Capítulo Onze
- Absolutamente genial.
A imagem de Harry na televisão sorria para a câmera e erguia seu cálice de vinho numa saudação, enquanto os créditos rolavam.
Cho desligou a TV.
- Foi um dos seus melhores programas. Fantástico, Harry. Engraçado, sexy e com estilo. A câmera o ama. Este programa vai mandar a sua audiência à estratosfera.
O verdadeiro Harry estava afundado na sua cadeira com os braços cruzados sobre o peito.
- Não gostei.
Ela o olhou surpresa.
- Está brincando? Foi até mesmo melhor do que seu último programa. A produção está ótima, a comida parece apetitosa e o fundo musical foi muito bem escolhido. O que há de errado para não gostar?
Ele levantou-se, foi até a cafeteira e serviu duas xícaras de café.
- O programa está bem-feito, mas não gosto de mim mesmo.
- O que quer dizer com isso?
- Sempre fui assim? - Ele gesticulou para a tela branca da televisão. - Sempre sorrindo, falando depressa e terrivelmente superficial?
- É a imagem do seu público, Harry. É um programa de televisão, não uma anatomia de sua alma.
- Eu sei. - Ele entregou-lhe um café e sentou-se com o seu. - Acontece que não sei se há muita diferença entre o programa e quem eu sou realmente.
Cho arqueou a sobrancelha.
- Você anda muito introspectivo ultimamente, Harry. Não está feliz?
Ele considerou. Seu restaurante era um dos mais populares de Londres, ele era muito bom num trabalho que adorava, havia passado as últimas cinco semanas ajudando dois adolescentes, e, na última semana, tivera repetidamente o melhor sexo de sua vida com uma mulher que achava maravilhosa de todas as maneiras.
Deveria estar feliz.
Consultou o relógio e levantou-se.
- Vou chegar atrasado para a aula dos garotos. Cho o fitava com preocupação.
- Quer que eu faça alguma coisa sobre o programa?
- Não. - Ele pegou dois sacos pesados perto da porta. - O programa será bom. E você não pode fazer nada sobre quem eu sou. Obrigado, Cho.
Do lado de fora do estúdio, Harry chamou um táxi para levá-lo à escola. Enquanto observava a paisagem do Piccadilly Circus, lembrou-se do que Gina dissera no dia do Café Luciano.
Você quer tanto que gostem de você que escolheu uma profissão que dá prazer aos outros.
Era isso realmente o que queria? Prazer? Tentava desesperadamente ser amado pelas pessoas?
Aquilo era como havia aparecido na TV, pensou. Fora um choque ver a si mesmo... sobretudo porque já se havia visto na televisão centenas de vezes, e nunca notara isso. Mas alguma coisa definitivamente mudara. Porque Gina Weasley gostava dele e, nos últimos sete dias, os dois haviam compartilhado mais prazer do que ele achava possível.
Mas aquilo não era o suficiente. Ele bateu o punho na porta do táxi. Fora feliz com Gina. Naquele primeiro fim de semana, ela se mostrara aberta, risonha, honesta. Fitando-o diretamente nos olhos toda vez que conversavam.
Contudo, nos últimos cinco dias, ela agia dessa maneira somente algumas vezes. Principalmente quando estavam fazendo amor. Nesses momentos, Gina era transparente e franca sobre seus prazeres e desejos.
Porém, em outras ocasiões, ele podia ver que ela estava na defensiva. Ou distante, perdida em algum pensamento privado, alguma dúvida particular, que não queria dividir. A situação estava assim desde que o preservativo se rompera. Uma espécie de muro havia sido erguido, e Gina não o havia derrubado desde então.
A culpa era sua? perguntou-se Harry. Seria porque, no fundo, era exatamente como aparecia na TV? Um galanteador superficial? Quem eram seus amigos íntimos? Todos que o conheciam gostavam dele. Mas quem ia mais fundo do que isso?
Ele viu seu reflexo no vidro da janela do carro. Não tivera tempo para fazer amigos íntimos. Vinha trabalhando como louco desde que era aprendiz, aos dezesseis anos. Recusara o dinheiro de seus pais e começara de baixo.
O táxi parou no portão da escola de Gina. Ele consultou o relógio e viu que estava quase vinte minutos atrasado.
Praguejou e correu para a recepção, carregando os pesados sacos.
Naquele dia, Teddy e Victoire fariam uma experiência para a competição, criando seus menus, e não poderiam começar sem os ingredientes que ele havia prometido.
Quando Harry entrou na sala de tecnologia alimentar, Victoire e Gina estavam conversando num canto da sala e Teddy espalhara ingredientes sobre o seu espaço de trabalho.
- Olá, Harry! - cumprimentou o menino. - Você está atrasado!
- Desculpe-me, companheiro, eu estava assistindo ao meu próximo programa de TV e perdi a noção do tempo.
- Mal! - exclamou o garoto.
- Sim, foi irresponsabilidade. Eu devia ter chegado há mais tempo. Espero que a srta. Weasley não me puxe as orelhas. - Ele pôs os sacos sobre a mesa e entregou garrafas e pacotes para Victoire e Teddy. - E é melhor começarem logo.
- Sim, chef - disseram os alunos e correram para os seus espaços de trabalho.
Gina aproximou-se e sussurrou:
- Você está em perigo.
- Pretendo ser punido - replicou ele. - Contanto que o castigo venha de você.
- Acha que eles terminarão a tempo? - perguntou ela. - Há somente uma semana até a competição.
- É um problema. Queremos que eles estejam seguros, mas não quero praticar a ponto de deixá-los enfadados.
- Não acredito que Victoire pudesse ficar enfadada. Ela tem muita disciplina, embora não demonstre isso.
- Teddy ficaria. Ele é bom, mas perde a concentração se não tiver alguém a seu lado, e haverá muitas distrações na competição. - Ele observou os garotos checando os ingredientes. – A prática durante a próxima semana será útil, mas acho que estarão prontos no sábado.
- Isso é tão importante para eles...
- Sim, mas queremos que seja divertido também. Eles são crianças.
- Ninguém melhor que você para diverti-los - provocou Gina.
Ele pegou um timer e acertou-o para duas horas.
- Tudo bem, garotos, hora de começar a trabalhar. Lembrem-se, vocês vão fazer tudo isso sozinhos. A srta. Weasley e eu estaremos apenas observando-os. O show é de vocês, agora. Prontos?
- Sim, chef - responderam ambos.
Enquanto as crianças trabalhavam, Gina e Harry lavavam os utensílios utilizados.
- A clara em neve desandou - disse Victoire desanimada, após algum tempo.
Ele viu a expressão de Gina entristecer, como se soubesse exatamente a frustração que Victoire estava sentindo.
E a amava por causa disso.
Distraído com esse pensamento, acabou cortando o polegar esquerdo com a faca afiada que estava lavando.
Praguejou quando a água ficou vermelha mais rapidamente do que esperava.
Teddy, Victoire e Gina estavam em volta dele num segundo.
- Você está bem? - perguntou Gina quando viu a pia cheia de sangue.
- Sim. Teddy, Victoire, voltem para o seu trabalho. Não lhes resta muito tempo.
- O kit de emergência está perto da porta. - Harry apontou e ficou observando-a.
Delgada, alta, bonita e com grande talento para melhorar a vida de outras pessoas.
Estava tão apaixonado por Gina que desistiria de todas as coisas que adquirira apenas para ter seu amor de volta.
- Harry, sente-se - ordenou ela quando voltou com o kit. - Você está muito pálido. - Ela guiou-o pelo cotovelo até a cadeira. - Como se cortou assim?
- Deixei cair a faca afiada. Estou bem. - Harry olhou para baixo e ficou surpreso em ver sangue gotejando de seu punho.
- Acho que precisamos levá-lo para um hospital - disse ela.
- Não há necessidade. Já me cortei pior do que isso. - Ele pegou um rolo de atadura da mão de Gina e enrolou-o fortemente em volta do polegar, dando-lhe a ponta para cortar.
Os movimentos dela eram cuidadosos, enquanto mordiscava o lábio, preocupada.
Ele a amava e ela podia estar carregando um filho seu.
Gina o olhou, franzindo o cenho.
- Harry, você está me olhando de modo estranho. Acho que está em estado de choque.
- Um pouco - replicou ele. - Mas é uma boa espécie de choque.
A preocupação dela aumentou.
- Certo, mas vou levá-lo para o hospital. Não gosto do modo como está agindo.
Se ele não falasse rápido, acabaria explicando ao médico que estava doente de amor.
- Não. Estou bem, Gina. Já me cortei centenas de vezes antes, lembra-se? Não preciso de pontos e não vou desmaiar. Além disso, os garotos precisam de nós aqui.
Gina o amava? Poderia amá-lo? O que ele podia fazer para que ela o amasse?
- Tudo bem - concordou ela -, mas, se não parar de sangrar logo, vamos para o hospital.
- Adoro quando você fica autoritária comigo.
- Que dia, não? Primeiro, chega atrasado, e agora se corta.
- Preciso ser mais cuidadoso.
Teria de ser mais cauteloso no relacionamento deles também.
Se confessasse seu amor por Gina de repente, ela não acreditaria e poderia perdê-la.
Esperou até que os adolescentes estivessem concentrados na preparação de suas comidas para acariciar-lhe a pele suave do rosto com a mão sã, e saboreou o modo como ela inclinou-se sobre a sua palma antes que a discrição exigisse que Harry afastasse a mão.
Ela era tão preciosa... E ele nunca convencera ninguém a amá-lo antes. Tentara uma vez com os pais, mas não havia funcionado.
- Serei cuidadoso - disse ele. - Não quero mais cicatrizes.
Gina jazia na relva perfumada sob as árvores de uma floresta.
As folhas acima se moviam, dando-lhe vislumbres de estrelas escondidas. Tudo a seu redor - a vida tranqüila, a seiva dos troncos, o orvalho na relva, vaga-lumes cintilando - representava a luta de seus pais, unidos no amor.
Algo como uma brisa cobriu-lhe o corpo. Ela abriu os olhos à luz do dia e acordou.
Harry estava na cama, encaixado contra o seu corpo.
Podia sentir a respiração dele atrás de sua orelha e a mão tocando-lhe a pele. De modo prazeroso e leve como a brisa com a qual sonhara, a mão grande e quente percorria-lhe a barriga, depois subia para segurar-lhe o seio e provocar seu mamilo. Depois para o outro, e finalmente descendo para a linha da cintura e quadril, entre as suas pernas.
Uma manhã de domingo preguiçosa, fazendo amor. Gina emitiu um pequeno som para informá-lo de que já estava acordada. Harry afastou-lhe os cabelos e beijou-lhe a nuca, enquanto se aconchegava mais a seu corpo.
- Bom dia, meu amor - sussurrou ele. Excitada e deliciada de prazer, ela pressionou-se contra o corpo másculo que tanto adorava. Eles começaram a trocar carícias deliciosas e a fazer amor.
- Você desperta em mim o sentimento mais maravilhoso que já tive - murmurou Harry.
Enquanto Harry a penetrava com lentidão e sensualidade, Gina fechou os olhos e imaginou-o na floresta de seu sonho.
Atrás de seus olhos fechados, tudo era verde, vibrante e vivo. Sentiu a respiração dele debaixo de sua orelha, seus mamilos intumescidos e sua pele tinindo. Seu corpo alcançando o orgasmo em ondas loucas e vagarosas.
- Atinja o clímax comigo - sussurrou sem fôlego. Em poucos segundos, os dois alcançaram o mais pleno dos paraísos. Então, Harry a abraçou quase com desespero. Gina virou-se para beijá-lo e, quando abriu os olhos, notou os olhos esverdeados estudando-a misteriosamente. Ele a olhara daquela maneira diversas vezes no fim de semana. Como se estivesse avaliando-a.
Ela virou a cabeça para o outro lado. Aninhada no abraço de Harry, deveria sentir-se segura, como se sentira um momento antes. Mas não se sentia.
- Que horas são? - perguntou.
- Quase oito.
- Você tem de trabalhar hoje?
- Humm. Acho que não. -A voz dele soava sonolenta.
- É minha vez de trazer o café-da-manhã de domingo na cama.
- Não o queime.
Ela sentou-se na cama e golpeou-lhe o ombro nu.
- Não é minha culpa se sou um horror na cozinha. Culpe meu professor.
- Eu me vingarei dele assim que encontrá-lo. - Harry segurou-lhe o pulso e puxou-a para mais um beijo.
Gina se desvencilhou e vestiu o jeans e a camisa que Harry havia tirado na noite anterior. Com um sorriso doce, virou-se e desceu as escadas.
A cozinha de Harry era tão ampla que ela duvidava de sua habilidade em preparar o café-da-manhã. Tudo era imaculado e impecável. Os utensílios estavam pendurados na parede, parecendo instrumentos de tortura. Havia tantos gabinetes, gavetas e armários que ela provavelmente levaria horas para encontrar o que queria.
Como havia assistido a um de seus programas culinários na televisão algumas noites atrás, acabara de reconhecer que o programa fora filmado naquela cozinha.
Precisava conseguir ferver água sem quebrar nada. Com isso em mente, sorriu. A comida favorita de Harry: ovos quentes e torradas. Com isso, ela podia lidar. Abriu a porta da cozinha e dirigiu-se ao galinheiro. Ele lhe dissera que subornava os vizinhos com ovos frescos a fim de que eles não reclamassem do cacarejar das duas galinhas. Manter galinhas em plena Londres era algo impraticável, especialmente para um homem que trabalhava todas as horas do dia.
Ela cumprimentou MacNugget e Kiev e colheu os ovos ainda quentes nos ninhos. E, de repente, entendeu por que ele tinha tanto trabalho em conservar as galinhas.
Alimento é emoção, Harry lhe dissera. Teddy e Victoire adoravam comidas que os faziam se lembrar de momentos antes de seus problemas começarem.
Mas, se alimento era emoção, ovos quentes e torradas mostrariam como ela se sentia em relação a ele. Procurou uma torradeira e não conseguiu achar. Resolveu torrar fatias de pão com manteiga na frigideira. Vasculhou o freezer e encontrou apenas gelos e três caixas de sorvete de chocolate. Nem sombra de pão de forma e manteiga.
— O jeito é comprar - murmurou para si mesma. Felizmente, seus sapatos e bolsa estavam junto à porta de entrada, abandonados ali na noite anterior, e as chaves de Harry, no, aparador do hall. Ela saiu para a rua sem estar certa de qual direção tomar, atrás de uma padaria ou coisa parecida. Decidiu virar à esquerda e dar uma volta.
O dia estava ensolarado. Havia uma brisa suave que desmanchava seus cabelos enquanto caminhava. A fileira de árvores da rua farfalhava suas folhas, como as árvores de seu sonho.
Sonhos, poesia, romances, todos tinham significados ocultos.
Gina pensou no sonho daquela manhã, passado numa floresta fechada, e em como ele se havia transformado em Harry tocando-a, fazendo amor matinal.
Por que uma floresta? perguntou-se, balançando chaveiro de Harry, e apreciando o tilintar das chaves;
Não era uma memória. Havia passado muito tempo nas florestas canadenses, mas a floresta do sonho não era como aquelas. Era quieta, de um verde sobrenatural, mais amigável do que as do Canadá. Um lugar encantado.
Como na peça que estava ensinando na escola.
Ela parou de balançar as chaves.
A floresta de seu sonho era a floresta mágica de Shakespeare em Sonhos de uma Noite de Verão, naqual os mortais se apaixonavam.
Gina entendeu que aquele sonho decorria dos últimos acontecimentos. Apesar de todas as promessas de se manter segura, estava apaixonada por Harry.
O modo como se sentia afagada, como queria passar todos os momentos com ele. Até mesmo esse simbólico café-da-manhã que queria preparar-lhe. E só reconhecera isso quando um sonho lhe revelou.
Vendo uma padaria na esquina, entrou, quase colidindo com uma mulher que estava saindo, com uma criança de aproximadamente três anos no colo.
Gina imediatamente pensou: O meu filho ter esta idade agora.
Harry lhe assegurara que não faria o que Dino havia feito. Mas perder Dino não fora nada comparado à perda de seu bebê. Uma parte de si mesma que jamais veria novamente.
E ali estava ela, apaixonada mais uma vez.
Encontrou pão de fôrma nas prateleiras e manter no balcão refrigerado. Enquanto aguardava sua vez no caixa, notou uma pilha de jornais e, automaticamente, pegou um que costumava ler aos domingos. Então leu a manchete na primeira página: "CHEF VOLTA PARA A ESCOLA!" e derrubou o pão. Embaixo da manchete, havia uma foto sua com Harry Potter. E outra foto de Harry com Victoire e Teddy, do lado de fora do Restaurante Chanteclér.
Gina era muito boa em lidar com crises. Afinal, era professora há muitos anos. Pegou o pão que havia derrubado e colocou-o sobre o balcão, juntamente com a manteiga, e começou a ler o jornal:
"O chef da televisão Harry Potter tem doado seu tempo a fim de ajudar dois alunos a aprenderem a cozinhar para uma prestigiada competição. E o chef tem sido esperto com a sexy professora Gina Weasley."
Era demais. Gina pagou o jornal e colocou-o sob o braço. Voltou para a casa de Harry com as mãos trêmulas. Ali estava o que ganhara por se ter apaixonado.
Ela viu um homem com uma câmera do lado de fora da casa de Harry e imaginou se ele estivera lá quando saíra, e escondeu o rosto com o jornal. Abrindo a porta da casa, foi direto para o quarto dele.
Harry ergueu a cabeça do travesseiro e sorriu.
- Não me diga que já preparou o café-da-manhã - murmurou, inalando profundamente. - Não sinto cheiro de queimado.
- Foi tudo uma brincadeira para você, não foi, Harry? Você não é engraçado? Não é esperto? Não é famoso?
Ele sentou-se na cama com o lençol em volta da cintura.
- Gina? O que aconteceu?
- Aconteceu que confiei em você. Contra o meu bom senso, porque você me disse que realmente se importava com as crianças, que não era um golpe publicitário. - Ela riu com cinismo. - Imagine minha surpresa quando li o jornal. Você iria me contar ou estava esperando que eu não notasse?
- Notasse o quê? - Ele jogou o lençol para os lados e sentou-se na beira da cama, nu e com aquela falsa inocência, o que fez a raiva de Gina aumentar.
- Os encontros com a sua assessora de imprensa. As chamadas telefônicas, as idas com as crianças a algum lugar onde os paparazzi pudessem fotografá-los. Isto. - Ela jogou o jornal sobre os joelhos dele.
- Vou matá-la - disse Harry.
- Não pegaram seu melhor ângulo?
- Cho vazou para a imprensa - murmurou ele e levantou-se. - Ouça, eu não esperava que isso acontecesse.
- Você não esperava que eu visse. Realmente acha que vou acreditar que desistiu de uma chance por publicidade por causa dos garotos? Ou por mim? Vamos lá, Harry. Pensou nessa coisa toda por publicidade. O que eu significo para você? Sexo?
- Gina. - Ele aproximou-se. - Juro que isso é um equívoco.
Ela afastou-se.
- O único equívoco aqui é você pensar que tocará em mim novamente. Adeus, Harry.
Ela deu-lhe as costas e desceu as escadas, ignorando o chamado dele. Harry a alcançou quando ela estava girando a maçaneta e colocou-se entre ela e a porta.
- Querida, sei o que está pensando, mas não é verdade. Não tenho nada a ver com isso.
- Saia do meu caminho - disse ela. Os olhos dele faiscaram de raiva.
- Você não trataria um de seus alunos desse jeito, trataria? E se fosse Teddy, e não eu? Assumiria que ele era culpado sem ouvir sua versão da história?
Gina girou a maçaneta e começou a abrir a porta.
- Sugiro que se afaste da porta, a menos que queira ser fotografado nu - disse ela e saiu, cobrindo o rosto com a bolsa para se proteger dos fotógrafos. Pegou o primeiro táxi que passou.
