Disclaimer: Naruto não me pertence. Mas a história, sim. Por favor, não copiem o meu trabalho.
Reminiscências
9º Capítulo: Hairspray
Uma semana tinha-se passado desde os eventos da sexta-feira passada. Era agora, sábado, mais exactamente sábado de manhã e um certo Hyuuga encontrava-se um tanto ou quanto atribulado. A verdade é que, há já praticamente semana e meia que não dirigia a palavra a Ten e, verdade seja dita que isso o estava a matar.
Tinha sido uma briga parva! E contudo ali estava ele, 8 da manhã e já a fazer uma corrida à volta do campus, juntamente com Lee apenas para ver se espantava os pensamentos acerca da morena da sua cabeça. Diga-se desde já que não estava a ter grande efeito.
"Neji, já tentaste falar com ela?" Lee perguntou-lhe ligeiramente preocupado. A verdade é que também o pobre do rapaz andava algo desnorteado visto que, na maioria das vezes tinha de andar de um lado para o outro de maneira a conseguir passar tempo com os dois melhores amigos.
"Como é óbvio. Mas ela não me ouve. Diz que não consegue olhar para mim porque estou escondido atrás do grande muro que é o meu orgulho." Neji disse enquanto apanhava o cabelo. De momento tinham os dois parado de correr e encontravam-se ambos sentados por baixo de uma cerejeira. "Caramba, isso nem sequer faz sentido. Qual orgulho?" Indagou o Hyuuga enquanto mordia o lábio e cruzava os braços perdido em pensamento.
Lee encolheu os ombros. "Bom, eu sempre ouvi dizer que se não o consegues dizer por palavras demonstra-o por actos." Disse, encolhendo os ombros.
Neji fitou-o com algum interesse. "Como assim?"
"Sei lá. Tens de lhe mostrar, de certa forma que não és orgulhoso. Ou pelo, menos não tanto quanto aparentas."
"Não comeces também tu!" Neji queixou-se enquanto dava um olhar frio a Lee. "Essa ideia, é no entanto, bastante interessante…" Disse enquanto se deitava na relva.
"Foi o Professro Guy que me-"
"Eu não quero saber, Lee."
"Eu não acredito que estamos a fazer isto." Sasuke queixou-se enquanto batia rigidamente a uma porta num tom verde garrafal, em tudo muito semelhante às portas dos seus apartamentos.
Naruto encolheu os ombros. "Não seria a primeira vez que lhe estaríamos a pedir ajuda." Disse e nesse momento a porta abriu-se mostrando Jiraya com o cabelo em desalinho embrulhado num robe branco.
Sasuke franziu o nariz e Naruto levantou o sobrolho quando de dentro se ouviu uma voz feminina exigindo que Jiraya volta-se imediatamente para a cama.
"O que é que se passa?" Indagou o mais velho olhando para as caras ligeiramente enjoadas dos dois jovens.
"Precisamos da tua ajuda…" Sasuke comentou tentando em vão não olhar para Jiraya.
"O quê? Ao fim destes anos todos decidiram finalmente que precisam de ajuda para engatar raparigas? Bom, mais vale tarde do que nunca, como diz o ditado." Comentou o homem de cabelos brancos com um sorriso trocista.
"Não é nada disso, eremita pervertido! Nós precisamos da tua ajuda, para encontrar um tarado." Explicou o loiro e Jiraya levantou as sobrancelhas de tal forma que estas desapareceram, cobertas pela franja.
"Querem apanhar um tarado?" Perguntou e coçou a cabeça.
Sasuke suspirou. Porque é que ia dar sempre naquela frase. "É melhor se te mostrarmos. Por favor, veste-te e depois vem ter ao nosso apartamento." Sasuke comentou e arrastou Naruto dali para fora, no entanto ainda foram a tempo de ouvir outro grito feminino chamando Jiraya para voltar ao 'ninho do amor'. Os dois jovens arrepiaram-se.
Cá fora, Hidan, Kakuzu e Alice jogavam basquetebol. Hoje tinham optado por deixar o boxe de Alice de lado, até porque da última vez não tinha corrido lá muito bem, e praticar apenas alguns cestos.
Pessoalmente Alice ainda se encontrava remoer sobre o que tinha feito na sexta-feira da semana passada. Na verdade, no sábado seguinte, a ressaca fora de tal forma que grande que nem conseguira sair de casa.
Flashback
O sol entrava agora pelas cortinas entreabertas e dois vultos mexeram-se na cama de casal, uma das duas presentes no quarto partilhado por Alice e Konan.
"Ugh…" Alice disse enquanto coçava os olhos, tentando em vão abri-los. Depois de muito apalpar, conseguiu finalmente levantar-se e tirar os óculos da mesa-de-cabeceira, abrindo os olhos e piscando várias vezes.
Contudo, e eis o choque quando reparou que se encontrava completamente nua na cama e com um completamente nu Oliver ao lado.
Alice piscou algumas vezes antes de puxar o lençol para se cobrir. Assim, decidiu abanar Oliver que se levantou também a algum custo.
"Bom-dia…" Disse este enquanto se espreguiçava. "Ugh, dor de cabeça…"
Sem dizer palavra Alice abriu uma das gavetas da mesa-de-cabeceira e tirou dois comprimidos, um dos quais deu a Oliver. Os dois tomaram o comprimido sem sequer precisar de água.
"Pensava que eras gay." Este comentou num tom de voz arrastado enquanto erguia o sobrolho na direcção de Oliver.
"E sou. Contudo, quando bebo, fica tudo muito confuso…" Queixou-se e Alice deixou-se cair nas almofadas suspirando. "O que foi? Vais-me dizer que nunca sequer beijas-te uma rapariga?" Queixou-se e deixou-se cair ao lado de Alice.
Esta acabou por encolher os ombros. "Que se dane. Foi bom ao menos? É que eu de momento não me lembro de quase nada…"
"Foi óptimo, querida. Mas também pudera, nem sei como é que adormeces-te tal forma em que tu te encontravas… Mas continuando, ouve lá, como é que tu fazes aquela coisa com as costas?" Indagou interessado e Alice suspirou. Nota: não voltar a dormir com pseudo-gays que só por acaso vivem no mesmo apartamento que ela.
Fim de Flashback
Não, de todo não tinha sido uma experiência agradável. Pensou enquanto encestava e passava a bola a Hidan.
"É verdade, como é que está a correr o teu projecto?" Este perguntou-lhe enquanto via Kakuzu driblar a bola várias vezes. "É que o nosso está a correr tão bem…" Disse sarcasticamente.
Kukuzu rolou os olhos. "O problema é a logística." Afirmou.
"O teu problema é sempre a logística!" Hidan esbracejou não levando por pouco com a bola na cara.
"A logística é uma parte importantíssima de qualquer projecto." O moreno argumentou. "É por isso é que depois grandes obras são abandonadas. O dinheiro é tudo." Este replicou.
"A fé é tudo." Hidan contrapôs e atirou com a bola com violência à tabela fazendo ricochete e indo cair longe. Alice chupou no lábio perdida em pensamento.
"Uh, Alice?" Hidan começou apontando para trás da rapariga.
Esta voltou-se apenas para que os seus olhos se dilatassem. Ali, mesmo no centro do campo encontrava-se Sasori com a bola debaixo do braço, parecendo mais sério do que nunca.
"Precisamos de conversar." Disse este seriamente enquanto encarava a morena.
"Oh fuck me…" Esta disse em puro desespero. Seria demais pedir por um pouco de paz?
Hinata ainda não sabia muito bem o porquê de ter aceitado o convite de Benjy, para ir almoçar com ele, Maxine e Bryan. Aliás, ainda não sabia muito bem como é que tinha chegado à mesa onde agora se encontrava sentada, mesmo em frente do loiro do qual desconfiava.
"A sério Hinata, o Professor Kabuto dá cabo de nós senão lhe apresentarmos os designs e tu és a única de que nos lembramos para ajudar." Benjy disse olhando suplicante para a Hyuuga. Esta voltou os olhos claros na sua direcção, escrutinando-o com olhar. Benjy engoliu em seco, de repente sentia-se bastante nu, de certo ponto de vista até que conseguia perceber o aparente fascínio de Bryan pela rapariga. Ela até que era bonita, como o longo cabelo liso azulado e os olhos claros. Parecia ter até um corpo esbelto, mas como normalmente usava sempre roupas folgadas era impossível de se determinar.
Hinata mordeu o lábio pensativa, tentando em vão não olhar para Bryan que comia com calma e serenidade.
"A sério, Hinata, é melhor dizeres já que sim, eles não te vão largar até conseguirem o que querem. Além do mais, o projecto deles tem futuro, ao contrário do meu." Maxine remordeu lembrando-se das filosofias de Hidan e da obsessão de Kakuzu pelo dinheiro.
"Suponho que poderia tentar, mas não posso prometer que saía algo de jeito. Nunca fiz nada desse género." Hinata comentou enquanto olhava para o espaço tentando imaginar como ficaria a design do projecto.
"Óptimo, temos de combinar então quando nos encontramos para tratar desse assunto." Bryan comentou e sentiu os olhos da Hyuuga recaírem nele. "Afinal de contas, temos de te dizer como é que queremos as coisas." Disse com inocência.
Contudo, as intenções de Bryan estavam longe de nobres. Queria descobrir mais acerca daquela rapariga, por alguma razão em particular a 'tampa' que tinha levado no outro dia não lhe saíra da cabeça. E por muito que lhe custasse admitir, nem a noite bem passada nos braços de Ino lhe tinha feito esquecer os olhos irritantemente claros e misteriosos de Hinata.
"Sim, claro. Quanto mais rápido melhor, depois começam a vir os exames e posso não ter tempo." Comentou a estudante de arquitectura. 'E mais rápido descalço esta bota.' Pensou para consigo enquanto fitava Bryan pelo canto do olho. Este exibindo uma expressão compenetrada.
"Óptimo! Está decidido. Hinata salvaste-me a vida!" Benjy disse alegremente. E ao ver o olhar acusatório de Bryan rapidamente acrescentou, "… e a dele também."
Num outro local, mais precisamente no ginásio do campus, Amaya Bennet limpava-se agora com uma toalha após uma longa manhã de exercício físico. Ao seu lado, encontrava-se o seu companheiro de misfortúnios de uma vida, Oliver.
"Então querida, depois de todo este exercício estás finalmente pronta a contar-me o porquê de teres passado a semana a esconder-te do teu Mr. Darcy?" O rapaz de cabelo prateado acusou fazendo com que Amaya bufa-se em irritação.
"Ele não é o meu Mr. Darcy, aliás o Mr. Darcy nunca teria a audácia e a falta de decoro para fazer aquilo que ele fez…" Disse mais para consigo do que outra coisa. "Além de mais, o facto de estares a apelidar o anti-Cristo de Mr. Darcy é um grande insulto. Aposto que a Jane Austen está de momento às voltas no túmulo." Acrescentou.
Oliver riu-se e rolou os olhos. "Bem, não conta que a Elizabeth Bennet fosse bisexual, pelo que algumas alterações seriam compreensíveis. Chamemos-lhes de adaptações aos tempos modernos." Explicou, astuto e Amaya mordeu o lábio.
"Se queres que te diga, acho que vou virar lésbica de uma vez por todas. Os homens são seres despreiveís. Sem ofensa." Disse perdida em pensamento.
Oliver mexeu a mão dando a entender que não se importava. "Não foi tomada. Eu considero-me um ser acima do vulgar espécime masculino." Concluiu. "Mas enfim, é realmente um desperdício que não tenhas aproveitado o que o Itachi delícia te estava a propor."
"Que eu saiba ele não me fez nenhuma proposta." A morena retrucou.
"Não? Querida aquilo era praticamente uma demanda. Afinal de contas, quem é que não quer ouvir as tão célebres palavras…" E com isto mexeu as sobrancelhas sugestivamente.
"O quê? 'I love you'? Duvido que tenha sido isso que ele queria dizer-"
"Não! Credo que ideia. 'Let's get naked.' Como é óbvio." E pestanejou várias vezes inocentemente.
Amaya suspirou já em puro desespero. "Metes-me medo." Esta retorquiu enquanto começava a arrumar as suas coisas. "Alguma ideia onde vamos almoçar?"
"A Konan não está em casa para cozinhar?" Oliver perguntou cheio de esperança. Sim, porque Konan era a única dos 4 habitantes do apartamento que conseguia elaborar uma refeição decente.
"Pouca sorte, acho que ela foi almoçar com o Pein. A Alice disse que ia almoçar com o Hidan e o Kakuzu, portanto, estamos por nossa conta." Esta disse e Oliver mordeu o lábio.
"Já sei, vai-te arranjar e vamos comer italiano!" Este exclamou, uma luz enchendo-lhe o olhar. "Italianos…"
"Espero por favor que te estejas a referir à comida…"
"Entre outras coisas." Respondeu-lhe Oliver e os dois saíram do ginásio de braço dado.
"Interessante." Fora a única palavra que Jiraya professara aquando a visão do buraco dos infernos da casa de banho. Em seguida, procedera a entrar para a sala do apartamento e andar de um lado para o outro, a mão no queixo, perdido em pensamentos. "Sinceramente," disse por fim "não entendo como é que nenhum dos meus estudantes me revelou o que tinha feito aqui! Teria recebido uma medalha!" E com isto desatou a rir.
Sasuke olhou para o velho sem sequer pestanejar enquanto este se ria e se dobrava sobre si próprio. Gaara seguiu-lhe o exemplo e até Shikamaru, que de momento se encontrava deitado no sofá a bocejar parecia no mínimo perturbado.
"Então, alguma ideia de quem foi?" Sasuke finalmente perguntou, depois do riso do professor ter acalmado.
"Bom, conheço alguns que seriam bem capazes de o fazer… Segundo as chamadas que fizeram o que determinaram?" Perguntou este enquanto se sentava ao lado de Shikamaru fazendo inclusive com que este se chegasse para o lado.
"Pensamos que foi à 4 anos, ou algo do género…" Gaara comentou e olhou com atenção quando o sorriso do homem de cabelos brancos se dilatou.
"Lembra-se de algo?" Sasuke inquiriu.
E com isto mais uma vez Jiraya desatou a rir. "Então não lembro? Meus queridos, nessa altura, quem morava aqui neste piso era alguém tão infame como o vosso professor de física, o grande, o único, Kakashi Hatake!"
E com isto fez-se luz na cabeça dos quatro jovens.
"Já devia desconfiar…" Começou Naruto. "Aquele pervertido, e até que é compreensível porque é que os outros não disseram nada, quer dizer o professor Kakashi é alguém que tem o seu quê de intimidador."
"Mas o que é que pretendem fazer?" Jiraya perguntou e Shikamaru levantou-se.
"Podem ter a certeza que eu vou esfregar-lhe isto na cara. Não vou perder esta oportunidade de chantagear o Kakashi." Disse com alguma malícia e Sasuke assentiu dando um sorriso torto também.
"Nunca pensei que ele precisasse de recorrer a estes métodos." Gaara observou tranquilamente. "E sinceramente, vindo do Professor Kakashi esperava algo mais…"
"Enfim, mais." Naruto completou e encolheu os ombros. "Aposto que era o teu maior discípulo eremita pervertido."
"Até parece que eu ando a criar um exército de tarados. Bom e agora o que é que têm para almoço?" Perguntou enquanto se afundava no sofá.
"Como?" Sasuke perguntou sem entender muito bem.
Jiraya sorriu largamente. "Nunca ouviram dizer que a informação hoje em dia é muito valiosa. Pois bem, é o vosso pagamento. Vá, e agora façam-me qualquer coisa deliciosa. E que tal um ramen?" Perguntou.
Naruto assentiu várias vezes. "Soa-me bem."
"Óptimo, então vai fazer." O mais velho respondeu sorrindo alegremente quando os rapazes se levantaram e encaminharam para a cozinha.
"Estás a propor-me uma trégua?" Alice indagou observando o ruivo de alto a baixo com os olhos verdes semi-cerrados.
Sasori enterrou uma das mãos nos bolsos e com a outra, coçou o pequeno rabo-de-cavalo que tinha feito com o cabelo curto, de maneira a não transpirar demais enquanto a fazer actividade física. "Acho que é bastante óbvio que não estamos a fazer nenhum género de progresso no projecto. Até porque tu não ouves as minhas ideias…"
"As tuas ideias? Não tenho culpa que da tua boca só saía lixo. Se decidíssemos de uma vez por todas seguir aquilo que eu digo, a porcaria do carro já estaria feito há uma semana atrás!" Argumentou a morena enquanto abanava uma perna viciosamente.
Sasori suspirou e tentou contar até dez, contudo e ao ver o olhar de puro desprezo que esta lhe lançava não se pode conter mais. "Tu és impressionante! Venho aqui eu tentar ser razoável e no fim de tudo ainda sou insultado. Pois bem, se tivermos negativa a culpa será única e exclusivamente tua!"
Alice deu por si a rolar os olhos. "Vejam só que acto tão nobre. Deitar as culpas para cima do outro. Pois bem, fica sabendo que se falharmos será por tua incompetência. E só para que conste, foste tu que começaste com os insultos!"
"Eu? Apenas fiz uma afirmação correcta. Tu não ouves os outros e não vês mais além. Ou será possível que não és capaz de ver que isto não passa de uma porcaria de jogo mental do reitor?" Este atirou e Alice cruzou os braços na frente dele. Sasori pensava que a qualquer momento a rapariga ia rebentar. Era incrível a quantidade de imaginativos insultos que podiam sair daquela boca naquelas alturas, e o facto de estar à espera da resposta que aí viria com alguma expectativa, assustava-o. Será que ele era masoquista?
"Achas mesmo que eu não sei isso? Bom, mas ainda é um conforto saber que o teu cérebro de anémona consegue saber isso." Começou esta e Sasori sorriu torto ao ouvir o trocadilho de palavras.
"Mas é claro que sei. Afinal de contas toda a gente sabe que o reitor adora este tipo de jogos. Contudo tive as minhas dúvidas e não sabia se tu sabias que o reitor sabia que provavelmente falharias o desafio." Disse isto praticamente cantarolando e Alice bateu com o pé.
"Tu… Pára imediatamente com isso! Pois bem, se é preciso fazer uma trégua contigo, seu Ricky Martin de quinta categoria, pois bem que seja. Daqui em diante, quando entrarmos em computação é bom que penses apenas em computadores." A rapariga disse em tom de ameça e dirigiu-se a longas passadas na sua direcção.
"Mas claro, em que mais haveria eu de pensar?" Disse o outro com um sorriso de orelha a orelha. Contudo apertou a mão da rapariga. Ficaram alguns momentos assim apertando com força demais, esperando até que um dos dois se acobarda-se.
Passado cerca de um minuto deixaram cair a mão. "Vamos ver se aguentas o ritmo mariquinhas." E com isto, Alice pegou numa bola de basquetebol que por ali jazia esquecida e com perícia atirou-a, encestando com destreza.
Sasori rolou os olhos. "Convencida."
"Tens damas?" Perguntou Ashleigh aborrecida, tirando o chupa-chupa que trazia na boca para falar.
Kisame abanou a cabeça de um lado para o outro, por fim deu um sorriso torto. "Vai buscar." Disse simplesmente.
Ashleigh bufou e tirou uma carta do monte que tinha em frente dela. "Este jogo é estúpido." Constatou por fim.
"Tu és estúpida e não me vês a queixar-me." Deidara disse, ele, Ashleigh e Kisame tinham-se encontrado por mero acaso ali e conversa puxa conversa, um trio nunca antes esperado tinha-se ali formado para jogar às cartas.
Kisame já conhecia Ashleigh dos tempos em que a vira atrás de Itachi e Deidara já a conhecia como sendo a afilhada/caso de uma noite, de Sasori.
Ashleigh rolou os olhos calmamente e voltou a concentrar-se no seu jogo.
"Não a sério, meu. Este jogo é muito estúpido…" Kisame comentou calmamente. "Já agora, já escolheram outro par para o Ran?" Perguntou e Deidara abanou a cabeça negativamente.
"Andam a arranjar encontros àquele gostoso do Ranzou?" Ash perguntou, os seus olhos azuis a brilhar.
"Temos pena, mas andamos à procura de raparigas respeitáveis." Deidara comentou em tom trocista enquanto olhava de soslaio para Ash que envergava uma blusa bastante decotada, uma mini-saia ao xadrez e ainda meias calças rotas.
"Fica para a próxima." Acrescentou Kisame.
Ashleigh encolheu os ombros. "A perda é dele. Contudo, também não sei se estaria interessada num tipo que não é capaz de arranjar uma namorada sozinho."
"Não minha cara, a perda é tua." Deidara corrigiu e sorriu quando olhou para o baralho. "Peixinho!" Disse exuberante enquanto rapidamente apanhava as cartas e as colocava ao seu lado na relva.
"Peixinho de quê?" Kisame indagou olhando para Deidara com olhos semi-cerrados.
Deidara, voltou a pegar nas cartas e olhou com atenção para elas. "Uh, de damas?"
"Como é que é possível se eu tenho aqui uma dama?" Ashleigh disse acusatoriamente e tirou-lhe as cartas da mão vendo que este apenas tinha três damas. "Batoteiro!" Acusou enquanto Deidara se desmanchou a rir.
Nesse momento quem passou ali fora nada mais nada menos que Gabriella acompanhada por Sophie e Karin que olhou para eles do alto do seu 1,70 m, rolando os olhos ao ver Deidara e Ashleigh rir tanto.
Quem não perdera isto fora Ashleigh que mordeu o lábio. E se, ela estivesse a atacar pelo lado errado este tempo todo? Tudo bem que o facto de ter ficado com Itachi deve ter sido humilhante para Gabbe, mas pela expressão dela, o que a iria magoar mesmo seria… E com isto os seus olhos fixaram-se em Deidara que de momento voltava a baralhar, agora com uma cara mais fechada devido áquele encontro.
Ashleigh sorriu então. Não, ela estava enganada este tempo todo. O ponto fraco de Gabbe não era a sua queda e ânsia por Itachi, não, o seu ponto fraco era o seu amor por Deidara.
Ino grunhiu enquanto percorria o seu apartamento esfregando várias vezes os olhos. Sai olhou para ela pelo canto do olho rindo-se com escárnio.
"Ugh, o que é que foi?" Perguntou a loira num tom de voz arrastado.
Sai encolheu os ombros. "Ontem saíste outra vez, hein? Sinceramente, nunca pensei que fosses uma tal 'party girl'…" Comentou secamente.
Ino rolou os olhos. "Qual é o problema de me querer divertir um bocadinho?" Resmungou deixando-se cair no sofá ao lado do rapaz. "Onde é que está a testa grande?"
"Está a fazer coisas produtivas, está a estudar na biblioteca do hospital. Como podes ver, alguém está a levar a sério o seu curso." Sai disse, num tom algo paternal, quase como se estivesse a dar um sermão a uma criança pequena.
"Mas eu levo a sério o meu curso. Mas não vou deixar de viver a minha vida por causa dele, se precisar de ficar a fazer cadeiras, fico." Respondeu e levantou-se puxando um pouco as roupas.
"Não me digas… Bem, deixa-me adivinhar, ontem à noite, e tendo em conta a hora que chegaste, deixa-me adivinhar, estiveste com o Bryan?" Perguntou o moreno e Ino fez beicinho.
"Não tens nada que ver com isso." Respondeu ríspida enquanto abria um pacote de leite e enchia um copo com ele.
"Bom, eu sei que na última sexta estiveste com ele portanto… Eu pensava era que tinhas os teus olhos no Ran, mas aparentemente enganei-me." Replicou.
"O Ran pode esperar por enquanto. Aliás, estive a observá-lo e não me parece que vá a lado nenhum. Ele é um bloco de gelo, é preciso ter a minha perícia para derreter aquilo." Comentou a loira com certa arrogância.
"Eu não estaria tão certa…" Começou o moreno e Ino arregalou os olhos ao ver que este se preparava para sair. Correndo a sala toda acabou por colocar uma perna entre Sai e a porta. "Ino, tens noção que te consigo ver o fio dental?" Questionou.
"Não quero saber de nada disso. O que eu quero saber é o que é que tu sabes que eu não sei." Esta disse olhando para ele com intensidade. Sai suspirou.
"Ouvi dizer que os amigos dele andam a arranjar uma série de encontros para este conseguir 'desencalhar'. A nossa amiga Sakura foi apenas a primeira…" E com isto riu e bateu com a porta deixando Ino sozinha no apartamento.
Em breve a loira começou a andar de um lado para o outro, sem dar por isso bebeu o copo de leite de golada.
Mas é que nem pensar! Aquele pedaço de mau caminho iria ser seu primeiro do que toda a gente! Não, aquela era altura para Ino Yamanaka começar a jogar ao ataque. E que Deus ou o Diabo ajudasse Ran, ela não queria saber, ele iria ser seu e de mais ninguém.
"Interessantes companhias que aquele agora mantém…" Gabbe comentou venenosamente logo após ela, Karin e Sophie passarem pelo trio.
"Ele anda com quem quer Gabbe," Karin disse e Gabbe deu-lhe um olhar frio.
"Pode até andar com os seus amigos imaginários a ver se eu me preocupo. Contudo, é sempre triste ver alguém rebaixar-se ao ponto de andar com 'aquilo'."
"De um ponto de vista estético a Ashleigh é bastante bonita. É perfeitamente compreensível que alguém como o Deidara se sinta atraído por ela. Até que fariam um belo par…" Comentou Sophie num tom de voz suave.
"Teriam filhos lindos." Karin riu-se. "Todos loiros de olhos azuis."
"Podemos parar de falar disto?" Gabbe ordenou rispidamente. "Aposto que iriam sair todos deficientes. Quer dizer, eles parecem irmãos. Ugh, que nojo."
"Umm… Cheiro ciúmes no ar…" Karin comentou. "Não cheiras, Sophie?"
"Os ciúmes cheiram a waffles? É que eu cheiro waffles neste preciso momento." A loira comentou e Karin rolou os olhos. "Podemos ir comer as waffles?"
"Claro que sim, ou seja tu comes, eu ando de dieta." Gabbe disse enquanto viravam na direcção da confeitaria. "E tu Karin, pára de dizer barbaridades. Lá porque tu não consegues ver a diferença entre um amante e um namorado, não quer dizer que eu não consiga."
Karin imediatamente corou ao ouvir este comentário. "Não é bem assim."
"Como não é bem assim? Quantas vezes é que já tiveram sexo esta semana, 100?" Gabbe questionou semicerrando os olhos na direcção da amiga que mordeu a bochecha ao ouvir a pergunta.
"Isso é uma vida sexual muito activa…" Sophie comentou com os olhos fixos na montra da loja.
"Cinco no máximo. Cruzes, que exagero Gabbe. E eu não gosto dele." Karin disse com convicção mas Gabriella podia ver através das palavras da amiga.
Ela sabia que Karin podia nutrir sentimentos por Benjy, contudo e com alguém que sabia esconder tão bem aquilo que ele estava a pensar como Benjy, era bem possível que a ruiva se estivesse a meter num beco sem saída.
"Apenas toma cuidado, está bem?" Aconselhou e Karin sorriu.
"Oh, estás preocupada comigo? Que amor…" Disse numa voz aguda que fez Sophie saltar e de repente tanto a loira como a morena se viram quase asfixiadas pelo abraçado de urso dado por Karin.
"Não consigo respirar…" Sophie queixou-se.
"Karin, larga, estás a fazer uma cena. Ugh, que deselegância." Gabbe sibilou mas não havia muito a fazer quando se estava a lidar com alguém tão impulsivo e volátil como Karin.
Marinna mordeu o lábio enquanto olhava para Emily em desespero. "Eu não quero ir!" Suplicou assustada. As duas encontravam-se agora à porta da biblioteca, estava-se a pôr o sol e estava na altura de Marinna ir trabalhar.
"Mas porquê?" Emily questionou sem conseguir entender muito bem.
"Aquele Tobi mete-me medo. Ele fala na terceira pessoa!" A rapariga disse aflita e olhou para todo o lado antes de proferir o resto. "Ele tem conversas estranhas. Ele sabe tudo no campus, tu não tens noção!"
"Ugh, Marinna por favor, acalma-te. Vamos ser racionais sim? O rapaz provavelmente é um bocado estranho, tudo bem, mas de certeza que não é nenhum serial killer. Tu vais ficar óptima." Emily disse tentando ressegurá-la.
Marinna olhou para ela duvidosamente. "Se aquele Sasuke não me desprezasse tanto, eu até lhe perguntava qual é o problema do primo dele. Mas já sei, pergunta-lhe tu, porque ele a ti adora-te e então-"
"Marinna, o Uchiha não me adora." Emily disse frisando as palavras.
"Pronto, como querias, simplesmente pergunta-lhe. Por favor, só assim é que posso ficar descansada." Marinna implorou fazendo olhos de cordeirinho.
Infelizmente, isto foi inútil pois Emily não se deixava mover por estes truques. "Vou pensar no teu caso…" disse e em seguida sorriu. "Agora vai trabalhar, livros, pó e um Uchiha chanfrado esperam-te."
E com isto deu meia volta deixando Marinna entregue a si mesma. Mas também, quais eram hipóteses de Tobi ser um serial killer ou um violador de raparigas jovens e bonitas? Nenhumas, certo?
Ran e Johan regressavam agora ao campus após uma tarde passada a jogar bowling, algo que ambos muito gostavam de fazer.
"Então, ouvi dizer que o teu primeiro encontro não foi muito bom…" Johan começou e Ran corou um bocadinho olhando para os lados como se a tentar ver se viria ali alguém.
"De todo não. Mas, eu decidi já esquecer esse pequeno facto-" Contudo, teve de parar de falar quando viu quem ali vinha. Estupefacto, ergueu o dedo e apontou para sua frente, Johan seguiu o gesto e a sua boca também caiu.
Ali vinha Neji Hyuuga, as mesmas roupas de sempre, o mesmo andar e porte arrogante, contudo, e no topo da sua cabeça, havia muito, muito, muito menos cabelo. Assim, e em vez do longo rabo-de-cavalo de cabelo liso castanho, estava antes apenas uma pequena porção de cabelo, agora apenas até um pouco abaixo das suas orelhas, tinha ainda uma franja lisa e o cabelo parecia meio despenteado, num típico corte à surfista/advogado da série 'Lei e Ordem'.
"Neji?" Ran perguntou e os olhos do Hyuuga focaram-se nele caminhando então na sua direcção. "Cortas-te o cabelo?"
"Não, é só impressão tua." Este respondeu sem pingo de humor e rolou os olhos, não que isso fosse muito visível.
"Como, quer dizer, porquê?" Perguntou Johan ainda algo pasmado.
"Apeteceu-me mudar." E com isto Neji passou por eles sem dizer mais nada.
"O mundo deve estar para acabar." Johan comentou.
"Neji Hyuuga cortou o cabelo. Deus nos ajude." Ran disse simplesmente ainda algo atónito.
Ten ouviu bater à porta. Suspirando abriu-a com um ar resignado apenas para gritar e recuando até à parede atabalhoadamente.
Maxine alarmada, veio ver qual era o motivo de toda aquela comoção apenas para dar de caras com Neji.
"Neji?" Perguntou olhando para ele com surpresa seguida de divertimento. "Fica-te bem o corte."
"Obrigado." O Hyuuga respondeu secamente sem despregar os olhos de Ten. "Então, tês algo a dizer?"
"Porquê?" A morena articulou com alguma dificuldade.
"Bom, disseste que eu era orgulhoso demais, e que me escondia na sombra do meu orgulho, pois bem, tu melhor do que ninguém sabes que os cabelos de um Hyuuga são o seu maior orgulho, aqui me tens. Já é o suficiente para ti?" Este exigiu saber.
Por este momento Ten já tinha começado a chorar. "És um idiota." Disse abraçando-o.
"Bom, é só cabelo, volta a crescer… Dentro de alguns anos, isto é. De qualquer forma, a tua amizade é mais importante." Este disse e suspirou abraçando-a de volta.
Contudo, o momento foi interrompido por um flash. O casal voltou-se para Maxine que tinha uma câmara na mão, com ar aborrecido.
"Oh, estavam tão queridos que eu não pude evitar. Além disso, ficas sexy com o cabelo curto, Neji." Esta replicou sorrindo.
"Eu sou sexy." Neji disse num tom morto.
"Olha o orgulho…" Ten começou olhando para ele atentamente.
"Qual orgulho? Isto é um facto. 'I'm too sexy for my hair'." Este disse com um meio sorriso e Ten desmanchou-se a rir.
'Não,' Maxine pensou, 'Estes vão demorar a sair da zona da amizade.'
Peço imensas desculpas pela demora mas tenho andado soterrada com trabalhos, testes, etc. Enfim, sei que está curto mas foi o máximo que consegui. O próximo capítulo também pode demorar, portanto não vou fazer promessas.
Lista de músicas do capítulo:
Florence and the Machine - Kiss with a fist
Coldplay - Life in Technicolor
Vampire Weekend - Giving up the Gun
Kid Cuddy ft Kanye West - Erase Me (música oficial da investigação do tarado)
Os Azeitonas - Conto de Fadas de Sintra a Lisboa (Marina e Kiba ^^)
O próxima capítulo chamar-se-á: The apple never falls far from the tree.
Love,
- Ed
