Os primeiros raios de sol invadem o quarto de Yoh, que está terminado de se vestir. Como ainda é muito cedo, quase não se ouve nenhum som pela casa, mas um barulho vindo do corredor chama a atenção de Yoh.
Que barulho é esse? Parece alguém conversando, mas a essa hora? Espera aí, essa voz parece a do... Hao?
Yoh aproxima-se da porta e consegue ouvir o irmão falando do outro lado, aparentemente pelo telefone:
– Eu disse pra você que ia conseguir fazer a Anna cair nos meus braços... Era só uma questão de tempo. É, estava com ela no quarto até agora, ela está dormindo. Eu saí pra atender a ligação. Bom, é melhor voltar pro quarto dela, não deixá-la esperando, não é?
Yoh escuta o som dos passos de Hao se afastando. Do que aquele imbecil estava falando? Isso não faz sentido, a Anna nunca faria uma coisa assim! Ele abre a porta do quarto e encontra o corredor vazio; caminha rapidamente até o quarto de Anna e bate na porta. Ele fica chocado quando Hao abre a porta e o encara com um sorriso sarcástico:
– Oi irmãozinho, bom dia!
– O que você está fazendo no quarto da Anna? – Yoh pergunta nervoso.
– Isso não é óbvio? Francamente Yoh, pensei que você fosse mais esperto... Bem, nem tanto.
Nesse momento, Anna acorda e fica confusa com a situação.
– O que está acontecendo aqui? – ela pergunta levantando-se da cama.
– Nada, Anna. Só que o Yoh acaba de descobrir que nós estamos juntos, só isso...
– Isso não pode estar acontecendo! –Yoh diz ainda mais nervoso e sai andando a passos largos, visivelmente transtornado.
– Yoh, espere! Yoh! – Anna o chama insistentemente, mas não obtém resposta.
Yoh desce as escadas apressado, passa pela porta de entrada e vai até o jardim. Eu não posso acreditar, isso não está acontecendo!
– Pirika, telefone pra você! É o seu irmão! – Manta diz entrando na cozinha, onde Pirika está bebendo um copo d'água.
– Obrigada, Manta. Já vou atender. Que bom que o Horo-Horo ligou, quer dizer que ele já deve estar mais calmo... – ela pensa ansiosa, enquanto caminha te o telefone.
– Oi, maninho!
– Pirika, eu preciso falar com você.
– Pode falar, estou ouvindo.
– Não, por telefone não. É melhor pessoalmente...
Anna troca de roupa rapidamente e sai à procura de Yoh. Eu tenho que encontrá-lo, preciso falar com ele! Ela chega ao jardim e vê Yoh e Tamao abraçados, no jardim da casa de Tamao.
– Yoh! Não pode ser, não pode!
Anna corre de volta pra casa, bastante nervosa. Yoh a tenta alcançá-la, mas ela entra em casa e fecha a porta com força.
– Anna, me escuta, por favor!
Anna volta para seu quarto e tranca a porta. Minutos depois, Yoh chega e bate na porta repetidas vezes:
– Anna, abre a porta! Nós precisamos conversar!
– Eu não quero conversar!
– Eu não vou sair daqui até você abrir a porta! – Yoh responde determinado.
Anna abre a porta e deixa Yoh entrar, encarando-o seriamente.
– Você veio me explicar por que estava abraçando a Tamao agora há pouco? Não precisa Yoh, os fatos falam por si só.
– Fatos? Que fatos? Não aconteceu nada entre a Tamao e eu!
– Como não? E o que você estava fazendo na casa dela então?
– Quem é você pra me pedir explicações depois de eu ter encontrado Hao no seu quarto?
– Olha, eu não sei como ele apareceu lá, só sei que eu não fiz nada que dê motivo pra você estar agindo desse jeito!
– Você espera que eu acredite nisso? Como você mesma disse, os fatos falam por si só!
– É mesmo? E você espera que eu acredite no que você diz? Isso não vai acontecer!
– Ótimo! Então está tudo acabado!
– Que seja então!
Yoh se dirige para a porta do quarto e diz, virando-se para Anna:
– Eu nunca imaginei que você fosse se deixar levar pelo Hao tão facilmente...
– Nem eu imaginava que você fosse correr pra os braços da Tamao tão depressa...
Ele sai do quarto batendo a porta.
Anna abre a porta e a fecha novamente, com força. Ela vira de costas apoiando-se na porta e fecha os olhos, enquanto lágrimas começam a molhar seu rosto.
Yoh escuta Anna bater a porta mais uma vez. Ele entra em seu quarto e tranca a porta; senta-se na cama e esconde o rosto nas mãos, deixando-se tomar pela imensa dor que está sentindo.
Mais tarde, Pirika vai encontrar-se com o irmão, curiosa e ao mesmo tempo um tanto aflita para saber o que ele tem a lhe dizer.
– Pirika, o que eu quero te dizer é muito difícil, por isso vou falar de uma vez.
– Você está me assustando, Horo-Horo! O que está havendo?
– Eu não aprovo o seu relacionamento com aquele tal de Ren. Acho que isso já ficou bem claro. Mas o pior de tudo é que você está agindo diferente desde que está com ele e isso me desagrada muito. Por isso, é melhor você escolher: ou ele ou eu.
Pirika escuta as palavras de Horo-Horo, especialmente as últimas, como se estivesse em choque.
– O que você está dizendo? – ela pergunta incrédula.
– Exatamente o que você ouviu. Você vai ter que escolher, ou o seu "namoradinho" ou eu – Horo-Horo responde sério.
– Mas... isso não faz sentido. Você não pode me pedir uma coisa dessas! – ela exclama nervosa.
– É claro que posso. Isso já está decidido. Eu espero que você se decida logo porque pretendo voltar pra casa o quanto antes. Se você não vier comigo, pode esquecer que tem irmão...
Pirika volta pra casa completamente arrasada.
– Onde você foi? Estava com saudade... – Ren a recebe com um beijo – Aconteceu alguma coisa? – ele pergunta ao notá-la distante.
– Fui encontrar com o Horo-Horo...
– E?
– Ele quer que eu... escolha entre você e ele...
– Como assim escolher?
– Ele quer que eu deixe você volte pra casa com ele. Caso contrário, devo esquecer que tenho irmão...
– Mas isso... isso é loucura! Ele só pode ter ficado maluco! É isso, o seu irmão endoidou, só pode ser!
– Talvez... mas ainda assim, ele é meu irmão, Ren.
– Espera, você está querendo dizer que... vai fazer o que ele está querendo? – Ren pergunta nervoso.
– Eu não sei o que eu vou fazer, Ren! Eu não sei! Isso tudo está tão errado...
– Tem razão, está tudo errado. Mas as coisas só vão piorar se você der ouvidos às exigências descabidas do seu irmão!
Pirika encara Ren com lágrimas nos olhos.
– Eu preciso pensar, Ren...
Ao ouvir isso, ele se retira, em silencio, deixando-a ainda mais nervosa.
Anna e Yoh passam o resto do dia trancados em seus respectivos quartos, saindo apenas na hora das refeições, mas sem falar um com o outro. Todos estranham o comportamento dos dois, mas eles preferem não comentar nada sobre os acontecimentos da manhã.
À noite...
Anna deita na cama e fecha os olhos com força, tentando dormir, mas não consegue. Por que isso tudo está acontecendo? Por que o Yoh não acreditou em mim quando eu disse que não tive nada com o Hao? Não posso acreditar que ele tenha ficado com a Tamao. Isso está tão errado! E pensar que ontem eu estava tão feliz por estarmos juntos... Agora sinto um imenso vazio no meu coração, uma dor muito grande. Acho que devo ir embora, voltar pra casa talvez, afinal, como o Yoh e eu dissemos hoje, acabou. Mas ainda assim... sinto que não quero ir embora, não acredito que acabou. Eu me recuso a acreditar nisso. Mas talvez seja apenas uma ilusão tola, vai ver tudo deu errado antes mesmo de começar... – Ela se levanta e caminha até a janela. Ao observar as estrelas, lágrimas começam a cair novamente.
Depois de revirar-se na cama várias vezes, Yoh desiste de tentar dormir, levanta-se e começa a andar pelo quarto, pensativo. A Anna não pode ter feito isso comigo, não pode. Por que ela não acreditou em mim quando eu disse que não havia nada entre a Tamao e eu? Nunca esperei que ela pudesse ficar com o Hao... Estávamos indo tão bem, e agora... tudo parece desmoronar. Eu não quero que isso aconteça, não quero perder o que tínhamos... o que temos. Talvez tudo tenha realmente acabado. Ou não. Me sinto tão perdido, tão deprimido... Só queria dormir quando acordar descobrir que não passou de um pesadelo... Mas isso não vai acontecer... – Ele deita na cama novamente e olha fixamente para o teto, não conseguindo mais segurar suas lágrimas.
Não posso acreditar que isso esteja acontecendo. Agora que eu finalmente encontrei a pessoa certa pra mim, que eu me apaixonei de verdade, aparece um obstáculo que talvez seja insuperável pra nós... Eu não posso perder a Pirika! Será que as coisas vão acabar assim? – Ren pensa angustiado, enquanto tenta conciliar um sono que não chega.
Não era pra ser assim... O Horo-Horo deveria estar feliz por mim; e ele e o Ren deveriam estar se dando bem, mas... é tudo ao contrário. O Ren é especial pra mim, quero ficar com ele, muito. Mas o Horo-Horo é meu irmão. Como posso fazer uma escolha assim? Como? Queria tanto que as coisas fossem diferentes... – Pirika pensa sentada perto da janela, observando em vão o céu noturno, em busca de respostas.
Continua...
Nota da autora:
Oi gente! Nossa, quantos problemas! Mas em toda fic os personagens que sofrer um pouquinho, né? Obrigada pelas reviews e continuem acompanhando e comentando!
Joyce-chan: Oi! Você também tá escrevendo fics agora? Que ótimo! Dessa vez o Hao, a Tamao e o Horo-Horo pegaram pesado, né? Bjs!
Mii-chan: Oi! Achei que ia ser um pouco demais se eles "se pegassem"! O Horo-Horo tá mesmo dando trabalho nessa estória, coitado do Ren! Bjs!
Saturn-MariCat: Pois é, fofinha, as coisas agora esquentaram mesmo! Acho que esse capítulo ficou mais ou menos como você queria, né? Espero que esteja gostando! Tô esperando pra ler sua nova fic, adoro fics românticas! Bjs!
Akima Yuki: Oi! Vou postar o capítulo final da fic de Saint Seiya amanhã, acho. Uns odiaram a Saori, outros o Seiya, que coisa! Mas o Hao e a Tamao estão mesmo entrando na lista dos mais odiados! Até o próximo capítulo! Bjs!
Lady nina: A Anna não ia mesmo deixar o Yoh chamá-la assim na real! E o Horo-Horo tá mau mesmo, pobrezinha da Pirika! Bjs!
Beijinhos!
Estelar
