Hey! Quanto tempo não?
Esse capítulo ficou grandinho, então resolvi dividi-los em duas partes.
Aí teremos a parte um. Preparem os corações!
Ouçam as músicas, principalmente aquela que dá nome ao capítulo.
Visual da Bella no meu perfil.
Just enjoy :)
CAPÍTULO 8 – Só pro meu prazer
Parte 1
"Não fala nada, deixa tudo assim por mim
Eu não me importo se não nós somos bem assim
É tudo real as minhas mentiras
E assim não faz mal
E assim não me faz mal não"
( Só pro meu prazer – Leoni)
EDWARD POV
.
.
.
- Eu não acredito que você fez isso... – Alice murmurou, enquanto eu via o espanto no rosto dos outros.
- Você é louco? – Emmett levantou rapidamente, enquanto tomava um gole de uísque. – Nós não conhecemos essa menina para colocarmos aqui!
- Eu acho que estou entendendo o que Edward quis fazer... – Finalmente alguém concordara comigo. – Se ela for mesmo uma impostora, ela cansará logo desse joguinho.
- Com certeza. – Saí do sofá. Eu só queria que essa palhaçada acabasse. – Com ela aqui sob o mesmo teto, nós poderemos observá-la... Saber suas reais intenções.
- Isso. – Mike estava ao meu lado. – Eu duvido que ela agüente sustentar essa farsa por muito tempo...
Eu estava convencendo aos meus irmãos que seria extremamente útil hospedar Bella em nossa casa. Como ela insistia em manter a maldita farsa com aquele filho da puta cujo nome eu recusava a pronunciar, nós não tínhamos muita saída senão mantê-la próxima a nós até que o exame de DNA fosse feito. Logo que o resultado saísse, eu faria questão de esfregá-lo na sua cara e escorraçá-la daqui.
Tal como ela fez comigo.
Samuel havia me ligado inúmeras vezes durante o dia, mas eu tinha me recusado a atendê-lo. Eu sabia as merdas que ele pronunciaria, e eu estava pouco me lixando para elas. Por mais que ele explicasse ou tentasse argumentar, eu sabia o tipo de joguinho que eles estavam ensaiando.
Talvez Bella o tivesse enganado como queria fazer com todos nós. Não tenho culpa se a sua imbecilidade é forte o suficiente para impedi-lo que veja a verdade.
Eu só tinha certeza de uma coisa.
Essa garota não é a nossa irmã.
Se ele quis se comover com uma história estúpida dessa, paciência. Eu que não iria perder meu precioso tempo com uma narrativa parva, esdrúxula.
- Edward? – Rosalie tirou-me dos devaneios. – Você acha que ela aceitará morar aqui?
- Ela já aceitou. – Senti todos os olhares em cima de mim. – Mas não se preocupem, não dou uma semana para que ela saia daqui, arrependida... Voltando para a sarjeta de onde veio.
- Nós devemos tratá-la bem, Edward. – Alice olhou complacente para mim. – E se ela for mesmo a nossa irmã? Eu me sentiria muito mal tratando-a de qualquer jeito.
- Para mim, tanto faz. – Emmett levantou-se, despejando mais liquido em seu copo. – Só quero saber o prejuízo que teremos ao se confirmar a paternidade dela. Não é justo a herança ser dividida em termos iguais, já que a herança da nossa mãe também será repartida.
- Ela só ganhará o que for correspondente a Carlisle, o que já é muito. – Mike explicou. – Só temos que ter cuidado para não entregarmos qualquer informação que ela poderá usar contra nós.
- Contra nós? – Alice franziu o cenho.
- Vamos evitar falar sobre o passado... – Eu intervim. -... Qualquer informação que dermos, ela poderá usar para convencer alguém, a imprensa...
- Você acha que ela entrará em contato com a imprensa? – Rosalie indagou.
- Acho que nós não a conhecemos, então, não é uma hipótese a ser descartada... – Mike estava planejando tudo. – Vamos tratá-la bem, mas não mencionaremos qualquer fato do nosso passado. Acho que podemos até dar uma festa de boas vindas e mostrá-la como se vive na alta sociedade... – Mike olhou para mim e eu entendi o recado.
Ele queria humilhar Bella. Queria que ela visse que ela nunca seria uma de nós, que nunca poderia ser uma Cullen.
Ela poderia morar conosco para receber a herança. Mas isso traria duras conseqüências.
- Isso será ótimo... Uma festa! – Alice levantou-se, animada. – Eu faço questão de organizar.
- Rose poderá ajudar... Servindo aos convidados. – Emmett riu, o copo aos lábios. – Prometo que ela não cobrará muito caro, não é, querida?
- Emmett... Por favor. – Rose pediu e olhou para mim, como se eu pudesse defendê-la. – Alice, se quiser a minha ajuda...
- Pode deixar, Rose... – Alice olhou com reprovação para Emmett, que apenas deu os ombros. – Vou contratar o melhor serviço da cidade.
- Então está decidido. Bella virá morar conosco. – Aquela confirmação fez meu corpo reagir de uma maneira estranha, uma maneira que eu desconhecia. – Não vamos deixá-la sozinha em nenhuma parte da casa, todos os empregados serão avisados.
- Certo. – Emmett tomou o último gole da sua bebida e levantou-se. – Só espero que essa vadiazinha não foda mais com a nossa vida... Estou de saco cheio disso tudo e quero voltar o quanto antes para Flórida.
- Emmett Christopher Cullen! – Alice fez tal igual a nossa mãe quando um de nós aprontava. – Use a pouca educação que você tem para recepcionar essa garota... Ela... Ela pode ter o nosso sangue.
- Dane-se para o sangue dela. – Ele riu sinistramente. – Se pensar, ela teve mais sorte que todos nós. Não precisou viver com aquele velho miserável. – Alice o olhou, repreendendo. – Qual é, Allie? Ela não viveu nesse inferno e ainda vai levar a nossa grana? É uma garota de sorte. – Emmett parecia desolado.
- Emmett... Chega. – Vociferei. – Se não tem mais nada dizer, a sua presença é dispensável por hoje.
- Sim, sim, Juiz Masen. – Ele fez uma reverência irônica e eu ainda mantinha as mãos nos bolsos para não surrá-lo. – Vosso pedido é uma ordem! – Ele riu debochado.
Logo depois que Emmett subiu para o quarto, Alice e Mike foram até a biblioteca para ver alguns preparativos para tal recepção que Bella teria.
Fui até o jardim para fumar, hábito que eu havia largado por um tempo considerável. Acendi e senti a nicotina invadir meus pulmões, me dando aquela falsa sensação de alívio, conforto... Coisas que eu sabia que não sentiria tão cedo.
Eram tantas coisas a pensar... Por que Bella insistia nessa farsa? Por quanto tempo ela achava que conseguiria manter uma mentira? Por que ela tinha vindo até Rose Hill para pedir desculpas? Por que ela tinha envolvido Samuel nisso, será que os dois eram mais do que amigos? Será que escondiam algo?
Eram tantas perguntas e tantas dúvidas... Eu não sabia em quem acreditar e no quê acreditar.
Como juiz eu aprendi a lidar com fatos e constatações. Histórias como a que Bella sustentou eu já tinha ouvido inúmeras vezes, no inicio da profissão. Pessoas que alegavam serem filhas de empresários, pessoas famosas até que o exame fosse feito para desmascará-las.
E então elas eram escorraçadas e presas muitas vezes por falsidade ideológica.
Será que Bella sabia o risco que corria? Por que ela mantinha a empáfia, a prepotência, achando que nós acreditaríamos em sua história sem qualquer prova?
Nós não a conhecíamos e se a história vazasse, teríamos que lidar com várias Isabellas batendo a nossa porta alegando serem filhas de Carlisle. Todas interesseiras, aproveitando-se dos abutres da imprensa, contando-lhes sobre como era difícil serem filhas de um pai bilionário e viverem sem nada.
Eu não sentia raiva de Renee por ter se envolvido com meu pai. Ela não fora a sua única amante e eu lamentei profundamente quando soube o que havia acontecido. Eu a amava como a minha própria mãe. Ou até mais.
Minha mãe era uma mulher com seus próprios problemas. Enfrentava depressão e era comum vê-la chorando pela casa, triste, sem aquele famoso viço que as pessoas que a conheciam de longa data diziam que ela tinha em sua tenra idade. Era frágil, de saúde debilitada e por mais que tentasse enfrentar Carlisle em nossa defesa, ela fracassava. Fracassou inúmeras vezes até que por fim, decidiu fechar os olhos para algumas coisas que aconteciam sob seu teto.
Coisas que ela engolia contra vontade, que foram matando-a por dentro, aos poucos.
E Renee era uma substituta dela para nós... Era a única que não se esvaiu nessa casa de loucos.
- Edward? – Rosalie estava ao meu lado.
- Diga Rosalie. – Respondi sem virar-me para olhá-la. – Eu não estou com muita paciência hoje.
- Como sempre... – Ela andou em minha direção, sua mão tocando em meu ombro. – Posso saber quais são suas reais intenções ao trazer Isabella para morar aqui?
- Decerto expliquei tudo anteriormente... – Bufei impaciente. – Vamos mantê-la aqui para ficarmos atentos a cada passo que ela der e...
- Não precisa mentir para mim, Edward. – Ela riu irônica. – Eu vi o jeito que você olhou para ela.
- Como? Que merda é essa que você está dizendo? – Olhei furiosamente para ela. – Não venha até aqui para me dizer uma besteira dessas, como eu disse, estou sem paciência hoje!
- Ora, Edward Cullen foi desprezado... – Senti minhas narinas inflarem. – Uma menina foi capaz de fazer com você o que eu nunca tive coragem... – Ela riu, jogando a cabeça para trás.
- Eu já mandei você parar de dizer besteiras! – Joguei o cigarro fora, agarrando-lhe o braço. – Você não sabe de nada, então cale a porra da boca!
- Como quiser! – Ela puxou o braço, cambaleando para trás. – Se eu não o conhecesse, diria até que ela conseguiu mexer com qualquer coisa que você tenha aí dentro... – Ela apontou para o meu peito. – Quer dizer, ela fez surgir algo aí dentro, porque você não tem nada, é desprovido de qualquer sentimento!
- Saia já daqui. – Vociferei, dando um passo para frente. – Não ouse falar comigo como se me conhecesse, você não sabe de nada, nada sobre mim. Você só é uma vagabundazinha que eu comi e aproveitei como um pedaço de carne... – Ela me olhou atônita. – Porque é isso que vocês são, pedaços de carne... Pedaços que eu aproveito e descarto quando eu quero.
Rosalie cerrou os punhos e senti que ela iria me agredir, mas estava hesitante pensando se eu revidaria.
O que com certeza eu faria.
- Tudo bem, já que você não quer falar... – Ela se virou para ir em direção à casa e parou. – Mas será divertido ver vocês dois morando sob o mesmo teto.
Ela saiu e eu sentei, cansado e pensando no que ela falara. Será que eu conseguiria?
Eu sentia raiva de mim por ser tão fraco e vulnerável.
Bella.
Ela era só uma menina.
Arrogante e prepotente.
Que alegava ter o mesmo sangue que o nosso.
Que se recusou a transar comigo, afastando-me com desprezo.
Que me fez sentir estranho, com raiva e ao mesmo tempo em paz... Nervoso e ao mesmo tempo, aliviado.
Com sentimentos contraditórios fluindo em mim, confundindo-me, como se eu não pudesse mais definir quem eu sou e o que eu quero.
Ela despertava em mim sensações que há muito tempo eu não sentia, sensações que eu pensei que tivessem morrido quando uma vida foi tirada de mim, quando a minha vida perdeu o sentido e o mundo tornou-se cinza.
Monocromático. Superficial. Monótono. Vazio.
Passei a mão pelo cabelo, puxando cada fio, querendo sentir dor ou qualquer outro sentimento físico e moral.
Mágoa.
Aflição.
Menos este misto de emoções que eu sentia enquanto pensava nela.
Naquela vadiazinha de quinta.
Naquela putana
Decidi me anestesiar, me distrair, alienar-me. Suspender qualquer coisa que estivesse me atormentando, mantê-la trancada juntamente com as lembranças que eu tinha da minha mãe, da minha infância e de Tanya.
Não era tão difícil fazer isso. Eu já tinha feito inúmeras vezes e quase me vi em um caminho sem volta.
Peguei uma garrafa de uísque e levei até o meu quarto, entornando o líquido quente pela minha garganta assim que passei pela porta.
Cada vez que as recordações queriam vir à mente, eu tomava um gole generoso. Foi assim a noite toda até que eu deixei que o cansaço me tragasse para um sono sem pesadelos.
Se para ter um pouco de paz, eu precisasse embebedar-me todas as noites, assim eu faria.
Eu precisava só calar as vozes que ecoavam no meu cérebro, dizendo-me que eu precisava acreditar nela, que eu sabia que poderia ser verdade.
E, por fim, depois de muito beber, elas calaram.
[...]
Os dias se passaram da mesma forma. Ainda não tinha voltado a trabalhar, pedindo mais alguns dias de recesso. Eu não estava apto para analisar qualquer processo ou para julgar alguém.
Bella não entrou mais em contato e nem Samuel. Decidi manter tudo como estava, esperando a sua chegada, porque eu sabia que, por mais que ela demorasse a vir, ela viria.
Porque eu vi a determinação em seus olhos.
Em nenhum momento ela indicou hesitação ou covardia quando disse que moraria conosco.
Jessica me ligou algumas vezes e eu somente respondi as suas perguntas de forma sucinta. Ela percebeu que havia ligado em uma má hora e disse que retornaria depois.
Boa menina.
Era sexta-feira e o Sol irradiava Chicago. Rosalie e Emmett estavam na piscina, enquanto Alice resolvia os preparativos para a recepção de Bella, nervosa por ainda não saber quando ela finalmente iria para Rose Hill. Mike estava trabalhando como sempre; ele realmente puxara a Carlisle mais que a todos nós.
Eu estava com uma ressaca terrível, parecia que meu cérebro explodiria a qualquer momento, colocando os meus neurônios para fora. Tomei uma aspirina e um suco de laranja e decidi nadar.
Senti os olhos de Rosalie cravarem em mim assim que cheguei de bermuda e óculos escuros. Retirei a roupa, deixando minha sunga preta à mostra e resolvi ficar com o meu Ray-ban para indicar que não queria conversa com ninguém.
- Samuel ligou para você ontem. – Emmett veio até a mim, sentando-se na espreguiçadeira ao lado. – Ele disse que era urgente.
- Ele só disse isso? – Emmett assentiu. – Não acredito que depois de tudo que houve, ele ainda insiste em dirigir alguma palavra a mim.
Emmett deitou e eu alonguei meus músculos, eu precisava fazer algum exercício físico. Eu estava estressado e como havia muito tempo que eu não trepava, eu precisava descarregar de alguma forma.
Nada se comparava a uma boa foda, mas de alguma forma uma atividade física me relaxava.
Joguei-me na piscina e comecei a fazer o movimento de crawl. Tinha certo tempo que eu não nadava, mas eu lembrava que gostava muito quando era criança.
Eu não sei por quanto tempo fiquei ali, nadando e voltando naquela piscina quase olímpica. Eu queria sentir meus músculos fatigados, doloridos, para que eu pudesse me anestesiar novamente e dormir por longas horas e acordar quando essa merda toda acabasse.
Saí da piscina e peguei a toalha para me secar, quando vi duas silhuetas se aproximarem. Focalizei a minha visão e vi quem eu menos esperava.
Bella e Samuel.
- Bom Tarde, Edward. – Ouvi Samuel falar, mas não respondi.
Meus olhos foram em direção aos olhos castanhos que estavam à minha frente. Ela estava com um vestido florido que realçava sua beleza genuína e seus cabelos estavam soltos, trazendo um delicioso aroma de morango ao meu olfato quando o vento passava por eles. Na sua boca estava um esboço de sorriso e eu quase sorri quando eu a vi.
Ela estava linda... Um anjo. Ainda mais perfeita que nos pesadelos que eu tinha.
Meu coração reagiu de forma traiçoeira, deixando-me nervoso... Será que ela finalmente viria morar aqui? Ou será que havia desistido de tudo?
E então meus olhos foram em direção às suas mãos... Ela estava de mãos dadas com Samuel?
Que porra estava acontecendo?
- Olá, Edward. – Quando ela viu para onde meus olhos seguiram, ela o largou. – Será que poderíamos conversar?
- Nós estávamos aguardando a sua chegada. – Falei rudemente. – Não esperávamos que viesse com seu cãozinho.
- Edward, eu não... – Samuel tentou falar, mas eu o interrompi.
- Por mim, você seria expulso aqui abaixo de socos e pontapés, mas infelizmente não posso fazer isso... – Usei a toalha para envolvê-la em meus quadris. -... Mas não ache que eu engoli essa história patética que vocês contaram, pois eu não engoli, seu advogadozinho de merda. – Falei encarando-o, apontando o dedo incisivamente.
Samuel deu um passo para frente, querendo me enfrentar e eu o afrontei.
Eu queria mesmo que ele reagisse, só para me dar uma boa desculpa para quebrar sua cara e esfregá-la no nosso jardim com grama importada.
- Samuel, calma! – Bella segurou a sua mão e colocou a mão em seu peito. – Vamos conversar civilizadamente, Edward só está nervoso.
- Eu não estou nervoso, estou puto! – Esbravejei, fazendo com que ela me encarasse atônita. – Eu só quero que essa palhaçada acabe logo!
- Só precisamos conversar para que isso se resolva o mais rápido possível! – Samuel estava ficando impaciente. – E eu nunca deixaria Bella vir sozinha até aqui.
- Foda-se o que você quer ou não quer! – Dei mais um passo pra frente. – O que você acha que somos? Acha que faríamos algo a ela?
- Com certeza! – Samuel respondeu.
- Bella? – Alice interveio, fazendo com que nossos ânimos fossem se acalmando. – Finalmente você veio!
- É, eu vim... – Bella olhou para mim antes de receber um abraço de Alice. – Eu quero conversar com todos vocês, antes de qualquer coisa.
- Claro, claro... – Alice olhou para mim como se tivesse percebido algo. – Vamos lá pra dentro.
Eu deixei que eles passassem na minha frente, eu iria trocar de roupa antes de participar do circo armado por Bella e Samuel. Eu estava enojado pela forma que eles ainda sustentavam a história, parecia que nenhum dos dois voltaria atrás.
Assim que eu me encontrei vestido, fui ao escritório.
Bella explicou como conheceu Samuel por intermédio de Ângela, minha secretária. E que em nenhum momento sabia que ele era nosso advogado.
Enquanto ela contava a sua história intencionalmente triste, eu não pude deixar de perceber o modo que Samuel olhava para ela... Como se Bella fosse frágil, como se quisesse afastá-la de todos nós e levá-la dali. Como se fosse capaz de fazer tudo para evitar que ela sofresse.
Ele estava apaixonado por ela?
Não, não era possível.
- Como Bella disse, eu estava investigando sobre o paradeiro de sua mãe, a pedido de Carlisle... – Ele evitava me encarar, olhando para Alice. – Mas como a sua mãe se casou, não foi possível achar Renee Higginbotham. Ela estava registrada como Renee Swan, mãe de Isabella Swan.
- Papai queria registrá-la? – Alice perguntou.
- Provavelmente sim e como ele queria mudar o testamento, acredito que ele quisesse incluí-la devidamente nele. – Samuel explicou.
- Então você alega ser filha do nosso pai... – Emmett levantou-se e foi em direção à janela. – Achou mesmo que fôssemos acreditar em suas histórias e uma foto?
- Posso ter pensado que sim, ingenuamente... – Bella abaixou os olhos e Samuel afagou-lhe a mão. -... Mas entendo que não acreditem em mim. Por isso quero fazer um teste de DNA.
- E isso exigiria a exumação do corpo de seu pai, Edward... - Samuel ainda insistia em dirigir alguma palavra a mim.
- Nós sabemos disso. – Alice interveio, antes que eu respondesse de acordo com a minha forma educada. - Haveria algum problema?
- Nas circunstâncias, creio que eu conseguiria obter uma ordem judicial para a exumação. Bella já concordou com o teste, então faríamos rapidamente. – Samuel aproximou- se de nós. – Edward, você pode explicar o processo?
- O parente mais próximo, neste caso, qualquer um dos filhos, tem de solicitar a autorização para exumação ao juiz de instrução. Deverão apresentar motivos para o pedido. Se for aprovado, o juiz de instrução entrará em contato com o pessoal do cemitério. Um representante seu deverá estar presente no momento da exumação. – Expliquei impacientemente, enquanto Samuel lançava olhares furtivos a Bella.
Eu apertei o braço do sofá, tentando fazer com que a minha raiva esvaísse. Aquele merdinha estava em minha casa e achava que era momento para flertar com Bella. Eu só sabia de uma coisa: Se fosse confirmado que ela era realmente minha meia-irmã, ele nunca mais colocaria os pés em Rose Hill.
Eu iria mantê-lo bem longe de todos nós.
- Quanto tempo isso vai demorar? – Perguntou Emmett.
- Eu diria que em três ou quatro dias para se obter a autorização. Hoje é sexta-feira. Deveremos ter condições de exumar o corpo na quinta-feira. – Samuel justificou. – Como Edward é juiz, creio que será muito rápido.
- Ótimo. – Emmett hesitou. – Vamos precisar de um perito em DNA, certo? – Eu assenti. – Espero que você conheça alguém, Samuel. Não queremos que isso vaze a imprensa.
- Eu não conheço, mas... – Samuel iria falar, mas Mike chegou, interrompendo.
- Conheço o homem certo. – Mike afrouxou a gravata, aproximando-se. – Seu nome é Perry Winger, antigo amigo do nosso pai. Ele está em Boston esse momento, mas estará aqui na quinta-feira, assim que exumarmos o corpo.
- Obrigado Mike. – Samuel agradeceu. – Quanto mais cedo acabarmos com isso, melhor será para todos.
- Então essa era a surpresa que queria nos contar? – Alice perguntou e Mike assentiu. – Por que não nos disse antes?
- Porque Perry Winger é muito solicitado em tribunais de várias cidades... – Mike sentou-se ao meu lado. – Eu não sabia se ele teria como vir a Chicago.
- Então está tudo certo. Entrarei com o pedido hoje. Semana que vem faremos a exumação do corpo. – Samuel pegou alguns documentos e a harmoniosa reunião deu-se por encerrada.
Eu saí enojado do escritório. Era muita informação para ser absorvida. Em breve saberíamos se Bella era ou não era a nossa meia-irmã; até lá, teríamos que conviver com a dúvida.
- Edward? – Alice me chamou. – Vou fazer a recepção da Bella amanhã, o que acha?
- Faça qualquer coisa, Allie. – Ela me olhou tristemente. – Não me peça para reagir a essa história da mesma forma que você.
- Eu não entendo... – Ela colocou a mão na minha barriga, impedindo que eu passasse. – Emmett está indiferente, talvez mais preocupado com a herança, assim como Mike... – Ela franziu o cenho. – Mas você está estranho. Está como se estivesse... Perturbado.
Eu abaixei o rosto, talvez incapaz de encarar os olhos iguais da minha mãe.
- O que houve, Edward? – Alice cruzou os braços em frente ao corpo. – O que aconteceu para você reagir assim?
Levantei o rosto e vi Bella conversando com Samuel num canto da sala. Os dois pareciam entrosados... Como se soubessem muito da vida um do outro. Eu fiquei particularmente perturbado, eu estava perdendo a serenidade de espírito, isso se alguma vez eu já tivera.
Eu não estava entendendo o que estava acontecendo comigo, como poderia contar algo a Alice? Eu estava confuso, transtornado... Mas teria que ser capaz de esconder isso de todos.
Especialmente dela.
A causadora de tudo isso.
.
.
.
BELLA POV
.
.
.
Era só fechar os olhos que eu visualizava Edward naquele ringue. Eu sonhava todas as noites com isso. Sonhava que ele me beijava e nós fazíamos amor.
Era constrangedor acordar suada e arfando, com Samuel perguntando se eu havia dormido mal. Eu estava com medo de dormir e voltar a sonhar, o que sempre acontecia. Quando não sonhava com o ringue, sonhava com a noite que nos beijamos no apartamento de Ângela.
Mas no meu sonho, nós íamos até o fim. Eu sentia seu membro penetrando em mim, suas mãos quentes apertando cada pedaço da pele do meu corpo, marcando e deixando um rastro deliciosamente quente. Sua língua fazia um caminho sinuoso, dando atenção a cada parte do meu corpo que ansiava e desejava veemente ser excitado e explorado.
Noite após noite eu acordava cansada, suada, com a respiração irregular e excitada.
Noite após noite eu tomava longos banhos gelados. Noite após noite eu me tocava até que o orgasmo viesse, me tranqüilizando de alguma forma para que eu pudesse dormir um pouco.
Eu nunca sentiria a plenitude das sensações com um dedo. Eu precisava de um homem, qualquer homem, mesmo que meu corpo ansiasse só por um.
Em uma das noites, eu hesitei em frente ao quarto de Samuel. Ele tinha acabado de despedir-se de mim para dormir, então eu sabia que ele ainda estava acordado. Era só uma batida na porta e talvez eu tivesse o fim dos meus pesadelos.
Ele não precisaria me prometer nada, nem me garantir nada. Só fazer com que eu esquecesse Edward.
E seu toque.
E seus beijos.
Voltei para o meu quarto, me amaldiçoando por ser uma covarde. Não era a solução certa, mas diante da situação que eu me encontrava, seria a que me salvaria de mim mesma.
- Por que você não me disse que eu teria que morar em Rose Hill? – Perguntei, enquanto tomávamos café.
- Eu não acho que seja necessário... – Samuel hesitou antes de continuar. – E eu não queria forçá-la a passar por uma situação desagradável.
- Mas Edward disse que eu deveria cumprir a cláusula. – Encarei seus olhos atônitos. – E eu acredito que seja o melhor para mim.
- Bella, você tem certeza? – Samuel me fitou, antes de largar o jornal que lia. – Eu conheço Mike, Alice, Emmett e Edward há muito tempo e eu garanto que eles podem ser cruéis com você.
- Eu só não posso continuar sendo sustentada por você e vivendo aqui para sempre... – Ele sorriu tristemente e eu continuei. – Eu sei que você é bom amigo, mas eu me sinto incomodada por ficar assim. Sem emprego, sem casa, sem nada!
- Serei só um bom amigo se você quiser... – Samuel pegou a mão e fez um carinho com o polegar, tranqüilizando-me. -... Acho que está na hora de sermos sinceros um com o outro.
- Samuel, por favor... – Eu queria afastar a minha mão, mas não quis magoá-lo. Então decidi mantê-la onde estava – Tem muita coisa acontecendo na minha vida e eu quero realmente conhecer você melhor... – Ele abriu um largo sorriso, iluminando a cozinha. –... Só quero que tenha paciência.
- E eu terei... – Ele beijou a minha mão, como um indício que tinha entendido o recado. – Eu sempre terei.
Nos dias que se seguiram, eu tentei preparar-me psicologicamente para morar em Rose Hill.
Informei a Jasper o meu novo endereço. Ele ficou muito feliz e disse que em breve me faria uma visita.
Como eu precisava dos seus conselhos, do seu ombro.
Tudo estava transcorrendo bem, mas ele ainda precisava de dinheiro.
Então decidi procurar um emprego.
Não era fácil conseguir algo numa cidade grande como Chicago. Eu ainda não havia me formado e meu último emprego havia sido como secretária de Samuel.
Eu também não queria pedir nada a ninguém, eu queria conseguir algo pelo meu próprio esforço.
Talvez eu procurasse emprego em outra biblioteca pública, se não aparecesse algo melhor.
Entreguei alguns currículos, e no fim do dia, eu estava cansada.
Liguei para Ângela, que me pediu várias desculpas. Marcamos de nos encontrar em uma cafeteria próxima.
- Bells, eu sinto muito. – Ela pediu pela milésima vez. – Você não sabe como fiquei preocupada quando soube que tinha ido embora e...
- Calma, Angie, está tudo bem. – Tentei tranqüilizá-la e contei o que havia acontecido nos últimos dias.
Ela pediu para que eu morasse com ela novamente, mas eu não pude aceitar.
Eu queria caminhar com as minhas próprias pernas.
Samuel tentou falar várias vezes com Edward, mas este não retornou. Depois que ajeitei minhas coisas e coloquei vários currículos em agências de empregos, decidi que estava na hora de ir à Rose Hill.
Eu estava ansiosa e apavorada.
- Bella, está pronta? – Samuel perguntou, encostado na soleira da porta.
- Estou. – Dei uma última olhada no espelho. Eu estava com um vestido florido e o cabelo solto. Uma maquiagem suave arrematava o visual. – Vou sentir falta de você, daqui...
- Não diga isso que eu acredito. – Samuel sorriu e se aproximou. – Duvida que sinta falta depois do luxo que tiver lá.
- Achei que você me conhecia, Samuel. – Virei para pegar a bolsa. – Luxo e riqueza não combinam comigo.
- Como dizia um poeta, o luxo, assim como o fogo, tanto brilha quanto consome... – Ele se aproximou ainda mais, afastando um fio de cabelo do meu rosto. – Só espero que eles não engulam você, Bella.
- Eu saberei me cuidar! – Dei um tapa em seu ombro e sua mão segurou a minha. – E você sempre estará por perto, certo?
- Com certeza... Sempre perto... - Samuel me olhou tenramente e veio se aproximando lentamente. O seu rosto estava a centímetros do meu e eu não sabia se deixava ele fazer o que pretendia ou me afastava... Eu sabia que era questão de segundos para ele me beijar.
Eu não queria que Samuel se afastasse, eu precisava dele. Muito. Assim como precisava de Ângela. Eles eram as duas únicas pessoas que eu conhecia nessa maldita cidade. Eles eram as pessoas que poderiam me ajudar e que eu confiava.
Sua mão veio em meu rosto e vi um esboço de sorriso brincando em seus lábios. Ele estava extasiado, como se estivesse esperando o momento certo para tomar a iniciativa.
Sua mão era suave, como se quisesse fazer tudo há seu tempo... Não era urgente e nem agressiva. Samuel era doce e calmo, como o amor deveria ser.
- Tu es belle... – Ele sussurrou antes de encostar delicadamente os seus lábios nos meus.
- Sr. Sloane, o seu pai... – Eu ouvi uma voz feminina no quarto. – Oh, me desculpe, eu não sabia...
Samuel bufou e abaixou o rosto, envergonhado. Eu peguei o seu rosto e o levantei, fazendo com que ele sorrisse para mim.
- Eu já vou, Mary. – Ele respondeu secamente.
E saiu do quarto sem olhar para trás.
[...]
Fomos em direção à Rose Hill. Eu estava ainda mais ansiosa e Samuel estava estranhamente quieto esta tarde.
- Bella, você jura que não hesitará em pedir a minha ajuda? – Samuel perguntou, quebrando o silêncio. – Eu não queria deixá-la em Rose Hill.
- Samuel, eu prometo. – Encarei seus olhos castanhos e assenti. – Tudo dará certo.
Assim que entramos na propriedade, nós vimos que havia alguém na piscina. Rose Hill era tão grande que eu não me surpreenderia se eu me perdesse por ali.
Alguém nadava furiosamente na piscina. A água ondulava e se não fosse uma grande piscina, ela transbordaria facilmente.
De repente a pessoa parou. E usou a escada para subir.
Era Edward.
Ele estava incrivelmente lindo e meu coração palpitou ao vê-lo. Ele estava extremamente sexy trajando uma sunga preta.
Meus olhos desviaram-se da visão que estava à minha frente, para retornar segundos depois.
Ele pegou uma toalha branca que estava estendida e passou pelo cabelo, bagunçando-o ainda mais. Seu peito subia e descia numa respiração descompassada, enquanto as gotas de água caíam do seu corpo.
Desviei o olhar na mesma hora que senti os olhos de Samuel cravarem em mim.
O homem que habitava os meus sonhos, fazendo com que eu urrasse de prazer, estava à minha frente usando uma simples sunga preta.
Era como se eu pudesse ficar ainda mais aflita e angustiada. Senti a umidade em minha calcinha logo que eu imaginei o que Edward poderia fazer comigo naquela piscina.
Não, não e não!
Segurei a mão de Samuel, parecia que eu ia desmaiar. Sua mão quente reconfortou a minha, que parecia estar suada e pegajosa. Meu estômago estava embrulhado e eu poderia vomitar a qualquer hora.
Eu estava... Perdida!
E ainda moraria sob o mesmo teto que ele.
Eu nem imaginava o que me esperava.
[...]
Assim que entrei na mansão, nós fomos ao escritório para que eu pudesse explicar como tudo tinha acontecido.
Contei quase tudo.
Alguns fatos precisavam ser omitidos e eu faria de tudo para que continuassem assim. Eu os mal conhecia e eles também a mim; eu tinha certeza que eles também haviam tomado algumas providências para a minha chegada.
Eu não iria falar sobre a minha real intenção de estar ali. Para todos, eu estava querendo ter minha paternidade reconhecida, conhecer o outro lado da minha família... Eu não queria que eles fizessem mau juízo de mim sem me conhecerem direito, sem saber as motivações que me levaram até ali.
Eu estava me sentindo como uma traidora. Era como se eu estivesse traindo a memória de Charlie, porque eu nunca, nunca iria querer conhecer outro pai que não fosse a ele.
Nas minhas lembranças, Charlie sempre esteve presente. Nós éramos grandes amigos, pai e filha. Eu me dava melhor com ele do que com a própria Renee.
Ele nunca seria comparado a Carlisle. Um pai frio, superficial, que só sabia dos seus dólares e multiplicar seus bens.
E eu agradecia a cada instante por ter sido criada longe da insanidade desse homem.
Eu só estava aqui por um motivo. E era esse motivo que eu pensava todas as noites antes de dormir. Era o que me dava forças para seguir em frente.
- Clark, essa é Isabella. – O mordomo veio até nós. – Mostre o quarto que preparamos para ela.
Segui Clark, enquanto Alice seguia atrás de mim. O que me reconfortava era que Alice também morava aqui.
Ela parecia ser muito diferente dos outros.
- Este é o seu quarto, senhorita Swan. – Clark abriu a porta e deixou a minha mala perto da cama. – Espero que esteja do seu agrado.
Quarto: .
O quarto era todo branco, moderno e de extremo bom gosto. Eu sorri comovida ao pensar que ele tinha sido preparado especialmente pra mim, que Alice preocupara-se comigo.
- Se você quiser, nós podemos deixá-lo do jeito que quiser... – Alice falou ao meu lado, enquanto eu olhava para todos os detalhes.
Havia uma área externa e um banheiro. Eu não estava habituada a ter um espaço tão amplo pra mim. E eu estava realmente gostando de tudo.
- Obrigada Alice, de verdade... – Agradeci sinceramente.
- Não há o que agradecer, essa casa também é sua... – Eu franzi o cenho diante da convicção que ela tinha que eu era da família. – Eu sinto que você é realmente minha irmã, Bella.
Alice me abraçou e eu fiquei sem reação, apenas deixei os braços ao lado do corpo, retribuindo somente segundos depois. Eu nunca imaginei ter quatro irmãos. Eu gostava de ser filha única, não conseguia imaginar Renee cuidando de várias crianças, já que eu cuidava bastante dela.
Alice resolveu deixar-me sozinha para guardar meus pertences e eu resolvi tomar um banho para relaxar. Foi difícil despedir-me de Samuel, mesmo sabendo que nos veríamos em breve. Eu já estava acostumando-me com sua companhia.
Saí do banho enrolada em uma toalha e percebi que havia esquecido a minha mala de roupas, provavelmente no carro de Samuel. Amaldiçoei a mim mesma por ser tão distraída... Quem faria uma coisa dessas no primeiro dia em um território estranho?
Abri a porta lentamente e vi que o corredor estava vazio. Saí pé ante pé, antes que alguém me visse apenas com uma toalha enrolada ao corpo.
Eu queria encontrar Alice ou algum dos empregados para que eles me salvassem.
- Bella? – Eu vi uma loira saindo de uma porta. – Está perdida querida?
Senti seus olhos passearem pelo meu traje, por isso tratei logo de explicar.
- Não, quer dizer... – Eu estava tentando lembrar-me do seu nome. – Eu esqueci minha mala de roupas.
- Ah, claro. – Ela sorriu angelicalmente. – Se você quiser posso emprestar algo.
- Oh, não! – Falei rapidamente recordando-me dos trajes que a loira fatal costumava usar. – Você poderia chamar Alice pra mim?
- O que mais temos nessa casa são roupas. – Ela pegou o meu braço e saiu me puxando antes que eu dissesse algo. – Nesse quarto, há uma variedade de roupas para os hóspedes esquecidinhos... – Ela sorriu irônica. – Pegue alguma coisa enquanto peço Alice para providenciar roupas pra você.
Ela me deixou em frente a uma porta branca. Enquanto a tal de Rosalie sumiu pelo corredor, eu decidi entrar antes que alguém me chamasse para jantar e eu estivesse ainda de toalha.
Entrei no quarto que parecia abandonado e vi um guarda – roupa antigo.
Abri e ele não estava com cheiro de mofo ou algo do tipo... Era como se limpassem sempre, como se quisessem preservar o que havia ali.
Eu vi um vestido vermelho e o peguei logo, colocando-o no corpo, enquanto deixava a toalha cair em meus pés.
O vestido serviu perfeitamente em mim. Ele ia até a metade das minhas coxas e deixava-me com um ar elegante. Eu definitivamente precisava comprar mais roupas nesse tom.
.br/wp-content/uploads/2009/06/vestido_vermelho_com_strass_na_
Saí rapidamente do quarto, algo me dizia que eu não deveria ter entrado lá. Mas era uma emergência e eu não poderia criar alguma situação constrangedora logo no meu primeiro dia em Rose Hill.
Fui para o meu quarto e aguardei alguns minutos, quando finalmente a empregada veio me chamar para jantar.
Coloquei uma sandália baixa e deixei meu cabelo solto, ele servia como uma espécie de proteção pra mim, como se eu pudesse esconder-me atrás dele.
Quando cheguei à sala de jantar, percebi todos os olhares em mim.
E Rosalie estava sentada à mesa... Ela não havia chamado Alice pra mim?
- Bella! – O rosto de Alice murchou assim que ela viu o meu vestido. – Onde você conseguiu esse vestido?
- Eu – eu tive um contratempo e o encontrei num dos quartos... – Expliquei envergonhada. – Espero que não se importe.
- O que você está fazendo? – Ouvi uma voz ecoar atrás de mim. – Quem deixou você pegar isso?
- Calma, Edward... – Alice passou por mim, indo até ele. – Ela não sabia!
Quando me virei, Edward olhava furiosamente pra mim. Seus olhos passeavam pelo vestido que eu trajava, como se quisesse que ele se deteriorasse em mim.
- Que porra que não sabia! – Ele esbravejou, deixando-me ainda mais nervosa. – Quem ela pensa que é para usar as coisas dela!
- Me desculpe! – Pedi, constrangida demais para falar outra coisa. – Eu já vou trocar de roupa... – Passei ao seu lado e ele me segurou pelo braço.
- Nunca mais toque em nada aqui, entendeu? – Eu assenti. – Você não tem permissão para mexer em nada... Aqui não é a sua casa e nem nunca será! – Ele esbravejou mais uma vez, largando meu braço de forma estúpida.
Subi as escadas correndo, enquanto Alice vinha atrás de mim e eu ouvia uma pequena discussão iniciar. Eu estava me sentindo uma imbecil por ter acreditado que Rosalie me ajudaria. Ela era como os outros: só estava interessada na herança e para ela, eu só era a filha da governanta vagabunda que queria o dinheiro deles, como Emmett afirmara.
Fechei a porta do quarto com força e arranquei o vestido, sentando-me no chão. Edward havia me humilhado, eu estava destruída por dentro. Ele não me conhecia, então por que me tratar daquele jeito? Por causa de um vestido? Era muito pouco e eu não queria ouvir suas explicações.
Deitei no sofá enquanto Alice batia incessantemente na porta, pedindo para que eu a abrisse, me pedindo desculpas. Mas eu não queria falar com ninguém. Estava com saudades de casa e da minha mãe. E de Jasper. E sabia que, de agora em diante, eu teria que caminhar sozinha e com as minhas próprias pernas.
Chorei sozinha num quarto que não era meu e adormeci.
[...]
No dia seguinte, resolvi colocar a roupa do dia anterior antes de descer para providenciar algumas roupas. Eu tinha certeza que Samuel traria as minhas roupas se eu pedisse.
Tomei banho e percebi que meu rosto ainda estava inchado por ter chorado na noite anterior. Mas eu estava pouco me lixando para isso.
Quando saí do banheiro, Alice estava sentada na cama.
- Bom dia... – Ela sorriu para mim, pedindo desculpas. – Eu fiquei preocupada ontem à noite, então resolvi vê-la como está. Temos chaves reservas de todos os quartos. – Assenti.
Apenas sentei no sofá enquanto colocava as minhas velhas sapatilhas. Senti os olhos de Alice em cima de mim, eu sabia que ela ainda queria comentar sobre o incidente ocorrido.
- Trouxe o seu café da manhã. Imaginei que não quisesse descer depois de tudo... – Ela apontou para a bandeja que estava ao seu lado. Pães, frutas e suco a compunham. – Bella, Edward é explosivo, mas...
- Ele é um grosso e mal educado! – Explodi, engolindo para que as lágrimas não me traíssem. – Isso tudo por causa de um vestido? Eu errei em pegá-lo sem permissão, mas Rosalie disse que...
- Rosalie disse? – Alice franziu o cenho. – O que Rosalie disse a você?
- Que eu poderia pegar qualquer roupa que eu quisesse, que eram roupas para hóspedes... – Alice meneava a cabeça de um lado para o outro. -... E eu só peguei porque me esqueci da minha outra mala.
- Rosalie vai explicar essa história direitinho... – Alice murmurou. – Bella, aquele quarto não é para hóspedes. É um lugar que Edward mantém aqui em Rose Hill.
- Edward? – Eu estava confusa. – Então aquele vestido...
- Foi de alguém especial, muito especial para ele... – Alice parecia divagar sobre alguma coisa. -... Por isso ele reagiu daquele jeito ontem. Peço desculpas e espero que compreenda.
Alice disfarçou, pegando um copo de suco para mim e eu entendi que ela não falaria mais nada sobre o assunto. Por mais que Alice pedisse, eu não poderia entender Edward e tão pouco compreendê-lo. E muito menos Rosalie.
Com essa, eu ainda tiraria satisfações na hora certa.
Tomei meu café calmamente, enquanto Alice fazia perguntas sobre mim. Falei sobre Jasper e o quanto ele gostaria de vir para passar alguns dias comigo. Alice disse que não haveria problema algum, só teria que avisá-la antes para que ela pudesse preparar tudo para sua chegada.
Ela era atenciosa, educada e doce... Tão diferente dos outros.
Lembrei-me da fisionomia de todos quando Edward explodiu na sala de Jantar. Mike tinha uma expressão de compaixão. Já Emmett exprimia indiferença, como parecia ser da sua natureza. Rosalie ria sarcasticamente, como se deliciasse com a cena. Eu só não respondi à altura porque estava abalada demais para revidar.
Edward.
Sua expressão me deu medo ao mesmo tempo em que tive complacência dele. Ele estava com raiva, mas estava... Sofrendo? Como se a lembrança daquele vestido tivesse reacendido algo pesaroso em sua memória.
Seus olhos brilhavam de raiva, mas também estavam aflitos e angustiados. Eu não sabia o que pensar, só sabia que, a cada minuto, aquele homem me confundia mais e mais.
- Eu posso pegar a sua mala, já que preciso ver algumas coisas para a sua recepção hoje à noite... – Alice pegou a bandeja e já estava quase saindo do quarto. – Hoje a noite será sua!
- Como é que é? – gritei, antes que ela fechasse a porta. – Teremos uma festa aqui?
- Não digo uma festa, mas sim um encontro, um jantar, uma pequena recepção para os mais íntimos. – Revirei os olhos pela maneira que Alice forçava em deixar tudo simples. – Nós não diremos que você é nossa irmã, só queremos apresentá-la aos nossos poucos amigos e fazer com que sinta bem vinda.
- Alice, acho desnecessário... – Bufei, tentando argumentar. – Depois do que aconteceu ontem...
- O que aconteceu ontem me deu mais certeza para fazer algo! – Ela disse animada. – Nós estamos muito estressados com tudo que vem acontecendo. Um jantar com os amigos, boa música e bebida será uma ótima forma de relaxar e conhecermos uns aos outros. – A baixinha tinha o poder de convencimento. – E não se esqueça que nós também precisamos recuperar o tempo perdido. Passamos muito tempo afastados e...
- Ok, certo! – Alice sorriu como se precisasse realmente do meu aval. – Eu sei que não tenho direito de pedir nada, só queria que fosse algo realmente simples.
- Com certeza! – Ela animou-se, não me convencendo muito. – Vou pegar a sua mala. Antes do almoço estarei em casa.
Fiquei no quarto, com receio de encontrar com Edward em qualquer canto da casa. Eu sabia que o ambiente era imenso, mas eu não queria encontrar com ele e nem com Rosalie.
Música: Only Girl In The World (Ellie Goulding)
Queria ficar sozinha.
Eu estava me sentindo perdida... Eu pensei que não fosse tão difícil.
Mas eu estava muito, muito enganada.
Eu sentia raiva, dor, mágoa, aflição... Eu sentia tanto por eles, mas sentia que algo de bom estava por vir.
Eu sabia que nada seria de graça. Como tudo na minha vida. Eu sofri, lutei e agora estava prestes a ter a vida mudada por uma herança.
A intrusa. Era assim que eu me sentia. Eu estava entrando em um mundo que nunca me pertenceu. Um mundo que me parecia ser distante a cada passo que me adentrava nele.
Relaxar parecia ser impossível. Mas era bom saber que alguém acreditava que eu fosse capaz de fazer isso. Alice acreditava muito que essa pequena festa seria uma válvula de escape para mim e para eles. Ela acreditava tanto que eu até achava que aconteceria realmente. Que viraria realidade.
Eles eram tão estranhos a mim... E agora eu estava aqui, tentando me adaptar à essa existência efetiva que me tragou sem complacência.
E eu sentia tanto por Edward. Sentia raiva, mas pena. Mágoa, mas tristeza por algo que eu não sabia definir... E eu lastimava ainda por sentir tudo isso depois do que ele fez comigo.
Eu era uma estúpida, idiota. Desde quando deixei de ter amor-próprio? Desde quando senti pena de um homem que me humilhou na frente de todos?
Edward era um quadro de difícil compreensão para mim. Como se a imagem mudasse constantemente, ora sendo simples, ora sendo complexo.
E eu não sabia se queria aprofundar-me nisso, descobrir o que lhe atormentava.
Talvez eu fosse descobrir algo que eu não quisesse.
Esse era o meu real medo.
Alice chegou um pouco depois das 13 horas. Ela veio ao meu quarto e jogou a minha mala na cama.
- Samuel confirmou a presença hoje... – Ela sentou-se ao meu lado. – Perguntou se tudo estava bem e eu disse que sim.
- Claro... – Meneei com a cabeça, afinal, eu não queria que ele ficasse tão preocupado logo no segundo dia que eu morara ali. -... À noite eu converso com ele.
- Vamos ver o que você tem para usar hoje... – Alice abriu a minha mala e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela foi colocando minhas roupas para fora. – Nossa, você é bem... Básica! – Ela sorriu, suspirando.
- Alice, eu não ligo para moda. – Ela me olhou atônita. – Sei que é um sacrilégio dizer algo assim na frente de uma estilista tão conceituada quanto você, mas a verdade é que eu nunca me importei com isso. – Disse sinceramente.
- Primeiro, eu não sou tão conceituada assim... – Ela revirou os olhos. – E segundo, como uma Cullen, você freqüentará jantares e grandes eventos, então precisamos de boas roupas para você... – Ela olhou para mim e logo se desculpou. – Oh, me desculpe, mas esse é o meu jeito de ser...
- Não ligo... – Sorri, já que eu realmente prezava a sua sinceridade. Talvez, ela fosse a única que não mentia por ali. – Mas eu não me importo, posso usar esse aqui. – Tirei da mala um vestido azul que eu havia usado na minha formatura do colegial.
Alice suspirou, antes de colocar um dedo no queixo e analisar cada parte do vestido.
- Esse vestido é so last season. – Ela fez um biquinho. – Eu acho que tenho algo ideal pra você.
Saí do quarto a contragosto, indo até o de Alice. Lá, ela tinha um closet abarrotado de sapatos, bolsas e roupas, das mais diversas grifes, aquelas que Angie fazia questão de falar quando comprava algo referente.
- Vamos ver o que fica bom em você... – Ela me analisou da cabeça aos pés. – Não é o ideal, mas hoje é uma medida emergencial. Farei de você uma it girl!
E antes que eu pudesse contestar, ela começou a jogar vários vestidos em minha direção, citando suas marcas e seus tecidos.
Experimentei uns cincos, enquanto Alice somente rodava o dedo, pedindo que eu me virasse. Eu me virava e ela só falava:
- O próximo!
Fui experimentando mais até que ela pediu que eu esperasse. Fiquei ansiosa porque eu nunca tinha usado algo que fosse tão caro. Quer dizer, pela marca e pelo tecido parecia ser.
Era um vestido com uma segunda pele por cima. Algo que nunca imaginei que combinaria, mas devo dizer que ficou muito bom em mim.
Um Alexander Wang nos pés, pelas palavras de Alice.
Uma manicure solicitada por ela veio até Rose Hill fazer as minhas unhas. Embora Alice quisesse, eu não as pintei de vermelho.
- Você ficaria linda! – Alice estava olhando os esmaltes. – Você é tão branquinha!
Fiz as unhas e logo em seguida, Alice obrigou-me a ficar quieta por algum tempo, ajeitando o meu cabelo.
Ela realçou meus longos cabelos com babyliss, e quando mencionou que seria bom cortá-los, eu estremeci na cadeira. Eu não gostava muito de mudanças e meu cabelo era como um escudo para mim, eu poderia me proteger nele.
Uma maquiagem suave, como eu pedi. E pronto, eu estava arrumada.
- Posso dizer que fiz um ótimo trabalho! – Alice virou-me para o espelho. – Pelo tempo que tive...
Eu estava extremamente bonita. Eu sabia que eu não era uma garota de se jogar fora, mas não sabia como realçar o que eu gostava em mim. Agora estava tudo perfeito: a maquiagem e o cabelo... As unhas estavam feitas! Quanto tempo eu não fazia isso? Eu nem me lembrava mais.
Na biblioteca, eles não exigiam muita coisa, só cabelo solto, maquiagem e uma roupa que valesse a pena. De resto, eles não eram exigentes.
- Obrigada Alice. – Eu a agradeci verbalmente, ainda envergonhada para abraçá-la. – Você está no caminho certo.
- Que isso! – Ela segurou os meus ombros. – Como eu sempre digo, a modelo ajuda muito!
[...]
Eu estava muito ansiosa esperando pela tal recepção. Algo me dizia que não seria nada simples, como Alice dissera. Pelo contrário, seria um evento ao estilo Cullen, como ela afirmara. Então, eu não deveria ficar espantada com qualquer coisa.
- Bella? – Eu já havia colocado a roupa. – O vestido ficou perfeito... Eu sabia!
O vestido abraçou meu corpo de forma perfeita e embora ele fosse habillè*, pelas palavras de Alice, ele era confortável. Eu só estava me preocupando em mostrar mais do que devia.
O salto era ideal e chique.
Alice estava muito elegante, mas nela tudo parecia fluir naturalmente. Até de jeans e camiseta, ela deveria ficar maravilhosa e não como um simples mortal como eu.
Descemos às escadas e fomos em direção ao jardim. Armaram uma grande tenda, iluminando-a com velas. As flores davam um toque especial ao lugar, enquanto as poucas pessoas que chegavam sentavam-se nos sofás rústicos que se mantinham ali.
Alice foi me apresentando às suas poucas amigas do mundo da moda que viviam em Chicago; outras, eram da época de escola.
Alguns amigos de Emmett e Rosalie, outros de Mike, mas nenhum se apresentava como amigo de Edward.
Começou a tocar uma música e Alice puxou-me para dançar. Dançar era uma das poucas coisas que me relaxava, eu agradecia a Renee por insistir nas aulas de balé.
Continuei dançando, tentando deixar de pensar nos meus problemas, enquanto a música adentrava o meu corpo. Eu queria ser levada dali.
- Vou pegar algo para bebermos, já volto! – Alice disse em meu ouvido.
Música: Far From Love (Missquerada)
Continuei dançando, sentindo meus músculos relaxarem. Talvez fosse até possível fazer isso essa noite. A festa estava linda e a música maravilhosa. Não teria como eu me estressar, teria?
Eu queria continuar na minha própria bolha e não lidar com a merda que me esperava no mundo real. Eu queria voltar a ser a Bella de Forks, a Bella que mergulhava em La Push e assistia filmes em Portland. Que gostava de passar as noites em volta da fogueira, ouvindo antigas história quileutes.
Que era feliz. No modo simples, mas era. Sem grandes ostentações, sem grandes problemas para lidar. Vivendo um dia após o outro.
Eu sentia muita falta de Charlie. O que ele falaria numa hora dessas? Eu queria seu consolo, seu ombro amigo.
Eu nunca me senti tão sozinha em toda a minha vida. Numa casa cheia de pessoas, sentir-se sozinha era estranho. Mas eu me sentia e acho que ele se sintam também.
Eu queria tantas coisas, mas ao mesmo tempo, nada queria. Queria saber de tudo, mas queria alienar-me. Queria me envolver e me manter indiferente.
Era tudo tão contraditório... Tão indistinto. Essa noite era a única certeza que eu tinha.
Certeza que iria me divertir. Relaxar. Aproveitar algo de bom que essa vida fosse capaz de me proporcionar.
Porque eu estava pagando um preço alto por ela.
Permaneci na pequena pista de dança improvisada, quando senti mãos fortes agarrarem minha cintura. Eu estava quase entrando em transe pela música, mas ainda poderia sentir alguém me segurando. E eu desejava intimamente que fosse Edward.
Eu pediria desculpas se fosse preciso. Eu diria que não tive a intenção de afrontá-lo ou magoá-lo, que Rosalie aprontou comigo. E que eu sentia muito pelo o que havia acontecido no seu passado.
Eu só não poderia suportar seu olhar de raiva e mágoa. Seu desprezo. Ambos convivendo na mesma casa e sendo tão distantes. Não, eu não queria isso.
Eu queria conhecê-lo melhor. Ouvi-lo e até quem sabe, ajudá-lo.
Eu queria ser sua amiga.
Quando eu me virei e abri os olhos, eu vi Edward me olhando do outro lado, enquanto Alice sorria pra mim. Logo em seguida, ela cochichou algo em seu ouvido e ele me olhou tristemente.
Nessa hora a música parou de tocar. Pelo menos pra mim.
Música: Só pro meu prazer (Gabriel Guerra)
Voltei a olhar para o lugar onde Edward estava. Sua mão estava rígida atrás do pescoço, como se estivera perdido em pensamentos.
Eu me desconectei da música, de tudo. Se antes eu estava sentindo algum sinal de relaxamento, isso se fora no momento em que vi aqueles olhos verdes.
Eles me intrigavam, me angustiavam... Trazia à tona tudo o que eu queria esquecer e fingir que não existia.
O medo, a culpa, a angústia... Tudo vinha como uma avalanche, sem piedade, transtornando e deixando tudo ainda mais confuso.
Por que ele? Justo ele? Entre tantos homens em Chicago, por que justamente Edward? Eu me sentia ainda mais perturbada pela forma que ele me olhava, como se quisesse ver a minha alma, ouvir os meus pensamentos.
Por que eu ainda poderia tê-lo perto de mim se quisesse? Por que era só fechar os olhos para sentir a sua respiração em meu pescoço e diminuir a distância entre nós?
Algo muito forte me levava a ele. E lá eu estava, parada, enquanto nos olhávamos.
Eu via a movimentação das pessoas, mas era tudo muito indefinido, como se nós dois fossemos os únicos a importar.
O que eu iria fazer? Por que eu ficava tão abalada, por quê? Por que eu ainda sonhava com ele mesmo depois de tudo que aconteceu, por que o coração não acompanhava o que o cérebro já sabia?
Que ele era meu irmão. E isso era impossível.
Por que o coração idiota ainda agia estranhamente, batendo descompassadamente no peito só por ele me olhar daquele modo?
Como se eu fosse única, especial...
A única garota do mundo...
E era assim que eu estava começando a me sentir.
E ele era o único responsável. Só pelo olhar.
Um simples olhar.
Era demais pra mim. Eu precisava sair dali. Eu queria fugir.
Se Edward estava do outro lado, quem estava me segurando então?
- Bella... – Samuel virou meu corpo para que eu pudesse olhá-lo. - ... Senti tanto a sua falta!
E sem esperar pela minha reação, ele beijou-me, segurando firmemente em minha cintura, impedindo-me de sair.
E a noite estava apenas começando.
.
.
.
CONTINUA...
* Habillè: Literalmente vestido. Pode ser também vestido de festa curto.
Respondendo algumas leitoras:
Ellen: A fic começa a esquentar agora mesmo! Vamos nos preparar psicologicamente...
Gabisousaa: Obrigada pelo parabéns, flor! Eu também tô super ansiosa com a situação deles!
E aí? Gostaram? Não me xinguem porque parei numa parte tensa, tá? *risada Paola Bracho*
Obrigada pelas parabenizações. Vocês são umas fofas! *esmaga*
Pra quem quiser perguntar sobre a fic, pode fazer isso via Twitter e formspring
w w w . formspring . me (barra)CarollDiva (retire os espaços)
Não se acanhem! Amo poder conversar com vocês!
Beijos e façam uma autora feliz. Como? Comentando em MH!
