Autor: Matthew Black Potter Malfoy
Beta: Amy Lupin
Shipper: Albus Potter/Scorpius Malfoy
Disclaimer: Me atrapalho com datas e anos. Tenho cara de quem acerta em qual período a lua cheia ocorre no continente europeu?
Saber que eu gostava de Scorpius e fazer algo a respeito; eram coisas muito diferentes. E mais uma vez, minha covardia rotineira me permitiu deixar as coisas como estavam. Nós trocávamos as mesmas palavras cordiais de sempre e, por mais que eu ansiasse por mais, não conseguia me aproximar do loiro que atormentava meus pensamentos.
As férias de verão chegaram e eu vislumbrava paz em meu futuro próximo. Talvez eu conseguisse tempo para pensar um pouco sobre tudo aquilo. Entretanto, como esperado na minha vida, algo tinha que acontecer para frustrar minhas esperanças.
No primeiro domingo das férias, meus pais receberam tio Ron e tia Mione para um almoço e, ao que tudo indicava, tia Luna havia convidado todos para um jantar no sábado.
"Nós temos que ir, Ginny! " Meu pai sentenciou.
Eu não entendia por que mamãe estava relutante em comparecer ao evento em questão. A meu ver, ela e tia Luna haviam superado o incidente ocorrido na Páscoa. Então, o que estava desagradando minha mãe era um total mistério para mim.
"Eu não vou sentar em uma mesa ao lado dos Malfoy como se fosse a coisa mais natural do mundo. " Minha mãe franziu os lábios.
Eu engasguei com o pedaço de frango que acabara de colocar na boca, agradecendo mentalmente que não estivesse com algo líquido na boca, pois seria difícil manter a discrição nesse caso. O quê? Malfoy? Scorpius estaria lá?
"Ginny, acho que já é hora de deixarmos o passado para trás. " Tia Mione dizia de maneira sensata, ignorando o olhar indignado que tio Ron lançava a ela.
Uma discussão acalorada sobre comparecer ou não ao jantar se sucedeu, mas não dei muita atenção ao que diziam, ao contrário de James, que estava decidido em não ir. Meu pensamento, no entanto, estava preso em Scorpius Malfoy e nosso possível reencontro depois de apenas uma semana longe de Hogwarts.
O fato é que, aparentemente, meu pai vencera a discussão e iríamos ao jantar na casa dos Scamander na próxima sexta.
Então era isso. Um jantar formal sentado à mesa com Scorpius Malfoy estava no meu futuro imediato. E não apenas isso, teria toda uma plateia lá para assistir o meu inferno pessoal.
Eu achava que, à medida que o temido jantar se aproximasse, eu conseguiria lidar com aquilo de maneira mais digna. Mas, para o meu desespero, percebi que isso não seria algo possível. O que começara a me atormentar agora era o fato de que eu queria ficar bonito para Scorpius, mas sem parecer que estava fazendo aquilo intencionalmente. Aparentemente, essa era uma linha muito tênue.
"Albus! " Meu pai gritou do corredor, enquanto eu trocava de roupa pela oitava vez. "Só falta você. "
"Já vou." Gritei de volta, impaciente, abotoando a camisa verde que mamãe sempre dizia que realçava meus olhos.
Depois de passar um perfume, desci para a sala, para encontrar meu pai, parado em frente a lareira.
"Cadê todo mundo? " Eu perguntei, arqueando uma sobrancelha.
Meu pai sorriu, divertido.
"Que foi? " Eu perguntei, arqueando uma sobrancelha. "Essa roupa tá estranha? "
"Não. " Ele disse, dessa vez com uma risada roufenha. "Vamos. Todos já estão lá. Sua tia Luna deve estar nos esperando. "
Eu parei a caminho da lareira, olhando meu reflexo em um dos vasos de mamãe, tentando arrumar meu cabelo - e falhando miseravelmente no processo - pela última vez. Ignorei o olhar intrigado que meu pai me lançou e caminhei apressado em direção ao meu suplício.
Ao chegar à casa dos Scamander, no entanto, notei que os Malfoy ainda não estavam presentes.
"Por que demoraram tanto? " James perguntou, enquanto papai saía da lareira e eu espanava o pó da minha roupa.
"Hum..."
Eu pensava em uma desculpa crível. Tudo que não precisava naquele momento era James me importunando.
"Eu tive que atender um chamado do quartel. " Meu pai interveio.
Eu não sabia se aquilo era bem verdade, mas algo me dizia que ele estava mentindo. Só não sabia por que ele estava fazendo aquilo.
Desviei-me da atenção de James propositalmente e caminhei em direção a Teddy.
"Hey, Teddy. " Cumprimentei-o com um abraço.
"E aí, Al." Ele riu. "Fiquei sabendo que ganharam a taça esse ano. "
"Sim. " Eu sorri de forma presunçosa. "Parece que James não foi capaz de derrotar Scorpius no final das contas. "
"Quem diria? " Teddy sorriu, travesso. "Falando no loirinho, " Ele disse, levantando o queixo em direção à lareira. "Acho que é ele chegando. "
Eu franzi a testa, confuso com o modo como Teddy falava de Scorpius de maneira quase familiar.
Mas minha atenção logo se voltou para o garoto loiro que saía da lareira. Eu realmente estava querendo impressionar Scorpius Malfoy com minha roupa? Quem eu achava que era? Ele era um Malfoy no final das contas e, como tal, estava impecavelmente vestido.
Ao contrário de mim, ele não tinha escolhido uma cor óbvia para realçar a cor dos olhos. Ele estava em vestes semiformais bruxas marfim e brancas. Eu engoli em seco, enquanto ele caminhava para fora da lareira, abanando a fuligem de suas vestes.
Logo, Astoria Malfoy se juntou ao lado do loiro, puxou sua varinha e limpou tanto a própria roupa quanto a de Scorpius e esperou pacientemente Draco Malfoy sair da lareira para que fizesse o mesmo com as vestes do marido.
Somente naquele momento, vendo os três trajando a alta costura bruxa, que percebi que nunca havia visto Scorpius com roupas muggle, e o pensamento de que ele não poderia deixar de ficar absolutamente fantástico, até mesmo em um simples jeans, não pôde deixar de me ocorrer.
Scorpius caminhou com seus pais em direção a Luna e Rolf Scamander e, após cumprimenta-los, seus olhos vagaram pela sala, pairando por um momento em mim, antes de abrir um sorriso.
Meu coração falhou uma batida. Scorpius estava sorrindo para mim! Isso estava mesmo acontecendo? Eu já estava sorrindo feito um palhaço de volta para ele e me preparava para acenar, quando notei um movimento ao meu lado.
Teddy estava sorrindo para Scorpius. E, de repente meu estômago despencou. O sorriso de Scorpius não era para mim, mas para Teddy. E o pior de tudo, era que Teddy estava retribuindo, com demasiada animação.
"Priminho! " Teddy chamou Scorpius, antes de abraçá-lo, como havia feito comigo há pouco.
E, nesse momento, meus olhos não eram mais os únicos chocados com a cena. Todos estavam surpresos com a súbita demonstração de afeto de Teddy para com Scorpius, com exceção dos Malfoy e tia Luna.
"Vocês já se conheciam, Teddy? " Foi meu pai o primeiro a se recuperar.
"Claro, Harry! " Teddy girou os olhos. "Ele é meu primo, afinal de contas. "
Eu balancei a cabeça, tentando organizar meus pensamentos. Ou eu havia fumado bosta de dragão sem perceber, ou tinha sido sugado para um universo paralelo, porque Scorpius Malfoy e Teddy Lupin serem primos era algo impossível.
"Minha mãe e Andromeda Tonks se reaproximaram depois que a guerra terminou. " Draco Malfoy começou a dizer, visto que todos esperavam uma explicação mais substancial. "Em virtude do parentesco deles, as duas acharam que uma amizade poderia beneficiar a ambos. Eu não me opus, mas preferi tratar do assunto da maneira mais discreta possível. " Ele concluiu com um olhar frio, como se desafiasse alguém a discordar de suas palavras.
Aquilo não explicava muita coisa, obviamente. Mas pelo menos agora eu entendia o que Teddy quis dizer. Ele era mesmo primo de Scorpius, no final das contas. Será que isso significava que Scorpius e eu tínhamos algum tipo de parentesco?
"Vamos lá para fora? O jantar será servido na varanda. " Rolf chamou a atenção de todos, em uma ótima escolha de momento, em minha opinião.
Enquanto caminhávamos em direção à varanda, meu pai aproximou-se de Teddy - provavelmente com a intenção de arrancar mais informações dele a respeito de sua proximidade com os Malfoy - deixando Scorpius sozinho.
Eu respirei fundo, enchendo meu peito de coragem, antes de dar três passos em direção ao loiro. Scorpius virou-se em minha direção, apertando os lábios e evitando me olhar.
"Você está muito bem vestido. " Eu disse, quando notei que todos já estavam afastados o suficiente.
Eu percebi que minha voz estava trêmula, mas pelo menos eu havia tido coragem de fazer algo, finalmente.
"Obrigado. " Ele limitou-se a dizer, e já estava se virando em direção à porta que dava acesso ao lado externo da casa, quando segurei seu braço, fazendo com que ele se virasse novamente para mim.
"Você está aproveitando as férias? " Eu passei uma das mãos pelo cabelo, nervoso. "Nós bem que estávamos pre..."
"Eu ouvi você e seu irmão falando sobre o meu avô na biblioteca, em maio. " Scorpius resmungou. Seu olhar era frio e mordaz. "Não quero falar com você, Albus. Nem agora, nem nunca. "
Eu congelei onde estava enquanto via Scorpius sair, sentindo um gosto horrível na boca e um aperto no peito. Eu fiquei ali durante alguns minutos me recuperando do choque, antes de sair para a varanda.
Tia Luna conversava com Astoria Malfoy em um dos cantos, Scorpius parecia acompanhar a conversa, de modo silencioso.
"...de acordo com ele, esse novo composto pode ser um agente poderoso na regeneração de tecidos lesados em queimaduras de alto grau. " Astoria falava com profunda admiração e orgulho.
"Eu não duvido disso. Foi ele que descobriu que a queima de salitre gerava uma coloração semelhante às chamas dos dragões e a publicação dele sobre o tema ajudou muito a comunidade de tratadores de dragões. " Tia Luna sorriu em resposta.
"Nesse caso, ele só foi perspicaz em diluir a quantidade de salitre ideal para que ele entrasse em combustão na temperatura correta. " Scorpius disse, defendendo sua opinião de maneira quase que entediada. "O que não deixa de ser brilhante, é claro. "
Queima de salitre? Eu estava ali sofrendo e morrendo e ele estava falando sobre queima de salitre? E como diabos Scorpius Malfoy tinha conhecimento para falar sobre o assunto com tanta fluidez?
"O jantar já está servido, Senhora. " A voz esganiçada de um elfo doméstico fez-se ouvir à minha direita.
Enquanto as mulheres andavam em direção a uma longa mesa quadrada, eu avancei em direção a Scorpius. Eu não podia permitir que ele continuasse me odiando.
"Scorpius, me escuta. " Eu disse, puxando-o pelo punho para um local mais afastado dos demais. "O que meu irmão falou sobre o seu avô foi errado. Eu sei disso! "
"E você sabia disso quando ele disse? " Ele me encarou cruzando os braços em frente ao peito.
"Eu quis soca-lo àquela hora, mas eu não podia. Ele é meu irmão. " Eu me defendi um tanto quanto exasperado.
"Ao invés disso você deixou que ele falasse aquelas coisas horríveis da minha família. " Scorpius bufou em resposta. "Nunca achei que você fosse um covarde, Albus. "
Depois disso, tive que sentar em frente a Scorpius durante todo o jantar. No final das contas, minha mãe estava certa. Não deveríamos ter ido.
"Eu queria dizer o quanto estou satisfeito por ter tantos amigos aqui. " Rolf disse, enquanto servia-se de uma fatia de pão. "Que esse seja o primeiro de muitos jantares em nossa nova casa. "
Minha mãe proferiu um som estrangulado pela garganta e nem se ela quisesse, conseguiria disfarçar que aquilo não fora intencional.
"Estamos muito felizes por termos sido convidados, Rolf. " O senhor Malfoy levantou seu copo em um gesto que transbordava requinte e etiqueta.
Um silêncio constrangedor caiu sobre a mesa e já durava quase um minuto quando tia Mione decidiu quebrá-lo.
"Scorpius. " Ela chamou de forma tão afoita que parecia que o garoto iria comer algo envenenado. "Ouvi dizer que você é o primeiro aluno da turma..."
"Mamãe! " Rose chiou, incomodada.
"Não se preocupe, Rose. " Tia Mione continuou, revirando os olhos. "Não é minha intenção te envergonhar. Só queria elogiar seu colega de turma. "
"Hum...obrigado. " Scorpius sorriu, sem jeito. "Tia Luna sempre me ajuda nas dúvidas que tenho. Acho que o mérito não é todo meu. "
Aparentemente, todos haviam percebido o modo como o garoto havia se referido à minha madrinha, exceto o próprio.
"Acho que você terá que compartilhar seus segredos conosco então, Scorpius. " Minha mãe disse com um tom brincalhão que não alcançou suas feições. "O que você fez para merecer tratamento especial? "
Meu pai lançou um olhar reprovador em direção à mamãe e tia Luna contorceu os lábios. Os Malfoy - entretanto – sorriram educadamente como se aquilo fosse uma piada inocente.
"E você já imagina em que deseja seguir carreira, Scorpius? " Meu pai interviu.
"No momento, penso em seguir os passos do meu pai. " Scorpius encheu-se de orgulho ao pronunciar aquelas palavras.
"Administrar a herança da família enquanto brinca de experimentador em seu laboratório particular, você quer dizer? " Teddy sorriu, zombeteiro.
"Algo por aí. " Scorpius devolveu no mesmo tom.
Naquele momento, algo rugiu dentro de mim e, pela primeira vez, eu quis bater em Teddy. Senti raiva daquela intimidade dos dois e mais ainda de mim, por nunca ter tido interesse na vida do meu colega de turma. Eu nem sequer sabia no que o pai dele trabalhava.
"Escutei dizer que você também é um ótimo jogador de quidditch. " Tio Ron entrou na conversa. "Isso sim foi uma surpresa! "
Aparentemente, sua intenção era alfinetar o Sr. Malfoy, pois seus olhos estavam cravados no outro homem.
"Alguém tinha que salvar a reputação da família no final das contas, Weasley. " O Sr. Malfoy devolveu, dando uma piscadela em direção a Scorpius. "Finalmente meu filho conseguiu fazer o que eu nunca pude. " E nesse momento os olhos do homem pousaram sobre meu pai. "Vencer um Potter. "
"Bem...tecnicamente, " Tio Ron continuou, aparentemente alheio ao fato de que o Sr. Malfoy não estava comprando a briga. "Seu filho teve ajuda de um Potter e Weasley. James mesmo já disse que Albus carrega os artilheiros de slytherin nas costas. Alguma coisa ele tinha que parecer com a mãe. "
"Claro, Weasley. " O Sr. Malfoy limitou-se a dizer.
Depois disso, o jantar, que tinha tudo para ser um desastre, correu de forma harmoniosa e quase brincalhona. Em determinado momento, até minha mãe deixou suas ressalvas de lado.
"Tenho um anuncio para fazer. " Tia Luna se levantou quando todos já haviam esvaziado seus pratos. "Estou grávida! "
Seguiu-se uma comoção a respeito da notícia, trocas de abraços e apertos de mão, até que tia Luna conseguisse voltar a falar.
"Harry e Draco," Ela começou, olhando em direção ao meu pai e ao Sr. Malfoy. "Vocês me escolheram para ser madrinha dos seus filhos. Então, eu gostaria de saber se vocês não gostariam de serem os padrinhos do meu. "
Por um momento, achei que minha mãe fosse realmente engasgar com a encenação de pigarro que fazia, mas todos estavam chocados demais para lhe dar atenção.
Não apenas ela acabara de revelar que era madrinha de Scorpius, como se aquilo fosse algo de conhecimento público, como escolhera dois ex-rivais para serem os padrinhos do seu filho. Como sempre, tia Luna era uma pessoa peculiar e esse momento não poderia ser diferente.
"Eu me sentirei muito feliz em desempenhar esse papel, Luna. " Meu pai disse, de maneira franca.
"Droga! Perdi meu padrinho! " Teddy fingiu aborrecimento.
O Sr. Malfoy limitou-se a sorrir brandamente, acenando a cabeça levemente em direção à tia Luna.
As coisas só melhoraram a partir daí. O pedido de tia Luna acabou tornando claro que a convivência entre Potters e Malfoys seria mais regular futuramente e talvez por isso as pessoas tenham tentado com mais afinco se aproximar. Mas para mim, aquele jantar continuava sendo um desastre. Scorpius não falou uma palavra comigo. Ele sequer olhou para mim.
Isso até a hora de irmos embora.
"Desculpe-me se eu estava bravo quando chegamos. Acho que todos tiveram uma noite agradável hoje. Já que todos estão se esforçando para superar suas diferenças, não vejo por que não fazermos o mesmo. " Ele disse dando de ombros, quando tivemos um momento a sós. "Seu pai parece ser um cara muito legal. Vejo você por aí. " Ele completou antes de entrar na lareira a caminho de sua casa.
Aquilo fez com que eu me sentisse muito pior. Eu sabia que ele não estava me perdoando. Muito pelo contrário, parecia que ele nem se importava comigo.
Fui me deitar naquela noite sofrendo por imaginar que Scorpius me achava um covarde. Mas por que isso importava agora? Ele já estava fora da minha vida agora. Ou melhor...eu estava fora da dele.
Notas Finais:
Eu sei que os gêmeos Scamander já são nascidos há pelo menos uns sete anos, nesse ponto da história. Mas para que as coisas se encaixassem na minha fic a Luna só foi engravidar nessa época em questão.
