Olá! J

Aqui está o capítulo 11 da minha fic.

Nossos amigos estão se preparando para uma grande investida apoiados pelos novos personagens da história. O que estará reservado para eles?

Mais uma vez zilhões de obrigados pelas reviews. Agradeço as minhas amigas escritoras pelo apoio oferecido. Vocês são demais!! Críticas por favor!! Espero que ainda esteja tudo do agrado de vocês.

Grande abraço e vamos ver o que anda acontecendo em Rivendell.

* 11 *

No meio da manhã do dia seguinte todos os membros do grupo dos guardiões foram convocados para uma reunião na sala de estudos de Elrond. Eles tinham planos a traçar e estratégias a discutir. Elrohir e Elladan também estavam presentes.

Num canto da sala Squirrel observava os mapas que lorde Elrond possuía analisando justamente a região que o grupo tentaria retomar. Heron e Hawk também observavam por cima dos ombros do rapaz e discutiam com ele algumas rotas que pareciam ser mais favoráveis.

Aragorn aproximou-se dos três olhando o mapa também. Mas seus olhos não deixavam de vigiar o jovem do gorro preto. O sentimento que surgira no acampamento em relação àquele rapaz não abandonava seu coração e a cada minuto parecia perturbá-lo mais ainda.

Mas naquela manhã ele percebera algo que não havia percebido antes.

"Onde conseguiu esse casaco?" Ele indagou subitamente segurando o rapaz pelo braço.

Squirrel demorou alguns minutos para entender a questão, mas logo puxou o braço violentamente. Seus olhos continham uma ira que o transfigurava.

"O que lhe interessa?" Perguntou rispidamente.

Os gêmeos se aproximaram tentando entender. Aragorn estava exaltado. Ele subitamente empurrou o rapaz contra a parede, segurando firme e olhando-o nos olhos.

"Onde conseguiu o casaco? Me diga agora ou não vai ter outra oportunidade."

Squirrel ergueu um dos joelhos e aplicou um golpe baixo no guardião que se curvou e caiu. Elladan veio acudir o irmão e segurou-o vendo-o avermelhar-se de raiva e preparar-se para revidar a agressão.

Elrohir deu alguns passos em direção ao jovem do gorro preto, mas foi impedido por Halbarad enquanto Heron e Hawk colocavam-se à frente de Squirrel em sua defesa.

Aragorn levantou-se auxiliado pelo irmão que lançava-lhe um olhar questionador.

"Ele está com o casaco que Legolas levou!" Disse o guardião ainda sentindo dores.

"Tem certeza?" Indagou Elrohir num sobressalto.

"Absoluta" garantiu o irmão entre os dentes tentando avançar para cima do rapaz novamente, mas ainda sendo segurado. "Esse casaco que você usa é meu. Meu irmão levou-o emprestado há muito tempo! Onde você o conseguiu?"

O tom da voz de Strider tinha se elevado bastante.

Squirrel, por trás de Heron e Hawk mantinha um olhar indecifrável.

"Onde você conseguiu seu mercenário desgraçado!" Enfureceu-se o guardião novamente avançando para cima do jovem arqueiro. Dessa vez os dois irmãos e Halbarad tiveram que segurá-lo.

"Eu achei." Declarou Squirrel tirando o casaco e atirando-o no rosto do guardião. "Não sou ladrão! Apenas tenho frio como qualquer um de vocês. Mas prefiro sentir frio a usar algo que pertença a você!"

Aragorn ficou sem ação segurando o casaco nas mãos. Estava velho pelos anos de uso, muito pior dos que ele usava propositalmente.

"Onde achou?" Indagou Elladan num tom mais paciente. "Essa pessoa que desapareceu é muito importante para nós, por isso Strider está assim tão agitado."

Squirrel apertou o maxilar como se sentisse alguma dor. Voltou a olhar o casaco nas mãos do guardião e retomou o fôlego olhando novamente nos olhos de Elladan.

"Achei numa clareira perto daqui. Estava sujo de sangue, muito sujo." Ele respondeu numa voz fria. Embora soubesse que provavelmente suas palavras feririam muito aqueles que as ouviam, haja vista que o dono do casaco parecia ser alguém de grande importância, o jovem arqueiro não parecia se importar.

Aragorn fechou os olhos e balançou a cabeça.

"Quando?" Perguntou Elrohir dessa vez ainda segurando um dos braços do caçula.

"Há muitos anos atrás. Não me lembro bem quanto tempo."

Quando Elrond finalmente entrou um silêncio estranho imperava no recinto. Ele viu que Aragorn parecia exaltado segurando o casaco de couro do jovem Squirrel nas mãos. Elladan aproximou-se e contou ao pai o que se passara. Elrond olhou mais uma vez para Squirrel como fizera na noite anterior.

"Strider." Ele disse por fim. "Por que não devolve o casaco ao rapaz? Não acredito que precise mais do conforto que pode oferecer do que nosso amigo Squirrel.

"Não usaria esse casaco mais nem se estivesse nu".Desafiou o jovem do gorro negro irritando o guardião mais ainda.

Elrond respirou fundo.

"Então me permita ceder-lhe outro".

"Não preciso de caridade".

Dessa vez os gêmeos também se irritaram. O que aquele rapaz tinha contra as pessoas? Nunca tinham visto ninguém destratar seu pai assim. Mesmo assim eles continuaram a segurar o irmão.

Mas Elrond não se alterou. Ele apenas fixou seus olhos nos do rapaz do outro lado da sala. Squirrel a princípio retribuiu o olhar com uma frieza maior, mas depois pareceu sentir-se intimidado e baixou os olhos voltando a encarar os velhos mapas que abrira anteriormente.

"Bem, acredito que isso seja um assunto que possa ser resolvido mais tarde".Disse o lorde de Imladris aproximando-se então de uma mesa maior e abrindo um novo mapa que acabara de receber.

"Meus patrulheiros acabaram de finalizar os últimos detalhes do mapa dessa região".Declarou chamando a atenção de todos para si.

O jovem Squirrel passou pelo meio dos outros e se colocou ao lado do anfitrião analisando o documento detalhadamente. Os demais se entreolharam e fizeram o mesmo aproximando-se da mesa também.

Mas Aragorn não conseguia sair do lugar. Ele apenas segurava o casaco nas mãos pensando nas palavras de Squirrel. Ele passara agora a temer o que nunca havia temido antes. Temer que Legolas estivesse realmente morto como tanto desejava o pai do amigo. De longe ele ficou apenas ouvindo a discussão e os preparativos para a jornada que fariam no dia seguinte. Elrohir e Elladan ofereceram-se para acompanhá-los e Estel sorriu para eles.

Quando tudo estava decidido homens e elfos começaram a deixar a sala. Uma agitação de vozes e um sentimento de preocupação pelo inesperado imperavam no ar. Elrond olhava a todos com consternação.

"Squirrel?" Chamou o curador quando o rapaz já estava na porta. O jovem voltou-se e lançou um olhar nada simpático ao anfitrião. "Vi que conhece bem a região e entende de mapas. Estou com algumas dúvidas e gostaria de seus conselhos se pudesse ficar mais alguns instantes."

O jovem pestanejou um pouco, parecia indeciso.

"Não vai demorar muito, lhe garanto".

"Seja de alguma ajuda, rapaz".Disse Halbarad colocando a mão no ombro do arqueiro. "Você já se envolveu em muita confusão hoje".

O rapaz não disse nada. Apenas ficou em pé num canto dando passagem àqueles que saiam. Os gêmeos e Estel ficaram indecisos se deveriam ou não ficar e olharam para o pai.

"Podem ir, crianças".Instruiu o Lorde despertando uma curiosidade imensa nos gêmeos e um sentimento ruim em Aragorn que ele não sabia explicar.

Eles saíram, mas não sem antes lançarem um olhar reprovador ao jovem do gorro negro. Porém Squirrel não retribuiu qualquer sentimento que lhe fora direcionado, apenas permaneceu no mesmo lugar em que estava, parecendo um tanto inseguro.

"Parece, meu jovem amigo, que você tem o dom de enfurecer meus filhos." Disse o anfitrião apoiando as duas mãos na mesa.

O rapaz mantinha seus olhos azuis cravados nos do elfo.

"Onde está o mapa que o senhor precisa me mostrar?" Ele indagou com sua rispidez habitual.

Mas dessa vez Elrond riu e cruzou a sala até o armário perto da porta onde os mapas ficavam guardados, apanhando um e o trazendo de volta para a mesa. Squirrel não o acompanhou ficando no mesmo lugar com os olhos colados no chão. O curador então apoiou o rolo num canto enquanto enrolava o outro mapa que tinha aberto e o colocava também de lado, voltando a segurar o anterior. Ele agora esperava que o rapaz se aproximasse da mesa para abri-lo e foi o que Squirrel fez.

"Que tipo de dúvidas o senhor tem?" Ele perguntou olhando o mapa nas mãos do lorde.

"Responda-me uma questão, jovem Squirrel." Elrond não se mexeu um centímetro sequer. "Quando você aprende uma lição costuma se lembrar dela depois de muitos anos?"

O rapaz olhou o elfo intrigado. A pergunta que ele fazia era totalmente irrelevante.

"Por que não me pergunta o que quer saber e me deixa ir embora de uma vez?" Propôs o arqueiro parecendo aborrecido.

"Preciso dessa resposta primeiro para poder perguntar-lhe o que desejo saber sobre o mapa!" Garantiu o elfo enfaticamente.

O jovem respirou fundo. Parecia ligeiramente assustado.

"Sim, eu costumo me lembrar!" Ele disse rapidamente como se sentisse estar fazendo algo que não devia estar. "Agora me pergunte de uma vez e me deixe ir!"

Elrond então colocou o rolo ainda fechado por sobre a mesa. Quando percebeu que tinha toda a atenção do rapaz ele desenrolou o mapa rapidamente. Era um mapa antigo de Mirkwood.

Squirrel demonstrou um minuto de indecisão, respirou fundo e apoiou-se na mesa.

"O que quer saber sobre esse lugar?" Ele indagou com a voz um pouco trêmula.

"Nada" respondeu Elrond sem sequer olhar o mapa. Aliás, ele não o havia olhado desde que o tinha aberto, estava apenas analisando as feições do rapaz a sua frente. Squirrel ergueu os olhos sem entender.

"Então qual é a pergunta que quer fazer?" Ele estava indignado.

"Olhe para o mapa!" Elrond ordenou num tom forte. O rapaz se viu obedecendo sem entender. Elrond suspirou. "Quem é você?"

Squirrel olhou para o elfo. Suas mãos tremiam ligeiramente.

"Já fomos apresentados." Ele disse respirando fundo.

"Quem – é – você?" Repetiu o Lorde.

"Sou Squirrel!" Gritou o rapaz indignado e caminhando até a porta. Quando foi abri-la percebeu que estava trancada.

"Quem lhe autorizou a mudar essa resposta?"

As palavras do elfo pareciam apunhalar o rapaz. Ele permaneceu segurando a maçaneta com força com uma das mãos e mantendo a outra palma aberta contra a porta de madeira maciça que o separava da liberdade.

"Me deixe ir, senhor. Por favor." Uma voz então surgiu.

Os olhos de Elrond encheram-se de lágrimas, aquela voz que ouvia não era mais a voz do rebelde Squirrel. Era uma voz doce a qual ele conhecia muito bem.

"Quem é você, criança?" Ele repetiu.

"Por favor." O rapaz apoiou a cabeça na porta, escondendo o rosto.

Elrond foi até ele, segurou seus ombros e o voltou para si encontrando olhos azuis cheios de lágrimas, olhos azuis que ele conhecia bem. O rapaz baixou a cabeça.

"Não faça isso comigo, meu senhor. Eu lhe imploro."

"Eu preciso ouvir sua resposta, criança."

Silêncio.

"Quem é você, criança."

"Alguém cujo mundo o senhor está destruindo."

Elrond franziu a sobrancelha. Ele segurou o rosto do rapaz e o fez olhá-lo nos olhos.

"Seu mundo é uma farsa, menino. Não está cansado de fingir? Você gosta do que está mostrando para as pessoas? Você gosta da sensação que está despertando nelas? Você gosta de Squirrel?"

Lágrimas rolaram no rosto do rapaz manchando sua pele.

"Eu o odeio." Ele declarou tristemente.

"Por isso tenta fazer com que todos o odeiem também, não é? Tem medo de que gostem dele e você tenha que ser o jovem Squirrel para sempre?".

"Eu serei o jovem Squirrel para sempre".Declarou o outro.

"Será?" Duvidou Elrond sorrindo.

"Serei. Eu não tenho esperanças de que isso possa mudar".

Ao ouvir isso Elrond colocou uma das mãos na cabeça do rapaz e puxou-lhe o gorro libertando longos cabelos dourados. Em seguida puxou-o para o frente do espelho para que o jovem visse sua própria imagem.

"Se não tem mais esperanças." Ele disse para a imagem que se encarava no espelho tremendo muito. "Por que ainda conservou aquilo que tem de mais característico de seu povo."

O rapaz tocou os cabelos com mãos vacilantes e em seguida cobriu o rosto com as duas mãos.

"Quem é você, criança?" Indagou novamente o lorde elfo oferecendo um leve aperto nos ombros que segurava e encostando seu rosto próximo ao ouvido do rapaz.

"Sou Legolas, filho do rei Thranduil e príncipe da floresta de Mirkwood." Disse o rapaz por fim, caindo de joelhos e sendo amparado por Elrond que sentou-se no chão com ele e permitiu que o jovem chorasse abertamente em seus braços.

"Está tudo bem, ion nin." Disse ele massageando as costas do príncipe. "Você está em casa agora.

***

Legolas sentia uma angústia muito grande. Seu coração estava novamente dividido. Estar em casa com sua família era tudo o que ele sonhara nos últimos anos, mas ele sabia que era uma alegria passageira. Ele sabia que a situação não havia mudado nada desde a sua partida e revelar a identidade que com muito custo ele construíra só dificultaria mais as coisas agora. Ele se odiava por ter sido tão fraco, por ter caído na armadilha de Elrond. Ele sabia que não devia ter vindo, desde o dia que Halbarad tinha dito ao grupo como seria a missão e quem participaria dela ele já deveria ter desistido. Mas a esperança de estar próximo de Elrond e seus filhos de novo nem que fosse apenas para saber como estavam o seduziu. Ele tinha certeza que conseguiria enganá-los e conseguiu. Mas enganar o Elfo dos Elfos era impossível. E agora tudo estava perdido novamente.

Esses pensamentos doíam muito e o rapaz balançava a cabeça nos braços de Elrond. O lorde elfo preocupava-se com ele agora, preocupava-se em perdê-lo novamente depois de tantos anos de ausência. Ele tinha que convencê-lo a ficar e lutar pela sua verdadeira identidade e não fugir novamente, o que parecia ser a primeira opção do príncipe sempre.

"Venha," disse o elfo ajudando o rapaz a levantar-se. "Há um anexo aqui que dá para o meu quarto, eu vou preparar-lhe um banho e você vai sentir-se melhor." Dizendo isso ele deslizou os dedos pelo rosto do rapaz que apoiava-se nele sentindo-se fraco. "O que é isso que passou na sua pele e te impede de brilhar?"

Legolas ofereceu um riso triste.

"Magia e Feitiços"

Elrond não entendeu, mas preferiu não pedir mais detalhes.

"Venha" disse ele abrindo a porta, mas Legolas parou subitamente.

"Não!" Ele voltou a sacudir a cabeça. "Não posso. Tenho que pintar meu rosto novamente, tenho que continuar sendo Squirrel." Ele lançou um olhar suplicante para Elrond. "Me ajude, por favor, meu senhor. Não conte a Estel, não conte a nenhum de meus irmãos."

Elrond soltou um suspiro.

"Não posso permitir, filho. Você já sofreu demais e eles também sofrem, você não vê?"

"E vão sofrer mais ainda se souberem a verdade. O senhor sabe disso, o senhor sabe que terei que ir embora. Enquanto eles me consideram Squirrel eu posso estar com vocês, posso estar próximo, não preciso ir. Eu posso ir à missão ajudá-los."

Elrond olhava o rapaz nos olhos. Não estava certo do que fazer e precisava pensar. Mas permitir que aquele pobre menino voltasse a se esconder atrás daquele disfarce não parecia ser a atitude mais sensata.

"Por favor, Ada."

Os lábios de Elrond se abriram ligeiramente ao ouvir o príncipe chamá-lo assim. Ele sabia o quão difícil para ele era dizer o que dissera, colocando-o no lugar de Thranduil. Ele sentia o quanto Legolas o amava ao fazer isso, mas ele sentia, mais do que nunca que, ao chamá-lo assim, o rapaz ainda lembrava-se do pai.

"Me prometa então..." Ele iniciou colocando uma palma na face do rapaz e alisando seu rosto com os dedos.

"O que?" O rapaz indagou sentindo um tremor.

"Prometa que não vai fugir, que vai voltar e que dessa vez vai me deixar participar de suas decisões."

Legolas deu um sorriso triste.

"Se o senhor prometer que vai aceitar a minha decisão quando tudo chegar ao fim, seja ela qual for."

Elrond sentiu medo pela primeira vez em muitos séculos de existência. Ele abraçou o rapaz forte em seu peito. Tinha muito medo de perdê-lo e não poder nunca mais achá-lo.

"Se eu achar que discutimos o suficiente, ion nîn, e só então."

Legolas sorriu mais uma vez e se soltou dos braços de Elrond. O elfo o viu apanhar o gorro que estava no chão, tirar um pequeno frasco com um pó marrom do cinto e aproximar-se do espelho. Com uma habilidade incrível em poucos segundos ele já era Squirrel novamente.

* * *

Squirrel desceu as escadas rapidamente. Ele precisava estar fora dali o quanto antes. Seu coração estava pesado e ele não queria encontrar nenhum dos filhos de Elrond mais por hoje, especialmente Estel. Ele não saberia até quando conseguiria tratar o amigo daquele jeito. Ao chegar ao pé da escada, porém ele viu que não tivera a sorte que queria. Lá estava Estel, ainda com o casaco nas mãos.

O rapaz vestiu sua máscara imediatamente e passou por ele, mas sentiu o guardião segurar seu braço. Dessa vez ele não teve coragem de usar da agressividade que usara antes e não tentou resistir, mesmo sentindo o amigo apertar a mão com muita força.

"O que quer?" Ele indagou sem olhar o guardião nos olhos.

Estel sentiu algo estranho daquela vez. Não sabia explicar o que. Algo nos olhos do rapaz havia mudado, mas ele não sabia o que era. Então ele apenas estendeu o casaco para o jovem.

"Tome, você o achou, é seu".Ele disse simplesmente.

Squirrel não se sentia com forças para contrariá-lo, embora ele achasse que fosse conveniente. Estel demonstrava uma tristeza que ele nunca vira e estava ainda mais velho do que da última vez que se viram. Ele provavelmente era responsável por parte desse sofrimento e continuava sendo. Então apenas apanhou com força o casaco que fora oferecido, puxando em seguida o braço e saindo em disparada.

* * *

Na manhã seguinte o grupo todo estava pronto para sair. Elrond abraçou os filhos dentro de casa para que os outros não presenciassem. Ao abraçar Estel com força ele lembrou-se do abraço que dera em Legolas na véspera e em como os disfarces de seus filhos os faziam sofrer. Estel sorriu-lhe tristemente e dirigiu-se até a porta. Elrond foi abri-la, mas pela fresta viu a figura de Legolas já em seu cavalo, ainda com a pele de Squirrel e voltou a fechar a porta respirando fundo.

"O que houve Ada?" Indagou Elladan preocupado.

"Preciso pedir um favor a vocês." Elrond disse puxando os três filhos para perto de si. Os rapazes se entreolharam preocupados. "Eu sei que vocês não gostam do rapaz do gorro negro. Mas precisam me prometer algo e precisam fazê-lo sem me perguntar absolutamente nada dessa vez. Acredito que seja a coisa mais importante que já pedi a vocês, crianças."

"Sim." Disse Elrohir. "Não quer que arranquemos as tripas dele." Brincou o filho tentando tirar a seriedade do momento como sempre. "Podemos apenas torturá-lo? Arrancar-lhe alguns dentes, sabe? Quem sabe ele aprende a ter modos? Ou não abrir a boca inchada."

Os irmãos não puderam evitar o riso, mas dessa vez Elrond não os acompanhou. Elrohir ficou surpreso.

"Eu quero que vocês o tragam de volta para mim".O pai disse sério, olhando nos olhos dos três pausadamente.

"Ah, sim".Disse novamente o mais novo dos gêmeos. "O senhor quer se encarregar da tortura pessoalmente!" E todos riram novamente, menos Aragorn. "Mas isso não é justo, Ada! Posso trazer partes dele?".

Elrond dessa vez esboçou um sorriso leve.

"Prometam." Ele pediu olhando especialmente para Estel que parecia contrariado com tal pedido. "Vocês vão entender. Eu prometo."

Os três concordaram. Então Elrond abriu a porta e desceu as escadas saudando o chefe do grupo.

"Como passou a noite, caro Halbarad?"

"Muito bem, Lorde Elrond. Agradeço pela preocupação."

"Já estão munidos de tudo o que precisam?"

"Sim, e lhe somos muito gratos."

Elrond fez-lhe uma reverência e depois olhou para Squirrel. O rapaz mantinha os olhos baixos evitando encarar o elfo. Temia abrir seu coração novamente numa hora que não era a apropriada. O anfitrião voltou-se para os demais homens desejando a cada um, um breve retorno.

O grupo então se uniu e saíram todos emparelhados. Estel olhou novamente para Elrond antes de partir. O elfo sentia que o filho estava de certa forma enciumado ou contrariado pelo fato do pai defender tanto o arqueiro, mesmo com toda a sua oposição declarada a isso. Mas tudo o que o pai podia desejar era que, depois do esclarecimento dos fatos, o guardião pudesse perdoá-lo.

Quando já estavam quase nos portões Elrond viu Squirrel virar ligeiramente seu cavalo e olhar para trás. Elrond colocou a mão sobre o coração e viu com satisfação o rapaz fazer o mesmo. Mas foi então que o curador percebeu algo que deveria ter percebido antes. O cavalo de Legolas era o mesmo corcel negro que ele vira há muitos anos atrás.

CONTINUA...