11. Aniversário

Sábado.

Era o primeiro sábado que Gina não trabalhava em meses.

Meses.

Ela gostava de ressaltar que eram muitos, muitos meses.

E qual foi o melhor passeio que ela arranjou? Ficar enfurnada no apartamento com Draco e Zabini.

O fato é que Draco só tinha os dois, e era meio injusto que eles não passassem o aniversário do Malfoy atormentando sua vida. Como costumavam fazer todos os dias.

Gina e Zabini não se entendiam.

Era meio doentio.

Eles se olhavam e só faltavam rosnar. Na verdade Gina só faltava rosnar, Zabini implicava com ela por puro divertimento. Era muito engraçado ver a Weasley ficar mais vermelha que um pimentão quando estava irada. Ela tinha o péssimo costume de arremessar as coisas em quem estivesse lhe tirando do sério. O problema é que sua pontaria não era das melhores e Blaise conseguia desviar facilmente de quase tudo.

Quase.

Naquele sábado em especial, Draco estava sentado no sofá e Gina meio deitada em cima dele, usando um short estampado, meias brancas e uma camisa de Draco jogada sobre ela, que insistia estar morrendo de frio por usar só uma regatinha. Como estava cansada, não custava muito para pegar no sono.

Draco aproveitava aqueles momentos em que Gina se calava para fazer coisas que gostava muito, como brincar com seu cabelo ou tentar contar as sardas que via em seus ombros e pescoço, mas nunca conseguia chegar a um número real. E ela deixava, por que estava cansada demais pra falar ou interpretar errado alguma ação dele. Apenas suspirava baixinho, quando ele lhe beijava a pele.

E estava tudo correndo muito bem.

Draco e ela não estavam discutindo, Zabini não estava provocando nenhuma encrenca e aquele aparelho trouxa de transmitir imagens estava ligado. Ninguém lembrava ao certo como se chamava.

Gina estava em um estágio entre o sono e o acordada, e já começava a soltar mais seu peso em Draco, que riu e a sacudiu de leve.

"Virgínia, embora eu seja macio e gostoso, eu não sou uma cama."

Ela se sentou direito no sofá e esfregou os olhos, tentando afastar o sono. Bocejou e, logo em seguida, fez um movimento com o nariz, que a fez parecer com um coelhinho.

E foi assim que começou.

"Ela parece uma coelha, né?"

O comentário de Zabini foi inofensivo. Pela primeira vez na vida, ele não estava referindo-se à família dela nem nada do tipo. Só ao modo como ela havia torcido o nariz. Gina apertou os olhos e ficou olhando pra ele. Draco riu. Por que pareceu mesmo uma coelha, ainda mais com todas aquelas pintinhas em volta do nariz.

"Eu vou te falar quem é a coelha..."

Gina murmurou emburrada. Draco passou o braço sobre os ombros dela e sacudiu devagar de um lado para o outro. Na maioria das vezes se divertia muito vendo a garota aterrorizar Blaise, mas não estava afim naquele dia. Só que uma pergunta passou pela mente de Draco, então ele virou-se para a Weasley com um ar até mesmo inocente.

"Falando em coelhos Gin, por que chamam aquele lugar de 'A Toca'? Tem alguma relação com..."

Antes que Draco terminasse de falar, olhou para o rosto de Gina e viu que ela estava vermelha e que seus olhos castanhos o encaravam aparentemente muito irritados. Blaise se levantou da sala rapidinho e foi andando pro quarto dele. Quando a ruiva se irritava com Draco, ela não arremessava as coisas nele. E aquilo se estendia numa proporção incalculável.

"Relação com o que?"

A voz dela não soou nem um pouco amigável e Blaise entrou no quarto, falando antes de fechar a porta.

"Boa sorte, Draco."

Gina ficou olhando para ele bem nervosa por um tempo. Draco não sabia direito como contornar aquilo e apontou para a cozinha.

"Acho que tem alguma coisa queimando."

E correu. Gina bufou e marchou atrás dele, com os braços cruzados. Colocou uma mecha do cabelo ruivo atrás da orelha e ficou olhando para ele, cobrando uma resposta. Draco suspirou e choramingou.

"Virgínia, eu só queria entender por que o nome de Toca. Quando finalmente te pergunto algo sobre sua família, você fica nervosa?"

Ela bufou e continuou olhando pra ele.

"Fico, por que você acha que se chama Toca por que minha mãe teve muitos filhos."

Draco apertou os lábios e olhou pra ela.

"E não é por isso?"

Gina bufou e massageou as têmporas. Draco passou a mão pelos cabelos. Lá iam eles de novo. Começar uma discussão por causa da família dela.

"Virgínia, desde o começo eu te disse que não ia fingir que gosto da sua família. Eu não gosto. Não gosto dos seus irmãos, não gosto do Santo Potter que vive enfiado na sua casa como um sem teto, e tão pouco da Granger sabe tudo."

"Draco, isso foi no tempo de Hogwarts! Será que não pode se esquecer disso nunca?"

Gina sempre elevava o tom de voz quando discutia com Draco, e ficava bem vermelha, com os olhos apertados, olhando pra ele. Draco, por outro lado, mantinha-se sempre calmo, apenas respondendo ao que ela dizia. E não estava sendo diferente aquele dia.

"Vai me dizer então que podemos aparatar agora na sua casa, contar a verdade pra sua família e nenhum deles vai me lançar uma maldição imperdoável? Vai me dizer que todos aqueles seus irmãos coelhos, ruivos, da cabeça grande, vão aceitar numa boa o fato de que você está saindo comigo."

Gina girou os olhos e apertou um pouco os punhos. Ela o encarava tão séria e tão brava que Draco pensou que fosse explodir. Quase achou engraçado.

"Eles aceitariam minha decisão."

"Sério? Então por que razão estamos há mais de oito meses fazendo tudo escondidos? Por que eles vão me lançar flores e suco de abóbora? Me poupe, Gina."

Draco cruzou os braços contra o peito e ergueu uma sobrancelha enquanto olhava para ela.

"Eles não iam ficar na minha orelha, falando mal de você em todas as oportunidades que tivessem, Draco. Não iam ficar te comparando a animais, ou..."

"Não iam? Tem certeza? Por que eu sei que você mesma me chamava de Doninha. E tudo por causa do Santo Potter."

Gina suspirou, tentando se acalmar um pouco. Cruzou os braços e olhou para ele.

"Por que você se aproximou de mim, afinal?"

Os olhos de Draco se arregalaram e ela apertou os lábios.

"Por que, se você não reparou, eu sou uma deles, Draco. É a minha família. E nada pode mudar isso. Você não consegue nem ao menos tentar, e isso me frustra!"

O tom de Gina havia suavizado, mas Draco percebia que não era uma das melhores horas pra se aproximar dela e silenciar-lhe com um beijo. Ela não olhava mais para ele, apenas fitava um ponto no vazio a sua direita enquanto suspirava.

"Você diz que eu me acho superior. Sempre. A todo mundo. Mas você também acha que sua família é superior a mim."

Gina olhou pra ele e ergueu uma sobrancelha.

"Eu nunca fiz isso."

"É o que está fazendo agora."

"Por que você disse que minha família é um bando de coelhos!"

"Eu não disse isso, eu perguntei o nome da sua casa... Ah, quer saber do mais, Virgínia? Eu não tenho culpa se seus pais não tinham televisão e se reproduziram como coelhos. Lide com isso."

"Você tem que lidar com o fato de que está namorando um desses coelhos."

"Você é diferente deles. Eu não estou namorando sua família."

Gina suspirou e massageou as têmporas. Draco olhou pra ela e sorriu de canto, dando um passo na direção dela.

"Vamos esquecer isso, ok?"

"Pra que, Draco? Pra daqui duas semanas voltarmos a discutir por causa da mesma coisa? Não, nós temos que encerrar isso de uma vez por todas."

Draco deu um sorriso maior, fazendo Gina arregalar os olhos.

"Perfeito. Você esquece-se deles e vem morar comigo."

"Muito engraçado."

"Virginia, não tem um modo humano de resolvermos isso. Eu não gosto dos seus irmãos, e não adianta tentar me convencer com hipóteses de que eles me tratariam melhor do que eu por que não vai conseguir."

"Ta certo. Só tem uma maneira de descobrirmos quem tem razão nisso."

Draco sorriu de canto e olhou para ela.

"Diga-me. Por favor, não me poupe de descobrir como, finalmente, te provar que estou certo."

Gina olhou pra ele e sorriu de canto, assim como o garoto acabara de sorrir pra ela.

"Vamos contar para eles e ver o que acontece."

Draco arregalou os olhos e Gina riu, recuando um passo. Ela cruzou os braços e ficou olhando para ele. De fato, era o único meio de solucionar aquilo.

"No meu aniversário, Gina? No meu aniversário você quer que eu vá lá pra ser morto?"

Ela sacudiu a cabeça negativamente.

"Não, hoje meus irmãos não estão todos em casa. Nós vamos contar daqui dois meses, no meu aniversário. Com certeza vai acontecer uma festa lá, e vai ser o momento perfeito."

Draco coçou a cabeça e ficou olhando para ela. Por um lado, não era como se pudesse esconder que estavam juntos pelo resto da vida. Por outro, ele não estava a fim de ser amaldiçoado tão cedo. Olhou para os olhos castanhos de Gina e suspirou. Valia a pena ser morto pelos irmãos dela. Ao menos, com sorte, talvez Gina lhe desse um beijo de despedida.

"Nós vamos arruinar a festa, Virgínia..."

Ela riu e se aproximou dele, estendendo-lhe o mindinho.

"Até lá, nós não vamos mais discutir sobre isso. Promete?"

Draco olhou para o mindinho dela e viu que até mesmo nele havia sardas. Riu e enroscou o mindinho no dela, concordando.

"Ok, Weasley chantagista."

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Ritha P.B. Potter _ Sabe por que não fiz postagem dupla? Por que não tive nenhum comentário nos dois capítulos que postei juntos. Já que é pra ninguém comentar, vai um de cada vez. (: Obrigada por ler e comentar.