Eu nunca fui beijada

Capítulo 11 - O Mistério de Fluf

"Sábado! Que bom!" Poderia, enfim descansar, já não estava mais acostumada ao ritmo diário das aulas em Hogwarts. Acordei com um humor bem melhor do que o que tinha ido dormir no dia anterior. "Realmente, Gina, você está tendo um sério caso de depressão noturna..." - pensei, após analisar minhas últimas noites, em todas elas acabava triste. Pensava nisso tudo tomando meu café da manhã ao lado de Shely e Cameron no Salão Principal.

-Parece que a Magie e suas companheiras não vão mais nos importunar! - Cameron disse satisfeita, após o trio passar perto de nós e não dizer absolutamente nada.

-Também, se eu levasse aquele gancho de esquerda... - Shely disse lançando um olhar divertido a mim.

-Não houve nenhum gancho de esquerda, Shely! Isso foi só na sua cabeça. - respondi brincando também.

Comia um bolinho quando chegou o correio coruja, o salão não estava tão cheio quanto semanalmente, mas as corujas se aproximavam das mesas e deixavam as cartas com seus respectivos destinatários, e assim como os outros, havia para mim uma carta, que foi gentilmente entregue por uma coruja marrom claro, delicada e suave.

Percebi que não era de casa, portanto só poderia ser de uma pessoa, e de um local, d'O Profeta Diário. Aquela era minha resposta pela matéria. Peguei o pergaminho e segurei nas mãos, hesitava em abrir.

-De quem é, Claire? - Cameron estava interessadíssima.

-Do... meu pai. - foi o melhor que pude pensar.

-Ah... pensei que era do seu namorado. Ele nunca te mandou uma carta, mandou? - a loura curiosa continuava interessadíssima.

-Não. Deve estar sendo vigiado de perto pelos pais dele, já que as aulas em Kurshken não começaram ainda...

-Não? Que estranho! - dessa vez foi Shely que se manifestou.

-Pois é... sempre começam na segunda semana de setembro. - estava me saindo cada vez mais mentirosa. -Aula agora só segunda, não é? - mudei de assunto.

-Bom, amanhã tem Preparo Físico. - Shely disse com cara de quem não estava nem um pouco a fim de ter essa aula.

-Esqueci... - respondi.

Como já era tarde, restavam poucos alunos no salão, certamente a maioria estava lá fora, nos jardins, aproveitando o fim de verão... e eu pensava em convencer minhas amigas a fazerem o mesmo.

-Eu já terminei, e vocês? - disse me referindo a refeição.

-Já. - as duas responderam em uníssono.

-Por que não vamos dar umas voltas nos jardins, aproveitar o fim de verão? - disse soando convidativa.

-Vamos! - Cameron parecia ter recuperado sua alegria no dia de hoje.

-Mais tarde vamos ter que passar um tempão fazendo os deveres do Malfoy, melhor aproveitar agora. - e Shely recuperado seu lado negativo.

Saímos do salão e quando nos aproximamos da porta de entrada, inventei uma desculpa.

-Vou pegar o Fluf! Vão indo... - disse empurrando-as para fora.

-Tá bom, Claire. - Shely estava me estranhando. -Nós te esperamos perto do lago...

Aproveitei que me livrei delas para correr até o dormitório e ler a carta, por sorte não encontrei ninguém que me parasse no caminho. Entrei no dormitório, me sentei em minha cama e fechei o dossel em torno dela, para que ninguém visse que eu lia algo. Suspirei fundo e abri a carta.

"Virgínia Weasley.

Sua reportagem está extremamente abaixo do esperado!

Queríamos uma análise muito mais complexa, e detalhada. O único item que salvou o artigo foi a pequena opinião da renomada psicóloga, Daphne Wells. No entanto, fomos obrigados a refazer o seu texto, incluindo informações.

Espero que sua inexperiência não seja tamanha, que derrube a idéia do nosso diretor executivo, de conseguir um verdadeiro furo. Caso contrário, será demitida, e provavelmente, não será contratada por mais nenhuma empresa jornalística em seu futuro.

A reportagem remodelada será impressa na edição de amanhã, mas sem o compromisso de série, como idealizado no início. Não podemos nos arriscar a prometer algo que não poderemos cumprir. Se sua próxima reportagem, que deverá ser enviada até sexta-feira que vem, não for satisfatória, a senhorita será mandada de volta à Londres e sumariamente demitida.

Atenciosamente,

Anderson Roman - Chefe de redação"

Quando terminei a carta escorregou de minhas mãos e não pude evitar que meus olhos se enchessem de água. Na verdade, não esperava elogios, afinal essa era a primeira matéria impressa e profissional de minha carreira, mas também não esperava ser criticada a esse ponto... Fiquei arrasada! O que seria de mim agora? Pouquíssimo tempo para uma boa matéria, e ainda a respeito dos jovens. Eu não estava encrencada o suficiente com eles? Tendo um grupo de sonserinos que me odiava, um grupo de grifinórias esnobes que também me odiava, e o grupo popular não ia muito com a minha cara, pior depois de ter dispensado o Bob e batido na namorado de Jimmy. Estava perdida...

-Não vou chorar! - gritei comigo mesma, enxugando os olhos úmidos. "Não vai adiantar nada! Vou correr atrás, deve haver algo nessa escola que sirva de pauta, nem que não seja a respeito dos jovens..."

Levantei da cama e guardei a carta em meus pertences e saí do dormitório. No Salão Comunal encontrei alguns alunos, mas quem eu mais queria encontrar não estava lá: Fluf. Lembrei que tinha dito que o levaria para os jardins. Vasculhei o salão, perguntei a cada aluno que lá se encontrava, mas ninguém tinha visto meu gatinho. Minha tristeza se dissipou, dando lugar à preocupação. Onde ele estava?

Voltei ao dormitório. Nada. Desci desesperada, voltei a vasculhar o salão quando alguém se dirigiu a mim.

-O que está procurando? - era Jimmy, solícito, não parecia guardar magoas de mim.

-Meu gato, um angorá, você viu? - perguntei ofegante enquanto olhava atrás de uma poltrona.

-Não. - ele respondeu com um olhar estranho.

-Não mesmo?

-Não. - ele afirmou, mas eu podia sentir que tentava me esconder algo.

Fui para os jardins e contei o ocorrido para as garotas, que prontamente voltaram comigo ao salão para procurar o gato. Não encontramos, tinha evaporado com o ar.

-Ele vai voltar, Claire. Deve ter saído para passear na escola. Sabe como os gatos são. - Cameron tentava me animar, mas eu sabia que não era verdade, Fluf era caseiro, nunca tinha dado nem uma volta na vizinhança do apartamento. Ele não desgrudava de mim. - Vamos almoçar, se ele não aparecer, você pode falar com o diretor, ou com a professora Mistic, a diretora da nossa Casa.

-Obrigado, Cameron.

Durante o almoço mal toquei na comida, não tinha o mínimo apetite. À tarde, fiquei sem fazer nada no Salão Comunal, já tinha feito os deveres de Poções no dia anterior. Também não estava nem um pouco inspirada para escrever, depois da carta que recebi, nem como romancista me dava valor. Qualquer pessoa que se aproximava para falar comigo era rapidamente dispensada. "Parece que a depressão hoje não veio só à noite...".

Levantei para ir para o dormitório, queria dormir, mesmo que não tivesse nem jantado, Bob veio falar comigo.

-Eu soube que o Fluf sumiu. - ele afirmou, dividido entre indiferença e preocupação.

-Foi, mais cedo. Você o viu? - perguntei esperançosa.

-Antes do treino, cedinho, ele estava aqui no salão.

-Sério! - aquilo me despertou, era uma esperança, não era? -Então, não faz tanto tempo que ele sumiu.

-Vou ver se o acho. - Bob respondeu cabisbaixo.

-Obrigada, Bob. - disse evitando olhá-lo nos olhos. -De novo.

-De nada. Mas agradeça se eu achá-lo. - ele disse e se afastou.

Fiquei sozinha, parada sem pensar em nada por um tempo. Despertei e subi, caí na cama e dormi rápido, sem tempo para chorar, ou lamentar.

Fui acordada por Cameron no dia seguinte, pontualmente às oito horas. Porque em meia hora tínhamos que estar no campo de quadribol para a esperadíssima aula de Preparo Físico. O café da manhã era um tumulto só! Todos falavam alto e discutiam sobre algo. Me lembrei do que poderia causar esse tumulto: o jornal! A matéria tinha saído!

Nos aproximamos da mesa e sentamos para comer, e logo fomos abordadas por um garoto que eu não conhecia.

-Vocês viram isso? - ele disse com um exemplar d'O Profeta Diário nas mãos.

-Não, Wilde. Deixa ver? - Cameron respondeu estendo a mão para pegar o exemplar da mão dele.

-Tem uma repórter disfarçada de aluna em uma escola britânica! - o garoto, que agora eu sabia se chamar Wilde disse eufórico.

-Sério? - Shely disse olhando para ele e se aproximando de Cameron para ler também.

-Deixa-me ver. - eu disse também me esticando para ver.

-Nós podemos estar sendo observados nesse minuto! - Wilde disse escondendo o rosto com as mãos.

-Até parece! Isso é tudo mentira desse jornalismo sujo desse jornaleco! - Shely se afastou de Cameron. -Não quero ler esse lixo!

Esse ato me chateou um pouco, mas não surpreendeu. Por um lado ela estava certa, o jornal era mentiroso, mas a matéria era real. A não ser por umas partes, constatei encontrando coisas que não escrevi no texto, certamente Roman tinha adicionado algumas informações...

Após uma pequena refeição, uma maçã, pois não consegui comer nada mais substancial, lá estava eu. No campo de quadribol, correndo e fazendo exercícios, coisas que não era habituada. Ofegava com falta de ar, suava com o efeito dos exercícios, mas até que era bom, fazer isso logo de manhã espantava meus problemas do cérebro, me fazia esquecer tudo o que estava me importunando.

Essa aula foi adicionada à nova grade curricular de Hogwarts quando o novo diretor assumiu, com o intuito de preparar os alunos, além de intelectualmente, fisicamente para se defender de qualquer ataque, porque segundo as meninas me disseram, Wright era desconfiado, na paz não esquecia da guerra.

O professor que comandava os alunos de toda escola de uma vez, já que essas aulas reuniam todos os anos e casas, era Arnold Taylor. Aparentemente ele era mirrado e sem resistência, mas deslumbrava qualquer um com seu fôlego e força. Ele sempre parava ao lado do aluno que desanimava e o estimulava, no entanto se o aluno parecia não agüentar, ele o mandava descansar um pouco, ato que fez comigo várias vezes, pois apesar de magra, eu não tinha preparo físico.

Depois da aula, a maioria dos alunos foi para os vestiários tomar banho e se trocar, menos os jogadores de quadribol, que ficaram no campo para conversar com o professor a respeito dos times.

Me sentia melhor, mas não deixava de estar preocupada com Fluf, que não tinha aparecido de manhã. Na hora do almoço vagava pelo Salão Comunal sozinha, pois os grifinórios tinham ido almoçar, ou estavam no campo. Estava sentada em uma poltrona bem no canto do salão, perto da escada do dormitório masculino. O silêncio no salão era tamanho que pude ouvir uma mosca que sobrevoava o outro extremo do recinto. Fiquei prestando atenção ao silêncio... havia algo mais ali, um som baixo e abafado... o que seria?

O som parou, e voltou instantes depois. "O que é isso?" - me perguntei apurando mais os ouvidos. "Parecem miados..." - foi quando me toquei, era Fluf que miava! Levantei e comecei a rastrear o som, devia estar sob alguma coisa, o som era abafado, parecia vir do chão. Me aproximei da tapeçaria que guardava o alçapão da sala de jogos quando alguém tocou meu ombro, me fazendo pular de susto e me virar para a pessoa.

Era Bob que estava atrás de mim.

-O que você está fazendo ai? - perguntou com uma expressão de espanto.

-Você ouviu?

-O quê? - ele disse provavelmente me achando uma louca.

-Miados!! Escuta. - respondi o empurrando em direção ao chão.

-O que você está fazendo?

-Shiii!!!

-Estou ouvindo, miados! Deve ser o seu gato! - a expressão dele suavizou enquanto disse. Bob se ergueu e me empurrou delicadamente para o canto, de modo que eu saísse de cima do alçapão, que ele abriu e entrou. -Espera que vou ver se ele está lá embaixo.

-Não, eu vou!

-Claro que não! Você vigia, e se alguém entrar no salão faz um 'lumos' para me avisar e baixa rápido o alçapão. - sem me dar tempo de discordar ele desapareceu na escada.

Olhava atenta a minha volta, ninguém poderia ver o alçapão. Não que eu me importasse, mas seria ruim para o Bob e para mim, que acabaria levando mais uma detenção, ou pior sendo expulsa, e conseqüentemente demitida.

Minutos depois, Bob emergiu com Fluf no colo, eu nem esperei ele sair do alçapão e tirei meu gatinho dos braços dele. Fluf era para mim uma parte da minha vida, uma recordação viva do passado, mesmo que o passado fosse doloroso...

-Missão cumprida! - ele disse em frente a mim, batendo continência. -Não te disse que o encontraria?

-Mas fui eu quem o encontrou! - respondi contestando a afirmação dele.

-É mesmo... mas, eu o salvei! - Bob tentava arranjar algo para que eu o admirasse.

-Obrigada, Bob. - disse nem olhando para ele e acariciando Fluf. "Mas eu desceria e pegaria meu gato de qualquer maneira, com ou sem você." - pensei mas achei melhor não falar, soaria indelicado. -Dá licença, Bob. Preciso ver se ele está bem.

Com essa desculpa o larguei sozinho e rumei para o dormitório. Perto dele me sentia meio mal. Só quando estava sozinha e a emoção do reencontro passou que raciocinei: o Fluf não tinha ido parar lá embaixo sozinho, alguém tinha levado ele para lá! Verifiquei que ele estava bem, e por via das dúvidas o alimentei, sabe-se lá se ele tinha sido alimentado durante esse tempo.

Bufava de raiva, quem teria feito essa crueldade com meu gatinho, e por conseqüência, comigo? Pela maneira que Fluf comeu avidamente tudo o que eu tinha colocado no seu pratinho, percebi que ele não tinha sido alimentado, o que me deixou mais nervosa. Tinha somente nove suspeitos, as pessoas que conheciam a sala de jogos: Jimmy, Magie e suas duas amigas, Ronald, Kamui, Mary, Vicent e Bob. Sim, Bob também era suspeito, ele não era nenhum anjinho, portanto poderia querer se vingar de mim por dar um fora nele, e para disfarçar, ao me ver fuçando perto do local se fingiu de bonzinho e me ajudou... "Não Gina, você está ficando neurótica! O Bob não faria isso. A Magie é a suspeita número um."

Saí do quarto deixando Fluf deitado na minha cama, se aclamando, afinal não devia ter sido fácil para ele ficar preso tanto tempo.

Encontrei Cameron e Shely no caminho, elas vinham para o Salão Comunal. Contei tudo para elas enquanto caminhávamos até o dormitório. Lá começamos a discutir o álibi dos suspeitos do "seqüestro felino".

-É claro que foi o Bob! - Shely dizia categórica com os braços cruzados.

-Não, ele nunca faria isso. Eu sei, ele é bom. - Cameron defendia sua paixão com unhas e dentes.

"Pena que ele fale mal dela por trás..." - pensei me lembrando do dia em que ele me levou até o alçapão alegando que Cameron era isolada pelo grupo dele, que ela não era popular, e não tinha potencial para isso, além de chamá-la de perdedora, assim como Shely. Essa lembrança me fez desconfiar mais ainda dele. Por que comigo ele era amável e gentil? Só por interesse? Ou agia mal com os outros pela influência de más companhias? Eu não sabia... Isso era algo interessante para minha próxima matéria! Como os jovens eram influenciados pelos outros, mudavam muito sua personalidade para se adequar a um certo grupo desejado...

-Claire! Está me ouvindo? - Shely gritava para me tirar dos meus pensamentos.

-Não, o que disse?

-Vamos achar provas. Você precisa entrar na sala e procurar provas. - Shely disse irritadíssima.

-Vou lá assim que anoitecer. - respondi, e continuamos especulando a respeito do assunto.

Mais tarde fui à sala de jogos, ninguém me viu já que não era terça, dia de reunião dos alunos para jogar. Procurei em cada canto, cada detalhe, quem quer que tivesse pegado meu gato na noite anterior não tinha deixado nenhuma pista sequer.

Continua...

N.A.: Eu sei, eu sei! Não me matem pelo Malfoy não aparecer nesse cap e no anterior!!!! Mas garanto que no próx ele aparece, já que é segunda, dia das aulas de Poções! Aguardem.

Valeu pelos reviews meninas: KMalfoy, Diana Prallon, Soi, Angel McFadden (que coincidência!) DeLynx, Sabrina Malfoy, Carol Maphoter, Bella, Lilith, Ly Malfoy, e aos meninos: Vinny Malfoy e meu maninho Victor Ichijouji que nesse exato momento tá internado por que teve que ser operado de uma apendicite (mas não se assustem que ele tá bem e terá alta amanhã) Bijinhos...

REVIEWS JÁ!!!