N.a.: A classificação deste capítulo se altera para "Rated MA" (imprópria para menores de 18 anos), por possuir narração descritiva de sexo.


Os Garotos / Ano II

Capítulo 10

O dia dos Namorados – Parte final.


No setor de segurança da Kia Publicidades, os amigos de serviço de Ikki estavam todos reunidos em uma pequena saleta, gritando em coro:

- Dis-cur-so! Dis-cur-so! Dis-cur-so!

Ikki ainda estava surpreso com a festa de despedida que os colegas haviam lhe promovido. Na verdade, seu último dia fora na sexta, e ele só havia passado ali naquele dia – sábado - para entregar o uniforme e o crachá no departamento de Recursos Humanos. Não esperava ser recepcionado com um banquete de salgadinhos; muito menos, ver tantos rostos os quais a maioria, só vira quando fizera substituições nos outros turnos.

- Eu não sei o que dizer, pessoal. Eu não sou muito bom com palavras... – Ikki se justificou, ficando verdadeiramente sem graça. – Desculpem-me?

- Diga qualquer coisa, Ikki. – insistiu a diretora do RH, retirando o copo descartável de refrigerante das mãos dele e depositando-o sobre a mesa. – Afinal, é uma despedida. Nem que seja: "Adeus! Vejo vocês em algum tribunal da vida, mas espero que não seja no banco dos réus...". – ela brincou, arrancando risos dos colegas.

Ikki também sorriu com a brincadeira da mulher que já era perita em quebrar gelo. Então, suspirou, admirado dos rostos das pessoas presente e com quem convivera durante todo um ano. Ficou verdadeiramente impressionado de perceber que, causara uma boa impressão, senão, os presentes não se dariam ao trabalho de estarem ali para lhe dizer "Adeus" e "Boa sorte" em um dia de folga.

- Bem... Primeiro, eu nem me sinto merecedor de tudo isso...

- Ikki, você é modesto. – disse o chefe Tsunami, tomando atenção dos funcionários para si. – É difícil encontrarmos no dia-a-dia seres humanos prestativos. Você pode não lembrar, mas cada um que está aqui é grato verdadeiramente à você, por algum motivo especial. Por exemplo... Sazaku, porque está aqui?

O rapaz magérrimo e tão alto quanto Ikki, - mas que ainda tinha espinhas no rosto - desencostou-se da parede ao ser chamado pelo chefe. E observando que, todos aguardavam sua resposta, inspirou fundo – para vencer a timidez – e vociferou:

- Há dois meses a minha mulher foi sozinha para o Hospital. Eu estava de serviço.
A Missao-san falou com todos nossos colegas de turno e ninguém podia vir me substituir, aí ela ligou para você, Ikki. E você aceitou na hora. E eu pude presenciar a vinda da minha primeira filha ao mundo. Eu fiquei muito feliz... de verdade.

- E você, Mikoto? – perguntou o chefe, agora apontando para a moça mestiça, de pele escura e cabelos ondulados.

- Meu pai foi atropelado. – ela respondeu sem delongas. - Se você não tivesse vindo me substituir eu não teria chegado ao Hospital a tempo para vê-lo vivo e me despedir. E sabe, eu precisava mesmo pedir perdão. Eu não fui uma boa filha... – ela disse, ficando com o olhar disperso, como se confessasse para si mesma e não para os presentes. Então ela voltou para olhar Ikki e sorriu. - E você me deu essa chance. Ele me perdoou. E eu passei a repensar muito a minha conduta depois disso.

- O meu caso eu só estava de ressaca mesmo... – um menino confessou de súbito, antes que o chefe lhe abordasse. - Mas eu menti, e no dia eu disse que não podia vir porque estava doente! Perdão chefe!

- Seito-kun...

- Mas, é chefe! Se eu tivesse dito isso pro senhor, eu teria sido despedido. E olha... – ele apertou a mão da menina ao seu lado. – E se eu tivesse sido mandado embora, eu não teria encontrado o amor da minha vida bem aqui. Né, Ayaname-san? – ele sorriu para a jovem que estava com o rosto todo vermelho ao seu lado.

Ikki sorriu. Então ele viu algo inesperado: Matsui Kami – um dos chefes de turno, e um dos que tinha certeza que não gostava da sua pessoa - se pôs a frente.

- Eu tenho que confessar: não gostava de você, Amamya. Caras com boa-pinta me irritam. – O grupo todo tentou abafar os risinhos que se espalharam, mas Kami pareceu não se importar e, colocando as mãos no bolso da calça, prosseguiu, fitando Ikki. – Mas, o motivo real dessa irritação era insegurança. Eu fiquei enciumado por causa da Missao. – ele voltou seus olhos para a noiva, e notou no brilho destes, a autorização que precisava para continuar com o discurso; e assim, seguiu: - Mas, eu percebi que você é um cara decente. Um dos nossos colegas foi demitido por causa...

- Kami... – o senhor Tsunami quis alertá-lo quanto a gravidade de se tocar no tal assunto. Mas seu subordinado o interrompeu bem humorado:

- Eu sei, chefe! Não vou citar o nome da mulher fatal... – O grupo riu mais uma vez e o rapaz deu continuidade: – Mas, todos nós corríamos o risco de passar pelo mesmo problema de assédio, que levou um dos nossos colegas no passado a ser demitido como se ele tivesse sido o culpado. E bem... Amamya, você além de ter sido digno em recusar a proposta indecente que lhe fizeram, ainda colocou a pessoa que quis comprá-lo no seu devido lugar... Olha! Estou admirado, sinceramente. E acima de tudo, pediu dignamente pra sair.

- Tudo por causa daquela vadia. – resmungou a assistente de RH, arrancando assombro da encarregada, que a repreendeu:

- Ariane!

- O que eu disse?

- Está pensando alto demais!

E novos risos se espalharam. Quando estes se acalmaram, Kami concluiu:

- Nós temos certeza, Ikki. Que graças a você, a senhora que fez isso, vai pensar duas vezes antes de tentar brincar com um ser humano novamente. E é por causa de atitudes nobres como essa. Atitude de um verdadeiro cavalheiro, é que você esta ganhando essa pequena despedida hoje. É a nossa forma de agradecê-lo.

- Temos certeza, filho. – Tsunami retomou a palavra. – Que você será um bom profissional da área de Direito. Desejamos boa sorte!

Ikki sorriu, ficando levemente ruborizado. Nem ele mesmo tinha ideia do quanto seus gestos – que para si, foram tão simplórios – tivessem tido tanto significado. Sentiu-se preenchido por um sentimento bom, algo como uma missão cumprida.

- Eu não quero ser modesto. Mas... eu só achei que estava cumprindo minha obrigação.

- Sua obrigação, Ikki, conforme seu contrato, era cumprir a carga horária dentro da tabela estipulada e os afazeres pelo qual foi contratado. – explicou mais uma vez a gerente de RH. - Tudo que foi citado aqui, foi feito além da sua função; foram gestos simples sim, mas de pura humanidade. Sabemos que advogados são seres que tendem a serem mais duro, frios, insensíveis, porque a profissão exige. Por isso, tente se lembrar sempre deste momento. Para não se esquecer o quão importante é para a alma, manter um coração.

- A Mikao tem razão. – apoiou Missao Akemi, a noiva de Kami. - A bondade precisa ser posta em prática todos os dias e sempre, Ikki! Porque nós seres humanos falhos e imperfeitos, tendemos a deixar momentos e gestos bons se apagarem rapidamente da nossa memória. Enquanto as feridas e as mágoas causadas por um gesto ruim, tendem a nunca desaparecer.

Ikki suspirou e novamente olhou em cada face ali presente, então, respondeu:

- Eu agradeço as palavras gentis de todos. Até parece que nunca mais iremos nos ver, e, vocês sabem aonde me encontrar, e eu sei onde encontrar vocês. Por isso, espero que não percamos contato. E quero deixar registrado também que, eu não sou essa pessoa tão boa que vocês estão falando. Sou humano. Imperfeito. Falho. Além de possessivo, impaciente, intransigente e ciumento. Mesmo assim, fico feliz em saber que o pouco que fiz, tenha tido um grande significado para vocês. Eu também aprendi muitas coisas aqui dentro. Principalmente: a conviver em grupo. E acreditem: eu já fui alguém muito solitário... Então, sou eu que tenho que agradecer. Obrigado.

...

Depois de deixar do prédio da Kia, Ikki saiu afobado para rua. Havia marcado de ir conhecer o local do novo serviço às quinze horas, e já era quatorze e trinta. "Eu só vou conseguir chegar do outro lado da cidade em trinta minutos, se eu tiver a ajuda do tele-transporte do Shaka ou do Mu.", ele pensou, ao entrar no carro.

Mas antes de ligar o veículo, sentiu o choque da vibração do celular no bolso traseiro; elevou-se do assento e retirou o aparelho de onde estava enfiado.

- Merda! – praguejou. - Eu me esqueço de tirar do modo de vibração... – Ele apertou a tecla "send" e colocou o aparelho entre o ouvido e o ombro enquanto atava o cinto de segurança. – Alô?

- Adivinha quem é?! Começa com "Shee" termina com "Na"!

- Gisele Buchen?

- O que aquela modelo magricela tem que eu não tenho?! – a voz irritadiça do outro lado da linha esbravejou. - Faça-me o favor! Com tantas mulheres mais bonitas no Brasil, porque logo ela?

- E como você sabe que as brasileiras são tão bonitas, assim? Você não está na França?

- Por isso mesmo, o país da moda só fala na beleza miscigenada das brasileiras.

- Ah, certo, Shee. – Ikki respondeu enfado, percebendo que o assunto iria render. - Esqueci que a burguesinha vive batendo salto por aí. Vou desligar. Estou atrasado. Bei...

- Não se atreva a desligar esse telefone, Ikki Amamya! – a voz de Sheena se tornou mais potente; completando ameaçadoramente: - Ou eu desço de jatinho encima da sua casa!

- Então fala, Sheena! Estou atrasado.

- Atrasado pra quê? Esta indo encontrar a amada, é?

- Não, meu novo serviço.

- Já começou mal, serviço que começa no dia de sábado? Ihhhhh! Já percebi que vai virar escravo.

- Alguns não nascem com a bunda no berço de ouro que nem certas pessoas. Agora eu preciso ir...

- Espera! – ela pediu.

- Ah, Céus! Fale Shee, o que você quer?

- Só quero saber o que está planejando para o dia de hoje?

- O que tem o dia de hoje?

- Santo pai da ignorância! Hoje é o dia dos namorados, filho! Alôooou! Onde anda com a cabeça? Não me diga que não planejou nada com a sua doutora?

- Para mim essa coisa de dia disso e daquilo é um bando de baboseiras! Temos que nos lembrar das pessoas que amamos por causa de datas que o calendário impõe? Isso é desculpa pro comércio arrancar mais dinheiro da gente.

- Será que eu estou sentindo na tonalidade da sua voz, um estresse aguçado provocado por falta de sexo? Meu querido, você está na seca?

- Sheena... – Ikki sentiu suas faces incandescerem. Sheena era a única pessoa no planeta, que conseguia constrangê-lo. – E vou desligar. – ele anunciou, calmamente.

- Você está! – ela gritou eufórica com sua dedução, fazendo Ikki afastar o aparelho no ouvido. - Eu não acredito! A doutora ainda não te deu um trato?! – ela gargalhou alto, deixando o amigo ainda mais envergonhado.

- SHEENA!

- Ikki, há quanto tempo estão juntos?

- Desde dezembro. Você sabe.

- Dezembro, janeiro, fevereiro... Três meses e nada ainda? O que houve?

- Na verdade são dois meses, não três. Começamos na véspera do natal.

- Ah, certo. Mesmo assim! Estão esperando o quê? O próximo Natal? Ou só vai acontecer depois do casamento?

Ikki suspirou. Na verdade, nem ele mesmo tinha ideia do porquê de não ter acontecido ainda.

- Não sei... falta de tempo, sei lá.

- Não quero ser intrometida, meu gato. Mas acho que o namoro de vocês está frio. E namoro sem calor, acaba indo por água abaixo. Pelo amor de Deus, Ikki! Se ela está tímida, faça você o papel de homem e avance os sinais. Pelo menos comigo você nunca decepcionou...

- Obrigado, por me deixar mais constrangido! Agora me deixa ir?

- Só se me prometer que desta noite vocês não passam. – ela negociou. - Use o dia como pretexto! A Kanagawa apesar da idade é uma mulher inexperiente. Você precisa norteá-la. Ou... eu o farei.

- Não se atreva a constrangê-la deste jeito, Sheena!

- Então prometa?

- Vou ver o que eu faço.

- Amanhã eu te ligo, se não tiver feito nada...

- Tchau, Sheena! Eu tenho que ir! – ele desligou. Suspirou. E acabou sorrindo. – Essa Sheena... – ele meneou a cabeça de um lado a outro, dando partida no carro. – Mas ela tem razão. É Erika, de hoje a gente não passa.

...

- ATCHIM!

- Tadaima! – Ryu adentrou o apartamento bem no instante em que ouviu o espirro da irmã e o baque de algo caindo.

Correu para cozinha e assustou-se com a bagunça. Havia louça suja por toda a parte e algo estranho borbulhando em uma panela encima do fogão. E nem sinal da irmã.

- Onee-chan?

- Aqui no chão. Acho que alguém estava falando mal de mim. (1)

Ryu olhou para os pés da mesa e, não acreditou no que estava vendo: a irmã caída, e o chão forrado por chocolate em pó. Ela esfregava o nariz. E, de um lado estava o telefone da sala, e do outro, a vasilha caída.

- O que está fazendo, onee-chan? – ele estendeu a mão para ajudá-la a se levantar. – Tentando acabar com o mundo?

- Engraçadinho... – ela aceitou a ajuda, segurou a mão do irmão caçula e deixou-se ser puxada. Após estar de pé, bateu o chocolate em pó de sua roupa. – Eu só estava tentando cozinhar. E também, tentando falar com o Ikki ao telefone, mas só dava ocupado. Então eu espirrei de repente, me desequilibrei e cai.

- Ah, só isso? – ele perguntou de um jeito, evidentemente, irônico. - Mana... você está fazendo o que estou pensando?

- Bem... se você está pensando em: "chocolate para dar ao Ikki no dia dos namorados", é sim.

O menino bateu a mão na própria testa.

- Não acredito!

-O que foi?

- Primeiro: você é péssima na cozinha, onee-chan. – ele desligou o negócio no fogo que começava a exalar um cheiro de queimado. – Segundo: Eu não acho que o brutamonte do Amamya goste dessas coisas.

- Será?!

- Mana, isso é coisa de adolescentes. – o caçula explicou. - E apesar dele ser mais novo que você, ele tem a maior jeito de velho e antiquado! Eu acho que você deveria tentar presenteá-lo de outra forma, por exemplo: um jantar a dois. E se quiser mesmo dar o chocolate, encomende algo para os dois comerem juntos no fim da noite. Não tente fazer um desastre natural.

- Mas é que eu queria fazer eu mesma, porque tem mais significado. E também, eu estava seguindo a receita.

- Vai nabo na receita? - ele pegou o legume que estava na mesa, ao lado dos ovos, da manteiga e dos morangos.

- Er... acho que peguei da geladeira por engano.

O menino meneou a cabeça de um lado para o outro, incrédulo.

- E o que sugere então, Ryu? Que outra forma você acha que deveríamos passar esse dia?

- De uma forma adulta, oras! Que tal... – o menino parou pra pensar por um segundo, então respondeu: – O que acha de uma noite em uma casa de banho?

- Casa de banho?! – ela espantou-se.

- Sim, onee-chan. Além de vocês dois passarem a noite fazendo "aquilo" da forma convencional. Podem fazer de um jeito mais ousado e romântico.

- "Aquilo"? – ela perguntou impressionada, arqueando uma das sobrancelhas.

- É. – Ryu confirmou como se a irmã realmente estivesse entendendo do que ele estava falando. - Mas se quiser que eu seja direto, eu troco o "aquilo" por "sexo". Mas... você é minha irmã e é um pouco constrangedor.

Ryu então percebeu o rosto todo da doutora se inflamar de um vermelho intenso; e sorriu, concluindo:

- Você ainda é bem tímida.

- Não é isso...

- E o que é? – ele perguntou desfazendo o sorriso, dando lugar a uma tez preocupada.

- É que eu e o Ikki... É... Bem...

De repente a mente do mais novo se clareou.

- Não me diga que vocês ainda não...

- Não.

- Não é possível! – Ryu exclamou verdadeiramente abobado. - Você não está falando sério, né, onee-chan?

- Estou, sim.

- Mas porque não aconteceu ainda?

- Eu não sei, Ryu. Talvez... falta de tempo? E também, só estamos namorando há dois meses.

- Isso não é desculpa, mana! Não precisa de tempo para se fazer sexo. Isso acontece até ANTES de se começar um namoro. Basta os dois quererem e pronto! Como você vai saber se o cara é bom de cama?

- RYU!

- Onee-chan! Sério. Agora você me preocupou. Isso é grave.

- É tão grave assim?

- Claro, que é! Se os dois não estão fazendo sexo, não consumaram o namoro ainda. Isso quer dizer que vocês ainda só se veem como amigos.

- Isso, não! Eu...

- Pensa em fazer com ele?

- É...

- Então nem tudo está perdido. Se o Ikki ainda não tentou avançar os sinais com você, talvez não seja porque ele não se sinta atraído, e sim, inseguro. Ele deve estar esperando você dar algum sinal.

- Eu?

- É, onee-chan! Você! Afinal, você é a mais velha, e isso deve intimidá-lo.

- Pensando desta forma, você pode ter razão.

- Mana, tem que mudar isso! E vai ter que ser hoje!

...

No Kyosumi Garden...

- Podem entrar. – permitiu a mulher, vestida de forma tradicional, - quimono e coque no alto da cabeça - depois de abrir a porta de correr de madeira, e mostrar a Shun e a Hyoga, o local que parecia um vestuário.

- Obrigado, Miosume-san. – agradeceu Hyoga, reverenciando a moça.

- Não há do que agradecer, Yukida-san. – a mulher devolveu a reverência e apontou os armários na parede. - Vocês podem guardar os seus pertences pessoais e roupas em um desses armários. O banho esta logo a frente, é só atravessarem aquela porta. Os quimonos, chinelos, toalhas, produtos para o banho, estão nesse armário. – ela mostrou uma porta de tamanho maior. - Se precisarem de algo, apertem uma das campanhinhas que beiram a piscina.

- Arigato! – responderam os dois ao mesmo tempo, reverenciando-a.

Novamente, ela retribuiu a reverência. Mas antes de sair, a mulher que deveria ter em torno dos seus vinte e dois anos, apontou um pequeno cartaz na parede, então, elucidou:

- Só peço, por favor, que leiam os nossos avisos. – ela solicitou, e os reverenciou mais uma vez, para em seguida, abrir a porta e sair do local; evitando sempre, olhá-los diretamente. - Bom banho. – desejou já do lado de fora.

- Arigato. – agradeceram, mais uma vez.

Hyoga inspirou profundamente ao se perceber a sós com Shun. Não conseguiu evitar um singelo nervosismo brotando em si, afinal, o irmão não havia dado uma palavra desde que entraram no lugar, que ficava bem escondido, aos fundos do parque.

- E então, Shun... – Hyoga chamou a atenção dele pra si, arriscando a perguntar: - Gostou?

Shun permaneceu estático, admirando do local. Não só pela exuberante beleza da construção que fora conservada no seu estilo feudal, mas, sim, pelo fato da casa ter um banho ao ar livre. Nunca estivera em um lugar daqueles antes, apesar de ser bem comum da sua cultura.

Porém, o fato que estava incomodando o caçula, era exatamente, se banhar junto com o amigo em um lugar restrito. Parecia algo bastante ousado, e o fazia imaginar se Hyoga estava com segundas intenções. Contudo, não queria pensar naquilo; estavam no começo do namoro, e o loiro não podia estar pensando em fazerem... Seu rosto avermelhou-se instantaneamente, e sem querer, o coração disparou só em permear tal possibilidade: "Ele não pode estar pensando em fazer aquilo? Ou pode?"

- Shun? – despertou ao ouvir a voz do namorado, chamando-o mais uma vez.

- Hai?! – respondeu, em sobressalto.

- O que foi? – Hyoga perguntou, se pondo na frente dele e repousando suas duas mãos sobre os ombros dele. O que fez Shun reagir estranho: puxar o ar para dentro do peito através do nariz e se paralisar com os olhos estatelados sobre ele. – Está tenso?

O caçula abriu a boca, querendo confirmar a pergunta, no entanto, o som não saiu; desistiu.

- Não gostou? – Hyoga refez a pergunta.

- Nã- não é isso... – apesar de gaguejante, conseguiu replicar. – É que... estou... surpreso.

- Depois que você entrar na água vai relaxar. – Hyoga afirmou, firmando as mãos nos ombros dele, tentando lhe transmitir segurança.

- Cer- certo. – Shun resolveu concordar, meneando a cabeça em um "sim".

- Então vamos aproveitar. Afinal, não é qualquer um que consegue um lugar desses na propriedade que pertenceu ao império, não é?

- E como você conseguiu? – o mais novo se viu curioso de repente.

- Foi o Okane, o diretor da minha escola. – Hyoga explicou, começando a desabotoar a camisa do uniforme. - Ele conhece muitos lugares, porque também é gay, então eu perguntei se ele poderia me indicar algum. E mais do que eu esperava, ele usou sua influência, fez alguns telefonemas e conseguiu uma reserva aqui. – informou o loiro displicentemente, terminando de retirar a camisa e lançando-a de qualquer jeito dentro de um dos armários.

Shun acompanhou a explicação com o olhar estático. Na verdade, seus olhos estavam presos nas mãos do amigo que se despia sem nenhum constrangimento diante de si. Era estranho. Não deveria estar preocupado, nem nervoso, já que Hyoga também não estava. O que o levava a crer que, - provavelmente - ele não tinha outras intenções, a não ser, passar um dia sozinho com o namorado.

"Mesmo que seja sem roupas, em um banho ao ar livre, que fora indicado por um gay rico e experiente, com o sobrenome 'Dinheiro'(2)."- Shun pensou, virando de costas ao percebê-lo abaixar as calças.

Hyoga sorriu do gesto do caçula, e de repente sua mente deu um estalo: "Será que ele está nervoso porque que está pensando que irei aproveitar-me do banho para desvirtuá-lo?". E bolando em uma peraltice, o loiro sorriu de lado e aproximou-se do Shun de costas; repousou suas mãos nos ombros dele novamente e lhe sussurrou ao pé do ouvido:

- Não precisa dar as costas para mim, Shun. – Hyoga sorriu satisfeito ao perceber que seu gesto dera resultado, pois notou a pelugem da nuca dele se ouriçar. Então, prosseguiu: - Acho que não temos nada de diferente para esconder um do outro... Não tem do que ter vergonha.

- Tenho, sim! – Shun resmungou, puxando os ombros de volta para si e dando alguns passos para frente, fugindo da voz suave e do toque firme do namorado que faziam seu corpo reagir estranhamente. – A situação é diferente. Não teria problema se fossemos irmãos ou amigos, mas... – o caçula engoliu em seco não conseguindo coragem pra terminar a frase. - Vai você primeiro, eu já o sigo.

- Se prefere assim.

- Prefiro.

- Ok. - E, atendendo ao desejo de Shun, Hyoga apanhou uma toalha, colocou-a no ombro e seguiu nu para o banho.

Shun suspirou aliviado e soltou os ombros, ao ouvir o barulho da porta se abrindo e se fechando atrás de si. Ergueu os olhos e procurou observar sua face no espelho. E como já esperava, estava totalmente vermelha.

"Droga... Não posso agir como criança. Além de tudo, somos amigos. E eu confio nele."

E depois de encorajar-se em pensamento, passou a retirar seu uniforme também, e diferente de Hyoga, os dobrou de forma ordenada e os depositou alinhadamente dentro do armário. Prendeu os cabelos no alto da cabeça com um lápis e enrolou uma das toalhas na cintura. Suspirou mais uma vez, ainda sentindo certa indecisão ao fitar a porta que levava ao banho. Foi quando algo lhe chamou atenção: o cartaz de "avisos" que a senhorita Miosume pediu para lerem, o qual Hyoga havia ignorado completamente.

Shun aproximou-se deste e após ler o segundo item, arrependeu-se completamente de ter se proposto a se informar. Sua vontade foi de sair correndo. Mas... era tarde pra desistir, e mesmo sentindo uma alfinetada incomoda na testa, inspirou profundamente, e seguiu rumo onde o loiro o estava esperando. Tentando apagar da memória o aviso que dizia: "Senhores usuários masculinos: usem preservativos. E, por favor, não os retirem dentro da água.".

"Quer dizer que esse lugar, é mesmo usado para esses fins..."

Dentro do banho, Hyoga, que estava de costas para a porta, ouviu o arrastar desta se descerrando e sendo cerrada novamente. Manteve-se na mesma posição, até que sentisse Shun adentrar a banheira, já que ele deixara claro que deveriam manter restrições e não se verem nu. E sabia que, teria que ser paciente com o amigo, se quisesse continuar levando aquele relacionamento adiante. Mesmo que estivesse chateado, por ele imaginar que sua intenção em levá-lo ali era para tentar tirar sua pureza. Não, que não pensasse nisso, ao contrário, pensava. Mas tinha que dar um passo de cada vez, para não meter os pés pelas mãos e acabar fazendo bobeira.

Hyoga notou que a água cristalina do lago artificial estava criando ondas circulares, Shun estava entrando. Cingiu seus orbes azuis claros e suspirou, tentando manter-se centrado.

- Pode virar... – Shun o permitiu.

E então ele descerrou os olhos e se virou. Porém, algo estranho aconteceu, fazendo-o entreabrir os lábios surpreso. Um arrepio lhe varreu o corpo; seu ar falhou e o coração açoitou o peito, tão frenéticas foram as batidas.

"Eu estava errado! Muito errado! Não deveria tê-lo trazido aqui! Deus! É o Shun?!", Hyoga se inquiria, confusamente, enquanto suor frio brotava em sua testa, contrastando com o calor que incandescia sua face. Shun estava de pé no lago e a água batia um pouco, acima do seu umbigo. Seu rosto fora banhado pela claridade do dia, e seus olhos verdes destacaram-se. Hyoga não conseguiu mais olhá-lo e deu as costas. Arrancando assombro do caçula.

- Hyoga?

- Só um minuto.

- O que houve?

- Nada. – respondeu.

Na verdade, Hyoga precisava se acalmar, já que, não esperava ver Shun daquela forma tão atraente: os cabelos presos no alto da cabeça, alguns fios escapando no pescoço e no rosto; a face toda avermelhada deixando ainda mais claro os olhos verdes. Nunca pensou que Shun pudesse ficar mais belo do que já vira tantas vezes. Aquela visão virginal dele mexeu totalmente com o seu corpo, a ponto de despertar seu membro que agora latejava. Levou as mãos até este, e o apertou vagarosamente, tentando acalentar a respiração. Se Shun o visse naquele estado sairia correndo dali.

- Hyoga, está me assustando...

- Só preciso me acalmar um pouco, Shun.

- Se acalmar do quê?

- Não esperava vê-lo assim.

- "Assim", como?

- Não vai ficar bravo?

- Com o quê?

Hyoga inspirou e respirou profundamente. Sentiu as maçãs do rosto arderem, mas precisava ser sincero.

- Fiquei excitado. – falou rápido e de uma vez. - Mas não era a minha intenção, eu juro! – ele tentou se justificar. – É que... você ficou lindo com os cabelos presos. Desculpe-me?

Shun realmente não esperava ouvir aquilo. Sentiu o rosto inteiro queimando de vergonha. Todavia, eram namorados. E se Hyoga sempre o amou, era certo que ele sentisse tais desejos. E ficou feliz com a sinceridade dele. E se este teve tal reação, foi porque não era sua intenção trazê-lo naquele lugar para tentar seduzi-lo. Por isso, resolveu deixar as coisas mais fáceis.

- Quer que eu solte os cabelos? – perguntou.

- Não. Fique assim. Vai passar.

- Então se vire para mim. – ele pediu.

- Não está bravo? – perguntou o loiro, agora curioso, voltando-se cuidadosamente para observá-lo.

Hyoga se surpreendeu ao ver o namorado vindo em sua direção, sorrindo levemente, em meio a vermelhidão que cobria sua bela face. E ao alcançá-lo, Shun tocou em seu rosto com a ponta dos dedos, fazendo um breve carinho em seu queixo. E a aproximação fora tanta, que o loiro pode sentir o hálito quente dele roçando seus lábios. Engoliu em seco. Para então, sentir uma contração aturdida nas entranhas, quando a boca dele, tocou a sua.

Ele o estava beijando?

Hyoga forçou suas mãos a se manterem onde estavam, mas não conseguiu. E em um impulso alucinante: segurou a cabeça de Shun entre suas mãos, trazendo-a de encontra a sua, passando assim, a devorar os lábios dele de forma faminta. Os dois corpos nus se uniram debaixo da água. E o loiro percebeu que Shun não o rejeitara, na verdade, ele estava esforçando-se para corresponder ao beijo da mesma maneira. As mãos dele estavam em seu peito e pode sentir as unhas se cravando levemente em sua pele.

Enfiou mais, as mãos na nuca de Shun e quase pôde senti-lo soltar um gemido entre os lábios apertados nos seus. Foi empurrando-o, forçando a andar para trás, até alcançarem a margem do lago. Ao sentir que o corpo de Shun tinha um apoio; o abraçou, pressionando seu ventre ao dele.

Shun sentiu-se aflito com aquela pressão, estava sentindo a parte íntima de Hyoga ouriçada e friccionando-se à sua. Àquilo lhe causou angustia. Precisava pará-lo, ou a situação sairia do controle. Porém, quando teve o ímpeto de afastá-lo, o estremecimento repentino do corpo de Hyoga e o gemido abafado que ele soltou, o confundiu.

O loiro largou da sua boca e encostou a testa no seu ombro, tentando regularizar a respiração. Conseguiu sentir cada músculo dele pulsando, e não era só isso, o rosto dele estava contraído e totalmente vermelho. Foi quando Shun sentiu algo estranho: um líquido morno misturando-se a água fria da banheira.

- O... que aconteceu? – perguntou assustado.

- Desculpe, Shun?

- O que você fez, Hyoga?

- Eu não aguentei...

- Não aguentou?

- É, eu acabei de... go...

- IE! NÃO DIGA! – Shun o interrompeu, ficando um tanto nervoso ao entender o que ele iria falar. Mas logo, se acalmou. Afinal, algo lhe dizia que também era culpado. – Não precisa dizer nada, eu o entendo. Mas Hyoga, você tem que se controlar. Eu não me sinto nem um pouco preparado para um relacionamento mais adulto. Você precisa ir com calma.

- Eu sei. E juro... Isso não foi planejado. – o loiro ergueu os olhos, vacilante, tentando fitá-lo. - Eu achei que poderia me controlar, mas o meu instinto falou mais alto. Desculpe?

Então Hyoga observou uma reação de Shun, que não entendera: o namorado estapeando a própria testa.

- O que foi? – perguntou curioso, querendo entender a razão do gesto.

- Acho que estamos encrencados. – o caçula explicou.

- Por quê?

Shun então abriu um grande e simpático sorriso.

- Você acabou de violar uma das normas descrita no cartaz...

...

Enquanto isso, Ikki chegara ao novo escritório, que ficava na região mais próxima da Universidade, o que para ele era um ponto positivo, já que sairia da mesma, e iria direto para o escritório sem perder tempo com locomoção.

Apesar do seu pequeno atraso, os donos do lugar o acalmaram, dizendo que não tinha problema algum, já que não haveria expediente naquele dia e que eles só estavam ali para apresentá-lo ao lugar.

O escritório de Advocacia Criminalística Tomodachi (3), recebera o nome pelo fato dos dois donos terem se tornado grandes amigos na época de faculdade. O chefe mais velho de Ikki se apresentou como Zanzo Kitame. 40 anos, casado, em torno de 1,80 de altura, grisalho, boa aparência, bom físico, olhos castanhos, pai de um casal de filhos e um dos advogados criminalista mais brilhante do Japão.

O segundo chefe se apresentou como Yashiro Omeda, 37 anos. Apesar de que, aparentava ser bem mais jovem que sua idade real. Omeda media em torno de 1,72 de altura, muito magro, cabelos e olhos castanhos, noivo há dois anos; e, - assim como o colega - especializado no ramo de Direito Penal. Apesar de ter ressaltado que não tinha o brilhantismo do amigo, contudo, tinha uma boa experiência que seria importante para Ikki, caso ele viesse a escolher aquele ramo.

Mas a diferença que ficou evidente entre os dois para Ikki, é que o primeiro aparentava ser um homem muito sério, de feições contraídas e olhos analíticos. Enquanto o mais jovem, tinha um jeito mais ameno e sorridente.

Ikki também foi apresentado ao seu outro colega estagiário: Keitaro Omeda, de 18 anos e que, - inspirado pelo o irmão Yashiro - desejava seguir a carreira de advogado. Todavia, reprovara no último vestibular e, por esse motivo, pedira ao irmão uma vaga no escritório, para que assim, pudesse ficar mais próximo da rotina da área. O jovem informou que havia se dedicado bastante no cursinho e estava confiante que no Processo Seletivo daquele ano, não seria reprovado.

O trio ainda explicou a Ikki que existia mais uma funcionária no escritório: uma secretária. No entanto, esta já era uma senhora de idade, que deveria ter por volta dos seus 58 anos; era corpulenta; baixinha e se chamava Shiore Henbi. Mas, devido a idade avançada, eles acharam por bem, não permiti-la vir no sábado só para conhecer o novo empregado da pequena firma.

Após as apresentações formais e de Ikki saber "por cima" como seria seu trabalho, o advogado mais velho se despediu, dizendo que precisava pegar os filhos adolescentes no shopping. Em seguida, foi à vez dos outros dois saírem.

- Bem, Amamya... Alguma dúvida ainda? – O Omeda mais velho perguntou, apoiando a mão no ombro de Ikki, e direcionando-o à saída.

- Não. Eu acho que por enquanto, não. E como o Kitame-san disse: eu vou me habituando a rotina, conforme for exercendo-a.

- É esse o espírito. – o homem sorriu, satisfeito. - E eu queria só alertá-lo de uma coisa Amamya.

- Sim?

- O nosso outro estagiário disse que não suportou o jeito autoritário do Zanzo. E bem... O Zanzo é um cara legal, só um tanto... Como posso dizer... Sistemático, entende? Afinal, ele é advogado criminalista, lida com crimes hediondos. E às vezes até passa por ameaças. Então, ele mantém uma pinta de durão, mas no fundo, ele é uma boa pessoa.

- Sinceramente, Omeda-san...

- Me chame de Yashiro. – o advogado pediu, interrompendo-o. - Pelo amor de Deus, não quero lembrar que sou velho.

Ikki sorriu, e então se corrigiu:

- Sinceramente, Yashiro-san. Eu gosto de tipos como ele, eu também sou um pouco assim. E acredite, não estou dizendo isso para ganhar crédito.

- Eu acredito, Ikki. Você parece um cara sensato. E é por isso que o velho sensei da Toldai indicou você.

- Além de ser acadêmico da Toldai... – Ikki ouviu o jovem irmão do seu chefe complementar, adicionando um olhar furtivo encima de si.

- Não ligue. – Yashiro o alertou. - O Keita-kun é meio frustrado por não ter passado lá. – Ikki manteve-se sério. E o menino só sorriu para o comentário desnecessário do irmão. Então, o mais velho continuou. - Bom, tenho que ir pegar minha noiva pra gente curtir o dia dos namorados juntos. – ele avisou, empurrando os dois para fora. - E você, Amamya, é casado?

- Tenho uma namorada, e um irmão mais novo. – Ikki lhe respondeu. Enquanto observava ele chavear o escritório. - Acho que temos coisas em comum.

- Verdade, né?! E a gata? É acadêmica da Toldai também?

- Ela já é formada na área faz algum tempo. Eu... fui um cliente.

- Ow! Não fique acanhado. Vou te contar um segredo: a minha noiva também já foi minha cliente.

- Onii-san, vamos! – o irmão caçula o chamou, impaciente, já na porta do carro.

- Certo, Keita-kun! Estou indo. Conversamos mais na segunda, Amamya. Ja ne.

- Ja ne! – Ikki se despediu.

Mas antes de entrar no seu carro, sentiu o celular vibrando, e desta vez, sorriu ao abrir o aparelho e constatar de quem era o nome que aparecia no display. Direcionou este no ouvido e atendeu:

- Alô?

- Está difícil falar com você hoje, ein, senhor?

Ikki sorriu.

- Boba. Desculpe? Tive alguns contratempos.

- E então, como foi no escritório?

- Estou aqui na frente ainda e sinceramente... Gostei de tudo. Tenho boas expectativas para esse lugar.

- Apesar de ser direito Criminal.

- E o que tem?

- Ah, Ikki... É uma das áreas mais difíceis do nosso ramo. Apesar de ser a mais valorizada, por ser tão complexa.

- E é exatamente isso que me atraiu.

- Mesmo?

- Mesmo. Acho que não terei problema em lidar com bandidos.

- Não são só bandidos, às vezes os crimes envolve pessoas inocentes, é necessário ter um psicológico bem trabalhado. Além de boa oratória, desinibição para falar em público, e um bom poder de persuasão.

- Gosto de desafios.

- É, eu já percebi.

- E então, o que faremos hoje? Afinal, é o dia dos namorados... – Ikki falou sem entusiasmo, entretanto, lembrou-se do aviso de Sheena de usar o dia como pretexto para enfim, avançarem para um estágio mais profundo daquela relação.

- Você lembrou?

Ikki não deixou de sentir o timbre de entusiasmo na voz da advogada. "Talvez, Sheena tem razão. Apesar de mais velha, ela ainda é uma adolescente ingênua...". Ele sorriu.

- Sim, claro.

- Bem, eu tenho uma sugestão... – desta vez, a voz dela vacilou levemente e o moreno acabou ficando curioso.

- Estou ouvindo.

...

Ikki, depois do telefonema de Érika, foi para a casa rapidamente. Ao chegar lá, não perdeu tempo, tomou um banho ligeiro, se perfumou, vestiu sua melhor roupa e saiu para apanhar a namorada. Na saída de casa, quase esbarrou com Seiya, que chegava afobado dizendo que precisava de um banheiro urgente. Mesmo assim, o mais velho o parou para avisá-lo que não tinha horário pra retornar para casa. E também, quis saber de Shun.

Seiya apenas disse que ele tinha ficado para trás, mas já deveria estar chegando. Ikki se contentou com a resposta, e como não tinha tempo de esperar pelo irmão mais novo, decidiu confiar no que o caçula moreno dissera. E após se despedir, o viu sair disparado para dentro da residência. Meneou a cabeça em um gesto negativo, e depois de resmungar "Esse Seiya não tem jeito", entrou no carro. Havia adorado a sugestão dada pela namorada. Uma casa de banho parecia o ambiente perfeito para o que tinha em mente.

Assim, em poucos minutos ele já estava do outro lado da cidade, aguardando Érika na calçada, enfrente ao condomínio onde ela morava.

- Ikki?

O mais velho ouviu uma voz de mulher o chamar e se virou, esperando o vulto que as aproximava afoitamente, se aproximar.

Ela parou diante dele com o peito ofegante. Debruçou o corpo para frente, apoiando as mãos nos joelho e, tentou recompor sua respiração. Ikki percebeu o quanto ela estava bonita. Era a primeira vez que a via de cabelos soltos. "E como são longos", pensou.

- O que houve?

- O Elevador está com defeito, tive que descer pelas escadas... – ela explicou, erguendo os olhos para ele.

E Ikki admirou-se do vermelho que esfogueou as bochechas da mulher que amava, deixando-a com um ar de menina tímida. A namorada estava sem maquiagem, na verdade, dificilmente a via maquiada ou adornada por jóias. E quando as usava, era sempre algo muito discreto. Ela ainda estava vestida de forma simples: um vestido estilo jardineira na cor caqui e sandálias sem salto, na cor creme. Ikki sorriu. E confessou para si mesmo: "Kanagawa era simplesmente linda, exatamente por ser daquele jeito: tão natural."

- Então, Ikki. O lugar que te falei fica no Kyosumi Garden. O Ryu disse que uma ex-vizinha da nossa cidade está morando aqui, e traba... –

Mas a advogada não continuou falando, porque Ikki colocara a mão em seu rosto e antes que pudesse completar qualquer explicação, sentiu seu queixo ser puxado e levado de encontro a boca dele. Logo, os braços grandes e musculosos do namorado a envolveram. E Érika sentiu o corpo amolecer e o rosto esbrasear ainda mais. Era muito bom sentir aquele abraço tão intenso; aconchegante, que a fez sentir-se como uma criança sendo amparada e protegida. O corpo de Ikki transmitia um calor tão denso, que a fazia deixar-se envolver sem nenhum receio. Ela não podia negar: estava perdidamente apaixonada.

...

Depois de uma viagem de quarenta minutos de carros, Ikki e Kangawa chegaram enfrente a uma residência antiga, no fundo do Kyosumi Garden. Após estacionar o carro, o moreno de olhos azuis saiu primeiro do veículo e abriu a porta do carro para a namorada. E abraçados, os dois seguiram para o lugar.

Ao chegarem à entrada, foram recepcionados por uma jovem vestida de forma tradicional.

- Há quanto tempo Miosume, está tão diferente. – Érika, que conhecia a moça, reparou - Quando a vi pela última vez, ainda era uma adolescente que usava chuquinhas nos cabelos.

- Pois é, Kanagawa-san. – a outra respondeu, encabulada com a observação. - O tempo passa, não é? Eu cresci; casei e acabei deixando o campo também, para vir morar na cidade.

- Casou? Isso é muito bom. – ela concordou em um suspiro. Na verdade, Érika sentiu-se constrangida, pela jovem Miosume, que deveria ser mais nova que ela uns oito anos, já estar casada. E resolveu não entrar em detalhes, e segurando o braço de Ikki, o apresentou: - Este é Ikki Amamya, meu namorado.

A moça que era advertida a não tratar com intimidade os clientes do local, não se atreveu olhar diretamente para o acompanhante da ex-vizinha, desta forma, apenas fez uma breve e tímida reverência com a cabeça, enquanto manteve seus olhos fixos em algum ponto no chão.

- É um prazer. – ela disse e, sem esperar a resposta do homem, pediu: – Me acompanhem, por favor, irei mostrar o banho.

- Sim. – os dois concordaram e a seguiram.

Enquanto iam andando e passando pelos cômodos, a jovem falava um pouco da história que escondia a estrutura do lugar que pertencera aos lordes feudais no tempo do Império. Ela também contou que o lugar, desde os tempos remotos, era exclusivo para encontro de casais proibidos.

- Amantes? - Érika perguntou curiosa.

- Também. – a mulher limitou-se a elucidar. - Porém, devido há alguns contratempos do passado. Hoje, o atual administrador, que é o senhor para quem eu trabalho, só aceita casais com algum tipo de indicação. Ele não é aberto o tempo todo, até mesmo, para não levantar suspeitas de possíveis esposas ou maridos que podem estar sendo traídos, entendem?

- Entendi.

- E quando precisa ser aberto. – a jovem continuou com a explicação. – Meu chefe pede para que eu e mais uma empregada da casa, prestemos os nossos serviços aqui.

Ikki não quis dar opinião na conversa das mulheres, prosseguiu o caminho em silêncio. Já Kanagawa, ficava cada vez, mais curiosa, e perguntou à amiga se muitos casais haviam agendado o lugar naquela data. Então, sua ex-vizinha apenas lhe respondeu:

- Somente mais um. É um desses casais modernos e incomuns. Contudo, eles já usaram o lugar, por isso, vocês podem ficar à vontade.

- Ah, sim. Obrigado. – a advogada sorriu agradecida da preocupação da colega.

Ao chegarem ao local do banho livre, a empregada explicou onde estavam os produtos para o banho, e também, pediu que eles lessem o cartaz de avisos, que na verdade, Ikki já estava lendo. Em seguida, ela saiu se despedindo:

- Tenham um bom banho.

- Obrigado, Miosume-chan. – Kangawa se voltou para o namorado e perguntou: – E, então, o que diz aí?

- Nada de tão importante... – ele começou a desabotoar a camisa social preta que estava vestindo. – Vamos, entrar?

- Cla- claro. – ela respondeu gaguejante, ficando vermelha ao ver o tórax bem trabalhado do namorado sendo exposto pela fenda da camisa.

Em questão de poucos minutos os dois já estavam sem as roupas. No entanto, a pedido de Érika, Ikki ficou com a toalha enrolada na cintura. Da mesma forma que ela também o fez: enrolou a sua toalha na altura dos seios. E, após ela prender os cabelos no alto da cabeça, o chamou para entrarem.

Contudo, Ikki pediu para que ela seguisse na frente, pois havia esquecido o celular no bolso da calça que acabara de guardar no armário. Na realidade, ele queria mesmo era apanhar a carteira, onde estavam os preservativos. Erika não o questionou e seguiu sozinha.

E, antes dela entrar no lago artificial, certificou-se de que ele não estava espiando. O fato era que, a advogada não se sentia tão atraente, por isso, tinha vergonha de ficar totalmente nua na frente do namorado, que tinha um físico de dar inveja a qualquer esportista.

Ao entrar na água temperada, ela decidiu deixar-se relaxar, por mais nervosa que estivesse. Fechou os olhos e inspirou profundamente. No entanto, ao reabri-los, viu algo reluzindo no outro extremo da piscina chamar-lhe a atenção.

- Então, a água está boa? – Ikki perguntou, abrindo e fechando a porta atrás de si.

- Está ótima. – a namorada confirmou. - Ikki, acho que alguém esqueceu uma jóia aqui, será que você pode entregá-la para Miosume, aproveitando que ainda não se molhou.

- Sem problemas, cadê?

- Vou pegá-la. – a mulher andou dentro do lago e apanhou o objeto que reluzia. Também estranhou ao perceber do que se tratava. Voltou até o namorado e estendeu a jóia brilhante pra ele. – Que estranho... Porque alguém traria um rosário para um lugar como esse?

Ikki arregalou os olhos ao ver o rosário brilhante nas mãos da Kanagawa. E a primeira coisa que lhe veio à cabeça foi o que a funcionária do lugar, havia dito à namorada pouco antes: "É um desses casais modernos e incomuns.". Ikki sabia muito bem, não tinha como uma jóia tão peculiar como àquela, vinda de uma região tão remota, pertencer a outro morador do Japão. E como se uma névoa negra encobrisse seus olhos ele fechou a mão na corrente e saiu de lá, deixando uma Érika muito confusa para trás.

- Ikki?!

Já no corredor, ele deu de cara com a ex-vizinha da namorada.

- Ah! – a mulher admirou-se, apontando a jóia nas mãos dele. - Eu já ia atrás disso. Você o encontrou.

Ikki ficou imóvel por um tempo, fitando desfocadamente a mulher. Precisava ser prudente, ou colocaria tudo a perder. Inspirou e respirou tentando organizar sua mente. Se fizesse um alarde ali, as pessoas que vieram atrás da jóia sairiam correndo.

- O dono veio atrás?

- Sim. – confirmou a empregada. - Ele disse que tem um valor sentimental estimadíssimo, por isso voltou imediatamente quando deu falta do objeto. Pode voltar e aproveitar o seu banho, senhor. Eu me encarrego de devolvê-lo. Obrigada. – ela se prontificou, estendendo a mão para que ele lhe entregasse o rosário.

Ikki respondeu um "certo" bem desmotivado, e depositou a jóia na palma dela. Depois de vê-la reverenciá-lo e dar as costas para si, fingiu estar voltando para o banho, esperando-a se afastar o suficiente para assim, dar meia volta e seguir em seu encalço.

Ao chegar à porta, ele ouviu claramente a voz de Hyoga, - o que não foi surpresa – contudo, o que o fazia seu coração acelerar demasiadamente, era incerteza de quem o acompanhava. Segurou com força a maçaneta da porta, e suspirou, antes de girá-la de vagar...

- Ikki?!

O coração dele quase saiu pela boca ao ouvir o chamado.

- Érika! Quer me matar de susto? – ele a repreendeu, com um tom de voz muito baixo.

- O que está fazendo? – ela quis saber, sussurrando no mesmo tom.

- Tirando uma dúvida. Eu sei de quem é aquele rosário. É do Hyoga.

A namorada mostrou-se realmente surpresa ao pronunciar um "Ah" sem nenhuma sonorização.

- Você não está achando que ele esteve aqui com o...

Mas antes dela terminar, a voz do loiro agradecendo do outro lado, fez Ikki apressar-se. Ele agachou-se rente ao chão e, fazendo um gesto para a namorada acompanhá-lo também, girou a maçaneta devagar; abrindo um uma pequena brecha de onde pode ver a recepção do lugar. Érika encostou-se em Ikki, e espichou os olhos por cima do ombro dele para tentar ver o que este via. E realmente, ficou atônita com o que constatou.

- Ikki... você tinha razão. – ela sussurrou surpresa. - O Hyoga é mesmo gay.

Porém, Ikki voltou a encerrar a porta vagarosamente e se levantou. Erika também o acompanhou, e os dois ficaram frente a frente. Então, a advogada observou assombrada, Ikki abrir grande sorriso de um lado a outro da face.

- O que foi? – ela inquiriu franzindo as sobrancelhas. - Está feliz porque não é o seu irmão que está com ele?

- Não, Érika. Não, é isso. É que... Não sei se fico bravo ou feliz. Mas acho que o Hyoga não é gay, afinal. – ele afirmou, abrindo mais o sorriso, deixando a namorada ainda mais consternada.

- Eu não entendi.

- "Aquilo", pode até parecer um menino, mas é uma menina, e muito atentada. É a namorada dele: Anina.

- Como?

- Esqueça! – Ikki disse, apanhando-a no colo.

- Ikki, o que está fazendo?!

- Vamos curtir a nossa noite!

I gotta take a little time (4)

(Eu tenho que dar um tempo)
A little time to think things over

(Um tempo para pensar melhor nas coisas)
I better read between the lines

(É melhor eu ler nas entrelinhas)
In case I need it when I'm older

(Caso eu precise quando envelhecer)

...

Do lado de fora.

- Vocês foram rápidos. – Shun, que ficou esperando na frente da casa, junto com a Elian, comentou.

- Parece que o outro casal que já estava lá, achou o que o Hyoga havia perdido, aí a moça nem precisou ir procurar. – Anina explicou na frente do loiro.

- E então, Nina? Matou sua curiosidade? – Shun quis saber.

- Só um pouco. – respondeu ela, retorcendo os lábios. - Na verdade, eu queria ver como é esse tal banho ao ar livre. Mas como não podemos entrar, nem valeu a pena ter ido com o Hyoga.

- Eu disse que não daria certo, mas você insistiu.

- A minha curiosidade que ficou me alfinetando e dizendo "você tem que ir". – ela reclamou, arrancando risos dos demais.

O loiro sorriu ainda mais, e bateu suas mãos uma na outra.

- Vamos para casa? – Hyoga sugeriu.

- Para sua ou para nossa? – Anina quis saber.

- Não seja engraçadinha, Anina Hagnovisk. 'Bora!

In my life there's been heartache and pain

(Na minha vida, só tem havido sofrimento e dor)
I don't know if I can face it again

(Não sei se consigo encarar isso de novo)
I can't stop now, I've traveled so far

(Eu não posso parar agorar, eu já fui longe de mais)
To change this lonely life

(Para mudar essa vida de solidão)

Anina segurou a mão direita de Shun que por sua vez teve a sua esquerda apertada pela de Hyoga, que teve a sua outra mão segurada por Elian. E assim, os quatro – unidos em uma corrente - seguiram andando, conversando e sorrindo, para fora do Kyosume Garden.


I wanna know what love is

(Eu quero saber o que é o amor)
I want you to show me

(Eu quero que você me mostre)
I wanna feel what love is

(Eu quero sentir o que é o amor)
I know you can show me

(Eu sei que você pode me mostrar)

...

Dentro do lago artificial, Érika e Ikki se beijavam de uma maneira singela, quase beirando o terno. A advogada sentiu as mãos firmes do homem que amava que contradiziam a delicadeza do toque labial, massagear seus ombros com firmeza. Em seguida, essas subiram por sua nuca, causando-lhe um arrepio gostoso naquela região, até alcançarem seu coque, e por fim, desatar o nó que prendia seus longos fios no alto da cabeça.

Ikki parou para observá-la. E sorriu encantado, ao ver os longos fios escorregarem tão levemente, que lhe parecera um véu emoldurando o belo rosto de Érika, até tocarem na água.

- Você imagina o quanto é linda?

Kanagawa forçou-se – timidamente - a menear a cabeça de um lado a outro. Ela não conseguia converter em palavras o que estava sentindo, seu coração se arrematava em seu peito toda vez que Ikki tocava-lhe, ou falava. Até mesmo, a voz dele, era capaz de lhe despertar desejos que ela jamais imaginara sentir. Na água, ela friccionava suas coxas uma na outra, contraindo sua parte íntima. Os bicos dos seios também estavam ouriçados, e agradeceu mentalmente, por Ikki ter soltado seus cabelos, pois assim pôde escondê-los.

- Está tremendo, Érika? – Ikki notou.

- Gomen? Acho que é a água...

- Quer sair daqui?

- Não. – ela respondeu rapidamente, e confessou: - E estou mentindo. A verdade é que estou...

- Nervosa?

- A palavra não é bem essa, talvez... "excitada", seja o termo mais correto.

Ikki sorriu de lado. Era o que precisava ouvir, apesar de ter suas dúvidas se ela teria coragem de dizer algo do tipo em algum momento. Satisfeito, retirou os cabelos dela dos seios, jogando-os para trás.

- Ah, Ikki, não. – ela protestou.

- Deixe-me vislumbrá-la... – Ikki pediu, segurando as mãos dela e impedindo-a de se cobrir em um gesto automático, fazendo-a abrir os braços. – Assim. Está Linda... E fica ainda mais encantadora com os cabelos soltos e o rosto corado.

- Bobo.

- Érika... – ele segurou rosto dela firmemente com ambas as mãos e lhe depositou um beijo nos lábios; para depois aproximar-se do ouvido, e em um sussurro se declarar: – Eu a amo.

Um arrepio gelado percorreu todo o dorso da mulher ao ouvir a voz sussurrada dele se confessando em seu ouvido. Mordeu o lábio inferior com tanta força, que quase o cortou. O tremor aumentou ainda mais, ao sentir a boca dele escorregando para seu pescoço, depositando em cada pedaço da sua pele, um beijo delicado.

- Ai, Ikki... – ela não conseguiu reter o gemido que escapou dos seus lábios. – Eu também... O amo tanto! De uma forma que até me enlouquece.

- Então deixe se enlouquecer, Érika. Quero sentir todo esse amor, da mesma forma que quero partilhar o que eu estou sentindo com você...

Gonna take a little time

(Vou dar um tempo)
A little time to look around me

(Um tempo para olhar a minha volta)
I've got nowhere
left to hide

(Não sobrou nenhum lugar para me esconder)
It looks like love has finally found me

(Parece que o amor finalmente me encontrou)

Ikki, após o consentimento da namorada, a levou para fora da água, e nas margens do lago, ele a deitou, para logo, sobrepor seu corpo nu sobre o dela. Ambos já estavam tão sobrecarregados de desejos, que as preliminares quase não foram necessárias. E depois dele dar atenção aos seios pequenos dela, sugando-os e massageando-os, ele a ouviu implorar entre dentes cerrados:

- Ikki, por favor... entre em mim. Já não estou aguentando mais. – ela avisou, enquanto abria suas pernas trêmulas, permitindo à ele, se encaixar melhor entre elas.

E ao ouvir aquele pedido inesperado, Ikki sentiu o seu membro que já pulsava, latejar. E não pensou duas vezes, o direcionou no pequeno orifício onde este já roçava e o enfiou rapidamente, até alcançar o fundo. Ali, pôde notar o quanto era verdadeira as palavras dela. O membro não encontrara resistência ao penetrar, tão úmido e quente estava o canal que percorrera. E ao sentir-se envolvido e aquecido dentro daquele pequeno confinamento, o moreno de olhos gateados não conseguiu mais manter a linha racional, e passou arrematar-se com ferocidade para dentro da namorada. Entrando e saindo em um ritmo alucinante.

Érika por sua vez, sentiu um frisson. As pernas amoleceram ao se penetrada com tanta precisão. Entreabriu os lábios e a única coisa que conseguia fazer foi gemer e tentar cadenciar a respiração que insistia em ficar presa no peito. Seu coração se desesperara, e àquela sensação magnífica de prazer ameaçava vir, deixando-a fora de si. Esquecera-se de manter o pudor e passou a se concentrar só nos movimentos, gemendo cada vez mais alto, ao ritmo da penetração.

- Ah! Ah! Ah Ikki! Assim! Ah! Ah!

Ikki debruçou-se sobre ela, fazendo pressão em seu ventre, tentando assim, estimular o clitóris também. E sorriu ao perceber que sua investida fora certeira, já que ela levou o punho fechado na boca, tentando conter um possível grito. Então, sussurrou:

- Pode gemer, Érika... Eu gosto assim...

- Ahhhhh, Ikki! Está me enlouquecendo! Eu não... Eu não... Eu não... – ela arqueou as costas do chão; contraiu os dedos dos pés, e envergou o pescoço para trás ao sentir o clímax lhe atingir como uma flechada. E não segurou o grito que saiu eloquente de sua garganta: - !

Ikki sentiu seu membro ser contraído fortemente dentro da namorada. Ela entrara em estado de êxtase. E desta forma, não conseguiu mais resistir. Retirou o membro que já gotejava o pré-gozo dentro do preservativo, e deu uma última e forte estocada. Para em seguida, abraçá-la, sentindo ser dominado pela a pulsação do orgasmo. Ele também não conseguiu suportar a onda de êxtase que o assolou, e vociferou seu prazer entre dentes trincados:

- Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!


In my life there's been heartache and pain

(Na minha vida, só tem havido sofrimento e dor)
I don't know if I can face it again

(Não sei se consigo encarar isso de novo)
I can't stop now, I've traveled so far

(Eu não posso parar agorar, eu já fui longe de mais)
To change this lonely life

(Para mudar essa vida de solidão)

Depois de algum tempo, já com os corpos relaxados. Ikki descansava com a cabeça apoiada no peito da mulher abaixo de si, ouvindo o coração dela tamborilando de forma frenética; enquanto sentia as carícias daqueles dedos tão frágeis, em seus cabelos.

- Nem acredito que demoramos tanto pra sentir isso... Você foi maravilhoso... – ela falou, admirando o céu estrelado que aparecia entre as copas das árvores.

- Você também foi perfeita. Ainda estou sentindo meu corpo formigando.

Ela sorriu.

- Já estava começando a pensar que você não se sentia atraído por mim.

- Imagine... Só não fizemos antes, por falta de oportunidade.

- Mas de agora em diante será diferente, não é?

- Com toda certeza. Agora que eu não preciso ficar vigiando tanto o meu irmão, acho que poderei passar algumas noites com você no seu apartamento, se me aceitar, é claro.

- Jura?

Agora fora a vez de Ikki sorrir e elevar-se do corpo dela, lhe alcançado a face. E, após soltar um breve suspiro, fez-lhe um afago no rosto com as costas da mão e, olhando fixamente nos olhos castanhos, confirmou:

- Eu juro.

Kanagawa fechou os olhos e inspirou profundamente, como se tragasse para o seu interior, as palavras ditas por ele, e sem nenhum receio, confessou mais uma vez:

- Eu te amo tanto, Ikki. Tanto. – ela disse, reabrindo seus olhos e vislumbrando aquele par de belos orbes azuis gateados sobre si.

A advogada estava extremamente feliz, afinal, nunca em sua vida, ideara encontrar alguém como Ikki. Tão lindo, tão másculo, tão dedicado a família e tão determinado em seus ideais. Escorreu seus dedos pela face ainda úmida do namorado, e dos fios que ainda gotejavam. Então, o viu beijar a ponta dos seus dedos e se declarar também:

- Eu te amo, Érika. Muito.

Os dois suspiraram quase que ao mesmo tempo, sorriram, e se beijaram.


I wanna know what love is

(Eu quero saber o que é o amor)
I want you to show me

(Eu quero que você me mostre)
I wanna feel what love is

(Eu quero sentir o que é o amor)
I know you can show me

(Eu sei que você pode me mostrar)

...

Enquanto isso, na residência Imperial...

Yukihiro tentava impedir o jovem Spike, irmão de criação de Yumihito a adentrar o palácio, principalmente, porque ele chegara com uma mochila nas costas.

- Deixe-me em paz, Capacho Imperial! Eu quero falar com o meu irmão.

- Capacho Imperial?! – indignou-se o empregado da casa. - Eu sou o conselheiro do Imperador! Que audácia é essa?! Retire o que disse!

- Tá, tá. Eu já entendi. – disse ele, dando de ombros e subindo a escadaria que levava para o segundo piso, sabia o caminho para o aposento do irmão, não precisava ficar discutindo com aquele ali.

- Espere, Spike! Eu disse que não podia subir! Mas, que inferno! – ele praguejou e o seguiu.

Ao encontrar a porta do quarto que procurava, o americano não pensou duas vezes e entrou sem bater, antes que o outro que vinha em seu encalço se aproximasse o suficiente para impedi-lo. E quando percebeu a maçaneta girando e a voz abafada de Yukihiro do lado de fora o chamando, foi rápido, e chaveou a porta.

- Vai dormir, sensei! Relaxa um pouco.

- Eu ordeno que abra essa porta agora, Spike!

Mas o moreno não deu ouvido. Procurou o interruptor, que ele sabia que ficava em algum lugar ali perto da porta e o acionou. Quando a luz banhou o recinto ferindo um pouco seus olhos, Spike olhou direto para a cama do irmão e se chocou com o que via.

- Mas que diabo é isso?! – ele franziu o cenho, não era o irmão deitado nu de bruços ali, e dormindo profundamente. Era...

"Shun?"

Ele aproximou-se mais e observou o lençol que estava nas costas do rapaz e que só cobria parte do lombo deste. E notou, apesar da semelhança, que não era o Shun. Os cabelos eram escuros, e a pele não era tão pálida. Além dos assessórios que ele usava: pulseira de couro, pircings, brincos.

- Ainda com essa mania idiota de entrar sem bater, Spike-kun? – ele ouviu a inquisição de Yumi, que saía do banheiro amarrando o hobby.

- Que diabo é isso? – ele perguntou, apontando para a pessoa na cama do irmão.

- Um garoto nu.

- É eu percebi, mas...

- O que quer aqui, Spike? – Yumihito o cortou.

- Um lugar pra ficar. – respondeu ele displicentemente, pois não conseguia desviar os olhos do corpo perfeito do garoto na cama, na verdade, na parte mais avolumada e arredondada que ele tinha.

- Por quê? O que aconteceu na sua outra casa?

Spike ouvira a pergunta, mas não conseguira formular uma resposta. Estava hipnotizado com o menino sobre o leito. Era evidente, pela forma amassada dos forros de cama e pelo cheiro que exalava do lugar, havia acabado de rolar um sexo selvagem ali. Até porque Yumi, acabara de sair do banho. Mas não era exatamente isso que o intrigava, e sim, a semelhança que ele tinha com o garoto mais popular da Kanagoe Fuji.

- Spike, quer parar de babar na bunda do meu amante, e responder a droga da pergunta que lhe fiz.

- Quem é? – o americano insistiu em perguntar.

- Não te interessa.

- Ele é perfeito.

Yumihito sorriu de lado.

- Não vai pensar da mesma forma quando o vir acordado.

- Mandou fazer um clone do Shun?

- Apesar de ter muito dinheiro agora, suponho que seja impossível.

- E como encontrou alguém tão semelhante?

- Por acaso. – replicou seco. – Agora pare de me ignorar, e responda: o que houve na sua casa?

- O Mido tá cheio de merda na cabeça, preciso de um tempo longe dele.

- E esse longe tem que ser aqui?

- Ué, irmão? Você morou durante uma vida inteira debaixo do mesmo teto de trailler que eu. Vai ter a coragem de me negar abrigo, agora?

Yumi suspirou. Aquilo não era nada bom para os seus planos...

Continua...

...


Ufa!

Capítulo ENORME. Pra compensar o atraso! Além do que, esse será o último do ano, e, tecnicamente falando, esse também é o último capítulo relacionado a temporada anterior, porque o novo ano escolar na verdade, começa em Abril no Japão, ou seja, no próximo capítulo.

Então, a nova temporada promete! E para aguçar os paladares, uma prévia do que virá depois:

- Tem início o novo ano escolar do Shun e do Seiya. o/

- Vestibular Shiryu e Hyoga. o/

- Novo semestre universitário de Ikki, além do novo trabalho. o/

- Sheena e Flér estarão de volta. o/

- Nascimento da filha do Shiryu. o/

- Muito mais Kanagoe Fuji: Aliah, Seiya, Ken, Kary, Tomoe, Shin, Spike, Sakura e Mido. Yuki-sensei. Além do retorno da Flér e o ingresso da Kalya

- E claro! Muita, mas muita confusão pela frente com nossos queridos vilõezinhos da malhação: Ken e Yumi! Além do que, aparece Spike. Será que ele veio para somar? Ou atrapalhar os dois?

- As irmãs Hagnovisk's: Elian e seu tratamento. E os planos infalíveis da pequena Anina para ajudar o casal Shun e Hyoga.

- E claro, o namoro mais esperado de todos: Shun e Hyoga finalmente estão juntos e parece que Ikki vai dar uma trégua? Será? E por quanto tempo?

E, vou esperar o apoio de vocês no ano que vem também! Será o terceiro ano de Os Garotos! E gente, essa fic vai fazer três anos! Vocês entendem o quanto isso me emociona? Estou muito feliz de verdade. E só cheguei até aqui com os meus meninos, porque vocês sempre estão aí me apoiando. Por isso, agradeço de mais a todos vocês que estiveram comigo durante este ano, àqueles que estão comigo desde o começo! E espero que essa história só cresça e ganhe novos adeptos.

Como a Naluza sugeriu (minha auxiliar de roteiro, obrigado de verdade!) talvez esse ano não tenha mais capítulo, vou descansar um pouco para revitalizar as ideias e o ano que vem, retornamos com tudo. Mas, farei os especiais de fim de ano. Além da atualização dos Bastidores.

Mas, já aproveito o ensejo pra desejar a todos, do fundo do meu coração: Boas festas!

Vou respondendo as reviews aos poucos!

See you next year! o/

PS.: Choquito? Cadê você meu filho?!


1 No Japão eles acreditam que quando se espirra do nada, é porque alguém está falando mal dele.

2 Dinheiro: Okane.

3 Tomodachi: Amigo (a);

4 Música: I wanna know what love is – (a versão original é cantada pelo Foreigner/ Mas esta que usei aqui é a versão atual, na voz da diva Mariah Carey (Espero que gostem, eu amo! :D)