Disclaimer: Não me pertencem. É tudo da Naoko Takeuchi, Toei e Bandai.
Notas iniciais: Esta ficlet faz parte do desafio Mês VK. O tema é "Data Comemorativa" e é o tema do dia 11
Banquete de boas vindas
Todo o reino estava reunido em torno do rei e da rainha. Endymion estava discursando alguma coisa que Venus não estava prestando atenção. Ela sabia a essência da mensagem, mas não ela estava nem um pouco a fim de absorver todas aquelas palavras pedantes dele. Endymion falava mais que político em época de campanha. Parecia que ele não se lembrava de que eles viviam em uma monarquia e o único interesse do povo era o banquete mesmo.
Por que ele tinha que fazer todo aquele auê só para comemorar a volta dos shitennous dele? Não podia ser só um 'seja bem-vindos, agora vamos cuidar da vida' pontuado com um aperto de mão firme? Não, ele tinha que armar aquele circo todo e, definitivamente, ela que não ia ser a palhaça do espetáculo. Olhou para os lados para ter certeza de que não estava sendo observa, levantou aquele tanto de pano do vestido que Serenity a tinha obrigado a usar e começou a sair de fininho.
Mas, claro, ela não tinha tanto sorte assim. Era como se a vida tivesse lhe dando um tapa na cara e dizendo que ela não servia para figurante.
"Já está de saída, Lady Venus?" – o tom de voz era jocoso.
"Lady é a senhora sua mãe, Jadeite." – ela resmungou e levantou as saias em uma altura que não deveria ser considerado decente.
"Err..." – ele começou a falar e ela o fuzilou com os olhos.
"Não ouse!" – ela falou em um tom calculadamente baixo – "Se te incomoda, faça o favor de olhar para outra coisa!"
"Querida, suas pernas não me incomodam e, dificilmente, serei capaz de olhar para outra coisa." – ele respondeu sem desviar o olhar um segundo sequer.
"Onde foi parar o seu decoro?" – ela perguntou mais fazendo graça do que qualquer coisa.
"Eu me sinto impelido a perguntar a mesma coisa."
Jadeite ficou subitamente corado e olhava freneticamente para os lados procurando uma saída. Venus apontou para ele uma saída possível sem esconder um enorme sorriso e até mesmo deu um tchauzinho para ele, não correspondido, ao vê-lo praticamente correndo.
"Deve ter indo parar no mesmo lugar que a sua educação." – ela respondeu se virando para Kunzite e com a expressão completamente alterada – "Sabe, entrar em uma conversa sem ser chamado não faz parte do livrinho de etiqueta."
"Sair no meio de um discurso real também não é." – ele respondeu.
"Ah, realmente..." – ela respondeu suspirando – "Mas eu estou pouco me lixando para isto! Você que segue o livrinho como se fosse a sua cartilha de alfabetização."
"Onde você vai?" – ele perguntou com os braços cruzados.
"Para onde você não estiver ou eu serei obrigada a beber." – Venus respondeu com um sorriso – "Porque só me resta me afogar na bebida durante estes eventos."
"O que não faz de você uma pessoa muito responsável com o seu trabalho." – ele comentou displicentemente.
Antes que ele pudesse olhá-la, para verificar a reação dela, foi lançado contra a parede violentamente e prensado contra a mesma. Por um momento ele se perguntou como uma garota tão pequena e com um vestido de gala constituído de mais pano do que as cortinas do palácio inteiro podia fazer aquilo com tanta agilidade.
"Não ouse me acusar de não cumprir o meu dever!" – ela sibilou – "Você dentre todas as pessoas não tem o direito de falar isso!"
"Você gosta desse verbo, não é? Ousar..." – ele se arrependeu quase imediatamente de estar tentando manter o mesmo tipo de dialogo que Jadeite parecia ser mestre. Ela começou a sufoca-lo – "Você pretende me matar no meio do banquete que o mestre está dando para comemorar a minha volta?"
"Matar?" – Venus parecia surpresa – "Não, não... Só te desacordar."
E essa foi a última coisa que ele ouviu antes de tudo ficar escuro.
Quando ele acordou, não estava mais no corredor próximo ao salão principal. Levantou-se com cuidado e percebeu que estava em uma das sacadas laterais. Venus estava sentada sobre a mureta da sacada, com as pernas do lado de fora, parte do vestido amarrado de forma que tivesse mais acessibilidade para andar, mas não mostrando as pernas como antes.
"Como você me trouxe para cá?" – ele perguntou testando a voz que estava levemente rouca.
"Tenho os meus meios." – ela respondeu evasivamente.
"Posso perguntar por quê?" – ele se se encostou à mesma mureta que ela estava, mas de costas para ela.
"Porque seria estranho se você fosse achado desacordado no corredor durante o banquete de comemoração a sua volta." – ela respondeu com suavidade sem olhá-lo – "Sem contar que seria meio... Humilhante para você."
"Humilhante?" – ele estava surpreso.
"Eu te nocauteei..." – ela olhou para ele agora – "Sem estar transformada e sem você nem mesmo reagir."
"Eu não imaginei que você fosse se virar contra mim durante uma festa." – ele argumentou, não desviando o olhar.
"Pffff!" – Venus resmungou – "Desculpa esfarrapada! Você quer por em xeque a minha competência e não consegue arrumar nem uma desculpa aceitável para a própria ausência de resultados."
"Você sempre foi melhor do que eu."
"Eu sei." – ela concordou, desviando o olhar para o salão de festa.
"E nem um pouco modesta." – ele completou.
"Não sou mentirosa. Eu sei que sou melhor." – o olhar dela estava perdido no salão, como se procurasse algo e ele podia apostar a mão dele que era Serenity que ela estava procurando.
De repente ela se inclinou de costas, na tentativa de aumentar o campo de visão, e em vez de apoiar a mão sobre a mureta, pegou um punhado de tecido escorregadio. Antes que pudesse se segurar com a outra mão, perdeu o apoio da mureta e escorregou da mureta. Enquanto passava pela cabeça dela, nos milésimos de segundo que isto durou, qual seria a melhor forma de cair lá embaixo sem se machucar muito, Kunzite a pegou pela cintura e impediu que o vestido a fizesse escorregar mais.
Venus segurou o bíceps dele enquanto tentava parar a respiração ofegante e balançou os pés só para confirmar o quão sem apoio ela estava naquele momento. Ela suspirou baixinho quando finalmente Kunzite teve a decência de erguê-la e coloca-la para dentro da sacada. Mas ele ainda estava com os braços em torno da cintura dela e ela continuava agarrada a um dos braços dele.
"Venus, você está bem?" – ele sussurrou. Ele estava tão perto dela que não era necessário mais do que aquilo.
"Eu não sei." – ela respondeu sem pensar.
"Venus...?"
"Por favor... Fique por um instante sem falar nada." – ela pediu baixinho – "Eu só quero ficar assim... Um pouco."
Kunzite ficou calado e pensando o porquê daquilo agora, mas pelo menos não estava sendo ridicularizado ou atacado, então era um bom sinal. Ela suspirou fundo como se tivesse voltado a vida e tentou se soltar dele. Só que ele não estava interessado nisso.
"Err... Obrigada." – ela falou tentando soltar um dos braços insistentes dele – "Kunzite?"
"Você me assustou." – ele disse baixo.
"Desculpe. Será que você poderia..." – ela ainda estava tentando.
"Você não podia ser como as outras pessoas e simplesmente comemorar?" – ele perguntou. O tom dele tinha um certo que de mágoa misturada com curiosidade.
"Comemorar o que?" – ela tentou olhá-lo nos olhos – "A sua volta? Ou a sua constante vontade de me tirar as responsabilidades com que estou acostumada desde sempre?"
"Você não consegue compartilhar?" – ele perguntou cansado.
"Você consegue começar alguma conversa comigo sem me repreender de alguma forma?" – ela respondeu com outra pergunta – "Porque é muito mais do que irritante essa sua mania de me tratar como uma criança inexperiente."
"Você nunca foi uma criança inexperiente." – ele murmurou.
"Eu não falei que sou, falei que você age como se eu fosse." – ela retrucou , finalmente desistindo de se soltar dele – "O que você quer?"
"Pedir desculpas." – ele respondeu.
Venus ficou parada por alguns instantes esperando ele completar com mais alguma coisa, mas ele não parecia muito tentado a fazê-lo.
"Kunzite..."
"Não deve ser muito fácil ter que me ver andando pelo palácio como se nada tivesse acontecido." – ele falou com calma – "Eu entendo o porquê de você querer fugir no meio do discurso."
"Eu fugi no meio do discurso porque estava me dando sono." – ela respondeu e sentiu ele sorrindo – "Mam... Endymion precisa de ajuda com os discursos dele."
"Ele..." – Kunzite não terminou de falar e pressionou os lábios contra os cabelos dela. Venus fechou os olhos e respirou fundo. Quando ela decidiu falar algo, o assunto da conversa apareceu.
"Kunzite... Ops... Eu não queria atrapalhar... Seja lá o que for isso." – Endymion falou meio constrangido meio com vontade de fazer piada – "Eu estava preocupado com vocês. Os dois sumiram... Eu devia ter adivinhado."
"Precisa de alguma coisa, mestre?" – Kunzite perguntou solicito e Venus podia afirmar com certeza que ele estava tentando não levar em consideração o tom brincalhão que Endymion usou na última frase.
"Não." – Endymion sorriu – "Eu vou deixar vocês comemorando do jeito de vocês."
Após dizer isto ele saiu da varanda e fechou as portas de correr. Kunzite balançou a cabeça inconformado enquanto Venus sorria.
Nota da autora: Bem... É isso, gente!
