SPOILERS: OUT OF TIME

Comments: Um agradecimento especialíssimo a Maria Célia por sua consultoria profissional alem da imensa paciência e carinho conosco. Beijokaxxx!!!

Obrigada a todas as reviews deixadas!!!Estamos muito felizes em saber da aceitação positiva de vocês pela Fic!Beijokaxxx a todos que acompanham esta Fic!

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Se Tudo Fosse Diferente – Capítulo Onze

"Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas."

Gibran Khalil Gibran – "O Profeta"

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Com Thomy nos braços Malone foi o primeiro a entrar desesperando-se ao ver Challenger tentando reanimar a mulher.

"Malone, ajude." – Imediatamente ele colocou o garoto no chão e com firmeza posicionou a cabeça de Verônica levemente inclinada para trás e sinalizou para o cientista que fez o que lhe cabia no momento.

Summerllee, Roxton e Marguerite chegavam correndo justo neste momento, assustando-se ao ver Ned fazendo respiração boca a boca na jovem. Irritado Thomy tentava empurra-lo para longe dela.

Roxton adiantou-se puxando a criança - "Tirem o garoto daqui!"

"Me dá ele." – interferiu Marguerite, tomando o menino assustado nos braços e levando-o para longe. Ela tremia tanto quanto ele. Nunca se esquecera de ter visto algo tão parecido quando ainda era pequena, nos becos escuros da fria Londres. E não ia permitir que com Thomy fosse da mesma forma.

Roxton preocupou-se com Summerllee.

"É melhor vir comigo Arthur, porque não quero ver esta cena se repetir com você ..." – O professor assentiu sem resistência e andou em direção à cozinha, apoiado pelo caçador.

O clima estava tenso. Mas mesmo desesperados e sentindo a aflição um do outro, Challenger e Malone trabalhavam rápido e em perfeita sintonia.

E quando Verônica inspirou e em seguida tossiu forte Challenger suspirou alto enquanto Ned amparou-a com alívio nos olhos. Acariciou-lhe o rosto enquanto ela virava para ele totalmente confusa e com o olhar triste e exausto, como se questionasse algo. Ele deu um leve sorriso e encostou seu rosto ao dela.

Malone olhou para o cientista que verificava o pulso da moça. George sentiu toda a raiva do jornalista. Era óbvio que o rapaz o culpava e não lhe tirava a razão. Ele próprio tinha esse peso no coração. Mas quase perder Verônica foi a gota d'água.

Sem trocar nenhuma palavra com Challenger, Ned levantou-se e saiu.

"Ela voltou." – disse Malone a seus três amigos que perceberam o quanto ele estava desnorteado. Aliás, todos estavam. Roxton fizera Summerllee sentar dando-lhe água com açúcar.

Ned foi até Marguerite onde Thomy permanecia quietinho em seu colo e pela primeira vez o menino não se jogou para ele. Ao invés disso ficaram se olhando por alguns momentos. Por fim Ned estendeu os braços pegando o garoto. Ambos se abraçaram enquanto silenciosamente retornavam para o quarto de Malone.

Certamente todos estavam aliviados, mas também havia tristeza na casa da árvore.

"Roxton" – chamou Marguerite baixinho. O caçador se aproximou. - "Pode me ajudar aqui?".

Ele se preocupou com o timbre de sua voz. - "Você está bem Marguerite?" - Perguntou seu entendedor.

"Acho que tão bem quanto qualquer um de nós..." - Ela olhou no fundo dos olhos dele e passou a mão no seu rosto com a barba por fazer. - "... Obrigada John".

Um sorriso entre os dois foi suficiente para o alento que ambos precisavam naquele momento. "Onde quer levar isso?" - Perguntou ele ao perceber a pequena bacia com água morna.

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Marguerite entrou no quarto de Verônica acompanhada por Roxton que colocou a bacia no criado mudo.

"Como ela está?" – Perguntou Roxton baixinho.

George levantou-se levando os amigos para um canto.

"Ela parece estar menos instável. Pelo menos por enquanto."

"Você precisa descansar Challenger" – falou Marguerite – "Tome um banho e vá dormir um pouco."

"Não. Eu quero ficar. Eu preciso ficar" – Insistiu o cientista.

"Sério George. Eu realmente gostaria de ficar um pouco com ela." – disse Marguerite sendo observada pelos dois homens. Nem Roxton nem Challenger sabiam explicar, mas sentindo que as palavras da herdeira eram sinceras saíram.

Usando uma esponja Marguerite lavou e trocou Verônica. Acomodou a jovem de bruços e desnudou-lhe as costas. Verônica começou a chorar praticamente em silêncio. A herdeira sabia por experiência própria como a loira se sentia, totalmente desamparada por não poder depender unicamente de si. Com movimentos firmes e precisos Marguerite começou lentamente a massagear-lhe as costas.

"Olá Verônica... Deu um grande susto em todos nós hoje, sabia?" - disse mostrando-se mais que solidária em relação à amiga. - "Susto é pouco... Quase nos matou do coração... Summerllee está tremendo até agora. Aparenta estar perfeitamente bem, mas quem sabe por dentro?!... É... é por dentro que nós devíamos nos preocupar.. Mais do que com a aparência, sabe o que quero dizer não é?! Deve ter sido chocante para Thomy, imaginando-se no lugar dele... Tive que me retirar daqui o mais rápido possível e o levei comigo. Ele precisava se acalmar, e acredite, eu também."

Marguerite suspirou pesadamente ao mesmo tempo em que se perdia nos pensamentos. "Não podia fazer com que aquelas lembranças horríveis viessem à minha mente outra vez, passado é pra ficar escondido dentro de um baú trancado a sete chaves no fundo do mar, e não nos atormentando. Assim que percebi o que estava acontecendo aqui, vi como John segurava o menino e seu olhar me perturbou, me fazendo voltar ao passado do qual eu tanto fujo".

"Verônica, você pode me ouvir?" – Marguerite inclinou-se observando o rosto da moça. Ela estava com os olhos abertos e com a respiração curta e dolorida, mas havia se acalmado e não mais chorava. Marguerite sorriu – "Muito bem, então não conte a eles que eu me abri com você... Acredito que você não vai me decepcionar. Nem você, nem os outros, mas é em você que quero confiar neste momento. E, pode confiar em mim, de verdade...". - Ao final da massagem, Marguerite fechou-lhe a camisola com cuidado e a cobriu. Depois afastou um cacho de cabelo da testa observando que finalmente Verônica havia dormido. - "... Fui uma tola... Eu deveria saber que você jamais me deixaria aqui sozinha no meio deste bando de homens... Nós não estamos de fato sozinhas por aqui...".

Um sorriso enfeitou o semblante de Marguerite quando ouviu o murmurar de Verônica. Parecia que ela havia concordado.

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Batendo na porta do quarto de Malone, Roxton entrou sem esperar a resposta.

O jornalista estava sentando observando Thomy que brincava no berço.

"Ele não se cansa?" - Sorriu o caçador sentando-se ao lado do amigo.

"Nunca. Se duvidar ele tem mais energia do que todos nós juntos".

"Precisamos arranjar um quarto para ele Ned. Está crescendo e vai precisar de mais espaço".

"Tem bastante espaço no quarto de Verônica."

"Você sabe o que eu quero dizer. Verônica guardou quase tudo o que era dela pra colocar as coisas do garoto. Não é justo. Se montássemos um cantinho realmente dele os dois poderiam ter suas coisas...".

Malone abaixou a cabeça refletindo.

"Depois de hoje Roxton, talvez nem precisemos de outro quarto...".

"O que está dizendo Ned?".

"Apenas que não devemos apressar as coisas!".

"Escute Malone, eu quero, preciso e vou acreditar que aquele quartinho será construindo, porque Verônica e Thomy precisam ter seus espaços... E você não pode deixar que alguém perceba que você está duvidando sobre Verônica conseguir superar isso, pois ela nunca vai perdoa-lo. Sei que a situação é complicada, mas anime-se meu amigo, Thomy também precisa saber que alguém aqui crê, tem fé... Nós todos precisamos um do outro".

Roxton levantou-se e concluiu trocando um singelo sorriso com o rapaz, um pouco mais aliviado com as palavras de conforto.

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John foi na direção ao quarto de Summerllee e como fizera antes nos aposentos de Ned, bateu na porta e entrou sem esperar resposta.

Arthur estava deitado muito quieto quando Roxton sentou-se a seu lado notando que o professor ainda tremia um pouco.

"Ainda acordado Summerllee?".

"Não consigo dormir".

"Isso eu estou vendo. Você está bem Arthur?".

"Nunca fiquei tão assustado na vida John...".

"Devo confessar que eu também não.".

"Ela está bem?".

"George disse que está menos instável. Não sei bem o que isso quer dizer, mas espero que seja melhor do que as notícias que temos tido ultimamente".

"Isso é bom Roxton."

"Professor, estava conversando com Ned e gostaríamos de saber se poderia nos ajudar com o quartinho do Thomy. Desenhar alguma coisa talvez. Não precisa ser muito grande, mas queremos que Verônica possa voltar a ter as coisas dela e para isso temos que arranjar um quarto pro garoto". Roxton notou o olhar surpreso de Summerllee e continuou – "Pela sua expressão vai querer usar o mesmo argumento de Malone, e isso eu não vou nem querer ouvir..." - John dizia, ao mesmo tempo em que soava sensato e de bom humor. - "Portanto, vá pensando Arthur porque vamos criar um aposento para o novo morador da casa da arvore".

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A próxima parada de Roxton foi o quarto de Challenger para onde o cientista havia se recolhido após dias e noites de vigília. O amigo dormia profundamente, mas John duvidava que isso duraria por mais do que uma ou duas horas. George tomara a guarda de Verônica para si e ninguém iria afasta-lo dessa responsabilidade.

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O caçador passou pela cozinha onde preparou uma xícara de chá fresquinho e cobriu alguns biscoitos com geléia e mel.

Carregando uma bandeja entrou silenciosamente no quarto de Verônica.

Marguerite estava sentada na cama de campanha e ele colocou-se a seu lado oferecendo-lhe a bandeja. Ela surpreendeu-se com a visita.

"Obrigada" - Sorriu.

Intrigado John finalmente expressou a dúvida no olhar que Marguerite notou há poucos segundos - "George disse que ela não dormia há dias. Como você conseguiu?".

"Muito simples Lord Roxton" - sorriu a herdeira – "Massagem relaxante de Lady Marguerite Krux e..."

"O que?" - Perguntou ele desconfiado roubando um biscoito.

"... estava completamente exausta..." - continuou sem dar importância a sua pausa anterior.

"Eu estou cansado. Se quiser pode fazer uma massagem relaxante em mim também..." - disse John sendo observado com um certo ar de cinismo.

Marguerite deu uma leve cotovelada nele, balançando a cabeça. As expressões ficaram sérias novamente e John comentou. - "Vamos montar um cantinho pro Thomy".

"O macaquinho?".

"T-H-O-M-Y. Thomy. Você pode fazer umas cortinas?"

"Se eu não fizer você vai tirar meu café?" - Soou quase infantil e John sorriu.

"Não. Detesto admitir, mas você merece todo o café do mundo. A propósito e aquela alergia que George falou, está tudo bem agora?".

"Não era alergia. Lembra do calor infernal que estava fazendo?"

"Sei".

"Minha pela ficou irritada, só isso. Acho que ele pensou que o contato com Thomy tivesse afetado a mim".

"Sabe Marguerite..." – John iniciou- "... Estava analisando, sobre a situação entre Ned e Challenger...".

"Sim, não está as mil maravilhas..." - disse a herdeira, mas esperando que o caçador continuasse.

"Acho que eles estão visivelmente em pontos opostos, mas é só notar em como agiram há uma hora atrás. Apesar das diferenças, eles trabalharam muito bem juntos... Como um verdadeiro time, eu diria...".

Marguerite assentiu positiva a tudo o que ouvia - "Um time unido vence sempre, John" - Ela olhou para ele e ficaram refletindo sobre a frase. "ou será que não?".

"Você realmente quis ficar aqui com ela. Por que?".

Marguerite deu de ombros - "Não sei. Queria conversar, conforta-la, refletir um pouco... Me fez muito bem ficar aqui."

Marguerite entregou-lhe a bandeja – "Obrigada pelo chá...Vá dormir John.

Ele levantou entendendo o recado.

"Posso ficar com você se quiser Marguerite".

"Não precisa. Eu estou bem...".

Embora quisesse muito ficar a seu lado Roxton resolveu não insistir. Já ia abrindo a porta quando escutou Marguerite chamando seu nome baixinho e virou-se

"Roxton...Eu...gostaria que você ficasse...".

Ele sorriu com ternura dando um passo atrás. Colocou a bandeja na mesa e sentou-se ao lado passando o braço pelas costas dela e puxando-a para perto.

Ficaram em silencio por alguns instantes. Quase ao pé do ouvido, John chamou. "Marguerite?".

"O que?".

"Por que pediu que eu ficasse?".

"Lembrei da conversa que tive com Verônica antes de tudo isso acontecer. Percebi que lhe dera conselhos que eu mesma não estava seguindo. Pedi que você ficasse, por nós duas".

E foi na companhia de Roxton que Marguerite ficou por mais uma hora cuidando de Verônica, antes que Challenger acordasse e retomasse sua incansável vigília. Já era madrugada quando a herdeira finalmente foi dormir.

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O cheiro bom de café fresco invadiu a casa da árvore. E se havia alguém capaz de sentir de longe aquele aroma era Marguerite.

Ainda sonolenta e amarrando o roupão, ela entrou na cozinha e surpreendeu- se ao ver...

"Malone?"

"Bom dia Marguerite" - sorriu o jornalista que estava alimentando um sonolento Thomy, sentado em sua cadeirinha – "Por favor sente-se."

Ned colocou o prato de mingau na mesa, entregou duas colheres ao garoto que começou a brincar e levantou-se indo até o fogão, enchendo a xícara e colocando em frente a mulher que sentava à mesa.

"Vá tomando seu café que vou fazer as panquecas." – Marguerite olhava para Malone sem entender o que se passava. O jornalista voltou minutos depois com as panquecas e mais dois pratos, um para si e outro para ela. Entregou- lhe os talheres e completou a mesa com um pote de mel. Serviu-se de uma porção generosa e começou a comer.

"O que foi?" – perguntou Malone sentindo o olhar intrigado de Marguerite.

"Você está estranho Ned."

"Estou?..." – Ela continuou olhando para ele que finalmente largou os talheres no prato suspirando – "Roxton conversou comigo."

"E...?"

"E eu pensei a respeito de algumas coisas."

"Como por exemplo?"

"Eu cuido do Thomy."

"Detesto admitir, mas muito bem por sinal."

"E também tenho tentado ajudar da melhor maneira possível."

"Isso também é verdade."

"Mas eu preciso fazer mais. A situação está muito difícil e eu não preciso complica-la ainda mais. Eu não vou mais ficar passando minha angustia para vocês, para Thomy e para Verônica. Eu não quero mais ficar cabisbaixo pelos cantos. Não tem me feito nada bem." – Malone olhou para Marguerite que ouvia atentamente. - "Hoje lembrei que há muitos dias não fazemos uma boa refeição juntos. Então, gostaria que você, Roxton e Summerllee me acompanhassem à mesa. E se não for muito incomodo, gostaria que levasse o café da manhã para Challenger...mas... não diga que fui eu. E descubra o que ele precisa para Verônica."

Ned estranhou quando Marguerite levantou sem tocar em seu café ou na comida.

"Não vai comer?"

"Volte para o fogão e prepare mais panquecas Malone. Vou chamar Roxton e Summerllee."

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"Thomy" – chamou Verônica assustada. Challenger estava a seu lado.

"Ele está muito bem." – garantiu o cientista. Ela o olhava desorientada e ofegante e o cientista duvidou que estivesse realmente voltado a si. A febre não cedera e ele ofereceu-lhe um pouco d'água tendo o cuidado de fazer com que bebesse lentamente.

"Precisamos conversar Verônica." – George não percebeu que estava pensando alto.

"Estou...muito...cansada...Challenger" – disse ela com voz quase inaudível.

"Vou chamar Malone ou Arthur para ficar com você" – falou com tristeza lembrando da discussão que haviam tido. Levantou-se, mas quando passou rente a cama sentiu a mão dela segurar fracamente a sua.

"Pode...ficar...só mais um pouco?" disse já voltando a dormir.

"Tem certeza?"

"Hum, hum!"

Ajeitando os travesseiros e coberta, George sorriu, sentando-se na cadeira.

"Este teria sido um momento mágico para mim querida, se você estivesse realmente consciente"– pensou erradamente o cientista. Verônica dissera exatamente o que desejava.

CONTINUA...