Desculpem a demora, mas cá está o capítulo.


Twilight pertence à Stephenie Meyer.


10. O passado de Vanessa

:: Vanessa POV ::

"A guerra contra os Cullens foi um ato covarde e egoísta de um Cullen contra todos os outros."

"Uma guerra mesquinha e sem sentido que matou todos os Cullens. Edward sobreviveu porque era uma criança."

"Você foi enganada esse tempo todo se pensa que aconteceu de outra forma."

— Ah!

Joguei a cadeira mais próxima de mim do outro lado da tenda, passando a mão nos cabelos em pura frustração. Não era possível que Bella tivesse dito a verdade, era? Por que Naoko, minha quase-mãe, teria mentido pra mim? Não fazia nenhum sentido.

Não.

Não fazia sentido.

Bella estava tentando me confundir.

Ela era uma vampira, pelo amor de deus! Ela tinha um dom para mentiras e enganação. Ela estava apenas me deixando confusa.

Era isso. Eu não ia mais tolerar seus joguinhos mentais. Ela me hipnotizou uma vez pra saber o que eu queria com o Cullen, certo? Ela poderia muito bem estar tentando fazer isso de novo.

Eu não sabia qual a relação dela com o Cullen, e pra ser honesta, nem queria saber. Eu só queria minha vingança. Queria matá-lo, assim como os Cullens mataram meu pai.

"Se você não quer acreditar em mim ou me escutar, as consequências de liderar esse ataque ou o que seja até Edward vão cair sobre você. Você não pode vencer, Vanessa."

Porém, outra coisa me intrigava. Talvez uma besteira, mas não deixava de estar na minha mente. Por que ela o chamava pelo primeiro nome? Ele não era o rei? Era mais natural chamá-lo pelo sobrenome ou por 'majestade', certo? O nome dele também não me era estranho. 'Edward' não era um nome comum, então de onde eu conhecia esse nome?

Tudo isso só me deixou ainda mais confusa. Provavelmente Bella tem uma ligação com ele. É a única razão para ela chamá-lo pelo primeiro nome. Eu duvidava que esse Cullen tivesse transformado-a, porque ela então seria uma Cullen e jamais teríamos conseguido capturá-la.

Mas eu apenas sabia, que o Cullen era egoísta demais para deixar que outra pessoa tivesse seu título e seus poderes. Era simplesmente impossível.

Eu ri, sem humor.

Pensar em tudo isso estava me fazendo estremecer.

Saí da minha tenda, com o objetivo de ir até a cidade tomar um café ou algo assim.

Porém, quando saí, vi vários homens cochichando entre si e isso me deixou desconfiada. Ao mesmo tempo que eles paravam os cochichos, eu me dirigi à tenda mais afastada, onde tinha deixado Bella presa.

Quando cheguei lá, o homem que eu tinha deixado como guarda estava pálido e com olhos arregalados. Arqueei a sobrancelha.

— Deixe-me passar, quero vê-la.

— Mas...

— Agora! — eu disse, passando por ele e entrando numa tenda vazia. — Onde está a vampira?

Eu não podia acreditar...

— Ela... ela...

— Ela fugiu, Vanessa. — disse o líder do bando, Embry. — Hipnotizou Jared e fugiu.

— O quê?! ARGH! — eu saí pisando forte, sem acreditar que aqueles imbecis tinham sido pegos no truque mais velho da história.

Entrei na minha tenda de volta, certa de que agora precisaria alterar tudo que tinha pensado para conseguir completar meu plano com sucesso. A essa altura, Bella já devia estar de volta ao Castelo do Cullen, contando tudo que ela tinha visto e ouvido para ele. Inclusive nossa localização.

Eu não dava dois dias para que eles viessem atrás de nós.

E se eles fizessem isso, estávamos perdidos. Nosso elemento surpresa era o que nos dava vantagem sobre eles.

Eu sabia o que precisava fazer.

Precisava agir. E rápido.

— Vanessa? — chamou uma voz feminina.

Virei-me para ver Carlie, uma mulher idosa da aldeia que tinha se tornado minha companhia. Ela era filha da Anciã da aldeia, e assim como sua mãe, era muito sábia.

— Diga, Carlie.

— Não puna os rapazes pela fuga da vampira. Isso era inevitável. Temos que ser gratos por ela ter fugido sem matar ninguém.

Suspirei. Sabia que ela estava certa.

— Agora terei que adiantar meu plano. Precisamos atacar o Castelo, e o Cullen, rápido.

— Imaginei que diria isso. — ela sorriu, então ficou séria. — Tem certeza que essa vingança é a melhor forma?

— Carlie, você já sabe da história. Os Cullens mataram meu pai, e ele era tudo que eu tinha. Eu preciso me vingar, deixá-lo descansar em paz.

— Mas, querida, era uma guerra, certo? Se era uma guerra, não era inevitável que houvessem mortes? E pelo que eu soube, houveram várias.

— Sim. — suspirei. — Ainda assim...

— Vanessa, você precisa ter em mente que nem tudo é o que parece ser.

— O que quer dizer com isso?

— Só quero que você tenha certeza do que está fazendo. Nosso povo vive aqui por pouco mais de um século. O Cullen ascendeu ao trono logo que o nosso povoado começou, derivado dos nativos de La Push, os Quileutes. Eles viram todo o poder que esse vampiro tem. E querida, não é pouco. Posso apenas imaginar como ele está mais forte agora, depois de cem anos.

— O que está dizendo? Que ele é forte demais?

— Talvez mais do que você consiga aguentar. Você pode não vencer, querida. E eu já tenho carinho por você. Não quero que se machuque. Nosso povo tem vivido em paz com o Cullen até agora para não nos metermos em problemas. Ele é poderoso demais. Pode nos dizimar a qualquer momento, e até agora não o fez.

— Por que ele não tinha nada a ganhar com isso até agora, Carlie.

— Não, querida, pelo contrário. Ele ganharia mais território, mais domínio sobre essa parte do país. Não é isso que todo governante quer? Mais poder? No entanto, ele nunca fez isso, e sempre soube da nossa existência.

— Ele não pode ser tão benevolente assim, Carlie.

— Por que não?

— Porque ele é um Cullen! Um vampiro sanguinário que se alimenta sem piedade e não tem nem um pingo de compaixão por nenhum ser vivo! Ser bom não está na sua natureza, Carlie. Entenda isso.

Ela suspirou. Parecia cansada e dez anos mais velha.

— Eu espero que você esteja certa, querida, porque se estiver errada... Não tem maneira no mundo que você possa vencê-lo.

Com isso ela se foi, me deixando com mais dúvidas do que quando entrou.

~.~

No outro dia, eu estava calma o suficiente para dar coordenadas. Tinha decidido. Hoje, nos prepararíamos para um ataque final. Amanhã, à meia-noite, estaríamos no Castelo, acabando com qualquer vampiro que estivesse na minha frente no meu caminho para destruir o Cullen.

Todos que não eram lobos ou lobisomens estavam reunindo suas coisas para ir embora para La Push, distante o suficiente da nossa localização atual. Assim eles ficariam seguros lá caso os vampiros viessem nos procurar aqui.

Levei todos mais adiante na floresta. Dessa vez, eu não os deixaria patrulhar sozinhos. Andamos por alguns quilômetros, e por volta do meio-dia, paramos para descansar. Montamos acampamento. Eu sabia que estávamos distantes o suficiente para que os vampiros não nos detectassem. Mas eu ainda precisava saber a localização exata do Castelo.

— Embry! — chamei.

Ele veio até mim com expressão entediada.

— Mande alguém patrulhar. Preciso da localização exata do Castelo.

— Claro. Quando pretende atacar?

— Assim que tiver a localização. Ande logo. Não podemos ficar muito tempo parados.

Ele acenou e mandou Jared ir patrulhar. Achei que era uma boa ideia. Afinal, ele tinha deixado Bella fugir.

Depois que Embry se foi, todos se sentaram quietos em seus lugares.

Minha garganta ardia. Eu precisava caçar.

— Embry, cuide de tudo. Vou caçar.

Ele estremeceu e assentiu uma vez.

Corri na direção oposta à que tínhamos vindo, e depois de algum tempo, captei cheiro de cervos. Ataquei e bebi dois. Era o suficiente por enquanto. Voltei para o acampamento improvisado pouco tempo depois.

Jared ainda não tinha voltado. Era a hora do crepúsculo, e nada dele. Eu comecei a ficar impaciente, andando de um lado para o outro.

Perto da meia-noite, quando eu estava quase exausta demais para ficar acordada, ouvimos passos apressados. Em seguida, um enorme lobo cinzento apareceu ofegando. Ele se balançou e logo o corpo cinzento de lobo virou um corpo de homem, totalmente nu.

Embaraçada, eu me virei de costas.

— Vocês tem que fazer isso na minha frente? — reclamei.

Ouvi alguns risos, e bufei de frustração.

— Descobri a localização. — ouvi Jared falar.

Eu me virei, e ele já estava vestido com bermudas e uma regata. Sorri.

— E onde fica?

— Fica a trinta quilômetros a oeste. — ele apontou a direção com a mão direita. — Eu não fui muito longe, tinham muitos vampiros, se qualquer um deles me notasse eu estaria morto.

— Fez bem. Morto não poderia trazer a informação pra mim. — bufei. — Deu pra saber quantos vampiros? Você viu o Cullen?

— Não vi o Cullen, mas também não vi todos os vampiros. Só do lado de fora tinham uns vinte, e eu ouvi muitos passos e sussurros do lado de dentro. Não dá pra ter certeza. Mas de uma coisa eu sei: a maioria daqueles vampiros tem séculos de idade. Não vai ser fácil.

— Eu nunca disse que seria. — eu disse.

— Eu sei como entrar sem sermos notados. — ele continuou. — A patrulha é muito confiante. Eles não vigiam direito. Podemos derrubar os três vampiros que vigiam a porta da frente e entrar.

— Ótimo.

Olhei para os homens que estavam perto.

— Tem certeza que é uma boa ideia, Vanessa? — perguntou Embry.

— Tenho.

Eu não tinha, na verdade. Mas não podia recuar agora. Não agora. Eu precisava ir até o fim. Nem que isso me custasse a vida... a minha e a dos homens-lobos que tinham escolhido se aliar à mim.

~.~

No dia seguinte, ao meio-dia, eu me alimentei brevemente de um coelho e me juntei aos outros. Começamos a correr na direção que Jared disse que ficava o Castelo.

Cerca de trinta minutos depois, estávamos perto o suficiente para ver o Castelo. Diminuímos a velocidade e eu coordenei dois grupos. Um iria distrair os guardas para que os outros pudessem entrar. Então, matariam todos os vampiros que vissem, enquanto eu iria procurar pelo Cullen.

Chegamos na borda da floresta, onde a floresta se abria num círculo gigante, dando espaço ao enorme Castelo com duas torres altas. A entrada era suntuosa, digna de um rei, e lá estavam três vampiros, sentados na escadaria, conversando distraídos.

— Agora, antes que eles percebam! — eu disse.

Um grupo de cinco, já transformados em lobos, foi em frente.

Os vampiros certamente sentiram o cheiro, e viraram para olhar, entrando em posição defensiva. Eles atacaram. Os lobos recuaram e os fizeram mudar de direção, deixando a entrada desprotegida. Eu ouvi passos e sussurros... Os vampiros do lado de dentro estavam percebendo.

— Rápido! — eu disse, fazendo um movimento com a mão instigando todos a me seguirem.

Eu corri para dentro, me desviando de uma vampira enquanto os lobos entravam no Castelo, e em menos de dois segundos, sons de rosnados e mármore quebrando era todo o som que se podia ouvir no Castelo.

Eu vasculhei os andares, e nem sinal. Então ouvi um rosnado mais forte que todos, e então um ganido. Saí do quarto em que estava e dei de cara com Bella.

— Não continue. — ela disse, ameaçadora. Seus olhos brilhavam febris, assassinos. Não era a Bella que eu conhecia.

— Não me obrigue a te machucar, Bella.

Ela sorriu diabolicamente, seus caninos pontudos aparecendo, fazendo-a parecer ainda mais diferente do que eu estava acostumada.

— Você não sabe com quem está lidando, Vanessa.

Mais rosnados. Mais ganidos. Mais daquele rosnado poderoso, profundo, que vinha do andar de baixo. Minha pele coçava. Tinha que ser o Cullen.

— Você não pode me impedir.

Saí correndo sem que ela me impedisse, desci os quatro andares que tinha subido e fui em direção ao rosnado mais forte.

Entrei num grande saguão onde haviam alguns lobos caídos, ossos se reconstruindo enquanto eles ganiam.

Olhei para a frente, e o que vi me fez arrepiar de medo.

Ele era alto. Com o cabelo num tom ruivo meio acobreado, pele pálida como marfim. Usava uma calça de couro preta e uma camisa sem mangas, também preta. Não usava sapatos, seus pés de mármore estavam descalços contra o chão frio. Seus olhos eram vermelhos como o fogo, e seus caninos estavam de fora enquanto ele rosnava, furioso. Arrogante. Pendendo no seu pescoço, um medalhão de ouro, brilhando.

Era ele. Só podia ser.

— Cullen! — gritei.

O vampiro olhou pra mim e sorriu.

— Ora, ora. Então é você que está por trás disso?

— Sou eu.

Eu andei um pouco mais para a frente, e os lobos caídos se levantaram e ficaram atrás de mim. Do lado do Cullen estavam mais três vampiros. Uma loira pequena, uma baixinha de cabelos pretos e um alto e forte de cabelos negros. Eles pareciam poderosos, mas não chegavam perto da aura de poder que o Cullen exalava em cada poro.

Eles deram espaço enquanto ele desceu os degraus do que eu percebi ser o lugar dos tronos. Tinham dois. Franzi. Dois?

Balancei a cabeça. Tinha que me concentrar nele agora.

— Você não me conhece. Mas seus pais mataram o meu pai, e agora eu vou me vingar.

Seus lábios se contorceram e sua cabeça foi para trás em uma gargalhada sinistra.

— Vá rindo. — eu disse. — Você não sabe com quem se meteu.

— Ora, sua insolente, você não sabe com quem se meteu. — ele disse, a risada passando para um profundo olhar de desprezo.

— Eu sou poderosa, Cullen. Treinei esses anos todos para acabar com você.

Ele riu novamente.

— Eu nasci poderoso, minha querida. — ele disse, e sua voz baixa e perigosa trouxe arrepios à minha pele. — Nada que você faça ou diga vai me afetar. Essa sua vingançazinha ridícula estava fadada ao fracasso antes mesmo de começar.

Eu me irritei.

— Você não me conhece! Não sabe o que eu passei depois que os seus pais mataram o meu pai!

— Você ao menos sabe quem foram meus pais, fedelha?

Eu hesitei. Ele percebeu, e sorriu.

— E você está enganada de novo. — ele sorriu, um sorriso que me trouxe arrepios, enquanto ele cruzava os braços, exibindo os bíceps definidos. — Eu conheço você sim, Vanessa Lane Curtis.

Estremeci da cabeça aos pés.

— C-c-co-como você sabe meu nome completo?

Ele sorriu. — Eu conheço você. Já disse.

— De onde?

— Ora, ora, não lembra de mim, Nessie?

Congelei.

Memórias que eu tinha escondido esses anos todos explodiram na minha cabeça.

Não podia ser...

*Flashback.*

Era estúpido, e eu sabia. Mas eu queria minha boneca de volta. E eu era muito orgulhosa pra pedir desculpas.

"Me devolve minha boneca." Exigi.

O garoto de apenas cinco anos sorriu diabolicamente pra mim enquanto estendia minha boneca pra longe de mim.

"Retire o que disse, fedelha, e eu devolvo sua boneca."

"Não vou retirar o que disse," falei, teimosa. "você é mau, Cabeça-de-Cenoura."

Ele arreganhou os dentes e soltou um rosnado irritado.

"Você é uma imbecil" ele xingou, e jogou minha boneca longe.

"Nããão" gritei, sentindo as lágrimas rolarem.

"Isso é o que dá você não pedir desculpas, sua mal-educada" ele disse.

"Ei, ei, o que está acontecendo?" Naoko chegou bem então, e tremeu e engoliu seco um pouco.

Ela sempre tinha essa reação estranha quando chegava perto do menino cabeça-de-cenoura, mas eu nunca levava isso a sério.

"Ele jogou minha boneca longe" eu chorei para minha mãe adotiva.

"Por que, querida?" ela nunca falava diretamente com ele, e eu não sabia por quê.

"Porque eu o chamei de Cabeça-de-Cenoura e ele não gostou."

"Eu disse pra você pedir desculpas." Ele disse do seu lado.

"Por que você não pediu desculpas pra ele, querida? Vocês são amigos!" Naoko disse.

"Porque ele é exibido. Só porque é forte. E também é chato e malvado."

"Querida... Você o chamou de um apelido que ele não gosta. E você sabe que ele não gosta. Deveria ter pedido desculpas."

"Mas..."

"Mas nada..." ela se virou para ele meio nervosa, engoliu em seco e falou. "Pequeno príncipe Edward, se ela pedir desculpas, você pode pegar a boneca de volta?"

Ele olhou para mim e acenou uma vez.

"Vanessa..." Naoko incentivou.

Eu suspirei derrotada.

"Desculpe, Eddie."

"Não me chame de Eddie."

Suspirei.

"Desculpe, príncipe Edward."

Ele sorriu, e seus dentes não pareciam mais tão assustadores. Pareciam normais. Dentes de uma criança de cinco anos. Gentis. Alegres.

"Tudo bem, Nessie."

E então ele foi pegar minha boneca.

*Fim do flashback*

Eu estava tremendo no momento em que me lembrei. Eu olhei de novo para o vampiro parado à minha frente.

— Eddie? — sussurrei.

Ele bufou e seu sorriso foi embora. — Já disse mil vezes pra não me chamar assim.

Eu quase sorri, mas então lembrei com quem estava falando.

— Príncipe Edward... É por isso que você gostava que te chamassem assim. Você era o príncipe dos vampiros.

— E agora sou o rei. — ele disse. — Meus pais eram Anthony e Elizabeth Cullen.

Eu já tinha ouvido falar. O Cullen e a mestiça filha legítima dos Cullens originais. Os vampiros mais poderosos.

— Mas, como...

— De alguma forma minha mãe engravidou e eu nasci. Um vampiro completo. Sem nada humano. Apenas a vaga lembrança física. — ele sorriu e eu pude ver seus caninos pontudos e afiados.

— Um vampiro completo?

Ele assentiu.

— Você matou meu pai?

Ele revirou os olhos. — Você ao menos sabe quem é seu pai, Vanessa?

Eu engoli. — Joseph Curtis. Ele era braço direito de um dos Cullens.

— Braço direito do Cullen traidor. — os olhos de Edward inflamaram de ódio. — George Cullen. Ele tinha ciúmes do meu pai por desposar minha mãe, e ódio do meu avô por nunca dá-lo a oportunidade de governar. Então ele tramou a guerra. Levou muitos vampiros com ele. Seu pai era um deles. Nós só nos defendemos. Seu pai morreu por algum outro Cullen, não por minhas mãos.

Eu engoli em seco. Não era isso que Naoko tinha me dito...

— Como posso acreditar em você? Você sempre mentiu pra ter o que queria. Não passava de um garoto mimado.

— Agora ele é um homem mimado. — disse alguém a seu lado e eu vi que era Bella.

Eu arregalei os olhos pra ela, e ela puxou de sua blusa um colar de ouro, com o mesmo brasão que Edward carregava em seu medalhão.

— N-não é possível, v-você...

— Ela é uma Cullen. Assim como eu. Ela se deixou ser capturada pra descobrir seu plano contra mim. — ele disse.

— Como sabe que eu queria saber disso?

— Eu posso ler mentes, Vanessa.

Engoli. Então ele sabia de tudo.

— Como vou acreditar que a sua versão da história é a verdadeira? Você pode estar mentindo pra mim de novo, como fez tantas vezes!

Ele suspirou e estendeu a mão.

— Veja por si mesma, se não acredita em mim.

Então ele sabia do meu dom de ver memórias. Eu engoli meu orgulho e medo desse vampiro extremamente poderoso e peguei sua mão.

As memórias me assaltaram.

Edward correndo de nossa aldeia com dois outros vampiros, ouvindo a guerra, vendo o massacre. Pelas lembranças dele, vi meu pai lutando inutilmente contra um Cullen, implorando para que George, seu mentor, que estava a dois metros dele, o ajudasse. George nem sequer se virou, indo em seu caminho até o salão do trono no andar de cima. Edward correndo, desesperado para encontrar seus pais. Sua mãe lhe mandando ir embora. Seus pais sendo assassinados pelo cruel George. E então, ele liberando toda sua raiva enquanto matava o próprio George.

Eu ofeguei enquanto soltava a mão dele.

— Não pode ser...

— Eu lhe disse, Vanessa. Você foi enganada a sua vida toda. Seu pai estava do lado errado. — disse Bella.

Eu engoli seco.

— E você não pode vencer essa luta, Vanessa — disse Edward. — Eu vou te dar duas opções. A primeira é ir embora daqui e levar seus amigos lobos junto. Serei bom o suficiente pra deixar todos vocês viverem, se você escolher ir embora e nunca mais me perturbar ou à Bella. A segunda opção é ficar e serem massacrados.

— O que te faz pensar que seria tão fácil conter meu exército?

Ele riu maldosamente.

— Olhe pra trás.

Eu olhei. Todos os lobos estavam ali, em formas humanas, contidos, com um vampiro atrás de cada um, pronto para mordê-los. Uma mordida e eles estariam mortos. Quando isso tinha acontecido?

— Como? — sussurrei.

— Era uma emboscada. — disse Embry de seu lugar, encolhido sob os dentes de um vampiro corpulento.

Me virei para Edward e Bella.

— Nós sabíamos que vocês estavam vindo. Nós prendemos Jared — Bella apontou para ele — e eu o hipnotizei até saber de tudo. Também o fiz esquecer que fizemos isso. E então o mandamos de volta com uma falsa estratégia pra entrar no Castelo.

Eu tinha caído numa armadilha idiota!

Rosnei.

— Aí está. A parte vampira. — Edward disse, sorrindo arrogante. — Vai tentar mesmo assim, Vanessa?

— Não posso acreditar que fui enganada a minha vida inteira.

— Se não acredita nas minhas memórias o problema é seu. Eu não vou deixar você destruir meus vampiros, ou minha mulher, e muito menos a mim.

Mulher? Olhei pra Bella em choque e ela me mostrou sua aliança. Edward tinha uma igual. Eles eram marido e mulher? Eu ofeguei. Então, existiam dois Cullens. Não importava. O único que me importava era o arrogante Cabeça-de-Cenoura, que continuava com o cabelo mais rebelde possível e o sorriso mais arrogante de todos.

— Escolha, Vanessa. Eu não sou um vampiro paciente.

— Você teria coragem de me destruir? Depois de nossa boa infância juntos? Nós éramos amigos, Edward.

— Nós nunca fomos amigos. Eu só ficava com você porque meus pais me obrigavam a passar um tempo com outras crianças. Você sempre foi a filha mestiça do vampiro que aconteceu de crescer por perto. — ele rosnou.

Era isso. Eu não ia deixar esse idiota me humilhar.

Rosnei e avancei, e ele se desviou facilmente. Tentei mais algumas investidas e ele continuou se esquivando.

— Você é ridiculamente lenta! — ele esbravejou enquanto eu continuava atacando, e ele continuava se esquivando. — Acha mesmo que uma mestiça pode competir com um vampiro? Você é patética!

Eu senti as lágrimas se formando, o ódio me consumindo por toda a humilhação que ele estava me inflingindo, e por tudo que ele já tinha me feito no passado. Ele era mau, eu sabia. Por algum motivo, ele tinha achado em Bella a companheira perfeita, ao ponto de casar com ela. Era ridículo. Ela deveria ser tão má quanto ele pra ele mesmo tê-la transformado.

Meus pensamentos me distraíram e então eu senti um golpe na barriga que me mandou longe.

— Vejo que você escolheu a segunda opção. — ele disse, seus caninos brilhando. — Você não pode comigo, Vanessa. Ninguém pode.

Eu ofeguei. Um golpe e ele tinha me derrubado? Não podia ser assim.

Levantei.

Ele me bateu de novo. Eu desviei, e ele foi mais rápido. Em pouco menos de cinco minutos, eu estava de volta ao chão, tossindo sangue, chorando enquanto percebia que eu não ia vencer.

Carlie estava certa. Eu não devia ter continuado com isso.

Olhei para Edward pairando sobre mim.

— Você é patética.

Ele estendeu a mão e me pegou pelo pescoço, apertando. Eu sufoquei e tossi, enquanto inutilmente tentava chutá-lo e tirar suas mãos de mim. Não podia estar acontecendo. Eu não podia ter sobrevivido tanto pra morrer tão fácil nas mãos dele.

— Edward, pare! — ouvi a voz de Bella, e o aperto no meu pescoço afrouxou o suficiente pra que eu pudesse respirar.

— Bella?

— Não faça isso com ela. — eu olhei para Bella e seus olhos brilhavam, como se ela estivesse prestes a chorar. Mas eu sabia que ela não podia fazer isso. — Deixe ela viver.

O quê?

— O quê? Bella, eu não posso fazer isso.

— Mas ela está arrependida! — ela disse. — Não está, Vanessa?

Ela me olhava como quem suplicava, e de alguma forma eu fiquei feliz porque vi que ela realmente se importava comigo, vampira Cullen ou não. Mas eu não estava arrependida.

Eu sorri debilmente e olhei para Edward novamente, que me olhava meio incrédulo, sem perceber que tinha me soltado quase completamente.

— Não. — eu disse. — Não me arrependi.

O chutei de surpresa, o fazendo me soltar.

Eu pulei e estava na mira do pescoço dele, pronta pra colocar toda a minha força em arrancar a cabeça dele, mas fui jogada pra longe.

Quando eu olhei, Bella me encarava, à frente de Edward, com ódio nos olhos.

— Eu estava errada. Você não tem nada de bom aí. Você é exatamente tão ruim quanto George, que carregou todos aqueles vampiros para a morte.

Eu arregalei os olhos.

— Eu achei que você pudesse ter humanidade em si mesma ainda, Vanessa. Mas vejo que ser uma mestiça não te deu isso. — ela disse, parecendo com nojo.

— Acabem com eles. — ouvi a voz de Edward soar.

Então eu vi os vampiros morderem os lobos, que caíram no chão aos gritos. Eu estava chocada, mas tinha que me proteger agora. Pronta pra dar o fora, eu me levantei, mas Bella me levantou acima do chão, apertando meu pescoço.

— B-bella... — sufoquei.

— Eu achei podia confiar em você, Vanessa. — ela disse, a voz entrecortada. — Mas você não vai tirar o amor da minha vida de mim.

Ela apertou meu pescoço e eu vi que ela falava a sério. Como eu estava tocando sua pele, tentando inutilmente me soltar, eu aproveitei para acessar suas memórias. O que eu vi me deixou atordoada.

Bella tinha sido humana. Tinha sido sozinha e mal-compreendida pelos pais adotivos. Tinha feito bons amigos em Forks, que eu reconheci como vampiros do séquito atrás de mim. Tinha se apaixonado por um Edward que eu nunca imaginaria ver em um Cullen. Tinha sido protegida e amada durante o século que se passou de uma forma inacreditável. Ela o amava, com todas as forças. E era recíproco.

Eu saí de suas memórias quando senti o aperto ficar mais forte, enquanto ela soluçava sem lágrimas.

Edward estava atrás dela, me olhando com desprezo, suas mãos nos ombros de sua mulher. Ele se abaixou para sussurrar para ela, e naquele breve momento, eu vi o verdadeiro amor em seus olhos, mesmo que suas palavras fossem completamente desprovidas de emoção.

— Mate-a, meu amor. — ele sussurrou.

Eu estava errada.

Ele podia amar.

Ele a amava.

Eu tinha sido enganada a minha vida inteira. Ludibriada por aqueles que só viam o ódio.

Minha vingança, planejada por séculos como um doce veneno que consumiria e finalmente mataria, jamais seria concretizada.

Não tinha nenhum ponto nela.

Eu nunca tinha tido chance.

Eu lamentei que meus últimos segundos de vida fossem gastos lamentando minha vida toda.

Mas eu não podia fazer nada. Nada a não ser uma coisa.

Olhei para Edward e Bella mais uma vez, vendo o amor neles. O jeito que Bella estava protegendo seu marido que não precisava de proteção. Colocando a segurança dele acima da nossa suposta amizade. Acima do laço inexplicável que tínhamos.

Olhei em seus olhos enquanto sussurrava:

— Me desculpe.

Eu vi que ela entendeu. Entendeu que dessa vez, eu realmente estava arrependida.

— É tarde demais. — ela disse, suavemente. — Adeus, Vanessa.

E então eu fechei os olhos.


Bem, bem, não vou falar nada, vou deixar vocês falarem. :) O que acharam do capítulo? O que acharam do fim da Vanessa? Queriam que fosse diferente? Me digam tudo!

Esse foi o penúltimo. Próximo capítulo é o último!

Mandem reviews pra que eu possa escrever e postar rápido. :)

Qualquer coisa, podem me mandar PM ou mention no twitter. É (arroba)kessy_rods. :)

Até. ;*