Como tudo deve ser – Charlie Brown Jr [ watch?v=1JtPSIppxSA]

Felicidade é poder estar com quem você gosta em algum lugar

...

Eu não preciso de promessas e acho que você também,
Eu não tento ser perfeito e acho que você também.
Dias e noites, pensando no que fiz,
Eu sou um vencedor, eu lutei pelo o que eu quis,
Mas quando não se pode mais mudar tanta coisa errada,
Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo.

Capítulo 11 –Correndo contra o tempo

Lembrou-se como eram felizes no início e a tristeza da lembrança tingiu seu coração com a dor. Sentiu-o contrair dolorosamente, enquanto tantas lágrimas não derramadas ameaçavam vir à superfície agora. Pensou naquele que um dia fora seu pai, seu herói. Quis chorar por tudo o que poderia ter sido. Por tudo que deveria ter sido.

"Mas como que por encanto esse Uchiha tinha que aparecer, é claro" – pensou engolindo as lágrimas de volta e adotando uma expressão arrogante. "Sempre escolhe os piores momentos, maldito". As lágrimas voltaram assim que o viu, não choraria na frente dele, nem na frente de ninguém. "Fraqueza nunca foi algo permitido a mim".

Ele era tão frustrante. Como sempre, usando a principal arma que tinha para se sentir protegida e menos vulnerável, sua capacidade de mascarar a dor, ironizou, fez piada com ele. A melhor defesa não era o ataque? Ela parecia o único que não se afastava ao sinal de uma "ferroada" sua.

"Mas vai" aquela vozinha sussurrou em sua mente. "Como todos sempre fazem". Ela sabia disso, é claro. Estava preparada pra isso, não? Não doía. Nenhum pouco.

Não tinha certeza se o admirava por ele ter aguentado tanto tempo ou ainda mais irritada.

"Provavelmente ambos" – pensou frustrada. Sempre tinha sentimentos opostos quando se tratava de Sasuke. Ele tinha esse "efeito" nela.

Mas esse não era um bom momento. Ele ainda tinha que prepará-la. Treinar com ele o máximo que pudesse era sua prioridade agora… E falar com sua mãe. Embora isso fosse deixá-la louca de pavor, não poderia esconder dela. Tinham um acordo.

Não tinha tempo a perder.

Preparou-se para sair andando, mas antes que pudesse realmente se afastar, sentiu-o puxá-la.

A raiva ganhou lugar dentro dela, mesclando-se com toda a frustração, lutando pra sair e ela agora, finalmente, teria um alvo onde descarregar tudo sobre.

E então sentiu seus lábios sobre os dela e foi difícil pensar.

Surpresa, confusa, extasiada, delirando... Era como ser atingida e sentir a descarga de eletricidade viajando por seu corpo. Intenso, tão forte… Tão bom. E no instante seguinte viu-se correspondendo, o aumento da pressão, os corpos ainda mais perto… Tão perto que não tinha certeza onde o dela começava e o dele terminava, não tinha certeza sobre nada mais. Tudo de repente parecia certo. Não devia algo dentro dela dizer que aquilo era impossível, que não estava nada estava certo, que tudo estava confuso e fora de lugar? Mas ao invés disso, tudo que ela podia sentir era ele. Tudo o que ela queria sentir era ele. E nem isso parecia suficiente.

Tudo sumiu. Não podia saber onde estava ou o que se supunha que deveria estar fazendo. Não podia pensar e não tinha certeza se queria. Não parecia ter importância naquele momento. Seu mundo se resumiu há um simples beijo, que não tinha nada de simples. Podia sentir o cabelo negro entre os dedos e não se lembrava de como ele fora parar ali. Havia superado todas e quaisquer expectativas que pudesse ter. E a apavorou como o inferno quando se deu conta disso no mesmo instante em que ele a soltou, ofegante.

- O que você… O que você está fazendo, seu imbecil? – a voz, falhando miseravelmente.

- Te mostrando que você não é tão indiferente quanto tenta parecer – disse com um meio sorriso, parecendo incrivelmente satisfeito consigo mesmo.

- Seu… Seu… Argh! Eu não tenho tempo pra perder com você! – disse lembrando-se do bilhete, agora esmagado contra sua palma direita. Era até irônico, que ela que nunca se esquecia de nada, ficava nesse estado deplorável com um simples beijo dele.

Começou a caminhar para a diretoria, já que aparentava ser o local mais calmo do colégio.

- Aonde você pensa que vai? – disse acompanhando meus passos.

Bufei.

- Não é da sua conta. Só trocamos um beijinho sem graça, não votos de matrimônio. Você está sendo inoportuno. Procura uma tapada qualquer pra controlar, porque em mim você não vai mandar Uchiha.

Ele arqueou a sobrancelha, enquanto um olhar especulativo tomou conta das feições, aparentemente impassíveis.

- Você está na defensiva. E nervosa. Desde antes do beijo. O que aconteceu?

- Você nasceu – disfarçou enquanto sentia o sangue correr mais rápido. Como ele podia ter percebido isso? Maldição! Como ele podia ter visto isso? – Isso já é motivo pra aborrecer qualquer um.

- Pensando bem, você estava um pouco pálida, também. E triste. Até eu chegar. Então você começou a ser toda arrogante e quando eu te puxei você estava com um olhar furioso, mas você não ficaria com tanta raiva assim do nada e por algo tão pequeno. O que você está escondendo? O que aconteceu?

"Put…" - se repreendeu mentalmente. O importante era manter a calma. Ele era bom, admitia. Podia ver através dela facilmente depois de tão pouco tempo… Um perigo, realmente. Ele realmente seria um bom policial, afinal.

- Não te interessa. Se meta com sua vida, Uchiha.

- Sua mão. O que você tanto aperta nessa mão?

Franziu o cenho. Nem percebera que estava esmagando o papel entre os dedos, firmemente cerrados, por instinto sua mão voou para trás e ela praguejou contra o movimento revelador. Estava perdendo a calma. Precisava ficar calma.

- Não é da sua conta- disse pausadamente. É só manter o controle.

- O diabo que não. – Explodiu. De surpresa a imobilizou e quando tentou chutá-lo ele desviou com maestria. – Estamos treinando juntos, Sakura. Conheço seus movimentos.

"Mas o que no inferno…?"

Estava na hora de aprender truques novos.

Ele conseguiu puxar o papel esmagado entre seus dedos, enquanto ela bufava diante daquela invasão de privacidade.

Uma expressão de confusão passou por seu rosto, antes de erguer o olhar. Pensei ter visto um rastro de raiva em seus olhos antes que mostrasse uma expressão em branco.

- Seu ex te seguiu até aqui para se desculpar? Por isso estava chateada?

Sua expressão se tornou confusa até lembrar que o conteúdo do bilhete poderia ser interpretado de outra forma, pelos olhos de outra pessoa. Arqueou a sobrancelha e um sorriso divertido cruzou seus lábios, apesar da gravidade da situação. Não conseguia evitar. Estava tendo problemas sérios em controlar suas reações ao redor do Uchiha.

- Não me diga que está com ciúmes?

Ele me fuzilou com os olhos, antes de jogar o papel pra mim.

- É claro que não.

- Sim, está – e uma risada lhe escapou, para sua surpresa. Só ele para fazê-la rir em uma situação tão crítica.

- Deixa de ser convencida, idiota. Eu não estou com ciúmes.

- Engraçado, porque você parece estar. Muito – riu novamente.

- Você é muito irritante – disse pegando seus braços e sacudindo.

- Não era nenhum ex, Sasuke – disse com um suspiro exausto. Não havia muito sentido em esconder aquilo dele, afinal.

- Então quem era? Porque obviamente parecia te conhecer e ter intimidade o suficiente para te chamar de "bonequinha".

- Meu pai – disse sentindo todo resquício de diversão desaparecer.

Ele imediatamente a prendeu mais firme junto a ele, surpreendendo-a, enquanto todo seu corpo enrijecia e entrava em guarda enquanto ele olhava ao redor, procurando a ameaça.

- Ele está aqui? Falou com você? Onde está? Te feriu?

- Não. Ele pediu um garoto para entregar o bilhete. Eu estou bem, Sasuke, está tudo bem, fique calmo – disse automaticamente, sentindo a necessidade de acalmá-lo. Ele parecia tão… tão preocupado. A única pessoa que já havia mostrado tanta preocupação com ela havia sido sua mãe. Era reconfortante ter pessoas que se importassem. Pessoas que gostam dela o bastante para se importar…

- Temos que falar com meu pai. E tirar você daqui.

- Eu vou falar com minha mãe. Você pode ligar para o seu pai.

Ele parecia como se quisesse discutir.

- Nós temos um trato, Sasuke. E eu estou ligando pra ela agora.

Ele finalmente assentiu enquanto pegava o próprio celular e falava rapidamente com o pai, enquanto ela achava o dela. Antes que a mãe atendesse, Sasuke já havia terminado a ligação. Nem havia precisado discutir afinal.

- Mãe?

- Sakura – ela atendeu e sua voz se tornou trêmula. – O que houve? Você nunca liga essa hora.

- Ele apareceu – a mãe do outro lado da língua soltou o fôlego.

- Ele está aí? Te fez alguma coisa? – perguntou já em pânico.

- Não, estou bem. Ele mandou um garoto entregar um bilhete.

- Tem certeza de que é ele?

- Sem dúvida.

- Onde está o Sasuke?

A pergunta a surpreendeu ao ponto de ficar muda por um minuto.

- Está aqui.

- Deixe-me falar com ele, querida.

Passou o telefone para Sasuke, que apenas franziu o cenho.

- Senhora Haruno? – um segundo se passou. – Sim, ele está vindo. Vocês vão ficar na nossa casa até que tudo seja resolvido. Não se preocupe, vamos tirá-la daqui. – Houve uma pausa. Sasuke passou a mão pelos cabelos negros – Ah, sim, er… obrigado senhora. Desculpe, Shana.

Ele devolveu o telefone e ela arqueou a sobrancelha.

- O que ela te disse?

- Você ouviu. Ela queria saber se eu falei com meu pai.

- Depois. A parte que te deixou sem jeito.

- Não é da sua conta. – abriu a boca para replicar, quando ele apenas balançou a cabeça – Meu pai está vindo. Com um carro comum para não chamar atenção. Ele não acha que seu pai vai aparecer realmente tão cedo, mas é melhor estar preparado, já que ele pode estar observando. E como você ouviu, vocês vão ficar lá em casa, e não adianta reclamar comigo, não foi minha ideia.

Ela bufou, porque era exatamente o que pretendia fazer.

- Seu pai parece tão arrogante quanto você.

- Sorte de vocês. É um ótimo policial também. Está tentando proteger vocês.

- E o que te preocupa então?

Ele hesitou por um momento.

- A preocupação dele comigo. E que ele está tornando o caso muito pessoal. Nada de bom sai quando alguém leva um caso para o campo pessoal.

- O que você quer dizer?

- Isso pode desconcentrá-lo, entende? Pode deixá-lo desatento para outras coisas. E… por que ele não leva vocês à algum abrigo? Ou uma residência vigiada?

Ela franziu as sobrancelhas enquanto seu rosto ficava rubro pela raiva. – Olha aqui, não é como se eu e minha mãe quiséssemos ficar na sua casa, Uchiha.

- Essa não é a questão.

- Então qual é? – perguntou impaciente.

- Isso parece como se ele quisesse pessoalmente emboscar seu pai.

Fazia sentido.

- E isso te preocupa.

- Sim. Ele devia estar mais preocupado com a segurança de vocês. Não em usá-las como isca.

- É a forma mais simples de apanhá-lo.

- E por isso mesmo a mais arriscada. Os planos mais óbvios sempre têm um jeito de se complicarem e falharem em suas formas mais básicas. E se seu pai tem tantos contatos quanto parece, é uma questão de tempo até saber o envolvimento do meu pai na história, mesmo sendo discretos.

Assenti, entendendo o ponto de vista dele.

- Talvez seja apenas o que ele conseguiu pensar no momento.

Sasuke balançou a cabeça. – Como meu pai mesmo disse, seu pai vai demorar a dar o próximo passo. Meu pai sempre costuma dizer que o primeiro movimento é distração. É no segundo que se ganha o jogo.

- Esperto.

Sasuke deu um meio sorriso.

- Ele é. Espero que ele não esqueça disso.