Capítulo 11 – O Número

Tradutora: Lary Reeden


Bella POV

Então lá estava eu, entre a família de Edward, observando-os e tomando chá. Senti uma tristeza se apoderar de mim enquanto os observei rir e tendo interesse na vida uns dos outros. Era algo que eu nunca tive, nunca conheci. Mas, de uma maneira, eu estava feliz de finalmente ver o que significava realmente amar seus filhos. Isso me fez sorrir, apesar da preocupação que estava causando estragos em meus nervos.

Edward tinha saído, mas meus pensamentos ainda estavam fixos nele. Eu estava com medo, além do medo, que eu não o veria novamente. Expressei o meu medo a ele quando fizemos a viagem para Seattle, e então eu disse a ele que ficaria bem. O que era uma mentira, é claro. Eu só disse isso para o seu benefício. Ele tinha um trabalho a fazer e não precisava se preocupar comigo. Mas não saber exatamente para onde ele estava indo e não conhecer as pessoas que ele encontraria lá me deixaram louca com a ansiedade.

E eu não pude abraçá-lo ou beijá-lo antes de ele sair. Em vez disso, eu só fui capaz de olhar para ele, e comuniquei os meus pensamentos através de um olhar. Ele olhou de volta, e o nosso amor não dito refletiu nos olhos um do outro. Pelo menos eu sabia que eu o amava. Com base no que suas orbes esmeralda me disseram naquele momento, eu tive a sensação de que ele também me amava.

Com os meus olhos, eu disse a ele para ter cuidado e voltar para mim rapidamente. Que eu o amava e precisava dele na minha vida. A conversa da sua família se dissipou por completo e ficou silêncio ao redor de mim. Eu nunca teria certeza se alguém notou a nossa troca, mas eu não me importava naquele momento.

A única pessoa que existia no mundo era Edward.

E depois que ele saiu, a ausência dele foi sentida imediatamente. Eu nunca havia rezado antes, mas eu rezei então.

Deus, por favor, traga-o de volta...

Fiquei sentada pelos próximos momentos com a sua família e tentei me acalmar. Meus lábios seguraram um pequeno sorriso enquanto eu ouvia suas conversas alegres e perguntas respondidas.

"Então, Bella, você está gostando do Noroeste do Pacífico? Edward disse que você é de Phoenix." Esme perguntou.

"É bonito aqui. Eu amo todas as árvores." Respondi.

Dr. Cullen então perguntou, "Você está pensando em ir para a faculdade, ou você está apenas tentando fugir do deserto?" Ele sorriu, e tinha os dentes mais brancos que eu já vi.

"Um, eu estou mais para simplesmente tentar fugir." Eu disse tristemente.

O clima na sala mudou quando as palavras caíram da minha boca. Essa foi a coisa errada a dizer. Percebi isto instantaneamente. A atmosfera que tinha sido alegre e leve era agora melancólica. Uma rápida olhada ao redor da sala revelou suas expressões de compaixão, ainda que curiosas. Ninguém me pediu para elaborar, e por isso eu estava agradecida. Mas os seus olhares perplexos me deixaram desconfortável, e eu tomei um gole do meu chá.

Alívio tomou conta de mim quando Jasper falou e perguntou ao Dr. Cullen algo que eu mal registrei em minha mente. Ele me lançou um olhar de soslaio e eu silenciosamente o agradeci com um sorriso por tirar a atenção de cima de mim. O foco de todos foi desviado para outros lugares, e eu soltei um suspiro pesado, tentando relaxar.

"Bella!" Alice disse de repente.

Ela me assustou, e minha mão já trêmula sacudiu, fazendo com que o gelo tilintasse no meu copo.

Ela sentou no sofá ao meu lado. "Você está gostando ficar com o meu irmão? Ele é um relaxado, não é?" Ela perguntou com uma risada.

Abri minha boca para responder, mas então ouvi. "Oh, sim, esse meu irmão não acertou você ainda?" Emmett perguntou com uma voz brincalhona.

Isto foi seguido pelo som da mão de Rosalie dando um tapa na nuca de Emmett. "Cale a boca, você é anormalmente irritante! Você não pode lhe perguntar isso!"

Emmett riu. "Por que não? É uma pergunta legítima. Quero dizer, ele está sozinho em seu apartamento com uma garota. É só uma questão de tempo".

Meus olhos arregalaram por um segundo, então eu olhei para o chão. Ele estava brincando. Eu sabia disso. Mas era difícil esconder o meu desconforto com a 'discussão', já que ele estava basicamente certo. Mexi meus dedos no meu lugar e tomei outro gole do meu copo.

"Não, não é." Alice interrompeu. "Edward é sempre muito focado em seu trabalho para se preocupar com uma namorada".

"Exatamente. Eu não acho que qualquer coisa pode distraí-lo agora. Ele está apenas começando a sua carreira." Jasper acrescentou.

Eu nunca tive a chance de falar, o que para mim estava bem. Eu nervosamente olhei ao redor da sala, forçando um sorriso em uma tentativa de afastar a minha apreensão. Esme e o Dr. Cullen pareciam estar se divertindo com toda a troca.

"Eu concordo com Rosalie... exceto a parte do 'anormalmente irritante'." Dr. Cullen disse, e todos riram.

Alice voltou sua atenção para longe do grupo e de volta para mim. Com uma voz baixa, significando que era apenas para eu ouvir, ela disse, "Mas, sério, Edward é o cara mais determinado que eu conheço. Ignore Emmett".

Suspirei e balancei a cabeça. "Sim, ele parece realmente amar seu trabalho".

Ela balançou a cabeça ligeiramente. "É mais do que isso. Tem a ver com algo que aconteceu quando éramos pequenos. Veja, Carlisle e Esme nos adotaram".

"Eu sei. Ele me contou sobre o que aconteceu com seus pais biológicos".

Ela parecia um pouco surpresa. "Ele contou?"

Eu me perguntei se eu deveria ter mantido minha boca fechada. "Uh, sim. Estávamos entediados uma noite, assim nós jogamos Verdade ou Desafio." Senti minhas bochechas começarem a corar quando recordei daquela noite, o nosso primeiro beijo real.

"Oh. Bem, sim. Então, nossos pais morreram, e desde então, Edward sempre quis ser um detetive. É como se ele estivesse em algum tipo de missão".

Missão? Minhas sobrancelhas franziram. "O que você quer dizer?"

Ela pensou por um momento. "Você já assistiu O Silêncio dos Inocentes* ?"

*O Silêncio do Inocentes: é o primeiro filme (embora não em ordem cronológica) da série baseada no antropófago/canibal Haniball Lecter, representado pelo ator AnthonyHopkinsebaseadonolivrodeThomasHarris.

Eu balancei a cabeça.

"Edward é meio como o personagem de Jodi Foster. Ele tem essa mentalidade de que talvez se ele salvar apenas uma pessoa ou resolver um caso, então ele vai encontrar algum tipo de enceramento." Ela explicou.

"Ele sente como se precisasse de encerramento?" Eu perguntei, curiosa.

"Bem, eles nunca encontraram o assassino dos nossos pais, Bella." Ela disse tristemente.

Meu coração, já marcado pela minha própria dor passada, quebrou ainda mais por Edward. Ele era assombrado, assim como eu era. A dor de Edward e seus irmãos era o oposto da minha, mas eu ainda compreendia totalmente isso.

Eu sei quem é o assassino do meu pai...

"Eu sinto muito, Alice. Ele não me contou essa parte".

Ela sorriu e esfregou suavemente meu braço por um momento. "Está tudo bem. Claro que ele não contou. Enfim, é por isso que levaria muito para distraí-lo. Aquele garoto realmente tem que estar apaixonado pela garota".

Mordi meu lábio e suprimi uma risadinha. Euforia cresceu através de mim quando suas palavras me deram esperança de que talvez eu fosse a garota da qual ela estava falando. Edward tinha feito amor comigo. Suas mãos conheciam o meu corpo de uma forma que ninguém nunca conheceu, e ele me disse que me queria. Quando ele olhava para mim, era como se ele já me compreendesse sem eu ter de dizer nada.

"Sim, eu aposto que sim." Foi tudo o que eu disse.

Edward voltou para a casa um par de horas mais tarde. Alice me deu um abraço, enquanto praticamente exigiu que eu fosse fazer compras com ela algum dia. Concordei passivamente, sem saber se eu estaria mesmo na área por tempo suficiente para realmente voltar a Seattle. Nada estava muito certo neste momento.

A viagem de volta para Forks consistiu em evasão óbvia por parte de Edward. Ele segurou minha mão carinhosamente enquanto falava sobre coisas mundanas, claramente evitando discutir os detalhes de como tinha sido aquele dia. Eu não me importava; vê-lo novamente era tudo com o que eu estava preocupada.

No momento em que ele pisou no limiar da casa dos Cullen, eu tive que me conter de correr para os seus braços. Seus olhos queimavam nos meus, e eu podia sentir a intensidade entre nós imediatamente.

Aquilo estava ameaçando me oprimir até que ele puxou o carro para o acostamento, cinco minutos depois de termos saído da garagem.

Ele colocou o carro em um local e, em seguida, passou os braços em volta da minha cintura. Meus olhos ficaram úmidos quando eu me agarrei a ele, segurando-o em mim.

"Deus, eu estou tão feliz em vê-lo." Eu disse em uma voz embargada pela emoção.

"Eu disse a você que voltaria." Ele sussurrou em meu cabelo.

Fechei os olhos e o segurei mais apertado, me permitindo perder-me no conforto suave do seu abraço. Ele inclinou a cabeça e tocou seus lábios suavemente no meu pescoço. Calor irradiou através de mim quando sua respiração fez cócegas na minha pele. Sua boca roçou ao longo da linha da minha mandíbula e continuou para cima até que cobriu a minha boca. Nós nos beijamos com firmeza, cedendo à imensa sensação de alívio que ambos sentimos. Meus dedos enroscaram em seus cabelos. Embora o ar dentro do carro estivesse intenso, ambos estávamos em silêncio, calmos. Havia uma paz entre nós durante o beijo, como se tivéssemos acabado de sair do olho de uma tempestade. Estávamos simplesmente agradecidos por estar juntos novamente.

Ele soltou meus lábios e pressionou a testa contra a minha.

"Vamos para casa." Ele disse suavemente.

Eu sorri. "Ok".

O sorriso permaneceu em meus lábios por toda a viagem de volta para Forks, até entrarmos no estacionamento do condomínio de Edward. Quando ele desligou o carro, ele se virou para mim, uma expressão de ansiedade no seu rosto.

Parecia que ele estava prestes a dizer algo que ele já estava lamentando.

"Bella ... você sabe como usar uma arma?"

Meus olhos se arregalaram.

"Eu odeio armas." Respondi rapidamente.

Uma linha dura se formou em sua testa. Ele sabia o significado por trás minhas palavras imediatamente.

"Sim, claro que sim. Pergunta estúpida. Desculpe por perguntar." Ele ofereceu em compaixão com um aperto na minha mão.

"Por que você perguntou, porém?"

Ele balançou a cabeça, relutante em responder. "Eu simplesmente vou ficar preocupado com você quando eu estou no trabalho. Mas eu me preocupo com você, não importa o quê." Seus lábios curvaram em um sorriso que não atingiu seus olhos.

Eu deixei por isso mesmo, plenamente consciente de que ele estava escondendo algo de mim para não me assustar.

Mas sua atitude evasiva só me deixou com mais medo.

Eu não consegui dormir naquela noite. Fiquei deitada nos braços de Edward, e as palavras de Alice tocaram alto em meus ouvidos como se ela ainda estivesse sentada ao meu lado. Sem saber se Edward estava acordado ou não, eu chamei baixinho o seu nome.

"Sim?" Ele respondeu de imediato.

Eu hesitei, percebendo que eu estava, possivelmente, trazendo à tona um assunto triste.

"Eu... sinto muito pelos seus pais. Que o assassino nunca foi encontrado".

Ele suspirou. "Deixe-me adivinhar. Alice disse isso para você?"

"Bem, ela mencionou isso. Desculpe, Edward. Eu não deveria ter dito nada".

Ele inclinou a cabeça para baixo e beijou meu cabelo. "Está tudo bem, Bella. Eu não me importo de falar sobre isso com você".

Eu sorri para ele, agradecida que ele confiava em mim. "Ela disse que é por isso que você sempre quis ser um detetive".

"Eu só quero ajudar as pessoas para que elas não tenham que passar pelo que nós passamos".

Eu me aninhei mais nele, deslizando meu nariz ao longo do seu pescoço. "Eu admiro você, Edward".

"Eu admiro você também".

Eu congelei, e minha respiração ficou presa no meu peito. "Por quê?"

"Porque você poderia odiar o mundo, odiar todo mundo e tudo nele depois do que você passou. Mas você ainda é cuidadosa e doce. Você ainda está tentando continuar a viver, assim como eu".

Que ele me visse dessa maneira causou lágrimas nos meus olhos. Este homem era bem-humorado, sem julgamentos, e ele... me admirava? Abri minha boca com as palavras 'eu te amo' ameaçando impulsionar-se dos meus lábios, mas eu me contive e, em vez disso, disse, "Obrigada".

Ele se virou para o seu lado e deslizou até que ele estava no nível dos meus olhos na cama. As pontas dos dedos traçando uma linha do meu rosto para o meu ombro nu enquanto minha mão repousava sobre seu peito nu.

"Por que sua mãe deixou você?" Ele perguntou em um sussurro.

Meu coração se apertou quando a dor do abandono da minha mãe que há muito tempo estava adormecida me atacou de uma só vez.

Engoli em seco. "Hum, ela nunca se importou comigo, e dois anos depois que meu pai morreu, ela disse que não podia mais viver com uma assassina. Então ela foi embora com Phil porque eu estava com quase 18 anos, qualquer maneira".

Ele balançou a cabeça, e sua mandíbula estava tensa. "Isso é besteira. Você sabe que não é uma assassina, certo?"

Olhei em seus olhos. Lógico, assim como os tribunais, tinham sempre me dito que eu não era. Ninguém nunca tinha estado presente na minha vida para reforçar isso. Eu sabia que o que Edward tinha acabado de dizer era verdade. E, pela primeira vez, eu me senti plenamente inocente. O peso da morte do meu pai saiu dos meus ombros.

Eu balancei a cabeça e me inclinei para beijá-lo. Nesse momento, eu me senti livre.

Edward POV

Fui trabalhar no dia seguinte ainda sentindo a picada da informação que eu tinha conseguido enquanto estava em Seattle. Eu sabia o tempo todo que a pessoa responsável pela morte de Lauren, possivelmente, poderia ainda estar em Forks, mas agora eu estava quase certo. A menos que este alegado 'cliente' já tivesse saído da cidade.

Eu sabia onde a minha busca tinha que começar. Fui direto para o arquivo do caso, que até agora rendeu informações inúteis. Mesmo os registros de telefone de Lauren não foram úteis. A maioria das chamadas recebidas era restrita, e aquelas que poderíamos identificar eram da família, ou foram removidos da lista de suspeitos no início como amigos íntimos. Carreguei o arquivo grosso comigo para uma pequena sala de evidências. Eu sabia em quais números de caixa procurar.

Lauren Mallory: Caso n º 127: 01, 02, 03.

Puxei as caixas de baixo, uma a uma, mexendo através do conteúdo com olhos atentos. Cada minuto que passava na minha busca aparentemente infrutífera adicionava mais à minha frustração, enquanto eu escavava através da última caixa e ainda tinha de encontrar qualquer coisa que pudesse usar. Empurrei os papéis em volta rudemente antes de finalmente jogá-los para baixo em um acesso de raiva.

"Maldição!" Eu exclamei. Passei os dedos pelo meu cabelo em frustração e estava prestes a dizer 'foda-se' quando algo chamou minha atenção.

Deitado no fundo da caixa estava um pequeno pedaço de papel rasgado com algo escrito nele. Eu o peguei, apertando meus olhos enquanto tentava ler as letras pequenas. A caligrafia sugeria que uma mulher escreveu. Os números foram escritos em inclinações delicadas e arredondados, não em linhas duras típicas da escrita de um homem. Olhei para os cinco números por um momento e percebi o que eles eram.

"3-4017"

É parte de um número de telefone, pensei comigo mesmo. Embora eu não tivesse ideia de como eu sabia disto, eu simplesmente sabia.


Nota da Autora:

Aí está! O número não é apenas um número de telefone pertencente à história, mas também é uma dica para você! O traço não significa nada e há dois conjuntos de números (é aniversário de alguém, pense em "Twilight"). :) Você não tem que me dizer o seu palpite se você não quiser, basta deixar review e vamos descobrir a resposta no próximo capítulo! Pode ou não ter algo a ver com o assassino. ) Por favor, deixe-me saber a sua opinião!


Nota da Tradutora:

Eu não acertei a data, mas espero que quem tentar tenha mais sorte... hehe Beijinhos (nos digam os palpites nas reviews, estamos esperando...)

Lary Reeden


Nota da Ju:

Não faço a menor ideia da data desses números... o que vc´s acham? Deixem reviews e talvez tenha um "bônus" na semana que vem...

Bjs!