Capitulo seis – O GUERREIRO CAÍDO
- O guerreiro caído.
- OK. Manda!
- Hagrid?
- Não! – gritou os trio apavorado.
Harry lutou para levantar-se dos destroços de metal e couro que o cercavam; suas mãos afundaram em centímetros de água lamacenta quando ficou de pé. Não conseguiu entender aonde fora Voldemort, e esperava, a qualquer momento, vê-lo descer da escuridão. Alguma coisa quente e molhada escorria-lhe do queixo e da testa. Ele se arrastou para fora do laguinho e cambaleou até a grande massa escura no chão, que era Hagrid.
- Hagrid? Hagrid, fala comigo...
Mas a massa escura não se mexeu.
- Não – eles disseram de novo.
- Quem está ai? É o Potter? Você é Harry Potter?
Harry não reconheceu a voz do homem. Então uma mulher gritou:
- Eles sofreram um acidente Ted! Caíram no jardim!
- Mãe! Pai! – gritou Tonks.
- Eles estão socorrendo o Harry e o Hagrid! – disse Remo.
A cabeça de Harry estava rodando.
- Hagrid – repetiu, abobado, e seus joelhos cederam.
Gina apertou a mão de Harry. Hermione agarrou a mão de Rony.
Quando voltou a si, estava deitado de costas no que lhe pareciam almofadas com uma sensação de queimação nas costelas e no braço direito. Seu dente partido rebrotara. A cicatriz na testa latejava.
- Isso é bom ou ruim? – Neville perguntou.
- Depende – disse Harry.
- Hagrid?
Harry abriu os olhos e viu que estava deitado em um sofá, em uma sala iluminada e desconhecida. Sua mochila estava no chão a uma pequena distancia, molhada e suja de lama. Um homem louro, barrigudo, observava–o com ansiedade.
- Pai! – disse Tonks.
- Hagrid está bem, filho – disse o homem – Minha mulher está cuidando dele agora. Como está se sentindo? Mais alguma coisa quebrada? Consertei suas costelas, seu dente e braço.
- Poucas coisas – disse Rony sarcástico.
- Já tive coisas piores – disse Harry dando os ombros.
A propósito, sou Ted, Ted Tonks, pai de Dora.
- Dora! – resmungou Tonks.
Harry se sentou depressa demais: as luzes piscaram diante dos seus olhos e ele se sentiu enjoado e tonto.
- Voldemort...
- Sempre o mesmo – disse Hermione revirando os olhos.
- Tenha calma
- Isso não adianta – disse Rony.
– disse Ted Tonks, apoiando a mão no seu ombro e empurrando-o contra as almofadas. – Você acabou de sofre um acidente sério. Afinal, que aconteceu? Alguma coisa enguiçou na moto? Arthur Weasley exagerou outra vez, ele e suas geringonças de trouxas?
Os Weasley sorriram.
- Não – respondeu Harry, sentindo a cicatriz latejar como uma ferida aberta. – Comensais, monte deles... Fomos perseguidos...
- Comensais? – interrompeu-o Ted. – Você quer dizer, Comensais da Morte? Pensei que não soubessem que você ia ser transferido hoje à noite, pensei...
- Eles sabiam.
- Quem será que contou? – acusou Sirius.
Ted Tonks olhou para o teto como se pudesse ver o céu lá fora.
- Ora, então sabemos que os nossos feitiços de proteção funcionam, não? Não deveriam poder chegar a novecentos metros desse lugar em qualquer direção.
- Vai Ordem!
- Ordem!
Comemoraram os gêmeos Weasley.
Harry compreendeu, então, por que Voldemort desaparecera: tinha sido no ponto em que a moto cruzou a barreira de feitiços da Ordem. Sua esperança era que continuassem a funcionar: ele imaginou o lorde a novecentos metros de altura, enquanto conversavam, procurando um modo de penetrar o que Harry visualizou como uma imensa bola transparente.
- Não pense assim – gemeu Sirius.
- VIGILANCIA CONSTANTE! – gritou Olho-tonto.
O garoto pôs as pernas para fora do sofá; precisava ver Hagrid com seus próprios olhos para acreditar que o amigo continuava vivo. Mal se levantara, porém, a porta se abriu e Hagrid se espremeu por ela, o rosto coberto de lama e sangue, mancando um pouco, mas milagrosamente vivo.
- Harry!
- Hagrid! – trio gritou sorrindo.
Hagrid devolveu o sorriso.
Derrubando duas frágeis mesas e uma aspidistra, o gigante cobriu a distancia que os separava em dois passos e puxou o garoto para um abraço que quase partiu suas costelas recém-emendadas.
- Desculpe Harry! – disse Hagrid.
- Tudo bem!
- Caramba, Harry, como foi que você se safou? Pensei que nós dois estávamos ferrados.
- Eu também. Nem acredito...
- Você sempre escapa das coisas – disse Dino.
- Quase morrendo – resmungou Hermione.
Harry se calou: acabava de notar a mulher que entrara na sala depois de Hagrid.
- Você! – gritou ele, enfiando a mão no bolso, mas encontrou o vazio.
- Porque você está gritando com a minha mãe? – Tonks perguntou.
- Não sei!
- Sua varinha está aqui, filho – disse Ted, batendo de leve em seu braço com o objeto. – Caiu bem do seu lado, e eu a recolhi. E essa com quem você está gritando é minha mulher.
- Ah, me... me desculpe.
Quando a bruxa se adiantou, a semelhança da Srª Tonks com a irmã, Belatriz, se tornou menos acentuada: o castanho dos seus cabelos era suave e claro, e seus olhos maiores e mais bondosos. Contudo, ela pareceu um pouco arrogante ao ouvir a exclamação de Harry.
- Ah, minha mãe odeia que a comparem com a irmã – disse Tonks entendendo – mas a uma semelhança, não a como negar.
- Você é minha prima? – Draco perguntou incrédulo.
- Eu mesma. Tonks. Filha de Andrômeda Black Tonks. A traidora da família.
Draco ainda não acreditava que uma prima sua, poderia ser membro de uma sociedade secreta contra o Lord das Trevas.
- Que aconteceu com nossa filha? – perguntou ela. – Hagrid me contou que vocês foram vitimas de uma emboscada; onde está Ninfadora?
Tonks fez uma careta.
- Não sei – respondeu Harry. – Não sabemos o que aconteceu com mais ninguém.
O salão prendeu a respiração. Nervosos. Mesmo os Sonserinos.
A bruxa e o marido se entreolharam. Uma mescla de medo e culpa se apoderou de Harry ao ver as expressões em seus rostos; se algum dos outros tivesse morrido, ele seria o culpado, o único culpado. Consentira que executassem o plano, dera-lhes fios de cabelo...
- Deixa de ser um nobre idiota uma vez na vida. Não é culpa sua – disse Gina irritada.
- É mais forte que eu – resmungou Harry.
- A chave de portal – lembrou-se ele, subitamente – Temos que voltar À Toca e descobrir... Podemos, então mandar avisá-los ou... Ou Tonks virá avisar se...
- Dora ficará bem, Drômeda – tranqüilizou Ted. – Ela conhece o oficio, já esteve em muitas situações críticas com os aurores.
Tonks sorriu orgulhosa.
A Chave de Portal é por aqui – acrescentou ele para Harry. – Deve partir em três minutos, se quiserem pegá-la.
- Queremos. – Harry apanhou a mochila, atirou-a sobre os ombros. – Eu...
Olhou, então, para a Srª Tonks, querendo se desculpar pelo modo que lhe infundira e por tudo por que se sentia profundamente responsável, mas não lhe ocorreram palavras que não parecessem vazias e insinceras.
- Idiota. Nobre – resmungou Gina.
- A culpa não é sua Harry. Sabemos exatamente onde estamos nos metendo e queremos estar junto de você – disse Hermione.
- Faça as palavras da Hermione as minhas – disse Rony.
Harry sorriu para os amigos.
- Direi a Tonks... Dora... para avisar, quando ela... obrigado pelos consertos, obrigado por tudo. Eu...
Harry ficou satisfeito de sair da sala e acompanhar Ted Tonks por um pequeno corredor que dava acesso a um quarto. Hagrid acompanhou-os, abaixando-se bem para evitar bater a cabeça na moldura superior da porta.
- Ai está, filho. A Chave de Portal.
O Sr. Tonks apontava para uma pequena escova de cabelos com o cabo de prata que se encontrava em cima da penteadeira.
- Obrigado – disse Harry, esticando-se para colocar um dedo no objeto, pronto para partir.
- Espere um instante – disse Hagrid, olhando para os lados. – Harry, cadê Edwiges?
- Ela... ela foi atingida.
Harry abaixou os olhos pela coruja.
A percepção da realidade desabou sobre ele: sentiu-se envergonhado, as lágrimas queimaram seus olhos. A coruja sempre fora sua companheira, sua única e importante ligação com o mundo da magia, sempre que se via obrigado a retornar à casa dos Dursley.
- AH! – disseram as meninas.
Harry corou.
Os meninos riram.
Hagrid estendeu a enorme mão e deu-lhe uma dolorosa palmada nas costas.
- Não fique assim – disse, rouco. – Não fique assim. Ela teve uma vida boa e longa.
- Hagrid – exclamou Ted, alertando-o quando a escova se iluminou com uma forte luz azul, e Hagrid só teve tempo para encostar o dedo nela.
- E lá vamos nós – disse Harry ansioso.
Sentindo um puxão por dentro do umbigo como se um anzol invisível o arrastasse para a frente, Harry foi sugado para o vazio, e rodopiou inerte, o dedo preso na Chave de Portal, enquanto ele e Hagrid eram arremessados para longe da casa do Sr. Tonks. Segundos depois, os seus pés bateram em solo firme e ele caiu de quatro no quintal da Toca. Ouviu gritos. Atirando para um lado a escova que já não reluzia, Harry se ergueu, um pouco tonto, e viu a Srª Weasley e Gina descerem correndo a escada da entrada dos fundos enquanto Hagrid, que também desmontara à chegada, levantava-se com dificuldade do chão.
- Harry? Você é o Harry verdadeiro? Onde estão os outros? – exclamou a Srª Weasley
- Como assim? Ninguém mais voltou? – Gina perguntou.
- Como assim? Ninguém mais voltou? – ofegou Harry.
Harry e Gina coraram.
A resposta estava claramente estampada no rosto pálido da Srª Weasley.
- Os Comensais da Morte estavam a nossa espera – contou-lhe Harry. – Fomos cercados no instante em que levantamos vôo... eles sabiam que era hoje... não sei o que aconteceu com os outros. Quatro Comensais vieram atrás de nós, só pudemos escapar, então Voldemort nos alcançou...
Ele percebia o tom de autojustificação em sua voz, a súplica para que ela compreendesse por que ele não sabia o que tinha acontecido com os seus filhos, mas...
Gina e Hermione lhe deram um tapa na cabeça.
- Graças aos céus vocês estão bem – disse ela, puxando-o para um abraço que ele não achava merecer.
- É claro que você merece – disse Hermione.
- Você não teria conhaque aí, teria, Molly? – perguntou Hagrid um pouco abalado. – Para fins medicinais?
- Claro, simples fins medicinais – disse Fred sorrindo.
- Medicinais – disse Jorge rindo.
Hagrid corou.
A Srtª poderia ter conjurado a bebida usando magia, mas quando entrou, apressada, na casa torta, Harry percebeu que ela queria esconder o rosto. Virou, então, para Gina que respondeu imediatamente seu pedido mudo de informação.
- Rony e Tonks deviam ter voltado primeiro, mas perderam a hora da chave de portal, que chegou sem eles
Hermione agarrou a mão de Rony. Remo agarrou a mão de Tonks.
– disse ela, apontando para uma lata de óleo enferrujada ali perto do chão – E aquela outra – Gina apontou para um velho tênis de escola – era a de papai e Fred, que devia ser os segundos.
Os Weasley ficaram pálidos. Harry e Hermione também.
Você e Hagrid eram os terceiros e – consultando o relógio – se conseguirem, Jorge e Lupin devem chegar no próximo minuto.
- Por favor, consigam – implorou Sirius.
A Srª Weasley reapareceu trazendo uma garrafa de conhaque que entregou a Hagrid. O gigante desenrolou-a e tomou a bebida de um gole.
- Mamãe! – gritou Gina, apontando para um lugar a vários passos de distancia.
- Sim!
Uma luz azul brilhou na escuridão: foi crescendo e se intensificou, Lupin e Jorge apareceram aos rodopios e, em seguida, caíram no chão. Harry percebeu imediatamente que havia alguma coisa errada:
- O que? – Fred perguntou pálido.
Lupin vinha carregando Jorge, que estava inconsciente e tinha o rosto ensangüentado.
Os Weasley engasgaram e se juntaram ao irmão, que estava sem cor nenhuma.
Harry e Hermione olharam para eles. Hermione com lágrimas nos olhos.
Harry correu para os dois e segurou as pernas do rapaz. Juntos, ele e Lupin carregaram Jorge para dentro da casa, e da cozinha para a sala de visitas, onde o deitaram no sofá. Quando a luz do candeeiro iluminou a cabeça dele, Gina prendeu a respiração e o estomago de Harry revirou: Jorge perdera uma das orelhas.
Os Weasley estavam quase da cor de fantasmas e estavam todos ao lado do irmão, que não estava melhor.
O salão silenciou por alguns minutos em nome da família.
O lado de sua cabeça e o pescoço estavam empapados de sangue espantosamente vermelho.
Todos estremeceram.
Nem bem a Srª Weasley se curvou para o filho, Lupin segurou Harry pelo braço e arrastou-o, sem muita gentileza, de volta à cozinha, onde Hagrid continuava tentando passar o corpanzil pela porta dos fundos.
- O que está fazendo? – Gina perguntou.
- Acho que tentando verificar se ele é o Harry certo – disse Remo.
- Ei! – exclamou Hagrid indignado – Solte ele! Solte o braço de Harry!
Lupin não lhe deu atenção.
- Isso é ótimo – Hagrid resmungou.
- Que criatura estava em um canto na primeira vez que Harry Potter visitou o meu escritório em Hogwarts? – perguntou ele, dando uma sacudidela no garoto – responda!
- Um grindylow em um tanque? – chutou Harry.
- Um... um grindylow em um tanque, não era?
- Isso mesmo – disse Remo.
Lupin soltou Harry e recuou de encontro ao armário da cozinha.
- Que foi isso? – rugiu Hagrid.
- Desculpe, Harry, mas eu precisava verificar
- Tudo bem – disse Harry.
- VIGILANCIA CONSTANTE! – gritou Olho-tonto.
– disse Lupin tenso – Fomos traídos. Voldemort sabia que íamos transferir você hoje à noite, e as únicas pessoas que poderiam ter-lhe contado estavam participando diretamente do plano. Você poderia ser um impostor.
- Isso mesmo. Temos que ser cautelosos – disse Hermione.
- Então, por que não está me testando? – arquejou Hagrid, ainda lutando para passar pela porta.
- Você é meio gigante. A poção polissuco só foi concebida para uso humano – disse Hermione.
- Você é meio gigante – respondeu Lupin, erguendo os olhos para Hagrid. – A Poção Polissuco foi concebida apenas para uso humano.
- Uma mini Aluada! – disse Sirius rindo.
Hermione corou.
- Ninguém da Ordem contou a Voldemort que ia ser hoje – disse Harry: achava a idéia medonha demais para atribuí-la a qualquer deles.
- Você é igual ao seu pai – disse Sirius – acharia uma desonra desconfiar dos amigos.
Harry entendeu que era de Pettegrew que ele falava.
– Voldemort só me alcançou quase no fim, não sabia qual era o Harry. Se tivesse por dentro do plano, teria sabido desde o inicio que eu estava com Hagrid.
- Voldemort os alcançou? – perguntou Lupin bruscamente. – Que aconteceu? Como foi que você escapou?
- Harry sempre escapa – disse Rony.
Harry explicou brevemente que os Comensais da Morte que vieram em seu alcanço pareceram reconhecer que ele era o verdadeiro. Depois, abandonaram a perseguição e foram avisar Voldemort, que apareceu pouco antes de ele e Hagrid chegarem ao santuário da casa dos pais de Tonks.
- Eles reconheceram você? Mas como? Que foi que você fez?
- Porque eu sempre tenho que fazer alguma coisa? – Harry perguntou irritado.
- Eu... – Harry tentou lembrar-se; a viajem toda parecia-lhe um borrão de pânico e confusão. – Eu vi Lalau Shunpike... sabe o condutor do Nôitibus? E tentei desarmá-lo em vez de... bem, ele não sabe o que faz, não é? Deve estar sobre o efeito de uma Maldição Imperius.
Lupin se horrorizou.
- Oh meu Deus! – disse Sirius revirando os olhos.
- Harry, o tempo de desarmar alguém já acabou!
- Nada a ver – retrucou Harry.
Essa gente está tentando capturar você para matá-lo! Pelo menos estupore, se não está preparado para matar!
Todos olharam para Remo horrorizados.
Ele corou.
- Eu ainda não disse isso – disse Remo – mas, se estamos em um tempo de guerra, ou matamos ou somos mortos. Foi assim na ultima...
- Estávamos à grande altitude! Lalau não estava normal, e se fosse estuporado teria caído e morrido como seu eu tivesse usado o Avada Kedavra! O Expelliarmus me salvou de Voldemort dois anos atrás – acrescentou Harry, em tom de desafio.
- Baixo o Tiago e a Lílian nele – bufou Sirius.
Lupin estava lhe lembrando o Zacarias Smith da Lufa-Lufa, que debochava de Harry por ter querido ensinar a Armada de Dumbledore a desarmar.
- Armada de Dumbledore? – Fudge perguntou desconfiado.
Ninguém respondeu, embora Harry tenha observado os alunos que ele "ensinava" pra ver se falariam alguma coisa.
- É verdade Harry – disse Lupin, contendo-se a custo. – E um grande numero de Comensais da Morte presenciaram o acontecido.
- Ham – resmungou Harry.
Perdoe-me, mas foi uma tática muito insólita para alguém usar sob eminente risco de vida.
- Eu sempre estou sobre risco de vida!
Repeti-la hoje à noite, diante de Comensais da Morte, que ou presenciaram ou ouviram contar sobre aquela primeira ocasião, foi quase estúpido!
- Obrigado! – disse Harry sarcástico.
- Lupin tem razão Harry – disse Hermione – eles viram você o usar contra Voldemort – alunos tremeram – e agora acham que esse feitiço tem a sua "assinatura"!
- Então você acha que eu devia ter matado Lalau Shunpike? – indagou Harry enraivecido.
- Não – disse Remo firmemente.
- Claro que não, mas os Comensais, e francamente a maior parte das pessoas, esperariam que você contra-atacasse.
- Ele não é um comensal de verdade – defendeu Harry – quando eu apanhei o Noitibus ele não parecia nem um pouco com um seguidor de Voldemort!
Expelliarmus é um feitiço útil, Harry, mas os Comensais da Morte começam a achar que tem a sua assinatura, e insisto que você não deixe isso se confirmar.
- Viu! – disse Hermione.
Lupin estava fazendo Harry se sentir idiota, contudo, ainda restava no garoto, certa vontade de desafiar.
- Olha de quem ele é filho – bufou Remo.
- Não vou eliminar as pessoas só porque estão no meu caminho. Esse é o oficio de Voldemort.
- Uou! – disse Neville.
O salão olhava admirado para Harry. Que estava corado.
- Dá-lhe Harry – disseram os gêmeos.
A resposta de Lupin se perdeu.
- Bem, qualquer um ficaria assim com uma frase dessa – observou Minerva.
Tendo finalmente conseguido se espremer pela porta, Hagrid cambaleou até uma cadeira, que desabou sob seu peso. Sem dar atenção aos seus xingamentos e pedidos de desculpas, Harry tornou a se dirigir a Lupin.
- Jorge vai ficar bom?
Toda a frustração de Lupin com reação a Harry pareceu se esgotar ao ouvir a pergunta.
- Você é muito caducão Remo – disse Sirius.
- Acho que sim, embora não haja possibilidade de se recompor a orelha, não quando foi decepada com um feitiço.
A boca de Jorge tremeu.
Ouviram passos do lado de fora. Lupin precipitou-se para a porta; Harry pulou por cima das pernas de Hagrid e correu para o quintal.
Hagrid corou.
Dois vultos tinham se materializado ali, e ao correu ao seu encontro, Harry percebeu quem eram Hermione,
Rony soltou um suspiro baixo.
agora retomando sua aparência normal, e Kingsley, ambos agarrados a um cabide de casacos amassado. Hermione atirou-se nos braços de Harry, mas Kingsley não demonstrou prazer algum em vê-los.
- Muito obrigado – disse Harry secamente.
Pro cima do ombro de Hermione, Harry o viu erguer a varinha e apontá-la para o peito de Lupin.
- Quais foram as ultimas palavras de Alvo Dumbledore para nós dois?
- "Harry é a melhor esperança que temos. Confie nele" – respondeu Lupin calmamente
- Professor! – exclamou Harry corado.
- E eu confirmo as minhas palavras Harry!
Kingsley apontou a varinha para Harry, mas Lupin disse:
- É ele mesmo, já verifiquei.
- Desconfiados – murmurou Rony.
- Tudo bem, tudo bem! – concluiu Kingsley, guardando a varinha sob a capa. – Mas alguém nos traiu! Eles sabiam, sabiam que era hoje à noite.
- Sério? – disse Draco sarcástico, mas se calou ao receber um olhar de Astoria Greengrass.
- É o que parece – replicou Lupin -, mas aparentemente não sabiam que haveria sete Harrys.
- Grande consolo.
Eles riram.
– rosnou Kingsley – Quem mais voltou?
- Quase ninguém – gemeu Gina.
- Só Harry, Hagrid, Jorge e eu.
- Isso ai!
Hermione abafou um gemido com a mão.
A Hermione dali fez a mesma coisa.
- Que aconteceu com vocês? – Lupin perguntou a Kingsley
- Fui seguido por cinco, feri dois, talvez tenha matado um – enumerou o auror – E vimos você-sabe-quem, ele se juntou aos Comensais mais ou menos no meio da perseguição, mas desapareceu em seguida. Remo, ele é capaz de...
- Voar? – Harry perguntou.
- Voar – completou Harry – Eu o vi também, veio atrás de mim e Hagrid.
- Então foi por isso que sumiu: para seguir você
- Isso me consolou!
– concluiu Kingsley – Não consegui entender por que tinha desistido. Mas o que o levou a mudar e alvo?
- Harry foi bondoso de mais com Lalau Shunpike – disse Lupin
- Lalau? – repetiu Hermione – Pensei que ele estivesse em Azkaban, não?
- Azkaban? – Sirius murmurou pálido.
Harry colocou a mão no ombro do padrinho.
Kingsley deu uma risadinha sem graça.
- Obviamente, Hermione, houve uma fuga em massa que o Ministério abafou.
- Claro – disse Fred revirando os olhos.
O capuz de Travers
- Travers – murmurou Fudge.
caiu quando eu o amaldiçoei, ele devia estar preso também.
- Isso não é uma novidade. Muitos comensais que deveriam estar presos não estão – bufou Angelina.
Mas que aconteceu com você, Remo? Onde está Jorge?
- Perdeu uma orelha – informou Remo
- Tato – disse Tonks.
- Perdeu uma...? – repetiu Hermione com a voz esganiçada.
Dino empacou. Leu e releu a frase para depois ler:
- Obra de Snape.
- O QUE? – gritaram os Weasley, Harry, Hermione e a ordem apontando a varinha para ele.
Snape estava pálido.
- Severo! – disse Minerva.
- Senhores – pediu Dumbledore – esses livros são do futuro. Acalmem-se!
- Como se esse imbecil gorduroso arrancou a orelha do meu irmão? – gritou Fred.
- Senhor Weasley – disse Minerva, os lábios brancos – acredito que esteja com muita raiva e furioso, mas acho que devemos voltar a ler. Senhor Tomas.
- Snape? – gritou Harry – Você não disse...
- Ele perdeu o capuz durante a perseguição.
- Deveria trabalhar melhor – disse a professora Sprout secamente.
O sectumsempra sempre foi uma especialidade de Snape.
Snape empalideceu.
Eu gostaria de poder dizer que lhe paguei na mesma moeda, mas pude apenas manter Jorge montado na vassoura depois que foi ferido, estava perdendo muito sangue.
- Obrigado – disse Gina deitando a cabeça no ombro de Harry.
O silencio se abateu sobre os quatro ao erguerem os olhos para o céu. Não havia sinal de movimento; as estrelas retribuíram seu olhar, sem piscar, indiferentes, sem sombra de amigos em vôo. Onde estava Rony? Onde estavam Fred e o Sr. Weasley? Onde estavam Gui, Fleur, Tonks, Olho-tonto e Mundungo?
- Rápido, alguém chega – implorou Hermione.
- Harry, me ajuda aqui! – chamou Hagrid, rouco, da porta na qual tornara a se entalar.
Hagrid corou e a Grifinória sorriu.
Feliz de ter o que fazer, Harry empurrou-o e depois atravessou a cozinha para voltar à sala de visitas, onde a Srª Weasley e Gina ainda cuidavam de Jorge. A Srª Weasley estancara a hemorragia e, à luz do candeeiro, Harry viu um buraco aberto onde antes havia uma orelha.
As meninas enjoaram. Os Weasley empalideceram.
- Como está ele?
A Srª Weasley virou-se para responder:
- Não posso recompor uma orelha que foi decepada por Artes das Trevas. Mas poderia ter sido muito pior... ele está vivo.
- Ainda bem! – disse Tonks.
- Graças a Deus – disse Harry
- Ouvi a voz de mais alguém no quintal? – perguntou Gina
- Hermione e Kingsley.
- Felizmente – sussurrou Gina
Os dois se entreolharam; Harry teve vontade de abraçá-la, não largá-la nunca mais;
- Como assim? – Jorge perguntou levantando uma sobrancelha.
Harry e Gina estavam muito corados.
nem se importava que a Srª Weasley estivesse presente, mas, antes que pudesse dar razão a esse impulso, ouviram um grande estrondo na cozinha.
- Ainda bem! – gritou Ana Abbot.
- Vou provar quem sou, Kingsley, depois que vir o meu filho, agora saia da frente se sabe o que é bom para você!
Os Weasley se entreolharam. E Harry e Hermione olharam espantados. Nunca tinham ouvido Arthur falar assim.
- Papai! – suspirou Gina.
Harry nunca ouvira o Sr. Weasley gritar assim.
- Ninguém nunca viu – disse Sirius.
O bruxo irrompeu na sala, a careca brilhando de suor, os óculos tortos, Fred em seus calcanhares, os dois pálidos e ilesos.
- Ufa – disseram eles.
(Sempre que eu fizer eles significa, os Weasley, Harry, Hermione e os membros da Ordem. Se tiver mais alguém eu falo)
- Arthur! – soluçou a Srª Weasley. – Graças aos céus!
- Como é que ele está?
O Sr. Weasley ajoelhou-se ao lado de Jorge. Pela primeira vez desde que Harry o conhecia, Fred parecia não saber o que dizer.
- Eu devo estar chocado – murmurou Fred.
De pé, atrás do sofá, olhava boquiaberto para o ferimento do irmão gêmeo como se não conseguisse acreditar no que via.
- E ainda não acredito – disse Fred.
Despertado talvez pelo barulho da chegada de Fred e do pai, Jorge se mexeu.
- Como está se sentindo, Jorginho? – sussurrou a Srª Weasley.
Jorge fez uma careta pro apelido.
O rapaz levou os dedos ao lado da cabeça.
- Mouco – murmurou.
- Que é que ele tem? – perguntou Fred lugubremente, com um ar aterrorizado. – A perda afetou o cérebro dele?
- Acho que não é a melhor hora pra fazer piada – disse Gina nervosa.
- Temos que acalmar a mamãe! – disse Fred.
- Mouco – repetiu Jorge, abrindo os olhos e erguendo-se para o irmão – Entende... Surdo e oco, Fred, sacou?
A Srª Weasley soluçou mais forte que nunca. A cor inundou rosto pálido de Fred.
- Patético – respondeu Fred ao irmão – Patético! Com um mundo de piadas sobre ouvidos para escolher, você me sai com "mouco"?
O salão riu secamente.
- Ah, bem – disse Jorge, sorrindo para a mãe debulhada em lágrimas – Agora você vai poder distinguir quem é quem, mamãe.
- Ah nossa piada! – eles gemeram.
Ele olhou para os lados.
- Oi Harry... você é o Harry, certo?
- Sou – respondeu Harry se aproximando do sofá.
- Bom, pelo menos você voltou inteiro – comentou Jorge – Porque Rony e Gui não estão rodeando meu leito de enfermo?
- Ainda não voltaram Jorge – disse a Srª Weasley. O sorriso de Jorge desapareceu. Harry olhou para Gina e fez sinal para que o acompanhasse ao quintal.
Os irmãos Weasley olharam para Harry.
Ao passarem pela cozinha, a garota comentou em voz baixa:
- Rony e Tonks já deviam ter voltado. A viajem não era demorada; a casa de tia Muriel não é tão longe daqui.
Harry não respondeu. Desde que chegara Á Toca tinha procurado afastar o medo, mas agora o sentimento o envolveu, pareceu deslizar por sua pele, vibrar em seu peito, obstruir sua garganta. Quando desceram os degraus para o quintal escuro, Gina segurou a sua mão.
Eles coraram sobre o sorriso de Hermione.
Kingsley estava dando grandes passadas para lá e para cá, olhando para o céu cada vez que completava uma volta.
- Acho que isso iria me deixar ainda mais nervoso – comentou Simas.
Harry se lembrou do tio Válter fazendo o mesmo na sala de estar, há milhões de anos. Hagrid, Hermione e Lupin se achavam parados, ombro a ombro, contemplando o céu em silêncio. Nenhum deles se virou quando Harry e Gina se uniram à sua muda vigília.
Os minutos se prolongaram como se fossem anos. O mais leve sopro de vento os sobressaltava e os fazia virar para o arbusto ou árvore que farfalhava, na esperança de que algum membro da Ordem, ainda ausente, saltasse ileso da folhagem...
Então uma vassoura se materializou diretamente sobre eles, e como um raio, foi em direção ao chão...
- São eles! – gritou Hermione
Hermione abraçou Rony fortemente. Tonks abraçou Remo.
Tonks fez uma longa derrapagem que levantou terra e pedras para todo lado.
- Remo! – gritou ela ao descer entorpecida da vassoura para os braços de Lupin.
- Ah, que fofo! – disse Sirius numa voz de mulherzinha.
O rosto do marido estava sério e pálido: parecia incapaz de falar. Rony desmontou tonto e saiu aos tropeços ao encontro de Harry e Hermione.
- Você está bem – murmurou ele, antes de Hermione se precipitar para ele abraçá-lo com força.
Eles coraram.
- Pensei... Pensei...
- Tô inteiro – disse Rony, dando-lhe palmadinhas nas costas – Tô inteiro.
- Rony foi o máximo – comentou Tonks calorosamente, soltando Lupin – Fantástico. Estuporou um dos Comensais da Morte direto na cabeça, e olha que quando se está mirando um alvo montado em uma vassoura...
- Você fez isso? – Hermione perguntou orgulhosa.
- Acho que fiz – Rony disse.
- Você fez isso? – perguntou Hermione, olhando Rony ainda com os braços em seu pescoço.
- Sempre o tom de surpresa – disse o garoto se desvencilhando, rabugento – Somos os últimos a chegar?
- Não – disse Kingsley.
- Não – disse Gina -, ainda estamos esperando Gui e Fleur e Olho-tonto e Mundungo. Vou avisar mamãe e papai de que você está bem, Rony...
Ela correu para dentro de casa.
- Então, qual foi a razão do atraso? Que aconteceu? – Lupin perugntou a Tonks quase zangado
- Porque você está zangado? – Tonks perguntou.
- Eu não sei!
- Belatriz
Sirius rosnou.
– respondeu ela. – Me quer tanto quanto quer o Harry, Remo, fez de tudo para me matar.
Tonks e Remo rosnaram.
Eu gostaria de tê-la acertado, fiquei devendo. Mas definitivamente ferimos Rodolfo...
Eles comemoraram.
então chegamos à casa da tia de Rony, Muriel, onde perdemos a nossa Chave de Portal, ela ficou nos paparicando...
Os Weasley rosnaram.
Um músculo tremia no queixo de Lupin, ele assentiu, mas parecia incapaz de dizer qualquer outra coisa.
- E que aconteceu com vocês? – perguntou Tonks, virando-se para Harry, Hermione e Kingsley.
Eles contaram o que acontecera em suas jornadas, mas todo o tempo a ausência continua de Gui, Fleur, Olho-tonto e Mundungo parecia recobri-los como gelo, a frialdade a cada momento mais difícil de ignorar.
- Ainda não sabemos o porquê do titulo – disse Colin.
- Vou ter que voltar à residência do primeiro-ministro. Já devia ter chegado lá há uma hora – disse Kingsley por fim, após esquadrinhas o céu uma ultima vez – Avisem quando eles chegarem.
Lupin assentiu. Com um aceno para os demais, Kingsley se afastou no escuro em direção ao portão. Harry pensou ter ouvido um levíssimo estalido quando Kingsley desaparatou pouco além do perímetro da Toca.
O Sr. e a Srª Weasley desceram correndo os degraus dos fundos, seguidos por Gina, e abraçaram Rony antes de falarem com Lupin e Tonks.
- Obrigado – disse a Srª Weasley -, pelos nossos filhos.
- Não seja boba – disse Tonks.
- Não seja boba Molly – protestou Tonks na mesma hora.
Tonks ficou vermelha, literalmente.
Eles riram.
- Como está Jorge? – perguntou Lupin.
- Que aconteceu com ele? – esganiçou-se Rony.
- Acho que ainda não me contaram!
O final da frase da Srª Weasley, porém, foi abafada por uma gritaria geral: um testrálio acabara de surgir no céu e aterrissar a pouca distancia do grupo. Gui e Fleur desceram do animal, descabelados pelo vento, mas ilesos.
- Ainda bem – suspirou Gina, mas aliviada.
- Gui! Graças a Deus, graças a Deus...
A Srª Weasley se adiantou para o casal, mas o abraço que Gui lhe concedeu foi superficial. Olhando diretamente para o pai, comunicou:
A voz de Dino tremeu.
- Olho-tonto morreu.
- Não – disse Tonks tremendo. Ele foi seu professor, ele que a ensinou tudo sobre ser auror...
Remo a abraçou.
As meninas ganharam lágrimas nos olhos.
Olho-tonto parecia indiferente.
Ninguém falou, ninguém se mexeu. Harry sentiu que alguma coisa dentro dele estava caindo, atravessando a terra, deixando-o para sempre.
- Vimos acontecer – continuou Gui; Fleur confirmou com a cabeça, lágrimas brilhantes escorrendo por suas faces à claridade da janela da cozinha – Foi logo depois que rompemos o cerco: Olho-tonto e Dunga estavam perto de nós, rumado também para o norte. Voldemort, que é capaz de voar, partiu direto para cima deles. Dunga entrou em pânico, ouviu-o gritar, Olho-tonto tentou fazê-lo parar, mas ele desaparatou. A maldição de Voldemort atingiu Olho-tonto em cheio no rosto, ele caiu da vassoura e... nada pudemos fazer, nada, havia meia dúzia deles nos perseguindo...
A voz de Gui quebrou.
- Maldito Mundungo – rosnou Remo.
- Ele ainda vai pagar – disse Sirius.
- Claro que você não podia ter feito nada – disse Lupin.
- Infelizmente não – disse Tonks.
Todos pararam, se entreolhando. Harry não conseguia absorver. Olho-tonto morto; não podia ser... Olho-tonto tão resistente, tão corajoso, um perfeito sobrevivente...
- Obrigado Potter – ele disse surpreendo a todos.
Por fim, as pessoas começaram a compreender, embora ninguém falasse e, em silencio, eles acompanharam o Sr. e a Srª Weasley de volta à casa e à sala de visitas, onde Fred e Jorge riam juntos.
- Que aconteceu? – perguntou Fred, vendo os rostos das pessoas à medida que entravam – que aconteceu? Quem...?
- Olhou-tonto – disse o Sr. Weasley – morto.
As risadas dos gêmeos se transformaram em caretas de sobressalto.
- Aposto que ficamos parados estáticos – comentou Jorge.
Ninguém sabia o que fazer. Tonks chorava silenciosamente, levando o lenço ao rosto: Harry sabia que ela fora muito chegada à Olho-tonto, sua aluna favorita e protegida no Ministério da Magia.
Tonks sorriu para Olho-tonto.
Hagrid, que se sentara no chão, a um canto mais espaçoso, enxugava os olhos com um lenço do tamanho de uma toalha de mesa.
Hagrid corou.
Gui foi ao aparador e apanhou uma garrafa de uísque de fogo e alguns copos.
- Que vamos fazer? – Rony perguntou.
- Peguem – disse ele, e com um aceno de varinha, lançou no ar doze copos cheios, um para cada pessoa, mantendo o décimo terceiro no ar – A Olho-tonto!
- A Olho-tono – disseram todos, e beberam
- A Olho-tonto – secundou Hagrid, atrasado com um soluço.
- A Olho-tonto – disse o salão, até os Sonserinos.
O uísque de fogo queimou a garganta de Harry: deu a impressão de instilar sentimento, dissipar a insensibilidade e a sensação de irrealidade, despertar nele algo semelhante à coragem.
- Esse é o efeito – confirmou Sirius – embora se você beber demais não seja muito bom no outro dia!
O salão riu.
- Experiência própria Sirius? – Remo perguntou rindo.
- E como – disse Sirius.
- Então Mundungo desapareceu? – disse Lupin, que bebera todo o uísque de um gole.
- E você em Aluado? Tá pegando experiência – disse Sirius levantando as sobrancelhas.
Houve uma mudança instantânea na atmosfera. Todos pareceram se tencionar e observar Lupin, dando a Harry a impressão que desejavam que ele continuasse a falar e, ao mesmo tempo, receavam o que poderiam ouvir.
- Sei o que está pensando – disse Gui -, e me ocorreu o mesmo pensamento quando estava voltando para cá, porque eles pareciam estar nos esperando, não é? Mas Mundungo não poderia ter nos traído. Eles não sabiam que haveria sete Harrys, isto os confundiu no instante em que aparecemos, e, caso tenham esquecido, foi Mundungo que sugeriu esse pequeno ardil. Por que omitiria esse ponto essencial para os Comensais? Acho que Dunga entrou em pânico, foi só.
- Qualquer um entraria em pânico na frente de você-sabe-quem – disse Lilá.
- Não a ponto de fugir e deixar um amigo seu morrer – disse Hermione friamente.
Primeiro não queria ir, mas Olho-tonto o obrigou, e você-sabe-quem investiu direto contra os dois: isto é suficiente para fazer qualquer um entrar em pânico.
- Exatamente – disse Rony – entrar em pânico é uma coisa abandonar um amigo é outra coisa.
- Você-sabe-quem agiu exatamente como Olho-tonto previu – disse Tonks, fungando – Olho-tonto disse que ele calcularia que o verdadeiro Harry estaria com os aurores mais fortes e capazes. Perseguiu, primeiro, Olho-tonto, e, quando Mundungo os denunciou, virou-se para Kingsley...
- É, tude stá muite bem – retrucou Fleur - , mês inde nam exxplique como sabiem qu´iamos trransferrir Arry hoje à noite. Alguém foi descuidade. Alguém deixou scapar a date prra um strranhe. É a unique explicaçon prra eles conhecerrem a data mas nam o plane tode.
- E quem será que fez isso? – perguntou Sirius acusando Snape.
Ela olhou séria para todos, os filetes de lágrimas ainda visíveis em seu belo rosto, desafiando silenciosamente que alguém a contradissesse. Ninguém o fez. O única som a romper o silêncio foi a tosse de Hagrid, abafada por seu lenço. Harry olhou para o gigante, que acabara de arriscar a vida para salvá-lo – Hagrid a quem ele amava, em quem confiava, que no passado tinha caído em uma esparrela e dado a Voldemort uma informação critica em troca de um ovo de dragão...
- Que ovo de dragão? – Fred perguntou sorrindo.
- Nada – disse o trio.
- Não – disse Harry em voz alta, e todos olharam para ele surpresos: o uísque de fofo aparentemente amplificara sua voz – Quero dizer... se alguém errou – continuou Harry – e deixou escapar alguma coisa, sei que não errou por mal. Não é culpa dele – repetiu outra vez, um pouco mais alto do que teria normalmente falado – Temos que confiar uns nos outros. Eu confio em todos vocês, acho que nenhum dos presentes nesta sala e venderia a Voldemort.
- Você é tão doce Harry – disse Gina.
Ele corou.
- Quero dizer, mesmo sobre isso de que alguém claramente lhe traiu, você ainda acha que nenhum deles tenha feito isso – ela continuou.
- Isso porque eu tenho certeza que nenhum deles faria isso – disse Harry.
Às suas palavras, seguiu-se mais silêncio. Todos olhavam para ele; Harry sentiu-se um pouco mais acalorado e bebeu um pouco mais de uísque de fogo para se ocupar. Ao beber, pensou em Olho-tonto. O auror sempre ironizara a disposição de Dumbledore para confiar nas pessoas.
O salão sorriu.
- Muito bem falado, Harry – disse Fred, inesperadamente.
- Isso mesmo! – disse Fred.
- É, apoiado, apoiado – emendou Jorge, com um meio relance para Fred, cujo canto da boca tremeu. Lupin tinha uma estranha expressão no rosto quando olhou para Harry: beirava a piedade.
- Você tem o que na cabeça Aluado? – perguntou Sirius.
- Acha que sou tolo? – perguntou-lhe Harry
- Não, acho que você é igual ao Tiago – respondeu Lupin -, que teria considerado a maior desonra desconfiar dos amigos.
- Claro! Se eles são meus amigos eu não posso ficar desconfiando deles!
Harry sabia a que Lupin estava se referindo: que seu pai fora traído pelo amigo Pedro Pettigrew.
- Nem me fale – cuspiu Rony.
Sentiu-se irracionalmente irritado.
- Saiam daí imediatamente! Explosão Potter – disse Jorge.
Queria discutir, mas Lupin lhe deu as costas,
- Muito obrigado!
descansou o copo em uma mesinha lateral e se dirigiu a Gui.
- Temos trabalho a fazer. Posso perguntar a Kingsley se...
- Não – Gui o interrompeu – Eu farei, eu farei.
- Aonde estão indo? – perguntaram Tonks e Fleur ao mesmo tempo.
- Cuidando dos seus homens – disse Sirius sorrindo malicioso.
- O corpo de Olho-tonto – explicou Lupin – Precisamos resgatá-lo.
- Não podem... – começou a Srª Weasley, lançando um olhar suplicante a Gui.
- Esperar? – perguntou Gui – Não, a não ser que a senhora prefira que os Comensais da Morte o levem.
- Nunca – murmurou Hermione.
Todos se calaram. Lupin e Gui se despediram e saíram.
Tonks agarrou a mão de Remo.
Os que tinham ficado agora se sentaram, todos exceto Harry, que continuou em pé.
- Por quê? – Justino perguntou.
A repentinidade e completude da morte dominava a atmosfera da ala como uma presença.
- Eu tenho que ir também – anunciou Harry
- Não – disseram seus amigos.
- Seu idiota, você tem que ficar ali – disse Gina irritada.
- Mas se eu fica ali, todos vão correr perigo!
- Já corremos perigo de qualquer jeito – disse Hermione – eu sou nascida trouxa, eles são Weasleys e o pessoal é da Ordem!
- Isso só vai fazer vocês correrem ainda mais perigo – argumentou Harry.
- Se ele vier pra matar qualquer um de nós, não vai haver nada pra impedir – disse Rony.
- E nós não vamos te abandonar – disse Neville.
- E se você sair dali, eu te tranco no quarto se varinha – disse Sirius.
Dês pares de olhos assustados o olharam.
- Não seja tolo, Harry – disse a Srª Weasley – Que está dizendo?
- Não posso ficar aqui.
- Idiota – disse Gina.
Ele esfregou a testa: voltara a formigar; não doía assim havia mais de um ano.
- Pelo menos vai para no ano que vem – murmurou Harry.
- Todos vocês correm perigo enquanto eu estiver aqui. Não quero...
- Nobre – disse Hermione.
- Mas não seja tolo – protestou a Srª Weasley – a razão do que fizemos hoje à noite foi trazê-lo para cá em segurança e, graças aos céus conseguimos. Fleur concordou em casar aqui, em vez de na França, já providenciamos tudo para que possamos ficar juntos e cuidar de você...
Ela não compreendia; estava fazendo Harry se sentir pior e não melhor.
- Se Voldemort descobrir que estou aqui...
- Mas ele não poderia descobrir assim tão facilmente, poderia? – perguntou Ana Abbot.
- Tem doze casas que o Harry poderia estar – disse Kingsley.
- Mas por que ele descobriria? – perguntou a Srª Weasley
- Ele é Voldemort – disse Harry.
- Há outros doze lugares que você poderia estar agora, Harry – lembrou o Sr. Weasley – Ele não tem como saber para qual das casas protegidas você foi.
- Não é comigo que estou preocupado! – contrapôs o garoto.
- Isso nós já sabemos – disse Fred.
- Nós sabemos – replicou o Sr. Weasley em voz calma – Mas, se você for embora, teremos a sensação de que os nossos esforços desta noite foram inúteis.
- Você não vai a lugar algum – rosnou Hagrid – Caramba, Harry, depois de tudo que passamos para trazer você para cá?
- Isso só vai fazer eu me sentir pior – comentou Harry.
- È, e a minha relha sangrenta? – acrescentou Jorge, erguendo-se nas almofadas.
- Ajudou muito Jorge – disse Harry secamente.
- Sei que...
- Olho-tonto não iria querer isso...
- EU SEI! – berrou Harry
- Temperamento! Temperamento! – disseram os gêmeos.
Ele se sentiu pressionado e chantageado: será que pensavam que ignorava o que tinham feito por ele, não compreendiam que essa era exatamente a razão por que queria partir, antes que sofressem mais por sua causa?
- Você nunca nos fará sofrer Harry – disse Gina.
Houve um longo silêncio de constrangimento, em que sua cicatriz continuou a formigar e latejar, e que foi, por fim, rompido pela Srª Weasley.
- Onde está Edwiges, Harry? – perguntou ela, querendo agradá-lo. – Podemos colocá-la com Pichitinho e lhe dar alguma coisa para comer.
- Droga! – murmurou Hermione.
As entranhas dele se contraíram como um punho. Não podia contar a verdade. Bebeu o resto do uísque de fogo para evitar responder.
- Nós vamos perceber alguma coisa? – Rony se perguntou.
- Espere até espalharem que você conseguiu novamente, Harry – disse Hagrid. – Escapou dele, o repeliu quando estava em cima de você!
- Dá-lhe Harry!
- Vai Harry!
- Não fui eu – negou Harry categoricamente – Foi a minha varinha. Minha varinha agiu sozinha.
Hermione franziu a testa.
Passado alguns momentos, Hermione argumentou gentilmente:
- Com medo do temperamento Hermione? – Jorge perguntou inocentemente.
Ela o ignorou.
- Nas isso é impossível, Harry. Você quer dizer que usou a magia sem querer; reagiu instintivamente.
- Não – disse Harry.
- Não – respondeu Harry – A moto estava caindo, eu não saberia dizer onde estava Voldemort, mas a minha varinha rodou a minha mãe, localizou-o e disparou um feitiço, e não foi um feitiço que eu conhecesse. Nunca fiz aparecer labaredas douradas antes.
Hermione franziu a testa novamente.
- Muitas vezes – disse o Sr. Weasley -, quando o bruxo está em uma situação critica, é possível ele produzir feitiços com que nunca sonhou. Isso acontece muitas vezes com as crianças, antes de terem estudado.
- Mas eu acho que não foi assim – disse Rony.
- Não foi assim – retrucou Harry com os dentes cerrados. Sua cicatriz estava queimando: ele sentia raiva e frustração; odiava a idéia de que o imaginassem dotado de um poder equiparável ao de Voldemort.
- E você tem Harry. O amor – disse Dumbledore.
Todos se calaram. Harry sabia que não estavam acreditando nele. Agora, porém, lhe ocorria que nunca ouvira falar de uma varinha que fizesse gestos de magia por contra própria.
- Na verdade – disse Hermione timidamente – só bruxos realmente poderosos podem executar magia assim.
Harry corou.
- Eu não sou um buxo poderoso Hermione!
- Você conjurou um patrono corpóreo com treze anos – disse Rony.
Harry corou ainda mais.
Sua cicatriz queimava barbaramente: só Havaí uma coisa que podia fazer para não gemer alto. Murmurando que ia tomar ar fresco, pousou o copo na mesa e saiu da sala.
- Você não vai embora né? – Sirius perguntou.
Ao atravessar o quintal escuro, o grande testrálio ossudo ergueu a cabeça, moveu as enormes asas de morcego, depois continuou a pastar. Harry parou diante do portão que abria para o jardim e se pôs a contemplar as plantas excessivamente crescidas, esfregando a testa latejante e pensando em Dumbledore.
Dumbledore teria acreditado, disso ele tinha certeza. Dumbledore teria sabido como e por que sua varinha agira sem que a comandasse, porque Dumbledore sempre tinha as respostas;
- Oh, nem sempre senhor Potter!
conhecia tudo sobre varinhas, explicara a Harry a estranha ligação que existia entre a sua varinha e a de Voldemort...
?
O salão o olhou assim.
- Por favor, nem vou responder!
mas Dumbledore, tal como Olho-tonto, como Sirius, como seus pais, como sua pobre coruja, todos tinham partido para um lugar em que Harry não poderia mais falar com eles. Sentiu, então, uma ardência na garganta que não tinha qualquer relação com o uísque de fogo.
Harry olhou para baixo.
E sem saber como, a dor em sua cicatriz atingiu o auge. Ao apertar a testa e fechar os olhos, uma voz gritou em sua cabeça.
- Você me disse que o problema se resolveria usando a varinha de outro bruxo!
E em sua mente irrompeu a visão de um velho emaciado, coberto de trapos sobre um piso de pedra, gritando, um grito longo e terrível, um grito de insuportável agonia...
- Não! Não! Eu lhe suplico, eu lhe suplico...
- Você mentiu para Lord Voldemort, Olivaras!
O salão empalideceu.
- Ele pegou o Olivaras – murmurou Harry.
- Coitado! – disse Parvati.
- Não menti... Juro que não...
- Você quis ajudar Potter, ajudá-lo a escapar de mim!
- Juro que não... Acreditei que uma varinha diferente funcionaria...
- Explique então o que aconteceu. A varinha de Lúcio foi destruída.
Draco empalideceu.
- Não consigo entender... a ligação... existe apenas... entre as duas varinhas...
- Mentiras!
- Ele é parente da Umbridge – disse Fred tentando aliviar o clima.
Não funcionou.
- Por favor... eu lhe suplico...
E Harry viu a mão branca erguer a varinha e sentiu a raiva maligna de Voldemort, viu o frágil velho no chão se contorcer de agonia...
As meninas gritaram. Os meninos ficaram pálidos.
- Harry?
- Ufa – disse Harry.
A visão terminou tão depressa quanto surgira: Harry ficou tremendo no escuro, agarrado ao portão do jardim, o coração disparado, a cicatriz coçando. Decorreram vários segundos até ele perceber que Rony e Hermione estavam ao seu lado.
- O trio! – disseram os gêmeos.
- Harry, volte para dentro de casa – sussurrou Hermione – Você não está pensando em ir embora mesmo, está?
- É, você tem que ficar cara – disse Rony, batendo em suas costas.
- Sempre tem alguém pra acalmar o clima – disse Gina.
- Você está passando bem? – perguntou Hermione, agora suficientemente perto para ver o rosto de Harry – Está com uma cara horrível!
- Muito obrigada Hermione!
- Bem – respondeu Harry, tremulo -, provavelmente estou com uma cara melhor do que Olivaras...
Quando ele terminou de contar o que vira, Rony demonstrava espanto, mas Hermione estava aterrorizada.
Assim como as outras meninas.
- Isto devia ter acabado! A sua cicatriz... não devia mais fazer isso! Você não pode deixar essa ligação reabrir: Dumbledore queria que você fechasse mente!
- Você fala como se fosse fácil – disse Harry – eu aposto que sou péssimo nisso.
Ao ver que o amigo não respondia, ela o agarrou pelo braço.
- Harry, ele está dominando o Ministério, os jornais e metade do mundo bruxo! Não deixe que ele se infiltre também em sua mente! Fim!
- Agora, vamos jantar! – disse Dumbledore, sua voz se sobressaindo sobre o grande salão.
Os alunos e os professores jantaram.
- Só mais um capitulo e vamos dormir – disse Dumbledore.
- Eu quero ler – pediu Tonks. – O vampiro de pijamas!
Oie, desculpem só um capitulo, to fazendo economia!
E esse capitulo é dedicado a LilyLunaBlackPotterRevenclaw!
parabéns pra você!
E pra avisar que dia 17/01 eu não vou postar, é meu aniversário e não vou ter tempo de postar nada. Mas vou postar dia 18/01 com a Tiago e Lílian!
Bjs
