Capítulo X

Não pararam. Direto a Surda seguiram com os suprimentos que haviam preparado. A cidade não era a mesma.

Feirantes corriam para desmontar suas barracas e a maior parte do comércio estava fechada. Não havia sinal de soldados, nem de Orrin, nem de Nasuada.

Ao descerem, Arya se informou com um habitante que olhava para Violet e seu dragão com certo terror. Os Varden e Orrin haviam partido em direção às tropas de Galbatorix, evitando assim um confronto na cidade.

- Foi o melhor que podiam ter feito. Vamos – Disse a elfa e subiram de volta às selas para seguir viagem.

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Nasuada estava em seus trajes de guerreira olhava inquieta para seus soldados. Precisou ponderar muito antes de mover suas tropas para Norte. Era possível que vencessem em Surda; poderiam fazer guerrilha. Conheciam o local melhor que os inimigos. Ainda assim, os habitantes; crianças, mulheres e idosos estariam expostos ao perigo. Saque, estupro, morte. Ela preferia que sofressem fora de casa.

Sentia muita falta de Farthen Dûr. Olhou para os anões terminando de afiar seus machados à esquerda. Os poucos Urgals estavam sentados e conversavam em sua língua estranha. Nasuada sabia que Islanzadí não mandaria seus elfos. Orrin parecia revoltado com a decisão da rainha, mas a líder dos Varden, ainda que preocupada, achava que a elfa sabia o que fazia.

Encarou o céu marinho com poucas estrelas, estava um pouco nublado. Pediu ao pai, onde quer que estivesse, que os ajudassem e desse coragem aos homens. Ao que terminou sua prece, um soldado vomitou ao seu lado. Nasuada lhe deu um pouco d'água.

Ouviu gritos atrás de sua barraca e virou-se para saber o que acontecia. Homens revoltados berravam e tinha as armas em punho.

- O que está havendo aqui? – A voz de Nasuada os fez silenciar por um momento.

- Diga-me Lady... – Um deles disse, cuspindo as palavras sob o bigode. – Como quer que lutemos se não há quase água, muito menos comida para seus soldados?

Nasuada ficou em silêncio por um minuto. Ele continuou.

- Estamos preocupados com nossas famílias deixadas para trás – Toda a decisão trazia consigo seus opositores... - E queremos vencer para voltar para casa. Mas para quê? Se lá há ainda menos suprimentos?

- Eu sei que não há comida. Sei que o tratamento com vocês, guerreiros, não é dos melhores. Mas se não lutarem, se não tentarmos vencer, como posso conseguir mais alimentos? Galbatorix não me deixa...

- Você envergonha seu pai, Lady.. – Ele disse e uns poucos riram. Nasuada cerrou os punhos. Não permitiria que falassem de seu pai. Ela sabia que fazia o que era certo.

- Meu pai lutou pelos Varden até sua morte. E seguirei seus passos. Desistam de lutar então. Deixem que fiquemos prisioneiros para sempre de um déspota arrogante. Que mingüemos até não ter mais nada o que comer e viver pelas sombras dos Ra'zac. Afinal, por que estão aqui? É ISSO QUE QUEREM?

Ela gritou para eles. Sabia que seus homens não eram revoltosos e que, se estavam ali, era porque apoiavam a causa. Estavam com medo.

- Dê-nos um bom motivo para lutar, Lady! – Um outro homem berrou dos fundos e então um vento forte abateu-os aos que Saphira pousou ao lado, junto de Georhgio.

Soldados olhavam estupefatos. Conheciam Saphira, mas o imenso dragão esmeralda surpreendera a todos. Estava amedrontador em suas armaduras e mostrava os dentes enormes e as asas abertas com orgulho. Dele desceu Violet com um sorriso de canto e o peito estufado.

Nasuada encarou Saphira e Eragon. Depois olhou de Arya para Violet e Georhgio incrédula. Voltou a mirar a elfa e compreendeu seus planos e seus atrasos.

- Espero que este seja um bom motivo – Arya disse alto para os homens que, ou se encolhiam de medo, ou cochichavam sobre a cavaleira a sua frente. Nasuada não conteve um sorriso e pediu para que eles a seguissem até sua barraca.

Georhgio e Saphira enfiaram suas cabeças para dentro e os outros se espremeram. Violet se apresentou com uma reverência, assim como o novo dragão.

- Confesso que renovaram meus ânimos agora – A líder disse com as mãos cruzadas à frente do corpo. – Também acho que todos vão lutar com mais gosto.

Violet assentiu com um sorriso. Estava gostando daquilo.

- Assim esperamos, Lady Nasuada – A garota disse com um movimento da cabeça. Eragon sorriu.

A líder dos Varden baixou os olhos para um mapa sobre sua escrivaninha. Não era hora de perguntar como tudo acontecera e porque nada avisaram. Era hora de mudar a estratégia de guerra.

Do lado de fora, murmúrios percorriam o acampamento e quase não havia guerreiro que não soubesse da nova. Uma cavaleira! Mulher? Sim, uma garota! Tem certeza? E um dragão verde.

- Bom... Violet e Georhgio – Os dois olharam para ela. – É possível que Galbatorix suspeite da existência de vocês. Mas seus soldados não. Portanto, nada como o elemento surpresa.

Nasuada explicou que ficariam entre seus homens no meio da infantaria. Arya lutaria pela esquerda e Eragon e Saphira no flanco direito, ao lado dos anões.

Todos concordaram com o novo esquema; Arya deu mais alguns palpites que ajudaram a decidir toda a formação. A madrugada avançava aos poucos e uma lua fraca reluzia entre algumas nuvens.

Depois de algum tempo, o mesmo frio na barriga atingiu Eragon; preferia que a batalha começasse de uma vez. Esperar pelo ataque inimigo não lhe fazia bem. Bebeu um pouco d'água e sentou-se ao lado de Saphira.

Olhe para eles. Não estão melhor que nós. Disse Saphira. O cavaleiro observou alguns soldados remexendo a lenha escassa de uma fogueira que fizeram e outros coçavam a cabeça ou olhavam para as próprias mãos trêmulas.

Nervosismo. Eragon deu de ombros como se fosse normal. Mas ele tinha mais motivos para estar ansioso. Veria Murtagh. E quem sabe o próprio Galbatorix não saísse de sua toca e viesse enfrentá-lo. Saphira sentia sua tensão e por isso o envolveu com suas asas.

Ficaram em silêncio por alguns instantes, quando Violet se aproximava ao lado de Georhgio. Ela tinha o rosto pintado.

- Tem que entrar no clima – Ela disse apenas ao que os dois olharam para ela.

Acham que atacam ao amanhecer? Georhgio perguntou.

Provavelmente. Por que abandonaram suas posições?

- Cansamos da solidão – Disse Violet sentando-se. Eragon a olhou e sorriu. Já tinha feito defesas para ela, Arya e Nasuada. Não sabia se ela esperava que dissesse ou fizesse qualquer coisa, mas estava sem ação. Viu-a encarar o chão e sentiu os grandes olhos de George sobre ele. Fingiu não notar.

Quis se aproximar dela e dizer alguma coisa para confortá-la (estava calada demais), mas Saphira ainda o protegia.

- Eragon Matador de Espectros, esqueceu-se de mim? – Uma voz grave soou atrás deles. Eragon abriu um enorme sorriso. Levantou-se num pulo e correu para cumprimentar Orik.

- E então como está? – Perguntou o anão dando-lhe tapas nas costas. Violet levantou-se também. – Ah! Então você é a cavaleira de que tanto falam! Dragão...

Ele cumprimentou. Tirou o elmo e fez uma breve reverência.

- Orik? – Ela perguntou e sorriu.

- Nah! Vejo que minha fama já se espalhou também! – Orik riu.

- Uma honra conhecê-lo.

O mesmo por mim. George disse e lhe disseram seus nomes. Eragon e Saphira haviam comentado muito sobre o anão.

Conversaram brevemente, até que ouviram ecoar tambores. Violet e George desejaram boa sorte aos amigos. Eragon os observou sumirem, planando baixo. Xingou-se por não ter dito o que queria para a cavaleira e Saphira riu dele.

A manhã de aproximava e finos raios de sol tingiam o leste de azul claro. Era hora. As batidas dos tambores se intensificavam e as entranhas de Eragon reviravam-se. Desembainhou a espada branca e pulou para sela de Saphira.

- Uma boa batalha, Eragon – Disse Orik antes de se misturar aos outros anões.

Era hora. E flechas em chamas cortaram o ar.

N/a: Espero que tenham gostadooo!! Em breve, uma surpresa!

Beijos para Paty, Lubs, Neyoda e Dita Vader. Amo vocês.

Bia Black,

9 de Abril de 2008.