Desclaimer: Nada disso me pertence. Mas amo muito brincar com eles.
Capítulo 10 – No Welcome
Todos os sentimentos existem por uma razão, Edward sabia bem disso. Conhecia vários sentimentos e sentia-se culpado por sentir outros. O amor era um dos sentimentos ainda não experimentados por seu corpo. Não que não amasse sua família, os amava sem dúvidas, mas o amor carnal, o amor de desejo. Esse nunca passara por seu corpo. O amor de fazer loucuras, de se deixar levar pelos olhos da pessoa, pelo corpo, pelas curvas, pelo jeito, pelo sentimento. Edward conhecia a ânsia de ter, de possuir, mas nunca estavam relacionados ao esquentar no meio do peito. Aquele calor característicos em pessoas que amam.
Sentira o peito esquentar com Alex, mas não queria dar nome aquilo. Era melhor não o fazer. Poderia estar enganado e com sentimentos não se brinca, não se acelera. Não se toca e depois se afasta, não. Pessoas como Alex e ele mereciam amar, mas tinham que respeitar tal sentimento. Tinha que se deixar levar por esse sentimento, e o que enfrentassem juntos provaria se tal sentimento era real ou não.
Olhava dentro dos olhos castanhos dela, sabia bem que ela estava com receio também. Mas a morena nada dizia, apenas sorria e virava o rosto na direção oposta, como se estivesse com medo de ler em seus olhos o que ela pensava. Edward queria ter esse poder sob ela, mas não tinha. E começava a odiar tal situação, queria estar dentro da mente de Alex, saber tudo que ela pensava.
E por outro lado, não. Não queria saber das frustrações dela com relação a si, os sentimentos e expectativas. Todas as coisas que ela não lhe contava, e se era assim, é porque não deveria saber, ou ela verbalizaria. Não, era melhor descobrir o que ela lhe permitia, era como se fosse quase normal. Um relacionamento beirando o normal.
Mesmo que em milhões de sentidos, não fosse.
Nem nunca seria.
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Encostou-se no pilar e ficou a olhar a morena à sua frente. Ela estralava os dedos a toda hora e olhava em todas as direções, ansiosa. Sorriu e puxou-a para si, abraçando-a e fazendo carinho em sua cabeça. Alex estava assim desde o dia anterior, olhando para o relógio a todo momento, olhando para a porta e para o tempo.
-Alex, calma, é normal haver atrasos. – disse Edward bem baixo no ouvido dela.
-Eu sei, mas é que tem acontecido tantos acidentes... – balançou a cabeça e fechou os olhos, não era uma boa idéia pensar naquilo. – Não, não vou pensar nisso.
-Eles já devem estar chegando, calma. – riu dela, ela estava nervosa, fazia sentido.
Alex apoiou a cabeça no ombro de Edward e riu de si mesma, sabia bem que não tinha que ficar daquele jeito, em alguns minutos seus pais estariam ali e tudo estaria bem. Sentiu dois braços lhe segurando a cintura e logo depois foi puxada para trás, assustando-se com aquilo. Virou o rosto, encontrando o rosto de um homem.
-Vai ficar com cara de espanto mesmo? – outro homem perguntou parando perto do que a abraçava e Alex viu seus pais atrás deles.
-Dré. – disse a morena, abraçando o homem que a segurava. Marcos esperou até ela virar para abraçá-lo e a levantou no ar. – Mãe, pai.
Edward viu quando os homens se aproximaram e não se mexeu mesmo quando ouviu no pensamento de um deles um comentário sobre o corpo de Alex. Esperou que a morena abraçasse todos eles e o olhasse, os olhos cheios de lágrimas. Dessa vez, de felicidade. E não conseguiu evitar sorrir.
-Edward, vem aqui. – esticou a mão e entrelaçou seus dedos aos dele. – Mãe, pai, André, Marcos, esse é o Edward, meu namorado.
-Seu namorado? – perguntou André, olhando para Edward e o medindo. – Ele tem quantos anos? 15?
-17. – respondeu Edward com a voz séria.
-Alex, esse garoto é mais novo que você.
-Obrigado por perceber, Marcos, eu sei fazer conta. – disse Alex, virando-se para seus pais, vendo sua mãe olhar fixamente para Edward. Sabia que ela estava encantada com a beleza do rapaz.
-Edward. – disse o pai de Alex, esticando a mão e a apertando, tentando fazer pressão, mas não fazendo Edward sentir dor alguma.
-Alex, ele não é muito novo para você? – perguntou André, olhando malicioso para a amiga.
-Não. Edward é muito maduro para a idade dele. – virou para o ruivo e sorriu, mas ele não sorria, parecia muito concentrado. Percebeu que ele estava escutando o que os outros pensavam.
-Se você diz. – disse Marcos, puxando a mochila para o ombro e olhando para Alex.
-Venham, vamos instalar vocês no hotel e depois vamos pra minha casa comer uma pizza. – disse a morena, andando na direção da porta, ainda de mãos dadas com Edward. Deixou que os visitantes passassem um pouco na frente e o olhou, vendo que ele continuava sério. – O que foi?
-Seu pai realmente não gostou de mim.
-Eu te disse que ele só gostava da minha mãe. – ela sorriu e fez um breve carinho no rosto dele.
-E seu amigo Marcos não está sendo gentil em pensar certas coisas. – disse, olhando-a de canto de olho e vendo-a lhe olhar com um sorriso triste.
-Eu disse que não seria fácil. – parou e segurou o rosto dele em suas mãos. – Não ligue, por favor.
-Acho melhor que eu vá embora.
-Não. – o puxou para mais perto. – Não, quero você comigo. Fica.
Edward não respondeu, ficou fitando Alex por alguns segundos. Isso estava ficando sério e já não tinha certeza se seria capaz de deixá-la caso precisasse. Levantou uma sobrancelha, ela sorriu e não conseguiu negar ao que ela pediu. Assentiu e a puxou devagar para si, apenas roçando seus lábios nos dela e afastou-se dizendo que buscaria o carro.
Alex o olhou se afastar, era realmente estranho apaixonar-se tão rapidamente. Certo que Edward era único, mas tinha algo mais, algo como uma ânsia de ser dele, de tê-lo perto, de fazer parte do dia dele, e de deixá-lo fazer parte do seu, que não era comum em seu mundo. Edward era como um meteoro, vindo direto em seu planeta e bagunçando tudo que ela conhecia.
E ela gostava. Gostava muito.
-Alex. – disse sua mãe, e a morena assustou-se, não havia percebido que a mãe se aproximara. – Esse garoto não é muito novo para você?
-Não, mãe. Quando conhecer Edward vai perceber que ele não parece ter a idade que tem.
-Ele é tão...
-Lindo? – completou a frase e viu a mãe concordar. Sorriu, era verdade, ele encantava quem quer que fosse. Não importava a pessoa ou a situação, ele acabava por fazer todas as pessoas se encantassem por ele.
-Tome cuidado, querida. Garotos novos são perigosos com relação a sentimentos e relacionamentos duradouros. – a mulher acariciou os cabelos da filha e seguiu em direção ao carro parado perto dos outros homens.
Alex ficou com a frase de sua mãe ecoando em sua mente. Edward não era esse tipo de rapaz, ele era um homem feito, não faria tal estrago na vida de uma mortal por simples capricho.
Faria?
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Olhou Edward do outro lado da sala, ele estava quieto demais. Somente prestando atenção nos pensamentos dos outros. E, por vezes, o vira ficar com o rosto sério, e só conseguia imaginar as coisas que ele escutava na mente de André e Marcos. Sentiu-se mal por ele. O chamou para que sentasse a seu lado, e o ruivo considerou tal convite por alguns segundos, antes de aceitar e sentar-se, segurando a mão de Alex, entrelaçando seus dedos.
-Edward, você está estudando? – perguntou Anne, mãe de Alex.
-Na verdade, terminei o último ano. Vou fazer faculdade. – não havia nenhum pingo de ciúme na voz de Edward quando ele falou tais palavras. Alex ficou feliz por ele começar a deixar de lado tais besteiras com relação a seus amigos.
-Trabalha? – foi a vez de Carl, pai de Alex, perguntar.
-Não. – a resposta não pareceu alegrar o homem.
-Mora com seus pais, certo? – Anne perguntou, dando um leve beliscão na perna do marido, para que ele parasse de olhar feio para o rapaz.
-Sim, e com meus irmãos.
-Quantos irmãos você tem, Edward? – Alex achou que a mãe estava começando a perguntar demais e ia cortando o assunto, quando Edward fez uma leve pressão em sua mão e balançou a cabeça, indicando que responderia sem problema algum.
-Tenho dois irmãos e duas irmãs. – viu Anne sorrir gentil, ela lembrava muito Esme.
-Mais velhos?
-Sim. – as próximas perguntas estavam flutuando na mente da mulher e seriam perguntas fáceis de responder. Estava começando a gostar daquilo.
-Como vocês se conheceram? – Alex olhou para Edward e sorriu, recostando-se no sofá e olhando-o, esperando que ele contasse.
-Meus irmãos apostaram que Alex não falaria comigo na danceteria. Eles perderam. – sorriu Edward, fazendo a mãe de Alex suspirar baixo e o coração de Alex acelerar um pouco.
-Não acha que foi rápido demais? – perguntou Marcos, pegando mais um pedaço de pizza da caixa e colocando no prato.
-Pode até ser. – respondeu Alex, antes que Edward tomasse a palavra. – Mas eu e Edward temos que aproveitar o máximo, não sei quando ele vai resolver me deixar.
-Deixar? – perguntou Anne curiosa.
-Não moro em New York, estou de férias. – Edward sabia que não poderia revelar onde morava, e sabia bem que quanto menos informação desse, melhor seria para eles.
-Então é somente algo passageiro? – perguntou Carl, não gostando nada daquilo.
-Não. Realmente gosto de Alex, talvez possamos fazer dar certo. – Edward foi extremamente sincero com relação aquilo, apesar de que ficar em New York para sempre não seria difícil.
-Namoro a distância nunca é fácil. – disse Anne, bebendo um pouco de vinho.
-Pode ser que leve Alex comigo. – Alex virou o rosto na direção de Edward tão rápido, que o ruivo achou que ela havia tirado algum osso do lugar. Os olhos dela estavam sérios e esquadrinhavam seu rosto.
-E pode ser que eu faça Edward ficar aqui comigo. – Edward cerrou os olhos, deixando o dourado de suas íris um pouco mais escuro, sabia qual era o significado daquela frase.
-Vocês estão no começo, ainda há tempo para isso. – disse Anne, percebendo que eles estavam se encarando sérios demais. Alex virou-se para olhar para os convidados, sua mente trabalhando rapidamente em algumas frases para dizer para Edward quando estivessem sozinhos naquela noite.
-E também não é como se vocês fossem casar.
Edward ficou fitando André, que parecia não perceber a frase que falara. Alex também fitava o amigo, um silêncio opressor se instalou sobre a sala. Eles nunca haviam falado sobre tal coisa, sobre tal possibilidade. Não, aquilo era muito novo, intenso demais para pensarem sobre o futuro. Mal conseguiam se beijar sem que um deles enlouquecesse. Casamento? Era uma atitude de magnitude assustadora, e definitivamente – por hora – fora dos planos.
Alex sentiu os olhos dourados de Edward queimando em seu rosto e virou-se para encará-lo, seus olhos castanhos atentos a qualquer mudança no rosto dele. Estavam ambos sérios, pensando na frase de André. A vida juntos era fácil enquanto era presente, passado e futuro eram conseqüências. Mas a frase deixara um certo gosto amargo na boca deles. Uma certa dúvida a ser conversada e discutida mais a noite.
Sozinhos.
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-Você quer se casar? – Alex deixou o prato cair dentro da pia, lascando uma beirada do vidro. Apoiou as mãos na pia e respirou fundo, Edward estava sentado na mesa, olhando-a lavar a louça. Os convidados foram embora quase meia hora atrás e desde então eles estavam em silêncio.
-Edward...
-Digo, você ficou estranha quando ouviu seu amigo dizer aquela frase. – Edward disse com a voz calma e baixa, ouvindo o coração de Alex acelerar minimamente.
-Não é algo que eu queira... – olhou por cima do ombro e tentou voltar a lavar a louça. – Apenas, algo que aconteceria.
-Aconteceria?
-Edward, é um assunto perigoso. Podemos deixar para tê-lo daqui alguns anos?
-Você está fugindo. – disse, sorrindo brevemente e divertiu-se ao ouvi-la bufar de nervosismo.
-Não estou fugindo, apenas é cedo demais para assuntos desse tamanho. – disse, decidida a mudar de assunto. – E o que você quis dizer com me levar com você?
-O mesmo que você, quando disse que me faria ficar. – Edward respondeu sem deixar de sorrir, vendo a morena lavar mais um prato.
-Eu posso te fazer ficar.
-E eu posso te fazer ir.
-Eu não seria capa... – disse, pensando melhor na resposta. Era melhor não falar o que pensara, por que pensar em falar sobre ser como ele, era puxar assunto para uma briga. Era melhor mudar a frase. – Você poderia ficar.
-Até quando? – não gostara da hesitação dela na frase, não entendera. O que ela queria dizer antes e se deteve?
-Você que decide. – sentiu o frio do corpo dele mais próximo.
-Você poderia ir. – parou logo atrás dela e sorriu ao ver a pele dela se arrepiar por causa de seu frio.
-Até quando?
Edward não respondeu, apenas deixou seus lábios roçarem na nuca da morena, ouvindo mais um prato cair dentro da pia, desta vez, quebrando-se. Alex estava com as mãos na água, tentando manter a mente clara para poder continuar a conversa. Queria saber até onde esse assunto poderia ir.
-Não me respondeu. – a voz dela era baixa e seguida de um suspiro profundo ao sentir os lábios dele em seu ombro, as mãos dele em sua cintura.
-Não lhe respondi. – disse contra a pele dela, sentindo seu hálito gelado bater contra a pele quente e voltar para si. Suas mãos na cintura dela, acariciando-a com as pontas dos dedos.
-Ficaria eternamente? - Edward a virou e olhou-a nos olhos, vendo que Alex estava séria.
-Somente um de nós é eterno. – respondeu vendo que ela abaixava os olhos, os cabelos encobrindo seu rosto, e a morena se desfez de seu abraço. – Você iria?
-Você ficaria?
-Ficaria.
-Iria.
Andou até a morena, abraçando-a, e ela apoiou-se em seu corpo, abraçando-o de volta. Ficaram em silêncio. Um silêncio que não era bem vindo, como várias coisas naquele dia. Aquelas perguntas não eram bem vindas, aquelas dúvidas, aqueles olhares tristes, aquele sentimento de perda. Aquela incerteza de não saber se seria eterno, não era nada bem vinda.
Comentem??
Kiss
