RESULTADOS DOS NÍVEIS ORDINÁRIOS EM MAGIA

Notas de aprovação:
Ótimo (O)
Excede Expectativas (E)
Aceitável (A)

Notas de reprovação
Péssimo (P)
Deplorável (D)
Trasgo (T)

RESULTADOS OBTIDOS POR JAMES POTTER

Adivinhação – T
Astronomia – E
Defesa Contra as Artes das Trevas – O
Feitiços – O
Herbologia – E
História da Magia – E
Poções – E
Transfiguração – O
Trato das Criaturas Mágicas – E

RESULTADOS OBTIDOS POR SIRIUS BLACK

Adivinhação – T
Astronomia – E
Defesa Contra as Artes das Trevas – O
Feitiços – O
Herbologia – A
História da Magia – E
Poções – E
Transfiguração – E
Trato das Criaturas Mágicas – E

RESULTADOS OBTIDOS POR REMUS LUPIN

Adivinhação – T
Astronomia – E
Defesa Contra as Artes das Trevas – O
Feitiços – E
Herbologia – E
História da Magia – E
Poções – O
Transfiguração – E
Trato das Criaturas Mágicas – E

RESULTADOS OBTIDOS POR PETER PETTIGREW

Adivinhação – T
Astronomia – D
Defesa Contra as Artes das Trevas – A
Feitiços – A
Herbologia – P
História da Magia – A
Poções – A
Transfiguração – A
Trato das Criaturas Mágicas – P


Meu pai ficou doente no final de julho, então passei a maior parte das minhas férias para o sexto ano no hospital St. Mungus. Fui pego de surpresa quando ele caiu da escada, queixando-se de se sentir fraco. Quando fui visitá-lo achei que o veria deitado na cama, sem energia, parecendo não aguentar o peso do próprio corpo, mas meu pai era um cara durão, até nos limites de sua idade. Ao invés de falar sobre o problema dele ou que tipo de doença ele tinha... preferiu jogar snaps explosivos comigo e com Sirius que, como tinha bastante consideração pelo meu velho, também o visitava. Estávamos divididos por uma mesinha entre nossas cadeiras e a cama de meu pai.

– Então meu filho foi fisgado por uma ruiva?

Meu pai não dizia "sangue-ruim", nem "nascida-trouxa", quando se referia a Lily Evans, era somente "ruiva".

– E como ela é, James? Alguém que vale a pena?

Charlus apontou a varinha mais rapidamente do que Sirius e a carta dele explodiu na mesa.

– Sim – eu respondi, sem prestar muita atenção ao jogo. – Eu não sei se consigo achar alguma coisa que eu não goste dela.

– Não te falei, Charlus? – perguntou Sirius abanando a cabeça. – Ele está totalmente idiota por ela.

– Chame ela para sair. Por que ainda não chamou?

– Digamos que James não é o cara mais exemplar de Hogwarts, e Lily Evans é a monitora da Grifinória. Ou seja, ele não deixa a vida dela muito tranquila, então ela não quer sair com ele.

– E que garota não curte um garoto-problema? – riu meu pai. – Não desista, James, um dia ela vai se render.

Sorri para ele, sempre admirado com sua confiança. Confiança essa que passou para mim de todas as formas. Eu não pretendia desistir não.

– Queria que o senhor a conhecesse – eu disse. – Pelo menos visse que ela é ótima. Bruxa e pessoa.

– Por que acha que não vou conhecê-la?

– Pai – eu disse baixinho. – Mamãe me contou...

Quando eu disse aquilo, meu pai apoiou suas cartas na mesa e sugeriu a Sirius:

– É um ótimo momento para dar em cima daquela medibruxa, Sirius.

Ele, que também tinha reparado no modo como o ar do quarto ficou mais pesado, apenas sorriu e se levantou. "Nos vemos depois, Prongs."

– Sua mãe te contou, James? – perguntou meu pai quando ficamos sozinhos. – Ela te pediu para aguentar firme quando precisarmos chegar a esse ponto?

– Sim, senhor. E eu vou aguentar.

– Muito bem, grifinório. Desculpe por ter feito com que soubesse disso nas férias.

– Eu não queria acreditar... mas já desconfiava algumas vezes. A idade que o senhor está... bom, eu vou cuidar da mãe, prometo. E vou... bem, vou ficar bem, eu acho. Só não quero que o senhor sinta dor, pai.

– Não vou sentir. Dizem que vai ser que nem adormecer. Lembra o que eu te ensinei?

Não há o que temer com a morte.

– Porque quando morrermos...

– Não será exatamente o fim – eu terminei.

Tirei meus óculos e enxuguei meus olhos. Vi meu pai e mudei minha expressão para um sorriso. Ele me ensinou muita coisa; fez uma grande jornada pela vida. Ainda teria mais alguns meses com as poções ajudando-o a manter firme, mas um bruxo, quando chegava a uma certa idade, não adquiria proteção com poções e nem outro tipo de substâncias. Diziam que era uma espera natural... Eu esperava que meu pai a aproveitasse bem. Eu precisava orgulhá-lo, mais do que em apenas Quadribol. Disse a ele que eu queria ser Auror e ele deu um grande apoio, principalmente ao ver minhas excelentes notas dos NOMs. Foi com essa confiança, apesar de tristeza, que voltei para Hogwarts e me preparei da melhor maneira possível para o mundo lá fora.


– JAMES POTTER!

Depressa, me virei para os garotos do primeiro ano.

– Escondam as varinhas, rápido.

Ajeitei meus óculos segundos antes de ouvir os passos pesados de Lily Evans martelando o chão logo atrás de mim, quase do mesmo ritmo do meu coração. Rápido, forte, apressado, entusiasmado, no instante em que ouvi sua voz brava, autoritária, decidida e impaciente.

Sorri de um jeito travesso, antes de girar meu corpo e ver a imagem da garota mais linda de Hogwarts.

– Monitora Evans – cumprimentei educadamente, fazendo uma mesura. As crianças do primeiro ano abafaram as risadinhas. – Calouros, Monitora Evans. Monitora Evans...

– POTTER!

– Ela não está de bom humor hoje, calouros.

– Potter, o que significa isso? Quando eu ouvi o que Stebbins disse eu não acreditei! Você está... você está ensinando azarações para elas?

Seus olhos verdes voaram em direção a cada um dos sete garotos da Grifinória. Cada um com um tipo de aspecto estranho no rosto. Nariz torto, nariz de palhaço, cabelo de palhaço, furúnculos no rosto. O garoto que estava de ponta cabeça, o mais engraçado da turma, exclamou:

– Sai com o James, Monitora Evans!

Lily respirava pesadamente, inconformada. Mas logo a tranquilizei.

– Eles são ótimos, aprenderam bem rápido. Richard, mostre o seu melhor para a Monitora Evans.

Postei-me a frente do garoto e ele apontou sua varinha, clamando o feitiço em minha direção.

Os sete garotos começaram a gargalhar. Para a minha surpresa, nem Evans escondeu sua vontade de rir quando me viu...

– RICHARD! – gritei ao passar a mão no meu cabelo e notar que...

EU. NÃO. TINHA. CABELO.

Meu pesadelo se tornou realidade.

– Richard, não foi isso o que combinamos!

– Corram!

Richard e seus amigos saíram correndo, gargalhando, quando ameacei jogar azarações em cada um deles. Sumiram do corredor, azarando um ao outro. Imediatamente conjurei um chapéu para esconder minha cabeça, especialmente depois de ver que Lily estava ocupada demais rindo para não ter ralhado com as crianças.

– Tem razão por se gabar tanto do seu cabelo, Potter. Faz muita diferença.

Ao invés de ficar bravo, não fiquei bravo de verdade. O som da risada dela melhorava qualquer humor.

– Engraçadinha você, Evans. Não tinha que tirar cinquenta pontos dele?

– Vou tirar de você! – apontou o dedo, brava. Mas não conseguiu ficar por muito tempo. Lembrava que eu estava careca por baixo do chapéu e voltava a rir. – Mas está muito difícil ficar séria nesse momento... O dia que o feitiço virou contra o feiticeiro. Literalmente! Bem feito.

Mas era inacreditável o modo como ela não sabia ser maldosa por muito tempo.

– Acho que tem uma poção na sala de Slughorn para fazer o cabelo crescer de novo. Se bem que você merece ficar careca o dia inteiro.

– Você nunca deixaria. Sei que curte o meu cabelo.

– Eu odeio o seu cabelo! E é ridículo o modo como você fica despenteando ele...

– Como se eu quisesse parecer que desmontei de uma vassoura... lembro bem o que disse, Evans.

Não gostei de ter lembrado ela daquilo, porque ela não riu mais. Foi no mesmo dia que seu suposto melhor amigo a chamou pela pior ofensa que um bruxo podia receber, especialmente naqueles tempos. E que eu também o humilhei.

– Então – eu disse, pigarreando. Nunca mais falamos daquele assunto, ninguém nunca mais comentou sobre aquele dia. – Aquela poção...

– Ah, sim. Slughorn.

Nós andamos juntos pelo corredor enquanto ela me levava para a sala de Slughorn. Fiquei um pouco em silêncio, olhando para ela caminhando ao meu lado. Os cabelos estavam presos na nuca, a gravata estava apertada ao colarinho de um modo perfeito e seu suéter a deixava com uma sofisticação leve, doce e intelectual. Andava sempre olhando para frente, sempre tendo a certeza de onde deveria chegar.

– Então... como foram suas férias? – perguntei curioso.

– Tranquilas. Tranquilas demais – ela respondeu. – Não recebi cartas inúteis, foi uma delícia de férias.

Não deixei de sorrir.

– Você sente falta de mim nas férias – provoquei e ela só girou os olhos. – Vai, admita. Sente falta de se irritar comigo e chegar batendo o pé para me dar uma bronca... sente falta que eu não dê atenção a você... fica tão monótono sem um James Potter para brigar e discutir. Admita.

– Você se acha demais!

– Não devia condenar as pessoas por excesso de confiança e honestidade!

– O seu transborda, é patético! E você ainda fica aí se mostrando para os alunos do primeiro ano como se fosse o maior exemplo de Hogwarts. "Oh, sou James Potter, me amem". Patético!

– Que garoto não quer ser o que eu sou? Capitão do time de Quadribol, bonito, engraçado, com garotas correndo atrás o tempo todo...

– Por que você não enche o saco delas então?

– Não me interesso por elas – eu disse diretamente quando alcançamos o corredor da sala de Slughorn. Lily freou os passos bruscamente quando eu me postei a frente dela para dizer baixinho. – Você sabe quem me interessa de verdade.

Olhei bem para os olhos verdes. Cheguei a ficar perto para observar detalhes como suas sardinhas.

Lily ia dizer alguma coisa – me mandar sair da frente, provavelmente –, mas a porta atrás de nós se abriu.

– Ora, ora, visitas a essa hora? – a voz de Slughorn me fez virar para ele. Sua expressão foi bastante curiosa. – Visual novo, sr. Potter?

– Acidente – eu disse. – Boa noite, professor. Sei que não temos aula com o senhor hoje...

– Srta. Evans! – ele se afastou da porta para sair e se aproximar de Lily que, por alguma razão, estava tentando se esconder atrás de mim. – Que bom ver a senhorita! Por favor, diga que recebeu o convite.

– Recebi, professor – ela disse, um pouco tímida. – Eu apenas... eu não sei se deveria-

– Está brincando? Eu faço questão da sua presença no clube do Slugue esta noite, srta. Evans. É uma talentosa bruxa, já disse mil vezes.

– Obrigada, professor – ela respondeu sincera. – Mas...

– Veio tirar alguma duvida do lugar, do horário?

– Não, senhor, na verdade, desculpe muito incomodá-lo com tamanha bobagem...

– Bobagem? – eu ergui a sobrancelha. Ela pisou no meu pé.

– Potter teve um pequeno problema com o cabelo e me pergunto se o senhor tem alguma poção para ajudá-lo.

– Isso é resultado de uma azaração ou o senhor raspou seu cabelo, Potter? – perguntou analisando-me.

– Azaração.

– Posso ter alguma coisa em meu estoque.

Quando ele voltou para sua sala, eu e Lily ficamos parados no buraco da porta. Fiz um mantra em voz alta:

– Não vou rir, não vou rir, não vou rir...

– Cala a boca.

– Então vocês tomam chazinhos com a pontinha do dedo levantado nesse Clube do Slugue? Sempre tive curiosidade de saber.

Ela abriu um sorriso irônico.

– Só está se coçando por Slughorn não considerá-lo um aluno talentoso suficiente para participar também, Potter.

– Está brincando? A última coisa que eu quero é ouvir os feitos fantásticos de sonserinos... Não tenho a mínima vontade de fazer parte disso.

– Não deve ser tão ruim assim – ela tentou se convencer. – Não são apenas sonserinos. O professor Slughorn realmente acredita no talento das pessoas, independente da origem. Eu estou lisonjeada por ter sido convidada então pare de caçoar.

Slughorn voltou trazendo consigo um pequeno frasco de poção, alegando que isso ajudaria meu cabelo voltar a crescer.

– Obrigado, professor – eu disse e, então, fomos embora.

Passei a maior parte do tempo tirando sarro do Clube do Slugue enquanto voltávamos para a Torre da Grifinória, não importasse quantas vezes Lily me mandasse calar a boca. Eu simplesmente adorava provocá-la; era algo inexplicável. Talvez porque era o único jeito de fazê-la dar alguma bola para mim... Mesmo que na maioria das vezes ela parecia me odiar com todas as forças, eu nunca me convenci disso de verdade. Talvez por ela responder as perguntas que eu fazia, talvez por ela se importar em me dizer como fazer as coisas de modo certo e brigava quando eu fazia algo errado – o que era quase o tempo todo.

E também, para falar a verdade, eu não conseguia imaginar que alguém como ela saberia sentir o verdadeiro sentimento de ódio e desprezo.

Não descobri, mas admiti a mim mesmo que eu estava apaixonado por ela quando a flagrei cantando baixinho na Sala Comunal da Grifinória. Era Halloween e ela estava com o humor relativamente bom, e eu tinha certeza de que isso tinha a ver com Michael Stebbins. Eles iam para uma festa do Clube do Slugue juntos, e ela estava bastante empolgada.

Remus, Sirius e Peter se reuniram comigo para agirmos naquela noite.

– Fiz uns ajustes no Mapa do Maroto – eu disse a eles, seriamente, andando de um lado para o outro em nosso dormitório. – Descobrimos novas passagens secretas e o mapa está ficando cada vez maior. Está virando uma verdadeira obra de arte. E eu não quero ser um egoísta, marotos – eu continuei o discurso. – Fizemos um ótimo trabalho e continuaremos a modificar o mapa a cada novo conhecimento que obtivermos desse castelo. Mas tempos como estes merecem medidas drásticas...

– Chega logo ao ponto, Prongs – disse Sirius impaciente.

– Nós temos que pensar em nosso legado – falei. Eles se mantiveram silenciosos. – Há crianças nesse castelo que um dia precisarão do auxílio de nosso conhecimento. Crianças que farão a diferença, como nós fizemos. Não podemos esconder o segredo do mapa para aqueles que juraremsolenemente que não farão nada de bom. Por isso...

Mostrei a eles a capa do Mapa quando exclamei:

"Juro Solenemente que não pretendo fazer nada de bom!"

Os Srs. Moony, Wormtail, Padfoot e Prongs,
fornecedores de recursos para feiticeiros malfeitores,
têm a honra de apresentar
O MAPA DO MAROTO

Eles aplaudiram.

– Sério, Prongs, você se superou dessa vez.

– Muito bom, cara.

– Estou orgulhoso.

– Obrigado, obrigado.

– Sr. Prongs? – Peter ergueu a mão. – Qual a nossa missão de hoje?

– Diga ranhoso, diga ranhoso – Sirius fez figas.

Sombriamente, olhando para a janela do quarto escuro, eu observei os perímetros amedrontadores de Hogwarts. De costas aos meus amigos, um terrível trovão ecoou pelo céu das nuvens densas, quando eu disse baixinho:

– Michael Stebbins.

Eles me olharam confusos.

– O cara da Corvinal?

– O que ele fez?

– Mas ele é tão gente fina...

– Me ajudou a colar um monte de vez nos testes...

– Ele me apresentou a uma gata no Três Vassouras...

– Ele vai sair com Lily Evans amanhã! – eu retruquei e imediatamente suas expressões mudaram.

– Vamos acabar com Michael Stebbins.

– Ele não presta, aquele idiota. Vai ter o que merece, Prongs.

– O que faremos, sr. Prongs?

– Sr. Moony! Capa da Invisibilidade. Você vai entrar no dormitório dele na Sala Comunal da Corvinal e vai trocar o sabonete que usa por essa poção. Sr. Padfoot! Você vai comprar feijõezinhos de todos os sabores e retirar todos os feijões com sabor de vômito para que possamos misturá-los na comida dele. Sr. Wormtail! Você vai se transformar em sua forma animago para entrar no bolso dele e sair bem no momento caso ele ousar beijar a Lily.

– E você, sr. Prongs?

– Eu estarei lá para salvar o sábado dela, que, se obtivermos sucesso nessa missão, marotos, será tão desastroso quanto os N.O.M's de Peter. Sem ofensas. Ao trabalho!

Eu tinha o plano perfeito e com uma ajudinha dos meus amigos, era quase certeza de que daria certo.

Porém, no sábado seguinte, eu me vi pedindo desculpas miseravelmente a uma Lily Evanszangada enquanto corria atrás dela pelo corredor e, claro, ela não queria saber das minhas explicações.

– Eu não tinha idéia que a pele dele ia ficar rosa – expliquei-me. – Era na verdade para ele apenas feder.

– Nossa, Potter, isso me deixou muito mais tranquila – retrucou com um sarcasmo bem ácido. Os estudantes que passavam pelo corredor pararam para ver nossa discussão. Estava barulhenta.

– E eu especifiquei para Sirius que era Feijõezinhos de vômito e não os que explodem. Eu só queria que seu encontro fosse desastroso e não tive a mínima intenção de levar Stebbins para a ala hospitalar. Olha, Lily, me desculpe-

– Eu não quero ouvir suas desculpas! Não é para mim que você deve se desculpar, Potter. É para o Michael! Ele tem alergia a ratos e eu não acredito que você enfiou aquele rato asqueroso no bolso dele!

– Lily, eu realmente não faria isso se eu soubesse que o cara era alérgico!

– Você passou dos limites hoje, Potter! Simplesmente passou!

– Você não vê o que eu tento fazer por você – eu disse depressa.

– Você fez isso por mim? Oun, por que não falou antes? – eu estava com um medo sério da expressão dela. Nunca vi Lily tão brava, tão zangada, tão possessa, tão sarcástica. – Por que não disse antes, James? Eu não estaria tendo tanta vontade de te ESMAGAR nesse momento.

A voz de McGonagall cortou imediatamente a discussão quando subiu as escadas:

– Srta. Evans, sr. Potter, o que está acontecendo?

Lily bufou e se ela não estivesse brigando seriamente comigo, eu teria falado o quanto era uma graça quando ela bufava, porque a franja voava da testa por causa do sopro.

– Posso ter aprontado – confessei baixinho ajeitando meus óculos no nariz – em virtudes do meu ciúme dessa vez.

Tentei não olhar a reação de Lily ao me ouvir dizendo aquilo.

– Não pensei direito – continuei quando me senti seguro. – E queria que ela me desculpasse. Mas em minha defesa, se ela aceitasse sair comigo nada daquilo teria acontecido em primeiro lugar.

Ela explodiu.

Em sua defesa! Agora está jogando a culpa em mim? Você é inacreditável!

– Eu errei, professora, eu confesso – falei, olhando para McGonagall. – Errei feio e não vou discutir se me der detenção, porque posso ter causado alguns danos colaterais em Michael Stebbins.

– Vamos conversar em minha sala, Potter.

Por alguma razão, McGonagall não estava zangada. Na verdade, aproximou-se de mim com certa cautela e apoiou uma de suas mãos no meu ombro, séria.

– Srta. Evans, preciso interromper essa discussão que aparentemente não vai ter um fim tão cedo. Mas é imprescindível que eu leve Potter a minha sala. Ele tem uma visita.

Ela também estava estranhando porque apenas assentiu com a cabeça, com os braços cruzados e a testa franzida.

– Muito bem. Acompanhe-me, sr. Potter, sim?

– Lily, desculpa-

– Não. – Deu as costas e deixou McGonagall me levar para a sua sala.

Minha visita era minha mãe.

Somente minha mãe.

Não foi um bom sinal, mas ela me levou até o corredor vazio para me contar o que eu temia e esperava desde as férias de julho. Quis ser forte e abraçá-la, mas eu pareci uma criancinha:

– Mãe? Cadê meu pai?

A última vez que ela me deu um abraço parecido, bom, ela nunca me deu um abraço como aquele. Então eu estava com péssimos pressentimentos.

Eu a levei cuidadosamente para se sentar no banco. Não contou diretamente, apenas disse baixinho, segurando minha mão:

– Escute-me, James, você é um Potter como seu pai. Você precisa ser forte. Sempre seguir em frente, não é isso o que nós sempre o ensinamos?

Eu assenti.

– Ele... ele sentiu dor?

– Não – sorriu fraquinho, em pêsames. – Apenas... apenas não acordou hoje, querido. Eu que achei que eu estaria preparada...

Então foi ela quem se derramou em lagrimas nos próximos minutos. Coloquei-a em meus braços e afaguei seu cabelo grisalho.

– O pai teve uma vida boa. Estava na hora.

– Ele era tão orgulhoso de você, filho.

– Nunca duvidei disso... embora eu tenha feito algumas coisas... que ele não se orgulharia tanto.

– Não – ela negou com a cabeça, inconformada. – Você nunca faria nada que não o orgulhasse, nada. Você é tão bom quanto ele foi e é saudável e vai viver tanto tempo quanto ele viveu, James. E vai ensinar ao seu filho tudo o que ele te ensinou...

– Espero que esteja certa – eu disse, sorrindo.

– Quando uma mãe não está, não é?

Eu percebi que estava chorando porque minha mãe me encarou e enxugou meu rosto com seus dedos.

– Você tem que trocar esses óculos, James – ela disse definitivamente e, depois, rimos. Papai não ia gostar que ficássemos chorando assim, nós dois sabíamos disso.

Mas eu chorei quando fui ao seu enterro. Não foi durante o próprio enterro ou durante as palavras do bruxo, mas foi quando senti uma mão apertar meu ombro, e Sirius me abraçar como se também sentisse a dor que eu sentia, mesmo que eu soubesse que não haveria como meu pai ter escapado daquilo.

Você nunca está preparado para deixar o seu herói.

– Sinto muito, cara – ele disse.

Não foi um abraço longo, mas ajudou. Então Sirius apoiou o braço em meu ombro, enquanto observamos as palavras "A morte não é o fim ainda. Vai, Magpies!" sendo magicamente gravadas na lápide de Charlus Benjamin Potter.

– Então – Sirius deu um longo suspiro e perguntou: – Que será que Charlus acharia se virássemos irmãos?

– Ele nunca achou que fossemos outra coisa – eu disse com um sorriso no rosto, as mãos no bolso. O céu estava nublado.

– Ótimas notícias, então, Prongs. Não sou mais um Black. Oficialmente. Na verdade, desde as férias de julho... Fui deserdado, meio que fugi da casa da minha mãe com minha forma animago. Já passou da hora, não?

– Com direito ao nome riscado da árvore genealógica dos Black e tudo?

– Não é demais?

Fizemos um toque de mão, porque abraçar o amigo duas vezes já ficava estranho. Sirius parecia tão leve quanto uma pena. Deixar de fazer parte de uma família tão preconceituosa com o sangue foi sua melhor maneira de se rebelar contra Você-Sabe-Quem, já que seus primos, suas tias, seus avós, todos eles ajoelhavam-se para o bruxo das trevas.

Sirius só se ajoelharia por uma motocicleta.

– Mas, hum, se for muito incômodo para você e sua mãe, posso ver se minha prima Andromeda não-

Sua prima Andromeda havia se casado com um nascido-trouxa e fora a primeira dos Black a ser deserdada. Sirius gostava dela.

Mas eu o interrompi.

– Incômodo? Eu sempre quis ter um cachorro de estimação, Padfoot.

– Ah Prongs! – Fez uma chave de braço contra meu pescoço e esfregou os nós dos dedos no meu cabelo, despenteando-os.

Mamãe pigarreou em nossa direção, os olhos ligeiramente vermelhos e alarmados. Comportem-se!, parecia dizer.

Meu pai não tinha deixado um filho. Na verdade, tinha deixado dois. E ele estaria sorrindo agora.


Mais um capítulo! Acredito que o sexto ano foi um ano que James começa a adquirir certas atitudes mais maduras, em virtudes pelo falecimento do pai, que sempre foi seu herói, e porque ele começa a entender melhor os seus sentimentos por Lily. Mas, é claro, nunca deixando de ser o nosso James maroto!