Tazuna sorriu ao ver seu neto Irani chegar correndo, seu genro e filho já podiam ser vistos chegando. Há dois anos, quando pensara que a vida deles seria destruída, dois shinobis de Kiri tinham aparecido no momento em que seu genro seria martirizado e executado por ter se colocado contra Gatou. Desde então, os nomes de Zabuza, o Demônio da Névoa Sangrenta e Yahiko, o Ninja dos Espelhos, por dizerem que todo jutsu com que o atacassem voltava a quem o lançou.

Kiri e Ame tinham vindo no auxilio de Onde e seu povo, estavam varrendo as inúmeras ilhas atrás de pessoas que quisessem e pudessem testemunhar contra Gatou, e tinham chego no momento da execução de um herói. Desde então, haviam conseguido muitos recursos, mas a batalha ainda não estava ganha e Gatou ainda não fora completamente vencido, até que ele tinha se mostrado verdadeiramente, indo contra a ponte que construíam, a primeira ponte de uma séria que ligaria todas as ilhas e então ao continente de Água. A primeira ponte da esperança e do progresso. Tinha atacado com uma horda de renegados e samurais em desgraça, bandidos de todos os tipos. E mais uma vez, como que por encanto, lá estavam os ninjas de Kiri e Ame, com seus reluzentes símbolos e excepcional coragem. Dessa vez não eram apenas Zabuza e Yahiko, mas dois meninos os acompanhavam e Tazuna temeu pela vida deles até ver o imenso poder que mostraram contra a horda destrutiva. Impressionante esses ninjas, e então se envergonhou por não ter comunicado o Mizukage de suas intenções, poderia parecer que ele estava fazendo aquilo às costas do homem, que fora bons com sua vila e país, mesmo assim, Nagato, o Mizukage, tinha enviado seus ninjas ao auxilio de Onda.

O último inimigo caiu, o próprio Gatou, pela espada sangrenta de Zabuza, que sempre seria um anjo vingador aos olhos do povo de Onda e o povo de sua vila corria para ajudá-lo, tinham sido avisados tarde demais sobre a chegada do perigo, ou talvez os shinobis tinham terminado com o perigo rápido demais.

- Vô – Irani gritou chegando ao avô, que lhe pegou no colo e abraçou forte – onde...

A voz de seu povo, de seus conhecidos de toda uma vida, a voz do próprio neto, todos os sons foram abafados pelo movimento dos dois meninos mascarados de Kiri, que revelavam finalmente seus rostos, parados na balaustrada da ponte, de mãos juntas, os cabelos brancos e os castanho-escuros se unindo a brisa e então os dois gritaram juntos.

- Naruto! – as vozes jovens e juvenis de Kimimaro e Haku se uniam como um grito de guerra – Naruto!

Zabuza riu, prendendo a espada em suas costas e olhando como um homem iluminado para o jovem Haku, que lhe olhou por sobre o ombro e sorriu.

- Isso, grite – Zabuza incentivou feliz.

Yahiko tocou o ombro de Zabuza e foi na direção de Tazuna e do povo que se acumulava na ponte.

- Parece que mais uma vez, chegamos no momento decisivo – Yahiko sorriu ao apertar a mão que Tazuna estendia – Nagato estava interessado nas pontes que construirão aqui, ele diz que essa é a forma certa de trazer o progresso e futuro para as vilas de Onda. Nos enviou para assegurar a ajuda de Kiri e Ame, se desejarem ou precisarem, não só como proteção, mas com viveres e materiais.

Tazuna corou envergonhado e então concordou, ouvindo seu povo sussurrar de contentamento, a aprovação de Kiri era muito importante, seu povo ainda registrava o fato de que o maior inimigo deles tinha finalmente caído. Logo começariam a imaginar o quanto aquele oferecimento era proveitoso e extraordinário.

- Essa palavra, que os seus...- Tazuna parou de falar, não sabendo como se referir aos dois meninos, eles eram shinobis, mas usavam as máscaras que representavam os oi-nin, e haviam quebrado completamente o protocolo ao tirá-las.

- Meus irmãozinhos? – Yahiko perguntou sorrindo – não temos laços de sangue, mas somos a mesma família, eu, Nagato e Konan os criamos desde que eram bebês.

- Entendo – Tazuna falou olhando o genro, que não era o pai de sangue de Irani, mas era o pai que seu coração escolhera, e já era pai do neto antes mesmo dele casar com sua filha Tsunami – nós podemos entender isso.

- Que bom – Yahiko sorriu passando a mão nos cabelos de Irani – veio salvar seu avô?

- Hai – Irani sorriu amplamente, uma criança feliz e cheia de esperança – mas vocês fizeram tudo sozinhos, obrigado.

- Foi um prazer – Yahiko falou – limpar o mundo de lixo oportunista como Gatou, essa é uma das nossas missões.

- A palavra – Tazuna voltou ao assunto – o que ela quer dizer? Além de bolo de peixe, é claro. Tem algum significado especial para vocês shinobis?

- Tem, tem sim – Yahiko sorriu por sobre o ombro, olhando Zabuza entre seus irmãozinhos, os três olhando na direção de Konoha enquanto conversavam baixinho – tem um significado amplo e especial.

- É alguma língua antiga? – Tazuna perguntou, precisava de um nome para aquela ponte.

- Não, é língua comum, não é uma palavra, senhor construtor, é um nome – Yahiko sorriu para Tazuna e foi se unir aos irmãos, que o chamavam, Zabuza ocupou seu lugar.

- Um nome, ele disse – Tazuna pensou alto e então olhou Zabuza – o senhor saberia o que significa?

- Sabe que só me uni novamente a Kiri há dois anos, não sabe? – Zabuza perguntou.

- Ah – Tazuna ficou desapontado por aquilo, entendendo como uma negação.

- Mas eu sei o que esse nome significa em Kiri – Zabuza falou – é o mesmo que significa em Ame e em Suna. Uzumaki Naruto, o nome do filho do Hokage em Konoha, esse é o nome que eles gritaram, porque foi de Konoha que surgiu o alerta para voltarmos nossos olhos nessa direção.

- Como? – Tazuna estava confuso, seu povo ia se dispersando, recolhendo corpos para serem enterrados, dando privacidade a Tazuna e sua família, que lideravam aquela comunidade – o que o nome do filho do Hokage representa? É um desafio?

- Não, é uma honraria – Zabuza sorriu olhando Yahiko, que gritava junto com Kimimaro e Haku agora, por isso riu alto, então os demônios tinham convencido o mais que disposto Yahiko, previsível – Naruto, para nós da grande Aliança, principalmente para os governantes de Suna e Kiri, quer dizer muitas coisas, como esperança e liberdade. Chamar o nome dele em nossos momentos de triunfo, é uma forma de honrar o sacrifício que ele fez para que nós pudéssemos triunfar. O filho do Hokage de Konoha é nossa luz da esperança, o farol ao qual nós que lutamos pela igualdade e paz nos agrupamos. Eu não conhecia esse nome, e desconfiava das intenções de Nagato até que ele foi atrás de mim. Eu poderia ter sido um dos adversários hoje, um dos mercenários de Gatou, mas Nagato me deu minha vila de volta, me deu algo para onde voltar e pelo que lutar, e meu deu uma família. Com eles, eu aprendi o que esse nome significa.

- Um farol de esperança...- Tazuna pensou sorrindo.

- Sim, o nosso farol – Zabuza sorriu – um dos Sannins de Konoha, Jiraya-sama, o Sennin dos Sapos, ouviu do próprio Sapo Ancião, uma profecia, nessa profecia, o Sapo Ancião via uma criança. Uma criança treinada por Jiraya que teria o poder para mudar completamente o mundo shinobi ou o destruir. Nagato, o Mizukage, foi aluno do próprio Jiraya, como Yahiko e Konan, e é também Herdeiro do Eremita dos Seis Caminhos, o criador do ninjutsu e mundo shinobi, achava-se que ele era essa criança.

- E era? – Tazuna perguntou, tudo que envolvia o Mizukage o envolvia de alguma forma, pela proximidade entre Kiri e sua vila. Fora que a possibilidade da destruição do mundo shinobi era assustadora demais.

- Ai é que está – Zabuza sorriu – o Sapo Ancião viu apenas uma criança, mas na verdade elas são duas. Nagato, que realmente é a opção obvia, e Naruto, que também é ensinado por Jiraya-sama. A vontade de Naruto para que haja paz, para que um mundo melhor para todos exista é que impulsiona toda a Aliança, é nossa força propulsora e encorajadora. Não há um menino, há dois, e a vontade deles se une para mudar o mundo.

- Duas crianças, uma só vontade – Tazuna falou.

- Assim como a Aliança no momento conta com quatro grandes vilas, mas uma só vontade – Zabuza sorriu – apesar de ter ouvido que Hoshi e Taki se unirão a nós, assim como uma nova vila que se forma em Arroz, criada pelo clã Fuuma e que dizem que se chamara Oto.

- Uma nova vila? – Tazuna perguntou espantado.

- Há muitos clãs em Arroz, clãs shinobis – Zabuza sorriu – se unirem e fortificarem é uma forma de se preservarem. Parece que Suna enviou alguém para ajudá-los nessa fase, assim como Konoha está estendendo seu braço protetor a Neve, onde sua princesa finalmente retorna para trazer prosperidade ao seu país e povo.

- Não há ninjas em Neve, há? – Tazuna perguntou confuso.

- Não há ninjas aqui também – Zabuza sorriu de lado – e estamos aqui, não é?

Tazuna concordou confuso.

- Por quê? – Irani perguntou curioso.

- Porque entendemos que como shinobis, nosso dever é proteger aqueles que não têm forças para lutar sozinhos, e também aqueles que lutam pelo mesmo que nós lutamos – Zabuza falou, vendo o nariz do menino se franzir quando pensara ter sido chamado de fraco – vocês lutam por uma vida melhor, não querem tomar nada de ninguém, querem apenas prosperidade, esse é o nosso desejo também. Um povo feliz, um povo próspero, é um povo pacifico, e nosso objetivo é a paz.

- Naruto – Tazuna pensou um pouco – um bom nome para nossa ponte, já que é um símbolo de um novo começo.

- Um bom nome – Zabuza concordou olhando para a margem, onde seu corpo e o de Haku poderiam estar enterrados agora, se Uzumaki Naruto não tivesse voltado no tempo e espaço para mudar as coisas. Olhou então Haku, tão jovem e belo, vivo e feliz, com seus lindos olhos luminosos. Sim, escolhera o caminho certo, sim, eles mereciam essa nova oportunidade e não morderiam a mão que se estendera a eles – Grande Ponte Naruto, um bom nome.

- Um nome forte – Irani falou sorrindo – obrigado mais uma vez, senhor ninja.

- Cumpri meu dever – Zabuza falou formal – e foi um prazer, realmente. É como se hoje, mais do que ontem ou há dois anos, eu sentisse que meu destino finalmente foi alterado. Eu sinto que fiz as escolhas certas ao aceitar as mãos que se estenderam na minha direção, e hoje eu provo a mim mesmo isso. Boa sorte com suas pontes, nos veremos novamente, e espero que na próxima vez, não seja por trabalho.

- Também não – Tazuna falou sorrindo – vamos, Irani, temos uma ponte para inaugurar.

**-**

O Daymio de Pássaro chamou seus dois filhos, seus gêmeos lindos, o melhor amigo de seu filho, Chishima e seu conselheiro Koumei. Estava curioso demais e cansado demais para se preocupar com o fato da filha Toki lançar olhares hostis para Koumei.

- Sentem-se – pediu cansado – há algo que tenho que lhes dizer. Toki, minha linda flor, poderia sentar aqui ao meu lado esquerdo, meu filho, venha ao meu lado direito, isso.

Os filhos se acomodaram e Chishima e Koumei sentaram nas almofadas a frente do Daymio naquela informal sala de chá. Apenas a mesa baixa os separava da família governante e o estrategista Koumei contraiu os lábios por isso. Era inseguro demais, e se um deles fosse um traidor? Não havia como proteger seu Daymio de um punhal envenenado ou adaga cruel.

Observou Chishima, o jovem fora amigo desde sempre do herdeiro do Daymio, aparentava ser pacato e sincero em sua afeição a família, mas e se fosse apenas um bom ator? Ficaria alerta e rezava para ser rápido para proteger o seu senhor se fosse necessário. A filha do Daymio podia o olhar de relance, mostrando hostilidade, e reconhecia que era um homem ambicioso, mas jurara fidelidade ao Daymio e jamais se rebaixaria a descumprir suas promessas. Era leal e fiel e assim permaneceria até a morte do Daymio, a quem amava como líder.

- Há mais de dez anos, um shinobi de Konoha correu o mundo – o Daymio começou, chamando a atenção de todos – dos lugares que ele visitou, muitos foram ignorados, mas a alguns ele ajudou, e aqui, ele deixou um pergaminho com instruções para ser aberto, quando, como e com quem. Por isso estamos aqui reunidos.

- O Anbu de Konoha? – Koumei perguntou, era também um estudioso e qualquer um que se dedicasse a estratégia conhecia aquele codinome, um homem fascinante, na opinião de Koumei, já que ninguém sabia quem era e que fim tivera, só sabiam que ele tinha mudado praticamente todo o mundo – eu não imaginava...

- Não, ninguém saberia – o Daymio sorriu generoso – ele não fez uma visita formal, por assim dizer, eu acordei uma noite e ele estava em meu quarto, perto da minha janela e se apresentou. O mais espantoso, já que ninguém o vira entrar ou sair, era que eu não senti medo. Ele poderia facilmente me matar, se fosse essa a intenção dele, mas não foi o que ele fez. Ele apenas sorriu e me entregou isso, enquanto se apresentava. Confesso que mantive isso em segredo com certa possessividade, aquele momento era só meu, e temia ter que abrir mão desse segredo. Acontecimentos recentes me fizeram lembrar com exatidão espantosa as palavras dele e me alertaram que era hora de revelar esse segredo e abrir o pergaminho.

- Confia que não seja uma ameaça, pai? – a filha perguntou com olhos preocupados.

- Não, se fosse, ele teria facilmente me matado naquela noite, um shinobi poderia ter ocupado meu lugar, vocês ainda eram jovens, ninguém notaria realmente a diferença – o Daymio falou – tinha acabado de perder sua mãe e um homem sempre se modifica ao perder a mulher amada. Ninguém jamais notaria.

- Não faz o estilo do Anbu de Konoha – Koumei concordou – ele prestou grandes serviços a muitas nações quando seu nome ficou conhecido, e muitos se perguntam onde ele estará. Eu gostaria de poder conversar com ele, sua mente deve ser brilhante, ele é um ótimo estrategista e planejador.

- Sim, e era belo como um raio de sol – o Daymio falou sorrindo – mas vamos ao pergaminho. Minha filha, preciso de uma gota de seu sangue para abri-lo.

- O meu sangue? – a filha arregalou os olhos.

- Sim, o seu sangue – o Daymio sorriu e então olhou Chishima – e o seu, Chishima.

O jovem pegou rápido um pequeno canivete que sempre carregava e cortou a ponta do dedo. A jovem Toki pegou uma agulha da caixa de bordados que praticava naquela sala enquanto esperava o pai revelar seus planos e furou o dedo, pingando a gota no selo. Chishima deixou seu sangue, mais abundante pelo corte afoito, pingar e o selo abriu finalmente.

- Muitos shinobis examinaram isso em segredo, nenhum jamais conseguiu abri-lo – o Daymio falou – nem mesmo o sangue de vocês anteriormente, então presumo que seja um selo temporal de sangue.

- Ele usou muito esse selo – Koumei falou baixo, entregando um lenço ao jovem Chishima.

O Daymio desenrolou o pergaminho e Koumei ofegou ao ver as linhas saindo do papel e se estendendo pelas paredes entorno deles, os cercando completamente.

- Um jutsu silenciador – Koumei explicou – se qualquer pessoa estiver escutando ou vigiando, não ouvira ou verá o que acontece aqui. Ele foi previdente, é somente para seus olhos e ouvidos, meu senhor.

- Nossos olhos e ouvidos – o Daymio corrigiu enquanto terminava a de abrir o pergaminho, um pequeno pacote com ervas caiu em seu colo e ali ficou – vou ler para todos, e então veremos como proceder.

O silêncio foi solene, e quem cala consente, pensou o Daymio olhando a letra cuidadosa e firme.

- Nobre Daymio de Pássaro – a voz do Daymio soou firme, o cansaço esquecido – eu os saúdo e espero encontrar com saúde. Se acontecimentos recentes lhe fizeram se lembrar de nossa conversa, ou se apenas a curiosidade o moveu, espero que os acontecimentos que tenho que relatar para manter o senhor, sua família e país protegidos ainda não tenham se iniciado. Há um traidor entre os seus, meu senhor, um homem que não medirá esforços para se aproveitar da prosperidade de seu país. Se abriu o pergaminho então está cercado pelas pessoas que lhe são caras e entre eles estará em segurança. Tenho que lhe contar uma história e não há porque desconfiar de minha palavra, pois eu o faço apenas pela tranqüilidade de sua bela filha Toki, que foi forte como uma princesa governante deve ser. Faço pela lealdade do bom Chishima, que teria sacrificado sua vida e honra para proteger sua família. O previdente estrategista Koumei, que foi justo e bravo, estendendo sua fidelidade a sua filha, quando por fim ouviu e entendeu os motivos dela.

- Não entendo – Koumei falou baixo – ele fala...

O Daymio o silenciou com um olhar e então continuou.

- Eu espero que o senhor esteja realmente bem de saúde e ainda não tenha começado a ser envenenado, mas se começa a sentir cansaço mesmo depois de muitas horas de sono, se nada lhe apetece, tem tonturas e sente calores ou frios sem motivos aparentes, então quase chego tarde demais. Está sendo envenenado, não só você, mas seu filho também, lentamente.

"Um veneno que vai se acumulando no organismo e passa desapercebido a exames físicos, que devem indicar uma perfeita saúde. Para reter e limpar o veneno em seu organismo, basta um copo de chá dessas ervas, um punhado para um bule, deve beber por uma semana, de manhã e a noite. Se não tiver sendo envenenado, o chá não lhe causará mal algum"

Toki foi pegou o bule com água quente e foi rapidamente fazer o chá, preocupada com seu irmão gêmeo e pai, que lhe sorriu amorosamente.

"Recentemente, deve ter chego um homem ao seu reino, um homem que se mostrou humilde e bom conselheiro, um homem gorducho e prospero, que rapidamente fez amizades com os nobres e se aproxima cada vez mais de seu trono"

Koumei ouviu em silêncio, a mão apertando o cabo da espada, enquanto olhava o chão. A voz do Daymio não tremeu, e ele começou a bebericar o chá assim que ficou pronto, assim como seus filhos. Queria sangue, ainda mais porque estavam pensando em matar seu Daymio, perverter o seu país, usurpando um poder. A história se seguiria, falando ao jovem princesa, falando do que ela faria quando perdesse o pai e irmão e só pode admirar tal jovem, que ouvia com os olhos baixos e coradas, por saber que era o que faria. Se o irmão tivesse metade da coragem dela, seria um ótimo Daymio um dia, pensou Koumei.

Olhou também Chishima, que corava e se encolhia, tímido pelos elogios do Anbu a sua postura nos acontecimentos futuros, soube que o rapaz não somente aparentava ser leal, era completamente dedicado aos filhos do Daymio. Um jovem com tais sentimentos e boa cabeça, como sabia que Chishima tinha, seria um ótimo conselheiro no futuro, iria ajudar o rapaz nisso, iria ensiná-lo, lhe dar as armas que o tornariam um conselheiro perfeito.

- Espero evitar a dor de pessoas bravas e a perda de pessoas boas – o Daymio terminava – encontrarão sempre auxilio em Konoha e em seus shinobis. Agora eu os deixo, com meus mais profundos sentimentos por aqueles que um dia ganharam minha lealdade e admiração e de quem recebi igual sentimento em retorno. Espero que isso os torne ainda mais fortes e felizes. Amor, Uzumaki Naruto, Ninja das Distrações".

O silêncio não foi tenso, e foi quebrado por Toki, que pegou o pergaminho e o leu.

- Ele diz que as ervas devem durar uns dois meses – Toki falou previdente – ele me...amou.

O irmão sorriu travesso, puxando o cabelo da irmã e rindo dela.

- E quem não a amaria, bela Toki? – provocou Sabi a irmã.

- Eu... – Toki corou e então suspirou – é difícil pensar que isso...poderia acontecer, não é? Se não impedirmos Mousou, é isso que ele deseja que façamos, não?

- Sim, minha senhora Toki – Koumei falou aceitando o pergaminho que a jovem lhe estendia, não havia mais hostilidade nela – meu senhor Oowashi, desejo seu consentimento para investigar e punir esse vilão.

- Eu trabalho para ele – Chishima falou baixo – posso tentar encontrar algo que o comprometa nos papéis que não tenho permissão para ler.

Koumei observou o jovem e lhe passou o pergaminho, que foi tocado com carinho. Sim, um coração nobre e generoso, alguém que conseguiria atrair as boas graças para Pássaro.

- Que seja feito – o Daymio falou – quando assumi o lugar de meu pai, eu jurei morrer pelo meu país, assim como viver para ele e o tenho feito por muitos e muitos anos. Não é por temer a morte que eu quero esse homem desmascarado e morto, mas por meus filhos, por acreditar que ele realmente não pensaria duas vezes em matá-los. Por meu país, eu o puniria severamente, por meus filhos, eu o quero morto.

- Sim, meu senhor – Koumei concordou e então ergueu sua cabeça e sorriu – seus filhos, meu senhor Oowashi, se me permite dizer, são fabulosos. Sua filha Toki, cujo sangue frio em um momento de dor e desespero a impulsionou a pensar no país e vingar os seus, e seu filho Sabi, que só pelo fato de ter conquistado um amigo tão bom e leal, já mostra que herdou a mesma fibra do pai. Pássaro não caíra em mãos incapazes no dia, longínquo espero, de sua morte.

- Sim, Koumei – o Daymio sorriu bondosamente – como governante, isso me deixa feliz, como pai, não poderia ser mais orgulhoso.

Toki sorriu para o irmão e então olhou Chishima, pensando que ele era realmente gentil. Um amigo tão leal, que não pensara duas vezes em se colocar entre ela e o perigo, mesmo depois de ter sido humilhado e rechaçado. Um homem assim seria um companheiro fiel e amoroso, pensou corando levemente. Quem sabe o que o futuro lhes traria?

**-**

Obito fez um movimento com a mão e seu time começou avançar, silenciosos e rápidos o suficiente para fazer inveja a qualquer Anbu, simplesmente era fácil demais ser sensei daqueles três.

Passara anos testando grupos de crianças, reprovando todos, não conseguindo mostrar a eles o objetivo do teste e se recusando a pegar algo inferior. Queria ver a chama, aquela chama que sabia que eles tinham em seu teste, mesmo que se odiassem. Queria o elo, a ligação e somente quando testara aquele grupo, com seu preciso Naruto nele, que vira o entendimento. Os três já estavam unidos ao saírem da sala, já pensavam como um e por se conhecerem a muito, sabiam mais ou menos como encaixarem-se uns nos outros.

Não era vergonha para ele admitir que eles tinham vencido todos os testes que aplicara, primeiro com os sinos. Depois o teste da comida. Eram uma célula com três corpos, um grupo pronto para ter suas habilidades refinadas e cumprir as ordens dadas com eficiência. Não havia duelo de egos ou conflitos de personalidade, embora não fosse tudo treinamento e seriedade, tinham muito tempo para a diversão e a alegria. Era impossível não ter com Uzumaki Naruto por perto, sempre pronto para fazer uma piada ou aplicar uma peça.

Não poderia haver sensei mais orgulhoso do que ele, mas tinha consciência de que seus alunos tinham um tremendo potencial, seu trabalho seria apenas ajudá-los a refinar realmente os diferentes poderes. E tinha que admitir que com Ruto-chan não precisava fazer absolutamente nada. O menino treinava em igualdade com Itachi, que Obito sabia ser muito mais forte que ele, estava começando a receber instruções de Jiraya e ainda havia Kyuubi. O que ele poderia acrescentar a Naruto que não seu bom humor e incentivo?

Piscou meio frustrado quando viu os três voltando, Naruto tinha o gato nos braços, Fofo, o objetivo deles. Tinha que concordar com Naruto, as missões classe D davam vontade de vomitar. O talento de seus alunos estava sendo desperdiçado, mas fazer o que? Tinham que cumprir pelo menos dez missões D para poderem participar do próximo Chunnin Shiken, aquela era a décima e ainda tinham dois meses. Se ele e Ruto-chan se unissem para pressionar, poderiam conseguir uma B ou duas, só para testar seus meninos.

- Vamos entregar logo esse pobre diabo a sua dona – Obito falou baixo, sorrindo contente, sabia que Kakashi tinha realizado aquela missão há quinze dias e seu time tinha quebrado o recorde, duas horas e vinte e seis minutos. Haha, a vingança era doce, pensou Obito.

- Coitadinho – Naruto falou baixo, acariciando o gato que ronronava.

- Ele é burro – Sai falou tranqüilo.

- Sim, ele faz pela atenção – Juugo concordou com o irmão – se quisesse fugir ele teria tirado esse laço idiota e fugido para o mais longe possível, mas não, ele fica por perto, esperando ser encontrado.

Naruto apenas ergueu o gato gordo, que o encarou diretamente, olhos felizes pelos carinhos recebidos.

- Você é mesmo um mimado – Naruto falou sorrindo.

Sai passou a mão pelos cabelos loiros, era um pouco mais alto que Naruto, e recebeu um olhar e sorriso do loiro. Então eles começaram a correr na direção da vila, os três sabiam que Obito sempre competira com Kakashi, isso queria dizer que tinham que competir com o time sete, mas isso era uma nova diversão para eles. Para contentar seu sensei, e para conseguir uma missão realmente empolgante, eles correram para a Torre de Administração, para terminar a missão.

Não haveria mais nada para fazer hoje, mas poderiam treinar um pouco e Juugo queria mostrar um jutsu em que estivera trabalhando em segredo para Obito. Sai e Naruto iria lutar para passar o tempo, apenas um treinamento normal. Mesmo assim melhor do que limparem rios, ajudarem em fazendas ou caçarem gatos fujões.

O time de Kakashi os esperou do lado de fora da sala de reporte, Obito tinha notado, assim como quase todo mundo, a declarada guerra entre Uchiha Itachi e Hatake Kakashi pela atenção de Uzumaki Naruto. Obito sabia que isso acabaria assim, primeiro porque Itachi sempre tivera uma queda pelo loiro, seja na sua forma de Anbu, seja na forma do bebê dourado que aceitara prontamente, ainda mais depois que Kakashi passara anos evitando o menino, sem a aceitar a verdade diante de seus olhos. Itachi se aproveitara disso, criara um elo muito forte com Naruto.

Obito estava implicando com Kakashi, os dois estavam competindo, usando a genialidade e maturidade de seus alunos, comparando os grupos e tentando um vencer o outro, o que era divertido, porque normalmente não faziam isso, se uniam contra Azuma e Kurenai.

- Sasuke, feche os olhos! – Naruto gritou e Obito esqueceu Kakashi na mesma hora, olhando para o terreno onde Naruto e Sasuke estiveram lutando e se encontrando cativo do Sharingan de Sasuke, que despertava. Mais uma vez sua mente foi devastada, sem o refinamento de Itachi, algo doloroso.

Kakashi se colocou diante de Obito quando o viu segurar a cabeça com dor e não pode controlar seu Sharingan quando ele entrou em contato com os olhos de Sasuke, que estava ajoelhado no chão, o rosto como uma máscara de ódio e repudio. E então foi salvo pela quebra do contato, um Anbu apareceu quase que magicamente a sua frente, enquanto Naruto parava diante de Sasuke e guiava os olhos vermelhos e congestionados para seus próprios olhos azuis.

- Não, se afastem – Naruto ordenou quando os colegas estavam se aproximando e então olhou um dos Anbu da equipe – não me force a ferir você.

- Ele está descontrolado e temos uma diretriz...

- Mais um passo e eu mato você e sua diretriz – Naruto falou tão ameaçador que o Anbu deixou a kunai em sua mão cair, temendo o loiro. Então olhou o capitão e soube, ele estava em péssimos lençóis. Era de Kiri, novo em Konoha e na Anbu, tinha apenas decorado as regras, não sabia quem era aquele loiro, sabia apenas que havia uma Kekei Genkai descontrolada.

Naruto então voltou sua atenção para o amigo, sentado sobre as pernas. Se ajoelhou no chão, colocando as mãos nos dois lados do rosto tão amado e acariciando de leve, sem esconder suas lágrimas, sem começar a esconder suas emoções, jamais, naquela existência, deixara de amar e confiar em Sasuke, era o seu Suke, não começaria agora.

- Suke, respire fundo – Naruto pediu – por favor, Suke.

- Você sabia – Sasuke falou – sempre soube, não é? Que eu sou...

- Não – Naruto puxou de leve o cabelo de Sasuke, nada que machucasse – não, você não é isso. Você é o meu Suke, o meu irmão, o meu melhor amigo. Você é aquele que sempre esteve ao meu lado, desde o berço. É o meu rival, o meu adversário mais ferrenho, mas meu igual.

- Eu o traí – Sasuke deixou as palavras cheias de culpa e ódio saírem de seus lábios – eu o feri, humilhei. Como pode tocar em mim? Como pode me amar? Eu fiz da sua vida um inferno, eu me entreguei ao mal e a morte, eu o culpei...

- Eu te amo – Naruto gritou – eu te amava antes e te amo agora, você é o meu Suke. Não entende? Não sabe o que é para mim saber que eu te...eu...foram essas mãos! Não essas, mas as dele, saber tudo que ele teve que fazer, tudo que ele perdeu. Eu não quero perder nada, Suke, eu sou egoísta...eu...

- Não – Sasuke puxou Naruto, abraçando-o, protegendo agora que ele parecia tão desconsolado – jamais foi ou será egoísta, Ruto. Meu Ruto, obrigado, desculpe. São tantas coisas...eu...

- Eu só te quero feliz – Naruto falou chorando – só te quero seguro, feliz e ao meu lado. Suke...não queria que você soubesse, jamais quis que você soubesse. Vou tentar entender se você me odiar...

Sasuke riu, beijando a têmpora de Naruto, então afastou o rosto do amigo e começou a secar as lágrimas que caíam, gordas e sentidas. Aqueles olhos jamais deveriam verter lágrimas de tristeza ou pesar, aqueles olhos preciosos, aquele amigo abençoado, que sempre tentara fazer o melhor para ele, que jamais o esquecera, que sempre acreditara no melhor dentro dele, mesmo quando não houvera aquele melhor, e que o matara misericordiosamente quando não era mais do que um joguete nas mãos de alguém que ambos odiavam. Beijou abaixo dos olhos de Naruto, seu Naruto, seu Ruto, aquele que sempre estivera ao seu lado, entendendo sua necessidade de ser mais forte, de ser melhor, incentivando-o a conseguir isso sem se entregar a escuridão que havia dentro de cada Uchiha, sendo sua luz constante.

- Jamais poderia te odiar – Sasuke falou sorrindo – eu te amo, você é o meu dobe, meu Ruto. Isso não mudou.

- Mas você...- Naruto se agarrava a camisa de Sasuke, que riu, acariciando os cabelos loiros.

- Eu estava me odiando – Sasuke falou – odiando todo mundo, não você. Nunca você, não a pessoa que sempre esteve ao meu lado, aquela que foi atrás do impossível por mim. Itachi sabe?

- Hai – a voz do capitão Anbu soou dura, enquanto Uchiha Itachi tirava sua máscara e revelava seu rosto – não queria lhe mostrar meus olhos, agora que se acalmou, venha, há coisas que eu e somente eu posso lhe ensinar, de Sharingan para Sharingan.

Sasuke olhou confuso para Naruto, que concordou se levantando do chão, junto com Sasuke e os dois andaram abraçados para Itachi.

- Sim, você pode vir – Itachi falou tocando os cabelos de Naruto com carinho – não queria que nenhum de vocês soubesse de tudo. Que soubessem como foi aquela existência. Ela é pior do que qualquer um dos meus piores pesadelos.

Obito correu para perto, mas Itachi foi mais rápido, erguendo a mão e fazendo os selos de transporte que os levariam para longe dali.

- Voltem para a sede – Itachi ordenou – avisem Ibiki que eu estarei o resto do dia com meu ototo e Ruto, aconteceu um código dez.

O novo Anbu pareceu pensativo e então Sai sorriu, batendo em sua mão.

- Incidente com família, os Anbu tem uma dispensa de vinte e quatro horas para resolver os problemas familiares – Sai falou calmo – é uma diretriz ainda em uso, mas a dos Uchiha não está mais, foi revogada pelo Yondaime logo que ele assumiu.

O Anbu concordou e então olhou novamente para o menino.

- Sou Mitarashi Sai, Juugo, Yuki e Anko são meus irmãos – Sai sorriu amplamente – como Ruto, eu me criei dentro da Anbu. Todos nós, os Mitarashi, somos crias Anbu, mas você pega o jeito com o tempo, tem apenas que se acostumar com nossos segredos internos. Recomendo a biblioteca, clãs de Konoha, pasta de acontecimentos recentes. Vá ao subtítulo: Retorno no Tempo, lá entenderá muito do que aconteceu aqui.

O Anbu estava cada vez mais surpreso, mas seu capitão já tinha desaparecido com os dois meninos e via Hatake Kakashi e Uchiha Obito parecendo preocupados.

- Então você também sabia? – Obito perguntou rindo.

Sai balançou a cabeça.

- Ainda não é tempo de abrir os pergaminhos – Sai falou enquanto seu irmão parava atrás dele, uma presença acolhedora e apoiadora – mas Naru jamais foi esquecido entre nós, eles nos salvou todos. É um prazer, e uma honra, ser colega de time de Naruto, nosso Ruto. E conhecimento é poder, poder que pode ser usado para proteger quem tanto fez por nós.

- O menino...o loirinho...ele é o Anbu Naruto de Konoha? – o Anbu perguntou chocado – oh, o Mizukage vai me matar...

Sai riu, negando com a cabeça.

- Relaxe – Juugo falou firme – vá para Ibiki e reporte, escreva ao Mizukage se deseja, mas deixe claro, você não o ameaçou, e não foi responsável por ele lembrar, ele sempre soube.

- Ele sempre soube? – Obito perguntou baixo.

- Sempre – Sai sorriu – mesmo antes de saber que sabia, antes de lembrar completamente, ele instintivamente sabia, como se já tivesse nascido com o conhecimento adquirido naquela vida. É Uzumaki Naruto, ele era bom, ficou ainda melhor.

Obito concordou, então viu os Anbu desaparecendo, os alunos se aproximaram.

- Vou avisar tio Minato sobre isso – Nawaki falou coçando a nuca – ele vai passar a noite fora, não é?

- Vai – Juugo concordou – eu e Sai vamos para a Anbu comunicar Ibiki, provavelmente, Itachi recebera mais dias de licença.

- Sim – Kakashi concordou – onde eles devem ter ido?

- Itachi e Ruto sempre tiveram lugares secretos na floresta e na vila, onde se encontravam para conversar e onde se encontravam para treinar – Juugo falou manso – vou escrever a Kimimaro, eles precisam saber disso de uma forma mais completa e acho que o Anbu vai apenas tentar tirar o seu da reta.

- Vou escrever a Kankuro – Yakumo falou baixo, corando timidamente – para que o Kazekage e sua família saiba também.

- Ótimo, agora temos um monte de espiões – Kakashi resmungou baixo.

- E comunicadores – Nawaki falou e então mordeu o lábio, olhando Obito – ele vai ficar bem? O Sasuke?

- Claro que sim – Kakashi falou baixo.

- Ele está com Itachi e Ruto, é claro que eles vão cuidar dele – Obito falou, passando a mãos pelos cabelos loiros de Nawaki – e sabe o que vai acontecer, não sabe?

Nawaki, Yakumo, Sai e Juugo o olharam interessados.

- Vamos nos encontrar amanhã para treinar – Kakashi rosnou ameaçador.

- É mesmo, eles vão voltar mais fortes – Sai falou sorrindo – amanhã, as seis, sensei?

- Claro – Obito sorriu.

- Vocês se encontram as seis? – Nawaki perguntou curioso.

- Não, as oito – Juugo falou sorrindo – mas marcamos duas horas antes para que Obito chegue na hora.

Kakashi deu um leve sorriso, batendo na nuca de Obito, que amuou como se fosse criança.

- Certas coisas não mudam, apenas pioram – Kakashi falou baixo.

Obito amuou, mas como amigo, estava mais do que pronto para infernizar Kakashi e o distrair, para que ele não lembrasse de que Itachi iria passar a noite toda com Naruto.

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Nota da Li:

Passei rapidinho, apenas para postar o novo cap, replico no próximo. Semana corrida!

Beijos da Li.