Incertezas II - capítulo 11

Fandon: Supernatural

Personagens principais: Dean/Sam

Sinopse: Sam e Dean passaram por muitas dificuldades para poderem ficar juntos. Agora, uma mudança radical em suas vidas vai colocar mais uma vez o seu amor a prova. ( Slash / AU).

Nota: Esta fic é uma continuação de "Incertezas".


Sam ficou um longo tempo deitado em sua cama, encarando o teto. Queria que isso tudo não passasse de um pesadelo, mas era real, era real demais. Até esperava que algum dia Dean caísse em si, e quisesse levar Emily consigo, mas não esperava que fosse desta forma. Sabia que Dean estava fazendo isso não porque queria mesmo ficar com a filha, mas apenas para ferí-lo, para mostrar o que Sam tinha a perder caso não ficasse com ele.

Depois de chorar por algum tempo, Sam tentou se acalmar e tentar agir de forma sensata. Do jeito que conhecia Dean, sabia que mesmo se arrependendo, ele não iria voltar atrás da decisão.

Levantou e foi até o quarto de Emily, que dormia a sono profundo, e sentou na cama em frente a dela. Seria doloroso demais ter que se afastar dela, mas realmente não tinha o que fazer. Dean era o pai biológico, e não teria nenhuma chance, e também Sam jamais entraria na justiça contra o seu próprio irmão.

Logo Emily acordou, e nem percebeu a presença de Sam ali. Ficou resmungando alguma coisa e brincando com seus próprios pezinhos na cama. Sam teve que rir, porque ela era simplesmente adorável. Então sentiu um desespero enorme ao pensar que não teria mais ela ali a partir do dia seguinte.

Trocou sua fralda e a pegou no colo, a colocando de pé em frente a ele.

- Hey minha princesinha, acho que essa é a nossa última noite juntos, não é? O que você acha de dormir comigo lá na cama de casal? Hein?

Emily apenas o olhava com atenção, de vez em quando resmungando alguma coisa, e tocando seu rosto com suas mãozinhas. Parecia que queria confortá-lo de alguma maneira.

- Sabe Emy, a princípio eu senti vontade de socar o seu pai, e deixar bem claro que ninguém iria tirar você de mim. Mas agora, pensando bem, eu não tenho o direito de fazer isso. Ele é o seu pai, afinal. E sabe por que eu vou deixar ele te levar? Porque eu sei que lá no fundo, ainda existe alguma coisa do meu Dean, e eu sei que quando ele se der uma chance de te conhecer realmente, ele vai se apaixonar por você, assim como eu me apaixonei. E aí, ele vai querer cuidar de você, vai te proteger, e te amar, de um jeito que só ele sabe amar. Ele está perdido agora, sem chão, e quem sabe com você por perto, ele volte a si, ele volte a se encontrar. Vai ser muito difícil ficar longe de você, minha princesinha, mas eu vou te ver sempre que der, ok? Eu prometo! – Sam já estava chorando novamente, e lhe deu um beijo na testa, a colocando no chão para brincar.

Enquanto ela brincava com uma boneca de pano, Sam pegou uma mala e começou a separar suas roupinhas, cheirando algumas e colocando carinhosamente na mala. As lágrimas corriam pelo seu rosto enquanto fazia isso. Pegou os remédios, mamadeiras, chupetas, alguns brinquedos, com todo cuidado para não se esquecer de nada.

Depois de se certificar que estava tudo ali, preparou uma mamadeira e a levou para a cama de casal, onde brincou com Emily até que ela dormisse. Ficou algum tempo ainda acariciando o rostinho dela, até que ele mesmo pegou no sono pelo cansaço.

Pela manhã, Sam deu mais uma conferida se nada havia sido esquecido, esperou até perto das dez horas, já que Dean deveria estar com uma bela de uma ressaca, e pegou um taxi, levando Emily até o apartamento que Dean havia alugado.

Tocou a campainha, e Dean veio atender, ainda com cara de sono.

- Que bom que você cumpriu o prometido. – Dean falou com frieza.

- Eu sempre cumpro o que prometo, Dean.

- Ótimo.

- Eu trouxe roupas e algumas coisas pessoais dela, e... eu fiz uma lista com as coisas que ela gosta, o que ela costuma comer, e os horários dela. – Sam falava sem olhar nos olhos de Dean.

- Isso não é necessário, Sam. Eu sei como cuidar de uma criança.

- Você sabe? – Sam sorriu irônico – Bom, a lista está aqui, mas se você quiser pode jogar fora, então. – Sam falou chateado, colocando o papel sobre a mesa, junto com a mala.

- Oi Emy, você vem com o papai agora? – Dean falou estendendo os braços para a menina, que se virou, agarrando o pescoço de Sam.

Sam ficou com os olhos marejados e a abraçou.

- Emy, você vai ter que ficar com o papai Dean agora, minha princesa, mas eu logo volto pra te ver, ok? – Depois disso, Sam deu um beijo em sua bochecha e a entregou para Dean, então Emily acabou indo para o seu colo desta vez.

Sam já estava na porta, saindo, quando lembrou de algo.

- Dean, é bom você tomar conta dela direitinho, porque se isto não acontecer, eu levo ela de volta, nem que eu tenha que brigar com você na justiça. – Sam falou muito sério, e o encarou pela primeira vez.

- Até mais, Sam! – Dean falou aborrecido.

Dean tentava se manter firme, mas ao ver a mágoa e a tristeza de Sam, sentiu uma vontade enorme de voltar atrás da sua decisão, de pegar Sam no colo, e dizer que tudo ia ficar bem, e que ele podia ficar com Emily. Mas quando lembrou de Sam e Ryan no parque, sua raiva e ciúmes voltaram a falar mais alto novamente.

Quando se viu sozinho com a menina, Dean se deu conta de que tinha feito uma grande besteira, pois teria que se virar com ela agora. Colocou Emily com seus brinquedinhos no chão, e passou a organizar suas roupas em uma cômoda. Guardou os utensílios no armário, percebendo que Sam não tinha esquecido de nada.

Sem saber direito o que fazer com ela, Dean a levou até a oficina, para ver John e Bobby.

- Hey! É bom ver você bancando o papai pelo menos uma vez na vida. – John falou brincando. – E como vai a bonequinha do vovô? O papai Sam te deu uma folga, foi? – John falou enquanto pegava Emily no colo.

- Na verdade ela vai ficar comigo agora. – Dean falou diretamente.

- O que? Como assim, ficar com você? Você quer dizer hoje?

- Eu quis dizer sempre. Ela é minha filha, não é?

- E quando foi que vocês decidiram isso? Eu pensei que o Sam fosse querer ficar com ela.

- Eu decidi isso ontem, pai.

- Com ou sem o consentimento do seu irmão? – John agora estava assustado.

- Eu não ia deixar a Emy com o Sam e aquele médico idiota! Se ele quisesse mesmo ficar com ela, teria escolhido a mim.

- Foi você quem colocou tudo a perder, Dean! Não se esqueça disso. E o Sam é livre agora, tem todo o direito de namorar quem ele quiser. Apesar de que eu preferia que ele namorasse uma garota.

Dean rolou os olhos.

- Desde quando você virou o defensor do Sam?

- Eu não estou defendendo ninguém, filho. Eu só estou falando o que você merece ouvir. Eu não vou apoiar aquilo que eu não acho justo, você me conhece. Não vou passar a mão na sua cabeça desta vez.

- Tudo bem, eu não preciso do seu apoio, nem de ninguém. Eu posso me virar muito bem sozinho. – Dean falou furioso.

- Eu espero que você saiba o que está fazendo, pois esta sua atitude é tremendamente egoísta. Você só pensou em si mesmo, não pensou no bem do Sam e nem da Emily.

- Então você acha que eu não posso cuidar da minha própria filha? Que ela não pode ser feliz comigo?

- Eu tenho certeza que você pode tomar conta dela muito bem, se realmente quiser. E até é uma vergonha você não ter feito isso até agora. Mas arrancar ela assim dos braços do Sam, isso foi crueldade, Dean.

- Crueldade? Crueldade foi ele ter me trocado por aquele doutor idiota, isso sim foi crueldade! E eu não quero mais ouvir sermões, pai! Estou cheio disso! – Dean pegou Emily e saiu dali, furioso.

Voltou para casa, e sem saber direito o que fazer, ficou apenas observando Emy brincar no chão da sala. Ela andava de um lado para o outro, tagarelando o tempo todo, sem Dean entender uma palavra. De vez em quando pegava um brinquedo e trazia até Dean, e quando este não o pegava de suas mãozinhas ela fazia careta e um biquinho com a boca que fazia Dean se matar de rir.

- Você é mesmo um docinho, não é? Como foi que eu não reparei em você antes? O Sammy tem toda razão de ser babão desse jeito.

Emily caminhava ao redor da mesa de centro, indo até a estante, onde pegou o porta retratos com uma foto de Sam.

- Ei, me dá isso aqui, mocinha! Você pode quebrar e acabar se machucando. – Dean foi até ela, pegando o porta retrato de sua mãozinha.

- Papa Sam! – Emily falou, apontando para a foto.

- Sim, é o papai Sam.

- Papa Dim! – Emily falou tocando a mão no rosto de Dean.

- Foi ele quem te ensinou, não foi? – Dean falou com os olhos marejados. – Você sente falta dele? Eu também sinto, Emy. E dói tanto, muito mais do que eu posso suportar. E o pior de tudo, é que eu faço uma burrada atrás da outra, e até agora só consegui afastar ele cada vez mais de mim. Eu não devia ter afastado você dele, o John tem toda razão.

Dean permaneceu algum tempo a observando brincar, e admirando o quanto ela era ativa e esperta. Sentiu um certo remorso por não ter reparado nela antes, por não ter participado da sua vida.

- Vem cá princesinha. Era assim que o Sam te chamava, não era? Vamos trocar esta fralda, se é que eu ainda me lembro como se faz isso. – Dean falou pegando Emily no colo e a deitando sobre a cama. Pegou uma fralda descartável do pacote e ficou tentando se lembrar como se fazia.

- Não deve ser tão difícil. Sabe, quando o Sammy tinha a sua idade, e eu tinha cinco anos, eu ajudava minha mãe a trocá-lo. Se bem que eu achava isso nojento, mas mesmo assim eu ajudava. Eu sempre gostei de cuidar daquele pirralho, desde pequeno. E agora acabei deixando ele na mão, não é? Quando deveríamos ser nós três, uma família só nossa, eu os deixei de lado, me recusei a participar, e nem eu mesmo consigo entender porque fiz isso, Emy. Nem eu consigo entender...

- x -

Sam voltou para casa, mas não conseguiu permanecer ali por muito tempo. Ficar ali sozinho, sabendo que Emily não voltaria, o fazia sentir um aperto no peito, e um desespero tão grande, que precisou sair o quanto antes.

Nem sequer havia almoçado, pois não sentia fome, então saiu para a rua. Caminhou pela cidade, sem destino, e quando se deu conta já estava na porta do apartamento de Ryan. Mesmo seu cérebro lhe dizendo que não deveria fazer isso, parecia que um imã o atraía para lá.

- Sam! Que surpresa boa! - Ryan falou com um sorriso, ao abrir a porta.

Sam entrou sem dizer nada, e quando Ryan fechou a porta, Sam o puxou para perto e o beijou. Um beijo faminto e desesperado, assim como Sam se sentia. Precisava de contato, de carinho, para preencher o imenso vazio que tinha dentro de si.

Em poucos minutos já estavam no quarto, e os sapatos e parte das roupas foram ficando pelo caminho. Caíram na cama, com Sam por cima de Ryan, devorando a sua boca.

- Como é que vai ser? – Ryan perguntou ofegante, entre os beijos.

Sam deu risada.

- Você fica em baixo. – Sam falou sem parar o caminho com a língua que trilhava pelo pescoço de Ryan.

Desta vez foi Ryan quem riu.

- Ok. Você sabe mesmo o que quer, não é Sam? Eu gosto disso...

Quando Ryan acordou já era final de tarde, então sentou na cama e observou Sam ainda dormindo, com o rosto enfiado no travesseiro. Se inclinou e beijou seu pescoço, com carinho, dando leves mordidas.

- Vamos lá, preguiçoso! – Ryan sussurrou em seu ouvido, brincando.

- Deixa eu dormir mais um pouquinho, Dean! – Sam resmungou ainda de olhos fechados, com um sorriso no rosto.

- Pôrra, Sam! Você não imagina o quanto isso é broxante! – Ryan levantou da cama e foi para o chuveiro, zangado.

Sam apenas se ajeitou no travesseiro e continuou dormindo. Quando acordou, Ryan estava sentado ao seu lado na cama, lendo um livro sobre medicina.

- Por que você não me chamou? Faz tempo que está acordado? – Perguntou com a voz sonolenta.

- Há uma hora, mais ou menos. Eu tentei te chamar, mas depois de ser chamado de Dean, eu desisti.

- Mesmo? – Sam se sentou na cama, espantado.

- Aham.

- Desculpe, eu...

- Tudo bem. Apesar de ser um balde de água fria, eu nem posso reclamar. Não se espante se qualquer dia eu te chamar de Hanz. – Ryan falou com toda a calma, sem desviar os olhos do livro.

- Quem é o Hanz? O cara que te deu o Billy? – Sam falou tirando o livro das mãos de Ryan, querendo a sua atenção.

- Ele mesmo.

- Você nunca mencionou nada sobre ele, pensei que já o tivesse esquecido.

- Eu não mencionei porque... Bom, eu achei que você já tinha problemas o suficiente, para ainda ter que lidar com os meus. E depois ele é só um ex namorado, Sam. Nada demais.

- Você ainda o ama?

- Sam, eu estou gostando de você... pra valer, entendeu?

- Eu perguntei se você ainda o ama?

- Eu... eu não sei... Faz mais de três meses que eu o vi pela última vez. Ele também é médico, e está na Alemanha, se especializando em cardiologia. Eu não quis ir junto porque... Bom, eu tinha minha vida aqui, afinal. Ele está lá já fazem dois anos, e quando vinha pra cá de vez em quando, nós ficávamos juntos. Mas esse negócio de namoro a distância não dá muito certo.

- Ele não pretende voltar?

- Nós não conversamos mais sobre isso. Eu também não quis ficar pressionando, sabe. Isso tem que partir dele, e não de mim.

- Parece que eu encontrei alguém tão complicado quanto eu. – Sam falou sorrindo.

- Me desculpe, Sam. Mas tão complicado como você, é algo praticamente impossível. – Ryan falou rindo.

- Obrigado por me lembrar disso. – Sam se fez de emburrado.

Ryan deu risadas.

- Com quem você deixou a Emily?

- Ela está com o Dean.

- Bom, milagres acontecem, então.

- Ele tirou ela de mim.

- O que? Mas... E você está assim tranquilo? Pensei que você fosse surtar se algum dia ele fizesse isso.

- Eu surtei, mas já passou. O Dean é o pai dela, não eu. E quem sabe assim ele tome um rumo na vida.

- Mais uma vez você está só pensando nele, não é Sam? Quando você vai pensar um pouco mais em si mesmo?

- Bom, eu preciso de um banho. – Sam mudou rapidamente de assunto, então levantou e olhou Ryan de cima em baixo – Uma pena você já ter tomado, senão poderia me fazer companhia. – Sam piscou e sorriu de forma maliciosa.

- Sabe de uma coisa? Eu não me importo nada em tomar mais um. – Ryan pegou o tubo de lubrificante e camisinhas e foi para o chuveiro atrás de Sam.

- x -

No dia seguinte, Dean foi com Emily as compras, afinal os hábitos alimentares de sua garotinha eram diferentes dos seus. Não poderia alimentá-la com X-burguer, pois Sam o estrangularia, então foi a feira e comprou frutas e verduras frescas. Também passou no mercado e comprou fraldas e leite, precisava se disciplinar, afinal não poderia deixar nada faltar para Emily.

Emy pedia muito por Sam, e estava manhosa, Dean sabia que era saudade, afinal ela era muito apegada ao seu irmão. Preparou uma sopa bem caprichada, e tentou servir a menina, mas esta experimentou, e então fez uma cara feia e não quis mais comer. Dean experimentou também, achando que poderia estar muito salgada, ou algo assim, mas não tinha nada de errado, ao seu gosto, até que estava bem saborosa.

Como ela não comeu nada, Dean lhe preparou uma mamadeira. Mais tarde a levou para o quarto, e começou a tirar suas roupinhas para lhe dar um banho. Emily choramingava o tempo todo, como se algo a estivesse incomodando, então ao tirar sua fralda, Dean percebeu que ela estava cheia de assaduras.

- Caramba, Emy! Como eu deixei isso acontecer? Eu troquei sua fralda várias vezes, e fiz tudo direitinho, eu não entendo! – Dean pensou em ligar para Sam, mas não quis dar o braço a torcer, pois Sam o chamaria de incompetente, então se virou e viu o papel amassado em cima da cômoda. A lista que Sam havia preparado, e que ele amassou e ignorou. Resolveu dar uma conferida, por pura curiosidade.

Dean riu da sua própria ignorância, pois Sam tinha escrito muito claramente ali a marca de fraldas que Dean deveria comprar, pois Emily era alérgica a outras.

- Está explicado então o por que das assaduras. Eu sou mesmo um tapado, não é Emy? E você aí sofrendo por causa da minha teimosia.

Dean continuou lendo as instruções de Sam, e então deu um tapa na própria testa.

- Não colocar cenouras na sopa. Como eu ia adivinhar que você não gosta de cenouras, docinho? Bastava ler as instruções, não é? Ao contrário das outras crianças, você veio com um manual, porque pelo visto o Sammy não esqueceu mesmo de nada.

Dean colocou Emily na banheira, e ficou pensativo por algum tempo, lembrando do quão ingrato havia sido quando Sam trouxe Emily até ele, e pensou que Sam deveria ter escrito todas estas instruções provavelmente chorando, afinal tinha sido cruel de sua parte, lhe tirar Emily assim, de uma hora para outra.

- x -

John andava preocupado porque Dean quase não saia mais de casa, ficava só com Emily para cima e para baixo, andava triste e desanimado da vida. Emily era a única coisa que ainda o alegrava. Depois de John insistir muito, Dean acabou procurando um psicólogo, mesmo achando esta idéia ridícula.

Marcada a consulta, Dean ficou aguardando na recepção, até ser chamado.

Entrou no consultório e sentou na poltrona em frente ao médico. Era um senhor na casa dos cinquenta anos, um pouco grisalho, usando óculos, e Dean até simpatizou com ele a primeira vista.

Conforme o psicólogo sugeriu, Dean começou contando sobre a sua infância, e assim foi relatando por cima toda sua vida até o momento atual. Contou todo seu envolvimento com seu irmão, contou sobre o fato de Sam ter sido trocado na maternidade, e tudo que aconteceu com eles até a chegada de Emily, e então sobre a separação.

Doutor Roger ouviu tudo em silêncio, e apenas quando Dean terminou, resolveu dar seu parecer.

- Então esta sua relação "mais que fraternal" com seu irmão, vem desde a infância.

- Desde que eu tinha vinte e um anos doutor, e ele dezessete.

- Mas pelo que você relatou, vocês já tinham uma relação um pouco diferente, mesmo antes de ter algum contato sexual.

- Ele era apenas meu irmão, até o dia em que eu bebi demais e ele me atacou em minha própria cama.

- Antes disso você nunca pensou nele de outra forma?

- Não, nunca.

- Mas você tinha ciúmes dele com aquele outro garoto, o Tim.

- Tom, o nome dele é Tom. E eu não tinha ciúmes, eu só achava o Tom um babaca, e que ele não era uma boa companhia pro Sam.

- E depois que você espiou o seu irmão transando com ele, você ficou enfurecido.

- O filho da puta traçou o meu irmão de dezessete anos, o que o senhor queria que eu sentisse? – Dean falou exaltado.

- Talvez raiva, mas não ciúmes. Você se imaginava no lugar dele?

- O senhor acha que eu sou algum tipo de pervertido? Ou tarado?

- Eu não disse isso.

- Melhor a gente esquecer o Tom.

- Ok, mas e quanto ao policial?

- O que tem o maldito policial? – Dean já estava perdendo a paciência.

- Você sentiu ciúmes, quando seu irmão saiu com ele, não sentiu?

- O cara era bem mais velho que ele, e meu irmão era menor de idade, o sujeito era policial, deveria defendê-lo e não se aproveitar!

- Senhor Dean, eu sinto que nós estamos lidando com dois problemas aqui. - Doutor Roger falou calmamente.

- Dois? E quais são? Tem remédio pra isso?

- O primeiro é este sentimento de possessividade que o senhor tem pelo seu irmão. Que pelo que eu pude constatar, vem desde a infância de vocês.

- E o segundo? - Dean rolou os olhos.

- O segundo eu creio que não seja um problema só seu, na verdade existe uma co-dependência entre vocês.

- Co-dependência?

- Sim. E existe remédio. Na verdade, você deve se afastar do seu irmão o quanto antes.

- Me afastar?

- É o melhor para vocês dois, acredite!

- O senhor não entendeu nada, não é mesmo? Ele não é meu irmão de sangue, e nós nos amamos. Eu preciso entender o que se passa comigo, pra poder fazer ele me perdoar, pra trazer ele de volta, e não afastá-lo de mim.

- Esta co-dependência, senhor Dean...

- Co-dependência o caralho! – Dean o interrompeu, bravo - Foi pra isso que o senhor estudou?

- O senhor está me faltando com o respeito, senhor Dean.

- E o senhor está o que? Co-dependência... Sabe de uma coisa? É melhor o senhor pegar este seu diploma de psicólogo e enfiar onde o sol não bate! E tenha um bom dia! – Dean saiu batendo a porta do consultório, espumando de raiva.

- x -

Mais duas semanas se passaram, e Emily ainda pedia muito por Sam. Dean tinha concordado que Sam a buscasse na escolinha nas quartas feiras, e ficasse com ela por algumas horas, e ele ainda vinha visitá-la nos finais de semana, geralmente no apartamento de John, para evitar ficar muito tempo sozinho com Dean.

No sábado, Sam foi até a casa de Bobby, pois este havia ligado pedindo que conseguisse algumas peças para um carro, e quando ia saído da casa, ficou surpreso ao ver Dean brincando com Emily em frente a oficina.

Sam parou a uma certa distância, para não ser visto, e ficou os observando com lágrimas nos olhos. Emy corria ao redor do Impala dando gritinhos, e Dean corria atrás dela, a encurralando e dando gargalhadas. Sam ficou muito emocionado, Dean parecia mesmo outra pessoa, e não aquele Dean que tinha ignorado sua filha o tempo todo. Mas isto não era nenhuma surpresa, Sam sabia que Dean ia acabar se apaixonando por Emily.

Sam nem tinha se dado conta de que Bobby estava parado ao seu lado, encostado num carro.

- Algum problema, Sam? – Bobby perguntou calmamente.

- Não, nenhum! – Sam tentou disfarçar – Foi só um cisco no meu olho.

- Claro. Você tinha mesmo razão, não é? Aquele cabeça dura até que está se saindo um bom pai.

- Eu não tinha dúvidas quanto a isso, Bobby.

- Eu sei, garoto. Uma pena que tudo teve que acontecer desse jeito.

Neste momento Emily viu Sam e saiu correndo em sua direção, só então Dean também percebeu sua presença ali e foi até ele.

- Papa Sam! – Emily falou se atirando em seus braços.

- Hey, minha princesinha! – Sam a ergueu no colo, sorrindo.

- Hey Sam! – Dean falou hesitante. – Tudo bem com você?

- Só entrou um cisco no olho dele. – Bobby falou rapidamente, recebendo um olhar de reprovação de Sam. – É, eu vou até a oficina. Até mais garotos! – Bobby saiu de fininho, os deixando sozinhos.

- Ela pede por você o tempo todo. Não sei se eu...

- Você fez a coisa certa. – Sam o interrompeu – Ela é sua filha.

- Nossa filha, Sam. Nossa filha.

- Ela está cada dia mais linda. - Sam falou olhando para ela, orgulhoso.

- Sam, será que você pode ir comigo até o meu apartamento? Eu gostaria muito de conversar com você, e...

- Dean, é melhor deixar tudo como está, nós não temos mais nada pra conversar.

- Eu não vou insistir, Sam. Eu sei que você não quer voltar pra mim, mas mesmo assim, eu preciso te explicar, por favor? Eu preciso que você me ouça.

- Agora realmente não dá. O Ryan está me esperando, eu preciso ir.

- Ah, claro. - Dean falou sem graça - E nós podemos conversar amanhã? Ou algum outro dia?

- Me liga amanhã. Eu vou tentar dar um jeito.

- Obrigado, Sam.

- Emy, o papai Sam precisa ir agora, está bem? Eu vejo você na quarta feira, minha princesa. Eu te amo muito, viu? – Sam falou dando um beijo em sua bochecha e a abraçando, antes de colocá-la de volta no chão e ir embora.


Continua...

Respondendo a review:

Alexia: Puxa menina, você me deixa tão feliz!! Cadê o bom e velho Dean? Loguinho ele aparece por aí, prometo!! Beijos e obrigada por comentar!!