FIOS DA DESILUSÃO

ShiryuForever94 e Akane Mitsuko Amast Sagahara Tange

(ShiryuMitsuko)

Gênero: Yaoi/Angst nada leve

Classificação: Não aconselhável para menores de 18 anos.

Casais: Radamanthys de Wyvern e Valentine de Harpia

Sylphid de Basilisco e Lune de Balron

Minos de Griffon e Ayacos de Garuda

Localização temporal: Após a Saga de Hades.

Atenção: Fanfiction yaoi contendo relacionamento homoafetivo entre pessoas do sexo masculino. Esta estória é desaconselhável para menores de 18 anos. Todos os direitos de Saint Seiya, Cavaleiros do Zodíaco, pertencem a seu criador, Masami Kurumada. Esta estória não possui fins lucrativos e é vedada sua reprodução parcial ou integral em sites ou fóruns sem prévia autorização das autoras.

Capítulo 11

Intenções Conspiratórias

(Capítulo dedicado a Seto Scorpyos)

Cenas do Capítulo Anterior

- "Quem pagou você?" Lune queria descobrir o mais rapidamente possível.

- "Ora, loiro alto, bonito, com um longo cabelo. Lune de Balron precisa chorar. É tudo que direi.

- "SYL!" Lune gritou apavorado. Tinham que descobrir quem haveria de querer a ele tão mal.

- "Loiro alto, bonito e longo cabelo. Lune de Balron precisa chorar... só isso que sei..." O espectro terminou por falar.

O olhar de Balron ficou desesperado. Então era... Com ele...

Fim das cenas do capítulo anterior

- "Essa informação não é o bastante." O olhar de Sylphid continha desprezo e raiva. Quem se atrevera? Quem?

Lune estava com os olhos arregalados, paralisado de puro terror. Piscava repetidamente. Sua filha? Sua filhinha? O ódio logo retornou, em ondas e o tomou rapidamente. Andou até onde Syl e o espectro estavam. – "Se não disser quem foi, verá toda sua vida passar diante de seus olhos."

- "Meu empregador irá me matar." O espectro falou baixo. A fúria nos olhos daquele loiro de cabelos compridos e que pareciam tão fluidos era patente.

- "Pois nós também o mataremos, se não nos contar o que queremos saber. A diferença é o modo como será feito." Basilisco mantinha-se perto, mas deixava espaço para Lune. Conhecia bem seu amor, se Lune de Balron se enfurecia, era melhor tomar cuidado com aquele capricorniano.

- "Foi um homem loiro. Igual a você." Apontou Lune, sentindo medo. – "Ele é muito poderoso, sei porque senti o quanto de maldade havia nele. Só que não vi direito seu rosto. Apenas os lábios e os longos cabelos, se bem que não eram tão lisos. Aliás, já não sei mais se vi o que penso que vi... Não sei se era mesmo loiro."

- "Isso não é uma descrição razoável." Lune rosnou para aquele ser desprezível.

- "Ele sempre aparecia nas sombras, nunca me disse seu nome. Apenas me ameaçou o suficiente para eu temer demais. E a risada dele... Os olhos dele... E é muito forte. Muito mesmo." O espectro tremeu um tanto. Não sabia de quem tinha mais medo.

- "Os demais fugiram, ou se ocultaram muito bem. Sem nos pegar desprevenidos é mais difícil nos vencer." Myuu de Papillon dera conta de afastar os outros espectros, com ajuda de Gordon.

- "Obrigado, Myuu. Agora temos outra prioridade." Lune chegou ainda mais perto do serzinho. – 'Igual a mim? Como pode dizer que é igual a mim se não o viu direito? Por que o achou igual a mim?"

Sylphid tinha lá suas desconfianças. Podia ser... Só que não podia acusar ninguém, ainda não.

- "REENCARNATION" Sem aviso nenhum, nem titubeios. Veria e faria aquele espectro ver tudo. O pavor dele o fez sorrir. Não era Lune de Balron à-toa. – "Vai descobrir que há coisas piores que a morte. ARDA NO TERROR DE SUAS LEMBRANÇAS!"

O espectro não conseguiu fazer mais nada, gemia desesperado, via cenas, atrozes cenas e, pelos olhos em chamas do homem em pé ali perto, sabia que ele podia ver também. Por fim, uma imagem, um homem de longos cabelos esbranquiçados, de olhar sempre coberto por uma franja estranha, sorriso malévolo e altura incrível. Um homem de tez branca e gestos estudados. Lune sabia muito bem quem era.

- "MINOS DE GRIFFON! Eu sabia! Sylphid! Foi Minos."

- "Eu sabia." Basilisco praguejou. Aquele maldito. Droga, era melhor que saíssem logo dali antes que o kyoto resolvesse aparecer por causa da demora dos espectros que contratara. – "Vamos voltar ao castelo ao menos por enquanto."

- "Claro, mas antes..." Lune riu de canto empunhando seu chicote, que era temido por muitos. – "Que tal um espectro em pedaços?" Aproximou-se mais do outro e sorriu de maneira sádica. – "Deixe-me contar algo a meu respeito. Eu apenas pareço um tanto mais calmo do que sou. Você ousou atentar contra minha filha, meu bebê. JULGAMENTO!"

O chicote de Balron foi esticado e atirado no espectro, esfacelando o corpo em pedaços. Lune virou-se sem nada dizer e foi para perto de Sylphid. – "Agora podemos ir. Pegue nossa bebê, meu cosmo ainda está muito ardente, posso assustar Sethzinha."

Sylphid, que não movera um músculo observando o que Lune estivera fazendo, apenas concordou com a cabeça, pegando o casulo protetor onde estava a filha e olhando seu loiro com um meio sorriso. Admirava-o. Humanos normais não entenderiam o jeito deles. Eram seres do inferno, afinal. – "Pronto. Eu cuido dela."

Balron esperou que Myuu e Gordon os acompanhassem. – "Creio que podemos descansar por hoje. Amanhã eu irei ao meikai."

- "E posso saber o que vai fazer lá?" Sylphid tinha idéia, mas era melhor perguntar.

- "Conversarei pessoalmente com Minos e levarei alguns testemunhos importantes. Atacar e atocaiar um espectro do meu nível pode ser ruim para a carreira dele. Talvez Ayacos e Radamanthys possam me ajudar também. Kyotos têm lá sua honra."

- "E pensa que vai sozinho? Ficou louco? Sabe bem que apenas Hades pode executar um Kyoto, apenas Hades tem poder para julgar aqueles três."

- "Seu noivo tem razão, Lune. Todos nós, mesmo os espectros de mais alta estirpe, não podemos ir contra os Kyotos. Aliás, ao que eu me lembre, nenhum Kyoto pode matar outro ou sofrerá a mesma pena." Myuu olhou para Gordon, todos no meikai sabiam dessa regra.

- "Por quem me tomam? Eu sei muito bem disso. Por que acham que pensei em testemunhas? Minos é um adversário extremamente perigoso. Fez o que fez a Valentine e sabia que Radamanthys não poderia matá-lo. Brigaram feio, ficaram feridos, mas Radamanthys, honrado como é, não infringiria a lei de Hades. Tenho certeza que até nisso aquele maníaco pensou. Aquele desgraçado!"

Ninguém tinha como discordar daquilo. Chegaram ao castelo onde Radamanthys e Valentine moravam e finalmente Lune pôde relaxar um pouco. Pediu a Myuu que desfizesse o casulo e pegou sua filha nos braços com imensos olhos azuis repletos de amor. Perdeu então sua aura de poder e perigo e começou a chorar.

Myuu e Gordon se retiraram, entenderam que o momento era apenas do casal e de sua filhinha.

- "Eles queriam meu bebê. Minha filha! Como puderam fazer isso? É apenas um bebê, Sylphid, é uma criança indefesa! Eu sou um espectro, mas tenho sentimentos. Julgamos o pior, atacamos a podridão, mas ela? É uma flor! Não há maldade nela! Seu único pecado foi ter nascido minha filha!"

Sylphid ficou consternado. Observou o noivo apertar a filha de ambos nos braços e abraçou-os juntos. – "Não fique assim, meu amor. Você é uma pessoa maravilhosa, não foi pecado nenhum ela ter nascido, foi um presente. Talvez Zeus nos tenha dado algo para lembrarmos que apesar de fazermos um trabalho tão pesado e doloroso, apesar de vermos tantas coisas ruins, ainda merecemos algum consolo."

Com zelo, Sylphid levou sua família para o sofá e aconchegou-os em seus braços. – "Calma loiro, calma meu anjo. Está tudo bem agora. Você é forte, Lune, sempre foi e sempre será. Eu o amo..."

Lune achegou-se em seu noivo e suspirou. Amava aquele ser poderoso e que sabia ser tão meigo e bom.

Valentine estava em seu quarto quando a alternância de sentimentos expressa no cosmo de seus amigos o alertou. Começou a descer as escadas preocupado e ignorou alguma dor quando apressou o passo ao ouvir alguns lamentos vindos de Lune. – "Que houve?"

- "Kyotos! Uma raça desgraçada que acha que manda em todo mundo e que têm que ser obedecidos e pronto!"

- "Comporte-se e me respeite. Sou um Kyoto e sou obedecido porque fiz por merecer." Radamanthys jamais perdia Valentine de vista e praticamente materializou-se ao lado dele a tempo de ouvir as palavras de Lune.

-"Fez por merecer? Quanta desgraça, dor e mortandade você "fez por merecer"? Balron estava irritado e nervoso e não media suas palavras.

- "Querem ficar quietos? Parem de brigar, ao menos perto da MINHA filha." Sylphid tirou a garotinha dos braços de Lune, sentindo que Valentine não ia deixar tudo se descontrolar.

Harpia não gostara do tom de nenhum dos dois, nem de seu marido, nem de Lune, mas não iria brigar com ambos. Simplesmente pôs uma mão num dos ombros do kyoto como que mudamente dizendo para ele se acalmar. Não foi ação eficiente.

- "Não seja tão superior, Lune. A mesma desgraça e dor que você julga. Você não é melhor nem pior que nenhum de nós. Está ferido e eu compreendo, mas não me falte com o respeito. Também tenho um filho. É fruto de amor. AMOR! Eu sei o que é amor e sei que aconteceu algo lá fora, mas se não me contar, não poderei ajudar. Sylphid, por favor, acalme seu marido, leve-o para o quarto e volte aqui para conversarmos como pessoas quase normais." Estreitou os olhos. Seu cosmo era um aviso. Não era porque eram amigos que deixaria que o outro o afrontasse. Olhou com fúria sob controle para o marido. Sim, sabia que devia se acalmar. Para seus padrões, estava sendo paciente até demais.

- "Para você tudo é bem fácil, não é mesmo? Não teve que servir a um kyoto, não teve que ser dominado por um ser vil que acha que é o centro do universo e tem tendências sádicas!" Lune estava fora de si e ignorou o pedido de Basilisco para que se acalmasse. – "Você deveria me apoiar, Sylphid, não deveria me querer quieto!"

- "Agora chega!" Radamanthys bufou, contendo-se o melhor que podia. – "Sylphid, leve seu marido, noivo, namorado, sei lá o que seja ou ele não vai estar vivo para ver a filha de ambos crescer."

- "EU NÃO DISSE! Matar é sua maior diversão não é mesmo?" Balron postou-se bem à frente de Radamanthys, numa postura ofensiva clássica.

Sylphid trincou os maxilares e fuzilou o Kyoto com o olhar. Tinha que fazer algo e bem rápido. Valentine fez primeiro. Sem aviso e nem medo, deu um tapa no rosto do marido, furioso.

- "O que acha que está fazendo Rada? É o Lune! Algo aconteceu para ele ficar assim e você sabe! Não leve para o pessoal. Eu o admiro por ser honrado, mas está se comportando como um maldito Kyoto burro!"

Basilisco teve certeza que era hora de sair dali. Como podia, puxou Lune falando entredentes. – "Acalme-se, estou do seu lado, mas agora não é hora de discussões, anjo. Por favor, venha comigo e com nossa filha."

Lune oscilou um tanto, vendo o olhar de Radamanthys encher-se de fúria e ir em direção a Valentine como uma faca. Finalmente ouviu Sylphid e mordeu os lábios, vertendo sangue. Estava tão cansado. Deixou-se ser conduzido para o quarto e ao ficar lá dentro com Sylphid, estremecia de medo e de cansaço. Abraçou-se a ele com a filha junto e gemeu baixinho que não agüentava mais.

- "COMO OUSA?" A face colérica e a ameaça no tom de voz. Wyvern segurou o pulso do marido com força e fuzilou-o. – "Você pode até ter razão, mas nunca mais me bata assim! Entendeu?"

- "Que foi? Vai me ameaçar também?" Valentine observava o outro, sentiu a mão doer, o braço ser pressionado, mas não mostrou medo algum, embora tivesse um tanto, e sustentou o olhar dourado mesclado em fúria sanguínea.

- "Hunf. Você brinca com o perigo, Valentine." Soltou o marido e sentou-se no sofá, pensativo. "- Chame Myuu, quero saber o que houve lá fora." Nem fez caso da pergunta do marido. Tinha lá seu orgulho, mas olhou para ele e suspirou. – "Eu jamais magoaria você, se interessa saber."

- "Pois não parece." Valentine massageou o pulso avermelhado e deu de ombros. – "Se quer saber, faça como achar melhor. E chame Myuu você mesmo. Não sou seu empregado, não neste momento." Subiu pelas escadas indo para o quarto que dividia com o marido. Estava se arriscando e sabia disso, mas não iria deixar Radamanthys triturá-lo como fazia com outros de gênio mais calmo e submisso.

- "Droga, Valentine!" Radamanthys viu-se falando para as paredes e revirou os olhos. Ninguém podia fazer aquilo com ele. Ao mesmo tempo, internamente, riu-se. Seu marido era o único ser a quem respeitava mais que a Hades, justamente por ele não ter medo algum. Chamou Myuu e ouviu um amplo relatório sobre tudo. Bufou exasperado e subiu atrás de Valentine. – "Por que me deixou sozinho lá embaixo?"

Valentine estava deitado na cama, abraçado a um travesseiro, sentia o corpo doer e ainda se ressentia do jeito de agir do marido. Tinha que ser compreensivo, mas não estava com vontade. Não respondeu e fitou a parede.

- "Ah, não, Valentine. Outra crise de silêncios eu não vou suportar. Hoje não. Está zangado comigo? Fale de uma vez." Aproximou-se do outro e sentou-se de costas para ele. – "Entenda que não posso deixar que percam o respeito por mim, nem mesmo Lune a quem prezo tanto. E não posso responder pelo que Minos faz. Sim, Myuu me contou, foi ele. Tentou sequestrar Seth, por isso o estado daqueles dois." Rada falou rapidamente sobre o que ocorrera e esperou por alguma reação de Harpia, que não tardou.

- "Se fosse com Angel você ficaria tão bravo quanto Lune, ou pior. Não é o bastante para você entender?" O cipriota sentou-se na cama de pernas cruzadas, tentando esquecer que muitos movimentos ainda doíam ou traziam memórias dolorosas.

- "É uma questão de respeito, Valentine, só isso."

- "Respeito? Não me venha falar em respeito! Ele te respeita. E não confunda respeito com medo, isso distancia qualquer um de você, Radamanthys. Não aprendeu nada sobre isso ainda?"

O Kyoto deu um longo suspiro e se virou para o marido, puxando-o para si e olhando-o muito sério. – "Não sou bom com sentimentos, sabe bem disso. A frieza e a força, sempre foi o que aprendi. O que sei de sentimentos vem de você. Desculpe."

- "Sei o quanto custa que me peça desculpas. Elas tem muito valor para mim. Sem problemas." Não queria mais discutir aquele assunto e acalmou-se imediatamente.

- "E, quanto a Minos, Rada. Não há nada que seja possível fazer para pará-lo? Não podemos continuar assim."

Wyvern olhou-o fixamente uns momentos e fez que sim com a cabeça. – "Há um meio de pará-lo sim, mas é um tanto arriscado, para todos nós."

- "Arriscada já está sendo a vida desde que tudo isso começou. Não quero mais viver assim... Diga como."

O inglês mordeu os lábios de leve e pôs-se a andar pelo quarto em passos longos, pensando. Valentine aguardou calmamente, sabia que o assunto era complicado.

- "Valentine, teremos que fazer Hades puni-lo. Para isso, devemos convocar os espectros e juntar provas de que Minos não age com coerência e razão, mas imbuído de alguma espécie de loucura. Hades pode ser um tanto cruel e malévolo, mas não deixaria a administração e proteção do inferno nas mãos de alguém não confiável. O problema é que, se Minos se defender e provar que exageramos, eu posso ser condenado a alguns anos de torturas por levantar falso testemunho contra outro Kyoto. E vocês, se depuserem contra ele, poderão ser rebaixados a espectros vigias, perderem suas prerrogativas, até mesmo sofrerem torturas físicas e, há mais..." Parou de falar olhando para seu marido de maneira um tanto preocupada.

- "Continue."

- "Eu não poderia ver você, Sylphid não poderia mais ver Lune e, dependendo do julgamento de Hades, ele tiraria nossos filhos, Valentine."

Harpia baixou os olhos por momentos. Era tão injusto. Só que tanto já havia acontecido, tantas maldades. Por quanto tempo mais aguentariam aquilo? – "Depois de tudo que já ocorreu, será que não temos provas suficientes para que ele seja considerado culpado?"

- "Sinceramente, eu não sei. E se Minos alegar que não era ele? Que provas, efetivamente, temos? Você arriscaria Seth e Angel?"

- "Não, jamais arriscaria. Só que temos algumas provas. Há meus ferimentos, os de Queen, são marcas específicas dos golpes de Minos."

- "Mas não são esses os fatos mais importantes, sinto muito ter que dizer isso."

- "Como pode ser?"

- "O fato de ele ter atacado você não é motivo suficiente para que Hades o retire do comando, seria como um comportamento reprovável, mas que não influencia no trabalho de Minos. Você consegue compreender? Somente quando ele se voltou contra tantos é que ficou patente seu descontrole total. Quando ele fingiu que não era ele e contratou alguns espectros para sequestrarem Seth, quando se voltou contra Queen e Ayacos, quando deixou de cuidar dos assuntos do meikai para ir numa missão de vingança, aí sim ele perdeu a compostura como Kyoto."

- "Você também pensa assim?" A voz triste de Valentine. Então era assim que funcionava?

- "Nem ouse pensar isso! É claro que ele não é digno desde o momento em que o tocou sem você querer!"

Valentine fechou os olhos por momentos, receoso. Não queria fazer nada que acarretasse em algo para Angel, Seth, Radamanthys ou qualquer um de seus amigos.

Wyvern chegou mais perto. – "Talvez possamos tentar. Tenho uma idéia. Quer ouvir?"

- "Sim. Estamos ficando sem opções."

- "Teríamos que mandar nossos filhos para algum lugar seguro, onde Minos não pudesse atacar. Talvez eu pudesse falar com Kanon... Que acha? Não creio que ele se negasse a cuidar dos nossos bebês. Desde que revivemos que não há mais tanta rixa entre o reino de Atena e o nosso. Vivemos na superfície, não é mesmo?" Não seria muito fácil rever Kanon, mas era uma questão delicada.

- "O que exatamente você tem em mente, Radamanthys?" Harpia queria que Minos fosse punido. Aquele Kyoto imoral merecia alguma punição.

- "Antes, preciso perguntar algo."

- "Pare de me poupar!" Valentine ficou muito sério e encarou o marido. – "Faço qualquer coisa por nossa família."

- "Vai conseguir? Enfrentar Minos e mais vários espectros que não concordarão conosco? Você consegue perceber que não vai ser nada fácil? Ele é poderoso, manipulador e ardiloso."

- "Já não é fácil suportar tudo que aconteceu, Rada."

Wyvern observou-o por instantes e com gentileza escorregou um dedo por uma das cicatrizes que havia no braço de seu marido. – "Ele magoou muito você. Não veremos Angel por semanas, mas ele ficará seguro, bem como Seth."

- "Se não pusermos em perigo Angel, nem Seth, eu creio que consigo." O ruivo já percebera que não conseguia ficar muito tempo sozinho sem temer que Minos aparecesse novamente. Provavelmente continuaria daquela forma infinitamente se algo não fosse feito. – "Não posso viver com medo, Radamanthys, não posso..."

- "Vamos falar com Lune. Acho que devo alguma satisfação a ele, só que ele também me deve desculpas."

Harpia revirou os olhos. – "Você realmente acha que ele pedirá desculpas?"

- "Sim. Por que ele sabe que não pode se dirigir assim a um Kyoto, mesmo que eu seja amigo dele. E, além disso, se Lune perder o controle emocional durante o julgamento,pode ser morto. Ele precisa concordar com tudo isso, Valentine. Aliás, ele e Sylphid. Não vai ser fácil."

- "Você realmente não tem jeito. Duvido que ele peça desculpas, mas enfim..." Valentine desistiu. Seu kyoto era orgulhoso além do razoável.

Um tanto antes, no quarto de Sylphid e Lune

Abraçado ao noivo, na cama grande que havia por ali, Sylphid deixou que um pouco de ódio pelo Kyoto de Wyvern surgisse. Radamanthys não podia ser tão insensível! Deixou aquilo um pouco de lado para fazer carinho nas costas de Lune, murmurando baixinho palavras para acalmá-lo.

- "Syl, eu não quero mais ser um espectro. Eu só quero ser alguém normal."

- "Calma, anjo. Tenha calma." Basilisco fez seu amado sentar-se na cama após colocar a filha num bercinho improvisado. Entendia o que o outro sentia. Muitas vezes também se cansava daquilo tudo. – "Vai ficar tudo bem. Eu prometo." Ele queria acreditar naquilo mais que qualquer coisa.

- "Já imaginou se aqueles loucos resolvem que nossa filhinha vai abrigar uma das estrelas da morte? Eu não vou deixar, não quero essa vida infame para ela. Não quero." Balron chorava livremente e abraçou-se ao outro. – "Por que eu tive que amar você e descobrir que mesmo sendo um espectro eu podia ser feliz? Por quê?"

- "Não fale assim, Lune, por favor. Eu não vou deixar que façam nada com nossa filha. Se for preciso, nós iremos sumir. Apenas se acalme, por favor." Na verdade, Sylphid não era tão forte quanto gostava de fazer crer e a situação de sofrimento de Lune estava abalando seu controle.

- "Syl..." Lune acabou dormindo, de pura exaustão física e emocional, agarrado ao outro como se precisasse dele para viver e, na verdade, precisava.

Basilisco percebeu minutos depois que Lune adormecera e pegou-o nos braços, deitando-o melhor na cama e deitando ao lado, deixando-o abraçado a si e ainda acarinhando de leve. Tinham sim de fazer algo, mas o que? Não tinham poder para lutar contra Minos. Eram apenas espectros. Sylphid cochilou um pouco, também cansado, e foi acordado por um chamado firme por cosmo.

- "Que diabos ele quer?" Falou baixo para si mesmo o espectro de Basilisco.

Não demorou e logo estava na porta do quarto do kyoto, um tanto apreensivo. Bateu de leve e foi convidado a entrar. – "Chamou?"

- "Sylphid, precisamos conversar." A voz de Radamanthys era intensa e séria.

- "Estou aqui, não estou?" A beligerância de suas palavras era evidente. Queria muito discutir o que houvera mais cedo e dizer como se sentia a respeito do que Radamanthys dissera a Lune.

O Kyoto contentou-se em olhar friamente para Basilisco. Tinha que lembrar que era alguém que amava Lune, apenas isso. – "Tenho um plano. Valentine vai falar com você."

- "Então por que foi você quem me chamou?"

- "Sylphid, não dificulte as coisas. Sei que ama demais a Lune de Balron para querer conversar comigo no momento. Por outro lado, sou eu quem vai falar com Lune. Temos assuntos pendentes."

- "Por favor, deixe-o. Ele está cansado e precisa dormir. E seria pior se fosse falar com ele agora. Já não o magoou o suficiente?" O belga estava indócil.

- "Sylphid..." Radamanthys suspirou. Valentine percebeu a tensão crescente e resolveu intervir.

- "Syl, apenas ouça com atenção, depois você pode ficar irritado o quanto quiser. Radamanthys pode esperar um pouco." O cipriota começou a falar sobre o plano que Wyvern elaborara e viu o rosto do espectro de Basilisco ir mudando conforme falava.

- "É bem arriscado, só que me parece que será a única chance que teremos. Não vou dizer que gostei, precisamos consultar Lune, sei que ele não vai gostar." O belga sentou-se numa cadeira. Seria bastante penoso.

- "Sabemos disso, Sylphid. Ficarão sem sua filha por pelo menos um mês, na melhor das hipóteses. Quer contar a ele ou eu conto?" A face do Kyoto desanuviou-se, na verdade gostava muito de Lune.

- "Eu falo com ele. Ele é meu homem. Queria que não fosse preciso tudo isso."

- "Diga sinceramente o que acha de toda a idéia. Sei que é bem arriscado, mas talvez consigamos finalmente ficar em paz." Valentine começou a imaginar como ficaria um mês sem seu filho. Aquilo doía.

- "Sim, é muito arriscado, mas não acho que há outro modo de termos certeza de que ele não voltará a fazer algo a Valentine. Ou que não tentará fazer algo a Lune."

- "Eu não vou perdoar o que Minos fez ao meu marido, Sylphid. Nem em mil anos." Wyvern sabia que era o que tinham que fazer.

- "Eu entendo. E aceito." Basilisco suspirou. – "E vou falar com Lune."

- "Estamos de acordo então." O Kyoto trincou os dentes, faltava algo. – "Diga a Lune que sinto pelo que eu disse antes a ele. Compreendo que ele estava sofrendo. E se você, Sylphid, ficar com esse ar de riso por eu estar me desculpando, ficará uns tempos no hospital." Orgulhoso como sempre, Radamanthys saiu pela porta indo conversar com outros espectros e traçar estratégias.


Nota das autoras: Ah, mas depois de ler o review de Seto Scorpyos tivemos que nos apressar... Sério mesmo. Simplesmente fluiu tudo por aqui e conseguimos terminar o capítulo. Não somente ele, mas cada um de vocês que nos brindou com reviews, agradecemos de coração. Kakau, Black Ilusion Back, Fernanda (esperamos mesmo que vicie, amamos esses dois), NathDragonessa, Silvana, Suellen... Gente, ficamos tão felizes aqui com cada review. Cada uma que líamos, pensávamos que tínhamos que fazer logo outro capítulo depois de tanto jejum de vocês. Obrigada por nos inspirarem, pelo carinho, pela atenção. Adoramos esses dois e esperamos, sinceramente, que esteja bom de acompanhar. Além disso, esse capítulo foi dedicado ao Seto por conta de suas perguntas no review, que esperamos ter respondido. E, Naya... Nem sabemos mais o que dizer para você. Nós é que somos fãs... Do tanto que você despeja carinho em suas reviews. Obrigada gente. Esse capítulo nasceu por causa de vocês, por não terem desistido, por incentivarem. Boa leitura.