Bom, gente, tenho uma má notícia. Fui diagnosticada com recidiva de leucemia, então esses últimos 23 dias estava internada no Hospital de Clínicas para tratamento. Bom, amanhã eu estou voltando pro hospital, para ficar mais vinte dias. Serão mais três internações de quase vinte dias, com intervalo entre três (que foi o caso dessa vez) e dez dias. Depois uma internação de quarenta dias para fazer o transplante. Então capítulos de fics só virão nos intervalos, porque por enquanto o hospital não disponibilizou internet. To deixando esse aviso pra dizer que NÃO ABANDONEI vocês, só tive uns probleminhas no caminho.

Mas continuo firme e forte e escrevendo!!

Bom, era isso, pessoal. Aproveitem o capítulo, que só terão novo daqui a vinte dias... Beijão e obrigadíssimo pra todo mundo que continua aqui comigo, lendo e comentando!

Gween Black

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- Capítulo Nove -

Proximidade Fatal

"You questioned, if I care

Você perguntou se eu me importei

You could ask anyone, I even Said

Você podia perguntar a qualquer um, eu até disse

You were my great one

Que você era meu grande amor

Now its, over, but I do admit I'm sad.

Agora acabou, mas eu admito que estou triste."

(Fuck It – Eamon)

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Lílian acordou de supetão quando ouviu o celular tocar. Focou o relógio, amaldiçoando quem estava telefonando quando percebeu ainda não eram três da madrugada.

- Alô?

- Srta. Evans? – uma voz ansiosa perguntou do outro lado da linha.

- Sim. – Lílian sentou-se na cama, tentando enxergar qualquer coisa na escuridão. – Moody?

- O corpo de Narcissa Black acabou de ser encontrado. Precisamos que você venha aqui.

- O quê? – Lílian jogou as cobertas para o lado, assombrada. – Narcissa Black, a atriz pornô rica?

- Essa mesma. Isso vai ser um escândalo... – Moody começou a frase, mas não precisou terminar, pois Lílian encarregou-se de fazê-lo:

- Um prato cheio para os jornalistas... estou indo para aí. – ela completou, enquanto desligava o celular e vestia uma roupa qualquer.

Podia ser "apenas" a psicóloga da delegacia, mas, embora sua função original fosse traçar padrões psicóticos, era quase uma policial em ação. Desde os tempos da escola era muito próxima de Moody, que fizera questão de trazê-la para sua delegacia. Como ele adorava repetir, a modéstia de Lílian a impedia de enxergar seu potencial para atividades de campo e ação. E, com o treinamento recebido pelo Investigador número um da delegacia, ela também havia se tornado uma das melhores.

Então, sem reclamar, terminou de se vestir e foi até o carro. Só torcia para chegar antes dos jornalistas.

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Quando Sirius levantou-se naquela manhã, não imaginava as surpresas que o aguardavam. E a primeira delas não tardou para chegar – nem mesmo teve a gentileza de esperar ele terminar seu café da manhã. Porque, quando abriu o jornal, a manchete principal – em letras garrafais – era:

Famosa Atriz Pornô de Família Influente e Rica é Assassinada na Madrugada de Ontem

"Narcissa Black, a famosa atriz de filmes para adultos, socialite rica herdeira da influente família Black e amante ocasional do poderoso empresário Lucius Malfoy, foi encontrada morta em seu apartamento na madrugada de ontem. O corpo estava disposto em uma posição curiosa na sua cama, com os lençóis brancos manchados do sangue vermelho que escorria da vagina – onde uma bala de um tiro foi encontrada. No baixo-ventre uma estranha e diabólica forma estava marcada em cortes fundos: uma caveira com uma serpente saindo pela boca, com grandes letras LV logo em cima. Ironicamente, as evidências indicam para um crime ligado diretamente ao ato sexual. A polícia ainda está investigando o caso, mas está também tomando providências para abafá-lo. 'Não tenho nada a declarar!', declarou a psicóloga da delegacia, Lílian Evans, que foi encontrada na cena do crime menos de duas horas após a descoberta. O que este assombroso e mirabolante caso ainda irá revelar? Mais informações na página 7."

- Narcissa... ela... Remo... o jornal... – Sirius balbuciou as palavras, a pele ficando assombrosamente pálida, enquanto deixava a torrada cair no prato e apoiava o rosto nas mãos.

- Oh, meu Deus! – Remo exclamou, quando terminou de ler a matéria. – Sirius, calma, não é tão ruim assim, você nem era tão ligada a ela...

- Isso está mais próximo, Remo... – Sirius ergueu a cabeça das mãos. – Mais próximos de nós do que imaginávamos... Narcissa não podia ter morrido. – ele suspirou, balançando a cabeça, como quem negasse o que tinha acontecido. – Ela tinha tanta segurança, tanto dinheiro, tanto... – passou a mão pelo rosto, num gesto que demonstrava grande cansaço. E cansaço emocional. – Ela foi primeira. E quem pode garantir que o próximo não será um de nós?

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- Lily saiu. – Gween informou, assim que viu Nicolle entrar na cozinha.

- Onde ela foi? – a morena perguntou. – Por que você está acordada?

- Eu me acordei de madrugada quando ouvi alguns barulhos. Resolvi levantar para verificar. Lílian estava saindo de casa naquele momento. Nem deve ter me visto. – a garota suspirou. – Foi para a delegacia, ou algo do gênero. Narcissa Black foi assassinada.

- Eu... O QUÊ? – Nicolle exclamou, sentando-se numa cadeira na frente da amiga. – Como assim?

- Isso o que você ouviu. – a voz de Gween estava dura, fria. – Alguém entrou no apartamento dela de madrugada, trepou a noite inteira e depois estrangulou-a, atirando no seu "instrumento de trabalho" logo em seguida, deixando sua marca horrenda de presente. – a loira indicou um desenho rabiscado na margem branca do jornal. – Narcissa era rica. Vinha de uma família influente. Tinha o mundo nas mãos. Como ela foi morrer?

- Deixe isso para a polícia, Gween. – Nicolle de repente entendeu o motivo do endurecimento de Gween. Orgulho, raiva. Tudo contido dentro daquele corpo que parecia frágil e delicado.

- A polícia? O que ela vai poder fazer, Nicolle? – a garota socou a mesa com força. – Há quanto tempo viemos lendo notícias de mortes e desaparecimentos? – a morena suspirou, abaixando a cabeça. – Eles podem tentar investigar a morte de Narcissa. Mas não podem impedir uma próxima.

- É melhor você não ficar pensando nisso. – Nicolle advertiu. Sabia da intensidade com que Gween absorvia tudo, e tinha medo que aquele e os outros crimes que ainda estavam por vir abalassem completamente a amiga.

- Não vou. – Gween pegou sua bolsa Fendi de cima da mesa e foi até a porta. – Tenho uma sessão de fotos agora. – completou, saindo dali.

Nicolle ainda deu uma mordida na torrada, mas desistiu em seguida. Tinha perdido completamente o apetite.

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Sirius chegou na delegacia, indo para o seu escritório de atividade no ramo criminalista. Ligou o computador, leu os relatório de rotina. Mas, algum tempo depois, não conseguiu se controlar mais. Levantou-se e foi até a sala de Moody, entrando sem se preocupar em bater.

- Eu quero agora todas as informações sobre o assassinato da minha prima na minha mesa! – ele exclamou, as mãos apoiadas na mesa de Moody, o rosto bem próximo do dele.

- Black, você sabe que as coisas não funcionam desse modo, a burocracia...

- FODA-SE A PORCARIA DA BUROCRACIA! – Sirius ergueu-se, passando a mão pelos cabelos para tentar se acalmar. – Foi a minha prima que morreu. É a minha família que está metida nesse meio. Você tem obrigação de me colocar dentro, Moody.

Moody suspirou.

- Eu confio em você. – ele falou, mais para tentar convencer a si mesmo que para qualquer outra coisa. – Você teve treinamento de campo?

- Moody, eu tenho título de investigador, antes que você se esqueça. – o outro resmungou, mal-humorado.

- Ok, ok. Só que está empregado por outro motivo.

- Eu sei que você é o chefe disso aqui, ok, mas você também sabe que...

- Não precisamos partir para ameaças. – Moody sorriu. – Eu designo você como investigador do caso. Contente?

- Muito. – Sirius respondeu, virando-se para sair.

- Só não se esqueça de ter cuidado, Black. – Moody mirou-o com um olhar preocupado. – Conseguiram chegar na sua prima.

- Sim, Moody, não se preocupe, eu sei...

- Vigilância constante!

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Remo bateu algumas vezes na porta do apartamento. Esperou alguns minutos, sem receber resposta, então bateu de novo. Passou as mãos pelos cabelos, garantindo que tudo estaria em ordem. Mas, mais uma vez, não recebeu resposta. Insistindo por uma última vez, ele levantou a mão e deixou-a cair na porta.

- Já vou! – ouviu uma voz gritar de dentro, e em seguida o barulho de algo de caindo. – DROGA!

Ele controlou-se para não rir. Essa era a Nicolle... Mas, quando abriu a porta, o riso fugiu instantaneamente, sendo substituído por uma secura desagradável na garganta. Nicolle estava parada na porta, apenas uma grande camiseta branca no corpo, que não chegava na metade das coxas.

- Ahh... oi, Remo... – ela disse, puxando a camiseta para baixo, fazendo, assim, uma manga escorregar pelo ombro e revelar a pele bronzeada.

- Desculpa, não é um bom momento...

- Não, não, é um ótimo momento! – Nicolle sorriu, meio surpresa, puxando-o para dentro e fechando a porta.

- Por que... por que você está vestida assim? – ele perguntou, sentindo o rosto corar. Era visível que ela estava sem sutiã.

- Eu... eu estava saindo do banho quando ouvi a batida... e não encontrei nada melhor para vestir na confusão do meu quarto... e estava com pressa, então...

Só naquele momento ele notou que os cabelos dela caíam em desalinho pelos ombros, molhados, manchando a camiseta branca. E estranhamente esqueceu porque tinha ido até lá...

- Remo? – ela perguntou.

- Ah, sim. – ele respondeu, talvez lembrando-se do motivo. – Humm... Lily está aí?

- Ah. – por um momento ela pareceu ligeiramente desapontada. – Não, ela está no trabalho...

- Ah, é mesmo! – ele levou a mão à testa. – Desculpe, eu esqueci... É que eu queria conversar com ela sobre algumas coisas... E você, como está?

- Bem, por que não estaria? – os olhos dela tinham um brilho divertido.

- Narcissa. – ele respondeu simplesmente, mas foi o suficiente para apagar a diversão do semblante de Nicolle.

- Ah, é verdade. É complicado isso... Gween está muito abalada, Lílian está envolvida até os ossos. Imagino que Sirius tenha ficado péssimo... – ela suspirou.

- Eu acho que existem coisas piores...

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Em menos de meia hora, Sirius recebeu na mesa todos os relatórios sobre a morte da prima. A autópsia ainda estava em encaminhamento, e a perícia ainda procurava algo de extraordinário na cena do crime. Além de alguns detalhes, os relatórios não acrescentaram muito mais do que ele já sabia.

Enquanto estava absorvido em uma análise sobre a estranha marca no baixo-ventre de Narcissa, ouviu um barulho e ergueu os olhos. Dédalo Diggle entrava pela porta, um sorriso de orelha a orelha.

- Vim alegrar seu dia, Black. – ele disse, erguendo um DVD. – Encontrei isso com um amigo, que costuma que ir às boates da França.

- O que isso tem a ver comigo, Diggle? – Sirius perguntou, indicando uma cadeira com a cabeça.

- Não exatamente com você. Mas com a sua "namorada".

Próximo capítulo: Meias Verdades.