Autoras: Thoru e Blanxe

Casal: 1x2

Gênero: Yaoi, Romance, Angst

Beta: Ophiuchus no Shaina.

Obs: Os personagens Tamara Brown, Max Thompson e William Carvell foram criados por Thoru, já os personagens Cliff Owen e Alice Chambers pertencem a Blanxe.

Partes em itálico significam lembranças.


You´re Still You

Capítulo 11


Max se sentiu aliviado quando retornou a empresa e descobriu que Heero tinha terminado o serviço com os computadores e não estaria mais presente. Ter que encará-lo seria um martírio, principalmente quando ainda tentava entender aquele sonho estranho que tivera com Duo Maxwell. Foi incomum, bizarro e tão irreal, mesmo assim sentia como se aquela conversa buscasse lhe trazer algum significado. Infelizmente, estava tão atarefado com o trabalho que não estava tendo tempo para marcar uma nova consulta com sua psicóloga, mas de sua cabeça ainda não tinha saído a sugestão dada por ela, de procurar se integrar ao passado daquela pessoa que invadia sua mente. O problema era que por mais que pesquisasse, nada encontrava sobre o rapaz que atendia pelo codinome de zero dois. Pensava em recorrer a sua última opção, que era procurar informações de fonte certa e direta. Pretendia arrumar uma brecha para falar com Quatre Winner e buscar por suas respostas.

No entanto, naquele momento ali, em seu ambiente de trabalho, também recebia a notícia de que seu chefe, William Carvell, estava deixando a Winner Corporation. Ele reunira os funcionários para explicar o porquê de sua saída e quem assumiria seu posto. Max não demonstrava, mas estava achando muito estranho o inglês estar se desligando da empresa justo quando acontecera toda aquela confusão com Heero e reparava no semblante do homem um pequeno tom de mágoa ou tristeza, não sabia bem diferenciar, mas se intensificavam quando seu olhar pairava justamente nele.

Max não queria pensar demais, mas segundo a explicação de William, ele estava se desligando da Winner para ir trabalhar fora do país, numa outra companhia. Sua mente vagava na possibilidade do que aconteceria com o relacionamento que ele tinha com Heero. Perguntava-se se William estaria deixando o namorado para trás ou se o japonês o estaria acompanhando nessa mudança. A primeira possibilidade o incomodava. Simplesmente porque William estaria deixando para trás Heero sozinho, e isso poderia significar que o beijo que o japonês o forçara, teria chegado aos ouvidos de quem na verdade não deveria, não merecia sofrer. Ou tinha a grande possibilidade de estar pensando e imaginando demais sobre as hipóteses e ser algo que nada tinha a ver com ele.

Mas porque William continuava a encará-lo daquela forma, então?

Resolveu ignorar aquele fato e tentar se concentrar no que tinha a fazer, que não era pouco. Infelizmente, o inglês não pensou duas vezes em abordá-lo, alguns bons minutos depois.

- Eu acredito que esteja mais aliviado com minha partida. – ele comentou, chegando até a máquina copiadora, onde o estagiário estava.

Max não o encarou diretamente. Havia algo na voz de William que o irritava naquele momento, um certo tom de ironia que não estava disposto a lidar.

- Por que eu estaria aliviado com a sua partida? – o rapaz perguntou, enquanto continuava fazendo suas cópias.

- Sei o que aconteceu entre você e Heero, e não quero me meter nos sentimentos dele, mas você pode ter certeza que se conseguir o que pretende, não vai passar apenas de uma mera sombra, um substituto para a pessoa que ele realmente queria.

Max franziu o cenho, mas quando levantou a cabeça, William já se afastava. Suspirou, voltando o olhar para a máquina, decidindo não retaliar. De que adiantaria também dizer tudo o que pensava e sentia pelo namorado ou ex-namorado dele? Perda de tempo. Tinha coisas mais importantes para lidar, como aquela maldita copiadora que engasgara com o papel outra vez.

-

Quatre estranhara quando a sua secretária, já perto do final do expediente, viera lhe avisar que Max Thompson pedia para falar com ele. Ficara surpreso, ainda mais porque imaginava que o rapaz estaria confuso, ou até mesmo temeroso de fazer qualquer contato com ele, ou, por assim dizer, com qualquer um que tivesse alguma ligação com Duo. Porém não podia dizer que aquilo não o deixava contente, pois deixava e muito. Queria muito poder criar uma amizade maior com Max, mas infelizmente o garoto não aceitava muita proximidade.

Imediatamente ordenou a secretária que permitisse que Max entrasse. Estava ansioso para saber o motivo do estagiário estar subitamente procurando-o para conversar e quando o viu entrar, sentindo aquela mesma sensação de nostalgia, abriu um sorriso que não disfarçava em nada a satisfação de poder vê-lo ali.

- Olá, Max! – animado levantou-se da cadeira para cumprimentar o rapaz. – Como tem passado?

Max aceitou o aperto de mão, seguido de um breve abraço e respondeu:

- Bem. – disse, se sentindo um pouco confortável com a necessidade que Quatre tinha de sempre demonstrar receptividade demais quando o encontrava.

Quatre se afastou um pouco para poder olhar o rosto de Max e perguntou:

- Está com algum problema? – se movimentou, indicando com a mão a cadeira à frente a sua mesa, para que Max se sentasse. – No que posso ajudá-lo?

Max sentou-se e, por alguns segundos, tentou achar as palavras certas para formular exatamente o que o trazia ali. Poderia considerar um abuso vir direto a um homem importante e ocupado como Quatre Winner, mas não existia mais outra fonte que pudesse recorrer.

- Chang e Barton me contaram sobre o amigo de vocês, Duo. – ele começou um pouco incerto, vendo o semblante do árabe se manter impassível mesmo com a menção do nome do amigo. – Bem, eu pensei que talvez você pudesse me contar mais sobre ele.

Quatre foi pego de surpresa por aquele pedido. Max estava querendo saber mais sobre Duo, mais do que Wufei e Trowa já tinham lhe contado. O que mais ele poderia dizer de sua parte? Seu marido e o amigo chinês provavelmente tinham dado um relato superficial, certamente querendo preservar a memória do americano que tanto lhes fazia falta.

- Eu sei que deve ter sido mesmo um choque para você ver a foto de Duo. – Quatre comentou com um sorriso triste. – Acho que agora você entende o motivo de ficarmos tão impressionados com você, não é mesmo?

Max assentiu com a cabeça e falou:

- Eu não sei como podemos ser tão idênticos.

Quatre também queria uma resposta àquela pergunta, mas ainda não a tinha. Ao invés de se alongar mais sobre a questão da aparência e de como se sentiam tendo ele como a imagem viva de seu amigo morto, resolveu contar o que podia sobre o que Max tinha pedido.

- Duo Maxwell era americano, ao que ele sabia e me contou, era nascido na colônia L2.

- Um lugar não muito bom para se viver. – Max observou.

Quatre assentiu. L2 era uma colônia pobre e, por isso, era considerada refugio para qualquer tipo de marginalidade, mas também não quis entrar naquele mérito. Sendo assim, continuou:

- Verdade, mas, ao contrário do que possa pensar, Duo era uma pessoa honesta, sincera e, acima de tudo, alegre. – contou com um sorriso saudoso nos lábios. – Durante o tempo que nos conhecemos e convivemos, éramos amigos… talvez eu possa dizer que ele era o meu melhor amigo no meio de toda aquela confusão de batalhas, onde vivíamos sem a certeza de que chegaríamos a ver um outro dia.

Max prestava atenção a cada palavra que o loiro dizia, que atrás de cada uma delas, parecia trazer uma emoção diferente, algo que não poderia descrever se assim lhe fosse necessário. E, de certa forma, sentia algo estranho ao escutá-lo contar tudo aquilo. Um saudosismo estranho, um sentimento que ele desconhecia o significado, mas que fazia seu peito se restringir ante ao relato.

- Duo era uma pessoa fácil de se fazer amizade. Ele praticamente fazia todo o trabalho por você e quando menos você pudesse esperar, já o estava considerando alguém tão próximo que, mesmo que quisesse negar, ou se desfazer disso, era impossível. Comigo foi assim que aconteceu e acredito que com os outros também. Era automático se apegar a ele e sua conversa fácil, suas eternas brincadeiras e sorrisos… talvez por isso, até hoje, seja difícil para todos nós aceitarmos que uma pessoa como ele tenha perecido durante as guerras.

- Vocês o enterraram?

Quatre suspirou e disse a verdade:

- Não. Heero não permitiu que qualquer um de nós pudesse se despedir apropriadamente ou que tivéssemos um local para prestar nossos sentimentos. Pelo que ele nos disse, cremou o corpo em L2.

Max, por algum motivo inexplicável, se incomodou em ficar sabendo daquilo.

- Mas ele simplesmente decidiu por si só? – havia um pequeno tom de indignação em sua voz. – E os parentes dele? Não tiveram direito de optar por isso?

Quatre olhou para Max em simpatia e falou:

- Nós éramos a família dele. – mentalmente adicionou 'Mas quem sabe você também seja'

Max ficou surpreso com mais uma revelação e não precisou muito para concluir o raciocínio sem precisar perguntar. Mesmo assim, queria saber os detalhes exatamente de toda a história de Duo.

- Ele não tinha ninguém? – perguntou ainda com aquele meio tom de indignação. – Mas o que dava a Heero o direito de decidir sozinho por ele?

Quatre achava o incomodo de Max sobre aquele aspecto da história estranho, quase intrigante. Por que ele estava tão incomodado com o fato do corpo de Duo ter sido cremado com a decisão vindo única e exclusivamente de Heero?

- Eles tinham uma ligação especial. – Quatre contou. – Tínhamos o sofrimento pela perda de Duo para lidar, mas, acima de tudo, uma guerra que precisava ser vencida.

Max parou um momento para pensar e viu um grande peso naquelas palavras ditas por Quatre. Acima de qualquer coisa, de suas próprias vidas, eles tinham que lutar e vencer uma guerra. Por isso Duo morrera. Porque acima de sua própria vida, existia uma batalha a ser vencida a qualquer custo.

Foi trazido de seus pensamentos quando o árabe mais uma vez falou, desta vez sugerindo algo que ele não esperava.

- Por que não vai conversar com Heero? Ele, mais do que qualquer um de nós poderia lhe contar praticamente tudo o que possa existir para se dizer sobre Duo.

Max achou absurda aquela sugestão. Não era possível que Quatre estivesse sendo sério ao propor que buscasse por informações com aquele japonês. Parecia uma afronta, já que era de conhecimento dele, que não queria aproximação com Heero.

- Eu sinto muito pelo que Heero fez, e ele está sinceramente arrependido, Max. – o árabe disse como se tivesse lido seus pensamentos. – Não deixe que esse erro o influencie e que seus julgamentos sobre ele se deturpem.

Max preferiu não dar resposta àquele comentário, já que Heero era amigo de Quatre e qualquer coisa negativa que falasse poderia ser levado a mal. Não estava ali para julgar ninguém, pois a única coisa que queria era conseguir informações sobre Duo. Resolveu encerrar qualquer investigação por ali, temendo que a conversa fosse puxada para a confusão entre ele e o japonês e, conseqüentemente, para o último ataque de lembranças que tivera no apartamento dele. Não estava disposto ainda a dividir o que vivenciava com ninguém além de sua médica, mesmo que aquele homem a sua frente, tivesse de certa forma, algum direito de saber sobre as lembranças que invadiam sua mente, sendo que pertenciam ao melhor amigo dele.

Era estranho pensar que quando Quatre olhava para ele, podia ver, enganado, a imagem de seu amigo, melhor amigo segundo ele. Sentia um pouco de simpatia pelo árabe, por ter que lhe infligir aquele tipo de lembrança constante, a sempre constatação de que ele não era Duo e que o americano, continuava morto.

- Eu vou pensar, Quatre. – não prometeu, já se levantando para ir embora. – Mesmo assim, obrigado por me contar.

Quatre, naquele instante, se arrependeu por ter sugerido que o rapaz procurasse Heero. Estava visível que ele ainda estava receoso e magoado pelo que o japonês havia feito. E justo agora que Max vinha lhe procurar e conversar, ele simplesmente conseguia afastá-lo, simples assim.

Max se despediu e deixou a sala.

-

Naquela noite, William foi buscar o resto de suas coisas no apartamento de Heero. Aquela seria provavelmente a última vez que via o japonês. Pensar que o relacionamento deles tinha terminado, que não estaria mais perto dele, talvez o deprimisse, mas tinha certeza que era o melhor, pelo menos enquanto Heero não descobrisse o que realmente queria. Ainda acreditava plenamente que o japonês estava se guiando por uma ilusão, via claramente que ele buscava na imagem de Max uma sombra, uma indicação de que poderia trazer Duo de volta a sua vida, assim como via que isso nunca aconteceria. Mas quem era ele para se intrometer em assuntos, mágoas e tristezas que no fundo não poderia compreender intensamente, mesmo se quisesse?

Não existia muito que pudessem falar um para o outro. O que precisavam saber já tinha sido discutido quando o rompimento aconteceu. Heero parecia indiferente, mas observava cada passo seu pelos cômodos, onde buscava por não esquecer nada.

- Acho que não ficou nada. – disse, finalmente voltando à sala, fechando o zíper da bolsa preta.

Heero, que estava recostado na bancada da copa, levantou o olhar para fitar o, agora, ex-namorado e insistiu.

- Tem certeza que precisa disso tudo? – indagou deixando transparecer seu inconformismo. – Não tinha necessidade de abandonar a Winner, nem se mudar e…

- Não se trata de nós dois esse afastamento, é uma oportunidade profissional boa. – viu o japonês levantar uma de suas sobrancelhas, como se duvidasse de algo e concordou: - Tá certo, nosso rompimento provavelmente ajudou na decisão, mas já que não estamos mais juntos, não há mais nada que me segure aqui.

- Mas… - tentou argumentar de novo, mas o inglês o cortou.

- Vai ser melhor assim, Hee. – finalizou, chamando-o pelo apelido.

Heero suspirou e abaixou a cabeça, sem ter mais como reverter a situação. Não era hipócrita para negar que estava sofrendo, pois estava. Não como uma pessoa que sofre pela perda de um grande amor, como acontecera com Duo, mas como alguém que percebia a própria culpa no afastamento de uma pessoa importante, uma pessoa a quem era extremamente apegado afetivamente. Talvez, se não estivesse confuso, se Max não tivesse aparecido, pudesse ter vivido uma vida feliz ao lado de William. Conseguia ver isso nitidamente em sua mente, o mesmo não acontecia quando pensava em Max. Max para ele era uma incógnita, seus sentimentos por ele eram intensos, mas confusos. E sabia que estava jogando um relacionamento estável pela porta a fora, para buscar uma felicidade ao lado de alguém que não suportava mais sequer a sua presença.

Infelizmente, ou felizmente, ainda queria tentar.

- Eu queria que as coisas pudessem ser diferentes. – confessou, querendo demonstrar o que sentia, mas logo, William se colocou a sua frente e levantou seu rosto, o beijando.

Heero correspondeu ao beijo com todo pesar por aquela situação e carinho que sentia por aquela pessoa.

Quando apartaram, William lhe olhou nos olhos, ainda segurando seu rosto com as mãos e falou:

- Não há motivos para serem diferentes, já que se fossem, isso significaria ter que apagar Duo do seu coração. – com um sorriso lembrou. – Eu não consegui, mas eu torço para que esse seu amor seja verdadeiro.

Heero sentiu seu coração se constringir. Verdadeiro? Como poderia ser verdadeiro quando a única pessoa a quem tivera esse sentimento, puro e simples, estava morta? Mas como também não sucumbir ao desejo, a vontade que sentia toda vez que pensava em Max? Como poderia se sentir assim, mesmo que fosse apenas a imagem de Duo que buscasse?

- Quando seu vôo parte? – perguntou não querendo expor mais os conflitos que vivia.

- Não quero que me leve, nem que apareça no aeroporto. – informou de forma decidida, se afastando para pegar a bolsa que deixara pousada no chão. - Essa é nossa despedida, Heero.

Ele entendia e não tinha motivos para argumentar aquela decisão. Seria mais um momento de sofrimento para ambos caso decidissem passar por aquele tipo de situação.

E assim terminou. Não trocaram mais beijos, não compartilharam nem mesmo um abraço. William foi embora com a promessa de que continuariam se falando por e-mail, e Heero se deixou ficar na solidão de seu apartamento, pensando e re-pensando sobre tudo o que mudava em sua vida daquele dia em diante.

-

Max podia se dizer aliviado. Verdadeiramente mais tranqüilo. Fazia algumas semanas que não tinha nenhum visão, nenhum sonho, nenhuma lembrança que não fosse realmente sua. Estava achando estranho, mas não reclamava. Estava contente internamente por poder tirar pelo menos aquela preocupação da cabeça e ligava o fato a seu distanciamento de Heero. Desde que deixara de ver o japonês, que deixara de ter aqueles estranhos surtos e tinha em sua mente então que se pudesse continuar assim, sua vida voltaria ao normal… mas se enganou.

Estava entrando em seu apartamento, quando sentiu a primeira pontada de dor em sua cabeça. Não foi forte, mas ele não gostou nada. Não queria acreditar que estaria começando a ser envolvido por outro ataque daqueles e tentou manter a coerência. Poderia ser o princípio de uma enxaqueca, ou algo similar.

Deixou suas coisas sobre a mesa da sala e foi direto para seu quarto. Ainda não havia anoitecido, se pudesse descansar um pouco, talvez a dor passasse e tudo ficaria bem. Infelizmente, para seu desespero maior, uma nova pontada veio, mais forte, tão insuportável que o fez trincar os dentes.

- Merda, merda, merda… - lamuriou para ninguém.

Sentou-se na cama, instintivamente descartando os sapatos e, por um momento, pensou em ligar para Tamara e pedir ajuda ou que ficasse com ele, caso a dor não se dissipasse, mas não teve tempo, pois a pontada subseqüente apagou por completo seus sentidos.

-

Estava terminando seu banho num banheiro de um ginásio escolar. Não tinha muitas preocupações na cabeça, apenas a missão que desenvolvia naquele local e Heero. A missão corria tranqüilamente, enquanto Heero, bem, desse ele não sabia. Estava preocupado justamente por não vê-lo há algumas semanas. Tinham sido separados em missões diferentes e só se reencontrariam quando retornassem para os esconderijos, assim que as missões fossem concluídas.

Ele sabia que não deveria ficar pensando ou se preocupando com o amante enquanto estivesse em missão, mas para ele era impossível. Sentia saudades e almejava ter certeza que o outro garoto estava realmente bem. Infelizmente, nada daquilo era possível enquanto estivesse infiltrado naquele colégio.

Terminou de lavar os longos cabelos castanhos e deixando-os soltos, se enxugou, vestindo um short preto e uma camiseta, tratando apenas de recolher suas coisas e voltar para seu quarto.

Estava tão perdido em seus próprios pensamentos que quando fechou a porta atrás de si, sequer percebeu outra presença no cômodo. Só sentiu atrás de si alguém lhe fechar uma chave de braço em seu pescoço, fazendo com que, pego de surpresa, soltasse as coisas que trazia no chão e buscasse com as mãos afrouxar o aperto em que era mantido.

- Com essa guarda baixa não me admira que fosse morto e nem se desse conta disso. – uma voz sussurrou em seu ouvido, fazendo com que parasse de lutar e um arrepio lhe corresse o corpo.

- Heero? – chamou o nome do outro rapaz, confuso com a presença dele ali. – O que es…

Qualquer fala sua foi cortada, quando rapidamente foi virado e seus lábios tomados com ardor pelos do japonês. Sem se opor ao ato, ele tentou corresponder com a mesma intensidade ao beijo dominador que lhe era imposto, ao mesmo tempo em que sentia as mãos que vagavam, ousadas, por seu corpo.

Gemeu entre o beijo, quando a ereção do outro se pressionou contra sua pélvis e esqueceu praticamente qualquer coerência quando percebeu que o cadarço de seu short era desfeito e a roupa era abaixada com um movimento rápido.

Seu sexo foi tomado pela mão do amante e manipulado com volúpia.

No fundo, estranhou aquela ânsia do japonês. Afinal, o que ele estava fazendo ali e porque estava agindo com tamanha urgência?

- Heero. – tentou falar apartando o beijo, mas o japonês parecia não estar disposto a dar chance tentando tomar sua boca outra vez. Fez um esforço maior e perguntou: - O que está acontecendo com você?

Heero entrelaçou os dedos nos cabelos castanhos, segurando de forma firme, fazendo com que gemesse um pouco de dor ao ter sua cabeça inclinada um pouco para trás e sendo obrigado a encarar os orbes azuis do amante.

- Shh…Cale a boca, Duo.

Ele queria entender, mas outra vez seus pensamentos se tornaram turvos, quando sentiu a boca do outro na linha de seu pescoço lhe chupando e mordendo. Seu corpo correspondia aos toques de Heero e ao invés de protestar, se viu gemendo e apertando ainda mais seu quadril de contra o dele, sentindo sua necessidade que ainda estava confinada pela calça que vestia.

Suas próprias mãos vagavam pelas costas de Heero, sentindo a textura de sua pele, buscando por mais contato. Conseguiu retirar a camiseta que ele vestia, jogando o material para longe, mas só teve tempo para isso, pois num movimento brusco, o outro garoto lhe virou e o jogou de bruços sobre o colchão da cama de solteiro. Não teve tempo para se virar ou qualquer outra coisa, sentiu uma das mãos de Heero por sobre suas costas, mantendo-o no lugar, enquanto a outra afastava suas nádegas. Fechou os olhos firmemente e gemeu de dor quando em um único movimento foi empalado pelo membro do outro garoto.

Os movimentos que se seguiram não eram fortes e sim precisos, e mesmo com toda a forma vigorosa com que fora tomado. Não demorou a sentir o prazer de estar sendo estocado e seus gemidos se tornarem de puro deleite. O corpo de Heero pesou de contra o seu, o peito dele colando as suas costas, enquanto ele mantinha os movimentos mais lentamente de seu sexo dentro dele.

- Não estava com saudades, Duo? – Heero sussurrou no ouvido do amante, logo em seguida, beijando e mordendo sua orelha.

Ele estremeceu e como resposta apenas gemeu. Não conseguia manter um pensamento coerente com Heero dentro de si. Seu próprio sexo friccionando de contra os lençóis da cama, só aumentavam sua eloqüência. Tentava conter seus gemidos abafando-os no travesseiro, mas quando Heero de repente saiu dentro de si, levantou o rosto para saber o que havia acontecido, apenas para ter o corpo virado na cama e sem qualquer aviso ser preenchido mais uma vez de forma impiedosa. Desta vez, não conseguiu conter o grito que rompeu em sua garganta, um misto de dor e prazer ao qual ele, com o recomeço dos movimentos vigorosos do outro, só conseguia pedir por mais.

Agora podia ver o rosto da pessoa que lhe tomava. Heero estava com os belos olhos azuis nublados de desejo, se deleitando dentro de si; a franja bagunçada, agora úmida de suor, colando em sua testa; a calça baixada apenas o suficiente para que deixasse seu sexo liberto, enquanto seu tórax nu estava completamente exposto.

Ele gemeu ante a visão do outro garoto, que apesar da pouca idade, demonstrava tanta força e demanda sobre si. As mãos dele seguravam suas pernas, elevando um pouco seus quadris, enquanto seguia aquele vai e vem forte e contínuo. A cada vez que as estocadas o atingiam fundo, seus gemidos apenas aumentavam. Se estivesse pensando, deveria saber que tinha que controlar a voz, pois estavam num dormitório escolar, mas não se dava conta de mais nada, só queria mais, sentir mais o que Heero estava lhe proporcionando.

Uma das mãos do garoto japonês deslizou por sua perna, apertando sua coxa no processo e finalmente descendo ao encontro de seu sexo, que excitado, estava quase em seu limite. O toque da mão se fechando sobre seu membro intumescido…

Arqueou as costas num gesto involuntário, querendo acompanhar os movimentos que lhe traziam ao ápice, mas não foi capaz de se mexer mais devido ao êxtase que lhe acometeu quando sentiu uma última e precisa estocada, e o gemido de Heero que lhe preencheu com seu sêmen. A única coisa que conseguiu foi gritar ainda mais alto quando seu próprio gozo o alcançou.

-

Max abriu os olhos, assustado, mas também envolvido por uma sensação de puro prazer. Suas costas, ainda arqueadas, e apesar do êxtase não pode deixar de notar que gemia alto. A sensação do líquido morno deixando seu sexo e o gozo aos poucos diminuindo.

A sensação do ápice foi desaparecendo, e envolvido por aquele torpor, deixou o corpo voltar a pesar totalmente na cama. Tentava controlar a respiração ofegante, enquanto olhava para o teto e buscava entender o que acabara de lhe acontecer. Outro sonho? Não, não havia sido sonho, era mais uma daquelas malditas lembranças… lembranças de Duo Maxwell. Elas haviam sido tão fortes, tão intensas que tinham conseguido tomar conta de seu corpo daquela maneira. Grunhiu frustrado, quando finalmente raciocinou que acabara de gozar apenas por causa de imagens em seu subconsciente e, o pior, imagens com Heero Yui. As pontadas em sua cabeça haviam desaparecido por completo e já estava certo de que elas eram seu maior aviso de quando entraria em um daqueles surtos estranhos. Infelizmente aquele havia sido o mais odioso de todos.

Tentando afastar as cenas de sua mente, se levantou enojado pela viscosidade dentro de sua calça. Irritado caminhou para o banheiro, arrancando as roupas. Tomaria um banho, depois passaria aquela experiência horrível para sua agenda e, em seguida, iria para a faculdade. Não permitiria que aquelas lembranças dominassem sua vida assim.

-

Heero estava deixando o orfanato naquele princípio de noite, quando recebeu uma ligação em seu celular. Estranhou um pouco ao ver o nome de Wufei no display e atendeu, enquanto abria a porta de seu carro e se ajeitava dentro do mesmo.

- Algum problema, Chang? – perguntou sabendo que não era comum uma ligação do chinês sem que existisse um propósito certo para isso.

- Estamos nos reunindo aqui em casa. – ele comentou. – Quatre e Trowa já estão a caminho.

Heero franziu o cenho, colocando a chave na ignição e então parou e especulou:

- Algum motivo especial?

- O resultado do exame de Thompson chegou hoje. – ele disse com um pouco de hesitação na voz.

O exame finalmente tinha ficado pronto? Ele não demorou em sua resposta.

- Não demoro a chegar aí. – afirmou desligando o telefone.

Heero vinha pensando naquele exame durante aquelas longas e tortuosas semanas, principalmente porque não conseguia parar de pensar em Max. Se fosse mesmo confirmado algum parentesco com Duo, não haveria mais porque contestar o motivo da semelhança entre os dois, mas se desse negativo, já não teria mais idéia do que poderia explicar aquela absurda coincidência.

Para ele que pretendia ir direto para seu apartamento se afundar em suas lembranças ou tentar se distrair com algum trabalho pessoal, aquela noite estava tendo uma virada angustiante.

Foi cuidadoso no trânsito, mas fez questão de dirigir o mais rápido que podia até a casa onde morava seu amigo chinês.

-

Max estava disposto a ir a faculdade, mas em sua mente vagava o maldito sonho, lembrança ou que quer que fosse aquele incidente com Heero. Era uma coisa perturbadora, quando pensava já ter se livrado daquele problema e o pior era que, desta vez, não tinha o japonês por perto para ter uma base de quem culpar. Por que justo ele tinha que passar por aquilo? Por que estava no escuro e não existia ninguém que pudesse acender as luzes e clarear seu caminho? Por que aquelas malditas lembranças agora invadiam sua mente sem qualquer motivo específico?

Tinha ido mais algumas vezes ao consultório de Sally para pegar os resultados dos exames, mas estes não haviam apresentado um problema sequer. Como estava se sentindo melhor e as lembranças pararam de atormentá-lo, tinha relaxado em comparecer as consultas, mesmo porque seu trabalho não lhe dava um horário acessível para estar sempre indo ao médico quando bem quisesse. Sabia que Quatre provavelmente não se importaria, mas não tinha qualquer intenção de abusar de sua proximidade com loiro.

Andava de um lado para o outro em sua sala pensando e repensando. Maldito Duo. Era culpa dele também, porque as lembranças dele tinham que estar aflorando em sua mente? Precisava descobrir mais sobre ele. Sim, era isso o que precisava. Talvez, como Sally tinha lhe sugerido, se conseguisse informações suficientes, pudesse se entender, mas lhe corroia recordar das palavras de Quatre. Procurar Heero, pois ele poderia lhe contar tudo o que quisesse saber sobre Duo.

Como poderia sequer cogitar em ir até o japonês? A verdade era que agora tinha mais medo do que raiva e ressentimento. Medo de piorar as coisas, mas se não conseguisse desvendar esse mistério, que Duo era para ele, talvez fosse pior.

As aulas daquela noite não eram tão importantes assim. Poderia resolver esse problema rapidamente se faltasse à faculdade. Era humilhante e arriscado, mas necessário. Ele tomou sua decisão e depois de se arrumar, saiu sem dar chance para segundos pensamentos.

-

Heero estava sentado numa das poltronas da sala da casa de Wufei e Sally, onde os mesmos também se encontravam, bem como seus amigos Quatre e Trowa. Era difícil dizer o que sentia. Era estranho que todos ali estivessem acompanhando o seu mesmo silêncio, ainda arrebatados pela revelação feita pelo casal de médicos. Deveriam estar preparados, deveria esperar, mas na prática era completamente diferente. Tinha em si um sentimento de vazio por uma constatação simples, que ele próprio sabia: Max estava ligado a Duo e não era qualquer tipo de experiência de clonagem. Não era uma simples coincidência, tampouco. Max era sim irmão de Duo.

- No final das contas, ele tinha uma família. – Quatre comentou, num tom triste, quebrando o silêncio.

- De uma maneira distorcida, podemos dizer que sim. – retificou Trowa. – Afinal, Max seria irmão por apenas umas das partes.

Heero permaneceu em silêncio, distraído com seus pensamentos, deixando aos poucos a informação consumi-lo. Wufei, como se lesse sua mente, o criticou:

- Ele pode ser idêntico fisicamente e geneticamente existir uma ligação, Yui, mas ele continua não sendo o Maxwell. Ponha isso na sua cabeça.

Heero levantou os olhos azuis para encarar o chinês e não quis entrar em méritos sobre aquilo. Sua mente poderia por mil vezes afirmar aquilo que Wufei lhe atestava, mas seu coração parecia sentir e persistir o contrário.

- Não existe nada para pensar. – disse um pouco desanimado. – De qualquer forma, ele me odeia.

Sally compreendia mais do que os outros e não conseguia deixar de se sensibilizar com o que Heero deveria estar passando. Se ele soubesse das sessões que tinha com Max, sobre o que ele lhe contava, de certo o japonês surtaria.

- Eu já conversei com você e disse que ele não te odeia, não é mesmo?

Heero voltou sua atenção para a amiga e recordou-se de imediato da conversa e que ela estava encontrando com Max freqüentemente em seu consultório.

- Como ele está? – Heero quis saber, sem fazer questão alguma de esconder a sua preocupação.

O que ela poderia responder sem quebrar sua ética médica?

- Eu já não o recebo em meu consultório há alguns dias, mas acho que o que ele vem passando está longe de ser uma coisa normal ou que eu possa afirmar que ele ficará bem.

Não só Heero se preocupou com aquelas palavras, mas Quatre e Trowa também.

- Como assim, Sally? – Quatre perguntou um pouco angustiado. – O que ele tem?

Sally suspirou deixando-se recostar no sofá e respondeu:

- Eu não sei ainda, mas também não posso lhes contar o que ele me confidencia. Eu acredito que mais cedo ou mais tarde ele vá acabar contando a algum de vocês. – Ela se voltou para Heero e finalizou: - Mas ele não te odeia, Heero e se quer um conselho, controle seus ímpetos.

Heero franziu o cenho e indagou confuso:

- Ímpetos?

- Precisamos lembrar dos seus avanços sobre o rapaz, Yui? – Wufei ironizou.

Heero sentiu-se um pouco envergonhado, mas Sally logo amenizou a constatação feita pelo marido.

- Não se trata apenas disso, Wufei. É algo maior. – ela contou, ainda tendo a atenção dos quatro sobre si. – Se eu estivesse no lugar dele, também teria essa mesma reação de auto-preservação.

- Tem a ver com esses surtos que ele vem apresentando, não é mesmo? – Trowa questionou, querendo entender o ponto que a médica abordava.

- Tem sim, Trowa.

Heero voltou a pensar e indagou:

- Como ele poder às vezes falar como Duo. Igualzinho como se fosse Duo e estivesse vivendo em outro mundo, outra época. – recebeu um olhar frustrado de Wufei e o censurou: - Não me venha com esse olhar, Chang, eu sei muito bem o que eu vi e ouvi.

Sally, mais uma vez, ficou frustrada por não poder dar razão a Heero de forma mais específica, mas tentou aconselhá-lo.

- Heero, eu não sei como te explicar, mas não tente procurar por respostas agora. Não adiantaria.

Ele já recebera aquele conselho antes, mas era difícil de cumprir com o que pediam. A única coisa que tinha vontade era sair dali e ir direto ver Max, porém, não era pelos conselhos de Sally que se travava, e sim pelo que prometera ao rapaz naquele bilhete que lhe deixara. Tinha dito que daria um tempo para ele e estava lutando para não quebrar sua palavra. Havia quase um mês que não o via.

Quando deixou a casa de Wufei, havia a constatação de que Max era irmão de Duo não era uma coisa ruim. Ruim seria se por acaso tivessem que contar a ele sobre seu parentesco com Duo. Tinham decidido esperar e, se fosse o caso, não revelar isso ao rapaz, não faria diferença já que o americano estava morto e só traria mais mágoa para Max. De qualquer forma, não sabiam se este tinha consciência de que havia sido concebido de uma inseminação artificial.

Heero pensou em apenas passar pela Universidade de Aston para que mesmo de longe pudesse ao menos ver Max, mas desistiu no meio do caminho. Não poderia se impor assim. Dirigiu para seu apartamento, refletindo sobre o fato de Max ser irmão de Duo, mas decidiu que aquilo o estava torturando demais. Se não existisse aquela enorme diferença de idade, poderia até afirmar que os dois eram gêmeos.

Sorriu triste ao fechar a porta do carro no estacionamento do prédio e subiu para seu andar, disposto a enfrentar mais uma noite naquele apartamento solitário. Apenas ele e suas lembranças lhe fazendo companhia.

Ele tirou as chaves do bolso do jeans que usava e assim abriu a porta do elevador, mas ao fitar na direção da porta de seu apartamento, parou de repente de andar. Seu coração falhou uma batida e depois acelerou com a pura constatação de que recostado na parede ao lado da entrada para seu apartamento, estava Max.

Aproximou-se devagar, com medo de que fosse uma alucinação ou que se fosse real, assustasse o rapaz, que parecia perdido em pensamentos e não tinha notado sua chegada. Parou imediatamente quando finalmente Max se deu conta do eco dos passos no corredor e este virou o rosto para si. Foi, instantaneamente, arrebatado pelos belos olhos ametistas.

- Eu queria conversar com você, Heero.

Continua…


Nota da Beta:

Tô com o seguinte feeling: Capítulo que vem vai pegar fogo!!! Continua logo, sensei... D

Nota da Thoru:

Olá pessoal!!!

Apenas para esclarecer que eu dei total apoio na atitude da Blanxe e, por isso, autorizei ela a parar a fic. As reviews são muito importantes para qualquer ficwriter, eu não escrevo, mas acompanho de perto as reviews postadas, porque elas são o mais próximo que estou de vocês e, além disso, elas servem como indicadores para que eu possa analisar se as nossas idéias estão sendo compreendidas e se estamos sabendo passá-las para vocês. Agradeço as reviews que foram enviadas para nós, e, por favor, não parem de mandar, porque elas são fundamentais para a nossa inspiração e motivação.

Grata Thoru!