina do diabo!

Zoey saiu do banho com a sensação de que alguma coisa estava faltando. Olhou no quarto, no banheiro, no quarto da Cuddy, na sala e nada. Aquela sensação horrível. Quando foi na cozinha e viu uma tigela de água vazia, ela quase teve um treco.

Zoey: Gus! – ela deu um berro.

Procurou em tudo quanto era lado; ela tinha certeza que o viu quando chegou. Ela estava entrando em desespero. Saiu e chamou pra ver se ele voltava e não voltou. Chorando ela ligou para o pai.

Zoey: Pai – fungando.

House: O que aconteceu? – preocupado.

Zoey: Você não... Vai acreditar-ar – a là Chiquinha – o Gus... Sumiu-u.

House: O que? – ele não entendeu uma palavra que ela disse.

Zoey: O Gus... Sumiu! – chorando mais ainda – ele deve ter fugido depois que você saiu-u.

House: Ahhh é por isso que você ligou?

Zoey: Como "é por isso que você ligou?". Meu cachorro sumiu e você não está nem ai?

House: Ele não sumiu!

Zoey: Não?!

House: Ele está aqui com a Rachel – ela ficou em silêncio – Zoey?

Zoey: Quem é Rachel? – sem fungar.

House: "Quem é Rachel?". Você começou a beber?

Zoey: Não! Eu fiz uma perguntar e quero saber quem é ela!

House: A filha da Lisa!

Zoey: Ah tá! – ela disse aliviada – mas por que ele está com ela?

House: Parece que ela gosta dele – mais uns minutos em silêncio – Zoey?

Zoey: É melhor você comprar um cachorro para sua filha – disse brava.

House: Você vem para o hospital – ignorando o comentário.

Zoey: Acho que sim.

House: Não foi uma pergunta!

Zoey: Ixi! Eu vou! Estou me arrumando. E fale para a menina tirar as mãos gordurentas do meu cachorro! – e desligou o telefone.

"Abusada!" pensava Zoey quando foi acabar de se arrumar e saiu. Foi de boa, devagar, sem pressa. Na verdade ela adiava a morte que seu nervoso pai lhe causaria. Ela lembrou que a avó disse que levaria acompanhantes para a palestra e ela queria saber quem seria.

Zoey: Oi vó! – disse toda contente.

Agnes: Sua desnaturada! Você quer nos matar do coração? Quantas vezes eu disse que quando você for sair, ligue, manda mensagem, sinal de fumaça, alguma coisa! Mas pelo menos avisa onde você está! Sabe o desespero que seu avô e eu sentimos quando seu pai ligou perguntando sobre você? Você quer matar seu avô? Ele tem a pressão alta e você apronta uma dessa! Você não é mais uma criança! Mas ultimamente você tem saído pior que encomenda! Muito irresponsável pro meu gosto! Quando você chegar aqui nós teremos uma séria conversa, mocinha!

Zoey: Eu estou bem também, obrigada por perguntar! – sarcástica... Bom ela é filha de quem, né?

Agnes: Zoey!

Zoey: Calma! Eu to brincando – deu para sentir as faíscas saindo com seu nome.

Agnes: Onde você está?

Zoey: Chegando ao hospital.

Agnes: A última palestra do seu avô já vai começar. Você não disse que viria?

Zoey: Eu to chegando! Vou entrar no estacionamento em 5 minutos.

Agnes: Acho bom mesmo!

Zoey: Só uma pergunta: quem está ai com a senhora?

Agnes: Ah! Que bom que você lembrou, eu vou passar.

Zoey: Tá – com medo de quem seria.

Junior: Andou aprontando de novo, né Criança?

Zoey: Oh... – foi um "oh" desanimador – oi tio. Tudo bom?

Junior: A gente vai conversar! Mas pessoalmente, ok?!

Zoey: Ok... – e desligaram.

Depois do pai, o tio era a pessoa mais chegada a Zoey; e a segunda mais ciumenta. Agora pensa: o pai e o tio no mesmo dia e local. Zoey estava perdida! Então ela nem se deu o trabalho de correr. Parou o carro o mais longe possível da entrada e foi caminhado calmamente. O hospital estava bem calmo e ela foi até o auditório. A palestra já estava nos seus 30 minutos e ela entrou por cima e sentou nos degraus da escada. Prestou atenção em tudo que seu avô dizia; ela tinha que admitir que tinha sorte por ser neta dele! O homem era inteligente.

Quase uma hora depois o assunto já não era medicina.

Pessoa 1: Seria inadequado perguntar a idade do senhor?

Sanders: De modo algum! Pergunte!

Pessoa 1: Quantos anos o senhor tem?

Sanders: Eu acabei de fazer 21! – todos riram – brincadeira. Eu tenho 72.

Pessoa 1: Mentira! Eu daria uns 60 no máximo!

Sanders: Como você é gentil!

Pessoa 2: O senhor é casado?

Sanders: Sou – vários "fiu fiu" foram "ditos" – e minha amada esposa está aqui! – e apontou para a primeira fileira.

Pessoa 2: Desculpa Sra. Sanders – Agnes deu um sorriso.

Sanders: Linda não acha? Não respondam! – risos – mas então eu sou casado, tenho dois filhos e quatro netos.

Zoey: Quatro? – era a primeira vez que ela se pronunciava.

Sanders: Sim, quatro – lançou aquela olhada "resolveu aparecer?" para a neta – a mais velha de 24 anos, é uma leviana – risos – o de 20 está no segundo ano de biomedicina; o de 18 vai estudar arquitetura e a caçula vai fazer um aninho ainda – e piscou discretamente para Greg e Lisa. Zoey não gostou.

Pessoa 3: O senhor é reitor de Michigan, certo?

Sanders: Sim.

Pessoa 3: Eu estudo lá.

Sanders: Estuda? – risos.

Pessoa 3: Então é que o semestre está acabando o que significa que o outro vai começar e a semana do trote também.

Sanders: Sim.

Pessoa 3: E o trote é famoso por lá – vários concordaram – e rola um boato de um trote que aconteceu há uns 10 anos atrás que batizaram de "o morto de cadeira de rodas!". Aconteceu de verdade ou é lenda?

Sanders: Infelizmente é não é um boato. Aconteceu.

Pessoa 569: E o que aconteceu?

Sanders: Well... Em um belo dia, os alunos novos receberam um memorando dizendo que a aula seria no necrotério e eles foram – o local ficou em silêncio – chegaram lá e não tinha nenhum professor, claro. Em uma das gavetas tinha um papel escrito "abra" e eles abriram e nada estava incomum ali, aparentemente. Um "professor" apareceu e a "aula" começou. 10 minutos depois o suposto morto levantou e assustou todos que saíram correndo; e quem conhece o necrotério de lá, sabe que ele fica no final de um corredor enorme; quando eles estavam no final corredor para sair o verdadeiro morto estava sentado numa cadeira de rodas com uma placa pendurada no pescoço escrito "HA HA HA". E essa é a historia!

A maioria ficou comentando e só uma pessoa ria: Zoey.

Cuddy: Meu Deus, quem faria uma coisa dessas? – comentou baixinho com House.

House: Quem você acha? – ela pensou um pouco.

Cuddy: Por isso ela não foi aceita em Michigan?

House: Sim!

Pessoa 3: Nossa. Essa pessoa com certeza foi expulsa né?

Sanders: Infelizmente não.

Pessoa 3: Não? Como assim?

Sanders: É que essa pessoa não era aluna de lá. Por isso não pude expulsá-la – Zoey ria.

Pessoa 3: Uau!

Zoey: Dr. Sanders? – ela levantou a mão.

Sanders: Pois não?

Zoey: É verdade que essa pessoa, foi uma das que mais deu trabalho na faculdade?

Sanders: Sim, muito trabalho em Michigan.

Zoey: O senhor deve ter ficado bastante irritado com essa pessoa, correto?

Sanders: Com certeza!

Zoey: Entendo, ainda mais por ela nem estudar lá na época – ela tentava segurar o riso – se por um acaso essa pessoa quiser estudar em Michigan ano que vem ela conseguiria?

Sanders: Não! – disse secamente.

Zoey: Que horror! Não tem um prazo de validade essa punição?

Sanders: Tem! Quando completar 202 anos, essa pessoa poderá se inscrever de novo – mais risos.

Outras perguntas foram perguntadas e as respostas respondidas [:p] e a palestra chegou ao fim.

Cuddy e Agnes foram para a sala da médica encontrar Junior e esperar Sanders. E House foi procurar Zoey.

Cuddy: Junior! – o cumprimentado – quando tempo!

Junior: Verdade! Você está ótima!

Cuddy: Obrigada! Você também.

Junior: Deixe-me apresentar: esses são meus filhos Arthur e Max.

Cuddy: Oi! Prazer!

Max: O prazer é meu! – ele era o de 20; olhos verdes, loiro, alto, forte...

Arthur: E meu também – e ele o de 18; igual o irmão: loiro, olhos verdes, alto, forte...

Os dois rapazes eram bem bonitos; o pai também. Junior continuava com os cabelos enrolados, só que alguns fios brancos apareciam dando um ar charmoso; os olhos verdes deviam causar muita dor de cabeça para a esposa dele.

Cuddy: Não acredito que seus filhos estão deste tamanho!

Junior: Nem eu. Isso significa que estamos ficando velhos.

Agnes: Se vocês estão ficando velhos e eu?

Max: Uma avó fofa!

Agnes: Menos mal. Vocês ficam velhos e eu, fofa!

Eles ficaram conversando por quase uma hora. Foi à hora em que Sanders e House entraram.

House: Você a viu? – entrando sem bater.

Sanders: Não. A última vez que a vi foi quando acabou a palestra.

Agnes: Vocês perderam a menina de novo? – entrando na conversa.

Sanders: Ninguém perdeu nada! Só não sabemos onde ela está!

Arthur: Alguém vai morrer hoje – dizendo para o irmão.

Max: E dessa vez não será eu! – rindo.

House ligava para o celular da filha, sem sucesso: Junior! Nem te vi! – abraçando o amigo.

Junior: Eu percebi! – fingindo estar chateado.

House: Corta a viadagem – rindo – você veio com bagagens?

Junior: Esses dois que me seguiram!

Max: Mentiroso. Ele mandou as passagens pra gente, né Art? – abraçando o "tio".

Arthur: É verdade – o abraçando também.

Cuddy e Agnes estavam empolgadas em algum assunto e nem deram bola para os homens.

Junior: Pelo menos eu sei onde meus filhos estão! – provocando.

House: Sua sobrinha está muito encrencada! – voltando a ligar.

Junior: Agora a sobrinha é minha?

House: É claro! Ela puxou isso do seu lado da família.

Sanders: Claro que não! Você que é o "virado" aqui.

House: Eu não sou "virado"!

Sanders: Claro que é!

Max: Eu tenho que discordar dos dois; a Zoey não é parecida com ninguém nessa família! Nem com o tio nem com ninguém!

Sanders: Você pode ter razão...

House: Falou o Sr-eu-não-aprontava-quando-era-mais-novo!

Sanders: Não aprontava!

Junior: Pai?! Claro que aprontava e ainda apronta!

E ficaram conversando; House tentava ligar para Zoey, que não atendia o celular.

Umas 2 horas depois.

Zoey: É verdade? – ela entrou na sala de Cuddy – eu não acredito – ela ria – só o Vince pra falar besteira como essa – ela recebia olhares furiosos de todos da sala – Sean eu vou desligar agora; foi um prazer ter te conhecido... Tá todo mundo aqui... Até meus primos... Eu sei; me ferrei. Agora eu vou! Amo você e o Vince... Beijos... Tchau – e desligou o celular – queriam falar comigo?

Arthur: Se ferrou mesmo! – rindo.

Zoey: Como você é besta – abraçando o primo – tudo bom?

Arthur: Tudo! Estava com saudades.

Zoey: A gente se viu mês passado!

Arthur: E daí?

Max: Você é pior que mulher! – empurrando o irmão – tudo bem?

Zoey: Tudo – abraçando ele também – vocês parecem um casal de velhas!

Enquanto os primos interagiam, os "adultos" ficaram lado a lado esperando a dondoca.

Zoey: Oi tio! – ela disse de longe.

Junior: Pode chegar mais perto; eu não vou te morder, ainda – e ela foi com cara de cão sem dono.

Zoey: Tudo bom?

Junior: Tudo!

Zoey: Vó, vô, Lisa... Vocês estão bem? – nem olhou na cara do pai para evitar a fadiga.

Sanders: Onde você estava?

Zoey: Lá fora falando com o Sean!

Agnes: Não se faça de boba! Ontem! Onde você estava?

Zoey: Ontem? Deixe-me pensar... – batendo os dedos no queixo – ontem eu estive aqui, estive na casa da doutora e no restaurante com a senhora! – ela olhava para o pai.

Sanders: Pare de enrolar! E depois que você deixou sua avó no hotel, você foi para onde?

Zoey: Levar a Lisa em casa! – ela estava se divertindo.

Sanders: Zoey...

Zoey: É verdade, não é Isa?

Cuddy: Você podia ter avisado aonde iria (eita! Até eu to dando bronca).

Sanders: Você estava sozinha?

Zoey: Claro que não! – todos a olharam espantados.

Junior: O que?

Zoey: Eu não moro no mundo sozinha!

Sanders: Zoey... – ele deu um passo para frente e ela para trás.

Zoey: Calma vô! Eu to brincando.

House: Max e Arthur vamos deixá-los a sós – saindo.

Arthur: Por que na parte boa à gente tem que sair...

Zoey: Você não vai ficar? – perguntando para o pai.

House: A gente conversa depois.

Zoey: Não pode ser agora? Tudo de uma vez?

House: Eu disse: a gente conversa depois – e saiu.

Cuddy: Eu acho que eu vou também – saindo ligeira dali.

Uma hora depois Zoey saiu atordoada e brava da sala da Cuddy; ouviu tanto dos avós e tio, que se pudesse arrancaria as orelhas fora. E ela estava brava por tratarem ela como se ela tivesse 15 anos de novo! Ela não gostava disso. O que ela fez – claro que ela não contou o que e com quem estava – ela tinha o direito de não contar, se quisesse. Ela era adulta e vacinada, não era mais uma criança. Mas o que te deixava mais nervosa era o fato de seu pai não ter participado da "reunião"; ele estava soltando fogo pelas ventas, mas não fez nada. E isso a preocupava. E para piorar ela estava ficando gripada.